A viagem

Há tanto tempo que eu deixei você

Fui chorando de saudade

Mesmo longe não me conformei

Pode crer, eu viajei contra a vontade

Dois anos. Há dois anos eu a deixei. Há dois anos eu sinto essa dor e esse enorme vazio no peito. No momento que eu atravessei aquele maldito portal o meu tormento começou. No início, acreditei não ter sacrificado nada para devolver a Alphonse seu antigo corpo; mas com o passar do tempo, o aumento daquela sensação de vazio me fez perceber que havia sacrificado a mim mesmo - me privando de estar perto daqueles que eu amava – e pior que isso, eu havia sacrificado - mesmo sem querer – alguém que eu jamais ousaria ferir: Winry.

Pelo menos a minha viagem forçada serviu para perceber o quanto eu precisava dela.

Coloquei as mãos tremulas sobre o circulo de transmutação, e em meio àquela luz azul o portal surgiu abrindo-se.

O teu amor chamou e eu regressei
Todo amor é infinito

Noite e dia no meu coração
Trouxe a luz
Do nosso instante mais bonito

E agora em frente ao portal, eu posso sentir seu coração chamar pelo meu e ter a certeza de que esse sentimento sempre existiu, e sempre existirá.Talvez porque fosse esse sentimento que a cada dia devolvesse ao meu peito aquela felicidade,me fazendo lembrar do tempo em que éramos crianças e não nos preocupávamos com nada além de viver o hoje sem ter medo do amanhã.

Acordei um pouco zonzo e olhei para os finalmente estava de volta! O dia amanheceu e em segundos eu já estava na estação, embarcando no primeiro trem para Rizembool.

Na escuridão o teu olhar me iluminava

E minha estrela guia era o teu riso

Desde a nossa frustrada tentativa de trazer a mamãe de volta, a escuridão se tornara parte de mim; e todas as vezes que eu mergulhava nela, era salvo por aquele par de safiras inundados de extrema doçura. Eu sempre considerei os olhos de Winry lindos, porém era o seu sorriso que me dava forças para seguir em frente.

Coisas do passado são alegres
Quando lembram novamente
As pessoas que se amam...

Ergui a mão para abrir a janela do trem, mas a simples visão da prótese já me fazia lembrar dela e do quanto ela ficava furiosa sempre que eu "destruía a sua obra prima".Eu estava com tanta saudade dela que até a lembrança dos golpes de chave inglesa me alegravam.

Em cada solidão vencida eu desejava
O reencontro com teu corpo abrigo

Desci do trem e comecei uma rápida havia passado por tantos obstáculos para vê-la de novo que estava sendo consumido pela ansia de poder abraçá-la e dizer tudo o que ficou preso na garganta por aqueles dois longos anos.

Ah! Minha adorada
Viajei tantos espaços
Prá você caber assim no meu abraço

Avistei a casa por trás da cerca e senti o coração disparar, depois de ter atravessado mundos(literalmente) por aquela loirinha, a única coisa que me separava dela era porta da frente diante da qual eu estava parado.

Parei diante da porta e me preparei para entrar, porém a mesma foi aberta com força antes disso por ninguém menos que:

-Winry... – Disse e vi a expressão dela de surpresa, se transformar num sorriso radiante enquanto balbuciava meu nome.

-Ed... – Não lhe dei tempo de dizer mais nada e enlaçei o braço direito(o da prótese) na cintura dela e a abracei pelos ombros com o esquerdo, afundei o rosto na curva do seu pescoço inalando o cheiro bom do corpo dela, ergui a cabeça sentindo meus lábios tocarem de leve a orelha de Winry e apertei ainda mais o abraço ao dizer:

-Te amo...