Cap. 2

[Draco's pov]

- Você não consegue olhar o caminho enquanto anda? Mas que diabos, Potter, seu cérebro é tão inútil que não consegue executar nem funções básicas? – pronto, estava atormentando o maldito testa rachada, como eu planejara.

Embora eu preferisse fazê-lo de pé e sem ter a parte traseira de minhas vestes coberta de lama e grama molhada. Também seria bem mais legal se esse trasgo parasse de me olhar fixamente com essa expressão ridícula e reagisse.

A graça em brigar com ele era exatamente sua reação raivosa e exagerada. E completamente descontrolada. Maldito grifinório, conseguia tirar a diversão de tudo, logo quando eu mais precisava me divertir um pouco.

- Malfoy, você poderia me devolver essa caixa? Realmente estou com pressa. – O QUE? Então ele achava que podia me derrubar, frustrar minhas expectativas com a briga e depois pegar sua caixinha vermelha ridícula em forma de coração e sair saltitando pelos jardins? Como se eu fosse ser tão lufa-lufa de deixar.

- Essa caixinha? – peguei-a da minha barriga, levantando-me em seguida. Olhei-a por alguns instantes. – Presente de dia dos namorados, cicatriz? Realmente muito original. – ri, sacudindo-a para ver o que tinha dentro. – bombons? – abri a caixa, pegando um deles e avaliando-o.

- Não se atreva! – exclamou. Levantara-se num salto. Para minha surpresa parecia mais assustado do que irritado. – não ouse comer esses bombons, Malfoy, juro que vai se arrepender se o fizer. – okay, eu estava ficando confuso. – eles não são para você.

- Obviamente não são para mim. Mas porque não os comeria? – a cada dia que se passava Potter ficava mais estranho. Joguei o bombom na boca só para ver qual seria sua reação. Não era ruim como eu esperava. Suave e ao mesmo tempo meio selvagem, engraçado, que gosto mais envolvente.

- Cospe isso! – ignorei seus vários gritos de "cospe, Malfoy!" e pus mais um na boca. Não consegui me impedir, a parte racional do meu cérebro parecia estar momentaneamente adormecida. Mal vi quando ele saiu correndo para o castelo. Se tivesse visto, estaria rindo da cara dele. Bem, eu pensaria naquela reação bizarra mais tarde, agora tenho bombons a comer.

[Draco's pov off]

Harry corria o mais rápido que seus músculos e pulmões permitiam em direção ao salão comunal da Grifinória. Sem duvida alguma, aquilo fora a pior coisa que lhe acontecera desde que entrara em Hogwarts. E ele estava contando tudo o que tinha acontecido.

Draco Malfoy estava comendo bombons que lhe dariam desejo sexual por ele. Por Merlin, o que no mundo poderia ser pior? Além disso, os bombons deveriam ter o sabor da personalidade da pessoa que pusera a saliva na poção. E o outro gostara do sabor.

Parecia impossível, mas, no entanto, acabara de acontecer. Draco Malfoy gostara do gosto de Harry Potter. "Ele gostou!". Quanto mais o moreno pensava no que acabara de ocorrer, mais irreal lhe parecia.

Quando chegou ao salão comunal, suado, vermelho e completamente ofegante, foi abordado por Ginny, que parecia estar lhe esperando ansiosa. Ia passar direto por ela e ir para seu dormitório, mas a menina o segurou.

- A gente precisa conversar, Harry. – disse, fazendo com que ele a olhasse. – você sabe disso tão bem quanto eu.

- Precisa ser agora? – indagou. Sentia-se meio desesperado, tinha todos os motivos do mundo para isso. – é que eu preciso muito conversar com o Rony e dar uma olhada em alguns livros que deixei no quarto.

- Os livros não vão fugir e ele e a Hermione foram dar uma volta. Hoje é dia dos namorados sabe? – sua voz soou triste. Abaixou a cabeça, encarando o chão.

- Eu sei a merda de dia que é hoje! – exclamou. Não demorou nem cinco segundos para ver a primeira lágrima cair no suéter da menina. Amaldiçoou-se mentalmente por aquilo. – Ginny, eu não... Desculpe. – murmurou, sentindo-se o homem mais idiota da face da Terra.

- Acho que isso é o fim do namoro. – a menina disse antes de subir correndo as escadas que levavam ao dormitório feminino. Foi tão rápido que Harry não tivera tempo de sequer responder alguma coisa.

"Merda, merda, merda! Ainda mais essa." – pensou enquanto subia as escadas para seu próprio dormitório. Teria que pesquisar sozinho enquanto Rony não chegasse de seu passeio romântico. Sendo assim, pegou todos os livros de poções que haviam usado para a poção e mais alguns – que tinha achado na biblioteca para o trabalho de snape, alguns dias antes – e começou a pesquisar.

Deve ter demorado umas três horas lendo e relendo as informações sobre a poção e, para sua frustração, não achara nada escrito sobre os efeitos em pessoas do mesmo sexo. Tentava convencer a si mesmo de que a falta de informações era simplesmente porque não tinha efeito nenhum. Torcia com todas as suas forças para que fosse isso.

Estava começando a se sentir tonto e enjoado, tentava ao máximo não pensar no que aconteceria se os efeitos que esperava para a ex-namorada fossem os que Malfoy teria. Só de pensar já lhe embrulhava o estômago.

- Harry? Você está bem? – o ruivo indagou, olhando para o rosto do amigo. Este nem reparara em sua entrada no quarto. Olhou para ele, ligeiramente atordoado, acabara de ver um pouco do que poderia acontecer entre ele e o loiro e a cena o aterrorizara.

- Hm, bem, não, realmente não. – respondeu, passando as mãos pelo cabelo e pelo rosto. – você não tem idéia da merda que aconteceu e do quão fudido e aterrorizado eu estou por causa disso, cara. Literalmente fudido. – suspirou.

- Bem, tente me contar o que aconteceu e eu tento te ajudar a resolver o problema no qual você se meteu. – o outro rebateu, olhando confuso para o moreno. Sentou na cama, não conseguindo imaginar o que de tão ruim poderia ter acontecido num dia dos namorados tão bonito como aquele.

- Quando eu estava indo para o campo de quadribol, para pôr a caixinha de bombons da Ginny no armário dela no vestiário, esbarrei em Malfoy nos jardins. A caixinha caiu no colo dele. – falava rápido, tentando fazer com que o amigo visse a gravidade da situação. – ele simplesmente a abriu e comeu. COMEU! E o pior de tudo... Ele gostou! – não conseguiu evitar a elevação de sua voz ao relembrar do que tinha acontecido.

- Você está me dizendo que... Malfoy comeu os bombons... Os que tinham a poção desinibidora com a sua saliva e gosto... E ele gostou? – Harry podia ver a expressão do amigo mudando de confusão para total assombro ao compreender o significado daquilo tudo. – Puta que o pariu!

- Rony, eu estou desesperado! E se ele tentar alguma coisa? E se ele ficar me desejando e me perseguir? O que eu vou fazer se o Malfoy-maníaco-que-só-vive-para-me-atormentar tentar me agarrar? Onde eu estava com a cabeça quando resolvi usar essa poção? Ginny nem me ama mais, eu deveria ter tentado conversar, mas não. Eu tinha que ir pelo jeito mais difícil, tinha que me deixar vulnerável para depois usar minha maldita coragem grifinória e...

- HARRY! Cala a boca e respira. Esse seu discurso gigante e completamente sem nexo não vai nos levar a lugar algum. – o moreno olhava para ele com a boca aberta. Seus olhos refletindo o pânico que sentia com a situação. – vamos ser racionais, ok? – Ta bem, Ronald Weasley estava pedindo racionalidade. O outro poderia gargalhar se não estivesse tão desesperado. – Nós nem sabemos o efeito que a poção vai ter sobre ele. Além disso, você e Malfoy raramente ficam sozinhos, muito menos sozinhos e juntos, é só evitar isso ao máximo por algum tempo. E outra coisa, mesmo que a poção faça efeito, o ódio e o asco que ele sente por você podem ser mais fortes do que ela. – o moreno estava um pouco mais calmo. Mas só um pouco. – Por Merlin, Harry, você não é nenhuma garotinha indefesa! È um bruxo poderoso, o caralho do escolhido. Seja homem e contenha-se, porra! – e esse foi Ronald Weasley jogando a racionalidade pelos ares.

- É, está bem, você tem razão. Eu não tenho motivos para temer ser estuprado pelo filho-da-puta-tarado-Malfoy. – percebeu o quão irreal aquela frase soava quando dita em voz alta. Ser estuprado pelo sonserino? Até parece. – Ele sempre foi meio covarde e eu posso muito bem mantê-lo distante de mim. Por Merlin, onde eu estava com a cabeça para ficar tão desesperado? – indagou, rindo de si mesmo.

- Isso eu não sei. É melhor você se acalmar e ir dormir cedo também, claro. – o outro continuava a olhar o ruivo sem entender do que falava. – O jogo de amanhã. Você é o capitão do time e o nosso apanhador, por favor me diga que não tinha esquecido!

- Não, esquecer o quadribol? Nunca. Só me distraí por causa dos aconte... – parou abruptamente, olhando para o ruivo com os olhos arregalados. – o jogo amanhã é contra a sonserina. – foram suas últimas palavras antes de desmaiar sobre a cama.

- Harry! – o outro levantou de sua cama, correndo para ir até a dele. Deu alguns tapas fracos em seu rosto. Se aquilo estivesse acontecendo com qualquer outra pessoa, ele estaria rindo. – Acorda! Que merda, acorda! Desmaiar não ajuda em nada, acorda!!

- Por favor, me diz que tudo não passou de um pesadelo horrível e que Ginny comeu os bombons e ainda me ama e tudo está normal. – pediu, alguns minutos depois, recobrando a consciência. Levantou-se devagar, vendo o ruivo suspirar de alivio. – foi tudo real e amanha vou ter mesmo que voar com Malfoy?

- Eu realmente queria poder dizer que foi só um pesadelo e que ta tudo bem agora. Mas eu não posso, porque infelizmente foi real. – respondeu, olhando-o apreensivo. – não se preocupa com o jogo de amanhã. Vai dar tudo certo. Sei que é difícil, porque vocês dois são apanhadores, mas tente ficar o mais longe dele possível. Não vai acontecer nada.

- Realmente espero que você tenha razão. Seria traumatizante demais para mim se acontecesse alguma coisa. – seu estômago se retorceu. Sentia muita fome e só o percebera agora. – a poção já fez efeito na Mione? – tentava ignorar a fome.

- Ainda não. Li alguma coisa sobre demorar umas doze horas. – respondeu, levando um susto ao ouvir um ronco vindo da barriga do amigo. – Acho bom irmos almoçar, tenho quase certeza de que você está com fome.

- Bem, para falar a verdade, não cheguei nem a tomar café da manhã. – confessou, olhando para a própria barriga. – não é por nada não, mas prefiro não comer com todo mundo. Vou pegar alguma coisa na cozinha com os elfos e depois vou visitar o Hagrid.

- Tem certeza de que prefere se isolar? O jantar pode te distrair e até te deixar mais calmo, vai estar todo mundo lá. – olhava-o como se pretendesse convencê-lo só com o poder de seus olhos. O outro balançou a cabeça negativamente. Malfoy também estaria lá. – Está bem, eu e a Mione vamos com você então. Não te deixaremos sozinho.

- Brigado, Ron. – disse, levantando-se e pegando sua capa sobre o malão. – então, vamos chamá-la. – abriu a porta do quarto, segurando-a para que o amigo passasse. Encontraram-na sentada numa das poltronas do salão comunal.

- Finalmente vocês dois apareceram! Será que podemos ir almoçar agora ou vou ter que ir sozinha? – indagou, levantando-se e indo até eles. Sua expressão mudou ao olhar para o moreno. – Harry, você está bem?

- Estou ótimo, realmente ótimo. – forçou um sorriso. – Nós vamos pegar alguma coisa na cozinha e depois visitaremos o Hagrid. – explicou. – Você vem com a gente, não vem?

- Mas é claro que eu vou! – exclamou, levantando as sobrancelhas e olhando para os meninos. – A minha pergunta é: algum dia saberei porque você está com essa cara e evitando almoçar no salão comunal? – o moreno nem se moveu. Fingia não ser com ele. – Como eu suspeitei. Vamos logo.

Os três foram para a cozinha, comendo lá mesmo. Os elfos lhes deram tudo quanto foi comida, enchendo-lhes as mãos e as bocas. Depois, satisfeitos, foram para a casa de Hagrid, passando uma tarde agradável. Harry até esquecera de seus problemas por algumas horas enquanto se divertiam com o gigante.