Meu irmão, meu amado
Capítulo final
- Saga... Saga...
Quando o padre abriu os olhos, já não estava na sala e sim no quarto, deitado na cama e sem o terno e a gravata. Sua camisa estava parcialmente aberta. Encarou o irmão que o olhava de forma carinhosa.
- Você desmaiou. Sente-se bem? – indagou o arqueólogo preocupado.
- Sim. Acho que sim. – respondeu o padre.
– Que bom! Porque você continua pesado pra caramba! Foi fogo trazê-lo aqui pra cima! – brincou Kanon.
O gêmeo mais velho tentou se erguer, mas a mão do mais novo em seu peito o fez continuar onde estava.
- Acho que as últimas horas foram demais pra você. – falou Kanon – Descanse um pouco, ainda teremos que resolver algumas coisas antes de ir embora amanhã.
- Kanon, eu não quero ficar nessa casa. – disse Saga encarando os olhos do irmão.
O arqueólogo baixou o olhar com um sorriso triste.
- Eu adoro essa casa. Aqui é um lugar sagrado pra mim, independente do fim, o começo e o meio foi muito bom.
O padre suspirou e afundou no travesseiro.
- Vou providenciar algo pra gente comer. – disse Kanon se erguendo e caminhando para a porta – Toma um banho, suas roupas ainda estão no armário. – sorriu – Acho que ainda cabem com perfeição.
Não esperou Saga retorquir, desceu as escadas e foi para a cozinha, onde se apoiou com as duas mãos na mesa e respirou profundamente deixando escapar um gemido de dor e frustração. Tentou ignorar as sensações se ocupando em fazer uma vitamina e fritar alguns ovos para ele e o irmão. Queria que Afrodite estivesse ali, ele era bom em organizar sua mente quando ele, Kanon, começava a se perder e era o que ele estava agora, perdido.
Pensou em ligar para o pisciano, era o que sempre fazia. Afrodite para ele era como aquelas terapias que se faz para tratamento de drogas, e sua droga se chamava Saga e estava tão ao seu alcance...
Procurou o celular no bolso, mas não o encontrou. Lembrou-se que o deixara na sala com a parte superior do terno.
"Calor de merda..." Praguejou enrolando as mangas da camisa branca que usava até acima do cotovelo e abrindo alguns botões, mas isso fez com que se lembrasse da cena que vivera há alguns minutos; Saga desmaiado, vulnerável, e ele abrindo sua camisa e o levando nos braços para o quarto. Tivera uma vontade absurdamente doentia de beijá-lo. Como aquele sentimento podia sobreviver depois de tanto tempo?
"Não pense que quando se encontrarem as coisas serão como antes, talvez vocês se tratem como dois estranhos..."
Lembrou-se o que Camus lhe dissera uma vez, mas a afirmação do francês se mostrou completamente errada. Tudo estava exatamente igual, tudo estava no mesmo lugar... Ou não? Talvez apenas seus sentimentos estivessem no mesmo lugar. Até aquele momento, Saga não demonstrara nem por um minuto que seu amor ultrapassava as barreiras do fraternal como acontecia ainda consigo.
Desligou o liquidificador e quase deixou o copo cair quando se deu conta da presença do irmão, parado encostado no batente da porta. Saga usava uma camiseta vinho e um short folgado preto. Seus cabelos escuros caíam úmidos por seus ombros. Kanon perdeu a voz; por um momento a imagem do irmão se distorceu e era como se ele visse o Saga do passado correndo até ele, rindo! Tão ingênuo! Tão limpo...
- Kanon, você ficou pálido. – Saga disse se aproximando e tirando o objeto das suas mãos e o colocando sobre a mesa – Tudo bem?
O arqueólogo engoliu em seco e estremeceu quando sentiu os dedos frios do irmão em seu rosto.
- Está tudo bem sim, Saga. – disse fugindo do contato e indo para o outro lado da mesa – Eu fiz isso pra gente.
Saga percebeu a fuga e ruborizou. Desde que se reencontraram haviam evitado qualquer contato físico até aquele momento, excluindo-se os momentos de crise em que fora apoiado pelo irmão.
Sentou-se de frente a Kanon meio constrangido. O mais novo encheu dois copos com a vitamina e entregou um ao padre que bebeu em silêncio. Fizeram uma rápida refeição e o mais jovem disse que descansaria um pouco, pois estava cansado. O sacerdote achou prudente, já que Kanon não descansara um só minuto desde Molise.
O arqueólogo então foi para o quarto e o padre resolveu explorar a casa. Sua casa. O templo sagrado do seu mais belo e pecaminoso passado.
Andou pela propriedade a esmo, os pensamentos presos no passado enquanto tentava achar algo que justificasse o presente. Fora justo? Fora certo? O que ele fez de sua vida?
Ausente o encanto antes cultivado
Percebo o mecanismo indiferente
Que teima em resgatar sem confiança
A essência do delito então sagrado
Parou de frente a antiga garagem e a pontada de dor em seu peito quase o fez cair de joelho. Seus olhos se umedeceram e ele tentou controlar a comoção que sentia.
Meu coração não quer deixar
Meu corpo descansar
E teu desejo inverso é velho amigo
Já que o tenho sempre ao meu lado
As lembranças eram vivas como chamas e dolorosas como agulhas.
Hoje então aceitas pelo nome
O que perfeito entregas, mas é tarde
Só daria certo aos dois que tentam
Se ainda embriagados pela fome
Exatos teu perdão e tua idade
O indulto a ti tomaste como bênção
Passou as mãos nos cabelos úmidos os realinhando sobre os ombros e tentando não chorar. Todas as imagens iam a sua mente. Infância, juventude, seus pais, seu irmão, seu amor...
"Deus, salve-me..." murmurou apoiando a cabeça na velha madeira do galpão e cerrando os olhos.
Sentiu um toque delicado em seu ombro e se virou abruptamente para encarar o rosto sério do irmão.
- Kanon... – disse nervoso enxugando o rosto – Você... você não tinha ido dormir?
- Não consegui. Fiquei pensando em você. – disse mirando muito sério o padre – Você está bem?
- Estou. Estou sim. – mentiu, pois não sabia o que dizer.
- Não minta pra mim, Saga. Nunca minta pra mim... – o gêmeo mais novo o puxou para seus braços e o monsenhor Saga Cástor finalmente se deixou chorar em abundância em seu ombro. Kanon não perguntou nada, não queria e nem precisava saber os motivos das lágrimas de Saga. Ele o conhecia e as compreendia como ninguém nunca seria capaz. O irmão tinha muitos motivos para chorar.
Ficaram abraçados por minutos na escuridão da noite até que Saga se acalmou, mais por exaustão que por vontade. O arqueólogo se afastou brevemente dele que foi incapaz de encará-lo e, tomando-lhe a mão, o levou para dentro da casa.
Kanon avisou que ficaria no antigo quarto dos pais e que Saga poderia dormir no quarto que fora deles. O sacerdote se encolheu na cama, abraçado ao travesseiro e fechou os olhos, mas não conseguiu dormir, parecia que jamais seria capaz de dormir em paz novamente.
Ergueu-se da cama e pegou o travesseiro. Seus passos eram mais instintivos e ele sentiu como o garotinho que um dia, naquele mesmo corredor, fez o mesmo trajeto que fazia agora.
Já me acostumei com a tua voz
Com teu rosto e teu olhar
Me partiram em dois
E procuro agora o que é minha metade
Quando não estás aqui
Sinto falta de mim mesmo
E sinto falta do meu corpo junto ao teu
Bateu levemente na porta se sentindo ridículo, um sentimento que as crianças não possuem.
- Kanon? – chamou e ouviu movimento na penumbra do quarto. O irmão abriu a porta e o mirou confuso.
- Saga...
- Posso... posso ficar aqui com você?
A pergunta mais uma vez lhe pareceu ridícula, mas o padre não conseguia evitar fazê-las. Não sabia se estava louco, mas era um homem de 35 anos que estava correndo para os braços do irmão porque estava apavorado com a possibilidade de dormir sozinho naquela casa, antro de maldições e pesadelos.
Meu coração é tão tosco e tão pobre
Não sabe ainda os caminhos do mundo
Kanon entreabriu os lábios por um tempo não sabendo o que dizer e nem o que pensar. Deu passagem para o irmão para dentro do quarto. Saga nada disse, já era embaraçoso demais fazer aquele pedido. Deitou-se na cama e fechou os olhos, ouvindo os trovões que começavam a explodir no céu e sentiu que Kanon se deitava ao seu lado e puxava o cobertor para envolvê-los.
Quando não estás aqui
Tenho medo de mim mesmo
E sinto falta do teu corpo junto ao meu
Sentiu os braços fortes de o irmão o envolverem e logo depois seus lábios beijarem seus cabelos de forma casta. Seu coração disparou tão forte que teve medo que ele saísse pela boca, por isso cerrou os dentes e os olhos, e permaneceu imóvel. Saga sabia que aquele era seu lugar, sempre fora. Kanon era nada mais que um pedaço seu, assim como ele, Saga, era um pedaço do irmão.
Vem depressa pra mim
Que eu não sei esperar
Já fizemos promessas demais
E já me acostumei com a tua voz
Quando estou contigo estou em paz
Sentiu o corpo e o abraço do mais novo relaxar e se voltou para ele. Kanon já dormia, mas havia lágrimas marcando seu rosto.
Quando não estás aqui
Meu espírito se perde, voa longe
Longe...
-Meu irmão, Meu pecado -
Saga acordou cedo e deixou o quarto do irmão. Aprontou-se para deixar Corinto. Estava tenso e envergonhado pelo comportamento infantil da noite e não queria se demorar naquela casa. Adamantina estava morta e o passado deveria ficar morto com ela.
Kanon apareceu algumas horas depois já vestido numa calça jeans e um pulôver azul claro. Seu rosto permanecia sério, embora ele tivesse sorrido para o irmão ao vê-lo.
Sentaram-se, tal qual o dia anterior, um de frente ao outro para saborear o café que Saga servira em grandes canecas de porcelanas.
- O que pretende fazer com essa casa? – Kanon perguntou mirando o conteúdo da sua caneca.
- Pensei que você poderia resolver isso. – disse Saga da mesma forma.
- Não pretendo vender a propriedade. – falou o gêmeo mais novo como se fizesse uma confissão. – Na verdade – Encarou o mais velho – Eu quero mantê-la como está.
- Pode fazer o que desejar, Kanon, eu não serei contra. – disse o padre – Eu pretendo voltar para Molise hoje ainda.
- Tudo bem, eu trouxe meu notebook, quer que compre sua passagem? – ofereceu-se o arqueólogo, também como forma de fugir do desespero que sentiu ao ouvir Saga falar em deixá-lo novamente.
- Seria ótimo. – disse o mais velho se levantando e colocando a caneca na pia.
O telefone de Kanon tocou antes que ele pudesse falar qualquer coisa. Ele atendeu e sorriu, Saga via sua expressão de canto de olho e sentia um crescente mal estar.
- Fala sueco cachorro! – disse o gêmeo mais novo se afastando com o celular – Você ma abandonou, não é? Seu puto...
A conversa "carinhosa" seguia sem que o arqueólogo se apercebesse do que causava no irmão. Saga continuava estático fugindo do ciúme crescente que o consumia.
- Não, não precisa vir, Dite, sério. Está tudo bem, nos vemos em NY daqui a duas semanas. Lembra-se que disse que iria me ensinar a esquiar? – riu gostosamente – Ah, se aquele italiano ciumento deixar, não é?
Saga saiu da cozinha, passando por Kanon e fugindo daquela dolorosa sensação. O irmão suspirou quando o viu subir as escadas.
- O que foi, Kanon? Deixe-me adivinhar, ele está aí não é?
A voz de Afrodite do outro lado da linha chamou sua atenção.
- Está... – confessou de forma triste.
- Pelo visto você não está bem. Eu vou pra aí sim!
- Não, loiro teimoso! Não crie um caso com teu amore por minha causa! – Kanon tentou demonstrar descontração – Nos veremos em Nova York, relaxa!
Afrodite se resignou.
- Tudo bem. Então até o natal.
- Até.
- Eu te amo, grego vagabundo!
- Eu também te amo sueco descarado!
Ambos riram e Kanon desligou, mirando a escada deixada vazia pelo irmão.
-Meu irmão, Meu pecado -
Kanon fez o que prometera. Comprou as passagens para si e Saga. Ele voltaria à Nova York para preparar o apartamento para o natal, e Saga estaria novamente em Campobasso. A vida seguiria como se um nunca houvesse reaparecido na vida do outro.
Antes de ir embora de Corinto, passaram uma tarde muito agradável num piquenique com a família de Angheláki (a família de Aiolia), Camus e Milo.
Passaram uma tarde inesquecível, recordando o passado e falando do presente. Saga soube que Camus era curador do Louvre e que Milo era arquiteto de uma grande empresa e que eles viviam muito bem, dividindo um apartamento em Paris. Aiolia era professor de matemática e Aioros formara-se em publicidade, mas não exercia a profissão, acabara como sócio do "namorido" como Milo dizia numa empresa de softwares. Saga ficou sabendo que todos passariam o natal em Nova York com Kanon e foi convidado também pelo irmão, mas claro que recusou.
Já passava das 17h00min horas quando Aiolia e Marin disseram que precisavam ir embora por causa das crianças, e Camus e Milo disseram que se ficassem mais, acabariam perdendo o voo para Paris.
Despediram-se muito afavelmente do padre, e Milo disse que esperava que ele mudasse de ideia e os reencontrassem no natal. O eclesiástico, mais por educação, disse que talvez aquilo fosse possível.
Os amigos partiram, e os gêmeos permaneceram sentados de fronte ao mar, aproveitando a brisa fria do início da noite naquele penhasco.
Saga inspirou profundamente e expirou sentindo uma paz que há muito não conhecia.
- Lembro-me da vez que você pulou desse penhasco e me deixou possesso. – riu com a recordação da travessura do mais novo.
Kanon acendeu um cigarro e apoiou as costas numa pedra, sorrindo de canto de boca.
- Eu também me lembro. Aliás, eu quase o enlouqueci naquele verão.
As palavras de Kanon não tinha qualquer malícia ou duplo sentido, ainda assim, Saga sentiu um gosto amargo nos lábios, e o irmão percebeu o leve curvar de sua boca.
- Nossos voos saem as 10h00min, melhor voltarmos e nos preparar. – disse apagando o cigarro recém acendido e se erguendo.
Saga se ergueu rápido e segurou o irmão pelo ombro.
- Espere, Kanon.
O gêmeo mais novo se voltou com um olhar curioso para a mão do irmão em seu ombro.
- Eu gostaria de lhe pedir uma coisa. – explicou Saga meio sem jeito – Algo que me pediu uma vez e eu não pude lhe dar.
Kanon ergueu uma sobrancelha e o padre sorriu...
O assovio do vento passava por eles, era como se um pequeno ciclone envolvesse seus corpos seminus e arrepiados de frio. Saga fechou os olhos; era como se aquele movimento pudesse libertá-lo de toda dor, mágoa e culpa que carregara durante 15 anos. Um último presente das águas frias do mar de Corinto.
Sentiu o aperto firme da mão do irmão na sua e o olhou nos olhos. Sorriu, era como se naquele momento eles tivessem voltado à infância e a cumplicidade e entendimento fossem totais.
Olharam novamente para frente e fecharam os olhos antes do salto. Quando o corpo de ambos tombaram na água, isso lhe deu a certeza de que todo o passado ficara pra trás definitivamente.
Deixaram a casa da família Vaskália em direção ao aeroporto onde pegariam vôos diferentes. Kanon iria para Nova York e Saga para Roma.
o tempo que passaram sentados um de frente ao outro pareceu uma eternidade. Ficaram em silêncio, incapazes de se despedirem até que foi anunciado que deveriam seguir para o portão de embarque de suas respectivas companhias aéreas.
Seus olhos se encontraram.
- Almas gêmeas também se separam. – sorriu Kanon e disfarçou a emoção coçando os cabelos fartos de forma desajeitada.
Saga sorriu e assentiu com a cabeça.
- Sentirei sua falta. – confessou – É estranho como minha vida parece que só tem sentido quando você está por perto.
- A minha também, Saga. – Kanon o olhou nos olhos e ficou sério – Por isso espere muitas visitas minhas a Molise.
- Ansiarei por elas, Kanon. Agora... me dá um abraço, meu irmão.
O arqueólogo obedeceu, abraçou o padre com força, e eles ficaram assim por longos minutos enquanto a voz feminina anunciava que o voo para Nova York sairia em alguns minutos.
Kanon se afastou e olhou profundamente nos olhos úmidos do irmão.
- Eu te amo, Saga. Te amo de todas as formas possíveis, como irmão, homem, pessoa, meu amor sempre pertenceu a você. Desculpe, mas eu tinha que dizer isso ou morreria.
Saga sorriu e estendeu a mão tocando o rosto do irmão. Kanon fechou os olhos saboreando aquela derradeira carícia.
- Eu também te amo, Kanon, sempre o amarei de todas as formas possíveis.
O mais velho se inclinou e beijou a testa do mais jovem.
- Fica bem.
- Ficarei. – sussurrou Kanon sem conseguir deter uma lágrima que escorreu por seu rosto.
Pegou sua mala do chão e sorriu dando um último aceno ao irmão e partindo para casa.
-Meu irmão, Meu pecado -
E o tempo não pára. Saga voltou a ser o monsenhor Saga Cástor e continuou sua vida como padre em Molise. Kanon continuou com seu trabalho como arqueólogo e professor na New York University.
As missas continuavam para Saga, talvez não com o mesmo sabor de antes. As aulas e pesquisas também não tinham a mesma cor para Kanon. Mas a vida continuava. Aulas, missas, palestras, trabalhos sociais, campos de pesquisas, confissões...
O tempo passou e o natal chegou à Nova York. O arqueólogo fez questão de decorar toda a casa com luzes luminosas e muitas guloseimas. Pensava nas crianças de Aiolia que com certeza ficariam deslumbradas, para isso contou com a ajuda de alguns alunos e conhecidos.
A casa ficou verdadeiramente linda e radiante, a ceia encomendada a um Buffett perfeita! Milo e Camus foram os primeiros a chegar, elegantemente vestidos em seus sobretudos e carregados de presentes.
- Claro que não foi você quem fez isso! – disse o loiro se livrando do cachecol e o pendurando em algum lugar.
- Te amo também, Milo, e estava morrendo de saudade. – sorriu Kanon abrindo os braços teatralmente. O loiro riu e se atirou entre eles dando um forte abraço no amigo. Camus também lhe deu um abraço, claro! Mais formal.
Aiolia e família chegaram horas depois, o leonino reclamando do frio infernal que fazia em Nova York e da bagunça que as crianças fizeram no avião, estava com um péssimo humor o que só contribuiu para que virasse o centro das piadas de Milo e do anfitrião.
- Vão se ferrar os dois! – gritou depois de ouvir coisas como: chilique grego, problemático e outras tão suaves quanto.
Afrodite e o "namorido" chegaram já à noite. O pisciano se jogou nos braços de Kanon e de Milo de forma ardente, respectivamente, nem se incomodando com o olhar nada amistoso do amado.
Kanon sorriu e foi cumprimentar o rapaz.
- Olá, Ângelo. – disse lhe apertando a mão – Como foi a viagem?
- Boa. – disse o italiano que não era de muitas palavras (principalmente com o ex-amante do seu belo).
- Ótimo! Sinta-se a vontade. – informou e Ângelo agradeceu de forma amistosa, já que apesar dos ciúmes, gostava bastante do grego.
O restante da "família" deram as boas vindas ao "esposo" de Afrodite e o clima se descontraiu quando o peixinho voltou para os braços do seu amore.
As músicas de natal eram ouvidas por todos os cantos. O apartamento de Kanon ficava de frente ao Central Park e da sacada se via a imensa e luminosa árvore. Isso fez Aquiles e Hebe exigirem chegar mais perto. Kanon, muito pacientemente, esperou que Marin os agasalhassem e os levou para patinar. Sendo natal o lugar não estava muito cheio e ficava apenas a algumas quadras do seu prédio. De toda forma, precisaria esperar Aioros e Shura chegarem para a ceia e a troca de presentes.
Enquanto as crianças tentavam se sentou em um banco para aproveitar a música que vinha de um concerto próximo. Adorava morar em Nova York, mas as vezes se sentia solitário. Acabara se tornando alguém recluso nos últimos anos. Além dos alunos e dos funcionários da universidade e colegas de pesquisas, ele não cultivava grandes amizades naquele país.
- Professor Kanon!
Ouviu a voz de um dos alunos. Virou-se e se deparou com Shaka, Mu, Shun e Ikki, estudantes do curso de história. Eles carregavam algumas sacolas de papel com compras. O grego sabia que eram estudantes de intercâmbio e que não tinham com quem passar o natal, por isso, resolveram passar juntos.
- Feliz natal! – disseram os alunos juntos. Kanon era um professor muito querido.
- Feliz natal pra vocês também! – sorriu o mais velho – Onde pretendem ficar essa noite? Estou fazendo uma grande ceia em meu apartamento aqui perto e seria muito bom contar com a presença de vocês.
- Obrigado, professor. – quem se manifestou foi Shun – Mas já fizemos nossa própria ceia no apartamento do Mu.
- Na falta da família, ficamos com os amigos, afinal, são os parentes que tivemos a sorte de escolher. – sorriu Mu o garoto do Tibete.
- Isso é ótimo! – disse Kanon e os estudantes se afastaram desejando feliz natal.
Kanon suspirou e se concentrou nas crianças e na mulher na pista de patinação, rindo quando Hebe e Aquiles conseguiram fazer Marin cair sentada no gelo.
- Cuidado, Marin, esses monstrinhos vão matá-la em plena noite de natal! – ria o moreno. Marin bufou e acenou com a cabeça, comunicando as crianças que era hora de voltar, pois estava muito frio.
Marin levou as crianças de volta pra casa, e Kanon avisou que ficaria um pouco mais ali, pediu para que fosse avisado quando Aiolia e Shura chegassem. Perdeu um pouco a noção do tempo que ficou observando as luzes da cidade. Só se deu conta que a meia-noite se aproximava quando percebeu que as pessoas corriam para casa, então se ergueu e se virou para voltar ao prédio, mas não o fez, seu coração falhou ao ver quem lhe sorria.
Ele já deveria estar ali há um bom tempo, pois alguns flocos de neve que começara a cair a pouco já cobriam parcialmente seu sobretudo e cabelos.
- Feliz natal, mano. – disse o padre para um estático e sem palavras Kanon – Estive em seu apartamento e me disseram que estava aqui, então vim buscá-lo já está perto da meia noite.
Kanon piscou os longos cílios várias vezes ainda tentando se convencer de que aquilo não era uma alucinação.
- Saga... o que... o que você...? – não conseguia articular palavras.
- Você me convidou, se esqueceu? – ironizou o gêmeo mais velho – Hum... Eu sei que não confirmei se viria, mas achei que a surpresa seria boa.
- Claro que é boa! – volveu Kanon sem jeito – Eu só... eu só não esperava...
- Tive muito que pensar nesses três meses, irmão. – disse o padre – E pensei que não devemos nos afastar novamente. Não quero ficar longe de você, Kanon...
O mais jovem engoliu em seco e desviou o olhar.
- Saga, você sabe que... porra! Você sabe que... não há como convivermos muito perto um do outro sem... – engoliu de forma terrivelmente amarga aquelas palavras – Você entende, não entende?
Saga deu um passo se aproximando mais do irmão e limpando de forma desajeitada a neve que cobria seus cabelos escuros.
- O que sei, Kanon, é que hoje é natal e eu quero passar essa data com a pessoa mais importante da minha vida e minha única família.
O mais jovem dos gêmeos perdeu a voz com o sorriso que o clérigo lhe ofereceu.
- Você não vai me abraçar? – indagou Saga sem parar de sorrir. Kanon o envolveu nos braços, num abraço terno e apertado.
- Feliz natal, Saga. – disse.
- Feliz natal, Kanon.
Perderam meio que a noção do tempo que ficaram abraçado parados no meio do Central Park. Não sentiam o frio e nem se importavam com a neve que praticamente os cobria. Só se deram conta do tempo que passaram ali porque as vozes estridentes de Milo e Aioros os chamaram a realidade.
- Ei, vocês dois! Querem congelar? – disse o publicitário – As crianças já estão azuis de fome de tanto que os esperamos para a ceia!
Kanon e Saga se afastaram rindo.
- Olá, Oros, que saudade! – disse o gêmeo mais novo, abraçando o amigo – Olha, quem veio para o natal? – referiu-se a Saga.
Aioros sorriu tímido.
- Eu já sei, fui eu quem o trouxe. – explicou, e Kanon franziu a testa sem entender.
- É uma longa história e vamos logo que temos que fazer a troca de presentes antes que Hebe e Aquiles durmam!
Aioros explicou que para compensar a falta ao enterro da mãe dos gêmeos, resolveu entrar em contato com Saga e convencê-lo a passar o natal com eles em Nova York. No começo Saga hesitou, tinha muitas responsabilidades em Molise e o natal da cidade seria organizado por sua paróquia, mas depois de algumas decisões tomadas, resolveu que seria muito agradável passar o natal com o irmão e os amigos.
O encontro foi muito agradável e emocionante. Todos estavam especialmente felizes com a presença de Saga. Trocaram presentes, conversaram sobre o passado e o presente, explicaram algumas atitudes antigas e novas e não houve um só momento de dor ou tristeza, talvez melancolia ao relembrar alguns fatos, mas nada que estragasse o clima afável do natal.
Depois da meia noite, as crianças dormiram e os adultos puderam ficar mais a vontade. Afrodite, Ângelo, Marin e Aiolia foram para a sacada do grande apartamento mirar as luzes do natal e conversar. Shura e Aioros dançavam uma música romântica, e Camus e Milo conversavam abraçados no sofá de frente a Saga e Kanon que se apoiavam um no outro. O padre estava cansado da viagem e meio que cochilava no ombro do irmão.
- Eu acho que vou dormir... – ronronou. Na verdade também já tinha bebido algumas taças de vinho e como não era acostumado, isso potencializou seu cansaço.
- Ainda não, está cedo... – pediu Kanon.
- Meu voo está marcado para as 09h00min, Kan... – explicou.
Kanon se ergueu para mirar o rosto do irmão.
- Por que tão rápido?
- Foi difícil conseguir uma licença da arquidiocese, então...
Tanto Kanon quanto Milo e Camus franziram as sobrancelhas, curiosos.
- Eu fugi. – riu Saga gostosamente logo sendo acompanhado pelos amigos e o irmão – Bem, não é nenhum crime e por isso tenho que voltar amanhã.
- Que padre mais levado! – provocou Milo para mais gargalhadas.
- Eu sempre fui um bom garoto, mas a convivência com o Kanon é terrível! – defendeu-se Saga.
- Ah, agora a culpa é minha, padreco? – Kanon fingiu indignação.
Saga riu por um tempo e depois suspirou, voltando a encostar a cabeça no ombro do arqueólogo.
- Bem, mas estou mesmo cansado... – disse bocejando – É melhor me recolher.
- Antes vamos dançar! – volveu Kanon animado se erguendo e puxando o irmão – Você não vai me negar uma dança, não é, mano?
Saga riu e balançou a cabeça. Bem, ele estava meio tímido, mas as pessoas que estavam ali eram seus amigos, por isso aceitou a brincadeira de Kanon e foi fazer companhia a Aioros e Shura no meio da sala.
Saga envolveu o pescoço do irmão, e Kanon enlaçou-o pela cintura, mantendo certa distância do corpo do padre, respeitosamente. Seus olhos se encontraram enquanto a melodia os embalava...
Looking back on the memory of
The dance we shared beneath the stars above
For a moment all the world was right
How could I have known
that you'd ever say goodbye?
Olhando nas lembranças
a dança que dançamos sob as estrelas
Por um momento achei que todo mundo estava certo
Como poderia eu ter que saber
que é sempre você que diz adeus
Uma lágrima brincou pelo rosto do gêmeo mais velho ao escutar a melodia. Por que tinha que dizer tanto do momento que eles viviam? Seria um capricho de Deus? Uma maneira de dizer a ele o quanto estava errado toda vez que deixava Kanon?
Chegou mais perto e escondeu o rosto na curva do pescoço do irmão. Kanon suspirou e deslizou a mão por sua nuca, estremecendo um pouco com o contato com os cabelos de Saga, talvez o contato mais íntimo que tiveram desde tudo.
And now I'm glad I didn't know
The way it all would end
The way it all would go
Our lives are better left to chance
I could have missed the pain
But I'd have had to miss the dance
agora estou contente, e eu não sabia
de que maneira tudo terminaria
de que maneira tudo continuaria
Nossas vidas são deixadas as melhores possibilidades
Eu poderia ter evitado a dor
Mas teria que perder a dança
Continuaram a dançar por um tempo, e então ouviram Camus e Milo dizer que iriam se recolher. Aioros e Shura pareciam muito alheios a tudo com os olhos presos, enquanto dançavam.
- Eu... também preciso dormir... – disse Saga se afastando um pouco do irmão que resistiu em deixá-lo.
- Hum... – gemeu Kanon desembaraçando seus dedos dos fios sedosos do irmão e se afastando para mirá-lo.
- Tenho quatro quartos, Saga, o Dite e o Ângelo sempre ficam no Plazza mesmo, por isso nem me preocupei. Mas como não o esperava... Bem, você se incomodaria de dormir no meu? – indagou com receio.
- Claro que não. – sorriu Saga e se despediu de todos, subindo as escadas para o quarto do irmão. Kanon o acompanhou, entrando na frente e acendendo uma luminária, já abrindo o armário a procura de uma roupa confortável para o padre vestir.
- Sei que nem teve tempo de desfazer as malas e como vai embora amanhã pela manhã é melhor que nem as desfaça. – disse pegando um short e se virando, mas seu coração falhou ao encontrar o padre tão perto de si que quase trombaram.
Os olhos de Saga estavam escurecidos e fixos nele. Kanon deixou a peça de roupa cair das mãos e quando ensaiou um movimento para buscá-las do chão, foi interrompido pelas duas mãos de Saga em seu colarinho, o jogando contra o armário, para logo depois tomar posse dos seus lábios com um beijo gentil e doce.
Kanon demorou um pouco para reagir enquanto a língua do irmão vasculhava sua boca. Suas pernas estavam bambas e seu corpo totalmente desordenado, o coração batia tão forte que ele temeu ter uma parada cardíaca.
Saga se afastou um pouco, mas seus lábios ainda se roçavam levemente. O mais novo abriu os olhos e encontrou o rosto adoravelmente corado do mais velho com um sorriso nos lábios.
- Não me diga que é errado, Kanon, porque eu já sei que é. Mas essa noite, quero me permitir sonhar um pouco, viver um pouco, provar da única coisa que preenche meu peito de alegria e esperança e essa coisa é você...
Holding you I held everything
For a moment wasn't I a king?
If I'd only known how the king would fall
Then who's to say?
You know I might have changed it all
Pertencendo à você eu seguro tudo
Por um momento, não era eu o rei?
Se somente o rei sabe como cair
Então que tens pra dizer?
Você sabe que eu posso mudar tudo
Kanon não respondeu nada, apenas fechou os olhos e acolheu a boca segura e apaixonada do irmão, sentindo seu corpo tremer ainda mais com a sensualidade do beijo. Saga voltou a puxá-lo pelo colarinho, agora o jogando na cama, por baixo de si.
And now I'm glad I didn't know
The way it all would end
The way it all would go
Our lives are better left to chance
I could have missed the pain
But I'd have had to miss the dance
E agora estou contente, e eu não sabia
de que maneira tudo terminaria
de que maneira tudo continuaria
Nossas vidas são deixadas as melhores possibilidades
Eu poderia ter evitado a dor
Mas teria que perder a dança
Fizeram amor de uma forma única. Diferente do passado afoito e cheio de tesão, agora havia a maturidade, o carinho paciente, a cumplicidade. Tudo era de forma lenta o que potencializava o prazer, a entrega, o gozo. Tocavam-se com carinho e sensualidade na medida certa. Saga não tivera outras experiências sexuais desde Kanon, mas há coisa que a maturidade em si ensina sem que precisemos entender. E a maturidade lhe ensinou a fazer tudo com calma e paciência. Não era definitivamente o garoto inquieto e medroso do passado, agora era um homem que sabia muito bem o que queria e o que oferecer a quem mais amava.
Kanon por sua vez continuava o mesmo amante intenso, avassalador, mas houve mudanças sutis no seu modo de amar, agora era mais calmo, mais concentrado e ainda mais entregue. Exigia mais a participação do parceiro, mas de uma forma tão delicada que não haveria ninguém que resistisse a fazer tudo que ele queria. Amaram-se diversas vezes até a completa exaustão. Saga acordou na manhã seguinte com o sol pálido de inverno adentrando a janela de vidro do quarto. Estava nu, o corpo semicoberto pelo lençol de cetim champanhe. Riu ao pensar no lençol. Desde quando Kanon era tão sofisticado? Depois soltou um suspiro triste; com certeza havia muita coisa no irmão que não conhecia, mas estava disposto a conhecer todas elas. Percebia que Kanon se tornara um homem muito refinado, algo que nunca imaginou ser possível.
It's my life, it's better left to chance
I could have missed the pain
But I'd have had to miss the dance
Sim, a minha vida são deixadas as melhores possibilidades
Eu poderia ter evitado a dor
Mas teria que perder a dança.
Sentou-se na cama realinhando os cabelos escuro e reparou algumas marcas em seu corpo; arranhões e hematomas; sua pele era muito clara.
A porta se abriu e Kanon entrou com uma bandeja. Por um momento, o padre achou que estava numa viagem no tempo, mas depois, mirando o homem a sua frente, soube que não era isso. Kanon estava sério e parecia ter receio de alguma coisa, o que não ocorria no passado.
- Bom dia, Saga. – disse cordialmente – Como você vai viajar cedo eu fiz algo para você comer...
O gêmeo mais novo se sentou na cama com a bandeja no colo.
- Obrigado. – disse o mais velho pegando uma caneca com café – Não posso me atrasar.
Kanon assentiu com a cabeça e encarou os olhos do irmão.
- Você está bem? – indagou. Na verdade o arqueólogo estava cheio de dúvidas. Quase não durmira velando o sono de Saga e imaginando qual seria a reação do padre pela manhã, quando se desse conta do que havia feito. Na verdade, ainda estava com receio daquilo, mas o sorriso que Saga lhe ofereceu preencheu seu coração e afastou todos seus medos.
- Claro que estou! – disse o padre e provou o café – Por que não estaria?
- Talvez porque... Bem, Saga, eu não quero acabar com seu bom humor matinal, mas, você sabe o que aconteceu entre nós dois e... e você é um padre e...
- Em breve não serei mais.
- E sei o quanto ser um padre é importante pra você, e você é um homem muito responsável... – Kanon se interrompeu e encarou o irmão arregalando os olhos – O que disse?
- O que ouviu. Eu encaminhei a minha solicitação de afastamento a diocese que a encaminhou a Santa Sé, o processo é lento e, bem, eu não deixarei de ser padre, mas não estarei mais sob o julgo da Igreja podendo fazer o que quiser sem culpa.
Kanon baixou a cabeça meio atordoado com aquela informação. Ainda não sabia o que pensar.
- É mesmo isso que quer? – indagou confuso.
- Eu acho que sim. – sorriu Saga – Pensei muito sobre isso nos últimos meses e cheguei a essa decisão. E dessa vez pretendo cumprir a minha promessa de nunca mais deixá-lo sozinho...
- Saga...
- Não se preocupe, Kanon. – interrompeu-o o mais velho – Isso não foi por você, foi por mim, foi pela vida que quero ter a partir daqui. Você me mostrou que as mágoas do passado continuavam tão vivas dentro de mim que isso me fez pensar se minha decisão de se tornar sacerdote não foi tomada baseada nela e vi que sim. Eu preciso recomeçar, Kanon, e quero que me ajude nisso, meu irmão, meu amado...
Kanon ficou sem reação por um tempo, e quando a teve foi a de jogar a bandeja pra cima, fazendo tudo que ela continha se espatifar no chão, e agarrar o irmão para um beijo de pura felicidade.
- Kanon, seu louco! Olha a bagunça que você fez! – reclamou Saga rindo sem parar.
- Eu te amo, te amo... – repetia o mais novo, beijando-o inteiro.
Saga ria de prazer enquanto era atacado pelos lábios afoitos do gêmeo mais novo. Não! Se enganara completamente! Kanon não havia mudado!
Beijaram-se e amaram-se por horas a fio, não se importando com o café, leite, pães e frutas espalhados pelo quarto. Havia algo muito mais belo, novo e saboroso a ser aproveitado naquele momento, enquanto as canções de paz e felicidade eram ouvidas na cidade de Nova York e não era, sem sombra de dúvidas, mais bela que a música de paz, felicidade e prazer que era entoada naquele quarto.
O passado fora finalmente superado e um presente de amor se mostrava pleno de felicidade para os irmãos Vaskálias. Eles sabiam que não seria fácil e que teriam o mundo contra eles, mas o que isso importava? Estavam onde sempre quiseram: nos braços um do outro.
Holding you I held everything
For a moment wasn't I a king?
If I'd only known how the king would fall
Then who's to say?
You know I might have changed it all
Pertencendo à você eu seguro tudo
Por um momento, não era eu o rei?
Se somente o rei sabe como cair
Então que tens a dizer?
Você sabe que eu posso mudar tudo
And now I'm glad I didn't know
The way it all would end
The way it all would go
Our lives are better left to chance
E agora estou contente, e eu não sabia
de que maneira tudo terminaria
de que maneira tudo continuaria (...)
Fim
Notas finais: Obrigada de coração a todos que me acompanharam nessa história. Sim, eu pensei em deixar os gêmeos separados, mas os unir no final pelo Kanon, acho que o pobrezinho já tinha sofrido tudo que um ser humano pode sofrer e merecia um final feliz.
Obrigada a todos que me acompanharam nessa história dramática em especial aos que deixaram um review de incentivo ou crítica construtiva.
kazuhiro_vicke, Kira_Moonwolf20, Kao-san, Vagabond (amiga valeu por tudo mesmo. Amo-te!); bondofflames, (obrigada pela indicação fiquei muito feliz!), Keronekoi, milaangelica, Arcueid (minha maçã, obrigada!); Maya Amamiya, Kamy_Jaganshi, Mefram_Maru, jessica_ramos, saorikido, liliuapolonio, Gemini Yaoi, shermie, anjodastrevas, Mamba_Negra, Kayura_Yanagi, spencer_3939, ShakaAmamiya, Maah_Rossi, Maia Sorovar, Silvana, Lune Kuruta, Human Being, Amarthwen, MaahFeltonAmamiya, Iamini, Ryou-sama, Sayuri Hatake, Zisis, Anita Massatore (KKK, menina, eu fiquei com medo de você cortar os cabelos do Shaka e fiz um final feliz tá vendo? O Ikki e o Shaka apareceram finalmente, mesmo que numa pontinha XD! Obrigada pelo carinho, querida!).
Beijos a todos. Talvez, faça um epílogo, vocês me dizem se cabe um ou se por aqui está bom XD!
Beijos afetuosos e abraços apertado da Sion. Que 2011 seja maravilhoso para todos nós.
P.S. Para os leitores do FF informo que estou deixando o site. Tipo, meu perfil e histórias já postadas continuarão aqui, mas não postarei novidades. Quem quiser continuar a ler minhas histórias, elas estão por enquanto apenas no Nyah fan fiction.
Obrigada a todos que me acompanharam nesse site.
Sion Neblina
Postado em 04/01/2011
