Clockwork Robot
Vernon nunca foi um homem de grandes gestos românticos, na verdade. Não posso me lembrar de sua última declaração - talvez tenha sido quando Dudley nasceu, e ele disse que me amava, e que era um presente maravilhoso. Mas eu nunca me importei, realmente.
Eu sei que as pessoas que nos conheceram, quando jovens, se perguntavam porque eu tinha decidido ficar com ele quando poderia "ter arranjado algo melhor". Nunca esperei que alguém entendesse, realmente (meus pais não entendiam, e Lily, com seu noivo cheio de gestos grandiosos, certamente nunca poderia entender). A paixão esfria, e todos envelhecemos e ficamos mais velhos. Para um casamento, é preciso compatibilidade. Estabilidade.
Minha família nunca foi particularmente estável, e nem um pouco unida depois que Lily se foi. Éramos todos tão diferentes, pensávamos de formas distintas, e os mesmos valores em nossas bocas soavam tão diferentes quanto o inglês do javanês.
Mas Vernon me entendia, em cada detalhe, mesmo naquelas coisas que não costumávamos falar. Para ele eu sabia que podia contar, sobre minha irmã, sobre meus pais, sobre meus medos, sobre meus ciúmes. E ele nunca me recriminou, e me ajudou em cada passo. Não precisava se declarar, pois em cada vez que queria perguntar sobre a minha irmã e não o fazia (e eu sabia, todas as vezes, que ele pensava em algo assim), era prova o suficiente de amor.
Então eu decidi ficar com ele, mesmo sendo um sujeito prático e nada romântico. Não tinha importância, no final, porque eu sabia, o tempo todo, em cada pequena atitude dele. Foi uma boa escolha, afinal. Vernon me fez feliz, por muitos anos, e me deu muitas memórias maravilhosas, apesar de todas as dificuldades que tivemos.
Não precisava de palavras, elas não seriam capaz de dizer a verdade.
Nós somos iguais.
