Provocações
Capítulo 3
Os dias que se seguiram a chegada de Kanon foram os mais divertidos para Saga dos seus vinte anos. O irmão era muito animado e sempre estava disposto a um passeio novo, uma nova atividade. As férias num lugar como aquele não eram muito animadas, mas para o gêmeo mais novo, o lugar não importava, como ele dizia, o que importava eram as pessoas.
Saga adorava a cumplicidade que descobria com aquele estranho. Sim, pois apesar de irmãos, gêmeos idênticos, Kanon ainda era um total desconhecido, uma incógnita que ele não conseguia entender.
Seus sentimentos e pensamentos estavam confusos, principalmente porque a relação entre o irmão e sua mãe era tensa. Dona Adamantina parecia sentir um grande incômodo com a presença do gêmeo mais novo, e Kanon também não fazia questão nenhuma de lhe ser simpático. Apenas para Saga, o futuro arqueólogo dispensava alguma consideração. O gêmeo mais velho gostaria de entender o que acontecia. Mas tanto Kanon quanto a mãe sempre desconversavam quando a história era a relação difícil entre eles.
- Seu irmão é revoltado porque não o criei, só isso. – dizia sempre Adamantina, todavia, algo falava a Saga que não era só isso, a mágoa que sentia muitas vezes no irmão era algo bem maior que simples revolta. Era uma dor visível, apesar de ele disfarçar bem.
Além de todas essas indagações, o futuro padre ainda tinha que lidar com o sentimento estranho e a atração perturbadora que começara a sentir por aquele que era sangue do seu sangue. Saga corava só com esses pensamentos. Não podia, aquilo era inadmissível! Só podia ser uma influência demoníaca querendo tirá-lo do caminho que traçara desde cedo. Querendo afastá-lo de sua fé. Precisava rezar, e pensar que aquilo era uma tentação que logo se afastaria, afinal, só teria alguns dias com o irmão, antes de se tornar um padre.
Era uma bela manhã de sol. Uma sexta-feira ensolarada! Saga resolveu convidar Kanon e os amigos para ir à praia. Queria aproveitar tudo que podia, afinal, sua viagem se aproximava. Além disso, Kanon ainda não conhecia seus amigos, e ele já estava na cidade há uma semana.
- Estamos saindo, Aioros... – falava Saga ao telefone – Não, não precisa me pegar, obrigado, meu irmão tem moto! – o moreno riu com algo que o amigo disse do outro lado da linha, o que fez Kanon erguer uma sobrancelha. Saga fez um sinal de mão para o irmão.
- Para de bobagem! Chegaremos daqui a quinze minutos no lugar de sempre. Ok!
Desligou o telefone e começou a desabotoar a camisa para trocá-la por uma regata branca.
- O que ele disse?
- O quê? – Saga não entendeu a pergunta do irmão, enquanto vestia a camiseta.
- Seu amigo fez alguma piadinha a meu respeito, o que foi? – perguntou sério, expressão que o mais velho estranhou.
- Bobagens do Aioros, você vai conhecê-lo, ele só fala bobagens mesmo! – riu.
- E qual foi a bobagem dessa vez?
- Nada, ele só disse que eu estava dispensando-o por você! Ele sempre fala coisas desse tipo! – Saga não entendeu o leve incômodo e rubor que sentiu ao confessar aquilo – É sempre ele quem me dá carona, ele tem um desses carros antigos conversíveis! – explicou.
Kanon riu coçando os espessos e longos cabelos, depois se aproximou de Saga, ajeitando os cabelos do irmão, que foram desalinhados enquanto ele enfiava a camiseta pela cabeça.
- Vai cortar os cabelos quando se ordenar? – disse deslizando os dedos pelas mechas lisas e sedosas, prendendo-os atrás das orelhas do futuro padre. Saga sentiu um arrepio percorrer seu corpo e se afastou, incomodado.
- Não sei, acho que sim... – respondeu tratando de pegar a mochila onde levaria a rede de voleibol para a praia.
- Se cortar ficará diferente de mim... – o sorriso que o mais novo deixou escapar foi melancólico. Saga parou o que fazia e encarou o irmão.
- Isso não seria bom? É chato ter alguém igualzinho a gente por perto.
- Discordo, eu gosto. – riu Kanon arrancando a camisa que vestia e pegando uma regata preta dentro de sua mochila – Posso aprontar muitas e colocar a culpa em você!
- Não ouse! – Saga riu também – Vamos, a turma já está na praia.
- Todos homens? – perguntou Kanon calçando os chinelos que fazia conjunto com a bermuda marrom e a regata.
- Sim, você prefere garotas? – Saga perguntou, mas não conseguiu encarar o irmão. Era uma pergunta íntima e até um pouco ousada, pois não sabia das preferências de Kanon. Ele, Saga, sempre se sentiu atraído por rapazes, na verdade, um rapaz, apesar de nunca ter se envolvido com ninguém, porém, Kanon poderia ser diferente...
- Não, pra mim tanto faz... – sorriu com malícia o gêmeo mais novo – Você nunca pegou ninguém, não é?
- O quê?
- Transar? Você já transou com alguém?
O futuro padre corou e lançou um olhar sério para o irmão.
- Pare com isso! Já falei que não gosto desse tipo de conversa!
- Você é virgem! – riu Kanon – Qual o problema?
Saga achou melhor não responder, pegou a mochila e se adiantou escada abaixo. Kanon o seguiu rindo sem parar.
- Pra onde vão? – perguntou a mãe de ambos que estava sentada na sala.
- A praia. – respondeu Saga, Kanon apenas se adiantou para a porta.
- Saga, lembre-se do que conversamos. – advertiu a progenitora.
- Já tenho vinte anos, mãe, sei muito bem o que faço! – reclamou o futuro padre.
- Espero que sim, que Deus o guie.
Saga beijou o rosto da mãe e saiu, encontrando Kanon ligando a moto.
- Me espere! – riu, posicionando-se atrás do irmão que rumou a toda a velocidade que sua Halley Davidson permitia.
Chegaram a praia deserta que ficava próximo a um extenso rochedo. O mar era calmo e a brisa estava fria, apesar de ser um quente verão. Camus estava sentado, vestindo numa bermuda jeans e uma camiseta azul, seguia numa conversa animada com Aioros, enquanto Milo e Aiolia estavam esparramados sobre toalhas, o escorpiano com uma sunga vermelha e óculos de sol, e o leonino com uma branca, também de óculos. Quando os irmãos se aproximaram, Milo ergueu o tronco e tirou os óculos, estarrecido.
- Camus, acho que bebi demais! – exclamou – Estou vendo dobrado!
Camus não respondeu, também estava meio pasmado, aliás, todos estavam. Saga avisara que levaria o irmão, mas não avisara que eram gêmeos idênticos.
- Olá, pessoal, esse é o Kanon. – apresentou. O gêmeo mais novo cumprimentou os demais com um aperto de mão. E Saga percebeu que ele perdeu mais tempo que o conveniente com a mão de Milo dentro da sua. O olhar malicioso também estudava, e muito, o escorpiano.
- E então? Que tal um mergulho? – Milo sugeriu, se levantando.
- A água deve estar gelada! – reclamou Aiolia – Nem morto, prefiro ficar aqui, sob o sol.
- Cambada de mocinhas! – reclamou o escorpiano e seguiu para o mar. Saga percebeu que os olhos do irmão não se desviavam do passeio felino do loiro. Lançou-lhe um olhar aborrecido que Kanon não correspondeu, tão interessado estava em devorar o corpo bem esculpido de Milo.
- E então, Kanon? O que o trouxe a esse fim de mundo? – a voz fria e ácida de Camus fez com que o gêmeo mais novo desviasse os olhos do loiro. Mirou o francês que o estudava com expressão séria. Claro que ele notara o interesse do irmão de Saga por seu namorado.
- Vim rever meu irmão. – disse Kanon sem nenhum embaraço – Em breve partirei para a Ásia e, antes de deixar a Europa, queria conhecê-lo.
- Que historia bizarra a de vocês! – riu Aioros que estava sentado ao lado do ruivo – Vocês assistiram gêmeos - mórbida semelhança? – riu o sagitariano, e Kanon também.
- Sim, várias vezes! Eu sou o louco e o Saga o manipulador!
O gêmeo mais velho riu também.
- Eu o manipulador?
- Não... Acho que o Kanon seria o Elliot, e o doce Saga o tímido Beveley... – disse Camus olhando sério para Saga que corou e baixou o olhar.
- Hum... Então conhece o filme, ruivo? – Kanon sibilou com malícia, olhando do francês para o irmão – A palavra doce foi meio tendenciosa, já que não me conhece e não sabe se sou doce ou não.
- Não, mas conheço o Saga. – respondeu Camus e se levantou – Bem, nadarei um pouco com o meu namorado.
O modo frio como as palavras foram pronunciada, não disfarçava que o ruivo estava demarcando seu território. Kanon sorriu, gostava daqueles jogos.
- Kanon, venha. – Saga se ergueu de onde estava e chamou o irmão com autoridade. Kanon se viu obrigado a segui-lo contrafeito.
Foram para trás do rochedo.
- O que pensa que está fazendo? – interrogou o mais velho, irritado.
- Pelo que saiba não fiz nada! – desconversou o mais novo.
- Ah, não? Você só faltou comer o Milo com os olhos, e estava provocando o Camus!
- Não, espera aí! Foi ele quem me provocou com a história do Gêmeos – Mórbida semelhança, e ainda chamando você de doce Saga! – disse afetando a voz e cruzando os braços.
- E por que isso o irritou? – Saga não entendeu.
- Por que... – Kanon hesitou – Ora, não sei por quê! Mas não gostei!
- Escuta. – o mais velho segurou os ombros do mais jovem – O Milo é do Camus, não tente nada com ele. São meus amigos, ouviu bem?
Kanon encarou o irmão dentro dos olhos, e Saga sustentou seu olhar.
- Ninguém é dono de ninguém, Saga. Vejo que o tesão que senti por aquele loiro é igualzinho ao que você sente pelo ruivo, estou enganado?
O seminarista empalideceu.
- Que pergunta cretina! – irritou-se Saga – Serei padre, esqueceu?
- E daí? Você o quer, deu pra perceber! – Kanon bradou se libertando das mãos do irmão, irritado – E ele também o quer! É evidente!
Saga ficou parado, estático, sem saber o que responder.
- Isso é absurdo... – murmurou sem jeito.
- Não é, Saga, - virou-se e encarou o futuro padre – Eu quero o loiro, você quer o ruivo, então por que não vamos a luta?
- Ir a luta? O que quer dizer?
- Saga, vamos nos aproveitar do fato que sermos idênticos. Você se passa por mim e seduz o Camus, assim, ninguém poderá dizer que o futuro padre pecou pouco antes de sua ordenação. Eu me passo por você e atraio o Milo, assim, ele confiará em mim e me seguirá pra onde for, o que acha? – piscou o futuro arqueólogo.
- Você é doente! – explodiu Saga – Não farei isso! Tudo pra você é uma brincadeira, Kanon, mas pra mim as pessoas são importantes, meus amigos são importantes! E mesmo que seja verdade que gosto do Camus, nunca faria algo tão sujo para ficar com ele!
- Padreco imbecil! – disse Kanon irritado – Você que sabe, eu queria o loiro, mas agora, você me irritou!
O gêmeo mais novo disse e começou a se afastar.
- O que quer dizer com isso, Kanon? Kanon volta aqui! – Saga caminhou irritado e puxou o irmão pelo braço.
Kanon sorriu com sarcasmo.
- Sabia que sua religião condena totalmente o homossexualismo?
- E daí? – Saga estava perdendo a paciência.
- E daí que pensar em comer o ruivo é pecado, sua besta! – explodiu o mais novo, e Saga começou a rir o que o irritou ainda mais.
- Kanon, você está com ciúmes do Camus?
O mais jovem ruborizou sem jeito, percebendo que tudo que estava fazendo era realmente mais por ciúmes do que sentira entre Camus e Saga do que realmente desejo por Milo.
- Não é nada disso, seu estúpido!
- É isso sim, que ridículo, Kanon!
- Ridículo é um padreco virgem, que quer trepar com o namorado do amigo! – explodiu.
Saga mirou o irmão, surpreso, depois baixou os olhos, magoado.
- É isso o que pensa de mim? – a pergunta foi baixa. Kanon respirou fundo e apoiou as mãos nos quadris.
- Desculpe, mano...
- Você não respondeu. É isso que pensa de mim? Que sou apenas um Padreco idiota? – insistiu entre decepcionado e magoado.
- Não, claro que não. – o gêmeo mais novo se aproximou, e abraçou o irmão, afundando as mãos em seus cabelos fartos e sedosos – Ah, Saga, desculpe, às vezes, me esqueço que você é tão...
- Tão? – Saga ergueu os olhos para mirá-lo.
- Tão inocente.
- Kanon, se enxerga! Eu tenho sua idade, não sou inocente coisa nenhuma!
- Certo, maninho, não precisa ficar zangado. – disse Kanon divertido, enlaçando o ombro do irmão para que voltassem para onde estavam os amigos.
- Eu não estou zangado, só não quero que apronte nada. – pediu o futuro padre – E... sabe...
- E o quê, Saga? – Kanon ergueu uma sobrancelha.
- O... O que você pensa a meu respeito, é importante pra mim...
O mais novo sorriu e beijou a testa do irmão.
- Você também é importante pra mim, Saga. – disse carinhosamente, o futuro arqueólogo.
- Então promete não aprontar nada?
- Juro que não apronto. – Kanon cruzou os dedos e os beijou provocativamente. Saga o encarou sério, mas achou melhor não insistir naquela discussão.
Quando voltaram para a praia. Milo e Camus já estavam fora d'água e o escorpiano fez questão de trocar um ardente beijo com o ruivo que ruborizou, e tentou fugir, mas não conseguiu.
- Eca! Parem com isso! – reclamou Aiolia – Vocês me enojam, sabiam? Com tanta mulher no mundo, meu Deus!
- Cada um com suas preferências. – sorriu Kanon para o leonino que corou com o olhar devasso do moreno.
Saga viu aquilo e não acreditou; o que Kanon era, um maníaco sexual?
- Estou indo embora! – disse o futuro padre voltando a calçar os chinelos.
Camus e Milo se separaram, e o ruivo, muito embaraçado, e excitado, se afastou do namorado, se aproximando do amigo.
- Eh... já, Saga? – perguntou – O dia está ótimo, por que não fica um pouco mais?
- Tenha algumas coisas pra fazer, nos vemos depois. – disse o geminiano – Vamos, Kanon!
- Eu vou ficar. – respondeu o irmão se sentando ao lado de Aiolia que estava visivelmente sem jeito. O leonino era o mais jovem dentre os amigos.
Saga bufou, caminhou até o irmão e o puxou pelo braço, deixando todos boquiabertos.
- Não, você vem comigo!
- Tudo bem! Calma! – pediu Kanon divertido, erguendo-se e mirando Aiolia com um olhar que era pura luxúria – Nos vemos depois...
- Ah... tudo bem... – respondeu o mais jovem sem jeito.
Saga não fez questão de dizer mais nada, arrastou o irmão em direção a Halley Davidson estacionada na calçada de pedra.
- Nunca mais faça isso! – reclamou.
- Isso o quê? O que eu fiz agora? – Kanon se fez de inocente.
- Você sabe muito bem! Não ouse brincar com o Aiolia, ele é quase uma criança!
- Ele tem quase dezoito que sei... – piscou Kanon – Além do mais, sou tarado por um tipinho como ele, moreno, aqueles olhos...
- Ele é hetero, seu imbecil? – gritou Saga possesso.
- Bem, isso é ele quem tem que me dizer, não é?
- Você... você não pode fazer isso, não aqui, Kanon, isso é pecado!
Kanon riu alto.
- Engraçado, você não parece se preocupar com o pecado do Milo e do Camus, então por que se preocupa com o meu? Me deixa gozar, Saga, você não tem nada a ver com quem eu trepo!
O gêmeo mais velho arregalou os olhos, mas não mirou o irmão, seus olhos ficaram perdidos, a face ruborizou, e Saga viu-se incapaz de dizer qualquer coisa. Saiu de perto de Kanon, começando a andar a passos rápidos.
- Saga, espere! Saga aonde você vai? – Kanon montou na moto e saiu atrás do irmão que marchava furioso.
O gêmeo mais velho continuou a andar sem olhar para o irmão que pilotava a Halley Davidson muito lentamente ao seu lado.
- Estou indo pra casa, e vê se não enche! – grunhiu o rapaz que caminhava.
- Para de chilique, monta aqui! – pediu o mais novo – Tá bom, se você não quiser, eu não pego o Aiolia, satisfeito?
Saga parou e mirou seu gêmeo nos olhos. O olhar sério de sempre deixou transparecer certa mágoa.
- Não me importa se você fica ou não com ele. Só não quero que magoe meus amigos, entendeu?
Kanon sorriu.
- Entendi. Vem, sobe aqui. – pediu mais uma vez, e resignado, Saga aceitou. Rumaram de volta a casa. Assim que chegaram, Saga correu para o quarto.
Kanon ficou observando-o subir as escadas. Uma sensação de frustração o dominava e certa angústia também. Não queria magoar Saga, fizera tudo por brincadeira, apenas para provocá-lo, não esperava aquela reação.
- O que aconteceu? – Adamantina perguntou chegando à sala e mirando no mesmo local que se direcionavam os olhos do gêmeo mais novo.
- Nada demais, nós só... discutimos...
- E por quê?
O filho voltou-se para a mãe com um olhar aborrecido.
- Não lhe devo satisfações!
- Claro que deve, enquanto permanecer aqui, deve sim! – disse a mulher – E advirto, tenha cuidado com o Saga, não lhe diga nada que possa perturbá-lo. Foi muito difícil conseguir com o bispo a ida dele para Roma, não é todo mundo que consegue.
- Isso não me interessa!
- Pois deveria. Não venha agora, depois de tantos anos, dizer coisas a seu irmão. Há fatos que devem permanecer ocultos.
- Porém, não há nada oculto que não será revelado, não é máter?
- Faça o que quiser, Kanon... – os olhos castanhos da mulher examinaram profundamente os verdes do filho – Mas lembre-se que feridas reabertas demoram mais a cicatrizar e podem mesmo matar.
O jovem de cabelos escuros piscou, visivelmente perturbado.
- Verei como está o Saga! – disse subindo as escadas.
Ao chegar ao quarto, encontrou o mais velho sentado na cama, a cabeça baixa, os cabelos molhados, pois acabara de sair do banho, vestido apenas num short de pijama. Percebia-se que ele estava profundamente concentrado em seus pensamentos.
- Saga...
Quando os olhos do irmão se ergueram para ele, o coração do gêmeo mais jovem falhou, viu que seu rosto estava marcado por algumas lágrimas que ele tratou de esconder, limpando o rosto rapidamente.
- Oi, Kanon, e... – interrompeu-se, pois o irmão se ajoelhou entre suas pernas e lhe segurou o queixo, enxugando-lhe o rosto e mirando dentro dos seus olhos.
- Saga, me desculpe, eu não queria magoar você. – disse Kanon.
- Tudo bem, acho que sou mesmo um idiota... – respondeu Saga tentando sorrir. Kanon sorriu também.
- Não, você é adorável, simplesmente adorável. – disse e beijou o rosto do irmão, os lábios tocando delicadamente a pele, bem próximo aos lábios. Saga não conseguiu evitar um suspiro e fechou os olhos, enquanto os pequenos beijos se sucediam em sua face.
- Desculpe, desculpe... – sussurrava Kanon enquanto o beijava, até que se afastou e o abraçou com força, escondendo o rosto na curva do seu pescoço – Prometo nunca magoá-lo, nunca.
Saga nada disse. Fechou suas mãos em torno do corpo do irmão, apertando ainda mais aquele abraço e os olhos com força, evitando que lágrimas descessem ao constatar que estava terrivelmente perdido.
Da porta do quarto, a mãe de ambos assistia a cena com uma estranha comoção.
Continua...
Notas finais: Que mortal, homem ou mulher, não secaria o Milo de sunga? Sossega Camus! Hehehehe. Mas esse Kanon. Hein? É um safadinho mesmo, faz tudo para provocar o mano.
A frase que o Kanon fala a mãe: "não há nada oculto que não será revelado" é uma passagem bíblica muito conhecida, mas do livro e capítulo que não me lembro agora.
O que posso dizer? Espero que tenham gostado do capítulo e estejam gostando da fic.
Beijos a todos que leram, em especial aos que comentaram.
Shermie, anjodastrevas (obrigada também por indicar "Um toque de anjo", valeu mesmo!); Maya Amamiya, saorikido, liliuapolonio, Keronekoi, Vagabond, milaangelica, Silvana, Maia Sorovar, Amarthwen, Gemini Yaoi, Lune Kuruta, Amamiya f,
Réplica a Amamiya f e Silvana: KKKK, sou mesmo viciada nos dois, e pra mim é muito difícil escrever sem eles, mas dessa vez, conseguirei, eles não vão entrar nem no final! Bjus meninas!
Obrigada a todos de coração, prometo postar o mais breve possível, mas tenham paciência, minha vida está corridíssima nos últimos tempos e ando fazendo malabarismo para não atrasar demais as postagens.
Sion Neblina
