Jensen folheava os papéis que Chad tinha lhe dado e estudava rotas seguras para o transporte de sua mercadoria. Por mais que ele tentasse mapear diferentes formas de guiar o barco, em absolutamente todas tornava possível uma abordagem da Guarda Costeira. Não que Jensen não esperasse isso, afinal, era totalmente compreensível que os federais tivessem feito os mesmo cálculos, ou até mais cálculos que ele, sobre estatíscias marítmas.

Não que ele fosse um grande entendedor do assunto,mas não era a primeira vez que fazia algo daquele gênero. Seu pai já tinha feito antes com pequenas embarcações. É claro que aí entrou o suborno a polícia americana.

Óbvio que Jensen cogitava isso, mas o preço que o FBI estava oferecendo como recompesa pela sua cabeça, era infinitamente maior do que qualquer propina que ele estaria dsposto a oferecer. Era muito arriscado. E a vantagem que ele tinha sob o Bureau era a falta de provas contra ele. Não iria oferecer de bandeja um caso de suborno policial para lhe botarem na cadeia.

Jim Beaver entrou no escritório de Jensen deixando esvair a concentração do loiro. Jogou o envelope com o dinheiro de James sob a mesa e, pelo alto som que fez, podia-se calcular que não era pouco.

- Ótimo. - Jensen disse enquanto pegava o envelope em mãos. - Algum imprevisto?

- Não aparentemente... - Jim sentou-se na cadeira em frente a mesa de Jensen. - Lafferty apenas ficou choramingando que queria ter tratado com você em pessoa.

- Ah... - Jensen revirou os olhos impaciente. - James precisa me superar...

- Ele está trabalhando com um garoto novo... - Jim disse praticamente rindo enquanto Jensen franziu o cenho, estranhando.

- Quem?

- Está com ciúmes? - Jim riu ainda mais divertido ao ver que Jensen ficara ligeiramente irritado.

- É claro que não! James... Foram algumas noites... - Jensen respondeu indiferente.

- Hartley. Justin Hartley... algo assim... - Jim respondeu sem muito entusiasmo. - Parece que veio de Miami.

- Que seja, não dou a mínima. - Jensen voltou a folhear impaciente as rotas marítimas, rabiscando com a caneta.

- Que é isso? - Beaver perguntou, olhando de longe o que parecia ser mapas dos mares da Califórnia.

- Estou tentando estudar pra onde o barco deve seguir...

- O mais longe da costa, óbvio... - Respondeu Beaver, interessado. - Deixe-me dar uma olhada...

Jensen entregou as folhas dos mapas para Jim que, apesar de olhar a fundo algumas vezes, mesmo concentrado por alguns segundos, entendeu a dificuldade de Jensen.

- Todos os navios da Guarda Costeira teriam acesso, não importa de onde viesse.- Jim jogou as folhas sob a mesa, vencido.

- Mas deve haver um jeito, não é possível! - Jensen passou as mãos sob as têporas e suspirou.

- O garoto novo não sabe algo? Quer dizer, ele trabalha no cais, deve entender disso... - Beaver respondeu enquanto levantava-se. - Chame-o, eu vou ligar para algumas pessoas...

Jensen apenas assentiu com a cabeça, realmente era uma grande idéia. Jared poderia muito bem saber quais eram os pontos cegos dos federais, ele vivia disso, deveria entender do que se tratava.

O loiro encaminhou-se até a porta pedindo que Katie chamasse Jared.

***

O pier de Santa Mônica estava calmo. Justin havia chegado já tinha cerca de vinte minutos e nem sinal de James. O container ainda estava vazio quando Justin chegou, aos poucos as demais pessoas que trabalhavam no cais saiam para suas horas de almoço.

- Hartley? - James apareceu do lado oposto para onde Justin olhava e sentiu um frio na espinha ao encontrar com o moreno. Respirou fundo tentando manter o controle.

- Senhor. - Justin cumprimentou James que lhe estendeu a mão e tirava os óculos escuros com a outra.

- Desculpe se te fiz esperar... - James começou, olhando Justin dos pés a cabeça, deixando o loiro um pouco desconfortável. - Imprevistos, sabe como é...

- Claro. - Justin respondeu sério, automaticamente.

- Entre no carro. - James mandou e Justin obedeceu, andando na direção do veículo ajeitando melhor o boné em sua cabeça. James o seguiu, mas claro, olhando para o traseiro de Justin com uma expressão satisfeita recolocando os óculos em seguida.

A limousine de James estava refrescante, bem diferente do sol apino que estava lá fora. Justin olhava discretamente para todos os pontos estratégicos da parte do carro em que estavam, seu olho clínico de agente detectou pelo menos três compartimentos secretos que poderiam ter armas escondidas.

- Seu trabalho é simples. - James quebrou o silêncio, servindo champagne uma taça para si e em seguida outra para Justin, oferecendo com um sorriso malicioso.

Justin pegou a taça tentando parecer natural, mas seu sorriso era de puro nervosismo, coisa que deixou James ainda mais extasiado. Ele passou a lingua pelos lábios, tocando a taça de Justin com a sua, em forma de brinde, bebendo um gole em seguida. Conforme James aproximava cada vez mais a sua boca da de Justin, o loiro pensou em se esquivar, mas não achou boa idéia. Sabia como James era e que iria ter que passar por esse tipo de coisa.

- Sabe mexer em computador, Justin? - James perguntou olhando diretamente para a boca de Justin que estava entreaberta.

- Sei... - Justin murmurou baixinho, encarando de volta a boca de James, mas agora um pouco mais a vontade. Porém segurando uma brusca vontade de rir.

- Então... aposto que vai dar conta... - James agora repousou uma das mãos na coxa de Justin, perto da virilha de forma absurdamente indecente. - ...direitinho do que eu tenho pra você.

Justin sorriu de canto, suspirando de leve ao sentir a mão provocadora de James perto de uma área perigosa de seu corpo. Maneou a cabeça na direção de James tocando os lábios do moreno ainda timidamente, o que surpreendeu James.

Lafferty o beijava de volta acelerando os movimentos aos poucos que Justin cedia espaço para a lingua de James entrar em sua boca, logo encontrando a sua própria. A mão de James estava agora sob o membro de Justin que não mais raciocinava direto. Talvez aquilo não fosse tão estranho quanto parecesse, era na verdade melhor do que ele imaginava.

Ele gemia entre os beijos de James deixando o moreno sentindo-se como se sua pele pegando fogo. Guiou as mãos de forma habilidosa até a camisa de James, tirando-a completamente, partindo para beijar seu pescoço, peito e barriga. Mesmo que Justin dissesse, James não acreditaria que era a primeira vez que o loiro estava fazendo aquilo.

Justin dava leves mordidas pelas barriga de James, que agora acariciava os cabelos loiros jogando o boné de Justin um canto qualquer do banco de trás da limousine. Ele respirava alto, gemendo o nome de Justin de um jeito que estava deixando o próprio Justin enlouquecido.

James puxou Justin pelos cabelos fazendo o loiro olhar pra ele, o que deixou James ainda mais excitado por perceber o que exatamente Justin queria fazer o quanto queria. Ele beijou o cara ofegante a sua frente que o encarava debaixo.

- Me mostre... o que você sabe fazer. - James sorriu de forma sacana excitando Justin também pela forma imperativa que tinha na voz.

Justin passou a língua pelos lábios, preparando-se para engolir o mastro que James tinha entre as pernas, assim que James abriu com pressa as calças. Justin tentava não parecer amador, porque ele era realmente, apenas se concentrou em fazer o que gostariam que fizessem com ele, talvez fosse o jeito mais fácil de agradar um homem sendo um homem.

Logo que Justin tocou os lábios no membro absolutamente rígido de James, ele sentiu novamente seus cabelos sendo puxados e sua cabeça sendo totalmente controlada por James. Ele tentava retomar o controle, mas James fodia a boca do loiro com certa agressividade. Perdeu a respiração várias vezes em que a cabeça do pênis de James tocava com força sua garganta, fazendo seu maxilar doer a cada estocada que sua boca recebia.

Daquele jeito, com pressa e uma certa violência, James não demorou mais que alguns minutos para gozar. Minutos que, para Justin, pareceram aquilo não tivesse sido tão bom quanto ele imaginava. Sentiu o liquido de James preencher completamente a sua boca, fazendo-o engasgar, o forçando a engolir.

James gemeu alto tirando seu membro finalmente da boca de Justin, o segurando pelo queixo com ares de satisfação, enquanto James apenas limpava o esperma dos cantos da boca.

Ele voltou-se a recostar-se no banco, mas James puxou seu rosto para perto mais uma vez, passando as mãos pelo rosto de Justin, secando as lágrias de irritação que Justin sequer percebeu que haviam corrido por sua face, provocados pela irritação da pressão na boca.

Justin o encarava com certa indiferença, tentando esconder a frustração que aquilo acabara se tornando para ele. James apenas sorriu de canto, percebendo a reação insatisfeita de Justin, colando seus lábios nos do loiro por alguns breves segundos, beijo não correspondido pro Justin, que apenas ficou com os lábios imóveis.

- Bom garoto. - James riu ao final da frase, que saiu em tom debochado, porém Justin não desviou o olhar, respondendo com o mesmo sarcasmo.

- Sempre as ordens... chefe.

A limousine parou em frente a mansão dos Lafferty. James saiu sutilmente do carro fechando as calças antes de entrar em casa seguido por James.

***

Jared entrou no escritório de Jensen abrindo devagar a porta, de maneira sutil, preocupado se estaria atrapalhando Jensen.

- Queria me ver? - Perguntou antes de fechar a porta atrás de si. Jensen apenas assentiu com a cabeça, sem tirar os olhos dos mapas.

- Quanto você entende de rotas marítimas? - O loiro perguntou jogando por fim os papéis na mesa na direção de Jared, como se os oferecesse para o moreno olhar.

Jared pegou os papéis de cima da mesa e teve que controlar o impulso de surpresa ao ver que eram mapas em que apenas a Guarda Costeira deveria ter acesso. Detalhes de navegação, pontos estratégicos, rotas seguras, abordagens de flagrante, coordenadas de latitude, longitude, ventos... absolutamente tudo.

- Jared? - Jensen chamou já que Jared pareca absorto no tal mapa.

- Sim? - Jared tirou os olhos do mapa, recompondo-se, virando o boné que usava para trás.

- Sabe ou não? - Jensen perguntou ligeiramente impaciente, levantando-se da cadeira e ficando ao lado de Jared, que recolocava na mesa o mapa.

- Bem... entendo... - Jared respondeu um pouco inseguro. - Mas o que você procura exatamente?

- Uma rota segura para os dois barcos que vêm da Bolívia. - Jensen encarava agora o mapa mais uma vez junto com Jared. - Mas não tem nada que possamos fazer...

Jared examinou com mais cuidado as linhas pontilhadas que indicavam o caminho dos barcos e os pequenos pontos de acesso aos portos.

- Na verdade... - Jared recomeçou, fazendo Jensen agora prestar atenção atentamente ao mapa. - Se você descobrir os horários dessa troca de posto... - Jared apontou para dois barcos opostos, leste e oeste - ...você consegue fazer seus barcos passarem entre uma troca e outra de turnos dos barcos vigias...

Jensen sorriu satisfeito, dando dois tapinhas nas costas de Jared, que o encarou um pouco nervoso. Era impressão ou ele eacabara de ajudar Jensen a burlar a lei?

- Você é incrível, Jared. - Jensen disse olhando para Jared de uma maneira que Jared podia até sentir que era sincera. Ele retribuiu com um sorriso tímido sem tirar os olhos dos de Jensen, que acabou arrastando sua mão pela mesa, em cima do mapa até chegar a mão de Jared.

A forma como Jensen o olhava não era mais aquela cheia de insinuações e provocações, até a forma como Jared se deixou ser tocado, acabou sendo de uma maneira até naturalmente delicada. Conforme Jensen aproximava seu corpo de Jared agora, não era mais daquela forma controladora, era sutil, devagar e ele parecia pedir permissão com os olhos quando pôs uma das mãos no rosto do moreno que, por algum motivo, esqueceu por um momento quem Jensen realmente era.

De repente, ele passou a ser apenas Jensen. Um cara bonito, normal, com olhos calmos e uma boca extremamente sexy, que parecia atrair como um imã a de Jared que se inclinava aos poucos em direção a Jensen, que estava incrivelmente relaxado, não sentia mais aquela tensão sempre que Jared se aproximava.

Ele roçou seu nariz no de Jared que parecia flutuar pela sala quando Jensen entrelaçou seus dedos nos dele sob suas mãos na mesa. Jared sentiu seu coração palpitar de susto no momento em que o celular de Jensen tocou dentro de seu terno, fazendo ambos parecerem ter voltado a realidade.

Jared fez menção de se afastar de Jensen, mas o loiro o segurou pela mão, pegando o celular no bolso, a fim de desligá-lo. Porém, se tratando de El Lobo, ele sabia que tinha que atender.

- Jared, eu realmente preciso...

- Tudo bem, vá em frente. - Jared sorriu sem graça se desvencilhando um tanto quanto bruscamente da mão de Jensen sob a mesa. - Depois conversamos...

Antes que Jensen pudesse impedir, Jared já estava fechando as porta pra fora do escritório. Jensen raramente sentia-se frustrado, pois sempre conseguia o que queria, mas aquele foi um exemplo clássico que frustração na última potência.

- Ackles. - Ele atendeu o celular num mal humor extremo.

- Acho que atrapalhei algo... - Lobo riu do outro lado da linha. - Ou não?

- Estou um pouco ocupado, qual é o problema?

- É, pelo jeito atrapalhei... - Lobo riu ainda mais ao perceber que a brincadeira que fizera acabara acontecendo de ser verdade.

- Thomas Patrick! - Protestou Jensen.

- Ah não faça isso, Jenny! Me chama assim apenas nos... nossos momentos especiais...

Jensen segurou o riso ao lembrar das noites que passara em quartos de hotel, motel, seu quarto, quarto de Lobo...

- É... é a única forma de te amansar... Lobo... - Jensen disse sarcástico, esquecendo o mau humor por um momento.

- É sobre isso que quero falar...

- Ah é? - Jensen se fez de desentendido apenas para ouvir o que queria.

- Fico na América até amanhã... mas Kristen não sabe... ela acha que já estou voltando para Madrid...

- E o que eu tenho a ver com isso? - Provocou Jensen, fazendo Lobo rir.

- No meu iate. Estou te esperando. - Lobo desligou o telefone sem Jensen precisar confirmar, sabia que ele iria.