No dia seguinte, Sakura acordou com dor de cabeça e de garganta. Estava se sentindo péssima, não havia um motivo razoável para aquilo: alimentava-se bem, descansava e não tinha com que se preocupar. Com muito esforço, levantou-se para trocar de roupa. Já passava das oito horas e Aya não demoraria nada a berrar.
Mas não conseguiu ficar de pé. Fechou os olhos e dormiu novamente, só acordando quando ouviu alguém batendo de leve na porta do quarto.
— Pode entrar.
Sasuke entrou, com Aya no colo. Sakura tentou se esconder debaixo das cobertas, mas o marido veio sentar-se ao seu lado.
— Bom dia. Sua filha não pára de chamar pela mamãe. Não consegui resistir e a trouxe aqui.
— Oi, querida! — Sua voz estava rouca. — Faz tempo que ela acordou? Não costumo dormir até tão tarde.
— Sei disso. Mas, de vez em quando, é bom. Ela acordou às sete, e desde então venho tentando distraí-la, mas me parece que não sou um bom substituto.
— Não diga isso. Aya adora você, e sabe disso — falou, sorrindo, e pegou a menina, colocando-a na cama.
— Você está bem? — Sasuke perguntou, percebendo a voz dela diferente.
— Estou. Você não vai trabalhar? — Mudou de assunto.
— Não. Hoje é sábado e pensei que podia passar o dia com minha família... — Sasuke olhou-a bem. — Você não está boa, posso ver isso. Por que mentiu para mim?
— Não menti! — Sua voz estava fraca e confirmava a mentira. — Se você quer passar o dia conosco por causa do meu comportamento de ontem, não precisa se incomodar. Não sei por que falei tudo aquilo, não estava agindo normalmente.
— Mas você tinha razão — ele disse. Levantou-se e caminhou para a janela. — Tem razão, quando diz que não passo muito tempo com você e com Aya, e quero mudar isso.
— Por favor! Nós não precisamos... ou melhor, eu não preciso da sua bondade. Se quiser passar o dia com Aya, pode passar. Não me inclua nos seus planos, não quero aborrecê-lo mais.
— Não seja criança. Você sempre age assim, quando está preocupada ou fraca. O que acontece agora?
— Nada — ela respondeu, sentindo-se realmente muito doente para discutir. — Não quero fazer uma cena de esposa para chamar a atenção do marido. Felizmente, Aya é bem mais simples. Ela adoraria ficar com você.
— Você não vem conosco?
Sakura balançou a cabeça, dizendo que não, e sentiu que a dor estava aumentando. Seu único desejo era voltar a dormir.
— Estou meio sonolenta. Se você ficar com Aya, poderei dormir mais um pouco. Pode ser assim? — perguntou, não se incomodando muito com o que ele poderia responder.
— Se é isso o que quer — falou indiferente. — Volto para vê-la mais tarde. Durma bem.
— Obrigada — respondeu, fechando os olhos.
Sakura acordou quando ouviu alguém entrando no quarto. Já era bem tarde e Sasuke a olhava, preocupado.
— Oi. — sua voz estava bem fraca.
— Trouxe um pouco de chá. Acho que você já dormiu bastante, é impossível que continue cansada.
— O que quer insinuar?
— Nada, Sakura, não quero insinuar nada — ele respondeu, sorrindo. —Você é bem objetiva no que fala. — Caminhou pelo quarto. Seu corpo era musculoso e atraente. Sakura teve que admitir que Sasuke era muito bonito, o tipo de homem que ela jamais poderia sonhar em ter como marido.
— Será que cuidar de Aya não é demais para você? — ele continuou. — Sabe que eu queria uma babá. Você teria mais tempo livre e menos desgaste físico. Mas você não quis — disse, contrariado.
O corpo de Sakura estava quente, como se tivesse febre, e tenso. Ajeitou-se melhor na cama, sem se incomodar com a camisola transparente.
— Claro que não quis. Ela é minha filha. Quero gastar todo o meu tempo e a minha energia com ela. E tudo que tenho neste mundo.
— Acho que está enganada. Você tem a mim, também. Ou se esqueceu?
— Não me esqueci, mas esse casamento não é importante, não é? Logo que Aya possa entender a nossa situação, deixarei você livre.
— Por que continua com esses pensamentos bobos? Eu...
— Por favor, não vamos discutir agora. — Colocou a mão na testa e continuou: — A única coisa que quero é voltar a dormir e nunca mais acordar. Minha cabeça dói, minha garganta dói, meu corpo está moído e eu... — Seus lábios tremeram — Me sinto... me sinto horrível!
Por um momento, ele não soube que atitude tomar. Finalmente, aproximou-se e colocou a mão em sua testa.
— Por que não falou antes? — Encostou-a no travesseiro. — Vou chamar um médico, agora mesmo. Volto num segundo.
Sakura estava com os olhos cheios de lágrimas quando ele saiu. Pobre Sasuke, como devia ser difícil para ele demonstrar preocupação por alguém a quem desprezava. Mas ela estava doente de verdade.
Sasuke chamou o médico e, depois de meia hora, já tinha o diagnóstico. Era só uma gripe, mas muito forte.
— No entanto — disse o médico, olhando preocupado para o Uchiha —, não é uma simples gripe. Ela também está com estafa. Acho que o senhor devia ajudá-la mais. É muito delicada para fazer todo o serviço sozinha.
— Sim, concordo, entendo — Sasuke respondeu secamente. Não gostava de que os outros ficassem dando palpite sobre sua vida, mas tinha que aceitar a opinião do médico. — O que devo fazer?
— Assim que a gripe passar, leve-a para tirar umas férias num clima quente e agradável.
— Oh, mas eu... — Sakura protestou — eu não quero viajar.
— O médico é quem sabe, farei o que ele mandar. Fique descansando — Sasuke disse, olhando-a, indiferente.
— Mas...
— Não tem nenhum mas, minha cara — o médico a interrompeu. — Você deve fazer o que nós achamos que é melhor. — E indicou a porta para que a deixassem descansando.
— O senhor tem certeza de que minha esposa precisa viajar? — Sasuke perguntou, quando já estavam fora do quarto.
— Tenho. Ela está muito fraca e a melhor solução é dar-lhe umas férias.
— Compreendo. E o bebê? Sakura não conseguiria ficar sem a menina.
— Mas isso não é necessário. Afastá-las só iria piorar a situação de sua esposa. — Escreveu a receita e entregou-a. — Veja que ela tome os comprimidos e descanse bastante. Sei que essas mães muito novas não conseguem ficar muito tempo longe dos bebês; acham que ninguém cuida tão bem quanto elas.
— Nisso eu concordo com o senhor. — Sasuke sorriu. — Tenho medo de que Sakura queira fazer tudo pelo bebê. E minha esposa, quando decide alguma coisa vai até o fim.
Os dois caminhavam para a saída e iam rindo.
— A sra. Uchiha precisará de muito cuidado, por alguns dias. Se ela não quiser comer, não insista. Voltarei daqui a uns dois dias, mas, se precisar de mim antes, pode chamar.
Sasuke despediu-se, agradecido, mas assim que fechou a porta parou de sorrir.
Sakura estava de cama há quatro dias e já começava a ficar inequieta. O médico tinha voltado e dito que a gripe estava melhorando, mas que ainda devia ficar em repouso.
Ela agora estava com Aya e com Yumi. Não via motivo para não brincar com a menina; só não a deixava se aproximar muito, para não pegar o resfriado.
— Espero que Aya não tenha lhe dado muito trabalho — disse, sorrindo para Yumi. — Sei que, de vez em quando, ela faz isso. — Riu, ao ver os olhos verdes de Aya fixos nela. — Sim, querida, estou falando de você. Que amor que você é!
— Ela tem se comportado muito bem, sra. Uchiha. Seu marido tem ficado muito tempo com ela — Yumi explicou.
A expressão de Sakura mudou, ao ouvir falar de Sasuke. Sabia que ele estava passando mais tempo em casa do que o de costume, mas quase não o tinha visto. Na verdade, só o via quando ele acompanhava o médico até o quarto. Sabia que ele perguntava pelo estado dela, mas não fazia visitas. Parecia que Sasuke estava preocupado com alguma coisa, impaciente.
Sakura voltou à realidade, ao ver Yumi sorrindo para ela.
— O que importa é que Aya está bem — comentou. Mas, no fundo, ficava intrigada com o fato de a criança ser tão sociável. De uma hora para a outra, Sakura tinha deixado de ser o centro de atenção do bebê, e isso a preocupava. Será que Sasuke não a acharia necessária, quando descobrisse que Aya não era tão dependente de seu amor? Estremeceu só de pensar nisso. Não podia perder Aya, não podia.
Yumi percebeu que ela estava ficando cansada. Pegando a menina do chão, disse:
— Acho melhor levá-la daqui, já está quase na hora de Aya dormir.
— E eu também. — Riu. — Não se preocupe, Yumi. não vou ficar de cama por muito tempo, São mais alguns dias, depois vou aliviá-la desse trabalho.
— Estou bem, não estou cansada.
— Sei disso, mas a verdade é que estou com saudade de ficar ao lado de Aya — Sakura confessou. — Muita saudade, mesmo.
Assim que ficou sozinha, voltou a sentir-se triste. Não aguentava mais ficar trancada naquele quarto. Se ao menos Sasuke fosse visitá-la, o repouso seria mais agradável. Mas era bem provável que ele tivesse se esquecido da existência dela. Fazia dois dias que não se viam, e Sakura resolveu que era hora de aparecer.
Tirou as cobertas. Ia surpreender Chris, jantando na sala. Ele devia estar se sentindo como se fosse solteiro, mas ela ia aparecer novamente.
Colocou os pés no chão e fez força para se levantar. Suas pernas tremiam demais. O banheiro parecia tão longe.
Com muita dificuldade, alcançou-o. Agora teria que voltar e sentiu que talvez fosse impossível. Sua cabeça rodava. Tinha que voltar para a cama. Não seria capaz de vestir-se e aparecer, alegremente, para ele.
O caminho para a cama parecia não ter fim. Resolveu apoiar-se na mesa, no armário, para tornar a volta mais fácil.
Tinha que tentar; não podia ficar ali, parada, o dia todo, e também não queria chamar Sasuke para ajudá-la. Seria muito humilhante.
Deu um passo e não sustentou o próprio peso. Tudo rodou, escureceu, e ela acabou caindo no chão. Seus olhos estavam cheios de lágrimas. Teria que esperar que alguém viesse socorrê-la. Sua queda havia feito barulho e a ajuda viria logo em seguida.
Sasuke abriu a porta. Vendo-a caída, pegou-a no colo e colocou-a na cama.
— O que aconteceu?
Sakura não conseguia encará-lo, queria disfarçar que estava chorando.
— Eu caí — disse baixinho.
— Isso eu vi — ele respondeu calmamente, tentando fazer com que ela se sentisse mais à vontade. — Quero saber o que é que você estava fazendo fora da cama. Sabe que deve ficar deitada mais alguns dias. São ordens do médico.
Sakura estava nos braços dele e sentia o calor que emanava de seu corpo. Tinha o rosto úmido de lágrimas. Levantou os olhos e não conseguiu fixá-los em Sasuke.
— Por favor, não fique bravo comigo — pediu.
Ele a olhava, com intensidade. Sakura corou, tentando sustentar aquele olhar.
— Não quero ficar bravo com você — Sasuke disse gentilmente. — Só queria saber por que desobedeceu às ordens do médico... e as minhas também.
— Pensei que fossem só suas — ela disse devagar.
— O que quer dizer?
— Sei que prefere ignorar a minha existência, mas eu não suportava mais ficar aqui. É tão solitário! - Por um momento ele ficou em silêncio, ainda segurando-a junto ao corpo.
— Eu... — hesitou — nunca preferi ignorar a sua existência; pelo contrário, se você não existisse, eu também não conheceria Aya... e sabe o quanto nós a amamos. Fico muito satisfeito de ver que você me deu uma menina tão linda.
— Mas você nem me visitou, só aparece quando tem que acompanhar o médico.
— E queria que eu viesse? Pelo que sei, você me pediu para ficar bem longe.
— Sabe que eu não quis dizer isso. Devo lembrar que eu estava muito nervosa; só falei para desabafar.
— O que você disse naquele dia não é muito diferente do que você sempre me diz. — Sasuke encarou-a. — Se eu não vim visitá-la, foi porque não a quis incomodar com minha presença.
— Foi esse o motivo? — perguntou, curiosa. — Sei que você não gosta de mim, mas...
— Sakura! — ele a interrompeu, encostando-a no travesseiro e puxando as cobertas. Sentou-se ao seu lado e continuou: — Nunca falei isso. Você tem uma péssima mania de colocar as palavras na minha boca. Já expliquei o porquê de não ter vindo. Mas, se isso lhe agrada, posso ficar um pouco aqui. Quer?
— Se tem certeza de que não vou atrapalhar... impedir você de fazer coisa melhor, ou de ver...
— Nem de fazer coisa melhor, nem de ver alguém — Sasuke a interrompeu, levantando-se e puxando uma cadeira para perto da cama. — Como está passando?
— Estou bem agora, Sasuke, obrigada. — Deu uma risada alegre. — E pensar que eu queria descer e mostrar a você que já estava curada.
— Agora é que eu posso ver quanto você está fraca. Tomei algumas providencias para a nossa viagem e...
— Viagem? Já falei que não quero ir a lugar nenhum.
— E eu já falei que nós vamos. Você sabe que não voltarei atrás com a minha palavra.
— Você é muito arrogante. Não é uma qualidade que eu aprecio num marido.
— Sinto muito, se não sou o que esperava. Mas sempre fui assim.
— Bem, não é uma coisa para se ter orgulho — Sakura arriscou. — E continuo dizendo que não quero viajar. Não poderia deixar Aya.
— Comentei com o médico sobre isso e ele me respondeu que nem pensava em afastá-la de você.
— Mas você também não gostaria de deixá-la, não é? Tenho certeza de que você se cansaria menos com ela do que comigo.
A expressão de Sasuke mudou. Seus olhos brilharam como nunca
— Não diria isso. Pelo contrario, acho que seria... Interessante.
— E o que decidiu? — ela perguntou, sentindo-se confusa. — Levaremos o bebê? Para onde vamos?
— Tenho uma casa de praia na França. Você terá tudo o que precisa. Há um casal que mora lá e que me trata muito bem. Yumi também ira conosco, para ajudar a cuidar do bebê. Quero só ver a cara de alegria de Aya, quando chegarmos lá.
— Ela é uma menina ótima, E sua alegria aumentou, desde que nos mudamos para cá.
— Desde que você se casou comigo — Sasuke corrigiu. — Não importa quanto você queira se esquecer disso, mas nosso casamento é um fato.
— Será que temos que voltar sempre ao mesmo assunto? Estava conseguindo me distrair, e você agora estragou tudo.
— Desculpe — ele disse, levantando-se. — Sinto muito pelo mal que lhe causo. Vou deixá-la sozinha, antes que a aborreça ainda mais.
— Você não sente muito! Faz isso de propósito, só para ficar me lembrando da minha situação.
— E qual á a sua situação?
— Você já sabe o que penso dela.
— Voce é minha mulher! Não se esqueça disso!
— Não fale comigo assim! Não dou esse direito a ninguém.
— Você esta ficando irritada, Sakura. Já imaginava que minha visita a perturbaria. Fique calma.
— Não sou uma criança, Sasuke, não me trate como se fosse. Mas acho melhor você ir. Fico contente que tenha ficado comigo, e obrigada por me ajudar. Estou me sentindo cansada, acho que não estou tão bem como pensava.
— Está certo. Se você quiser me ver novamente, peça para Yumi me avisar. Não quero vir aqui contra a sua vontade.
Sakura ficou calada e, logo em seguida, Sasuke saiu do quarto. Oh, por que ele era assim? Sabia muito bem que ela não pediria a Yumi para chamá-lo. Seria muito humilhante, e ele sabia disso.
— Gripe tem que ser muito bem curada.
— Minha esposa é muito teimosa — Sasuke comentou.
— Bem... Nesse caso, é melhor que a Sra. Uchiha não desça a escada. É aconselhável que alguém a carregue para baixo e que a deixe repousando. A companhia de outras pessoas lhe fará bem.
— Faremos isso — Sasuke garantiu.
Sakura ficara apenas ouvindo o que os dois discutiam. Sentia-se ignorada. Eles falavam sem se preocupar com ela, sem se lembrar de que tinha direito de decidir a própria vida.
No mesmo dia, Sasuke carregou-a para baixo.
— Obrigada — ela disse, sorrindo.
Ele pegou o paletó e vestiu-o, rapidamente.
— Estarei em casa a tempo de levá-la para cima.
— Você vai sair? — perguntou, arrependendo-se imediatamente de ter demonstrado seu desapontamento.
— Claro.
— Para onde?
— Acha que tem o direito de saber de todos os meus passos? — ele perguntou, sem perceber que ela o estava achando terrivelmente atraente.
— Não tenho?
— Talvez... Talvez, se não me agredir toda vez que falo com você.
— Não é essa a minha intenção. — Seus lábios tremiam.
— Então, pense antes de falar. Desde que nos casamos, venho tentando ser delicado com você e, por vezes, acho que tenho conseguido. Mas me parece que nos conhecemos muito pouco. Não posso fazer nada para preencher o vazio que você deve estar sentindo, levando essa vida. E não admito que arranje alguém para consolá-la. Não permitirei que um escândalo estrague a infância de Aya.
— O que esta insinuando?
— Quero dizer que deve ser doloroso para você ter que se afastar de todas as suas antigas amizades. De seus amiguinhos.
— Você esta me insultando, Sasuke!
— Talvez esteja, mas é assim que eu quero! Você é uma ótima mãe para minha filha, mas não consigo entender o seu passado.
— Mas não é... — Sakura parou. Como poderia contar sobre sua vida?
— Mas não é o que?
— Esqueça. E fico contente de saber qual é a sua opinião sobre mim.
— Você não sabia? Quando o médico veio vê-la novamente, disse que já podia se levantar, mas que, ao primeiro sinal de cansaço, voltasse para a cama.
— Não, acho que não. Começava até a achar que voce estava gostando de mim. — Deu um sorriso forçado. — Bobagem, não?
— Não, não é. Eu realmente tentei tratá-la com todo o respeito, mas não consigo aceitar o seu passado, e nem quero isso.
Sakura desviou o olhar e apertou os lábios que tremiam. Ele não sabia o mal que estava lhe fazendo.
— Voce me odeia, não é?
— Não poderia odiar a mãe de Aya.
— Talvez não, mas você me odeia como pessoa.
Os olhos de Sasuke brilharam. Foi até a porta e, virando-se para ela, disse:
— Não consigo odiar você. Quem me dera conseguir! - Sakura não sabia o que responder. Ficou olhando, fascinada e maravilhada, para aquele homem tão atraente. Todo o seu corpo parecia cheio de energia. Abraçá-lo seria fantástico. Olhou para aqueles olhos cor de ônix, e disse baixinho:
— Sasuke, eu...
— Silêncio.
Sakura não acreditava no poder que ele tinha sobre ela, Estava paralisada.
Sasuke a olhava, fixamente; suas mãos estavam inquietas.
— Você faz isso de propósito? — ele perguntou.
— Isso... Isso o quê?
— Não se faça de boba e de ingênua! Desde que a conheci, eu a vejo provocante sedutora. Sempre que a encontro é assim; inclusive, naquele dia em que entrou no meu quarto.
— Por um único motivo: só para lhe dizer o que eu estava sentindo com relação ao seu comportamento.
— Acredite que eu também não senti nada. Bem, agora que ambos conhecemos a opinião do outro, acho que podemos esquecer esse assunto, não é? E acho que posso me sentir livre para fazer o que bem entender.
— Você... Você... Eu não tocaria em você, nem que fosse o ultimo homem sobre a face da terra!
— Ótimo. Temos um ponto em comum. Até logo. — A porta bateu as suas costas.
Por alguns segundos, Sakura ficou esperando que a porta se abrisse, mas percebeu que ele não voltaria. Sentou e começou a chorar. Agora, também estaria livre para fazer o que bem entendesse.
