Conto de Fadas
Os Lovegood eram uma família majoritáriamente sangue-puro, sim. Mas sempre foram excêntricos, e entre essas muitas excentricidades estavam lerem para seus filhos contos de fada trouxas.
Quando ele a viu pela primeira vez, era como estar em um deles. A forma como ela dançava na grama, ao som da música da festa, era como a aparição de uma daquelas criaturas belas e delicadas que os trouxas falavam. A leveza de seus pés (descalços), o sorriso dela enquanto girava nos braços do rapaz, o brilho no olhar, eram todos encantadores.
Xenophilus soube imediatamente que estava irremediavelmente apaixonado, e que faria tudo para consegui-la.
Porque ela era como o brilho de um raio de sol no meio de toda a guerra sombria, ela trazia a mágica na ponta dos dedos dos pés, no canto da boca. E sem pensar no que poderia parecer aquilo, foi tirá-la para dançar com ele.
E ela riu, e conversou, e dançou com ele, de tantas formas. E se abraçaram, como se fosse para sempre.
Os pés continuaram leves, em um movimento singelo, cada dia de suas vidas em comum.
Até o dia em que pararam de dançar, imóveis e sem vida, e ele achou que a escuridão o tomaria para sempre.
Foi então que ele viu a filha se aproximar, com seus grandes olhos azuis, os cabelos tão loiros.
E a mesma leveza nos pés.
Soube, naquele momento, que ainda tinha algo pelo qual viver.
