13. Capítulo treze

Na aula de Educação Física, empurrei Edward não tão disfarçadamente para dentro de um vestiário vazio.

— Isso é uma tentativa de sequestro? – perguntou Edward, rindo.

— Não seja idiota, Edward. – reclamei, franzindo o cenho.

— Está tentando se aproveitar de mim? – ele levantou uma sobrancelha, sorrindo.

Engoli em seco.

— Claro que não. – falei, minha voz nem um pouco forte.

— Então...?

— Precisamos conversar. – soltei, por fim.

— E por que não lá fora? – ele estranhou. E então, antes mesmo que eu respondesse, ele bateu na própria testa. – Está com medo de nos virem juntos?

— Não. É o medo de que comecem a fazer suposições. – falei, minha voz soando desesperada até para mim.

— Qual é o problema com suposições? – fez ele, sorrindo de curiosidade.

— Elas estão sempre erradas. – respondi, séria.

— Quais são as suas suposições?

Não respondi.

— Eu não tenho pressa. – ele respirou fundo e se recostou na parede do espaço mínimo.

Flashback

Oi, Bella! – disse Alice, saltitando para perto de mim. Eu sorri para ela, insegura. O medo de encontrar Edward estava me dominando; eu não sabia o que dizer a ele.

Bom dia, Alice. – falei em resposta, com um sorriso pequeno.

Você poderia me dizer o que aconteceu ontem à noite? – pediu, e eu corei, desviando o olhar. Ela não pareceu perceber. – Edward fica me evitando e está todo misterioso. E feliz demais. O que diabos aconteceu?

Feliz demais? – eu ecoei, um sorriso idiota se formando em meu rosto.

É, você sabe. Ele até tocou piano ontem à noite! E hoje acordou todo bobo, dizendo 'bom dia' até para as paredes...

Trinquei os dentes, não querendo sorrir. Ele estava feliz? Feliz por ter me beijado? Feliz???? Ah, Deus. Isso era... demais.

Oi, Bella.

Okay, tudo bem. Não TÃO demais. Claro, claro; é lindo saber isso, mas VER... Nem tão lindo.

Hm, oi. – fiz eu.

Está no horário da sua aula, não está, Alice? – ele perguntou, com um sorriso que, se fosse dirigido a mim, provavelmente me faria desmaiar.

Alice sorriu com malícia demais para o meu gosto.

Claro, está na hora. Até mais, Bella. – ela disse, acenando e se distanciando.

Hm. – falei, desconfortável. – Isso foi mesmo necessário?

Edward sorriu enquanto se aproximava de mim e colocava sua mão calmamente em meu ombro. Idiotamente, aquele toque me fez relaxar um pouco e eu suspirei. Ele se abaixou um pouco e eu não consegui me impedir de ficar na ponta dos pés.

E nos beijamos.

Era a coisa mais retardada que eu já tinha feito, ainda mais analisando o fato de que eu nunca tinha deixado o cara que eu estava saindo até ontem me beijar na escola.

Mas o que eu ia fazer? Edward era simplesmente...

Irresistível.

No verdadeiro sentido da palavra.

/Flashback

Tinha sido naquele momento, perdida em pensamentos enquanto Edward me beijava, que eu tinha percebido. Quer dizer, Edward era aquilo mesmo. Irresistível. E então eu finalmente percebi.

Toda aquela coisa que eu imaginei na minha cozinha – ele ter me escolhido e todas aquelas idiotices – e tudo o que eu fantasiei enquanto ele me beijava na frente de dezenas de pessoas...

Tudo.

Eu nem acreditei que tinha sido tão burra. Não era até semana passada que eu o odiava? Por quê eu tinha deixado de odiá-lo? Seria muito melhor daquele jeito!

Porque, se eu ainda o odiasse, eu poderia simplesmente lhe dar um tapa na cara e xingá-lo.

Só que agora eu sabia.

Eu sabia que não o odiava. Muito pelo contrário. MUITO pelo contrário.

E, por isso, eu não podia bater nele quando percebi que aquilo era pura e simplesmente mais uma aventura para ele.

Ha, ha, ha, vamos enganar a idiota e certinha da Swan!

COMO eu não tinha visto isso?

Estava nos olhos dele agora, no vestiário. Aquele sorriso... Argh.

— Eu suponho que nós não vamos mais falar sobre isso, em hipótese nenhuma.

— É isso o que você quer? – Edward perguntou em um tom monótono.

— Se eu disser que sim, é isso o que você vai fazer? – perguntei.

Ele sorriu torto e deu de ombros. Nesse momento, eu queria bater nele por me lançar um sorriso tão perfeitamente encantador.

— Na verdade, é. – respondi, por fim. – Então nós podemos fazer isso?

O sorriso de Edward se tornou ainda mais presunçoso.

— Espere para ver. – soltou ele, antes de se virar para sair.

Segurei o braço dele com força, fazendo-o ficar.

— Edward... – comecei, milagrosamente mais pedindo do que ordenando.

Ele se virou de volta pra mim.

— E por que eu deveria fazer isso? – ele perguntou, falando sobre não contar pra ninguém.

Não respondi.

— Não é como se você não tivesse gostado. – disse ele, se aproximando de mim. Eu recuei. – Porque então não teria correspondido.

Eu corei.

Flashback

Bella! Você está namorando com Edward Cullen? – Jessica soltou, logo na primeira aula.

Eu me engasguei com a saliva e a encarei, em choque.

Não! – falei.

Mas vocês estão saindo, certo? – ela insistiu, falando um pouco mais baixo porque o professor tinha entrado na sala.

Deus, não! Não estamos saindo! – sussurrei para ela.

Então o que foi aquele beijo na hora da entrada? Qual é, Bella, pensei que fôssemos amigas! – ela se fez de triste, mas eu sabia que ela só estava querendo saber de mais uma fofoca para poder espalhar para todos.

Não foi nada, Jess. Simples assim. – murmurei, abrindo meu caderno de anotações.

Bella, aquilo não foi "nada". – reclamou ela, desenhando aspas no ar. – Vocês estão juntos e não quer me contar? Não acredito que está desconsiderando todos os nossos anos de amizade e...

Jess! – repreendi. – Eu não estou dizendo nada porque realmente não existe nada entre nós. Você quer saber o que foi aquele beijo? Eu te digo: foi um erro. Um erro enorme.

Você vai almoçar com ele. Eu ouvi quando ele te convidou. – ela insistiu. – Tem que haver algo mais. Ele nunca chama ninguém para almoçar com ele. Ele nunca deixa ninguém almoçar com ele.

Tanto faz. – respondi, mas meu coração estava absurdamente louco em meu peito e eu estava surpresa por Jessica não estar ouvindo-o bater freneticamente.

Ahh, não. Você não está dizendo tanto faz para o fato de Edward Cullen beijar você! – ela praticamente rugiu, nervosa.

Não foi a primeira vez. – soltei sem querer, apenas desejando que ela parasse de fazer daquilo uma grande coisa.

O quê??? – fez ela, abrindo a boca em um O. Gemi.

Jess, ignore isso, por favor... – pedi.

Ah, meu Deus. Quando? – ela arfou.

Ontem. Agora pare com isso, por favor. – ordenei. – Okay? Vamos deixar isso quieto. Esqueça, certo?

Ah, meu Deus. – ela repetiu, balançando a cabeça.

Algo me dizia que ela não ia esquecer.

Vai me dizer que o beijo não foi bom! – ela ironizou, jogando as mãos para cima, indignada.

Não é isso. – falei, corando demais.

O que é, então? – ela insistiu. – Meu Deus, você está corando!

Eu sei. – resmunguei.

Por que foi um erro, Bella?

Hm, quando é que começam as provas finais, Angela? – murmurei, me inclinando para frente.

— Por que foi um erro, Bella?

Segunda-feira. – ela respondeu com um sorriso simpático.

Obrigada.

Por que foi um erro?

Por que ele não gosta de mim, entende? E eu gosto dele. Queria não gostar, mas não vejo como evitar isso. – soltei, me afundando na cadeira.

Eu arrisquei um olhar para o lado, e ela me encarava com a boca aberta, em choque. Gemi.

/Flashback

— Tive um lapso. – falei, hesitando.

Ele balançou a cabeça devagar.

— Não foi só isso.

Trinquei os dentes.

— E o que você sabe? O que isso foi pra você? – indaguei, forçando a voz para que ela não saísse chorosa, como eu estava.

Seu sorriso sequer vacilou.

— Você sabe.

— Eu não sei! – grunhi. – Não estaria perguntando se soubesse!

Edward deu um pequeno passo à frente, se aproximando mais de mim. Engoli em seco, mas não consegui ordenar minhas pernas a se mexerem. Ele levantou a mão devagar, passando por minha bochecha calmamente e indo descansar em minha nuca. Eu tentei dar um passo para trás, mas bati o calcanhar na parede e percebi que estava encurralada. Engoli em seco novamente.

— Bella... – ele disse.

E eu não respondi. Como poderia? Não que ele estivesse bloqueando minha boca, ou... Mas simplesmente não consegui dizer nada. As palavras fugiram de mim. Fiquei apenas o encarando, sem me mexer, sem falar.

Devagar, mas decididamente, ele se aproximou mais de mim e encostou os lábios nos meus. Eu virei o rosto e suspirei de frustração.

— Isso nunca daria certo. – murmurei, minha voz sem muita força, porque eu sequer concordava com aquilo. Eu só queria que ele parasse com o joguinho idiota.

Flashback

Eu estava cambaleando, agoniada, até o refeitório. Pessoas me lançavam olhares curiosos, e até maldosos o tempo todo, e eu estava enlouquecendo. Podia perfeitamente ouvir os sussurros mal sussurrados de "Edward Cullen e Bella Swan estão juntos". Tudo o que eu queria era sumir.

Comprei apenas uma soda e sentei longe de tudo e todos, na esperança de ninguém me ver.

Como se eu tivesse alguma sorte!

Bella! Por que você está aqui sozinha? Eu te procurei pela escola toda! – Alice perguntou, surgindo do nada.

Eu a encarei, em pânico, como se por causa de ela ter falado meu nome alto, alguém fosse aparecer ali com risinhos e comentários.

Hm. Apenas refrescando a mente no silêncio. – falei, com um sorriso falso.

Não seja boba! Vamos almoçar com a gente! – ela pediu.

A gente? – ecoei, quase sem querer.

Alice suspirou.

Bella, não seja boba. Pelo amor de Deus, você está com vergonha de Edward?

Claro que não! – falei, rindo desconfortável.

Então venha logo, bobinha!

E, sem perceber, eu já estava sendo puxada para longe do meu refúgio calmo. Eu vi Edward sentado, sorrindo de leve apesar da ruga de confusão em sua testa.

Hm. Oi. – falei, franzindo os lábios e sentindo meu rosto corar.

Me sentei entre Alice e Edward, sem graça.

Sem fome? – perguntou Edward.

Ah. Hm. É, sim. – falei, corando mais.

Bella... – disse Edward, e eu engoli em seco automaticamente, me virando para ele devagar. – Qual é o problema?

Hm, o problema? O problema é que você é bonito demais para minha sanidade, e idiota demais para minha saúde. Esse é o problema, Edward.

Nenhum. – soltei, sem conseguir desviar os olhos dele.

/Flashback

— Você é a única que acha isso. – ele sussurrou em meu rosto.

Engoli em seco pela milésima vez. Bota seco nisso.

— Nós somos muito diferentes... – continuei, ainda falando baixo.

— Os opostos se atraem. – ele murmurou, beijando meu rosto.

Eu sabia que havia algum outro motivo importante na minha defesa incrível, mas estava difícil de pensar em qualquer coisa enquanto seus lábios estavam me tocando.

— E-eu não me sinto atraída por você. – falei, apesar de ser um pouco (ou melhor, totalmente) mentira.

Edward riu baixo.

— E Forks é uma cidade ensolarada. – ele rebateu, irônico.

E então, foi demais pra mim.

— Você é tão... tão... presunçoso! – grunhi, minha força voltando com a raiva.

Coloquei minhas duas mãos em seu peito e o empurrei com força para longe de mim. Eu sabia que nunca conseguiria movê-lo se ele não quisesse, mas sabia também que ele nunca me forçaria.

— Eu odeio você. – sibilei, e era totalmente verdade. Naquele momento, pelo menos. – Eu te beijei, certo? Grande coisa! Isso não tem nada a ver!

— Nada a ver com o quê? – ele perguntou, enquanto se afastava.

— Com nada! – grunhi. – Com absolutamente nada!

— O que você está dizendo? – ele perguntou, levantando uma sobrancelha, confuso. Eu quase ri.

Quase.

— Me deixe ir. – grunhi, porque, de repente, ele tinha segurado meus pulsos para me manter ali.

— É isso que você quer? – fez ele, tão devagar que achei que ele tinha adquirido, do nada, problemas mentais.

Não que ele já não tivesse problemas mentais sérios antes, na verdade...

— É. – sibilei.

Como se eu tivesse pegando fogo, ele me soltou.

— Me diga uma coisa antes, Bella. – fez ele, hesitando.

Engoli em seco pela milésima vez.

— Claro. – consegui murmurar.

Por quê?

Então tá. No momento, eu estava realmente odiando Edward Cullen. Mas isso não significa que eu seja imune ao seu olhar de preocupação. Ele meio que se inclinou para mim ao pedir. Eu ia falar.

Juro que eu ia.

Mas, quando abri a boca para dizer – apesar de ter tentado esconder os reais motivos dele, porque me envergonhava por não ser capaz de não gostar dele do jeito que eu gostava – alguém me interrompeu.

— Cullen e Swan! O que estão fazendo aí dentro? – ouvi o treinador questionar, falando alto.

Percebi que ele devia estar do outro lado da porta e gemi baixo. Edward suspirou e beijou minha testa de um jeito fofo. Eu encostei minha cabeça em seu peito.

— Estamos ferrados. – murmurei.

— Como sempre... – ele concordou, com um suspiro, ao abrir a porta.

— Vocês dois! Agora! Já pra sala da diretora!! – disse o treinador, parecendo em choque.

Hm, talvez eu também estivesse em choque se visse uma garota sair de um espaço mínimo com um garoto. Gemi.

— Sim, senhor. – disse Edward com um toque de diversão. Bati nele. – O que eu fiz dessa vez?

Nasceu. – reclamei. – E, ahh, eu não sou pertinaz.

Ele gargalhou.

— Procurou o significado finalmente? – quando não respondi, ele continuou – Não estava sendo teimosa agorinha mesmo?

— Eu estava defendendo um ponto de vista. – reclamei.

— Teimosa.

— Não sou!

— Já está sendo! – ele bufou, e eu cruzei os braços sobre o peito, nervosa.

O professor segurou nossos braços não muito delicadamente e começou a nos arrastar dali para o caminho conhecido que levava à sala da Srta. Hathaway.

— Somos amigos, então? – Edward perguntou de repente, parecendo assombrado com a possibilidade de não sermos.

— É claro que sim! Essa é a ideia! – falei, surpresa por ele não ter percebido.

— Ah. – murmurou. – Isso é bom. Acho. Mais um acordo?

Revirei os olhos.

— Nós nunca cumprimos, mesmo... Que tal esquecer isso e nunca mais comentar? – murmurei, dando de ombros. – Tanto faz.

O que era totalmente mentira.

Tanto faz? É claro que não tanto faz!!!!!

— Soa perfeito. – ele disse, meio sarcástico. – E lá vamos nós...

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Hm. Demorei milênios, eu sei. Sorry.
Mas, aí está o conturbado capítulo treze.

Mil obrigadas pelas reviews e até mesmo pelas reclamações da demora *-*
Amo vocês :DD

*passando rapidinho pq ainda tenho que postar no meu outro perfil /abafa*

*Bree :DD

PS: O capítulo não tem nome, estou totalmente sem inspiração.