Pequenas Coisas

Luna não esperava que Harry fosse convidá-la para ir com ele a festa do Slughorn. Nunca antes tinha ficado tão contente, porque aquilo deixava uma coisa realmente clara: ele gostava dela. Eles eram amigos.

E Luna? Gostava muito de Harry também. Ele era uma boa pessoa.

Harry não esperava subir as escadas e ver seu próprio rosto pintado no teto. Nunca tinha reparado no quanto Luna dependia deles para ter amigos, no quanto ela se importava, mas algo ficou realmente claro: ela o valorizava. O considerava um verdadeiro amigo.

E Harry? Harry a considerava uma amiga também. Ela era especial.

Luna não esperava que Harry a salvasse, com ajuda de Dobby, das masmorras da Mansão Malfoy. A consideração a deixara feliz, e cheia de esperanças novamente, embora ela nunca perdesse a esperança, era bom saber que ele não perdia.

E Luna? Ela tinha esperança em Harry, sempre. Ele merecia, por quem era.

Harry não esperava ser salvo de dementadores por Luna. A voz dela era firme e encorajadora, sempre calma, mesmo com todo o terror. As palavras, embora apenas atestando o óbvio, pareciam revestidas de uma fé e uma confiança, que só ela sabia demonstrar.

E Harry? Ele também confiava nela, e tinha fé que ela conseguiria sair viva. Ela era quase irreal demais, para não conseguir.

Passaram o resto da vida surpreendendo um ao outro, compreendendo um ao outro, estimulando um ao outro de uma forma que era tão simples, tão evidente, e no entanto... Tão surpreendente a cada vez. Seria tolice levar aquilo como atração, ou como romance, ou como amizade; era algo além e diferente de todas essas coisas. Não era sempre, não era o tempo todo, certamente não era desejo. Mas, quando acontecia, era como o clique de duas peças se encaixando perfeitamente. Duas metades opostas e iguais em cada detalhe, uma sensação única e inexplicável de compreensão e aceitação.

Eram amigos, claro, e o diziam sempre. Como mais poderiam chamar aquilo? Afinal, diferente de com Ron, Hermione, Ginny ou Neville, eles se entendiam de uma forma que era quase além das palavras, dos pensamentos, das coisas em si: era na essência.

(Na verdade, só George entenderia. E, claro, preferia nem lembrar, para entender.)