Secrets and Lies

Capitulo I – Berthold Hawkeye

Aquele era pra ser o inicio de uma vida perfeita. Cheia de sonhos, esperanças, filhos, e, acima de tudo, uma felicidade incomparável.

Era isso que Emily Montana e Berthold Hawkeye pensavam ao se casarem.

A cerimônia fora linda. Inesquecivelmente perfeita. Ambos não tinham duvidas disso. Mas que graça tem se foi tudo forçado? Um casamento que parecia mais uma peça de teatro com todas as falas e movimentos ensaiados e decorados. Emily o amava, mas não entendia o que faltava em si para que o homem não pudesse fazê-lo.

A lua de mel fora numa vila no Sul. Ela não recordava do nome do local, não havia sido um dia especial.

Tiveram dois filhos, Jethro e Alessa. Duas crianças lindas, que reconstituíram parte dos sonhos do jovem casal. Ah, doce ilusão que Emily tivera por alguns poucos meses. Logo viera a primeira guerra contra Ishbal. O plano era apenas deter uma rebelião que se formava.

Berthold voltara depois de exato um ano, mas estava diferente. Parecia mais vivido aos olhos dela. Ah, se Emily soubesse o motivo... Provavelmente, teria um ataque nervoso. O louro falava mais com a família, estava mais alegre. Mais... Humano. Sim, era essa a palavra exata que a filha dos Montana podia usar para descrevê-lo depois da volta. Pensara que ele viria depressivo, mas errara.

Claro que percebera o engano, uma vez que o ouvira no telefone. Uma ishbaliana. Havia perdido para uma ishbaliana. Uma mulher de pele escura e olhos vermelhos. Ah, aquela nação que tanto desprezava. Que apenas queria destruída. Identificou a mulher como chamada Mary Miwako. Não sabia o sobrenome, mas pensara ter ouvido algo como Scott.

- E como ela está? – Ouviu-o dizer.

Dizer? Não... Berthold praticamente sussurrava ao telefone, como se estivesse com medo de ser descoberto. Não acreditava no que ouvia. Havia sido traída! O homem preferira uma mulher de um povo fadado à desgraça do que ela, uma mulher de rica família. E pelo que entendia, tinha mais alguém... Uma criança talvez. Alem de traição, ainda tinha uma criança?!

- Miwa, como está Rizabelle? Ela já melhorou da febre?

Ouviu-o suspirar de alivio. Então a menina chamava-se Rizabelle? Um nome no mínimo... Diferente. E ela estava adoecida. Mas não era motivo para compaixão.

Durante o jantar, após os filhos se retirarem da mesa para ir fazer as tarefas, Emily resolveu confrontá-lo.

- Bert?

- Sim, Em?

- O que acha do nome Rizabelle?

Ele engoliu em seco. Não tinha como ela saber sobre a outra família. – É um nome diferente.

- Não o conhece?

- Deveria?

- Não é o nome da sua filha?

Berthold parou. Como ela poderia saber? – Como você...?

- Ouvi-te no telefone. – Parou. Não acreditava no que ia questionar. – Ela está melhor da enfermidade?

- Sim. Não se preocupe, era mora com a mãe e com o padrasto, que pensa ser pai dela. Não vai vir para cá. Não se preocupe. Lessy e Jettie nunca vão desconfiar.

Emily suspirou. – Não vai mudar nada. Afinal, sempre fingimos ser um casal feliz, não é mesmo?

O louro apenas acordou com a cabeça. Seria melhor continuar aquela farsa do que a pequena Rizabelle vir à tona. Sujaria demais o nome da família Montana uma traição daquele nível, e ele estava ciente.

- Quantos anos ela tem? – ela falou, após muito ponderar.

- Fez dois semana passada. Faz um ano e meio que fui para Ishbal.

DOIS ANOS?! Fazia dois anos que Berthold escondia uma FILHA dela?! Não conseguia crer. – Meus filhos nunca saberão da existência dessa garota, certo?

- Como já lhe disse.

- Se algum dia, por alguma fatalidade, essa menina venha a morar conosco, pedirei anulação.

- Estou ciente, Emm.

Emily não o respondeu. Apenas subiu para seu quarto, trancando-se. Chorou aquela noite inteira.

Três meses depois, o Brigadeiro General Berthold Hawkeye fora novamente convocado para Ishbal, onde permaneceu por mais dois anos. Segundo o que calculava, Emily sabia que a menina estaria com quatro anos.

No ano seguinte, ele pediria anulação do casamento, para cuidar da garota ishbaliana, e de um aprendiz. Emily a vira de longe. Cabelos dourados como o do pai e pele clara, mas olhos vermelhos como o sangue. Possuía cortes em toda a extensão visível do corpo, cabelos curtos e visivelmente mal-lavados, com um líquido vermelho escorrendo. Um corte no lábio, um tapa-olho sobre o olho direito. Enormes olheiras, vestida com trapos. Realmente, Rizabelle não tinha nada de bela.

Pelo menos era o que ela pensava.

Continua...

N/A: Eu sei que devia estar escrevendo outra coisa, mas como já disse, não vou atualizar tanto essa aqui. É uma idéia completamente maluca que me deu, e espero que alguém goste. Kisus no kokoro, minna-san.

Ah, uma explicação: a fic começa com o passado, para nos próximos capítulos chegar ao presente, a época que os personagens estão vivendo.

Eu vi esse esquema na fic Meu Caro Amigo, da Shadow Laet. Créditos para ela, por ter pensado nisso!