Santos pecadores

Capítulo 4

No dia seguinte, Saga acordou cedo, deixando Kanon dormindo esparramado em sua cama. Tomou banho e vestiu-se, e enquanto se preparava para sair, seus olhos passeavam pelo semblante plácido do irmão. Sorriu, eles realmente não eram tão diferentes. Com as expressão serenada pelo sono, o mais novo perdia o ar malicioso e adquiria uma expressão inocente e tranqüila, embora, nem sempre seu sono fosse sereno. Kanon costumava ter pesadelos, mas não gostava de falar a respeito, e o futuro padre respeitava sua discrição.

Saga caminhava para deixar o quarto quando ouviu a voz lânguida e enrouquecida pela sono, do irmão.

- Aonde você vai a essa hora?

Sorriu e voltou a se aproximar da cama. Sentou-se ao seu lado e passou a mão no rosto tépido do mais novo, sentindo uma emoção estranha que lhe levava ainda mais aflição.

- Vou à igreja, não demoro. Você está bem? Teve pesadelo novamente.

- Estou sim. – Kanon espreguiçou-se manhoso – Sempre acordo bem quando o que encontro ao abrir os olhos é você...

- Kanon... – Saga corou – Pare de falar essas coisas esquisitas...

- Pode ser esquisito, mas é o que sinto, não tenho vergonha dos meus sentimentos, Saga, você não deveria ter também.

- Não é dos nosso sentimentos que estou falando... – desconversou o futuro padre.

Kanon se ajeitou na cama e apoiou a cabeça no cotovelo para mirar mais detalhadamente o irmão.

- E do que está falando então?

- Nada. Eu preciso sair. Juro que não demoro. – Saga se ergueu, saindo do quarto rapidamente. Kanon deixou escapar um suspirou profundo e se espreguiçou esticando os braços. Embora tentasse não demonstrar, se sentia tão perdido e desolado quanto o mais velho com aquela enormidade de sentimentos dentro do peito. O que estava acontecendo? Prometera que nunca mais se apaixonaria e aquilo tinha que acontecer justo naquele momento? Justo por aquela pessoa?

Impossível! Gritou pra si mesmo. Não podia fazer aquilo com Saga; não por conceitos morais religiosos, mas pelo irmão; aquilo viraria a cabeça dele, o enlouqueceria.

Sentou-se na cama ao escutar passos, em segundos a mãe estava dentro do quarto.

- Bom dia, Kanon.

- Bom dia. – respondeu contrafeito.

- Quero que pegue suas coisas e vá embora. – declarou a mulher – Você nunca quis voltar de fato e não acho que esteja sendo uma boa influência para seu irmão.

- Essa casa também é minha. – respondeu de mau humor.

- Não, não é se você não consegue seguir as regras dela.

Kanon riu com escárnio.

- Posso saber o que eu fiz? Do que estou sendo acusado?

Adamantina suspirou pesadamente.

- Não o estou acusando de nada; só acho que... bem, as práticas da sua vida pregressa me são conhecidas, e não quero que influencie Saga...

- O Saga é um homem inteligente e muito mais sábio que eu. Por que acha que o influenciaria?

- Kanon, não seja cínico.

- Não estou sendo, não entendo por que considera que posso fazer mal a Saga quando ele é tudo pra mim!

- Tudo pra você? E desde quando você se importa com as pessoas? Seu pai morreu e você nem aqui veio! Não me venha com essa história de que Saga é tudo pra você!

- Você não acreditou em mim! E me proibiu de contar a verdade para a única pessoa que acreditaria! – Kanon gritou; sua indignação se derramou com a voz revoltosa que não conseguia esconder a profunda mágoa. A história proibida, a história esquecida há onze anos, sendo trazida a tona por um rompante momentâneo.

A mulher empertigou-se antes de suspirar, desviando o olhar do filho mais novo.

- Eu... nossa família estava em primeiro lugar... – Adamantina deixou transparecer certo remorso – Eu era jovem e... e submissa, não podia...

- Poupe-me de suas desculpas! – o filho a interrompeu – me deixe em paz, não se intrometa entre Saga e eu; o que sinto por ele está muito longe do que você julga amor, Adamantina!

- E o que é então? Explique-me o que é isso que você diz sentir por seu irmão, mesmo estando longe dele por tantos anos?

Kanon calou-se, resignado.

- Somos gêmeos univitelinos; a ligação que temos nunca poderá ser rompida.

A mulher se aproximou do filho e se sentou ao seu lado.

- Não quero separá-los, Kanon, nunca quis isso, mas entenda que o Saga é diferente de você. Você cresceu num lugar cheio dessas modernidades condenadas por Deus, o Saga é um rapaz ingênuo, puro e seu futuro é ser um sacerdote, não estrague tudo.

- Já disse que minha única intenção é vê-lo feliz. Não sei por que se preocupa tanto, daqui a algumas semanas, eu estarei na Ásia, e ele no Vaticano; não há tempo para que meu puro irmão seja desvirtuado. – ironizou.

- Podemos perder em minutos o que se levou anos para conquistar. Quero que pense apenas na felicidade do seu irmão.

- É só nele que penso. – Kanon murmurou, baixando o olhar, vencido – Você não precisa se preocupar.

- Espero que sim, e lembre-se que ainda sou sua mãe e nada me impede de lhe dar um bom corretivo se precisar.

Kanon riu, e a progenitora saiu do quarto. O rapaz ficou na mesma posição, pensando por horas, até se decidir de que era mesmo hora de deixar Corinto.

-OOO-

Era muito cedo quando Saga chegou à igreja. Precisava se confessar, precisava dos conselhos do velho padre Nestor, desde sempre o conselheiro da cidade. Sim, sabia que receberia um grande sermão, pois há dias não comparecia a missa ou as reuniões da paróquia o que era inadmissível para um futuro padre. Contudo, Saga achava mais interessante se despedir da vida desimpedida; teria muito tempo para freqüentar a igreja depois de sua ordenação.

Quando estava se dirigindo a casa paroquial, quase trombou com uma mocinha que saia correndo da mesma.

- Ei, menina, olha por... – interrompeu-se olhando o rosto marcado de batom, o que demonstrava claramente que alguém a beijara. Saga a encarou, ele a conhecia, a menina estava sempre presente nas missas e na casa paroquial, mas o que fazia ali tão cedo?

- Olá, Amina, o que está fazendo aqui?

Ela sorriu com malícia e limpou os lábios com as costas das mãos.

- Oi, Saga, eu que não esperava vê-lo aqui nesse horário. O que aconteceu, deu formiga na cama? – riu a adolescente.

- Não, eu preciso falar com padre Nestor, ele está?

- Acho que sim.

- Você não estava na casa paroquial?

- Sim, mas não com ele. – sorriu a garota que não deveria ter mais que dezessete anos – Ele está na sacristia.

- E com quem você estava? – Saga cruzou os braços com uma expressão séria; não acreditava que aquela menina estava de namorico com algum dos seminaristas, e que tiveram a ousadia de entrar na casa paroquial para tais fins.

- Ah, eu preciso ir! – Amina exclamou e saiu correndo, sem responder a pergunta do mais velho. Saga resolveu ir para a sacristia da igreja.

O velho padre estava arrumando o altar e sorriu ao vê-lo.

- Saga, por onde andou? Senti sua falta.

- Estive ocupado com os preparativos da viagem. – sorriu de volta e tomou as mãos do eclesiástico as beijando – Como o senhor tem passado?

- Bem, muito bem, soube que seu irmão voltou.

- Sim, é sobre ele que quero falar com o senhor.

O padre ergueu a sobrancelha.

- Algum problema com o Kanon?

- O senhor se lembra dele?

- Claro que sim, não estou tão velho assim! – riu o sacerdote.

- Então o senhor tem como me dizer o que aconteceu há onze anos? Por que o Kanon foi embora?

O eclesiástico empalideceu.

- Saga, essas coisas devem permanecer no passado. Seu irmão com certeza já superou o fato...

Saga parou, atônito, então algo aconteceu realmente?

- E se eu disser que ele não superou? – jogou o mais jovem – Padre, eu preciso saber o que aconteceu...

- Pergunte a sua mãe. Eu nada posso falar, foi um segredo de confissão. Agora, por favor, me deixe trabalhar, o cardeal está na paróquia e quero que tudo esteja perfeito...

- O cardeal?

- Sim, o cardeal Eugenio Manfatri, o mesmo que recebeu a sua indicação para estudar no vaticano; ele está ávido para conhecê-lo.

Saga engoliu em seco.

- Onde ele está?

- Na casa paroquial... Saga? – o padre chamou sem entender o rompante do mais jovem que saiu correndo em direção a casa paroquial.

-OOO-

Kanon estava na garagem, mexendo na moto, preparando-a para a viagem. Uma chuva fina começou a cair, e ele praguejou contra o tempo instável de Corinto. Queria ainda ir à praia naquele dia, mas parecia que passaria o dia inteiro naquela garagem; abandonou a chave de fenda para segurar o cigarro que tinha na boca e soltar à fumaça no ar. Pensava que talvez, a mãe estivesse certa, ele era uma péssima influência para Saga. Precisava mesmo partir.

Estava entretido na tarefa que fazia, quando um relâmpago clareou a imagem do irmão o assustando e fazendo com que, saindo rápido de debaixo da moto, batesse a cabeça na mesma.

- Merda, Saga, você me assustou! – reclamou, se levantando e limpando as mãos sujas de graxa na bermuda surrada que vestia. Olhando a expressão perdida do rosto do outro – Ei, o que você tem?

Kanon perguntou, terminando de tragar o cigarro que tinha na boca e jogando no chão, depois puxou o lenço que cobria os cabelos de possíveis respingos de óleo de motor.

- Saga, acorda! – segurou os ombros do irmão que só então pareceu reconhecê-lo. O mais velho se agarrou ao mais jovem, escondendo o rosto em seu ombro, soluçando sem nada dizer. Kanon já estava começando a ficar nervoso.

- Saga, o que aconteceu? Fala pra mim, mano...

- Kanon... eu... – Saga tentava controlar a sensação de revolta, decepção e desespero que se apossava dele.

- Vem cá... – Kanon puxou o irmão para que se sentasse numa cadeira – Me diz o que aconteceu?

- Ele... eu vi algo horrível, inimaginável...nojento! – Saga deixou escapar uma expressão de nojo absoluto – Uma coisa que não deveria acontecer...

- Me conta... – pediu Kanon.

- O cardeal Eugenio Manfatri está na cidade, e...Deus!

Kanon empalideceu.

- Você o viu?

Os olhos verdes de Saga se prenderam ao do irmão.

- Você sabe? Sabe o que vi?

- Ele estava com alguma garota? – Kanon perguntou encarando o irmão, sério.

- Como você sabe?

- Ah, isso na igreja é algo que está se tornando comum, infelizmente. – Kanon pegou uma garrafa de cerveja que estava sobre a mesa e a virou na boca; Saga percebeu que o irmão estava nervoso.

- O que devo fazer, Kanon? Eu... eu devo denunciá-lo...mas isso...

- Denunciar? Pra quem? Por Zeus, Saga! Nem todos são santos como você.

Saga se afastou do irmão.

- Não sou santo, mas não posso deixar que isso continue a acontecer! Eu... eu não seria honesto se permitisse; tenho que denunciá-lo ao vaticano! Aquele homem deveria ser um exemplo, um exemplo para todos nós!

- Saga, você tem que se acalmar, vem, bebe uma cerveja comigo. – pediu Kanon que não era muito bom em consolar ninguém.

- Não é de bebida que preciso, Kanon; preciso fazer alguma coisa! – declarou nervoso, e sairia da garagem, mas o mais jovem segurou-lhe o braço.

- Você não vai a lugar nenhum antes de se livrar dessas roupas molhadas!

O gêmeo mais velho se resignou e começou a tirar a camisa.

- Além do mais, - continuou o mais jovem – Você não pode fazer nada, você não tem provas, e coisas piores tem acontecido na igreja, como pedofilia, aborto de freiras; o namorico do cardeal com a tal mocinha é fichinha perto disso!

Saga, abatido, sentou-se na mesa e baixou a cabeça, desolado.

- Aquele homem era o meu ídolo, Kanon, ele era tudo que um dia, eu quis ser... A menina, ela não devia ter mais que dezoito anos!

- Então já não era tão menina, mas isso não é sua culpa.

- Eu... eu não sei se quero mais ir para o Vaticano, eu...

Kanon segurou o queixo do irmão e o ergueu.

- Esse é seu sonho, não é? Não deixe que ele leve isso de você... Ele não merece, Saga, eles não merecem!

O mais velho mirou os olhos melancólicos do irmão; Kanon não parecia falar dele e sim de si mesmo, mas o estudante de teologia resolveu ignorar isso.

- Mas...Kanon... eu quis ser padre ao assistir as missas de Manfatri, ele demonstrava tanta fé, tanta retidão... Tudo uma mentira!

A revolta do mais velho era evidente, e Kanon não queria vê-lo assim, não podia.

- Saga, você vai desistir do que quer por causa de um filho da puta de um velho tarado? Não aja como essas pessoas preconceituosas que pensam que todos os padres são assim; não podemos condenar um milhão por causa de cem deles! Ora, Saga!

Os olhos verdes do futuro padre se prenderam aos do irmão.

- Kanon...

- Deixe de bobagens, você desistir do sacerdócio não evitará que coisas desse tipo aconteçam; mesmo porque, se o denunciarmos, o máximo que conseguiremos é deixá-lo envergonhado; nada acontece a esses tarados da igreja!

- Pensei que não quisesse que me tornasse padre... – o gêmeo mais velho comentou.

- E não quero mesmo, mas... quero vê-lo feliz.

- Kanon...

- Ah, eu... eu vou embora amanhã... – o mais jovem disse, se afastando sem jeito – Sei que é meio de repente, mas...

Foi interrompido pela mão de Saga o puxando para que o encarasse.

- Por quê?

- Como por que, Saga? Eu disse o tempo todo que iria embora logo... – desconversou tentando se libertar da mão que segurava possessivamente seu braço.

- Kanon, não vá embora, não vê que preciso de você?

O mais jovem engoliu em seco ao enxergar lágrimas nos olhos do irmão; seu coração se apertou, e ele o abraçou com força, afagando-lhe os cabelos molhados.

- Estarei sempre com você, Saga, mas agora...

- Eu não conseguirei sem você, Kanon, por Deus, não me deixe nesse momento tão difícil pra mim...

- Tá bom, eu não vou, não vou... – o mais jovem segurou o rosto do mais velho entre as mãos – Eu amo você, Saga...

Saga piscou, ruborizou, e seu coração disparou, embora, ele não conseguisse entender de que tipo de amor o irmão falava, entendia muito bem o tipo de amor que tinha no coração.

- Kanon...

- Não o deixarei sozinho. – interrompeu o mais jovem – Olha, se você quiser, eu dou uma boa lição nesse cardeal safado...

- Não, Kanon, eu... eu preciso pensar... – suspirou Saga, passando as mãos nos cabelos molhados – Vem comigo, eu preciso beber alguma coisa...

- Tudo bem, a geladeira está cheia de cerveja e sua mãe saiu, podemos ficar a tarde inteira sozinhos, já que essa chuva de merda não nos deixa ir a lugar nenhum!

- Sim, vamos, eu... eu preciso me trocar. – Saga deixou a garagem, e Kanon fez o mesmo logo em seguida. O mais novo aproveitou e tomou um banho, se livrando do cheiro de graxa que o impregnava. Vestiu-se numa calça de moletom e desceu as escadas de volta a sala, onde encontrou o irmão sentado no sofá, sorvendo uma cerveja; Saga vestia um short curto e uma regata, e sua expressão era introspectiva.

- Mano... – Kanon tocou-lhe o ombro, e os olhos do mais velho se ergueram para ele – Você está bem?

- Estou. Desculpe-me por... por tudo isso, acho que deve me considerar um idiota... – os dedos longos do mais novo cobriram os lábios do mais velho, e ele aproveitou para acarinhá-los. Sorriu.

- Não repita mais isso, eu não acho você idiota...

- Não? – Saga virou o rosto, fugindo do contato e pegando a cerveja novamente, bebendo com pressa.

- Claro que não. – Kanon se afastou também, incomodado com a excitação que dominava seu corpo, tendo o outro tão perto de si. Também virou a cerveja na boca.

- Então, o que você acha de mim?

- Acho você a melhor pessoa que já conheci... – o futuro arqueólogo se deitou no sofá e apoiou os pés no colo do irmão – Só que pensa muitas bobagens...

- Que tipo de bobagem?

- Essas bobagens morais que seus pais lhe ensinaram.

- Nossos pais, Kanon.

- Que seja, eles lhe ensinaram tudo, menos o direito de escolha, acho que no fundo, você não deseja ser padre, porra nenhuma...

- Não o entendo, há pouco me disse para não desistir do meu sonho e agora...

- Por que você quer ser padre, Saga?

- Que pergunta! – incomodou-se o mais velho – Quero ser padre por que tenho fé e gosto de ajudar as pessoas, e... e sempre admirei os sacerdotes, pessoas que se libertavam de todos os apegos materiais para viver uma vida de simplicidade e renúncia...

- Saga, você tem vinte anos, é isso mesmo que quer? Simplicidade e renúncia?

O mais velho virou novamente a cerveja na boca, nervoso e sem coragem de responder; mesmo porque, olhar o corpo perfeito do irmão, estirado no sofá, seminu, já estava tirando uma boa parte da sua capacidade de raciocínio.

- Eu não sei. Nunca tive dúvidas até hoje. – respondeu, e viu, apreensivo, Kanon se erguer e se aproximar dele, até seus corpos ficarem quase colados. Saga, que até então mantinha a cabeça baixa, ergueu o queixo lentamente, sentindo o hálito do irmão muito perto do seu rosto.

- Saga, talvez hoje seja o dia de se livrar de todas as suas dúvidas de uma vez por todas...

- Kanon... – murmurou, ruborizando – Não me tente assim...

- Se está tentado é porque quer... – sussurrou o mais novo, talvez, ambos já tivessem bebido demais, talvez a embriaguez fosse de puro e primitivo desejo.

Os lábios do mais novo roçaram os do mais velho, Saga fechou os olhos, meio trêmulo, sentindo o calor que emanava do outro.

- Kanon... você é meu irmão...

- Sim... – Kanon murmurou de volta, beijando de leve os lábios de Saga – Irmão, amigo... amante, o que você quiser...

As bocas em fim se encontraram de fato, as línguas tragaram-se com intensa loucura, num passeio sensual que ensandecia mente e corpo. Saga puxou Kanon pelos cabelos para aprofundar mais o beijo, querendo devorar a boca lasciva do irmão num arrobo violento e febril. Kanon invadiu a regata que o mais velho vestia com carícias sôfregas, marcando a pele clara de Saga com seus dedos urgentes, pensando em como adoraria livrá-lo de uma vez daquela peça incomoda de roupa. A paixão apagou completamente qualquer vestígio de ideias racionais; só havia o cheiro, o gosto e a excitação que queimava o corpo.

- Saga, estou de volta...

A voz de Adamantina ecoou pelas paredes da casa; ainda assim, os gêmeos não pareciam querer se afastar; as mãos de Saga continuavam nos cabelos de Kanon; as mãos de Kanon continuavam dentro da camisa de Saga, e os lábios se afastaram lentamente, lutando contra o ardor lascivo que os dominava.

Ofegantes, os dois rapazes se separaram em fim; O cérebro ainda incapaz de processar que a qualquer momento, a mãe de ambos podia invadir a sala e flagrá-los numa posição bastante suspeita. Tiveram sorte por Adamantina sempre entrar pela porta da cozinha.

Kanon ajeitou os cabelos, lambendo os lábios ainda inchados pelo beijo voraz que trocou com o irmão, a mente e o corpo ainda desnorteado e febril de paixão.

- Saga... – o mais novo chamou, e o mais velho pareceu despertar de um transe; finalmente se afastou ajeitando os cabelos, o rosto corado de excitação e vergonha.

- Saga, Kanon, vocês estão aí? – a mulher continuou – Venham jantar!

- E... estamos indo, mãe! - o mais velho respondeu e iria se levantar, se o mais novo não segurasse seu braço e desse um sugestivo olhar para o short do irmão. Saga seguiu o olhar de Kanon e percebeu, envergonhado, que uma túrgida e evidente ereção marcava o short fino que vestia. Voltou a se sentar no sofá, constrangido, tratando de pegar uma almofada e cobrir o sexo, antes que sua mãe aparecesse e descobrisse o motivo da sua demora.

- Vocês não estão me ouvindo? – a mulher em fim chegou à sala e parou, vendo os filhos sentados, um ao lado do outro, ambos com almofadas no colo, assistindo TV.

- Desliguem essa porcaria! Só mesmo essa caixinha de satanás para fazê-los se esquecerem até de comer! – ralhou a progenitora desligando a televisão – Vamos, por Cristo, quero os dois à mesa em 10 minutos!

Adamantina saiu em direção a cozinha. Kanon deixou escapar um risinho divertido que morreu quando ele mirou o irmão; Saga estava com a cabeça baixa; visivelmente angustiado e arrependido.

- Saga...

- Não diz nada, Kanon... – interrompeu o futuro padre – Isso... isso não deveria ter acontecido!

O gêmeo mais velho se ergueu e subiu as escadas em direção ao quarto. Kanon passou as mãos nos cabelos e respirou fundo. Quanto mais se convencia do erro, muito mais atraente ele se tornava. Era fato, estava apaixonado por Saga, mas aquilo era errado, não por si mesmo, mas pelo irmão; Saga não suportaria aquela verdade. Mais que nunca, precisava partir.

Continua...

Notas finais: A coisa esquentou de vez entre esses dois, hehehe, acho que no próximo capítulo esquentará mais ainda.

Beijos a todos que estão acompanhando em especial os lindinhos que deixam uma review que tanto incentiva a autora.

São eles:

Maya Amamiya, Mamba_Negra, Vagabond, milaangelica, saorikido, Keronekoi, Gemini Yaoi.

Beijos a todos!

Sion Neblina