Notas iniciais: As músicas do capítulo são Smile de Chaplin, mas eu prefiro a versão nacional cantada por Djavan e embora eles estejam em Nova York e teoricamente falassem inglês, a fic é em português XD! Então coloquei a versão nacional, mas o link da mesma em inglês é: ./charles-chaplin/903366/
E a música do final, a mais importante é From this moment on e está nesse link, espero que ouçam e curtam. .
Boa leitura e até a próxima!
Vida nova
Epílogo
Saga voltou para a Itália no dia 26 de Dezembro. Kanon ficou com os amigos que passariam o ano novo consigo, mas sentia-se estranhamente sozinho e frustrado. O irmão prometera voltar para o réveillon, e eles se falavam todos os dias, ainda assim a saudade era grande. Era como se depois do reencontro fosse inadmissível a mínima distância. Afinal, eles perderam tanto tempo!
- Relaxa, uma semana passa rápido! – disse Afrodite jogando um saco de batatas dentro do carrinho de supermercado empurrado pelo arqueólogo.
Ele, Kanon e Milo saíram para fazer compras, pois os demais fugiram da tarefa e queriam jogá-la para a coitada da Marin. Porém, os três ficaram com pena da pobre e única mulher do grupo que teria que ir ao mercado com duas crianças e mesmo odiando aquele programa (todo homem odeia), se disponibilizaram a fazê-lo.
- Eu estou relaxado. – respondeu o grego moreno abrindo um freezer e pegando uma garrafa de cerveja, já abrindo e virando na boca – Só estou com saudades.
Milo se aproximou deles e despejou algumas caixas de cervejas no carrinho.
- Eu entendo. Sei bem como é isso. – observou o grego loiro – Você se lembra daquela vez que o Camus teve que seguir uma exposição sacra até Londres...?
- "E eu quase tive um colapso de saudade..." – Kanon e Afrodite completaram rindo, e Milo fechou a cara.
- Idiotas! – resmungou o escorpiano.
- É que você sempre repete essa história. – riu o sueco – Você é obcecado, Seferis! O Camus passou suas semanas em Londres e parecia que foi um ano pra você. Imagina esses dois que passaram 15 anos?
- Ah, eu sei que não se compara, só estava dando um exemplo, seus insensíveis! – reclamou o escorpiano irritado – Mas pra mim, duas semanas sem meu amor é como se fosse uma vida inteira, vocês sabem que sou completamente e filhodaputamente apaixonado por ele. – emburrou o loiro grego.
Kanon riu fazendo charme.
- Milo, não faz essa cara, você sabe quanto fica irresistível assim, e eu não quero arriscar nem meu relacionamento e nem o seu. Certo cara? – piscou.
Pronto! Milo ficava totalmente sem jeito quando Kanon "dava em cima" dele. Afrodite começou a rir, e o grego loiro logo ria também, esmurrando o ombro do arqueólogo.
- Vadio de merda! Olha que eu conto ao Saga, viu! – ameaçou.
- Não faz isso, aquilo ali é psicótico de ciúmes. – ria também Kanon.
- Em falar nele, quando ele volta? – indagou Afrodite – será que dará tempo mesmo, até o ano novo?
- Bem, ele tem muitas coisas a resolver na Itália ainda, mas disse que virá para o ano novo.
- Acho que não dormiremos por esses dias. – provocou Milo pegando um saco de batata frita e jogando no carro. Afrodite revirou os olhos em desaprovação.
- Como você consegue ser tão gostoso, comendo tanta merda, Milo?
- Me exercitando muito com o Camus. – piscou pegando alguns discos de pizza e colocando no carrinho.
- Lembrando que temos crianças em casa, então, por favor, rapazes, a seção de verduras e legumes. – disse Kanon empurrando o carrinho para a dita seção.
Terminaram as compras e seguiram de volta ao apartamento do arqueólogo, fazia muito frio naquele dia, mas não estava nevando, assim, resolveram seguir a pé, pelo Central Park, aproveitando a manhã agradável e observando as pessoas que andavam de lado a outro com seus cães ou seus filhos.
Kanon sorriu e pensou em agradecer a Deus pela felicidade que sentia, entretanto, se lembrou que há muito se considerava Ateu e não o fez. Isso, porém, o lembrou outro fato...
- Afrodite, lembra-se daquela música que cantamos na praia quando éramos mais jovens?
- Puta que pariu, Kanon! Cantamos muitas músicas na praia quando éramos mais jovens! – reclamou o sueco com ironia.
- Aquela sobre Deus, porra! Lembra-se agora? – praguejou Kanon.
- Como não me lembrar você sendo assim tão delicado? – riu Afrodite. Os três caminhavam pela trilha entre as árvores e ambos seguravam pelo menos duas sacolas de papel cheias de alimentos e... Cervejas.
- Era "Deus" do Sugarcubs. – observou Milo – Mas por que se lembrou disso agora?
Kanon sorriu de lado e suspirou.
- Por que pensei há pouco em agradecer a Deus a felicidade que sinto, mas depois me lembrei que ele não existe.
O grego loiro riu e apoiou a cabeça no ombro forte do amigo.
- Não existe? Ah, certo. Eu acho que ele existe, mas não está numa nuvem não, ele está aqui bem perto de nós, sorrindo e ouvindo nossos palavrões.
- Eu concordo. Eu mesmo estou ao lado de dois deuses gregos, como posso pensar que deuses não existem? – provocou Afrodite e também apoiou a cabeça no ombro de Kanon, enquanto continuavam a andar. O arqueólogo tinha os braços ocupados e não podia abraçar e beijar os amigos como sentia vontade. Então soltou uma gargalhada com as palavras de Afrodite e disse:
- Olha, eu não sei quem manda nessa merda chamada universo, vida, ou seja lá o quê, mas seja quem for, eu não tenho queixas contra ele.
Milo e Afrodite pararam e se afastaram para encarar o rosto do amigo. Eles sabiam de todas as dores vividas por Kanon.
- Não mesmo? Justo você que sempre foi tão sacrificado pelo mundo?
- Não, Dite. Sacrificadas pelo mundo são as crianças africanas que mal nascem e já morrem de fome. Eu nunca senti fome ou frio, e mesmo sofrendo muito na infância, ainda tive carinho e boas lembranças. Além do mais, foi esse sofrimento que me trouxe vocês, a família que tenho hoje. Do que vou reclamar? Viajei, conheci o mundo, tive homens e mulheres maravilhosos em minha cama, e trepadas homéricas!
- Pervertido! – ralharam Milo e Afrodite ao mesmo tempo, mas no fundo estavam emocionados com as palavras do amigo. Eles se amavam muito.
- Mas é verdade! – riu Kanon – Sofri, chorei, mas ri pra caralho também! Posso reclamar de tudo na minha vida, menos de tédio e mediocridade, e além de tudo isso, vivi um grande amor, um amor impossível que se tornou estranhamente possível! Não tenho do que me queixar, minha vida foi especialmente e filhadaputamente maravilhosa!
Os três ficaram em silêncio por um tempo, emocionados; foi Afrodite a quebrá-lo e encarar os amigos de forma divertida.
- Bem, posso dizer que nos reencontramos com o verdadeiro Deus, amigos, e ele é a paz de espírito que temos hoje.
Os outros dois assentiram, e o celular de Kanon tocou. Atende-lo foi um transtorno com as mãos ocupadas como estavam.
- Oi, Saga! – disse colocando o aparelho entre a orelha e a curva do ombro e pedindo com os olhos que os amigos continuassem a andar.
- Oi, Kanon, você está bem? – indagou a voz séria do irmão.
- Com saudades. – respondeu.
- Devo pegar o voo de amanhã à noite...
- Por que não hoje?
- Amor, as coisas não são fáceis assim.
O coração do gêmeo mais novo disparou.
- Você me chamou de quê?
Saga riu gostosamente do outro lado da linha. A palavra tinha saído meio que sem querer dos seus lábios e ficou encabulado com a pergunta do irmão.
- O quê? – desconversou.
- Saga Vaskália, não faz isso comigo? – riu o mais novo, chegando finalmente ao prédio que morava.
- Amor. – repetiu lacônico.
- Diz de novo. – sussurrou – Diz antes que entre no elevador e a ligação caia.
- Amor, amor, amor, ah, Kanon, pára com isso! – riu o padre.
- Eu te amo. – disse o arqueólogo enquanto a porta do elevador se fechava.
- Eu também te amo e sinto saudades. – a ligação não caiu.
- Saga, quando você chegar aqui, eu quero... – Kanon olhou para os lados se dando conta que não estava sozinho e que Milo e Afrodite tentavam não prestar atenção em sua conversa, mas era meio impossível.
- O que você quer, Kanon?
- Quando você chegar eu digo. – cortou com um sorriso meio sem jeito, apesar de toda intimidade que os três tinham, havia coisas que não deveriam deixar seu quarto.
- Certo, agora tenho que desligar.
- C-certo... – Kanon sentiu um vazio na alma, coisa que sempre sentia quando encerrava as ligações com Saga. O irmão era sempre muito sério e discreto enquanto falava com ele, e o menor pensava que mesmo morando sozinho na casa da paróquia, ele deveria receber visitas constantes.
Desligou o celular frustrado e o colocou no bolso, só nesse momento percebendo que uma das sacolas tinha sido tirada dos seus braços por Afrodite. Mirou os amigos, meio sem jeito, mas eles sorriam emocionados.
Sorri
Quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos, vazios
Sorri
Quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador
Sorri
Quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados, doridos
Sorri
Vai mentindo a tua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz
O sueco e o grego cantarolaram "Smile" um hino a perseverança e ao otimismo composto por Chaplin, e Kanon se obrigou a rir. A porta do elevador se abriu e Aquiles e Hebe logo correram em direção a eles.
- Tio Kanon! – gritavam as crianças, e o grego moreno se perguntava por que elas gostavam tanto dele que as chamavam pelo sutil apelido de "diabinhos".
- Trouxeram comida? – indagou Marin que estava mesmo louca para ir a um restaurante, mas esperava os três por insistência de Aiolia.
- Ah, sim, mas como demoramos muito, acho melhor irmos a um restaurante. – falou o geminiano para pulinhos da ruiva que se aproximou e o beijou no rosto ficando nas pontas dos pés.
- Ainda largo Aiolia e caso com você, Kanon! – disse – Vamos crianças, dois minutos para nos trocar ou ficaremos com fome!
O arqueólogo riu e os "diabinhos" seguiram a mãe para o quarto.
Almoçaram em um restaurante descontraído. À noite as crianças foram deixadas com uma das alunas de Kanon que fez às vezes de Baby-sitter e todos os adultos foram ao teatro e jantaram fora. O arqueólogo estava feliz, mas faltava um grande pedaço de si em tudo, faltava Saga, faltava seu coração.
Aos poucos a sensação de vazio cedeu lugar à ansiedade, quando percebeu que as horas passavam e se aproximava o memento de rever seu gêmeo.
Não escapou as piadinhas quando saiu arrumado mais que o normal para buscar o irmão no aeroporto no dia seguinte. Sentiu-se comovidamente feliz com os assovios, piadinhas e provocações dos amigos. Era incrível como nenhum deles, nem mesmo os "normais" Marin e Aiolia consideravam-nos doentes ou insanos por se amarem. Eles aceitavam aquilo de forma tão natural, era como se Saga sempre estivesse ao seu lado e era tão simples que ninguém considerava estranho aquele amor.
Dirigiu lentamente até o aeroporto, já que o trânsito caótico de Nova York não lhe permitia ir mais rápido, também não estava preocupado, já que saíra de casa bem antes da chegada do voo do irmão.
Chegou ao aeroporto e se sentou num banco perto do portão de desembarque. Teve uma vontade doentia de acender um cigarro, mas como ali era proibido e não queria correr o risco do padre chegar e não encontrá-lo, ficou onde estava corroído pela ansiedade.
Uma hora, uma hora e meia, até que foi anunciado a chegada do voo do irmão. Seu coração bateu mais forte. Kanon se ergueu, os olhos vidrados no balcão de desembarque.
Várias pessoas passavam, mas nada do rosto que queria ver. Ele já torcia as mãos de nervoso, quando seus olhos se prenderam aos verdes do amado. Ele vinha sério compenetrado, visivelmente cansado, mas lindo, lindo como nunca deixara de ser, como nunca deixaria de achá-lo. Parou por um momento também quando o viu e sorriu.
Kanon sentiu todo o seu corpo esquentar, mais que tudo, seu coração, e sorriu também, esperando que ele se aproximasse.
- O voo atrasou um pouco. – disse Saga chegando perto dele, arrastando sua mala – Esperou muito?
- Não. – sussurrou Kanon ainda meio atônito com a imagem linda do irmão – Esperaria a vida toda.
Abraçou o gêmeo mais velho com carinho. Saga abandonou a mala e retribuiu o abraço afetuoso do mais novo. Minutos depois eles deixavam o JFK, mas não foram para o apartamento do arqueólogo, não. Kanon queria ficar a sós com o irmão e o levou para jantar em um restaurante sofisticado, para logo depois ocuparem um suíte de um dos mais luxuosos hotéis de Nova York o PLAZA ATHENEE HOTEL. Saga estranhou, mas o irmão alegou que queria privacidade naquela noite, o dia seguinte seria a noite de ano novo e eles ficariam cercados de gente.
- Estava morrendo de saudades. – disse o mais novo depois que o mais velho fechou a porta. Saga entreabriu os lábios ao mirar a beleza e o luxo da suíte.
- Kanon, não precisava tudo isso, sua presença é o suficiente. – disse se aproximando do irmão que estava sentado na cama. Kanon o puxou pra si e Saga caiu sobre ele e os lençóis de cetim.
Beijaram-se com ardor, sorvendo da saudade que sentiam um do outro, as línguas se provando na velocidade exata do amor e da saudade. Kanon moveu o terno do irmão que desceu por seus ombros, exibindo uma camisa muito branca, que ele tratou de começar a desabotoar.
- Kanon... – Saga sussurrou abandonando os lábios do amante por um tempo.
- Hum...
- Você está lindo.
O mais novo sorriu lindamente e enlaçou o pescoço do irmão o olhando nos olhos.
- Eu disse que queria algo de você... – disse Kanon subindo os dedos para brincar com os lábios molhados do irmão.
- Sim, e o que é?
O caçula avermelhou e baixou o olhar. Saga ergueu uma sobrancelha e não precisou que o irmão disse o que queria. Mesmo assim adoraria escutá-lo.
- Eu quero ser seu Saga... – murmurou. Até aquele momento, Kanon sempre fora o ativo da relação, na verdade, em todas suas relações e sabia que isso era de certa forma um trauma pelos acontecimentos da infância
Saga soltou um risinho divertido com o embaraço do mais novo e se afastou para tirar a própria camisa e depois livrar Kanon da preta que ele vestia. Tocou a curva do peito definido e bronzeado dele suavemente, e Kanon fechou os olhos com um gemido baixo.
- Vai ficar quietinho assim? – provocou Saga.
- Vou deixá-lo trabalhar... – o arqueólogo sorriu com malícia.
- Inteirinho ao meu dispor? – continuou o mais velho distribuindo pequenos beijos no peito de Kanon, lambendo seus mamilos e mordiscando. O mais novo só gemia e afundava as mãos nos cabelos sedosos do padre.
- Sim... ahhh... inteirinho seu...
Saga se afastou um pouco para tirar os sapatos e as meias do arqueólogo, beijando seu pé cheiroso e chupando o dedão o mirando. Kanon comentou o quanto ele era um bom aluno de "sacanagem" o que fez o padre rir, mas continuar a carícia. Livrou Kanon da calça social que ele usava, mas deixou a cueca boxer preta. Voltou a se deitar sobre ele e beijar seu abdômen de tanquinho, molhando-o com sua saliva, descendo os lábios por cima do tecido e mordiscando seu pênis de leve, fazendo-o gemer mais alto seu nome e arquear levemente o corpo. Os braços de Kanon envolveram o pescoço do irmão e o puxou para cima, para um beijo quente (ele não teria paciência para ficar tão passivo), sua língua hábil vasculhando cada canto da boca de Saga com sensualidade extrema, fazendo o outro gemer alucinado, enquanto se roçava em seu corpo.
Sentaram-se na cama, sem parar o beijo, era uma necessidade; as línguas precisavam se provar sem trégua. Saga começou a beijar os mamilos rosados de Kanon novamente, chupando a pele ate a deixá-la vermelha, subindo mais até o pescoço dele, mordendo e dando vários chupões não se importando com os roxos que apareceriam depois; ele tinha uma pela tão suave, um beijo tão inebriante que o descontrolava. Kanon o abraçava e o puxava para si, passando as pernas por sua cintura, travando seu corpo junto ao dele, fazendo os dois se esfregarem no meio do beijo insano que trocavam. Acariciava o corpo de Saga também, enfiando os dedos em seus cabelos escuros e puxando o rosto dele, aprofundando o beijo, o tornando mais quente, mais molhado, mais cheio de paixão.
O gêmeo mais jovem ajudou o mais velho a se livrar da calça que ainda vestia, enquanto deslizava a mão por seu peito forte, levantando a cabeça e mordendo os mamilos, os chupando e lambendo como o irmão tinha feito com ele minutos atrás. O padre gemeu mais alto, e tirou a cueca de Kanon com mãos afoitas, vendo o irmão fazer o mesmo gesto para livrá-lo da sua. Já era meramente instintivo, despiram-se com pressa e voltaram a unir os lábios, os corpos ardendo e se tocando com loucura, completamente sensíveis a menor vibração, ao menor contato. As ereções já se tocavam no vai e vem das carícias, fazendo-os quase gritar de tesão. Entretanto, ambos queriam aproveitar aquele momento ao máximo. Kanon fez um esforço sobre-humano para se afastar, olhando Saga nos olhos de forma convidativa e virando de bruços na cama, fechando os olhos, o rosto rubro de ardor a respiração entrecortada.
Saga ficou sem ação por um tempo, mirando seu lindo amante todo a seu dispor. Contudo, por mais que o desejo fosse grande, ainda tinha algum resquício de razão ao invés de Kanon.
- Kanon, não tem nada que nos ajude, amor? – disse se inclinando sobre ele e beijando suas costas delicadamente.
- Já tá precisando de Viagra, mano? – provocou e Saga riu. Kanon não mudava!
- Bobo, estou falando de outra coisa...
O mais novo entendeu e tateou a mão na banqueta ao lado entregando a Saga o que ele queria, um tubo de lubrificante que o mais velho logo tratou de usar, fazendo o irmão gemer alto e abrir mais as pernas, rebolando um pouco sob a pressão dos dedos do mais velho. Saga voltou a se deitar sobre o corpo do amante, virando o rosto dele para si e o beijando. Uma das mãos segurava o rosto de Kanon enquanto a outra acariciava a parte de dentro das coxas dele, subindo dois dedos e entrando no canal estreito de uma única vez, bem fundo, até o fim. As costas de Kanon dobraram, e ele tirou a barriga da cama e parou o beijo, abrindo os lábios sem conseguir gemer, rebolando sob a mão de Saga que entrava e saia de dentro de si; era tesão, mas também era dor.
- Ahhh... Saga... – gemeu mais alto, sentindo um desconforto terrível..
Saga o puxou para mais um beijo carinhoso, para logo em seguida, sair dele e o virar na cama. Mirou o rosto corado e os olhos ébrios de Kanon e nunca o achou tão belo. Deitou-se sobre ele, o abraçando, seus corpos se encaixando com perfeição. Aspirou seu perfume másculo, sentido o mais novo o envolver também nos braços e o puxar pra si, se esfregando nele, gemendo baixo, buscando mais carinho...
Saga estava se preparando para penetrá-lo quando Kanon o deteve, espalmando a mão em seu abdômen. O gêmeo mais novo voltou a se virar na cama, apoiando o abdômen numa das várias almofadas que havia ali. Saga franziu a sobrancelha, indeciso, afinal, até aquele momento era sempre o irmão a comandar o sexo e o padre tinha dúvida se estava fazendo a coisa certa.
- Assim dói menos... – o mais novo explicou a mudança de posição. Saga sorriu e se deitou sobre ele, beijando-o com carinho e mordiscando-lhe a orelha, sentindo o corpo de Kanon tenso.
- Kanon eu te amo... – sussurrou – Acha que seria capaz de machucá-lo?
O mais novo suspirou e só balançou a cabeça negando. Saga se afastou e começou uma cuidadosa penetração. Lenta e torturante para ele. Kanon gemeu baixinho, mordendo o lábio inferior e escondendo o rosto entre os cabelos. Saga entrou mais, e ele arqueou um pouco as costas numa reação quase que involuntária. O gêmeo mais velho se deitou sobre o mais novo beijando suas costas à medida que começava a se movimentar lentamente. Ambos gemeram mais alto e o ritmo foi aumentando por si só. Kanon começou a se acostumar com o corpo de Saga dentro de si e já rebolava em busca de mais contato. Suas mãos apertavam o lençol fortemente e ele gemia o nome do irmão que estocava cada vez mais forte. Saga puxou-o pelo quadril o obrigando a ficar de quatro, tomando sua ereção entre as mãos, começando a estimulá-la, o masturbando no ritmo que usava para entrar e sair do corpo dele, enquanto o corpo do mais novo tremia inteiro e ele fechava um pouco as pernas para se segurar, apertando Saga dentro de si, não o deixando entrar e sair tão fácil. O padre arfou, gemendo e quase perdendo o ar, se forçando a entrar e sair do amante; o rosto junto ao dele, Kanon olhou para ele e buscou sua boca para um beijo lascivo, intenso. Saga apertou o membro do irmão em suas mãos com um pouco mais de força, sentindo Kanon se dobrar inteiro para trás, empinando mais o quadril, jogando a cabeça na mesma direção e gozando, apertando o canal e estrangulando a ereção funda dentro de si, fazendo Saga não agüentar também e despejar-se dentro dele.
Saga abraçou Kanon com força, deitando o rosto em suas costas, os dois caindo sobre a cama juntos.
- Eu te amo... – sussurrou Kanon com um sorrisinho satisfeito.
- Eu também te amo... – ronronou o outro saindo dele e o abraçando pela cintura, encostando a cabeça em seu peito – Mas... você está bem?
Kanon se afastou um pouco para encarar os olhos do irmão.
- Estou, por quê?
- Você tinha me dito que não se sentia pronto para... para isso... – disse Saga sem jeito.
- Ah, eu sei! – riu o mais novo – Digamos que faz parte da minha terapia. Eu sempre me borrei de medo de ser passivo, isso pra mim significava dor, por isso nunca quis fazer dessa forma...
- Mas agora? Sente-se a vontade nessa questão? – Saga mirou o irmão nos olhos com amor – Eu não me importo, Kanon. – declarou – Se não for confortável pra você...
- Tudo com você é confortável para mim, Saga. – afagou o rosto do amado – Então se quiser me comer da forma que quiser me comer, pra mim será maravilhoso...
- Kanon, você diz cada coisa! – ruborizou o mais velho e o mais jovem caiu na risada.
- Adorei ter você dentro de mim, mano... – sussurrou cobrindo o rosto do amante de beijinhos – Dói pra caralho, mas eu não abriria mão disso por nada nesse mundo! Eu o amo, mano, e quero que nossa relação seja inteira e sem tabus.
Saga beijou de leve os lábios do irmão e eles se aconchegaram nos braços um do outro e adormeceram.
- Meu irmão, meu pecado -
- Ah, até que fim os pombinhos fujões apareceram! – Marin disse colocando as mãos ofensivamente nos quadris e encarando os gêmeos de forma seriamente divertida – Vocês sabem que horas são?
- 10h00min da manhã. E você não precisa ficar com ciúmes, Marin, meu amor é teu! – Kanon deu um estalado beijo na bochecha da mulher de Aiolia.
- Oi, Saga, seja bem vindo! – ela cumprimentou o gêmeo mais velho, logo perguntando como ele foi de viagem e outras trivialidades.
Kanon foi para a cozinha procurar o que comer, ainda não havia tomado café. Encontrou Afrodite e Ângelo à mesa conversando em italiano, enquanto Milo tentava operar uma cafeteira e Camus fazia torradas.
- Olá família que me ama, e você, Ângelo! – piscou provocando o namorado do seu ex-namorado.
Ângelo soltou alguns xingamentos em italiano o que fez Kanon rir; já estavam acostumados àquelas brincadeiras. O gêmeo chegou por trás de Camus e lhe deu um sonoro beijo na bochecha deixando o ruivo com o rosto da cor dos seus cabelos.
- Nossa! Quanto bom humor, imagino como foi a noite! – provocou Afrodite.
- A noite, o dia, o sol a lua, a vida! Meu caro sueco. A vida é linda e deliciosa como o Milo... Ops! Foi mal, Camie!
Kanon era assim; quando estava feliz brincava e falava pelos cotovelos, os amigos já estavam acostumados e mesmo que sentissem vontade de matá-lo muitas vezes, agradeciam por ele sorrir novamente. Kanon Vaskália era um homem sério e compenetrado geralmente, mas em família era e sempre foi um grande brincalhão.
- Onde está o Saga? – indagou Camus colocando um prato com torradas sobre a mesa.
- Com Marin, Aiolia e os diabinhos na sala. – informou – Onde estão os preguiçosos do Shura e do Aioros?
- Adivinhou. Dormindo! – informou Milo.
Tomaram café na cozinha mesmo, numa algazarra total. Juntos pareciam mais um bando de adolescente que homens feitos, como Marin não cansava de dizer, claro que disse ela excluía apenas Saga e Camus, os demais como ela dizia: "Ficava tudo no mesmo pacote". Depois se reuniram na sala para conversar despreocupadamente.
Afrodite se aproximou de Saga com duas taças de vinho nas mãos.
- Podemos conversar? – pediu. Bem, até aquele momento, os dois não tinham trocado mais que dez palavras, e o sueco queria desfazer qualquer ressentimento que pudesse existir entre eles.
Do outro lado da imensa sala, Kanon engoliu em seco ao vê-los juntos e iria até eles, mas Camus o deteve, segurando seu ombro.
- Deixe-os, Kanon, é melhor que seja agora. – disse o francês, e o geminiano acabou concordando.
- Saga, eu queria dizer...
- Afrodite, não há nada a se dizer. – cortou o padre – O que teríamos a dizer depois de 15 anos? Que lamentamos o que aconteceu? Sim, pode ser verdade. Que fomos tolos e imaturos? Também. Mas isso não mudará o que sentimos e o que fizemos.
- Eu só não gostaria de mágoas entre nós dois. Eu... eu amo demais o Kanon e não quero ter que deixar a vida dele. – o sueco foi direto e categórico como só ele sabia ser.
Saga sorriu.
- Afrodite, eu sou muito grato por tudo que fez pelo meu irmão, por ter cuidado ele quando estive ausente. Não há magoas em meu coração, muito menos de você. Pode parecer clichê, mas, de coração acredite, se o Kanon o ama, eu também aprenderei a amá-lo.
- E eu morro de emoção! – disse o loiro teatralmente abrindo os braços e se atirando nos braços de Saga que o abraçou afetuoso, rindo de leve. Quem não amaria Afrodite?
Afastaram-se segundos depois, o loiro, como todo pisciano, visivelmente emocionado foi buscar abrigo nos braços do seu amore, e Kanon finalmente chegou até o irmão.
- E então? – perguntou com um meio sorriso.
- A loira é uma boa pessoa. – provocou Saga.
- Ele te mata se ouvir isso! – caiu numa gostosa gargalhada, abraçando o irmão.
Passaram o dia 31 de dezembro muito bem, saíram com as crianças, relaxaram e namoraram bastante, por que a noite, todos estariam no réveillon mais badalado do planeta. Jantariam num restaurante agradável bem próximo a Times Square e ficariam por lá até a meia noite.
Quando Kanon saiu do banheiro encontrou o irmão no quarto já vestido numa calça e camisa branca, seus cabelos estavam presos num rabo-de-cavalo baixo. O gêmeo mais novo ficou olhando pra ele meio abobalhado o que fez Saga corar levemente.
- Vamos, Kanon, se veste logo, já passa das 15h00min! – reclamou da forma autoritária de sempre.
O mais novo terminou de enxugar os cabelos e pegou a roupa sobre a cama, que era... QUASE IDÊNTICA a de Saga!
Começou a rir da coincidência, e Saga olhava pra sua cara sem nada entender, já começando a ficar emburrado. Somente quando Kanon colocou a roupa e prendeu os cabelos da mesma forma que o irmão é que Saga entendeu o motivo do riso e acabou rindo também. Idênticos!
- Agora não dá mais pra escolher outra. Vamos! – pegou Kanon pelo braço, saindo quase que correndo do quarto.
- Eu nunca o vi tão ansioso! – ria Kanon quase correndo para acompanhá-lo.
- É meu primeiro réveillon na Times Squere!
O mais jovem dos gêmeos sorriu e ficou observando o irmão que também sorriu pra ele. Ficaram os dois parados na sala dessa forma, até a mesma ser preenchida pelo resto da família.
- Vamos, vamos! Hebe e Aquiles estão famintos! – reclamava Marin, lindamente vestida num longo branco que deixava suas costas alvas a mostra. A ruiva trazia Hebe e Aquiles seguro em cada uma das suas mãos. A menina logo se jogou nos braços de Kanon, e Saga tratou de segurar o menino, enquanto os demais entravam em consenso sobre ir de táxi ou fretar um avião pra levar tanta gente.
O táxi venceu. Eles tiveram um agradável jantar e seguiram a pé para a Times Square, já que a rua ficava fechada. O clima era festivo como Saga nunca vira em nenhum ano novo da sua vida. As ruas estavam cheias de pessoas animadas e desejando Happy New Year para todos que cruzavam seus caminhos. Com um pouco de esforço e suborno, eles conseguiram chegar bem perto ao centro da festa. Mas prometeram que depois da meia noite seguiriam para um hotel onde uma festa exclusiva os aguardavam.
A contagem decrescente na Times Square é um momento inesquecível, devido às vozes de milhares de pessoas a entoarem a contagem: 10, 9,8 3,2,1 …
HAPPY NEW YEAR!
Um grande letreiro luminoso anunciava a chegada de 2011. Muitos fogos de artifícios e champanhes sendo estourados, um novo ano finalmente começava para todos.
As pessoas se abraçavam, se emocionavam e desejavam a todos:
HAPPY NEW YEAR!
Kanon que segurava a mão de Saga fortemente com receio de perdê-lo no meio da multidão, o puxou para um abraço apertado, dando-lhe um demorado beijo no rosto.
- Feliz ano novo, mano.
- Feliz ano novo, Kan.
Olharam-se dentro dos olhos. Tiveram vontade de se beijar, mas acharam que não deveriam fazer aquilo em público. Logo se encontraram com os amigos e ganharam mais beijos e abraços e desejos de felicidade. Seguiram para uma festa num hotel próximo a Times mesmo, só que um pouco menos sufocante, onde eles teriam uma área privativa.
A noite decorreu muito agradável, o hotel tinha uma linda vista e eles transitavam entre a suíte alugada e o salão de festa sem problemas.
Marin colocou as crianças para dormir e voltou para o salão para dançar com o esposo. Os amigos se espalhavam, bebiam conversavam e acabaram "monopolizando" a sacada lateral do grande salão. Então, um pouco longe das vistas, podiam se permitir maior intimidade.
Quando a música agitada que tocava deu lugar a uma bem romântica, eles se arriscaram a dançar. Inclusive Saga e Kanon.
Deste Momento Em Diante
Eu juro que eu sempre estarei ao teu lado
Eu farei qualquer coisa e todas as coisas e eu sempre cuidarei de você
Na fraqueza e na força, na felicidade e tristeza
No melhor, no pior, eu te amarei a cada batida do meu coração
- Kan, tenho algo a falar... – murmurou o mais velho ao enlaçar o pescoço do irmão.
- Algo bom?
- Não sei, você quem dirá.
- Para de sadismo, Saga...
- Eu não preciso voltar a Molise. Já fui afastado das minhas obrigações canônicas, embora demore ainda um pouco para estar completamente livre. Isso significa que passarei o resto da vida ao seu lado...
Eles sorriram se encarando felizes. Vencendo a timidez deixaram seus lábios se tocarem de leve. Milo e Afrodite viram, embora os demais não, então enlaçaram os pescoços dos seus amores e fizeram o mesmo. Resolveram saborear o amor e a paz...
- Sabe que você me conquistou na noite de natal? – disse Saga ao deixar os lábios quentes do irmão.
- Ah, sério? Eu achei que tinha te conquistado há 15 longos anos! – provocou.
- Não seu bobo, foi ali, na noite de natal que eu descobri de verdade que jamais poderia estar longe dos seus braços...
A partir desse momento, a vida começou
A partir desse momento, você é o único
Bem ao teu lado é onde eu pertenço
Deste momento em diante
- Você é muito lento, Saga, eu soube disso desde que o vi pela primeira vez. – escondeu o rosto no rosto do irmão, enlaçando sua mão na dele – Você é tudo em minha vida, tudo começou com você e terminará com você, Saga.
A partir deste momento, eu fui abençoado
Eu vivo somente para sua felicidade
E pelo seu amor eu daria meu último suspiro
Saga se afastou do irmão para olhá-lo. Uma lágrima molhou seu rosto e ele apertou mais forte a mão de Kanon.
Deste momento em diante
Eu dou minha mão para você com todo o meu coração
Eu mal consigo esperar para viver minha vida ao seu lado, mal consigo esperar para começar
Você e eu nunca nos separaremos
Meus sonhos se tornaram realidade por causa de você
- Minha vida só começou quando o conheci também, Kanon. Eu nunca vou deixá-lo, eu estarei aqui para envelhecer ao seu lado. Nada me faria mudar de ideia. Você é minha vida!
Saga, surpreendendo a todos, puxou o irmão e o beijou intensamente.
A partir deste momento, enquanto eu viver
Eu vou te amar, eu te prometo isso
Não há nada que eu não daria
Deste momento em diante
Depois do estarrecimento, os assovios e aplausos começaram, deixando os dois meio sem jeito.
- Eu também quero ser o centro das atenções! – reclamou Aioros e puxou Shura o beijando. O espanhol ficou vermelho igual a tomate e os demais riam sem parar, mas era certo que um clima de amor e paz nunca sentido, dominava aquele ambiente como chamas.
Você é a razão pela qual eu acredito no amor
E você é a resposta às minhas orações aos céus
Tudo que nós precisamos é só de nós dois
Meus sonhos se tornaram realidade por causa de você
Kanon se recostou na mureta e levou Saga junto consigo o abraçando pela cintura de forma que as costas dele ficou apoiada em seu peito. Ao redor, os amigos, inclusive Marin e Aiolia mantinham a mesma posição.
O emocional Afrodite mirou todos e seus olhos ficaram úmidos.
- Finalmente vencemos, não é? – disse, e Saga viu todos manearem a cabeça e não entendeu.
Camus sorriu de lado e foi ele quem respondeu a dúvida implicita do gêmeo mais velho.
- Certa vez dissemos, isso há muito tempo atrás, que só estaríamos libertos de fatos de todas as dores do passado quando todos nós estivéssemos felizes e completos. Coisa de bêbados!
- Não, Camus. – replicou Afrodite – Nunca conseguiríamos ficar bem com o Kan sofrendo como ele sofria por amor. Aquilo meio que se tornou uma maldição que acabamos de quebrar.
- Eu concordo com o Dite. – disse Milo – Agora o passado realmente já passou.
Saga se virou para olhar nos olhos do irmão.
- Sim, o passado já passou e o presente nos pertence, e eu não vou desperdiçá-lo de agora em diante. Eu quero dar muito amor a você, Kan, e receber amor demais em troca também.
Os lábios dos dois se uniram. Os amigos suspiraram extasiados, tratando de beijar seus respectivos pares também. O amor estava ali, ele era quente e cheiroso.
O amor era um emblema iluminado que clareava as trevas e curava todo e qualquer veneno.
A partir desse momento, enquanto eu viver
Eu vou te amar, eu te prometo isto
Não há nada que eu não daria
A partir deste momento
Eu vou te amar enquanto eu viver
Deste momento em diante
- Meu irmão, meu pecado -
Notas finais: Um epílogo bem açucarado. Mas como perva que sou, tinha que ter um lemon. Tentei fazer o melhor possível e espero que tenham gostado.
Sentirei falta dessa fic e do carinho de vocês.
Beijos e feliz 2011 para todos que leram, gostaram, se emocionaram, odiaram, criticaram, amaram, comentaram ou não.
Abraços super afetuosos da Sion.
Postado em 11/01/2011.
