12. Lapso
— Alô? – ouvi do outro lado da linha, a voz sem muita expressão de Edward.
— Hm, oi. – falei. – Alice não está, não é?
Eu ri de leve.
— Não... Desculpe, Bella. – ele disse, rindo também.
— Olha... nós precisamos ver o que vamos falar para a srta. Hathaway na sexta... Você acha que poderíamos fazer isso hoje? – perguntei, inventando isso na hora.
— Hm... Se você for sincera e admitir que está desesperada por companhia e pedir por favor, eu posso pensar no seu caso. – Edward zombou.
Bufei.
— Tudo bem, então. Eu estou desesperada por companhia. Mas não vou pedir por favor!
Ele riu.
— Estou indo pra aí. – falou, e desligou.
Comecei a passar os canais da televisão – um filme de romance, uma reprise de um jogo qualquer, um canal de clipes... Escolhi os clipes. Estava passando o clipe da música que ouvi na casa de Edward, e ri sozinha.
Just so you know era fofinha. [http://www(ponto)youtube(ponto)com/watch?v=UfKGb-ef6D8] O jeito que o garoto se sentia era lindo. Toda essa coisa de não poder segurar... Fiquei devaneando sobre isso, até que ouvi uma batida na porta. Olhei pela janela e vi o carro de Edward parado ali.
Na televisão, estava passando um clipe da Ashley Tisdale em que ela destrói a casa do ex. [http://www(ponto)youtube(ponto)com/watch?v=bHzKS0Bs7jI] Achei a ideia bem interessante. Abri a porta para Edward e ele sorriu.
— Que música é essa? – perguntou, enquanto entrava.
— Hmm... – fiz eu, olhando para a tv. – Acho que o nome dessa é It's alright, it's ok. Estou vendo clipes aleatórios.
Ele assentiu e se sentou no sofá, como se estivesse em casa. Eu sentei na outra ponta.
— Agora há pouco passou o clipe daquela música do Jesse McCartney. – falei.
— Que música? – ele perguntou, levantando uma sobrancelha. – Jesse- o quê?
Bufei e revirei os olhos.
— Aquela música que estava tocando no quarto da sua irmã, quando eu fui lá. – insisti. – Just so you know.
— Ahh... – fez ele, lembrando. – A que você achou linda.
Eu ri.
— É, essa mesma. – concordei.
— Aposto que se alguém cantasse essa música pra você, você seria a garota mais boba do mundo. – ele brincou.
— Não. Se cantassem essa música pra mim, eu riria da cara de quem cantou. – falei, e era verdade. – A coisa não é a música, é a pessoa.
— Então como gostaria que "a pessoa" – ele desenhou aspas no ar ao falar – declarasse infinito amor a você?
— Já disse, não importa! Se ele jogasse uma bola de papel no meu cabelo e disser "hey, eu gosto de você" eu já ia ficar feliz. – expliquei, rindo por imaginar a cena.
— Que lindo... – ele brincou, apertando minha bochecha.
Eu dei um tapa forte na mão dele e ele se afastou, apesar de ter rido.
— E você? – perguntei. – Como seria sua declaração perfeita? - gargalhei, empurrando-o de leve.
— Por que está rindo? – ele falou, curioso.
— Por que a ideia de um garoto receber uma declaração de amor é bizarra! – expliquei, ainda rindo.
— Não acho. – ele discordou, e eu revirei os olhos.
— Qual é...! É ridículo!!
— Por quê? – ele insistiu. – Não é ridículo.
— Edward, tudo um que o cara tem que fazer na vida é se declarar para uma garota, pedi-la em namoro, e mais tarde em casamento e poder sustentá-la. – reclamei, fazendo uma careta.
Ele me olhou, em choque.
— Essa é a coisa mais idiota que você disse em toda a vida. – fez ele, destacando cada palavra. – Isso é realmente...
— Edward, não era você o cavalheiro? – provoquei, apertando a bochecha dele como ele fez comigo. Mas, obviamente, ele não me bateu.
— Eu quase concordo com você. – ele falou devagar. – Eu acho que o homem sustentar a mulher, mas não do jeito que você disse. Eu sustentaria minha esposa, e ela só trabalharia se tivesse vontade. Mas isso não é algo imposto, é algo que eu faria com todo o prazer.
Fiquei sem entender.
— Você concorda ou não comigo, afinal? – perguntei.
— Sim, e não. Não acho que seja a obrigação do homem, no geral. Existem muitas mulheres que trabalham e sustentam maridos... E não acharia estranho um pedido de namoro vindo de uma mulher. E nem uma declaração. – ele disse, franzindo o cenho.
Revirei os olhos.
— Fala a verdade, isso é só porque você não teria coragem de se declaram para uma garota. – brinquei.
— Eu teria. – ele discordou.
Ri e revirei os olhos de novo.
— Certo. – ironizei. – Acredito totalmente em você.
— Vamos parar de discutir, por favor. – pediu, meio suspirando.
Gemi.
— Tudo bem, então. Tanto faz. Vamos assistir uns clipes. – falei, apontando a televisão.
Estava começando o clipe da Taylor Swift cantando aquela música medonha dela, Picture To Burn. Toda maquiada daquele jeito, ele fazia lembrar a Scarlett Johansson.
Edward riu logo no começo.
[http://www(ponto)youtube(ponto)com/watch?v=zgzFOpWzWtg]
Stay the obvious,
(Afirme o óbvio)
I didn't get my perfect fantasy
(Eu não consegui minha fantasia perfeita)
I realized that you love yourself
(Eu percebi que você ama a si mesmo)
More that you could ever love me
(Mais do que jamais poderia me amar)
So go and tell your friends
(Então vá e diga a seus amigos)
That I'm obsessive and crazy
(Que eu sou obsessiva e louca)
That's fine
(Está bem)
I'll tell mine
(Eu direi aos meus)
You're gay
(Que você é gay)
Ficamos assistindo os clipes que passavam a tarde toda, rindo à toa das coisas bizarras (Edward e eu juramos nunca mais ver nenhum outro clipe da Lady Gaga depois de Bad Romance* – pelo amor de Deus, aquela dança meio thriler é medonha), e acabamos nos divertindo.
[*http://www(ponto)youtube(ponto)com/watch?v=qrO4YZeyl0I]
Sem perceber, eu estava com as costas apoiadas no peito de Edward e ele estava com os braços em torno de mim. De alguma forma, eu não me incomodei com aquilo tanto quanto eu teria me incomodado se fosse outra pessoa.
— Hum, seu namorado faltou na detenção hoje. Ele estava bem? – perguntou Edward, mas eu tinha certeza que ele não estava preocupado; só queria me ouvir dizendo que ele não era meu namorado.
— Mesmo se ele fosse meu namorado, agora não seria mais. – falei. – Não, ele estava em perfeita saúde física. Quanto à mental... talvez ele tenha ficado um pouco traumatizado depois do fora que dei nele hoje.
— Você terminou com ele? – fez ele, meio surpreso, me empurrando para olhar pra mim.
— Terminei o que nem tinha começado! – bufei.
— É sério? – ele riu.
— É claro que é. – estranhei a surpresa dele. – Não gosto de pessoas impertinentes.
Ele riu de novo e revirou os olhos. Eu revirei os olhos de volta e me aconcheguei novamente nele, com toda a cara de pau.
— Estou com fome. – falei, depois de alguns minutos. – Acho que vou fazer alguma coisa. Você vem?
Eu tirei os braços dele de cima de mim com calma, porque não queria que ele pensasse que eu estava brava ou incomodada – na verdade, tinha sido bem interessante ficar nos braços de Edward.
— Uhum. – ele disse, se levantando depois de mim e me seguindo até a cozinha.
Eu estava com pouca criatividade e muita fome, então apenas fiz uns sanduíches com peito de frango e algumas outras coisas. Edward estava sentado na cadeira do lado da minha, e comemos em silêncio.
— Você não colocou nenhum veneno aqui, não é? – ele perguntou, fingindo desconfiança. – Laxante, talvez? Porque eu reparei que você gostou daquele clipe da Lilly Allen, qual é mesmo o nome da música?
[http://www(ponto)youtube(ponto)com/watch?v=9tbGI5ZWT20]
— Smile. – eu disse, revirando os olhos. – Mas não, eu não envenenei nada, nem coloquei qualquer tipo de substância com intenções maldosas.
— Que bom... – ele disse, aliviado.
Eu apenas ri dele, e ele sorriu para mim. Acho que era a primeira vez que nós dois sorríamos um pro outro – ou pelo menos, a primeira vez que fazíamos isso tão perto um do outro.
Porque só assim, tão perto, eu fui reparar que ele tinha uma covinha fofa perto da boca, que só era mostrada quando ele sorria. E só naquele momento eu reparei também que sua pele era muito, muito lisa, e parecia suave.
Meu Deus, o que eu estou falando? É Edward que você está olhando, Bella!
Hmpf. Diga isso para meus olhos.
Seus lábios repuxados no canto, agora em seu sorriso torto de sempre... Aquele sorrisinho era capaz de me tirar do sério. Em alguns momentos, ele parecia extremamente cínico, e eu tinha vontade de bater nele.
Mas nesse momento, o sorriso dele só fez com que, idiotamente, eu tivesse vontade de beijá-lo ali mesmo, na cozinha da minha casa.
Era a coisa mais irracional que eu já tinha pensado em toda a minha vida, mas foi o que eu fiz. Ou o que eu ia fazer, já que assim que me aproximei meio milímetro, Edward fez inexistir o resto do espaço entre nossas bocas.
A primeira coisa que eu pensei foi que, uma semana antes, eu nunca tinha beijado nenhum garoto, e que agora eu já tinha beijado dois.
A segunda foi: Eu estou beijando Edward Cullen! O QUE EU TENHO NA CABEÇA???
Mas a terceira anulou as outras duas: Dane-se.
Eu estendi minha mão até ele, deixando-a em seu rosto. Era mesmo tão suave quanto parecia, apesar de seus traços fortes. Ele estava com as mãos em minha nuca, puxando-me para mais perto dele.
Ao mesmo tempo que estava sendo inimaginavelmente carinhoso, Edward estava me beijando com desejo e um certo toque de urgência. Eu desejei que não acabasse nunca.
Seus lábios nos meus, de repente fazendo-os ceder passagem para sua língua... Eu me perdi. Achei que no próximo segundo eu iria acordar, ou alguém ia me dizer que aquilo tinha sido só uma brincadeira.
Apesar de não parecer.
Não tenho muita experiência com isso, mas senti. Foi como se tivessem me segredado. Não era só um beijo. Tinha algo mais ali. Edward não estava me beijando como se eu fosse a última mulher do mundo, que ele era obrigado a conviver.
Ele me beijava... bem, como se, entre toda a população feminina do universo ele tivesse me escolhido como única. E eu estava totalmente retribuindo isso.
Foi então que eu ouvi uma tosse forçada. À contra-gosto, me afastei um pouco de Edward e olhei para o lado.
Corando absurdamente, eu me afastei mais ainda de Edward, encarando Charlie com um olhar que não poderia ser melhor descrito com outra palavra além de desespero.
— P-pai! – gaguejei, meus olhos arregalados e meus olhos lacrimejando de tanta vergonha.
Ai meu Deus... Que coisa ótima para escrever no diário hoje à noite!
Querido diário, hoje meu pai me viu dando uns beijos no garoto mais lindo da escola, que por acaso, eu totalmente odeio, mas estou descobrindo que adoro.
NÃO! Isso não está acontecendo!!
— Pai! – falei de novo, sem saber o que fazer.
Arrisquei um olhar rápido para Edward, e ele estava tão sem graça quanto eu.
— Isso aí é com frango? – Charlie perguntou, apontando para os sanduíches que haviam em cima da mesa. Eu e Edward não tínhamos comido todos os que eu tinha feito.
— É. – respondi, assentindo fervorosamente.
Ele pegou um, mordeu e foi para a sala. ASSIM. Ignorando completamente a situação mais constrangedora da minha vida. Eu olhei para Edward, meus olhos arregalados e surpresos com a reação de Charlie.
Eu fiquei olhando para ele, e ele pra mim, cada um esperando que o outro falasse alguma coisa. Nós dois continuamos quietos. O telefone tocou e nós pulamos, acostumados com o silêncio. Fui atender.
— Alô. – falei, minha voz totalmente sem vida. Eu ainda estava em choque.
— Bella! Edward está aí? – perguntou Alice.
Eu corei.
— Está. – respondi.
— Diga para ele parar de namorar e vir para casa. – fez ela, rindo.
Era uma brincadeira, mas eu me engasguei.
— Claro, Alice. – respondi, um segundo depois.
— Obrigada! Um beijo! Até amanhã.
— Até. – murmurei para o telefone mudo.
Voltei até onde estava.
— Era Alice. – falei, com a mesma voz morta. – Ela disse para você... er.... ir para a sua casa.
Ele assentiu e se levantou. Quando passou por mim, tocou meu rosto. Não como um acidente – ele realmente afagou minha bochecha.
— Já vai, Edward? – perguntou Charlie, casualmente. Eu tremi, lembrando de Jacob dizendo sobre as perguntas do meu pai.
— Sim, senhor, Chefe Swan. – disse Edward.
— Me chame de Charlie, rapaz. – disse ele, rindo, e eu me apavorei.
Edward sorriu de leve para ele e disse alguma coisa que eu não prestei atenção, ao que Charlie respondeu com um risonho "até mais".
Abri a porta para Edward e ele saiu, andando direto para seu carro. Eu fiquei na porta, paralisada, ainda em choque pelo que acabara de acontecer. Ele se virou um segundo antes de abrir a porta daquele estúpido e brilhante volvo prata.
E sorriu.
Apenas isso. Um sorriso. E eu não pude evitar de, mesmo hesitante, sorrir de volta.
Entrei em casa com cara de paisagem e me sentei no sofá para me distrair com qualquer coisa. Obviamente Charlie não estava assistindo clipes, mas sim um jogo de qualquer coisa que eu nem prestei atenção.
Coloquei os pés no sofá e abracei os joelhos, abaixando a cabeça. O quê eu tinha acabado de fazer?
— Bella... – ouvi Charlie chamando, e colocando o jogo no mudo. Eu levantei a cabeça e reparei que era basquete que ele estava assistindo. Não consegui olhar para ele. – Você está bem?
— U-hum. – respondi, assentindo.
— Edward estava sendo engraçadinho quando beijou você? – ele perguntou, e quase pude vê-lo pegar a arma, tentando soar ameaçador.
Eu meio que ri.
— Não, pai. Eu... Eu estou cansada. Vou dormir.
Me levantei e fui para o quarto. Peguei meu diário e, trêmula, escrevi.
Quarta-feira, 2 de junho de 2006
Tive um lapso.
SOCORRO!
B.
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Oiee, pessoas lindas :D
Enfim, um beijo *hoho*
Mas não vou dizer que as coisas serão fáceis depois disso... *lalala*
Eu passei o dia todo vendo clipes, por isso esse capítulo saiu tão "musical"... :D
Espero que tenham gostado!
Um big beijo para:
Lali Durao, Priiii, Regina Swan Cullen, loli, Rêh, Vivi LeBeau, Ina Alice Cullen Winchester, Dany Cullen, Dani, Gibeluh, Lyka Cullen, Pixel, Gabi, Anna Paula, Ana Krol, Bee Stream, Hebe, Dani Marjorie, roosi, carolshuxa, Kah Reche, Lize G., Maarii e Rafinha.
Amei as reviews! *-*
Beijo enorme ;*
