Hey!
Voltei. Tô rápida, né? Haha
Aproveitem.
Declaimer: Naruto e a história não me pertencem, cabe a mim, somente a adaptação. Do original "Sempre fui sua" de Penélope Douglas, adaptação para Sasusaku.
CAPÍTULO CINCO
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(Hoje)
– E aí, quando você volta pra casa? – Já tinha acabado meu dever de Cálculo e o livro de Política estava no meu colo enquanto eu conversava com meu pai por vídeo.
– Estarei em casa até o dia 22, com certeza.
Ainda seríam mais de três meses longe. A volta do meu pai seria agradável. Os dias eram solitários sem ele ao meu lado para contar as novidades, e depois que minha mãe faleceu devido a um câncer pulmonar, nossa casa ficou ainda mais vazia sem ele por perto. Ino e eu passávamos um tempo juntas, mas ela tinha namorado. Eu estava fazendo mais amigos na escola, apesar das últimas providências que Sasuke tomara para acabar com a minha reputação, mas decidi ficar em casa neste fim de semana e me concentrar no planejamento da Feira de Ciências. Ainda tinha que decidir o tema da minha pesquisa.
– Não vejo a hora. Preciso de um cozinheiro decente aqui – reclamei, levantando minha tigela quente de sopa de tomate. Por mais leve que a janta fosse, o calor abrandava meu corpo. Meus membros ainda estavam se ajustando aos treinos de cross-country.
– Essa não é sua janta, né?
– É – falei com um tom de voz do tipo "dã".
– E cadê os legumes, grãos e laticínios?
Vish, lá vamos nós.
– Os tomates na sopa são os legumes, também coloquei leite na sopa e vou fazer um queijo grelhado para acompanhar, se isso te deixa feliz. – Meu ar brincalhão dizia para meu pai "viu, sou mais esperta do que pareço".
– Na verdade, tomates são frutas – ele respondeu de uma forma maçante, me tirando do pedestal.
Rindo, abaixei a tigela e peguei um lápis para continuar meu esboço de uma redação para a qual fomos designados.
– Não se preocupe, pai. Estou comendo bem. Fiquei com vontade de sopa esta noite.
– Tudo bem, vou me controlar. Fico preocupado. Você herdou meus hábitos alimentares. Sua mãe ficaria enlouquecida se visse as coisas que deixo você comer. – Ele franziu o cenho. Eu sabia que ele ainda sentia falta da mamãe como se tudo tivesse acontecido ontem. Nós dois nos sentíamos assim.
Depois de um instante, ele continuou:
– Você já pagou todas as contas de agosto, certo? E ainda tem bastante dinheiro na conta, né?
– Não gastei toda a minha poupança em uma semana. Está tudo sob controle. – Ele fazia isso toda vez que conversávamos. Eu tinha acesso completo ao seguro de vida que minha mãe me deixou, e ele sempre me perguntava se ainda tinha sobrado dinheiro. Ele agia como se eu fosse gastar toda minha poupança da faculdade sem ele saber, e era muito esperto. Talvez ele se sentisse um bom pai fazendo isso, mesmo estando tão longe.
Meu telefone vibrou com uma mensagem de texto, então peguei-o no criado-mudo.
"Chego em 5 min"– Hã… pai? Esqueci que a Ino está vindo pra cá. Posso te dispensar?
– É claro, mas vou sair amanhã e ficarei fora por mais ou menos um dia. Vou pegar o trem para Nuremberg para visitar alguns lugares. Quero conversar contigo de manhã antes de sair, e saber tudo sobre o projeto que você está preparando para a Feira de Ciências.
Oh, merda. Não tinha preparado nada, ainda, porque sequer decidi o que fazer.
– Tudo bem, pai – murmurei, deixando para falar sobre isso no dia seguinte. – Me liga às sete?
– Conversamos amanhã, querida. Tchau. – E então ele sumiu.
Ao fechar o notebook e jogar o livro na cama, fui até as portas francesas e as abri por completo. A semana de aulas tinha acabado há três horas, mas o sol ainda reluzia radiante na vizinhança. As folhas da árvore do quintal voavam com a brisa sutil e algumas nuvens pequenas borrifavam o céu.
Ao me virar, tirei as roupas da escola e vesti uma bermuda de pijama xadrez, com uma camiseta branca e cinza de manga raglã. Soltei um suspiro excessivamente dramático. É claro que eu estaria de pijama às seis da tarde de uma noite de sexta-feira.
Escutei a campainha tocar lá embaixo e corri para abrir a porta.
– Oi! – respirou Ino, entrando em casa com os braços cheios de coisas. Que merda é essa? Íamos apenas fazer o meu cabelo, não uma transformação.
Meus olhos lacrimejaram ao sentir o perfume dela.
– Que perfume é esse que você está usando?
– Ah, é novo. Chama-se Secret. Gostou?
– Amei. – Não empreste para mim, nunca.
– Vamos pro seu quarto. Quero estar perto do banheiro enquanto fazemos isso.
Ino insistiu em vir pra cá para fazer um tratamento capilar com mel que ela viu de alguma blogueira. Ela falou que ele recupera o cabelo que ficou quebradiço pelo sol – que, de acordo com ela, é um perigo, depois de todas as visitas a locais abertos que fiz no verão e dos treinos de cross-country.
Tudo bem, eu não me importava, na verdade. Achava que meu cabelo estava bom, mas queria conversar com ela depois dessa primeira semana agitada.
– Posso colocar a cadeira perto da janela? Está entrando uma brisa gostosa. – O mel faria uma sujeira, mas o chão do quarto era de madeira, então a limpeza seria fácil.
– Sim, claro. Apenas solte seu cabelo e penteie. – Ela me deu uma escova e fiquei em frente à janela, curtindo a noite serena.
– Vou aplicar um pouco de azeite de oliva para afiná-lo e gema de ovo, por causa das proteínas.
– Você é quem manda – aceitei.
Enquanto ela misturava os ingredientes e me trazia uma toalha para proteger minhas roupas, vi Sasuke tirando o carro da garagem. Meu estômago deu um nó e percebi que meus dentes estavam tão cerrados que pareciam colados.
Sua camiseta preta subiu um pouco quando ele saiu do carro e vestiu o capuz. Ele pegou uma toalha do bolso traseiro de seu jeans e usou-a para soltar alguma coisa por baixo do capuz.
– Está gostando da vista? – A voz de Ino me fez piscar quando ela apareceu ao meu lado.
Olhei rapidamente para o chão.
– Não enche – murmurei.
– Não tem problema. Para um babaca total, até que ele é bem bonito. – Ela começou a molhar meu cabelo com uma garrafa d'água, enquanto passava os dedos nos fios molhados.
– Continua sendo um babaca – murmurei, então tentei mudar de assunto. – Então, estão muito ruins? As fofocas na escola? – Tinha ficado longe do Instagram, Twitter e do blog secreto da equipe de torcida. Ver fotos minhas enrolada em uma toalha, fotos que todos na cidade provavelmente já tinham visto, só me daria mais vontade de pegar um avião de volta para a França… ou de matar alguém.
Ino deu de ombros.
– Já estão esquecendo. Ainda falam sobre essa ou aquela história, mas já perdeu os holofotes. Eu te disse, não tem brincadeira ou boato que afaste os garotos este ano. E com esse tratamento capilar, você ficará absolutamente fabulosa. – Não estava vendo seu rosto, mas tinha certeza que ela estava rindo da minha cara… Absolutamente fabulosa era um programa inglês que a gente costumava assistir no Comedy Central há alguns anos.
Pensei em dizer para Ino as coisas que Naruto me contou na festa de Sasuke, sobre sabotar meus encontros e sobre os boatos. Mas, o drama que me acompanhara durante todos os anos era embaraçoso. Não queria ser aquela amiga que estava sempre em apuros, então tentei agir como se isso não me incomodasse tanto.
Quando ela começou a esfregar a mistura no meu cabelo, meus olhos saíram em disparada para Sasuke, que agora estava tirando a camisa pela cabeça. Seus braços maravilhosamente torneados me deixaram envergonhada quando ele se virou e vi seu torso esculpido. Minha boca ficou seca e arrepios começaram a irradiar como agulhas por todo o meu corpo.
Era a brisa. Com certeza era a brisa.
– Ah, você consegue ver isso todo dia?
Revirei os olhos.
– Não, eu tenho que ver isso todo dia. Mas, de qual lado você está mesmo? – Meu lamento era para ser uma piada, mas não tinha certeza se saiu desse jeito.
– O cara não precisa falar comigo para eu olhar. Estou apreciando de longe.
– Você tem o Sai, lembra? – Incomodava-me o fato de ela ficar babando por Sasuke, mesmo que fosse de brincadeira. Ele era lindo, mas não precisava ficar enfatizando isso como se fosse algo superimportante. Ele tinha um caráter de merda. – E você e o Sai, como estão? – Não tinha cruzado com ele, exceto de passagem, desde que voltara para a escola.
– Ah, estamos bem. Ele preparou o Camaro para o Loop, e tem ido bastante lá ultimamente. Fui uma vez, mas é chato ficar ao lado dele enquanto ele fica a noite toda falando sobre carros. Ele ainda nem corre. Parece que tem uma lista de espera e, mesmo assim, você ainda continua atrás dos carros testados, que têm esse direito, porque são o que o público quer ver.
Odiava perguntar isso, mas acabei falando de qualquer jeito.
– Como o Babaca está se saindo lá? – Por que eu precisava saber disso?
– Sasuke? Ele é um dos que não precisam esperar. Ele pode correr quando quiser. De acordo com o Sai, ele costuma estar lá nas noites de sexta ou sábado, mas nunca nas duas.
– Você está passando tempo suficiente com o Sai? – Percebi uma mudança de tom e comportamento quando mencionei ele.
Ela deu de ombros.
– Me sinto mal porque devia me interessar pelos hobbies dele, né? É que se ele não vai correr, me sinto como um papel de parede do lado dele. Não conheço muita gente e não entendo nada de carros.
– Quem sabe se você fosse só de vez em quando? Apoiá-lo uma vez ou outra? – sugeri, conforme o peso da minha cabeça aumentava pela quantidade de mel que ela aplicara.
– Não sei. – Ino passou por mim até a janela e deu uma espiada. – Estou achando que devia vir mais vezes pra sua casa.
Dei um chute leve na perna dela.
– Hmm… – Ela devorou Sasuke com os olhos enquanto voltava para o meu cabelo. – Odeio dizer isso, mas fico pensando em como seria transar com ele.
– Ino, para! Você é minha amiga – adverti.
– Desculpa, tá? É que ele não foi tão ruim assim quando você estava fora. De verdade. Não foi o capeta que costumava ser antes de você partir.
– Como assim?
– Sei lá. Nem sei se teve algo a ver com você. Ele pareceu ficar mal-humorado por um tempo, mas depois melhorou. É que pude conhecê-lo com outros olhos. Antes sempre o via do modo como ele te tratava, que era horrível. – Ela se apressou em acrescentar: – Mas depois que você viajou, ele parecia diferente. Mais humano.
A ideia do Sasuke atual como humano era incompreensível para mim. Ele era determinado, confiante e severo. Esse era o seu único lado que eu tinha visto desde os catorze anos. Não o via feliz há anos, e, com certeza, achava que ele ficaria contente em ter se livrado de mim por um ano.
Mas, por que ficou mal-humorado depois que fui embora? Não faz sentido. Estaria tendo problemas para se divertir sem seu brinquedinho favorito?
Que dó, tadinho.
– Porra! – soltei um gemido gutural no meio da escuridão da noite, enquanto olhava para o teto iluminado pelos faróis do carro do vizinho.
Já passava de uma da manhã e o barulho estridente da festa ao lado não diminuía. O travesseiro que coloquei sobre as minhas orelhas para abafar os sons não estava ajudando. Mandar um SMS para Ino, para ela mandar outro para Sai e ele, por sua vez, mandar um para Sasuke também não ajudou. Ligar para a polícia e fazer uma denúncia uma hora atrás tampouco ajudou.
Quando não era o som alto ou o constante entra e sai de carros turbinados, com seus imprestáveis escapamentos, eram os gritos ou risadas vindas do quintal de Sasuke. Gosto de música alta, mas uma festa no meio da noite, que deixava a vizinhança toda acordada, tinha que chegar ao fim.
Joguei as cobertas para longe, saí da cama batendo pé e fiquei perto das portas francesas. Toda a casa dele estava iluminada e vibrava com barulho e agitação. Algumas pessoas estavam tropeçando pelo quintal da frente, que estava cheio de copos de bebidas, e outras estavam reunidas no quintal dos fundos, fumando ou curtindo o ofurô.
Ele é tão idiota! Estava com as mãos no quadril, segurando-o mais forte do que de costume. Que tipo de pessoa não tem um pingo de respeito pelos outros? Já sei: o cuzão egoísta que mora ao lado. Ia conversar com meu pai por vídeo daqui a seis horas e não ficaria acordada a noite toda porque eles queriam ficar bêbados e chapados.
Foda-se.
Calcei um All-Star vermelho e moletom preto e desci as escadas.
Abri a porta da cozinha que dava para a garagem e fui até a bancada de trabalho do meu pai, ainda organizada como havíamos deixado. Peguei o grande alicate torquês da gaveta de ferramentas e o escondi dentro da minha manga direita. Com a mão livre, abri a outra gaveta e peguei um cadeado dos três extras que estavam lá. Coloquei-o dentro do bolso da frente do meu moletom e saí.
Dobrei a esquina da minha casa e andei até os fundos, meu coração acelerando a cada passo dado. Quando achei o buraco que tinha feito na cerca há alguns anos, afastei as plantas que tinham crescido e atravessei. Depois, virei à direita e continuei andando, consegui escutar os festeiros no quintal dos fundos, do outro lado da sebe. Estava a menos de dois metros deles, mas não tinha como me verem.
O quintal dos fundos, como o meu, era rodeado por cercas de madeira nas laterais e altas sebes na parte de trás. Quando cheguei até o outro lado da casa dele, enfiei a mão entre a densa folhagem. Tentei afastar os ramos ao máximo, mas os brotos, que pareciam agulhas, continuavam arranhando e pinicando minhas pernas quando eu me mexia.
A festa estava pegando fogo e havia muita gente aqui. Tinha que ser rápida no que estava prestes a fazer.
Olhando de relance em todas as direções para garantir que cheguei despercebida, corri pela lateral da casa de Sasuke, até chegar no disjuntor. Passara muito tempo nesta casa quando pequena e, por isso, conseguia enxergar o disjuntor até no escuro. Deslizei o grande alicate da minha manga fina e, usando toda a força que tinha, parti o cabo do cadeado que estava protegendo o painel. Assim que coloquei o cadeado velho dentro do bolso, abri o painel e comecei a desligar os interruptores.
Tentei não prestar atenção no que acontecia dentro da casa, a súbita interrupção da música e da luz, além de vários "que porra está acontecendo?" vindo de diversos lugares. Terminei de desligar os interruptores, tirei o cadeado novo do moletom e coloquei no painel fechado.
Sasuke não era burro. Assim que percebesse que as outras casas não ficaram sem luz, viria até aqui para checar o disjuntor. Então, caí fora dali. Bem rápido.
Correndo com pernas moles como gelatina e deslizando por baixo da cerca, comecei a ofegar instantaneamente. Uma gota de suor escorregou pelas minhas costas e percebi que queria rir, gritar e vomitar, tudo ao mesmo tempo. Não estava certa de qual lei tinha descumprido, mas sabia que me meteria em encrenca se alguém descobrisse. Minhas pernas latejavam com um calor líquido, deixando meus joelhos frágeis.
A ansiedade de ser pega fez com que meus músculos ficassem tensos desde a minha saída do arbusto até entrar na garagem. Não consegui conter um sorriso de orelha a orelha. Fiquei com medo de ser pega, mas a sensação de ter dado um chute metafórico na bunda dele fez com que eu desse pulinhos de alegria.
E depois disso tudo, não estava mais cansada.
Puta merda, eu fiz isso? Que demais!
Fugindo à regra, tranquei todas as portas e subi correndo as escadas, dois degraus de cada vez. Fechei a porta do quarto e, com as luzes ainda apagadas, fui até as portas francesas e dei uma espiada lá fora, esperançosa por ver a festa se dispersar. Analisei o quintal da frente e o dos fundos e, felizmente, vi algumas pessoas caminhando até seus carros. Fiz uma careta ao pensar que, talvez, colocar pessoas bêbadas para saírem dirigindo seus carros não tivesse sido uma boa ideia.
Vi um número crescente de pessoas indo até seus carros, e algumas saírem andando pelas ruas até suas casas. Quebrar o cadeado ou chamar um eletricista seriam as únicas saídas de Sasuke para fazer a luz voltar.
Enquanto eu observava tudo, desde a frente até os fundos, meus olhos rapidamente se direcionaram para a única luz que eu realmente via. Sasuke estava na janela de seu quarto segurando uma lanterna e apoiado nos dois lados do batente da janela.
E ele estava me encarando.
Merda!
Minha pulsação acelerou de novo e um calor passou queimando pelo meu corpo. Minhas cortinas pretas transparentes estavam fechadas, mas tinha certeza que ele conseguia me ver. Ele estava com a cabeça virada na minha direção e parado… imóvel.
Tirei o moletom e me joguei na cama. Decidi que negaria incansavelmente qualquer acusação se ele viesse até aqui. Ou talvez eu não devesse, pensei. Mas ele também não poderia fazer nada. Talvez eu quisesse que ele soubesse.
Fiquei deitada por uns dois minutos, resistindo à tentação de investigar o que estava acontecendo lá fora. No entanto, não era muito difícil de perceber que a festa estava acabando, já que o som dos motores partindo preenchiam a vizinhança. Uma excitação surgiu por todo o meu corpo, proporcionando-me uma energia que me fez querer pular da cama e começar a dançar.
Soudemais. Sou demais. Cantei para mim mesma.
Mas congelei no meio da música, e quase engasguei com minha própria respiração, ao escutar o som de uma porta batendo bem forte dentro de casa.
Dentro da minha casa!
