Sakura estava sentada no banco do jardim e sorria para Aya, que engatinhava para ela. As tardes das últimas semanas tinham-se passado assim. A menina adorava ficar no jardim; para ela, aquilo era uma imensa floresta a ser explorada. O ar puro dera às duas uma aparência saudável e disposta.

Fazia três semanas que tinha se tornado a 'senhora Uchiha'. Agora, chamava-o de Sasuke; seria estranho se os outros a ouvissem falar no sr. Uchiha.

A sra. Yudo, que comandava a casa, devia achar muito diferente aquela família; principalmente, os aposentos de dormir. O quarto de Sasuke era ligado ao de Sakura por uma porta, mas essa sempre ficava trancada, e ele nem sequer tinha a chave.

O assunto da babá foi resolvido, contratando uma mocinha para ajudar Sakura. Yumi era muito amável e, sem demora, Aya apegou-se à nova companheira.

Tudo corria bem. Sakura diria que estava muito feliz, se não tivesse se casado com aquele homem. Eles não conversavam e ela sabia que o silêncio dele era a forma de expressar seu descontentamento. A única coisa que reconhecia era que ela era uma boa mãe. E, querendo ou não, Sasuke também tinha que admitir que Aya amava-a muito. A menina brincava no meio das flores e estava toda suja de terra. Sakura tinha quase certeza de que Sasuke não gostava de ver a filha suja daquele jeito, mas ainda não havia reclamado. Olhou para o relógio; era a hora de ele chegar, a pior hora do dia.

Vendo-o aproximar-se da casa, Sakura percebeu que não vinha sozinho. A distância do jardim até a porta de entrada era grande, mas pôde ver que havia uma ruiva que sorria, provocante, e que passava o braço no de seu marido.

Sakura levantou-se. Aya percebeu o movimento brusco e olhou em direção a casa.

— Papai!

Sakura pegou-a no colo, enquanto a menina sorria para ele.

Sasuke o vinha na direção delas, e a mulher ainda estava ao seu lado. Vendo-os, Sakura confirmou suas suspeitas; a mulher que vinha com seu marido era Karin.

Os olhos da recém-chegada brilharam de surpresa, ao reconhecê-la.

— Sakura, querida — disse, devagar. — O que está fazendo aqui? Com certeza não é a babá, é?

Sakura corou de raiva. Ela e Karin nunca tinham sido amigas, a ruiva não podia ver homens bonitos que se atirava para cima deles e não desgrudava. E estava fazendo exatamente isso com Sasuke.

— Não, não sou a babá — respondeu, seca, e olhou firme para o marido.

— Sakura é minha esposa, Karin. Pensei que você soubesse — Sasuke disse, indo brincar com a filha.

— Sua esposa? — O olhar dela não escondia o espanto. — Sabia que você havia se casado, querido, mas nunca diria que era com Sakura. Na verdade, nem sabia que vocês se conheciam. — Deu um sorriso maldoso e continuou: — Mas, vendo essa criança linda no seu colo, percebo que já se conhecem há um bom tempo. Agora entendo por que você sumiu de repente, Sakura.

— De onde vocês se conhecem? — Sasuke perguntou, curioso.

— Nós duas somos modelos, querido. — Karin deu uma risada. — Bem, pelo menos, éramos — corrigiu. — Você sabia que teria chance de ser uma modelo internacional? Se bem que, é claro, inferior a mim.

— Não precisa se preocupar em competir — Sasuke disse, com educação. — Você é maravilhosa. — Sorriu para Yumi, que vinha chegando, trazendo limonada. Entregou Aya para ela e disse: — Dê banho nela, por favor. Sakura ficará conosco. — Sentou-se entre as duas e serviu-lhes o refresco. — Avise a sra. Yudo de que teremos mais uma pessoa para o jantar, Sakura. Você ficará, não é, Karin?

— Será um prazer — respondeu, cruzando as pernas num gesto provocante. — Mas não quero atrapalhar os seus afazeres, Sakura. Ficarei muito bem acompanhada com o seu marido.

Sakura controlou-se ao ouvir a voz insinuante de Karin. Poderia ficar ali por medida de segurança, mas não daria esse prazer a eles; não faria papel de boba em sua própria casa. O que será que Karin era para Sasuke? Se suas suspeitas fossem verdadeiras, então ele não devia tê-la trazido para casa. Afastou esses pensamentos da cabeça e disse:

— Yumi é quem dá banho em Aya. — Sua voz era calma. Realmente, Sasuke tinha insistido em que Yumi é que deveria dar banho e verificar se a menina dormia bem durante a noite.

— Entendo — Karin comentou, saboreando um gole do suco. — Sinto muito por Ino.

Sakura ficou paralisada. Olhou rapidamente para Sasuke. Karin não imaginava a confusão que poderia criar, citando aquele nome.

— Obrigada — respondeu, depressa. Oh, Deus, tinha que mudar de assunto antes que ele suspeitasse de algo sobre Ino. — Achei lindas as suas fotos tiradas na África! Foi Neil Adams, o fotógrafo?

— Foi. — Karin concordou, gostando do elogio. — Ele é ótimo. Ino é que ia fazer aquelas fotos, mas desistiu. Acho que foi na época em que começou a ficar doente.

O Uchiha olhava para as duas, sem entender o que falavam, e Sakura não estava conseguindo esconder o nervosismo.

— Sim... eu me lembro... Ino teve que desistir das fotos porque não queria que ninguém percebesse que estava engordando.

— O que aconteceu com ela? — a ruiva perguntou. — Ouvi falar sobre sua morte, mas ninguém me contou o motivo.

Sakura ficou pálida. A morte da irmã ainda era recente e sofria muito ao se lembrar de Ino. Desde a morte dos pais, há três anos, elas tinham ficado muito próximas e agora Ino também tinha morrido.

— Ela estava... estava doente há muito tempo — explicou, hesitando.

— Sim, mas que tipo de doença? — Karin insistiu.

Tinha que inventar uma resposta, não podia simplesmente dizer que tinha morrido dando à luz Aya. Se dissesse isso. tudo o que estava fazendo para conservar a sobrinha iria por água abaixo.

— Bem... ela...

— Espero que você nos desculpe, Karin — Sasuke interrompeu-a. — Sakura e eu temos que dar boa-noite para o bebê. Ficará bem, enquanto isso?

— Claro que sim, querido. — sorria para ele, — Mas volte logo, está bem?

Sasuke pegou firme no braço de Sakura e levou-a direto para o quarto dela. Fez com que se sentasse e, olhando-a dentro dos olhos, começou:

— Agora, quero saber quem é Ino.

— Era — corrigiu-o automaticamente. — Ela... ela era uma amiga.

— Muito próxima, pelo que notei.

— Exato. — Levantou-se rapidamente, — Uma amiga muito próxima. Está satisfeito?

— Não, não estou. Meu irmão também conheceu uma Ino. O que aconteceu? Vocês ficavam trocando de namorados? Passavam o de uma para a outra?

Sakura ficou branca. Quer dizer que Itachi tinha comentado sobre Ino? Sasuke não parecia ser do tipo que ficasse ouvindo as histórias de amor dos outros. Tinha que ter muito cuidado com o que dizia ou poderia acabar se dando mal.

— Não, não ficávamos! Não sei de nada sobre o relacionamento de Ino e Itachi. — Virou-se para ele, zangada, e perguntou: — Posso saber o porquê dessa... dessa mulher estar aqui? Ou você acha natural trazer suas amantes para dentro de casa? Se for assim, acho melhor que more sozinho no seu apartamento. Eu me importo com os comentários dos empregados, mas talvez o mesmo não aconteça com você!

O silêncio era total. Estava nervosa, e o fato de ele nem se incomodar com isso deixou-a mais nervosa.

— Acha que tenho um caso com Karin? — ele disse, cruzando os braços. — E qual é a prova contra mim?

— Não se faça de juiz, Sasuke, não preciso de nenhuma prova. O relacionamento entre vocês é evidente. Tenho certeza de que ela não veio aqui para me ver. — Riu. — Nem sabia que eu era sua esposa. Aliás, ela quase se esqueceu de que você era casado. Pensou que eu fosse a babá!

— Difícil de acreditar, não? Você tem um ar inocente que confunde os outros, e muitas mulheres encarariam os enganos de Karin como um grande elogio.

— Não sou muitas mulheres! E não foi um elogio, conheço-a muito bem. Ela quer que eu me sinta inferior, e consegue isso — confessou.

Sasuke sorriu. Era o primeiro sorriso, desde que tinha chegado em casa.

— Você não deve se sentir inferior. Também conheço a Karin muito bem. — Voltou a ficar sério. — Mas não permito que você a julgue como se fosse um caso meu. Ela era amiga de Itachi.

— Mais uma!

— Mais uma. — ele repetiu, indiferente.

— Mas agora ela é sua... amiga, certo?

— Errado. Karin esteve viajando este ano e não pôde fazer uma visita de pêsames. Acho que não nos custa muito tratá-la bem, não é?

— Não precisa explicar para mim — Sakura disse, séria. — Só quero que você não traga suas mulheres para cá. É pedir muito?

— Ela não é minha mulher! — Sasuke deu um passo e ficou na frente dela. — E, por favor, seja educada com a visitante que está na nossa casa.

— Esta não é a minha casa. Estou aqui pelas circunstâncias! O máximo que posso fazer é tolerá-la. Não vou ser simpática com a sua amiga. Não gosto dela Sasuke, nunca gostei!

— Não seja criança.

— Mas eu sou, já se esqueceu? — Sua voz estava triste. Nas últimas semanas se sentira completamente ignorada. — Você me trata como se eu fosse uma hóspede, uma estranha. Não fala comigo, nunca fica perco de mim. Devo mesmo parecer uma criança, passo o dia inteiro e converso apenas com Aya. — Fez uma pausa.

— Odeio estar aqui! Odeio!

Sasuke endireitou-se e, olhando para ela, disse:

— Sabia o que ia encontrar, casando-se comigo, forçando-me a morarmos na mesma casa. Você tem a sra. Yudo e Yumi para conversar.

— Ah, tenho? — gritou, furiosa, jogando os cabelos para trás. — Para elas, eu sou a dona de tudo, acham que só posso dar ordens; e, para você, sou desprezível. Tive um bebê sem me casar com o pai e, por isso, você me julga a pior das...

Sasuke lhe deu um tapa, antes que ela pudesse falar qualquer coisa. Sakura colocou a mão no rosto e olhou para ele, não acreditando no que ele tinha feito. Seus olhos estavam cheios de lágrimas.

— Oh, Deus! — ele disse, nervoso, tentando se aproximar dela. — Desculpe, desculpe, por favor.

— Não! Me deixa sozinha! Me deixa sozinha.

— Não, não... — O arrependimento em sua voz era sincero. — Por favor, Sakura! Você estava falando coisas que não são verdadeiras, e o único modo de fazê-la parar foi... talvez não seja a única maneira. Mas você teria gostado menos ainda do outro método.

— Que... que método?

— Beijos também interrompem histeria. Mas, no seu caso, só teria sido pior. — Pegou-a delicadamente pelo queixo. — Sorria. Vamos, dê um sorriso para mim; ou, se não for por mim, dê por você mesma. É muito bonita para ficar aborrecida.

Ela enxugou as lágrimas e deu um sorriso trêmulo.

— Desculpe, não é sempre que sou tão... tão emotiva.

— E não é sempre que sou tão bruto. Mas talvez seja bom você chorar. — Sua voz era gentil. — Teve um ano muito difícil, é bom desabafar. — Afastou-se e perguntou: — Vamos dar boa-noite para a nossa pequena?

Sakura concordou, arrumou os cabelos e comentou baixinho:

— Devo estar horrível.

— Não diga isso. Você é linda, nada menos do que isso. E uma mulher linda e muito difícil — Sasuke disse, secando uma lágrima que corria. Sakura estava gostando de sentir a mão dele em seu rosto.

— Verdade? — Ela começava a se animar. — Por quê, difícil?

— Você é muito misteriosa. Há horas em que consigo definir o que você é, mas, num segundo, sinto que a estava julgando mal. O que você é, Sakura? Inocente ou experiente?

— Um pouco dos dois — respondeu, gostando do que tinha ouvido. — Tenho Aya para provar uma de suas dúvidas. A outra, acho que compete a você me responder.

Sasuke voltou a ficar sério, com um brilho de indiferença nos olhos. Dulce não gostava de vê-lo assim. Tinha que odiá-lo e tinha que fazer com que ele sentisse o mesmo por ela. Já havia conhecido, por poucas vezes, a atração e o charme que o Uchiha exercia. Qualquer mulher adoraria estar nos braços dele; mas, e ela? O que estava sentindo? Odiava-o? Não. Odiava o que Itachi tinha feito com sua irmã.

— Se você estiver bem — Sasuke falou com frieza —, podemos ir ver Aya.

Não respondeu... A indiferença mantida naquele casamento voltava a existir. Foram para o quarto da menina, ouvindo seus gritinhos de alegria. Sakura sorriu ao vê-la: não se importava mais pelo fato de estar casada sem amor, de saber que nunca amaria o marido e que nunca seria amada por ele. Por Aya, faria qualquer coisa; inclusive, viver com aquele homem.

— Oi, meu anjo. Tem se comportado bem? — disse, pegando-a do colo de Yumi.

Sasuke foi para perto delas e Sakura pensou que qualquer pessoa que os visse agora imaginaria que eram uma família extremamente feliz. Como estaria errada.

— Pa... pai, papai — Aya balbuciou, atirando-se para os braços de Sasuke. Ela o adorava e Sakura tinha que aceitar a nova situação.

— Você a ensinou a dizer papai? — ele perguntou, surpreso.

— Eu... bem... ensinei! — respondeu, fugindo do olhar dele.

— Obrigado. — Mas não havia nenhuma emoção no agradecimento.

Sakura não sabia se ele tinha gostado ou não, mas Sasuke era louco pela menina e, no fundo, devia estar se sentindo orgulhoso.

— Será que você pode ficar com ela enquanto eu me troco para o jantar? Não vou demorar. — Estava decidida a não permitir que Karin a olhasse com superioridade. Iria vestir alguma coisa bem atraente. Sasuke tinha insistido em comprar muitas roupas e usaria uma delas.

— Tudo bem — ele concordou. — E, por favor... seja educada com Karin. Não é pedir muito, é?

— Não, acho que não. Sasuke... me desculpe. — Ele olhou-a, sem entender. — Por ter agido como uma esposa ciumenta. Não tenho esse direito e acho que nunca terei. Talvez, porque não me sinta realmente casada...

— Mas você está, claro que está.

— Bem... — desviou os olhos e fez um carinho em Aya. — Temos você para provar que estamos, não é, querida?

— Aya pode passar por minha filha, e você sabe disso. As diferenças são imperceptíveis. — A voz dele era fria. — Mas a única pessoa que deve saber a verdade é ela mesma, e nós contaremos, quando crescer.

"Será que também contaremos que não sou a mãe?", Sakura se perguntou. Aya devia saber de Ino, sua mãe verdadeira, mas o que Sasuke acharia dessa revelação?

— Você está certo. Vou me vestir e volto num segundo, para dar um beijo no bebê.

— Vou colocá-la na cama. Depois, farei companhia à nossa convidada; não podemos deixá-la tanto tempo sozinha. Quando você descer, eu subo para me trocar.

Sakura não sabia que roupa escolher. Acabou se decidindo por um vestido verde, que a deixava muito atraente. Era justo, moldava o corpo, e o verde fazia sobressair o tom de seus olhos.

Voltou para o jardim e percebeu que eles ainda não a tinham visto. Karin e Sasuke conversavam animadamente. Por mais que ele dissesse que não havia nada entre eles, não podia acreditar. Karin sorria e segurava o braço de Sasuke; seus gestos não pareciam nada formais.

— Espero que não os tenha feito esperar — disse, com educação, antes que pudessem se recompor.

Sasuke levantou-se imediatamente, os olhos percorrendo, com satisfação, as belas formas do corpo de Sakura. Parecia que era a primeira vez que a via; já havia dito que a achava muito bonita, mas nunca tinha demonstrado que sentia algum desejo por ela. Seu olhar, agora, dizia que queria possuir o que estava vendo.

Sasuke foi ao encontro dela e beijou-a; um gesto que mostrava que tinha sentido sua ausência.

— Será que posso lhe dizer que está maravilhosa? — Seu olhar era sincero. Pegou-a pelo braço e entraram na casa. — Fique com Karin, enquanto tomo banho e troco de roupa. Não demoro nada.

Sakura não sabia o que conversar com Karin. Não tinham nada em comum. Não gostava dela, e era visível que a ruiva também não sentia prazer em ficarem juntas.

— O que tem feito? — perguntou finalmente.

— Trabalhado, é claro. Deve ser horrível para você ficar o tempo todo em casa. Nunca a imaginei como mãe.

— Não sabia que você pensava em mim. — Sakura tentava ser agradável.

— Não, realmente não penso — respondeu, sorrindo. — Só fiquei surpresa de vê-la aqui. Mas, sendo mulher de Sasuke, não é estranho que fique em casa. Você deve ter conhecido Itachi... charmoso, não? Mas não tanto quanto Sasuke. Ele é perfeito, não acha? É o homem perfeito.

— É o meu marido.

— Ah, eu sei, mas isso não me impede de achá-lo fascinante. E também não o impede de me achar muito bonita. — Seu sorriso era provocador.

— Vejo que continua sendo franca e dizendo tudo o que pensa — Sakura disse, seca. — Você está na profissão errada, Karin, devia procurar algo mais lucrativo.

— Não pretendo ser modelo o resto da vida. — Sakura sorriu; — Oh, não, Sakura, vou ser tão esperta como você e me casar com um homem bem rico. Por falar nisso, como foi que você conseguiu? Nunca a encontrei em festas, dessas que as mulheres vão para arrumar marido rico.

— Não precisei ir atrás de Sasuke, ele me achou. — E era verdade: ele é que a tinha achado, mas não da maneira como Karin pensava.

— Verdade? Há quanto tempo estão casados?

— Não muito — Sasuke respondeu, entrando na sala e dirigindo-se para perto de Sakura. — Não é mesmo, querida? — E sorriu.

Ela corou. Estava se aborrecendo com a presença daquela mulher. Sasuke tinha dito que era necessário manter as aparências do casamento, mas teriam que fingir tanto na presença de Karin?

— É, não faz muito tempo. Sasuke, você viu se Aya estava dormindo?

— Vi. — Ele sorriu ao pensar no bebê. — Estava tão bonita como a mãe.

— Obrigada — ela disse, balançando a cabeça.

— Digo apenas a verdade. Bem, vamos jantar?

Sasuke insistiu em levar Karin para casa e Sakura não entendeu por quê, Suas suspeitas deviam estar certas: eles eram amantes. Aquele pensamento deixou-a triste. Era humilhante imaginar Sasuke com alguma mulher que ela conhecia; principalmente porque essa mulher era Karin.

Era quase uma hora da madrugada quando ouviu o carro dele chegar. Já fazia mais de duas horas que tinha saído,

e Sakura podia imaginar o que ficara fazendo. Tentou dormir, mas não conseguia parar de pensar.

Ao ouvir os passos dele no quarto ao lado, levantou-se, vestiu o robe, saiu para o corredor e ficou parada na frente da porta entreaberta do quarto do marido. Seus olhos verdes estavam brilhando de raiva; suas faces, vermelhas de ódio.

Sasuke olhou-a de cima a baixo. Não estava entendendo aquela situação.

— Quer alguma coisa, Sakura? Ou isto é uma visita? Ela entrou no quarto, sem se preocupar com sua roupa transparente.

— Não tente me enrolar, não vai conseguir. Perguntei a você se Karin era sua amante e você me disse que ela...

— Não era — ele completou. — E ainda não é. — Olhava-a de um jeito diferente: parecia demonstrar algum sentimento. — O que pensa que fiz? Acha que a levei para casa para nos amarmos loucamente? E que, depois, voltei para casa tranquilamente? É isso o que imagina?

— Por que não? — disse, defendendo-se. — E você, também não pensa assim?

— Ah, não, eu não penso. Mas, se eu fizer amor com alguém, não vou sair andando por aí, contando para o mundo inteiro. Diga-me uma coisa: você, honestamente, consegue imaginar Karin amando algum homem? Eu não consigo. Ela não tem sentimentos, só tem beleza e sofisticação. Nunca faria nada com ela e, além de tudo, sou um homem casado.

— Você não conhece Karin, ela não está nem um pouco interessada em saber se você é ou não casado. Está decidida a arrumar um marido ou um protetor, e disse que as suas qualidades são perfeitas.

— E não são?

— Aparentemente, são.

— Entendo. É por isso que invadiu o meu quarto no meio da madrugada, com os olhos cheios de raiva? — Seu rosto se alertou. — Acha seguro entrar no quarto de um... um tarado? É isso que pensa de mim, não?

— Não, eu... — Sakura estava ficando com medo. Percebia que ele se zangara. — Não quis dizer isso...

— Sei muito bem o que você quis dizer. Agora, vai sair do quarto, ou quer que eu corresponda às suas expectativas?

— Expectativas? — repetiu, fechando melhor o robe.

— Claro. Entendi muito bem o que você espera de mim. Tem certeza de que se sente segura ao meu lado?

— Está brincando comigo. — Riu, nervosa.

— Será? — ele perguntou, insinuante.

— Sabe que sim. Você nunca... nunca se aproximou de mim.

— O que esperava que eu fizesse? — ele perguntou, dando uma gargalhada. — Você é a mãe da minha sobrinha.

— Eu... você...

— Por favor, Sakura, saia daqui! Não sei o que quer, mas é bem possível que eu não possa ajudar.

— Seu... seu idiota! Vim apenas para lhe dizer que desprezo o seu comportamento.

— É mesmo? Bem, não me importo. Vivo segundo o que acho que é certo.

— E Aya?

— O que há com ela? Está ótima, cercada de cuidados e de amor. Qual é o problema para ela, se os pais não se amam? Pense bem, Sasuka: Aya está sendo tratada da melhor maneira possível. Mesmo que você não tenha amado Itachi, ele ficaria contente de saber que a filha está bem.

— Quantas vezes vou ter que repetir que Aya é fruto de um amor? Já se esqueceu...

— Não, não me esqueci. É que acho difícil acreditar que você tenha amado meu irmão. É muito mais madura do que ele era.

— E não sabe que ter um bebê e cuidar dele sozinha ajuda a amadurecer?

— Você sabe que eu teria ajudado, se soubesse antes, e ajudaria mesmo que Itachi não quisesse. Sou contra a idéia de vê-la fazendo tudo sozinha.

— E a solução foi o casamento. Pobre Sasuke. Fez de tudo para não sujar o nome da família. Casou com uma mulher que não conhecia e que não soube lhe garantir que o pai da criança era o irmão.

— Já disse que não quero ouvi-la falando assim. Aya é a cara da família; se não vê isso, é porque prefere ser cega. — Seu rosto estava mais sério do que de costume.

— Ela se parece com você.

— E com Itachi.

— Claro que sim, não precisa nem dizer.

— Por que não? Nem todos os bebês se parecem com os pais.

— Sei disso. Mas se Aya lembra você, também lembra meu irmão. — Será que não? Oh, Deus, tomara que sim, Sakura pensou.

— Talvez — ele disse, voltando a desabotoar a camisa. — Se já terminou o que tinha a dizer, eu gostaria de ir dormir.

— Oh, sim... — Virou-se para a porta, mas antes de sair disse: — Desculpe interrompê-lo.

— Não tem problema. Espero que você tenha acreditado que eu não me atiro nos braços de Karin. Outra coisa: pare de pedir desculpas, não precisa.

— Desculpe... Oh!

— Por favor, Sakura, vá! Tivemos muitas brigas hoje e não acho que isso seja relaxante.

— Des... Boa noite.

— Boa noite — Sasuke falou, gentil.


Ok gente, não me matem, eu prometo que em hipótese alguma, a Karin vai tirar o Sasuke da Sakura. u.ú

Daqui pra frente, os sentimentos dos dois vão ficando mais expostos.

Reviews:

zisis: muuuito obrigada pelos elogios, e eu fico feliz por você estar gostando da fic; vou ler a sua assim que eu puder, prometo.

A Sakura só não abre o jogo com o Sasuke, por medo dele tirar a Aya dela, mas vamos ver o que rola nos próximos cáps ;D

Beijo, mandem reviews ;*