Intocável
Ela o ouviu. Com paciência, e esperou. Quis ajudar, porque gostava dele. Era um garoto sensível, não temia expressar seus sentimentos. Tinha problemas, e tinha medo, e não tinha ninguém -- como ela.
Ela o esperou. Todos os dias, até ele vir e começar a falar. Respeitando o espaço, porque ele precisava. Era um garoto que ela entendia, com quem podia conversar. O mundo era um pouco menos solitário, quando ele vinha. Um pouco mais vivo.
Ela se desesperou. Toda aquela luta, e aquele sangue. Não queria que ele morresse, que fizesse companhia eterna a ela. Ia além da pura ambição, do desejo de ter alguém. O queria bem, e todos aqueles tons de vermelho se misturando, eram aterrorizantes. Agradeceu, sem parar, a Snape.
Ela ainda esperava que ele viesse, quando soube do que acontecera. A traição, que não era a ela, e ao mesmo tempo, a atingia tão profundamente. Queria não ter raiva, não ter ódio. Queria entender o que tinha acontecido. Todas as confissões e o desespero, eram peças se encaixando. Não poderia, realmente ajudar.
Quis tocá-lo e dizer que entendia, mas ele nunca mais apareceu, e não conseguiria de qualquer jeito.
(Lembrou-se muito bem que estava morta. E o romance, para ela, nunca mais viveu.)
