Sakura estava pálida; seu corpo, paralisado. Não gostava de viajar de avião, sentia-se mal. Seu estado de nervos piorou quando percebeu que Sasuke é que ia pilotar. Olhos arregalados, hesitou em entrar no avião.
— Vamos, Sakura, não pretendo jogá-la no meio do oceano — Sasuke disse, rindo do medo dela.
— Você... você não pretende pilotar esse avião, não é? O pessoal do aeroporto não vai permitir.
— Não podem me impedir de pilotar o meu próprio avião. Só se eu não tivesse brevê, mas eu tenho.
Seu avião! Ela devia ter adivinhado.
— Entendo. — Seus lábios estavam secos. — Temos mesmo que viajar?
Sua resposta foi pegá-la pelo braço e colocá-la dentro do avião luxuoso.
— Está com medo de mim. Sakura? Logo você, que é tão corajosa, tão decidida? Não venha me dizer que tem medo de voar. Ou é o piloto que assusta você?
— Eu... nunca gostei de avião.
— Não é de mim que tem medo?
— Não! Confio em você. — Colocou Aya num berço especial e disse: —Sempre confiei.
Sasuke olhou-a de um jeito diferente, mas não fez nenhum comentário. Entrou na cabine e sorriu para o copiloto que já o esperava.
A viagem não demorava muito, mas Sakura estava petrificada. Yumi tentava distraí-la, mostrava-se compreensiva e fazendo de tudo para deixá-la mais tranquila. Sasuke saiu da cabine e perguntou, sorrindo:
— Como vai a família? — Olhou para ela: — Tudo certo?
— Só ficarei bem quando pisar em terra firme — respondeu, sorrindo amarelo. Olhou para Aya, que começava a acordar e já fazia cara de choro.
— O que foi? — Sasuke pegou-a no colo. — Você não vai chorar, vai, minha pequena? - Sua voz era doce e a garota mudou de expressão. Abriu um sorriso, mostrando os dois dentinhos. — Ah, assim é melhor. Agora, temos que ajudar a mamãe a sair do avião, esquecer esta parte da viagem e aproveitar as férias.
— Eu... tomara que consiga — Sakura disse, corando.
— Vai sim. — Sasuke prometeu.
Quando chegaram ao aeroporto, havia uma limosine branca esperando por eles. No caminho para casa, Sasuke ia contando sobre as vezes em que tinha ido para lá. Falava e mostrava os pontos mais interessantes da costa.
Sakura adorou a casa. Era um sobrado enorme. Devia ter uns doze quartos, seis banheiros, duas salas imensas e uma cozinha que ficava sob o comando da sra. Marie Duval.
Esperava que a casa fosse menor, sentia-se estranha e se perguntava se aquelas férias seriam iguais às de todas as famílias normais.
Sasuke entregou o bebê adormecido para Yumi e disse:
— Marie mostrará o quarto de Aya. Ficarei aqui e servirei uma xícara do café delicioso de Marie para a Sra. Uchiha. Quando acabar, venha tomar também.
— Sim, senhor.
Sakura tomou o café, que era mesmo uma delícia.
— O que vai fazer o resto do dia? — perguntou, com naturalidade.
— O que todo mundo faz, quando está de férias. Quero almoçar tranquilamente e depois passear na praia.
— Verdade? — Não conseguiu esconder o espanto. — Mas você não tem nenhum trabalho para fazer?
— Por que deveria?
— Pensei que esta viagem fosse de negócios para você.
— Pensou errado. Esta é a suposta lua-de-mel que todo mundo acha que tivemos antecipadamente. — Percebeu o olhar de espanto de Sakura — É verdade. Meus amigos acham que Aya é minha filha e sabem que estamos casados há apenas algumas semanas.
— Não estão chocados?
— Por que deveriam? Eu sou um homem e você é uma mulher.
— Eu ficaria chocada.
— Você não faz aquilo que diz.
Sakura conheceu o casal Duval na hora do almoço; eram franceses e entendiam muito pouco de inglês. Marie sorriu o tempo todo e Sakura achou que era uma forma de demonstrar que tinha gostado dela. Aya brincava e chamava a atenção do casal. Ficaram amigos num instante.
Ao ouvir o nome de Itachi, olhou para Sasuke e perguntou, assim que Marie saiu da sala:
— O que eles falaram?
— Nada importante.
— Mas você parece perturbado.
— Não estou perturbado. — Levantou-se, segurando a xícara de café. - Marie só disse que, agora que tenho Aya, será mais fácil recuperar-me da morte dele. — Seu olhar estava fixo no mar.
— Entendo.
— O que você entende, Sakura? — Virou-se, encarando-a. — Não consigo saber quem você é. Será que o fato de o pai da sua filha ter morrido não afeta você? Não se importa?
— Já falei...
— Já falou o quê? — Seu olhar era sério. — Você nunca falou nada. Quando perguntei se tinha amado meu irmão, respondeu-me que Aya tinha nascido do amor. Suas respostas são vagas, não me esclarecem nada. Perguntei sobre Ino e você me disse que era uma amiga. Será que a morte de uma amiga, há um ano, choca mais do que a de um homem que deve ter amado? Será?
— Ino era... ela era uma amiga muito querida. — Não conseguia sustentar o olhar do Uchiha.
— Mais do que Itachi?
— Ele e eu... ficamos pouco tempo era uma amiga de infância.
— E Itachi era só o seu amante.
Sakura levantou a cabeça. Tinha que dizer alguma coisa, ou iria piorar a situação.
— Itachi era... Ele não me amava!
— Sei disso. Ele amava uma mulher chamada Ino... a mesma que você conhecia. Sabia que ele a amava?
— Como sabe que Itachi amava Ino?
A resposta dele foi inesperada e desconcertante.
— Porque ele me contou! Sabia disso?
Fez que não com a cabeça. Itachi tinha amado Ino! Parecia muito bom para ser verdade.
— Não, eu não sabia. Fiquei sabendo que Ino o amava, mas... mas só percebi isso quando ela morreu.
— Talvez ela tivesse receio de contar a você. Não queria provocar ciúme, ela poderia supor que, se você soubesse, o tiraria dela. Ela sabia do bebê?
Sakura poderia rir daquela pergunta. Quer dizer que os pais verdadeiros de Aya tinham se amado. Mas, então, por que Itachi abandonara Ino? Por que duas pessoas que se amavam tinham morrido sem saber disso? Havia muitas perguntas, e não sabia como respondê-las.
— Sim, ela sabia — disse, desviando o olhar.
— Como eu pensava. Ino se afastou do meu irmão porque você esperava um filho dele!
— Não, ela não sabia, ela...
Sakura estava atordoada, não podia se arriscar a falar mais.
— Sim? Ela o quê?
— Nada, não é nada.
— Pode ser que para você não seja, mas para mim é. — Sasuke a observava com a expressão séria.
— Por quê? Para ter certeza de que seu irmão não amou alguém tão ruim como eu? Onde você quer chegar, Sasuke? Quer me dizer que ele amava tanto Ino quanto ela o amava? Que ela era boa, gentil, carinhosa, tudo o que eu não sou? — Sua voz tremia de emoção. — Eu a amei muito.
— O suficiente para tirá-lo dela? Ou Ino não sabia que você tinha um caso com ele? — Seus lábios estavam tensos. — É essa a resposta, não é? Você e Itachi se encontravam às escondidas!
— Não! Chega, não vou responder mais nada. Me deixa sozinha. Me deixa sozinha!
— Não, não vou; desta vez, você não escapa. — Pegou-a pelo queixo e a obrigou a encará-lo, — Vai me contar tudo sobre o relacionamento que teve com Itachi e sobre a mulher que ele amava, Ino. Nunca a vi, gostaria que me falasse dela.
— Eu... ela...
— Vamos ,Sakura, não tente me enrolar. Já conheço você, se esqueceu disso? Sei que ainda tem dúvidas com relação ao pai da criança e que permite que o próprio patrão tome liberdades com você. E ele é um homem casado, vi a aliança. É a aliança? É disso que você gosta? Roubar os homens de outras mulheres? Acha isso excitante?
— Você gostaria que eu dissesse sim?
— Quero que me diga a verdade! - Encarou-o, furiosa.
— Então, a resposta é sim! Sou tudo isso que você disse de mim. Agora, será que posso ficar sozinha? Antes de me casar com você, só tinha problemas financeiros, nunca tive que discutir tanto sobre a minha vida. — Riu, nervosa. — Não teria escrito aquela carta, se soubesse que ia acabar dando nisso! Preferia ter passado fome do que me casar com um estranho Mas não tive outra escolha, não é? Ah, não, o Sr. Uchiha queria que tudo fosse segundo sua vontade. Você conseguiu, Sasuke: tem uma filha linda e uma esposa que não suporta. Está satisfeito?
— Você está mentindo para mim. Quer que eu pense mal de você. Por quê? O que espera ganhar com isso?
— Liberdade.
— Liberdade para fazer o quê? Viver sem acompanhar o crescimento de Aya? Sem vê-la ficar tão bonita como a mãe? — Balançou a cabeça. — Você não conseguiria.
— Não. E, sabendo disso, você aproveita para me dizer coisas horríveis e para me ignorar. Sabe que não posso responder à altura, nunca iria me separar dela. Se eu não a amasse tanto, não teria me casado com você e evitaria uma tortura para mim.
— Tortura? — arqueou as sobrancelhas — Como acha que me sinto, casado com uma mulher que não me deixa chegar perto?
— Mas você falou... falou que o casamento não seria...
— E não será. O melhor para nós dois é ficarmos amigos.
— Acha que isso será possível — ela perguntou, voltando a ficar calma. — Depois de tudo o que foi dito e feito?
— Podíamos tentar. Você ajudaria, se contasse um pouco mais sobre Ino. Como a conheceu?
— Ela também era modelo. Eu gostava muito dela. Não consigo entender por que Itachi e ela se separaram. Não foi por minha causa, estava viajando na época.
— Eu sei por quê. Você não foi a culpada, eu é que fui. Itachi já era comprometido.
— Eles se amavam...
— Pensei que fosse coisa passageira, achei que ele a esqueceria rapidamente. — Seu rosto estava atormentado.
— O que foi que você fez? — ela perguntou, devagar, percebendo que ele queria contar algo que não tinha contado a ninguém.
— Pedi a ele para se afastar de Ino por três meses. Não poderiam se falar nem pelo telefone. Depois desse prazo, veríamos como é que ele se sentiria.
— Como ele se sentiu?
— Ainda a amava muito. Desculpe. Deve ser difícil para você escutar isso, mas ele a amava. — Sasuke demonstrava arrependimento pelo que tinha feito, estava perturbado. — Obriguei-o a escrever uma carta para ela, dizendo que nunca mais a veria. Se depois dos três meses o amor persistisse, prometi que poderia ficar com ela.
— Você estava testando Ino também. Queria ver qual seria a reação dela, depois de ler a carta?
— Sim. Mas paguei por isso, paguei muito por esse erro. - Ino também. Sua gravidez a impediu de ir atrás do homem que amava. Se o procurasse naquele estado, nunca saberia se estava voltando por amor ou por sentir-se obrigado a assumir a responsabilidade pela criança.
— E o que aconteceu depois? — Sakura perguntou, percebendo que ele precisava desabafar.
— Assim que terminou o prazo, Itachi decidiu ir procurá-la.
— Mas ele não foi! Eu estava ao lado de Ino, quando morreu, e ela não o via desde que recebeu a tal carta, meses antes.
— Ela ainda o amava?
— Muito.
— Itachi morreu quando estava a caminho para vê-la — Sasuke explicou, dando um suspiro. — Sou o culpado por isso. Eles poderiam estar vivos e felizes, mas ambos estão mortos.
Sakura deu um passo na direção dele. Hesitava em confortá-lo, tinha receio de que a recusasse.
— Você não pode se culpar, Sasuke. Ino ia morrer de qualquer jeito. Falei com o médico e ele me garantiu que ela não tinha chances de sobreviver.
— Mas poderia ter sido diferente, se Itachi estivesse com ela. — Ele não parava de se torturar. — É por isso que Aya significa tanto para mim... Ela é uma parte dele.
— Vamos passear pela praia, Chris. — Tinham falado muito do passado, e era doloroso. — Você tem que relaxar, não pode ficar se culpando por uma coisa que já aconteceu, não adianta nada. Garanto que Ino não tinha nenhuma chance de sobreviver. O melhor que temos a fazer é ir para a praia e aproveitar nossas férias.
— Pode ser que para você seja fácil esquecer, mas para mim é diferente. Meu irmão poderia estar vivo, se eu não...
— Pare com isso, Sasuke! Não se torture assim. Pense no futuro de Aya. É nisso que deve pensar.
— Você está certa, mas também tenho que pensar no seu futuro — ele disse, acalmando-se.
Sakura sorriu. Estava feliz por ele ter desabafado com ela. Mas, agora, deviam pensar apenas no futuro. Ambos tinham se arrependido das coisas que haviam feito. Sakura, por deixar Ino sozinha e viajar, e Sasuke, por duvidar dos sentimentos do irmão.
Devia odiar Sasuke por não ter permitido que Itachi ficasse com sua irmã, mas havia alguma coisa que a impedia de ter raiva. Sasuke não podia imaginar o que ia acontecer, quando mandou o irmão se afastar de Ino.
— Se é esse o problema, já está resolvido. Gostaria de nadar. O que acha?
— Você é muito persistente, não?
— Muito.
— Então, vamos. Aya ficará bem com Yumi — ele disse, antes que ela perguntasse. — Tem que dar todas as instruções e deixar Yumi fazer as coisas. Afinal de contas, você está aqui para descansar.
Sakura riu; estava se sentindo à vontade. Talvez as férias fizessem bem ao relacionamento deles.
— Acho engraçado — falou, enquanto caminhavam para o quarto. — Faz dois meses que não trabalho e estou aqui para descansar.
— Mas antes disso você trabalhou demais. Sente saudade do tempo em que era manequim? — ele perguntou, através da porta aberta que ligava os dois quartos.
Sakura parou na frente do espelho e ficou se olhando, pensativa. Os olhos verdes e os cabelos róseos brilhavam como nunca; a pele e os traços delicados estavam em perfeitas condições. Poderia ser uma modelo internacional, mas não tinha essa ambição.
— Não, Por quê? Está pensando em me mandar trabalhar?
— Claro que não. As Uchiha não precisam trabalhar.
Sakura foi até a porta e ficou parada, olhando os movimentos de Sasuke, que tentava achar o calção de banho.
— E eu sou a sra. Uchiha, não é? — perguntou, divertida.
— Claro. Você é minha esposa e... — Olhou-a, malicioso. — Sugiro que feche a porta, senão vai acabar me vendo sem roupa.
— Oh... claro! — Corou e, sem demora, foi ao banheiro para se trocar,
Sasuke tinha comprado alguns biquinis e uma saida de banho para ela. Escolheu um verde, sua cor preferida. Saiu do banheiro, sentindo-se seminua. O biquini era minúsculo. Sasuke estava apenas de calção; seu corpo era incrivelmente atraente! Alto, forte e musculoso. Usava uma corrente de ouro branco com uma medalha que tinha um emblema. Caminharam para a praia, em silêncio. Sakura olhava para a medalha, tentando se lembrar de onde conhecia aquele emblema.
— Claro! — disse, de repente. — Meu anel!
— Você perdeu? — ele perguntou, surpreso. Pegou a mão esquerda dela e viu que o anel estava lá.
— Não. — Ela riu. — Sua medalha e o meu anel têm o mesmo emblema.
— Ah, é o emblema da família.
— Um pássaro da paz — ela disse, olhando para o desenho na jóia.
— Acha bonito?
— Sim. — Desamarrou a saída e deixou-a cair na areia. — Vamos ver quem chega primeiro na água?
— E qual é o prêmio do vencedor?
— O que você quiser.
— Está certa. — Ele estendeu a toalha na areia e percorreu com os olhos a corpo bonito de Sakura, as pernas compridas, a pele jovem e bem cuidada.
— E qual vai ser o prêmio? — perguntou, ansiosa pela resposta.
— Quem perder terá que passar bronzeador nas costas do outro.
— Oh... — Que desapontamento! Estava certa de que ele proporia algo mais interessante. — Vou perder de propósito; gosto de passar bronzeador.
— Eu também. — Sasuke sorriu. — Acho que é uma corrida para se perder.
Ele ganhou, e ela sabia que ia ganhar. Mas gostou de espalhar o óleo nas costas dele; a pele era macia
e quente. Sasuke ficou deitado, sorrindo, sinal de que também estava gostando.
— Hum... sua mão é suave. Você já deve ter feito isso muitas vezes.
— Não, eu... você está me provocando.
— Não. Estou apenas elogiando sua habilidade. Sei que você é uma mulher vivida.
— Desculpe — ela disse, com sarcasmo. — Tinha me esquecido do meu passado; não acontecerá de novo.
— Lá vem você na defensiva. Fiz só uma observação inocente. — Sasuke apoiou-se no cotovelo, olhando para o mar.
— Desculpe. — Sakura parou de espalhar o óleo e se deitou na areia, afastada dele.
Seus olhos se abriram, ao sentir pingos de água caindo no braço. Sasuke estava curvado sobre ela, seus rostos muito próximos. Sakura sentiu que o coração disparava e a respiração ficava ofegante.
— Não está desculpada. — Sua voz era séria. — Você me deixa confuso e faz isso de propósito.
— O...O que quer dizer? — perguntou, quase sem voz. Sasuke passou a mão pelo rosto dela, afastando o cabelo da face.
— Você me força a fazer certas coisas. Tinha prometido a mim mesmo não tocá-la, mas agora há pouco... — Afastou-se e voltou a olhar para o mar. — Isto é loucura. Sakura colocou a mão no ombro dele e fez com que se virasse.
— O que há, Sasuke? — Sabia que estava mexendo com fogo, mas sentia que tinha que se aproximar dele.
— Me deixe sozinho, Sakura! — Afastou a mão dela. — Será que não percebe quando tem que me deixar sozinho?
— Mas eu...
Sasuke puxou-a para perto, abraçando-a. Acariciou sua mão.
— Macia — disse baixinho. — Macia e bonita.
Ela ficou quieta; estava gostando do carinho dele. Nunca tinha conhecido um homem tão atraente como ele. Na primeira vez que o viu, achou-o arrogante e frio. Era um homem de negócios, trabalhava muito e era solitário. Mas agora, depois do casamento e de Aya, percebia que ele estava se permitindo sentir e deixar fluir suas emoções.
— Sasuke... — sussurrou.
Ele parecia não ouvi-la. Olhava, fascinado, para o corpo dela.
— Seu corpo é... perfeito. Ninguém diria que você teve um bebê há um ano.
Mas ela não tinha tido! O que poderia fazer para contar a verdade. Como começaria?
— Eu...
— Não diga nada. — Inclinou-se e beijou-a no pescoço. Sakura sentiu a respiração acelerar e o corpo queimar.
Nunca tinha se imaginado sentindo aquela sensação que Sasuke estava provocando. Perdia o controle de si mesma, mas não podia se permitir isso. Ele a beijava e acariciava-a de uma maneira como ninguém havia feito. Ela não estava resistindo e, sem poder se controlar, passou os braços pelo pescoço dele.
— Oh, Sasuke... — sussurrou, pedindo para que não parasse.
— Você gosta das minhas mãos no seu corpo? — Os olhos cor de ônix estavam cheios de desejo.
— Eu...
— Não responda. — Ele se esforçava para se afastar dela. — Não tenho o direito de perguntar isso e nem de tocar em você! Vou para casa. Quando estiver pronta, vá também.
— Mas, Sasuke... — Sentou-se na areia, vendo que ele recolhia a toalha. — Temos mesmo que ir já?
— Eu tenho. — Seu olhar estava atormentado.
Sakura seguiu-o com o olhar, mas ainda sentia sua presença. Sasuke estava começando a se tornar importante para ela... e isso era muito perigoso! Não podia se envolver com ele. Nem depender tanto dele. No entanto, sentia que fazia parte de uma família que amava.
Como seria um filho dele? Provavelmente, parecido com Aya, pensou. Ninguém ia ser capaz de dizer que as crianças não eram irmãs. Afastou esses pensamentos. Que sonho! Nunca poderia ter um filho do Uchiha. Nunca! Se o relacionamento deles chegasse a esse ponto, ele perceberia o quanto ela era inexperiente e descobriria que não era mãe de Aya. Sasuke não podia tocá-la; nunca a perdoaria por ter mentido sobre a maternidade da sobrinha.
Será que conseguiriam continuar a viver juntos, sem se tocarem? Sakura duvidava. Sasuke era um homem e ela não podia imaginá-lo fazendo amor com outra mulher, alguém como Karin. Não, não permitiria.
Sasuke não fez nenhum comentário sobre o incidente da praia. Estavam jantando e Sakura percebeu que ele não falava nada por causa da presença de Marie; mas, assim que acabaram de jantar, convidou-a para tomarem o café na outra sala.
Parecia tranquilo, sem pressa para falar, e Sakura ficou nervosa e agitada ao vê-lo assim. Controlou-se o quanto pôde. Finalmente, explodiu:
— Por Deus, Sasuke! Diga alguma coisa.
Seu olhar frio estava compenetrado. Sentou-se numa poltrona e ficou encarando-a.
— Quero me desculpar pelo que aconteceu hoje à tarde. Não tinha a intenção de tocá-la.
— Eu... não foi importante. — Sentia o rosto ficar vermelho.
— Foi, sim! — Sua voz era firme. — Minhas atitudes não foram de acordo com o que lhe prometi. Tinha dito que este casamento seria sem envolvimento.
— E sem envolvimento significa...
— Significa nenhum contato físico. Você não deve aceitar uma relação sexual com alguém que despreza.
— Oh, mas eu...
— Por favor, me deixe acabar. Gostaria que você se esquecesse do que aconteceu na praia. Tire isso da cabeça.
— Não posso.. Tenho certeza de que você também sentiu que as coisas entre nós mudaram.
Chris foi até o carrinho de bebidas, serviu-se de uísque e respondeu:
— O fato de eu ter desejado você não pode ser negado, mas deve ser esquecido. E isso não vai acontecer de novo.
— Como pode saber? — ela insistiu, mas ele não respondeu. Sakura tinha que fazê-lo voltar a falar; não podia ficar naquela situação embaraçosa. — Sasuke?
— Porque não vou permitir que aconteça novamente — disse, colocando o copo na mesa. — Não sou um menino que não sabe resistir ao charme de uma mulher bonita. Você pode duvidar, mas sou capaz de me controlar.
— E eu?
— Você o quê? — Olhou-a, surpreso,
— Eu não estava... — Sakura desistiu de falar o que tinha sentido.
— Sendo fria? — ele completou. — Sei disso, não sou bobo. É natural que você também tenha sentido alguma coisa. O corpo, desde que sinta prazer, entrega-se a ele, e eu...
— Sim? — Sakura o incentivava — Você o quê? — Levantou-se e ficou olhando-o. — Nunca vi tanta discrição na minha vida! Você fala de fazer amor como se fosse algo científico; não leva em conta o instinto, o sentimento e o amor. Sim, eu estava excitada, mas não permitiria que você fizesse amor comigo. Meu corpo não se entregaria ao prazer, não mesmo!
Falava muito séria, mas não estava bem certa se aquilo era verdade. Quando ele a deixou na praia, sentiu que poderia ter se entregado a ele. Tinha sido essa a sua vontade.
— Você está nervosa — Sasuke disse, calmo. — Se pensasse bem no que está dizendo, veria que não é tão simples. Não posso satisfazer os seus desejos e não permito que arranje um amante.
— Meu Deus! — Sakura estava chocada. — Não acredito no que estou ouvindo! Não quero um amante! Quero apenas levar a minha vida em paz e cuidar do bebê. Foi você quem quis falar sobre o que aconteceu... Eu já tinha esquecido.
— Não diga isso. Vi o modo como me encarou durante o jantar; seus olhos estavam cheios de curiosidade. Devia estar imaginando como seria fazer amor comigo. Todas as mulheres fazem isso. Quis saber qual o motivo de eu ter agido daquela maneira, não é?
— Eu sei o motivo — falou, furiosa. — Você não tem sentimentos, só sabe racionalizar. Será que tem que pensar em tudo? Para você, nada acontece com espontaniedade?
— Algumas vezes — ele respondeu, tentando se justificar. — Sou um homem, e os homens têm que usar a cabeça.
— Não você. Tudo o que faz é extremamente planejado e calculado, só depois é executado.
— Minhas atitudes de hoje não foram planejadas nem calculadas.
— Não? Então, isso significa que ainda há esperança para você.
— Não haverá ocasião. Não cairei em tentações como a de hoje — Sasuke disse, sério.
— Veremos... Veremos.
