Discleimer: Inuyasha e Cia não me pertencem o q é uma lastima p/ qualquer um.

Diários do vampiro ou The Vampire Diaries também não me pertence é usado p/ fazer esta ADAPTAÇAO. PS: Algumas coisas vão ter q ser mudadas.

Texto original: Lisa Jane Smith.

Adaptação: Dreime.

Capítulo Quatorze

Kagome sentiu sua carne arrepiar-se com as palavras.

- Você não quer dizer isso. - ela disse trôpega. Ela se lembrou do que tinha visto no telhado, o sangue manchado nos lábios de Inuyasha, e ela se forçou a não recuar dele. - Inuyasha, eu te conheço. Você não poderia ter feito isso...

Ele ignorou seus protestos, simplesmente continuou encarando com olhos que queimavam como o verde-gelo no fundo de uma geleira. Ele estava olhando através dela, para alguma distância incompreensível.

- Enquanto eu deitava na cama naquela noite, eu esperava contra qualquer esperança que ela viria. Eu já estava notando algumas das mudanças em mim mesmo. Eu podia ver melhor na escuridão; parecia que eu podia escutar melhor. Eu me sentia mais forte do que nunca, cheio de alguma energia Elemental. E eu estava faminto. Era uma fome que eu nunca tinha imaginado. No jantar descobri que comida e bebida normais não faziam nada para satisfazê-la. Eu não podia entender isso. E então eu vi o pescoço branco de uma das serventes, e eu soube por quê. - Ele tomou um longo fôlego, seus olhos escuros e torturados. - Naquela noite, eu resisti à necessidade, apesar de ter tomado toda a minha força de vontade. Eu estava pensando em Kikyou, e rezando que ela viesse a mim. Rezando! - Ele deu uma risada breve. - Se uma criatura como eu pode rezar.

Os dedos de Kagome estavam entorpecidos dentro do agarro dele, mas ela tentou apertá-los, reassegurá-lo.

- Continue Inuyasha.

Ele não tinha problemas em falar agora. Ele parecia quase ter se esquecido da presença dela, como se ele estivesse contando essa história a si mesmo.

- Na manhã seguinte a necessidade estava mais forte. Era como se as minhas próprias veias estivessem secas e rachadas, desesperada por umidade. Eu sabia que não podia suportar isso por muito tempo. Eu fui aos aposentos de Kikyou. Eu queria pedir a ela, implorar a ela– - Sua voz rachou. Ele parou e então continuou. - Mas Sesshoumaru já estava lá, esperando do lado de fora de seu quarto. Eu podia ver que ele não tinha resistido à necessidade. Os brilhos de sua pele, a elasticidade em seu peso, me disseram isso. Ele parecia tão presunçoso quanto o gato que tinha o peixe.

- Mas ele não tinha Kikyou. "Bata quanto quiser," ele disse a mim, "mas o dragão fêmea aí dentro não te deixará passar. Eu já tentei. Devemos dominá-la, você e eu?" Eu não respondi a ele. O olhar em seu rosto, aquele olhar astuto e convencido, me repelia. Eu golpeei a porta para acordar... - Ele vacilou, e então deu outra risada sem humor. - Eu ia dizer "acordar os mortos." Mas os mortos não são tão difíceis de acordar afinal, são? - Depois de um momento, ele continuou. - A ama, Yura, abriu a porta. Ela tinha um rosto como o de um chato prato branco, e olhos como um copo preto. Eu perguntei a ela se podia ver sua senhora. Eu esperei ouvir que Kikyou estava dormindo, mas ao invés disso Yura simplesmente olhou para mim, e então para Sesshoumaru por cima do meu ombro. "Eu não direi à ele," ela disse por fim, "mas direi à você. Minha senhora Kikyou não está aqui dentro. Ela saiu cedo essa manhã, para andar nos jardins. Ela disse que precisava pensar muito." Eu fiquei surpreso. "Cedo essa manhã?" Eu disse. "Sim," ela replicou. Ela olhou para ambos Sesshoumaru e eu sem gostar. "Minha senhora estava muito infeliz ontem à noite," ela disse significativamente. "Por toda a noite, ela chorou." Quando ela disse isso, uma estranha sensação me apossou. Não era só vergonha e luto por Kikyou estar tão infeliz. Era medo. Eu esqueci minha fome e fraqueza. Eu até mesmo esqueci minha inimizade por Sesshoumaru. Eu fui enchido com pressa e uma grande urgência de impulsão. Eu me virei à Sesshoumaru e disse a ele que tínhamos que encontrar Kikyou, e para minha surpresa ele simplesmente concordou. Nós começamos a procurar nos jardins, chamando o nome de Kikyou. Eu me lembro exatamente da aparência de tudo naquele dia. O Sol estava brilhando nos altos ciprestes e nos pinheiros no jardim. Sesshoumaru e eu nos apressamos entre eles, movendo-nos mais e mais rapidamente, e chamando. Nós continuamos chamando ela…

Kagome pôde sentir os tremores no corpo de Inuyasha, comunicados a ela através de seus dedos fortemente apertados. Ele estava respirando rapidamente, mas superficialmente.

- Nós tínhamos quase alcançado o final dos jardins quando eu me lembrei de um lugar que Kikyou amava. Era um pouco longe do território, uma parede baixa ao lado de um limoeiro. Eu corri para lá, gritando por ela. Mas quando eu cheguei mais perto, parei de gritar. Eu senti... Um medo – uma premonição terrível. E eu sabia que não devia – não devia ir–

- Inuyasha! - disse Kagome. Ele estava machucando-a, seus dedos cortando os dela, esmagando-os. Os tremores correndo pelo seu corpo estavam crescendo, tornando-se calafrios. - Inuyasha, por favor!

Mas ele não mostrou sinal de que a tinha ouvido.

- Era como – um pesadelo – tudo acontecendo tão lentamente. Eu não podia me mover – e ainda assim que tinha que. Eu tinha que continuar andando. Com cada passo, o medo crescia mais fortemente. Eu podia sentir o cheiro. Um cheiro como de gordura queimada. Eu não devia ir lá – eu não quero ver isso–

Sua voz tinha se tornada alta e urgente, sua respiração vindo em arfadas. Seus olhos estavam arregalados e dilatados, como uma criança aterrorizada. Kagome agarrou seus dedos apertados com sua outra mão, envolvendo-os completamente.

- Inuyasha, está tudo certo. Você não está lá. Você está aqui comigo.

- Eu não quero ver isso – mas não posso evitar. Há algo branco. Algo branco debaixo da árvore. Não me faça olhar para isso!

- Inuyasha, Inuyasha, olhe para mim!

Ele não escutava mais. Suas palavras vinham em espasmos ondeantes, como se ele não pudesse controlá-las, não pudesse dizê-las rápido o bastante. - Eu não posso chegar mais perto – mas eu chego. Eu vejo a árvore, a parede. E aquele branco. Atrás da árvore. Branco com dourado embaixo. E então eu sei, eu sei, e eu estou me movendo em direção a ele porque é o vestido dela. O vestido branco de Kikyou. E eu dou a volta na árvore e eu vejo-o no chão e é verdade. É o vestido de Kikyou, – sua voz elevou-se e quebrou com horror inimaginável – Mas Kikyou não está nele.

Kagome sentiu um calafrio, como se seu corpo tivesse sido mergulhado em água gelada. Sua pele se levou com um arrepio, e ela tentou falar com ele, mas não conseguiu. Ele estava tagarelando como se pudesse manter o horror longe se continuasse falando.

- Kikyou não está lá, então talvez seja tudo uma piada, mas seu vestido está no chão e está cheio de cinzas. Como as cinzas na lareira, exatamente como essas, só que essas cheiravam a carne queimada. Elas fediam. O cheiro está me deixando enojado e fraco. Ao lado da manga do vestido está um pedaço de pergaminho. E em uma pedra, uma pedra um pouco distante está um anel. Um anel com uma pedra azul, o anel de Kikyou. O anel de Kikyou...

De repente, ele gritou em uma voz terrível, - Kikyou, o que você fez? - Então ele caiu de joelhos, soltando os dedos de Kagome por fim, para enterrar seu rosto em suas mãos.

Kagome segurou-o enquanto ele era dominado por choros devastadores. Ela segurou seus ombros, puxando-o para seu colo.

- Kikyou tirou o anel. - ela sussurrou. Não era uma pergunta. - Ela se expôs ao Sol.

Seus choros duros continuaram, enquanto ela o segurava na saia cheia de seu vestido azul, acariciando seus ombros tiritantes. Ela murmurava tolices para acalmá-lo, afastando o seu próprio horror. E, nesse instante, ele se aquietou e levantou sua cabeça. Ele falou grossamente, mas ele parecia ter retornado ao presente, ter voltado.

- O pergaminho era um bilhete, para mim e para Sesshoumaru. Dizia que ela tinha sido egoísta, querendo ter nós dois. Dizia – ela não podia suportar ser a causa da rixa entre nós. Ela esperava que uma vez que ela se fora nós não nos detestássemos mais. Ela fez isso para nos unir.

- Oh, Inuyasha. - sussurrou Kagome. Ela sentiu lágrimas queimando encherem seus próprios olhos em simpatia. - Ah, Inuyasha, eu sinto tanto. Mas não vê, depois de todo esse tempo, que o que Kikyou fez foi errado? Foi egoísta, até, e foi à escolha dela. De um jeito, não teve nada a ver com você, ou com Sesshoumaru.

Inuyasha balançou sua cabeça como se para tirar a verdade das palavras. - Ela deu a sua vida... Por isso. Nós a matamos. - Ele estava se sentando agora. Mas seus olhos ainda estavam dilatados, grandes discos de preto, e ele tinha o olhar de um menininho estupefato.

- Sesshoumaru chegou por trás de mim. Ele tomou o bilhete e o leu. E então – eu acho que ele ficou louco. Nós dois ficamos loucos. Eu tinha pego o anel de Kikyou, e ele tentou pegá-lo. Ele não deveria. Nós lutamos. Nós dissemos coisas horríveis um ao outro. Cada um culpou o outro pelo que aconteceu. Eu não me lembro de como voltamos para casa, mas de repente eu estava com a minha espada. Nós estávamos lutando. Eu queria destruir aquele rosto arrogante para sempre, matá-lo. Eu lembro do meu pai gritando de casa. Nós lutamos mais arduamente, para terminar isso antes que ele nos alcançasse.

E éramos bons adversários. Mas Sesshoumaru sempre fora mais forte, e naquele dia ele parecia mais rápido, também, como se ele tivesse mudado mais do que eu. E então enquanto meu pai ainda estava gritando da janela eu senti a lâmina de Sesshoumaru passar pela minha guarda. Então eu a senti entrar no meu coração.

Kagome encarou, horrorizada, mas ele continuou sem parar. - Eu senti a dor do aço, eu senti ele me apunhalar, cada vez mais profundamente. Todo o caminho, um impulso duro. E então a força transbordou de mim e eu caí. Eu fiquei deitado lá no chão pavimentado.

Ele olhou para Kagome e terminou simplesmente, - E foi assim que... Eu morri.

Kagome sentou paralisada, como se o gelo que sentira em seu peito mais cedo tivesse vazado e a prendido.

- Sesshoumaru veio e ficou de pé sobre mim e se agachou. Eu podia ouvir os choros do meu pai de longe, e gritos dos empregados, mas tudo que pude ver foi o rosto de Sesshoumaru. Aqueles olhos negros que eram como uma noite sem lua. Eu queria machucá-lo pelo que ele tinha feito a mim. Por tudo que ele tinha feito a mim, e à Kikyou. - Inuyasha ficou quieto por um momento, e então disse, quase sonhadoramente. - E então eu levantei minha espada e o matei. Com minhas últimas forças, eu apunhalei meu irmão no coração.

A tempestade tinha passado, e através da janela quebrada Kagome pôde ouvir os suaves barulhos noturnos, o gorjeio dos grilos, o vento balançando nas árvores. No quarto de Inuyasha, estava muito quieto.

- Eu não soube de mais nada até que acordei em minha tumba. - disse Inuyasha. Ele se inclinou para trás, longe dela, e fechou seus olhos. Seu rosto estava espremido e esgotado, mas aquele terrível aspecto sonhador de criança tinha sumido.

- Tanto Sesshoumaru, quanto eu tínhamos tomado o suficiente do sangue de Kikyou para nos impedir de realmente morrer. Ao invés disso nós nos transformamos. Nós acordamos juntos em nossa tumba, vestidos em nossas melhores roupas, deitados em pedaços de madeira lado a lado. Nós estávamos fracos demais para machucar um ao outro; o sangue mal fora o suficiente. E nós estávamos confusos. Eu chamei Sesshoumaru, mas ele correu para fora para a noite.

- Felizmente, tínhamos sido enterrados com os anéis que Katherine nos dera. E eu achei o anel dela no meu bolso. - Como se inconscientemente, Inuyasha esticou a mão para acariciar o anel de ouro. - Creio que eles pensaram que ela tinha dado ele a mim. Eu tentei ir para casa. Isso foi idiota. Os serventes gritaram quando me viram e correram para trazer um padre. Eu corri, também. Para o único lugar onde eu estava a salvo, para a escuridão.

E foi lá que eu fiquei desde então. É onde eu pertenço, Kagome. Eu matei Kikyou com meu orgulho e com meu ciúme, e eu matei Sesshoumaru com meu ódio. Mas eu fiz pior do que matar meu irmão. Eu o amaldiçoei.

Se ele não tivesse morrido então, com o sangue de Kikyou tão forte em suas veias, ele teria tido uma chance. Com o tempo o sangue teria ficado mais fraco, e então desaparecido. Ele teria se tornado um humano normal de novo. Matando-o então, eu o condenei a viver na noite. Eu tomei sua única chance de salvação. - Inuyasha riu amargamente. - Você sabe o que o nome Salvatore quer dizer em italiano, Kagome? Quer dizer salvação, salvador. Eu fui nomeado assim. E eu amaldiçoei meu irmão ao inferno.

- Não. - disse Kagome. E então, com uma voz mais forte, ela disse. - Não, Inuyasha. Ele amaldiçoou a si próprio. Ele matou você. Mas o que aconteceu a ele depois disso?

- Por um tempo ele se juntou a uma das Companhias Livres, mercenários bárbaros cujo negócio era roubar e saquear. Ele vagou pelo país com eles, lutando e bebendo o sangue de suas vítimas. Eu estava vivendo além dos portões da cidade na época, parcialmente faminto, caçando animais, eu mesmo um animal. Por um longo tempo, eu não escutei nada sobre Sesshoumaru. Então um dia eu ouvi sua voz em minha mente.

Ele estava mais forte do que eu, porque ele estava bebendo sangue humano. E matando. Os humanos têm a essência de vida mais forte, e o sangue deles dá poder. E quando eles são mortos, de algum jeito a essência de vida que eles dão é a mais forte de todos. É como se naqueles últimos momentos de terror e luta a alma fica mais vibrante. Porque Sesshoumaru matava humanos, ele era capaz de aproveitar-se mais dos Poderes do que eu.

- Que... Poderes? - disse Kagome. Um pensamento estava crescendo em sua mente.

- Força, como você disse, e rapidez. Um aguçamento de todos os sentidos, especialmente à noite. Esses são os básicos. Nós também podemos... Sentir mentes. Nós podemos sentir a presença delas, e às vezes a natureza de seus pensamentos. Nós podemos confundir mentes mais fracas, tanto para oprimí-las como para moldá-las ao nosso desejo. Há outros. Com sangue humano suficiente podemos mudar de forma, nos tornarmos animais. E quanto mais você mata, mais forte todos os Poderes se tornam.

A voz do Sesshoumaru na minha mente era muito forte. Ele disse que era agora o condottieri* de sua própria companhia e estava voltando à Florença. Ele disse que se eu estivesse lá quando ele chegasse ele iria me matar. Eu acreditei nele, e fui embora. Eu o vi uma ou duas vezes desde então. A ameaça é sempre a mesma, e ele sempre está mais poderoso. Sesshoumaru tirou o máximo de proveito de sua natureza, e ele parece gloriar-se em seu lado mais obscuro.

* condottieri (do italiano "comandante", derivado por sua vez do latim conducere, "conduzir") eram líderes mercenários empregados pelas cidades-estado italianas durante a Idade Média (principalmente nos séculos XIV e XV).

Mas é a minha natureza, também. A mesma escuridão está dentro de mim. Eu achei que pudesse dominá-la, mas estava errado. Foi por isso que vim para cá, para Fell's Church. Pensei que se me instalasse em uma cidade pequena, bem longe das lembranças antigas, eu talvez pudesse escapar a escuridão. E ao invés disso, hoje à noite, eu matei um homem.

- Não. - disse Kagome convincentemente. - Eu não acredito nisso, Inuyasha. - A história dele tinha enchido-a com horror e pena… E medo, também. Ela admitia isso. Mas seu nojo tinha desaparecido, e havia uma coisa sobre a qual tinha certeza. Inuyasha não era um assassino. - O que aconteceu hoje à noite, Inuyasha? Você discutiu com o Tanner?

- Eu... Não lembro. - ele disse desoladamente. - Eu usei o Poder para persuadí-lo a fazer o que você queria. Então eu fui embora. Mas mais tarde eu senti uma tontura e uma fraqueza se apossarem de mim. E isso aconteceu antes. - Ele olhou para ela diretamente. - A última vez que isso aconteceu foi no cemitério, perto da Igreja, na noite em que Kaguya Bennett foi atacada.

- Mas você não fez isso. Você não poderia ter feito isso... Inuyasha?

- Eu não sei. - ele disse duramente. - Que outra explicação poderia haver? E eu bebi sangue do velho debaixo da ponte, na noite que vocês garotas fugiram do cemitério. Eu teria jurado que não tinha tomado o suficiente para machucá-lo, mas ele quase morreu. E eu estava lá quando ambos Kaguya e Tanner foram atacados.

- Mas você não se lembra de atacá-los. - disse Kagome, aliviada. Aquela idéia que esteve crescendo em sua mente era agora quase uma certeza.

- Que diferença isso faz? Quem mais poderia ter feito isso, se não eu?

- Sesshoumaru. - disse Kagome.

Ele recuou, e ela viu seus ombros se enrijecerem novamente.

- É um belo pensamento. Eu esperei de primeira que talvez pudesse ter alguma explicação desse tipo. Que talvez fosse outra pessoa, alguém como o meu irmão. Mas eu procurei com a minha mente e não achei nada, nenhuma outra presença. A explicação mais simples é que eu sou o assassino.

- Não. - disse Kagome. - Você não entende. Eu não quero simplesmente dizer que alguém como Sesshoumaru pode ter feito as coisas que vimos. Eu quero dizer que Sesshoumaru está aqui, em Fell's Church. Eu o vi.

Inuyasha simplesmente encarou-a. -

Deve ser ele. - Kagome disse, tomando um longo fôlego. - Eu o vi duas vezes já, talvez três. Inuyasha, você acabou de me contar uma história longa, e agora eu tenho que lhe contar uma. -

Tão rápida e simplesmente como pode, ela contou a ele sobre o que aconteceu no ginásio, e na casa de Rin. Seus lábios se apertaram em uma linha branca enquanto ela contava a ele sobre como Sesshoumaru tentou beijá-la. As bochechas dela ficaram quentes à medida que ela lembrava-se de sua própria resposta, como ela havia quase cedido a ele. Mas ela contou tudo à Inuyasha.

Sobre o corvo, também, e todas as outras coisas estranhas que tinham acontecido desde que ela voltara para casa da França.

- E, Inuyasha, eu acho que Sesshoumaru estava na Casa Assombrada hoje à noite. - ela terminou. - Logo depois que você se sentiu tonto na sala principal, alguém passou por mim. Ele estava vestido como – como a Morte, em mantas pretas e um capuz, e eu não consegui ver seu rosto. Mas algo no jeito como ele se movia era familiar. Era ele, Inuyasha. Sesshoumaru estava lá.

- Mas isso ainda não explicaria as outras vezes. Kaguya e o velho. Eu tomei sangue do velho. - O rosto de Inuyasha estava tenso, como se ele quase estivesse com medo de ter esperança.

- Mas você mesmo disse que não tomou sangue o suficiente para machucá-lo. Inuyasha, quem sabe o que aconteceu ao homem depois de você ter ido embora? Não seria a coisa mais fácil no mundo para Sesshoumaru atacá-lo então? Especialmente se Sesshoumaru estivesse te espiando o tempo todo, talvez em alguma outra forma...

- Como um corvo. - murmurou Inuyasha.

- Como um corvo. E quanto à Kaguya... Inuyasha, você disse que pode confundir mentes mais fracas, dominá-las. Não poderia ser isso o que Sesshoumaru estava fazendo a você? Dominando a sua mente do jeito que você pode dominar a de um humano?

- Sim, e escondendo sua presença de mim. - Havia uma crescente animação na voz de Inuyasha. - É por isso que ele não respondeu aos meus chamados. Ele queria–

- Ele queria justamente que acontecesse o que aconteceu. Ele queria que você duvidasse de si mesmo, pensasse que fosse um assassino. Mas não é verdade, Inuyasha. Ah, Inuyasha, você sabe disso agora, e você não tem mais que ter medo. - Ela se levantou, sentindo alegria e alívio correrem por ela. Dessa noite horrorosa, algo maravilhoso tinha vindo.

- É por isso que você esteve tão distante de mim, não é? - ela disse, esticando suas mãos para ele. - Porque estava com medo do que poderia fazer. Mas não há mais necessidade disso.

- Não ? - Ele estava respirando rapidamente de novo, e olhou suas mãos esticadas como se fossem duas cobras. - Você acha que não tem mais razão para se ter medo? Sesshoumaru pode ter atacado aquelas pessoas, mas ele não controla meus pensamentos. E você sabe o que eu pensei sobre você.

Kagome manteve sua voz estável. - Você não quer me machucar. - ela disse positivamente.

- Não? Houve horas, observando você em público, onde eu mal pude agüentar não tocá-la. Quando eu estivesse tão tentado por sua garganta branca, sua pequenina garganta branca com as fracas veias azuis debaixo da pele... - Os olhos dele estavam fixos no pescoço dela de um jeito que a lembrava dos olhos de Sesshoumaru, e ela sentiu seus batimentos cardíacos aumentarem. - Horas quando eu pensei que iria te agarrar e te forçar ali mesmo na escola.

- Não há necessidade de me forçar. - disse Kagome. Ela pôde sentir sua pulsação em todo lugar agora; em seus pulsos e dentro de seus cotovelos – e em sua garganta. - Eu tomei minha decisão, Inuyasha. - ela disse suavemente, prendendo os olhos dele.

- Eu quero.

Ele engoliu em seco. - Você não sabe o que está pedindo.

- Eu acho que sei. Você me contou como era com a Kikyou, Inuyasha. Eu quero que seja assim conosco. Eu não quero dizer que quero que você me transforme. Mas podemos dividir um pouco sem que isso aconteça, não podemos? Eu sei. - ela acrescentou, mais suavemente ainda, - O quanto você amava Kikyou. Mas ela se foi agora, e eu estou aqui. E eu te amo, Inuyasha. Eu quero ficar com você.

- Você não sabe do que está falando! - Ele estava rígido, seu rosto furioso, seus olhos angustiados.

- Se eu uma vez perder o controle, o que vai me impedir de transformá-la, ou de matá-la? A paixão é mais forte do que você pode imaginar. Você ainda não entende o que eu sou, o que eu posso fazer?

Ela ficou de pé lá e olhou para ele silenciosamente, seu queixo levantado ligeiramente. Isso pareceu enfurecê-lo.

- Ainda não viu o bastante? Ou tenho que te mostrar mais? Não pode imaginar o que eu posso fazer com você? - Ele caminhou até a lareira gelada e agarrou um longo pedaço de madeira, mais grosso que os dois pulsos de Elena juntos. Com um movimento, ele quebrou-o em dois como um palito de fósforo. - Os seus ossos frágeis. - ele disse.

Do outro lado do quarto um travesseiro estava na cama; ele o pegou e com um corte de suas unhas deixou a fronha de seda em tiras. - A sua pele suave. - Então ele se moveu na direção de Kagome com uma rapidez sobrenatural; ele estava lá e estava segurando seus ombros antes que ela soubesse o que estava acontecendo. Ele a assustou por um momento, então, com um sibilo selvagem que ergueu os pelinhos na nuca de seu pescoço, afastou seus lábios.

Era o mesmo ranger de dentes que ela tinha visto no telhado, aqueles dentes brancos expostos, os caninos crescidos em um comprimento e afiadez inacreditáveis. Eram as presas de um predador, de um caçador. - Seu pescoço branco. - ele disse em uma voz distorcida.

Kagome ficou paralizada por outro instante, olhando naquele semblante assustador como se estivesse sendo forçada, e então algo profundo em si mesma tomou conta inconscientemente. Ela esticou suas mãos no círculo refreador de seus braços e pegou seu rosto entre as suas duas mãos. As bochechas dele estavam geladas contra as palmas dela. Ela o segurou desse jeito, suavemente, tão suavemente, como se para reprovar o aperto duro nos ombros nus dela. E ela viu a confusão lentamente tomar seu rosto, à medida que ele percebia que ela não estava fazendo isso para lutar contra ele ou para empurrá-lo.

Kagome esperou até que essa confusão atingisse seus olhos, quebrando sua contemplação, tornando-se quase um olhar de imploração. Ela sabia que seu próprio rosto estava destemido, suave, mas mesmo assim intenso, seus lábios levemente separados. Ambos estavam respirando rapidamente agora, juntos, em ritmo. Kagome pôde sentir quando ele começou a chacoalhar, tremendo como quando as lembranças de Kikyou tinha se tornado demais para se suportar. Então, muito gentilmente e deliberadamente, ela encaminhou aquela boca raivosa para a sua.

Ele tentou contrapôr-se a ela. Mas a gentileza dela era mais forte do que toda a força sobre-humana dele. Ela fechou seus olhos e pensou somente em Inuyasha, não nas coisas horrendas que ela tinha aprendido hoje à noite, mas em Inuyasha, que tinha acariciado seu cabelo tão levemente como se ela fosse quebrar em suas mãos. Ela pensou nisso, e ela beijou a boca predadora que a havia ameaçado alguns minutos atrás.

Ela sentiu a mudança, a transformação em sua boca enquanto ele rendia-se, respondendo desamparadamente a ela, correspondendo os beijos suaves dela com igual suavizes. Ela sentiu o tremor passar pelo corpo de Inuyasha enquanto o aperto duro em seus ombros se suavizava, também, tornando-se um abraço. E ela soube que ganhara.

- Você nunca irá me machucar. - ela sussurrou.

Era como se eles estivessem dando beijos de despedida a todo o medo e desolação e solidão dentro deles. Kagome sentiu uma onda de paixão passar por ela como a luz do verão, e ela pôde sentir a paixão replicante em Inuyasha. Mas infundir todo o resto era uma gentileza quase assustadora em sua intensidade. Não havia necessidade de afobação ou aspereza, Kagome pensou enquanto Inuyasha gentilmente a direcionou para se sentar.

Gradualmente, os beijos ficaram mais urgentes, e Kagome sentiu a luz do verão piscar por todo o seu corpo, carregando-o, fazendo seu coraçãoo golpear e sua respiração falhar. Isso a fez se sentir estranhamente suave e tonta, a fez fechar seus olhos e deixar sua cabeça cair em abandono.

Está na hora, Inuyasha, ela pensou. E, muito gentilmente, ela encaminhou a boca dele para baixo novamente, dessa vez para sua garganta.

Ela sentiu os lábios dele arranharem sua pele, sentiu o hálito quente e frio dele ao mesmo tempo. Então ela sentiu a picada afiada.

Mas a dor se dissipou quase instantaneamente. Foi substituída por uma sensação de prazer que a fez tremer. Um grande ataque de doçura a encheu, fluindo por ela até Inuyasha.

Por fim ela encontrou a si mesma encarando o rosto dele, um rosto que por fim não tinha barreiras contra ela, não tinha paredes.

E o olhar que ela viu ali a fez se sentir fraca.

- Você confia em mim? - ele sussurrou. E quando ela simplesmente concordou, ele capturou os olhos dela e alcançou algo ao lado da cama. Era a adaga. Ela observou-a sem medo, e então fixou seus olhos novamente no rosto dele.

Ele nunca desviou o olhar dela enquanto ele desatava-a e fazia um corte pequeno na base de seu pescoço. Kagome olhou para isso com olhos arregalados, para o sangue tão brilhante quanto um arbusto de bagas, mas quando ele a encorajou a ir em frente ela não tentou resistir.

Depois ele simplesmente segurou-a por um longo período, enquanto os grilos do lado de fora faziam sua música. Finalmente, ele se mexeu.

- Eu gostaria que você ficasse aqui. - ele sussurrou. - Eu gostaria que você pudesse ficar para sempre. Mas você não pode.

- Eu sei. - ela disse, igualmente silenciosamente. Os olhos deles se encontraram novamente em uma silenciosa comunhão. Havia tanto a se dizer, tantas razões para estarem juntos. – Amanhã. - ela disse. Então, inclinando-se contra o ombro dele, ela sussurrou. - O que quer que aconteça, Inuyasha, eu estarei com você. Diga-me que acredita nisso.

A voz dele estava abafada, oculta no cabelo dela. - Ah, Kagome, eu acredito nisso. O que quer que aconteça, nós estaremos juntos.

N/A: Oi pessoal, estou postando cedo por que tenho que arrumar meu quarto, está uma bagunça só. Eles descobriram que era o Sesshy o poder e a Kagome e o Inuyasha compartilharam, está quase tudo resolvido!

Respostas as Reviews:

Ayame Gawaine:

O Sesshy não é tão vilão assim, para frente ele fica menos mal. XD

Eu vou colocar sim o 2. Os 4 que lançaram são a quadrilogia um completa o outra menos o 4º que não pega muita coisa, mas vou colocar os 4 sim.

Eu também ia dar apoio a ele, já que ele passou por muita coisa.

Ela foi muito egoísta mesmo! Ela não foi morta... Eles acham que a mataram por que ela se expôs ao sol por causa deles não aceitarem que a Kikyou queria ficar com os dois.

Flor do Deserto:

-.-' Ai ai

Ele vai aparecer em Diários do Vampiro: O confronto. Mas ele não vai levar surra da Sango não.

Tchauzinho até a próxima. Ou seja, amanha.