Chama inquietante
Capítulo 5
Saga se recusou a jantar aquela noite, alegando que estava com dor de cabeça. Adamantina achou melhor não insistir, mesmo porque, percebia que algo havia acontecido entre os gêmeos, embora não fizesse ideia do que fosse. Jantou sozinha, porque Kanon dissera que precisava que sair. A matriarca da família Vaskália indagava sobre o comportamento dos gêmeos e se tinha mesmo sido uma decisão acertada a tomada há onze anos. Kanon não compreendia, mas fizera aquilo muito mais por ele que por Saga.
Ouviu batidas na porta e se libertou dos seus pensamentos indo abri-la.
- Padre Nestor, o que faz aqui a essa hora? – perguntou surpresa e confusa.
- Olá, Adamantina, posso entrar?
- Sim, claro. – a mulher deu passagem ao sacerdote que esperou que ela fechasse a porta e o convidasse a se sentar. Feito, e o padre começou o diálogo incômodo que achou que não mais teria com um membro daquela família.
- Hoje, Saga esteve na igreja, e acho que ele sabe o que aconteceu.
A mulher empalideceu e passou as mãos nos cabelos negros.
- Como ele pode desconfiar? A não ser se Kanon...
- Não creio que Kanon tenha dito nada, mas... – o padre fez uma pausa e seus olhos cinzentos encararam os verdes da mulher – Não seria hora de acabar com esse segredo?
- Jamais! – disse Adamantina se erguendo – O que quer que eu faça? Que macule a memória do meu marido? Que manche a reputação da minha família?
- Sabes que o que seu marido fez foi errado e somente o segredo de confissão me obrigou a ficar calado, mesmo não concordando...
- Não fale isso, meu marido é inocente, o que fez... – Adamantina se calou – Ele amava o Kanon, amava muito mais do que ao Saga. O Saga sempre foi meu, o Kanon dele! Ele... ele fez aquilo por amor...
O padre se ergueu também.
- O que está fazendo? Justificando os atos dele?
- Não justifico nada. A única coisa que sei é que o Kanon foi o culpado pela desgraça da nossa família! Se ele não fosse tão intempestivo, tão desobediente, nada daquilo aconteceria!
- Por Deus, Adamantina, ele era uma criança inocente! – irritou-se o padre – Ele jamais poderia saber...
- Só que essa criança inocente odiou o pai pelo resto da vida, nem mesmo no enterro dele ele veio! Pode pensar na dor que o Tales sentiu? O Kanon o desprezou, e ele entrou em depressão, nunca mais foi o mesmo homem depois disso!
O padre suspirou e caminhou para a porta.
- Acho que deveria falar a verdade para eles, antes que descubram sozinhos. – declarou o sacerdote – Mentiras nunca ajudaram ninguém.
Ele saiu, deixando uma aflita e pensativa adamantina parada no meio da sala. Caso eles descobrissem a verdade, todos os sacrifícios que fizera a vida inteira teria sido em vão. Esperava que os dias passassem logo, assim; Kanon seguiria para a Ásia, Saga para o Vaticano, e aquela história ficaria como estava, enterrada junto aos seus algozes.
-OOO-
Kanon virou a caneca de cerveja nos lábios. Seus olhos sempre tão vivos e maliciosos estavam perdidos, mirando algo invisível na estante cheia de garrafas de bebidas. Não tivera coragem de falar com Saga depois do beijo. O que se tornara, um covarde?
Passou as mãos nos cabelos que estavam presos num rabo-de-cavalo, voltando a beber sem vontade, quando sentiu uma mão em seu ombro.
- Saga?
Seus olhos subiram pela mão pálida, até alcançarem o rosto frio e harmonioso de Camus.
- Tudo bem com você? – insistiu o francês sem se dar conta de que falava com o outro gêmeo.
- Tudo bem. – respondeu Kanon sem vontade de desfazer o mal entendido, na verdade não tinha vontade de nada.
- Bebendo sozinho a essa hora? – estranhou o ruivo – Aconteceu alguma coisa?
- Sim, aconteceu. – respondeu de mau humor, não gostava nem um pouco de Camus – Onde está seu namorado?
- Estávamos juntos há pouco, mas a mãe dele ligou, acho que foi algo urgente e ele teve que ir, então estou indo pra casa.
Kanon deixou escapar um sorriso melancólico antes de beber novamente.
- E os outros dois mosqueteiros?
- Quê? – Camus ergueu uma sobrancelha, estranhando a expressão usada pelo amigo.
- Vocês parecem um clã, onde está um está o outro, por isso fiz a comparação com os mosqueteiros, além do mais, você é francês! – riu o gêmeo mais novo, voltando a beber.
- Você não é o Saga. – constatou Camus, adquirindo uma expressão ainda mais fria – Deveria parar de querer se divertir à custa das pessoas!
O ruivo se afastaria, mas o grego segurou-lhe o braço.
- Desculpe, não foi por mal. – pediu Kanon – Eu... eu estou péssimo, não leve a sério o que falei.
- Tudo bem. – Camus resignou-se e depois voltou a encarar o homem a sua frente. Não podia fingir, não gostava do irmão do amigo, embora houvessem se encontrado algumas míseras vezes. Todavia, ele era irmão de Saga, seu melhor amigo, não podia deixá-lo sozinho naquele bar.
- Kanon, você não acha que já bebeu demais? – perguntou sondando, não querendo dar uma de intrometido – Digo, se quiser, eu posso levá-lo pra casa...
- O que é isso! – o grego riu – Por Zeus! Você é igualzinho o Saga, sempre bancando o pai das pessoas!
- Não é nada disso... – Camus se interrompeu ao notar que os olhos do moreno mais uma vez se perderam, como se uma antiga recordação ocupasse sua mente. Seguido isso, as orbes verdes marejaram e de seus lábios saiu uma palavra murmurada, mas que foi muito bem entendida por Camus...
Pai...
O ruivo engoliu em seco. Saga falara certa vez da infância, dissera,numa conversa descontraída, que sempre fora mais apegado a mãe, mas que seu irmão, que na época ele, Camus, não conhecia, era muito apegado ao pai. Então, o francês achou que a bebida estava deixando o jovem grego emotivo, e apenas isso.
- Kanon, melhor parar de beber. – pediu mais uma vez.
- Estou bem. – o gêmeo mais novo mirou o ruivo nos olhos e sorriu. Camus sentiu uma comoção estranha no peito; enxergava tanta melancolia e... vergonha? Que aquilo o incomodou.
- Sério, francês, não precisa se preocupar comigo, eu sei me virar sozinho.
- Se acha isso... – Camus deu de ombro e se afastou.
Kanon virou outra caneca de cerveja nos lábios, e pediu mais uma. Realmente, precisava ir pra casa, já estava ficando bêbado.
- Me paga uma bebida?
Virou-se ao ouvir a voz suave. Piscou meio aturdido. Ao seu lado, sentou-se um rapaz loiro de traços andróginos que vestia calça e jaqueta de couro.
- Vi quando você chegou numa Halley Davidson, eu também tenho uma. – sorriu, enquanto acendia um cigarro para depois estender a mão – Sou o Afrodite...
- Afrodite?
- Não caçoe do meu nome... – riu o loiro com charme – Sou sueco, minha mãe conheceu meu pai aqui na Grécia e fez essa homenagem a deusa do amor.
- Não estou caçoando, achei adorável... – Kanon sorriu – Assim como você...
O tal Afrodite sorriu e pediu um drinque adocicado que Kanon achou gay demais, mas não comentou, pois suas intenções com o jovem desconhecido lhe diziam que deveria ser cortês.
O loiro soltou à fumaça no ar e ajeitou os cabelos, ao contrário do que Kanon pensou, de forma máscula; tirando a jaqueta pesada e exibindo um corpo muito bem trabalhado embora delgado.
- E então? – perguntou sorrindo. Kanon não conseguia desviar a atenção dos lábios carnudos, pequenos e rosados do rapaz, embora sua mente pensasse em outros lábios, lábios que beijara antes.
"Ah, o que está acontecendo comigo? Por que não consigo me livrar de você, Saga?" Perguntou-se enquanto continuava com os olhos fixos nos lábios do sueco.
- Então o quê?
- Vai me pagar uma bebida e me convidar para um lugar mais agradável ou ficará só me olhando?
Kanon sorriu sem jeito e voltou a beber a cerveja que esquentava na caneca.
-OOO-
Saga não estava dormindo, apesar de estar deitado e enrolado até a cabeça. Alias... A cabeça! Sua cabeça doía e seus olhos também pela insônia. Não conseguia dormir e nem tinha forças para se manter acordado, estava me estado de torpor, nem dormindo e nem acordado, uma situação paradoxal e estranha em sua opinião, já que seu corpo não sentia mais as sensações desoladoras que experimentara nos braços de Kanon e nem a revolta e medo que vivenciara depois da explosão lasciva no sofá da sala.
Ergue uma das mãos e a olhou, como se somente isso lhe desse a certeza de que era capaz de comandar os próprios movimentos. Então, obrigou-se a se levantar e descer as escadas, à procura de algo que lhe aliviasse a dor de cabeça.
Andou, a passos arrastados, até a cozinha, abrindo o armário e tirando a caixa de remédios. Enfiou dois comprimidos de vez na boca e abriu a geladeira, enchendo um copo d'água, para completar o ato. Foi quando escutou o barulho da moto do irmão chegando, e tratou de correr para o quarto, se enfiando embaixo dos lençóis e fingindo que estava dormindo. Não! Não suportaria um confronto com Kanon naquele momento; seu rosto corava apenas ao se lembrar da língua ousada percorrendo sua boca, mas para seu desespero não era apenas suas faces que esquentavam, todo o seu corpo pulsava e parecia pedir por mais...
Virou-se de bruços, escondendo o rosto no travesseiro, ao passo que o barulho das botas de Kanon se fazia cada vez mais próximo. Quando a porta se abriu, Saga fechou os olhos com força e começou uma oração desesperada.
-OOO-
O cômodo está escuro, ele ergue a cabeça e a única coisa que vê é o vulto masculino indo em direção ao banheiro. Volta a cair sobre o travesseiro e fecha os olhos, sentindo um aroma adocicado, uma mistura de rosas e bebida que fica no ar quando o irmão passa por ele.
Minutos depois, Kanon sai do banheiro enrolado numa toalha, mesmo sem olhá-lo, Saga capta cada vibração do corpo do mais jovem, enquanto ele troca a indumentária de banho por um short curto. Em fim, ele deita-se na cama, mas ao contrário do normal, seu corpo forte estende-se por cima do irmão. Saga arrepia-se e tenta se mover sob o peso dele...
- Kanon... – murmura – Kanon, o que está fazendo?
A resposta é um beijo nas costas que faz o futuro padre se arrepiar, logo depois, o gêmeo mais novo pousa o queixo no ombro largo do mais velho, deixando escapar um suspiro angustiado.
- Me perdoa, Saga...
Saga engole em seco.
- Eu... não precisa pedir perdão... Eu... – gagueja – O que aconteceu foi... foi algo errado, mas apenas um momento...
Kanon deixa escapar um risinho irônico.
- Não estou me desculpando por isso... – sussurra dando suaves beijos nos ombros do mais velho que se arrepia, deixando escapar um suspiro de prazer.
- Não?
- Estou me desculpando por ser um filho da puta que não consegue resistir à tentação... a tentação que é você...
Saga corou mais e fechou os olhos. Kanon rolou para o lado e puxou o irmão para seus braços.
- Eu quero você, Saga, não adianta mais mentir, e você também me quer...
- Não... – um último queixume, mas o mais velho já se encontrava totalmente vencido, entregue a mão carinhosa que lhe segurava o queixo e o puxava cada vez mais contra seu corpo.
- Diga que me quer, Saga... – murmurou Kanon, roçando os lábios nos do irmão, sentindo-os se abrirem lentamente, convidativos, dóceis, entregues...
- É errado... – insistiu o futuro padre – Somos homens... somos irmãos...
- Então por que o desejo acontece, se é errado? – Kanon lambeu os lábios do irmão, de forma sensual, mas sem penetrá-lo com sua língua, uma carícia singela que fez o corpo de ambos arder.
- Kanon... você está bêbado...
- Humhum... – negou o mais novo, descendo a mão pelo peito do mais velho, sentindo-o se arrepiar e os mamilos endurecerem enquanto Saga deixava escapar um gemido.
- Não, Kanon, pare... Isso... isso é errado...
- Mas você quer, não é? – sussurrou o mais novo – Por favor, Saga, não me rejeite...
Saga fechou os olhos e se agarrou aos cabelos do irmão; Kanon sorriu, finalmente tomando-lhe a boca num beijo profundo, enquanto as mãos desciam para acariciar o sexo quente que já pulsava. Saga deixou escapar uma exclamação surpresa com o toque ousado do irmão, e tentou se afastar...
- Não, Kanon, não... – pediu ofegante – Por favor...
Os olhos do mais novo encararam o rosto rubro de ardor do mais velho, e seus olhos que tinham uma mistura de súplica, desejo e medo.
- Eu é que imploro, Saga. Deixe-me dar o prazer que seu corpo merece... – sussurrou começando um leve movimento de vai e vem que fez o futuro padre gemer e fechar os olhos, deliciado por aquela sensação.
Saga mordia os lábios para não gemer mais alto sob a mão habilidosa de Kanon, que alternava movimentos suaves e outros mais intensos, até chegar a um ritmo constante e forte. O mais velho tentava conter os gemidos, enquanto se contorcia de prazer.
- Kanon... – gemeu, sentindo o corpo vibrar; o mais novo continuava o masturbando, enquanto beijava e lambia seu pescoço.
- Quero vê-lo se derreter, Saga... – sussurrava-lhe ao ouvindo. O mais velho jogou a cabeça para o lado, sentindo a onda de prazer que o invadia progressivamente, tirando qualquer raciocínio, qualquer razão. Seu corpo foi arrebatado pelo êxtase ao passo que seu sêmen se expelia sob a mão do irmão.
Depois dos gemidos, o silêncio. Apenas a respiração descompassada de Saga era ouvida no quarto eclipsado.
Kanon tocou os cabelos do irmão com carinho, mirando o rosto corado dele que permanecia com os olhos fechados.
- Saga...
- Hum?
- Você está bem?
- Sim. – murmurou – Com sono.
Kanon sorriu aliviado com a resposta. Ergueu-se e foi ao banheiro onde lavou as mãos, voltando em seguida a se deitar na cama, aconchegando o mais velho em seus braços. Saga relaxou e escondeu o rosto no peito de Kanon, que sorriu, sentindo o coração disparar.
- Saga...
- Já ouviu falar do êxtase de Santa Tereza, Kanon? – perguntou o futuro padre.
- Não, por quê?
- Agora entendo que o que ela viveu com o anjo não teve nada de santo...
O mais jovem beijou os cabelos do irmão.
- Durma...
- Sim. – Saga se aconchegou nos braços do seu gêmeo, os pensamentos se tornando claro para algumas questões e ainda mais turvos para outras. De um lado, compreendia seu amor pelo irmão, finalmente. Sabia que não o amava apenas de forma fraternal, o amava como homem e o queria perto de si, e isso independia de achar errado ou não. Por outro, sabia que suas convicções religiosas os manteriam eternamente separados; mas... Por que não? Tinham apenas mais alguns dias juntos, antes da vida de ambos seguir seus cursos já determinados, por que não viver o aquele sentimento, mesmo que transitório e momentâneo, intensamente? Por que não ter uma lembrança para aquecê-lo no inverno? A lembrança daquele quente verão; a lembrança dos sentimentos mais intensos que já vivenciara em sua curta vida; a lembrança de Kanon, seu irmão, seu amado?
- Kanon...
- Hum? – foi a vez de o futuro arqueólogo resmungar sonolento.
- Eu... eu...
- Eu sei Saga, e acho melhor você dormir, está tudo bem...
O gêmeo mais velho calou-se. Houvesse o que houvesse, conversariam no dia seguinte. Naquele momento, queria apenas dormir sentindo o calor e o cheiro daquele homem.
-OOO-
Quando Kanon acordou, Saga já não estava na cama. O gêmeo mais novo se ergueu e desceu as escadas a procura do irmão. Encontrou-o na cozinha, ao que parecia, fritando alguns ovos.
- Bom dia, Saga. – disse Kanon se aproximando.
Saga se virou e sorriu, logo depois se voltando para o fogão.
- A mamãe saiu, teve que ir a Atenas, resolver algum problema no banco. Acho que passaremos o dia sozinhos.
Kanon o enlaçou pela cintura, o que fez o mais velho estremecer.
- Isso é bom, não é? – indagou o mais novo – Podemos aproveitar a casa, fazer uma festa... – Kanon beijou o pescoço do irmão – Chamar seus amigos...
Saga corou e se voltou para o irmão, se desvencilhando dos seus braços.
- Kanon, acho que temos que conversar algumas coisas. – disse sério. Kanon ergueu uma sobrancelha e, imitando o irmão, puxou uma cadeira e se sentou a sua frente.
- O que você quer falar, Saga? Não virá com aquela mesma história de que somos irmãos e homens, não é?
- Não. – o rosto do futuro padre nunca teve uma expressão tão séria – Eu sei o que sinto por você, e sei que não é algo comum a irmãos, e...
- E?
- Embora seja errado, embora vá contra tudo que eu acredite, eu... – interrompeu-se para respirar fundo – Eu quero viver isso, Kanon, mesmo que por pouco tempo...
- O que quer dizer?
- Estaremos definitivamente separados na próxima semana. Terei minha vida inteira para me arrepender dos meus atos, você também, então...
- Por Zeus, Saga! Você fala como... como se fosse algo hediondo o que sentimos!
- Kanon...
- Sabe de uma, maninho! Pra mim basta! – esbravejou o mais novo cheio de revolta – Não vou ficar aqui me lamentando por sentir o que sinto! Ao contrário de você, eu não sou um católico de merda e respeito meus sentimentos antes de qualquer religião!Eu me respeito antes de respeitar qualquer deus!
- Isso foi o que você aprendeu, Kanon, eu sou diferente de você!- Defendeu-se Saga.
- Sim, isso foi o que aprendi por ter vivido com um tio filho da puta, ao invés de viver com pais carinhosos, como aconteceu a você! Isso foi o que aprendi por defender você daquele tarado de merda!
Kanon empalideceu quando percebeu que havia falado demais. Saga arregalou os olhos, estupefato e confuso.
- Do que está falando, Kanon? – ergueu-se da cadeira.
- Não estou falando de nada, Saga, me deixa! – o gêmeo mais novo fugiu para a sala, contudo, o mais velho o seguiu o puxando pelo braço.
- Você vai me explicar o que disse! Que história é essa?
- Me solta, porra! – grunhiu Kanon se desvencilhando dos braços de Saga que insistiu em segurá-lo, levando um safanão, mas não desistindo. – Para, Saga! Ou eu lhe dou um soco na cara! – ameaçou.
- Você não vai fugir de mim, Kanon!
- Você é o fugitivo aqui, fugitivo dos próprios sentimentos! – Kanon empurrou o irmão no sofá, Saga caiu sentado mais o levou junto. Acabaram os dois no sofá.
Seus olhos se encontraram, mas logo o futuro arqueólogo baixou o olhar.
- Saga, eu não quero falar do passado. O que me importa é o presente, é o que sinto por você...
O mais velho afagou a pele macia do rosto do mais jovem e o beijou; Kanon, surpreendido, arregalou os olhos, mas logo se entregou ao beijo também, deitando-se sobre o mais velho e o envolvendo nos braços.
- Então vamos viver, Kanon, só por enquanto, vamos viver o que queremos...
- Não...
O sussurro do mais novo fez com que Saga interrompesse a carícia e o mirasse nos olhos.
- Não?
- Não, Saga. – Kanon suspirou – Você tem razão, isso é errado, é errado com você. Não creio que seja capaz de suportar a verdade...
O futuro arqueólogo se afastou. Saga piscou confuso, não entendendo a reação estranha do irmão.
- O que quer dizer?
- O que há entre nós dois não é algo que vá passar. – declarou Kanon – Então é melhor pararmos por aqui antes que meus sentimentos e os seus se intensifiquem ao ponto de provocar muita dor. Você não desistirá do que é por mim...
O gêmeo mais velho não soube o que dizer, baixou o olhar. Kanon, com uma única frase, derrubou toda a convicção que achava que tinha até então.
- Você tem razão. – sussurrou – Isso pode nos machucar demais...
- Vou embora no final da semana, Saga. – declarou o mais novo – Vamos tentar conviver da melhor forma até lá. Depois, você será um padre e eu estarei bem longe de você...
Aquela afirmação fez Saga estremecer. Não mais imaginava a vida sem a presença quente e barulhenta do irmão; aquilo lhe levou uma dor profunda ao peito e lágrimas aos olhos.
- Eu... eu não quero ficar longe de você, Kanon...
- É inevitável. – sussurrou Kanon com tristeza – Você será padre, eu irei para a Ásia, e o máximo que lembraremos desses dias é...é que sentimos uma chama inquietante, mas que nos queimaria demais se chegássemos mais perto um do outro...
Saga mirou os olhos do irmão e viu lágrimas nele. Kanon saiu rápido da sala, voltando a subir as escadas, numa tentativa de esconder os seus próprios sentimentos. Seus pensamentos eram rápidos e angustiados; precisava deixar o egoísmo de lado e pensar que aquilo nada repercutiria em sua vida, mas poderia destruir as convicções de Saga e, mesmo que o irmão o quisesse, não faria aquilo com ele.
Saga, por sua vez, se perguntava o que estava acontecendo consigo, e também, queria e muito descobrir o que o irmão quis dizer com a frase misteriosa...
"Sim, isso foi o que aprendi por ter vivido com um tio filho da puta, ao invés de viver com pais carinhosos, como aconteceu a você! Isso foi o que aprendi por defender você daquele tarado de merda!"
Continua...
N/A: Gente, juro que teremos no máximo mais três capítulos e talvez um epílogo. Disse que essa seria menor do que as que, geralmente, escrevo.
Obrigada de coração aos carinhosos reviews deixados!
Mamba_Negra, Kayura_Yanagi, Maya Amamiya, milaangelica, Keronekoi, Vagabond, Gemini Yaoi
Amo vocês!
Sion Neblina
