Come 'ere baby…

(Vem aqui, baby…)

You know you drive me up the wall the way you make good on all the nasty tricks you pull

(Você sabe que me deixa subindo pelas paredes com esse jeito de fazer tão bem as manhas que inventa)

Seems like we're makin' up more than we're makin' love…

(Parece que estamos fingindo mais do que fazendo amor)

Jensen vestia ainda seu terno azul marinho quando entrou na parte cinco estrelas do Iate Clube do bem apresentável e freqüentado píer de Santa Monica. Ele conhecia muito bem o caminho até onde ficava ancorado o provavelmente mais caro iate do clube: o de Tom Welling. Um belo Riva 115 Athena, branco, com seus 35 metros de puro luxo.

Entrou silenciosamente no enorme barco, tirando o casaco do terno, calmamente, enquanto ouvia uma sinfonia de Bach que vinha de forma suave da suíte do barco. Enquanto se dirigia ao aposento de onde saía a melodia, tratou de tirar o relógio, desligar o celular e desfazer-se da gravata.

O quarto era impecável em seus inúmeros detalhes difíceis até de descrever. Uma cama de dossel, tamanho kingsize, sustentava um Tom Welling completamente nu, coberto apenas por um lençol preto de seda, segurando uma taça de Romanée-Conti, ano 1961, um vinho avaliado em quinhentos mil dólares.

- Desde quando eu mereço o mais caro do mundo? – Jensen disse da entrada do quarto onde havia parado para observar a cena.

- Não merece... – Tom respondeu de forma absurdamente maliciosa, desfazendo-se em parte do lençol, descobrindo seu peito marcado. Jensen começou a desabotoar a própria camisa com um sorriso de canto um tanto quanto surpreso quando Tom derramou o vinho da taça no próprio peito. – Pelo menos não dentro da taça...

O moreno sorriu ainda mais ao perceber que Jensen tinha ficado extremamente excitado com a cena, subindo na cama ao mesmo tempo que sua boca e língua corriam em direção a trilha de vinho na pele quente de desejo.

Tom passou as mãos pelos cabelos do loiro enquanto este lambia com vontade todo seu tórax. Sentia o sangue correr mais rápido em suas veias e teve que respirar fundo quando Jensen subiu sobre si, buscando sua boca num beijo quase romântico, não fosse pela força com que mordeu seu lábio inferior.

- Eu te chamo e você vem? Agora é assim? – Tom brincou, tentando retomar o controle sobre si mesmo, uma vez que era sempre ele quem estava disponível para Jensen e era o loiro quem 'decidia quando queria'.

- Não se acostume! – Jensen respondeu sorrindo igualmente enquanto terminava de tirar as próprias calças e tinha a boca colada no pescoço de Welling, mordendo com uma força considerável a pele branca do moreno que, imediatamente, afastou-se alguns centímetros, gemendo alto de dor.

- Que pensa que está fazendo? – Tom perguntou ligeiramente mal humorado. Realmente ia parecer estranho aparecer marcado para a mulher. Jensen sorriu satisfeito, puxando Tom de volta para perto.

- Que foi aquilo hoje de manhã, hein? – O loiro disse cerrando os dentes. – E levou Kristen com você. – Ele puxou os cabelos de Tom fazendo com que o moreno inclinasse de leve a cabeça pra trás sem ter uma resposta pronta. – E Michael. – Ele deslizou as mãos pelo queixo de Welling que parecia completamente envolvido por todo aquele poder e dominação de Jensen. – Você está em desvantagem comigo, agora. Então comporte-se... Thomas Patrick...

And it always seems you got someone on your mind other than me

(E sempre pareceu que você teve alguém além de mim em seus pensamentos)

Girl, you got to change your crazy ways… you hear me!

(Garota, você tem que mudar esse jeito louco… me ouviu!)

Antes que Welling pudesse fazer qualquer manifestação, Jensen beijou-lhe os lábios de maneira agressiva, quente, sexy, arrancando suspiros e gemidos baixos do moreno. Tom sabia muito bem as maravilhas que Jensen era capaz de fazer com a boca.

Jensen sabia exatamente cada ponto que enlouquecia o moreno. Entrelaçou as pernas dele em sua cintura, fazendo com que ele sentisse o membro de Jensen pulsar entre suas nádegas, à procura daquele lugar especial o qual já havia se acostumado às investidas, por vezes agressivas, do loiro.

El Lobo passeava as mãos ágeis pelas costas pontilhadas de pequenas sardas enquanto correspondia aos beijos do loiro que já havia se posicionado, indicando que daquela vez, ele ficaria por cima. Jensen notou o membro rígido de El Lobo roçar em sua barriga e não conseguiu evitar o êxtase que aquela sensação de poder lhe provocava. Todas as vezes durante esses anos em que havia se encontrado as escondidas com Tom Welling eram sempre alucinantes.

O sexo entre eles sempre tinha algo de intenso. Talvez quem visse de longe poderia jurar que eram apaixonados, mas passavam longe disso. Jensen investia com força pra dentro de Tom que ofegava e gemia alto o nome de Jensen enquanto o loiro apenas afundou a cabeça no ombro de Tom, mordendo e lambendo a pele do colombiano.

Jensen levantou o dorso, sem sair de dentro de Lobo, passou as duas pernas de Tom por cima se seus ombros, forçando-se ainda mais dentro dele, enquanto Tom apenas era submisso a todas as vontades do outro naquele momento – igual à sempre. Jensen encarava as expressões faciais de um Welling completamente fora de si. O moreno empurrava-se contra Jensen, segurando suas mãos nas coxas do loiro, como se pedisse mais.

Jensen mordia o lábio inferior apenas observando aquele homem enorme a sua frente completamente vulnerável, à sua mercê, e ainda assim extremamente másculo.

O loiro voltou a posicionar as pernas de Tom em torno de sua cintura, descendo seu corpo na direção do moreno a fim de buscar seu rosto. El Lobo estava corado e começando a suar. Jensen apenas observou aqueles olhos azuis quase transparentes enquanto Welling achava que Jensen o partiria ao meio de tão forte que eram suas estocadas. Aquele ar completamente animalesco estava deixando Jensen completamente louco. Era só sexo, só se tratava daquilo, puramente físico, e isso tornava as coisas ainda mais fáceis.

Jensen mordeu os lábios de Tom no momento em que sentiu que o moreno iria gozar. Ele segurou no membro rígido de Welling, acariciando com força, sendo imediatamente puxado para um beijo. Jensen não demorou muito para se derramar completamente dentro de Tom, assim que sentiu sua barriga ficar úmida e ainda mais quente.

Seu corpo não mais o obedeceu ele caiu por cima de Tom, exausto. Este, por sua vez, tinha que admitir que fazer Jensen Ackles gozar daquele jeito o deixava com o ego nas nuvens. Ele tinha que admitir que, mesmo sabendo que o loiro iria embora em alguns minutos, era muito bom sentir o peso do corpo dele sobre o seu.

- Dessa vez foi pra me deixar sem andar é? – Tom murmurou no ouvido de Jensen.

- Isso é pra você pensar duas vezes a próxima vez que resolver apontar uma arma pra minha cabeça... – Jensen respondeu num sussurro no ouvido do moreno, mordendo a orelha dele ao final, enquanto Tom corria os dedos pelos cabelos de Jensen.

- Se for isso que eu ganho cada vez que te apontar uma arma, então...

- Cala a boca! – Jensen interrompeu o moreno. – Nem pense em terminar essa frase...

Tom riu, daquele jeito meio sonolento, enquanto Jensen girava o corpo deitando-se ao lado do moreno.

- Quer mesmo a carga nas mãos de Kristen? – Jensen apoiou o cotovelo no colchão, segurando a cabeça, virando-se para encarar Tom.

- E por que não, Jensen? Digo, é ela quem cuida do meu dinheiro de qualquer forma... você sabe disso... –Tom respondeu olhando Jensen, estranhando a colocação.

- Eu sei. Mas eu não confiaria... – Jensen respondeu, assumindo uma expressão mais sizuda.

- Você nem a conhece... – Tom respondeu esboçando um leve sorriso debochado. – Está com ciúmes?

- Cala a boca, Thomas Patrick John... – Jensen não resistiu ao riso. – Me ligue. – O loiro concluiu, saindo da cama a fim de procurar suas roupas.

- Você sabe que eu vou... – Tom respondeu fechando os olhos, parecia que ia pegar no sono logo. Também, como não fazê-lo?

Say you're leavin on the seven thirty train and that you're headin' out to Hollywood

Você está indo embora no trem das 7:30 e está indo para Hollywood

Girl you been givin me the line so many times kinda gets like feelin bad looks good

Garota você me fez perder a linha tantas vezes que parece que o que era mal ficou bom

***

- Está brincando, só pode, não é James? – Hilarie Burton encarava James no quarto da mansão de Lafferty, com os braços cruzados e um olhar completamente indignado. – Que está pensando? Confiar esse tipo de coisa a um garoto que nem conhecemos!

- Conhecemos sim... – James respondeu, começando a tirar a própria camisa. – Quer dizer, ele trabalhou com uns amigos do papai... Eu confio nele. E ele é um dos melhores hackers que temos por enquanto... – James concluiu pegando o roupão branco.

- James... presta atenção... – Hilarie parecia não ter dado ouvidos ao marido. – Não temos certeza de quem ele é...

- Chega, Hilarie! – James gritou, desfazendo-se do restando de suas roupas. – Quando eu quiser a sua opinião, eu peço! Caso contrário, cale a porra dessa sua boca!

O moreno entrou no banheiro batendo a porta com força. Hilary apenas suspirou impaciente. Deu meia volta no quarto, ajeitou o vestido cinza claro colado no corpo, pegou sua bolsa de cima da cama e deixou o quarto.

Ela passou pelo amplo corredor até a escadaria no meio da sala, fazendo um barulho sincronizado, firme, em função do seu salto agulha. Ela certamente estava com cara de poucos amigos, expressão essa que foi mudando aos poucos ao ver o cara loiro de boné, com as mãos enterradas no jeans e uma mochila nas costas, andando de um lado para outro na sala.

Ela analisou Justin enquanto terminava de descer as escadas. Realmente ele era um homem bonito, até entendia o porquê de seu marido insistir nele. As peripécias sexuais com homens de James há muito não era mais segredo pra ela. Ela definitivamente não ligava, estava bem mais preocupada em torrar o dinheiro de Lafferty do que ir pra cama com ele.

- Você deve ser o Hartley. – Ela disse, mudando o passo. Andou mais calma, mais sensual, arrumando de leve os cabelos enquanto se aproximava de Justin.

Ele sentiu as pernas tremerem ao ver aquela mulher tão deslumbrante andando daquela forma na sua direção, com a mão estendida.

- Sim. – Ele respondeu, limpando a garganta. – Justin Hartley. - Ele finalizou apertando a mão da loira, que segurou tempo demais.

- Muito prazer... Justin. – A loira respondeu com um sorriso nos lábios sem batom. – Eu sou Hilarie...

"Eu sei" ele pensou. Claro que sabia quem era a loira. Na verdade, se ela soubesse tudo que ele sabe dela...

- Meu marido já deve estar descendo. – Ela acrescentou, afastando-se alguns passos de loiro. – Posso te mostrar onde fica o escritório se quiser esperá-lo... – Ela sorriu, passando a língua pelos lábios.

- Estou bem aqui. – O agente respondeu, com o mesmo sorriso de canto. Era incrível como ele tinha mais jogo de cintura pra aquilo do que Jared.

Ela voltou a se aproximar dele, ainda mantendo o sorriso, mas dessa vez, ficou mais perto dele do que da primeira.

- Eu faço questão. – Ela retrucou, encarando agora um Justin com um sorriso mais largo. – Por aqui... – Ela concluiu girando o corpo, ficando de costas e andando na direção oposta de onde veio. Justin certamente percebeu enquanto a seguia, que o balançar dos quadris da loira era, definitivamente, para ele.

O escritório de James era amplo e coberto por quadros e tapetes que Justin imediatamente conheceu como os do tipo mais caro. Apenas sentou-se em uma das poltronas pretas da enorme sala e observou Hilarie acender um cigarro.

- James já falou sobre seu trabalho? – A loira perguntou, tragando o cigarro em seguida, olhando Justin ficar quase hipnotizado quando ela sentou-se na mesa enorme, cruzando as pernas sensualmente.

- Não. – Ele engoliu a seco. Era melhor parar com aquilo. Certamente dar em cima da mulher de seu 'chefe' só lhe renderia uma bala no meio da testa. – Ele apenas me perguntou se eu sabia mexer em computadores. – Ele pigarreou, ajeitando-se na poltrona.

- Conhece Chad Michael Murray? – Ela soltou a fumaça do cigarro sem tirar os olhos de Justin. O loiro, por sua vez, assentiu com a cabeça.

Não que ele o tivesse visto, mas bem, quem no FBI não conhecia Chad Michael Murray? O hacker de Wall Street, responsável pela quebra da bolsa de Nova York anos atrás. O garoto era um gênio, pena que usava sua genialidade por caminhos ilegais.

- Você vai seguir o garoto, online, obviamente. Queremos nos inteirar dos planos de Ackles...

- Mas vocês já não sabem quais são? – Justin franziu o cenho, estranhando a colocação de Hilarie. James devia saber já dos planos de Jensen. – A carga de heroína que vem do Pacífico...

-É. – Ela respondeu, apagando o cigarro num cinzeiro sobre a mesa, e saltando de cima. – Mas queremos entrar pros negócios. E bem, Jensen não gosta muito de concorrência... – Ela sorriu passando a língua pelos lábios, ficando de frente pra ele com as mãos nos quadris. – Você deve saber como ele é.

Justin respirou fundo, olhou a loira de cima abaixo e apenas assentiu novamente com a cabeça. Toda aquela tensão sexual não ia terminar bem.

***

Jared ficou com Katie no seu encalço o dia todo. Não conseguiu atender o celular quando o Bureau ligava, tampouco conseguiu fazer alguma ligação. De certa forma, ele não sabia bem se queria ligar também. Era cedo pra entregar os planos de Jensen. Ou não?

- E então... – Katie disse finalmente, quando Jared suspirou em frente ao laptop. – Que conseguiu?

- Bem... a troca de postos dura entre 8 e 11 minutos. – Jared disse, ainda observando a tela. – Se vamos fazer isso, é bastante óbvio que o tempo é limitado.

- E o que você sugere? – A loira posicionou-e atrás de Jared, olhando a tela também.

- Não tem como passarmos três embarcações nesse meio tempo. – Jared concluiu, apontando para o percurso até o porto do cais. – Não dá tempo.

Katie suspirou séria sem tirar os olhos da tela, concentrada. Jogou os cachos loiros par trás, enquanto Jared ainda pensava naquilo. Ao contrário de Katie, ele agora pensava nos pontos estratégicos para a abordagem do FBI.

- Temos que dar um jeito de atrasar esses guardas. – Ela disse por fim, movendo-se até a porta do escritório. – Fique aqui, eu já volto.

- Como é que vamos 'atrasar' a guarda costeira, Katie? É insano e sem sentido. – Jared riu um tanto quanto debochado, antes da loira cruzar a porta.

- É, meu querido, você não me conhece muito bem ainda, não é? – Ela sorriu calmamente de volta, como se Jared fosse a pessoa mais ingênua do mundo.

Jared apenas balançou a cabeça negativamente, ligeiramente subestimando a loira. Ele a conhecia muito bem sim, e talvez ela fosse mesmo capaz de uma coisa como aquela. A mente daquela belíssima mulher era realmente algo relevante. Ela não era apenas um corpo bonito que perambulava ao lado de Jensen.

***

Kristen baixou parcialmente o vidro do sedan preto encostado perto da marina. Observou Jensen Ackles sair do iate de seu marido e andar até seu próprio carro, ajeitando o terno azul e recolocando os óculos escuros, enquanto Cliff abria a porta para o patrão entrar.

Kristen sorriu de canto para si mesma olhando o carro de Jensen se afastar. Era muita petulância de Tom tratar Kristen como uma mulher submissa e subestimar sua inteligência dela daquela forma. Claro que ela sabia, ela sempre soube. Tom não era bom pra esconder sentimentos e bem, ela até entendia, Jensen era um homem extremamente atraente.

Ela arrancou com o carro deixando o píer, voltando a entrar na avenida. Ela não se importava com quem seu marido transava, definitivamente não fazia a menor diferença desde que ela pudesse torrar o dinheiro dele. Kristen sempre fora da opinião de que quem gosta de homem é gay, mulher gosta mesmo é de dinheiro. De certo estava aí a explicação que Jared queria para o fato de lindas mulheres estarem ao redor de homens tão perigosos: dinheiro.

Ela seguiu de volta ao hotel onde estava hospedada, pegando o celular durante o caminho e chamando por alguém na discagem automática.

- Que é? – Chad pareceu um tanto mal humorado do outro lado da linha.

- Preciso de você. – Ela foi seca.

- Estou ocupado agora, por que está me ligando?

- Preciso de um favor. Onde está?

- Estou em casa... Katie acabou de me ligar pra falar sobre as rotas. Parece que o tal Jared tem um plano...

- Plano de que? – Ela agora pareceu surpresa e curiosa. – Pros barcos? O garoto tem um 'plano'? – Ela conclui com desdém.

- É e... tenho que admitir que faz sentido, diria que é até bom... – Chad riu de canto do outro lado da linha.

- Ok, que seja, me encontre no hotel. – Ela disse, no típico tom imperativo. – Precisamos falar disso e preciso de um favor!

- Ah Kristen... Eu não quero problemas com...

- Lobo está ocupado demais pra saber o que estou fazendo. – Ela interrompeu. – Não vai ser problema, pode confiar em mim. – Ela parou no sinal, olhando de relance pelo retrovisor, checando o batom. – Quarto 1002.

- Kristen...

- Se eu disser que estou vestindo aquela lingerie que você gosta, serve de incentivo? – Ela sorriu travessa, com ares prepotentes, e pelo suspiro de Chad do outro lado da linha, ela percebeu que surtiu efeito.