Human Nature

Eles tinham sete anos, e estavam trocando confidencias no jardim da casa dela.
"Por quanto tempo você vai ficar comigo?" ele perguntou, sério.

"Para sempre", ela respondeu, e ambos sorriram e deram as mãos de forma tímida.

"Promete?" ele questionou, meio sem jeito.

"Pela minha mãe mortinha!" ela respondeu, rindo.


"Você lembra daquela ida a Hogsmeade pouco antes do natal, ano passado?"
"Nosso primeiro encontro", ela respondeu prontamente. Ele sorriu levemente, e a beijou.

"Hm, excelente" ele disse, depois e ela riu bobamente.


"O que você está planejando" ela perguntou, séria, na tarde depois do jogo contra a Grifinória.

"Nada." Ele ergueu uma sobrancelha pra ela. "Por que estaria planejando algo?"

"Você não foi ao jogo" ela acusou, com a mão na cintura.

"Eu nunca escondi nada de você, Pansy" ele lembrou, antes de olhar novamente para o pergaminho com uma lista de preparo da poção.

Essa foi a primeira vez que ela desconfiou de algo.


"Você já pensou em casamento?"

"Abstratamente?" ele questionou, claramente de má vontade.

"Em com quem você vai casar, eu quero dizer."

"Pansy, se eu fosse você, preocuparia minha cabecinha com coisas de podem acontecer - como morrer nessa guerra maluca - e não com esse tipo de bobagem."

Ela o olhou, chocada, e ele respirou fundo.
"Desculpe."

"Tem sido ruim?"

"Você sabe."

Mas, na verdade, ela não fazia idéia. E ele sabia disso.


"Eu achei que nós fossemos uma dupla."

"Nós éramos."

"Você disse que seriamos ser para sempre." Não tinha raiva em sua voz, ou lágrimas. A mágoa era profunda demais para isso.

"Não, Pansy. Você disse." O olhar dele era vazio, sem brilho, e ela queria matá-lo por isso.

"E você me fez prometer! E disse, tantas vezes..."

"Todo mundo mente, Pansy" ele respondeu, cansado. "Inclusive eu. Inclusive você."

"Não para você" retrucou, na mesma hora.

Ele a olhou por um longo momento, em silêncio.

"Nem eu para você. Não mais."

Draco foi embora, e ela ficou ali, olhando para ele, e se perguntando como pudera, um dia, acreditar tanto e algo. Em alguém.

E, de repente, tudo que podia desejar era que todas aquelas memórias se desfizessem no tempo e ela pudesse esquecer, completamente, que um dia tinha sido tão próxima de Draco Malfoy.