A Tempestade
Ele poderia tê-la enforcado, poderia ter proferido o feitiço, poderia ter enfiado facas em seu corpo e observado com prazer enquanto o sangue saía do corpo; e nem assim, ele teria tanta certeza que tinha que era o responsável pela morte dela quanto agora. Suas mãos estavam sujas de sangue, impuro e belo, como ela, que fazia todo o mundo virar de cabeça para baixo cada vez que sorria.
No entanto, aqueles olhos verdes ainda o seguiam, ainda eram encarados, e ele os amava, embora odiasse o resto. Os cabelos negros, a forma magra, os traços de Potter tão marcados, e ela tão discreta, difusa, disfarçada no meio daquele rosto. Não parecia certo, não parecia bom. Mas ele fazia, por ela, porque tinha amado-a, porque tinha matado-a.
E quando fechava os olhos, uma última vez, a via ali, pequena e sorridente no parquinho ainda bem cuidado, através dos olhos do filho. Porque tinha amado-o também, do seu jeito. E também iria matá-lo, em breve.
