Poção Adulterada

- Hermione, o que você acha do meu cabelo assim? – perguntou Ginny, enquanto testava penteados em frente ao espelho do dormitório feminino.

- Eu acho é que nós já estamos bastante atrasadas para o café da manhã. – Hermione respondeu, avaliando o reflexo da amiga por um segundo. – E assim já está ótimo.

- Ok. – disse a outra, colocando uma tiara prateada e ajeitando os cabelos lisos presos pela metade na parte de trás de sua cabeça. – Obrigada. – ela agradeceu e a amiga murmurou um "de nada".

- Vamos? – Hermione perguntou, olhando para o relógio, impaciente.

- Vamos, vamos. – Ginny respondeu, pegando a mochila e deixando o dormitório.

- Cara, eu nunca achei que viveria para ver o dia em que Hermione Granger chegaria atrasada para o café da manhã! – disse Ron, enquanto as duas garotas se sentavam ao lado dele e de Harry na mesa da Grifinória.

- Pergunte o porquê do atraso à senhorita ruiva que por um acaso é sua irmã. – Hermione respondeu divertida e Ron olhou para Ginny com um olhar mortal de quem achou que ela estivera fazendo algo errado.

- Ei, não olha pra mim assim. – Ginny apressou-se em dizer, levantando as mãos em sinal de defesa. Hermione caíra na gargalhada.

- Ela estava apenas testando mil e um penteados nos cabelos antes descer para o Salão Principal. – Hermione disse, em meio ao riso, com intuito de evitar uma discussão desnecessária pela parte do amigo.

- Obrigada por evitar que meu irmão me assassinasse. – Ginny agradeceu, ironicamente.

- Não tem de quê. – Hermione respondeu, com um sorriso.

- Vejo que você acordou de bom humor hoje, Mione. – Harry comentou, enquanto as garotas se serviam de torradas e suco de abóbora. – Aconteceu algo que eu ainda não fiquei sabendo?

- Na verdade, eu não estou de bom humor e muito menos nos meus melhores dias. – Hermione respondeu. – E quando as coisas vão mal, rir é o melhor remédio, não?

- Ok, ok. – Harry respondeu. – Mas nem começamos o ano e você já está estressada?

- Pois é. – Hermione o cortou, impedindo que o assunto se prolongasse. Não sabia o porquê, mas não queria comentar sobre a competição pelo cargo de monitor-chefe com os amigos ainda. Parecia um pressentimento, um sentimento estranho. Talvez isso fosse devido ao fato de incluir um sonserino Comensal da Morte no meio disso tudo. – Acho que já está na hora de irmos para a aula, não?

- Você tem razão. – Harry respondeu, após olhar seu relógio de pulso. – Quem é o primeiro professor do dia?

- Poções. – respondeu Hermione.

- É, estou vendo que meu dia também vai começar mal. – disse Harry com uma carranca, se levantando da mesa de café da manhã. Ron fizera o mesmo e apenas Ginny e Hermione ficaram para trás.

Após terminar sua torrada, Ginny virou com uma rapidez impressionante sua taça de suco de abóbora e no instante seguinte estava de pé, sob o olhar descrente de Hermione, que mastigava ainda na metade da torrada.

- Ginny, aonde você vai? – Hermione perguntou, após engolir o pedaço inteiro enquanto Ginny pegava a mochila apressada e preparava-se para deixar o salão.

- Eu me esqueci que tenho umas coisinhas para devolver para a Luna que ela deixou comigo semestre passado, e acho que ela vai precisar para a próxima aula dela... – Ginny respondeu, enquanto jogava a mochila nas costas. – Desculpe te deixar sozinha, Mione. – ela se desculpou.

- Não tem problema.- Hermione apressou-se em dizer. – Vá lá, e boa sorte para na chegar atrasada.

- Obrigada, Mione. – Ginny agradeceu, afastando-se da mesa. – Até o intervalo!

- Até! – Hermione disse, observando a ruiva se dirigir à porta do Salão Principal.

Aquele silêncio ao redor dela a incomodava. Aos poucos, o Salão foi se esvaziando até restarem muito poucos alunos ali. Hermione odiava demorar muito para comer, mas era um hábito que ela não conseguia largar. Após finalmente terminar sua torrada, ela olhou no relógio e o desespero tomou conta de si quando viu que estava atrasada. Com um gesto rápido, pegou a taça com suco de abóbora e tentou virá-la em um único gole, engasgando-se no meio do processo e xingando baixinho. Depois se levantou, jogou a alça da mochila sobre um dos ombros e desatou a correr pela mesa da Grifinória. Porém a barra de sua saia engastaiou no zíper de uma mochila que repousava sobre um dos bancos, sem a presença do dono, e ela virou-se para trás e arrancou a saia num puxão, desatando novamente a correr. Mas antes que fizesse isso, ao virar-se para frente novamente, colidiu em algo e caiu sentada no chão.

- Mas que diabos... – Draco exclamou irritado por terem-no empurrado, mas quando viu quem estava caída no chão, deu um sorriso malicioso. – Ora, ora, Granger! Nunca pensei que fosse viver para ver o dia em que te encontraria espatifada no chão do Salão Principal após correr por estar atrasada para uma aula!

- Malfoy, vai – ela vociferou, mas ele a cortou no meio de sua frase.

- Ver se eu tô na esquina, exato? – ele completou, com um sorriso sarcástico. – Talvez um dia eu realmente vá, para ver se você pára de aparecer na minha frente toda hora!

- Eu, aparecer na sua frente? – ela indagou, incrédula com o que acabara de ouvir. – Mas foi você que ontem me perseg...

- Então, Granger... – ele a cortou novamente, fazendo com que ela armasse uma carranca. – Não, acho que posso esperar você finalmente decidir se levantar para dizer o que eu quero...

- Ugh! – ela grunhiu, apoiando-se no banco para se por de pé. – Queira, por favor, sair do meu caminho?

- Não sem antes dizer o que eu tenho para dizer. – ele respondeu, bloqueando sua passagem entre os dois bancos da Grifinória e Lufa-Lufa.

- Não há nada que eu tenha para tratar com você. – ela retorquiu, áspera. – Agora, se me dá licença... – ela disse, encontrando uma passagem entre o rapaz e os bancos e se aproveitando dela para escapar.

- A menos que você queira desistir do nosso desafio... – ele provocou, fazendo com que ela parasse de súbito onde estava. – Cujas regras e apostas nós ainda não estabelecemos.

- Não sei onde eu estava com a cabeça ao fazer qualquer acordo ou aposta com você, Malfoy. – ela disse, virando-se para ele. – Mas já que eu fiz, saiba que Hermione Granger é uma mulher de palavra.

- Assim espero. – ele retorquiu. – Para que eu possa cobrar meu prêmio depois.

- Tão confiante... – foi a vez de ela provocar. – Tsc, tsc. Cuidado para não cair do cavalo...

- O mesmo para você. – ele respondeu. – E, acho que quanto às regras... Sem regras. E ao prêmio... Bem, você já aceitou o desafio, então implica que iremos aceitar qualquer coisa que o outro pedir em troca. – ao ouvir isso, Hermione franziu o cenho. Talvez tivesse sido uma má idéia aquilo tudo. – E agora, Granger, assim como você eu também tenho uma aula para marcar presença. – e no segundo seguinte ele já havia passado por ela numa velocidade tão grande que fez seus cabelos platinados esvoaçarem no ar.

- Fazendo apostas com Comensais... – ela sussurrou para si mesma. – Céus, Hermione, onde você foi se meter?

A garota que chegara na porta das masmorras estava ofegante e vermelha como um pimentão, um mero vestígio do que Hermione era ao correr por toda Hogwarts para não chegar atrasada na aula do professor que mais a odiava. Quando chegou à porta da sala de aula aliviada por não ter se atrasado, notou que o professor já se encontrava lá dentro.

- Menos 5 pontos para a Grifinória pelo seu atraso... – Snape anunciou, virando-se do quadro, no qual fazia anotações para ver o aluno que acabara de repreender. – Granger? – ele deixou escapar, surpreso. Mas se recompôs rapidamente. – Eu gostaria de poder continuar minha aula, se você não se importasse de ir logo para o seu lugar...

- Desculpe, professor. – ela disse, corando ainda mais e passando de cabeça baixa entre as mesas onde alunos boquiabertos e incrédulos a encaravam. Ao sentar-se em sua mesa, ainda morta de vergonha, ela não pôde evitar que seu olhar voasse direto para Draco, que tentava reprimir, sem sucesso, uma risada debochada. Hermione sentiu algo quente e áspero subir por suas entranhas e um desejo irresistível de lançar-lhe um crucio bem no meio da testa.

- Mione? – Harry perguntou quase inaudivelmente ao seu lado, num tom de incredulidade. – É você mesma?

- Não, acho que sou a reencarnação do Barão Sangrento... – ela sussurrou azeda.

- Calma, eu só estava checando se era você mesma... – ele disse, na defensiva. – É que eu nunca achei que fosse viver para ver o dia em que...

- Hermione Granger chegaria atrasada a uma aula? – ela completou.

- Isso. – ele respondeu, ainda a encarando abrir com raiva o livro de poções e prender os cabelos num coque surpreso, mas não se atreveu a dizer mais nada.

A aula estava transcorrendo tranquilamente, ao som solitário dos ingredientes sendo descascados, picados e atirados e aos caldeirões borbulhando. Snape folheava um livro, sentando em sua mesa, absorto em sua leitura. Hermione apressava-se em picar as patas das salamandras para atirar logo ao caldeirão, quando ouviu uma voz quebrar o silêncio.

- Terminei, professor. – disse Draco, com a mão erguida se sua mesa, fazendo levantasse a cabeça incrédula numa velocidade enorme e acabasse com um corte profundo no indicador que usava para segurar as salamandras.

- Maldição! – ela sussurrou baixinho, enquanto procurava alguma coisa para estancar o sangue que escorria e misturava-se aos ingredientes. Não encontrando nada útil para o serviço em sua mesa, virou-se para a de Harry e o encontrou encarando-a novamente com aquela expressão de incredulidade.

- Nunca pensei que viveria para ver o dia que Hermione não terminasse primeiro sua poção? – ela disse, fazendo uma imitação sarcástica da voz dele, mas dessa vez ele não respondera. – Por um acaso você tem algum pedaço de pergaminho ou de tecido que eu possa usar para estancar isso aqui? – ela pediu e ele vasculhou sua mesa por um segundo e depois lhe entregou um pedaço da fita que ele usava para amarrar os rolos de pergaminhos. – Obrigada. – ela agradeceu seca, pondo-se a enrolar a fita ao redor do machucado.

Para contribuir com seu mau-humor, o corte em seu dedo ardia e lhe incomodava com pontadas agudas. Após terminar de picar as salamandras, ela notou que a fita que Harry lhe dera estava encharcada e não estava servindo para mais nada além de limitar os movimentos de eu indicador. Com um gesto brusco, ela arrancou a fita e jogou para o lado, começando a atirar os ingredientes para dentro do caldeirão com o dedo ensangüentado.

- Droga! – ela praguejou novamente. – Por que um corte tão minúsculo desses tem que sangrar tanto?

Ela deu mais algumas mexidas no líquido viscoso que borbulhava em seu caldeirão e depois desligou o fogo. Pegou um frasco de cristal e mergulhou-o lá dentro, lacrando-o depois e levantando-se para levar ao professor, do outro lado da sala.

- Senhorita Granger... – Snape disse, analisando o conteúdo do frasco que ela lhe entregara. – O que diabos você colocou aqui dentro?

- Uma amostra da Poção do Bafo de Fogo, professor. – ela respondeu, checando novamente o frasco.

- Então porque isso aqui está vermelho, em vez de amarelo? – ele indagou, em tom de desdém, fazendo Hermione ficar nervosa diante de toda a turma que observava-os com curiosidade.

- Não sei, professor. – ela apressou-se em dizer. – Eu coloquei todos os ingredientes na medida certa, mexi no jeito certo e aqueci na temperatura certa tal qual o livro mandava. Por que não funcionou?

- Deve ser porque o livro então esteja errado, Granger. – o professor respondeu, áspero. – E não você.

Hermione sentiu seu estômago despencar. Ela não sabia se devia sentir-se frustrada, humilhada, enfurecida ou derrotada. Enquanto ela refletia, com os olhos fixos no frasco sob a mesa do professor, um sinal tocou, anunciando o término da aula.

- Alunos, por favor, tragam logo seus frascos com a poção porque eu tenho outra turma para dar aula, se não se importam. – o professor pediu secamente.

Hermione aproveitou que todos estavam concentrados em terminar a poção às pressas e colhê-la no frasco, e apanhou sua mochila, saindo o mais rápido possível da sala.

Ela não entendia o que havia de errado com sua poção. Ela fizera tudo exatamente como estava escrito nos livros, com todos os seus exageros de medida que Harry e Ron sempre debochavam, no entanto dera errado. E após tudo o que acontecera naquele dia, o que ela menos queria era ter que encarar os rostos dos alunos ali presentes. Mas ela havia se esquecido que mais uma pessoa além dela havia terminado a poção e ao sair da sala, preferiu voltar e encarar todos os outros rostos ao dele.

- Granger, Granger... – Draco debochou. – Achei que não viveria o bastante para ver o dia em que você adulteraria uma poção!

Hermione sentiu seu rosto ruborizar de raiva. Por que parecia que todos haviam tirado o dia para alfinetar cada um de seus erros?

- Talvez você tenha se esquecido que eu sou um ser humano, Malfoy... – ela retorquiu, afiada. – Ao contrário daquele a quem você serve. – ela afilnetou irritada e a expressão dele passou de debochada para fulminante num piscar de olhos. – E eu tenho todo o direito de errar...

- Mione, o que você está fazendo sozinha aqui... – ela ouviu a voz de Ginny atrás de si. – Com... Malfoy?

- Acho que agora é a hora em que eu saio para não ser contaminado por pragas virais... – Malfoy disse em tom de desdém, mas sem conseguir tirar a expressão fulminante de seu rosto, se afastando delas.

- Por Merlin, Hermione, o que aconteceu aqui? – Ginny perguntou, surpresa.

- Ginny, vamos deixar isso com está, ta legal? – Hermione pediu, com uma voz de cansaço. – E, por favor, não me venha com "Eu nunca pensei que fosse viver para ver o dia em que veria Hermione Granger sozinha conversando com Malfoy" porque eu já estou cansada disso, entendeu? – ela disse entre dentes, enfatizando o máximo que conseguiu a palavra cansada.

- Ok, ok. – Ginny retorquiu rapidamente, fazendo um gesto de defesa com as mãos. – No stress...

- Obrigada. – Hermione agradeceu, seca.

- E os garotos? – a ruiva perguntou, tentando mudar rumo da conversa.

- Ainda estão lá dentro. – Hermione respondeu. – Mas acho que não estou com humor para esperá-los.

- Então tá, né. – Ginny respondeu. – E qual é a sua aula agora? – ela perguntou e Hermione pegou o pergaminho de horários em sua mochila.

- Transfiguração. – respondeu ela, observando o quadro de horários e depois estremecendo. – Com a Sonserina.

N/A: Hello, Sweeties! Mais um capítulo de With Me! E então, gostaram? Isso é só uma amostra do que a vida da coitada da Hermione vai virar após esse desafio. Mas mesmo assim eu gostaria de estar no lugar dela, porque afinal, o Draco é uma coisa! (autora sem palavras para descrever) SHUASHUAHSUAH Ah, e peço desculpas pelo atraso do capítulo, mas é porque a internet aqui de casa deu problema e eu fiquei 5 dias sem modem ¬¬ E, sobre o próximo capítulo, eu já adianto o título (que diz tudo) – Transfiguração. Espero Reviews! :D