Capitulo 1 – Estranhos à bordo
Um som inexplicável encheu o cômodo, mas Draco mal o percebeu de tão chocado que estava. Seus olhos passavam com incredulidade pela sala cheia de luz com colunas semelhantes a árvores e um cano transparente onde pequenas engrenagens se moviam, brilhando firmemente com uma luz dourada. O homem estranho que tinha visto com a Weasley estava mexendo em alguma espécie de painel circular, e sorria para os dois embora o rosto da garota fosse impossível de ser visto com a luz que se refletia em seus cabelos ruivos.
― Isso é loucura! ― sussurrou, voltando imediatamente para a porta.
― Você não vai conseguir... ― começou o homem, mas Draco abriu a porta antes que ele completasse a frase.
Como se não bastasse uma pequena cabine de polícia ter se transformado em um salão, agora Draco encarava um abismo sobre seus pés. O ar lhe faltou quando localizou a Terra, apenas uma pequena esfera, milhares de quilômetros abaixo. Seus olhos se arregalaram tanto quanto podia e ele virou, apontando para o homem.
― Eu fui abduzido! ― berrou, a voz ficando cada vez mais estridente. ― Ele é um alien, ele é uma... COISA! ME LEVE DE VOLTA!
A ruiva começou a rir, achando graça, mas isso só o deixou mais irritado. Ele bateu a porta, e entrou de volta, batendo os pés como uma criança e gritando.
― EU. QUERO. VOLTAR. PARA. MINHA. CASA! EU VOU CONTAR TUDO A POLÍCIA!!!
O homem era pouco menor que ele, franzino, com os cabelos espetados para cima e parecia estar se divertindo tanto quanto a garota.
― Bom, você pode fazer isso, é claro... Mas por outro lado, você está numa nave espacial, hein? Já pesou nisso? Todo o universo para ver, mais rápido do que mandar um email!
― NÃO ME IMPORTA! EU QUERO IR PARA CASA!
A jovem continuava a rir, sentada em uma das barras de proteção em volta da pilastra e vendo que não iria conseguir nada com o homem, ele se virou para ela.
― ISSO É TUDO CULPA SUA! VOCÊ ME TROUXE PARA CÁ DE PROPÓSITO, SUA NOJENTA POBRETONA! VOCÊ E ESSA COISA ESTÃO MANCOMUNADOS PARA ME ATACAR E ME FAZER PASSAR POR LOUCO!
A garota parou de rir, mas não parece nem um pouco abalada pelas acusações, dando os ombros.
― Eu não tenho a sua imaginação, Malfoy. Aliás, para que você entrou atrás de mim em uma cabine telefônica?
O loiro passou alguns segundos sem responder, tentando lembrar o que tinha passado em sua cabeça antes do choque.
― Eu queria provas de que você estava traindo seu precioso noivinho, entrando em um lugar desses com um homem desconhecido, mas você não iria deixar eu jogar seu tíquete de loteria fora assim, não é? Arranjou logo para que ele me levasse embora antes que eu conseguisse mostrar para aquele cabeça de vento do Potter que você só está interessada é na conta bancária!
Isso finalmente enfureceu a ruiva que na mesma hora virou a mão na sua cara. A garota estava vermelha de raiva enquanto o homem de terno parecia achar aquilo ao mesmo tempo engraçado e curioso.
― Nunca mais diga uma coisa dessas! Eu amo Harry! Ele é um homem decente e diferente de você, confia em mim!
Antes que Draco pudesse responder alguma coisa, o homem resolveu que era o momento de intervir na situação, mudando de assunto:
― Então...! Temos todo o tempo e o espaço para explorar, eu prometi sete viagens. Para onde vocês gostariam de ir?
― PARA CASA! ― respondeu o rapaz, novamente gritando.
― Você não consegue pensar em um lugar mais interessante? ― respondeu o sujeito, ainda sorrindo. – Eu poderia levar vocês a planetas onde existem cascatas de diamantes, ou quem sabe até o fim do Mundo, César cruzando o Rubicão e até mesmo Marte seria uma opção mais interessante do que "casa".
O loiro olhou para ele, incrédulo tanto com as coisas que o homem dizia quanto com sua recusa em levá-lo para casa. A ruiva empertigou-se, chamando atenção do sujeito.
― Por que você trouxe ele junto? Se ele quer tanto ir para casa, deixe-o lá!
― Ah, que há de mal em um pouco de diversão? ― ele perguntou, voltando para os controles. ― Certo. Terra, começo do século XXI. Honestamente, não se fazem mais aventureiros como antigamente.
O cômodo inteiro deu um solavanco, fazendo o loiro tropeçar na direção de uma das pilastras. Podia sentir o pânico enchendo novamente seu peito, a raiva que não saber onde estava lhe trazia.
― Que? Que? Queeeee? ― perguntou o homem, puxando o monitor para si.
― O que foi? ― questionou Weasley, segurando-se firme em outra pilastra.
― A TARDIS está sendo puxada por alguma coisa. Vamos lá... Não faça isso comigo, não agora!
Draco sentiu o mundo tornar a se estabilizar e assim que conseguiu, procurou a porta. Mas antes de sair, virou-se para o homem para confirmar.
― Estamos na Terra, não?
― Grã-Bretanha, Europa, Terra, Sistema Solar, Ano de Dois Mil e... ― respondeu o homem olhando, seus controles com uma expressão curiosa.
O rapaz não esperou mais nenhum segundo antes de sair, pronto para encontrar-se novamente em Londres, mas a paisagem que o recebeu não tinha a menor semelhança com a cidade agitada que deixara. Até onde a vista alcançava tudo que podia ver eram planícies verdes e morros suaves, pontuados por bosques e florestas. O choque o deixou completamente imóvel – era impossível que houvesse um lugar tão completamente intocado na Grã-Bretanha.
Rapidamente Weasley parou ao seu lado, tão embasbacada quanto ele, observando o espetáculo oferecido pela natureza. O misterioso homem que controlava a nave/máquina/o que quer que fosse apareceu, olhando por cima da cabeça dos dois antes de falar.
― Desculpe, eu quis dizer dois mil e oitocentos antes de Cristo.
