Bem... Desculpem mais um capítulo não betado, mas houve alguns problemas de comunicação, apesar de terem se oferecido para revisar a fic, eu não consegui pegar o e-mail da pessoa... Às vezes sou muito enrolada. Desde já eu agradeço JayKay-chan fiquei muito feliz com seu review. E a aqueles que leram e não comentaram, eu também agradeço, espero que gostem deste capítulo, tanto quanto o outro.

Boa leitura

Disclaimers: Não, não, não, não, não, os boatos que rolam por aí são falsos, Harry Potter não me pertence, e eu não ganho nada com isso. Por isso titia Rowling, pode dispensar os advogados.

Capitulo 2: Aquele que caminha sob a luz de Marte.

Escuro...

Quieto...

Frio...

Quando enfim o redemoinho de luzes se apagou, Harry se viu envolto na mais profunda escuridão. Aquela que só encontramos quando fechamos bem forte os olhos, e rezamos para que quando os abrirmos de novo tudo se torne melhor. A única diferença, é que nesse caso ele não podia "abrir os olhos".

Não havia sons ao seu redor. E seu corpo parecia estar em plena queda livre em direção a um chão que nunca chegava, não que quanto a esse fato estivesse reclamando.

Aos poucos ele começava a se esquecer de sua própria forma, e a cada segundo que passava sentia menos o próprio corpo, como se esse estivesse anestesiado. Sua consciência se apagava lentamente, e a sensação de sono o envolvia de maneira cálida.

Relutante se deixava adormecer.

Relutante se deixava envolver.

Sim, relutante. Pois sabia que quando se rendesse... Nunca mais iria acordar.

PAF.

Vindo do vazio, dada por uma mão que não conseguiu ver, seu rosto se vira graças a uma dolorosa bofetada, e em sua cabeça uma voz ressoa. A voz infantil o desafiava com apenas poucas palavras, mas em um irritante tom arrastado.

Despertando de seu estupor, Harry sorri e responde para o vazio.

- Só em seus sonhos Malfoy.

O sono fugia aos poucos do seu corpo graças à pequena dor em sua bochecha direita, e as palavras que o desafiara se repetiam insistentemente em sua cabeça. Uma, duas, varias vezes, a cada vez que se repetia uma nova onda de determinação se formava em seu interior.

Em pouco tempo estava muito bem disposto e consciente. Mas ainda preso em uma indefesa queda na escuridão.

Foi quando se perguntou o que podia fazer para sair de lá, que aconteceu. Toda a escuridão ao seu redor se tornou luz, até mesmo seu corpo, que havia sido envolvido em um manto quente e reconfortante, havia virado luz. E em seu rosto dolorido sentiu duas mãos invisíveis o segurar, e seus lábios serem cobertos por um inocente beijo.

Era tudo tão terno, tão suave, tão reconfortante.

Aquelas mãos, ainda segurando a sua face o guiaram naquele mundo de luz, ao mesmo tempo em que a infantil voz o desafiava e seguir.

Seguir em frente.

Seguir para a próxima aventura.

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A chuva caia pesada sobre as copas das árvores da floresta proibida. O vento corria por seus galhos como se sussurrasse as milhares histórias que seus troncos e folhas presenciaram, histórias fantásticas, de seres incríveis.

E mais uma vez, naquela noite escurecida pelas nuvens pesadas de chuva, as silenciosas espectadoras assistiam o nascer de uma nova lenda.

- Hmmm

Não havia dor em seu corpo, foi a primeira coisa lúcida que veio a mente de Harry assim que recobrou a consciência. A segunda foi: "onde inferno esse loiro oxigenado me meteu?".

Não conseguia ver nenhum ponto de referência, tudo o que via ao seu redor eram árvores. De certo estava dentro de uma floresta, mas qual?

Resignado, o moreno suspira, e se levanta do chão enlameado em que já fazia alguns minutos estava sentado. Uma forte chuva caia sobre sua cabeça tornando as coisas cada vez mais desesperadoras.

E quando pensou que a coisa não podia ficar pior, sua visão começou a embaçar.

No início achou que era por fraqueza, mas seus movimentos, assim como sua consciência, nunca estiveram tão bem dispostos. O que não impediu que depois de poucos segundos tudo ao seu redor virasse um imenso borrão.

Para evitar entrar em pânico, Harry respira fundo varias vezes, e ergue os braços tentando alcançar a árvore mais próxima. Precisava de qualquer ponto de equilíbrio diante de sua atual cegueira.

Em meio a seus passos cegos, o moreno tropeça em uma das raízes que emergiam do enlameado solo e cai, sendo amparado por um áspero tronco.

Com o choque ele sente algo se comprimir contra seu peito. Se afastando um pouco da árvore, mas sem tirar uma das mãos de seu tronco, o rapaz tateia as vestes molhadas até achar um volume estranho que sentiu momentos atrás. Após uma pequena busca, ele descobriu dentro de seu bolso interno um par de óculos, e junto a ele, um pedaço de papel.

Colocando os óculos, e desdobrando o papel, Harry lê o seu conteúdo antes que os pingos de chuva borrassem a tinta preta em que estavam escrita a seguinte mensagem:

- "A poção que eu te dei fez seu corpo retornar a exata forma física que você tinha aos quinze anos, ou seja, aquele conjuro que você descobriu para corrigir sua vista ano passado vai ser anulado. Gostou da surpresa? Mas para você não dizer depois que eu sou um menininho mau, estou te mandando esse pequeno presente. Divirta-se, cara rachada." – Harry amassa o já disforme pedaço de papel – Seu pequeno... humpf, isso é o que eu ganho por andar com serpentes.

Dizer que as lentes não ajudaram um pouco seria ingratidão. Mas a chuva, e a noite sem estrelas dificultavam enquanto ele tentava reconhecer a área ao redor. Teria sido tudo em vão se seus olhos não topassem com um peculiar rastro violáceo em um dos troncos próximo.

Após alguns segundos observando aquela familiar marca, o moreno conseguiu chegar a duas conclusões, uma boa e outra má:

A boa - Que pelo visto ele havia sido jogado na parte mais profunda da floresta proibida, que apesar de ser para ele um território desconhecido da mesma, ainda era uma área próxima ao castelo de Hogwarts.

A má - Bom... Quanto à má conclusão, o jovem mago apenas pode torcer uma mão contra a outra luzindo muito nervoso, enquanto a pronuncia alto de maneira mórbida:

- Tô ferrado.

O som de alguém se movendo nos arbustos atrás dele, e a imagem da mancha violeta gravada em sua mente o fazendo relembrar cada informação – para nada agradável, diga-se de passagem – sobre o assunto, o faz virar em um pulo sacando sua varinha, tentando parecer imponente, ou ao menos, não tão patético (convenhamos, um adolescente magricela, baixinho, míope e ensopado, pode impor muitas coisas, menos respeito).

Saindo do meio do mato fechado, e trotando em sua direção, apareceu quem o adolescente menos esperava ver.

Um centauro de pelo dourado e cabelos loiro-prateado: Firenze.

Harry sentiu um pouco de inveja daquele ser que soube fazer uma entrada tão digna, pois tão encharcado quanto ele, o centauro se aproximou do rapaz com movimentos cautelosos, saindo da escuridão, como se fosse expelido por ela.

Seus olhos se encontraram, verdes nos azuis. Não sabia como, mas o rapaz viu nos olhos do centauro mais compreensão do que deveria haver diante de um estranho. O rapaz abriu a boca para tentar arrancar alguma resposta diante de tanta segurança demonstrada pelo outro, mas o som de algo cortando a chuva passou raspando perto de seu rosto. E cravado em uma árvore não muito distante, viu uma flecha.

Piscando algumas vezes, ainda olhando para o projétil, Harry é arrancado do estado aéreo que a chegada de Firenze o havia colocado, e se lembra de onde está, no pior lugar que um humano poderia escolher estar: a área sagrada de caça cerimonial de um dos clãs centauro mais restritos de toda a escócia.

Pensando que já que seus atuais problemas não atingiam a Firenze "afinal ele é um centauro" se voltou para o dito cujo para pedir proteção, mas tudo o que viu foi a mesma expressão nervosa que havia se apoderado de seu próprio rosto segundos atrás.

Pelo jeito, o centauro não estava em melhor situação que ele naquelas bandas, e como se confirmando isso, uma segunda flecha cruzou a chuva dessa vez perigosamente próxima ao centauro.

Ambos engoliram em seco e com apenas um olhar disseram tudo o que precisaram:

"Estamos perdidos se não saímos daqui".

Depois de viver ano após ano no inferno que era uma guerra, Harry desenvolveu uma mente ágil e pratica, que sabia desenvolver friamente saídas para emboscadas como aquelas. E de certo, se ele tivesse um minuto poderia ter esquematizado uma, e até mesmo duas soluções diferentes para sair dessa enrascada.

Mas... Bem... Ele não teve um minuto...

Antes de sequer piscar, Harry sentiu sua cintura ser muito bem agarrada por duas mãos fortes. E impotente, teve que docilmente deixar seu corpo ser erguido por Firenze. O centauro joga o mago de qualquer jeito sobre o seu lombo e começa a galopar o mais rápido que pode.

O trote feroz do companheiro, mais a posição em que caiu não eram fatores que ajudaram a Harry a se sentir seguro. Mas foi sentir as primeiras flechadas passarem zunindo próximas a seu corpo que deu graças a Merlin pela súbita "montaria".

Mas aquela posição...

Não poderia ser mais comprometedora, ao se agarrar de qualquer jeito, o adolescente havia ficado na posição contraria ao normal de se montar. Fora que ao cair deitado, suas pernas se sacudiam pateticamente sem um apoio fixo, seu rosto se esfregava de encontro com o pelo dourado de Firenze, e vez ou outra era golpeado pela calda que balançava furiosamente.

O salvador do mundo mágico poderia dizer que já havia se metido em varias situações vergonhosas, mas essa com certeza entraria para as "dez mais".

Não havia muito que o moreno poderia fazer para ajudar. Até mesmo a magia sem varinha exigia o mínimo de concentração, e certo movimento de pulso. Como suas mãos no momento estavam sendo mais do que bem usadas para o manter muito bem seguro naquela viagem, o mago teve que se resignar a apenas ser um humilde espectador nessa perseguição.

Após alguns minutos de fuga, e tendo finalmente conseguido acomodar as pernas, se sentiu mais confiante. Ainda com certo receio, ele afasta seu rosto dos pelos de seu protetor, e olha para frente, ou seja, olha na direção de onde vinham seus perseguidores.

Não pode contar muito bem quantos, mas lá estavam eles: centauros. Sempre sentiu certa admiração por aquela raça, sentimento que era fácil de ser desperto quando estes não estão apontando flechas em sua direção. Seu ar selvagem e livre sempre deixou em Harry um gostinho de inveja. Eles seriam perfeitos, se não fosse por suas mentes fechadas, e seu gosto por falar tudo através de enigmas.

Foi em meio a esses devaneios que se lembrou que um desses seres semiperfeitos estava agora mesmo abaixo de seu corpo congelado.

Mas o que Firenze fazia ali para começo de conversa?

Sabia o por que ele, Harry Potter, estava sendo perseguido. Teve pelo menos três meses estudando sobre a cultura dos centauros em seu curso avançado de aurólogia. Podia até mesmo naquela hora ouvir em sua cabeça a voz monótona de seu professor palestrando sobre como esses magníficos seres marcavam as árvores de seus territórios de caça cerimoniais com marcas violetas, sinalizando suas terras sagradas onde todo e qualquer intruso seria morto, e oferecido a um de seus tantos deuses.

Oh sim, Harry podia entender perfeitamente por que os centauros o perseguiam.

E o que, após um momento de lucidez em meio a toda aquela confusão, não podia entender, era o porque de perseguirem também a Firenze. Mas também não era como se fosse o melhor momento para iniciar um dialogo com a sua fonte de distanciamento de objetos pontiagudos.

À medida que a perseguição se estendia, o número de manchas violetas nas árvores iam diminuindo. Apesar da chuva, Harry começava a reconhecer a paisagem a sua volta. Por coincidência, aparentemente Firenze estava levando Harry para uma das poucas áreas daquela floresta que o moreno conhecia. O mago só não sabia se podia ficar feliz ou triste por isso.

Foi com uma freada brusca que Harry sentiu a desesperada corrida chegar ao fim, e provavelmente não com um final muito vantajoso para o seu lado.

Finalmente podendo erguer o tronco, Harry vira seu corpo e se senta na posição correta, não que fosse ajudar muito naquela situação, mas se fosse ser transpassado por dezenas de flechas, que fosse em uma posição mais digna.

Já mais cômodo, o moreno prendeu o ar, na sua frente, há alguns metros, encarando com puro ódio ao seu companheiro de fuga, estava Bone, no alto de seu ar selvagem com seu pelo revolto e escuro.

- Firenze – bradou o centauro líder, flanqueado por alguns outros companheiros a suas costas – como ousa se rebaixar a tal ponto? Não basta a afronta que cometeste aos de sua raça anos atrás? Agora vai servir de burro de carga para esses humanos? – o rosto de Bone se retorceu em uma careta de nojo ao pronunciar a palavra "humanos".

- Os tempos mudaram irmão, você sabe! Por tudo o que é mais sagrado, todos nós sabemos!!! – diz essa parte olhando diretamente para cada centauro presente ao dar uma pequena volta em sí mesmo confirmando o que Harry já suspeitava: estavam cercados – Minhas escolhas foram mais do que justas, e não me arrependo. E quanto ao humano, não vê? É só um potro, não deve ser julgado como os adultos de sua raça, essa é a le...

- Conheço nossas leis, traidor – Bone o interrompe cuspindo a ultima palavra com ira – E não se faça de tolo, tanto você quanto eu podemos sentir a essência desse... Ser, sua alma não é a de um potro. – seus olhos injetados de fúria agora miravam fixamente Harry – Não sei o que fez para ter essa forma, mas a nós, seres mágicos, não poderá enganar, e mesmo que fosse uma cria, você pisou no solo sagrado dos meus. Em nome daqueles a quem louvamos você tem que ser sacrificado, falso potro!!!

Harry que acompanhava a discussão como um silencioso ouvinte, ignorando que aquele último discurso ia diretamente para ele, conseguiu ver de relance como a boca do perfil de Firenze se contorceu em uma clara expressão de dor quando Boné o chamou de traidor.

O moreno não sabia o que levou o centauro a ser expulso de seu grupo, mas de uma coisa tinha certeza, uma alma boa como a do seu amigo – ou ao menos a do que conheceu em seu mundo – não merecia tal trato. E guiado por aquela idéia, os olhos do mago vagaram pela mata ao redor, atrás de algo que pela posição em que estavam poderia – ou melhor, deveria – estar por perto. E foi com um sorriso malvado que avistou o que queria, ainda um pouco longe de onde estavam, mas ainda sim a arma perfeita para sua fuga, e para uma pequena vingança.

O bate boca entre Bone e Firenze continuava de maneira tensa, e os outros centauros pateavam impacientes o chão, sem nunca baixar a guarda, na espera de qual quer sinal vindo de seu líder.

Os argumentos de Firenze já estavam se tornando repetitivos quando de relance olhou para seu passageiro. Harry apenas sorriu, e sacudiu a cabeça discretamente em uma determinada direção. Sem interromper a conversa com Bone, o centauro olhou com receio para onde o mago apontou. Não precisou de muito para entender o que seu passageiro queria dizer, e como reação, arregalou desmensuradamente seus os olhos azuis, apenas confirmando que realmente ele havia corrido para aquela direção por puro acaso.

Firenze negou levemente com a cabeça como se dissesse para o rapaz atrás dele que poderia achar outra maneira menos drástica. Mas Harry apenas colocou a mão sobre o ombro do – suposto – amigo e apertou com confiança, respondendo mudamente um "é o único jeito".

Dando uma última olhada na expressão furiosa de Bone, Firenze fecha os olhos resignado, e pateia com determinação o solo abaixo dele como se dissesse a Harry:

"Se não há outra saída..."

Sabendo o que viria a seguir, Harry abraça com força as costas de Firenze, e quando sente o centauro disparar novamente fecha os olhos por reflexo. De novo as flechas passavam zunindo perto de seu corpo, mas dessa vez eles tinham um destino certo.

Passando pela posição menos coberta por seus perseguidores, sair do cerco foi ainda sim uma tarefa difícil, pela qual, da dupla, apenas Firenze podia fazer alguma coisa. Com movimentos ágeis, o centauro mostrou por que no mundo de Harry ele era alem de embaixador entre criaturas mágicas e humanos, um forte aliado nas frentes de batalha.

O trote de Firenze dessa vez era mais ágil, tendo um objetivo fixo, era fácil se mover por entre as tão familiares árvores da floresta proibida. E não precisou de muito tempo para por em obra o plano de Harry.

Ou melhor, o plano suicida de Harry.

Protegido por fortes toras de troncos empilhados, o moreno sorriu malévolamente ao reconhecer o ninho de uma velha "amiga"sua.

O seu estudo no curso avançado de aurólogia não falava apenas dos centauros na área de criaturas mágicas. Mas também de curiosos seres que em épocas chuvosas preparam armações rústicas de madeira para esconder as crias. Essas armações, que variavam seis a até doze metros, abrigavam pilhas e pilhas de ovos, uma sobre a outra, para protege-los da chuva e de predadores rasteiros menos inteligentes. Essas construções eram armadas uma próxima da outra em vários pontos do seu território. Mas infelizmente elas tinham um pequeno defeito em seu esquema. O menor pedaço de madeira retirado faz toda a armação desabar.

Esses seres, esses belos seres que quando estudados quase fizeram Ron desistir de ser auror, eram acromântulas.

As acromântulas adultas pareciam estar adormecidas quando Firenze se aproximou. Seu galope diminuiu de ritmo para ser mais silencioso que antes, mas sabia que com mais alguns passos não poderia se manter incógnito por muito tempo, por isso não se deu ao luxo de pensar duas vezes.

Acelerando o passo, o som dos cascos finalmente acorda algumas poucas aranhas. Mas fazendo bom uso do elemento surpresa, antes que elas tivessem qualquer reação, ele chega a armação mais próxima, e apesar do coração apertado, não vacilou nem por um segundo, golpeou com uma de suas patas dianteiras uma das "toras pilar" da armação, para logo em seguida trotar agilmente por sobre os pedaços de madeira que desmoronavam. Tora por tora, ele saltou sobre aquele solo instável até que por pouco teve tempo de um último salto mais longo, e pular sobre a próxima armação.

Mas se o centauro imaginou que teria algum segundo para respirar, se enganou. Subindo na armação que estava, as acromântulas que viram o massacre a seus preciosos ovos vinham em sua direção, como já era esperado. Batendo o mais forte que pode contra seu suporte, Firenze inicia outro desmoronamento antes de pular na próxima armação.

Do alto, Harry e Firenze viam como mais ovos eram esmagados, e as poucas aranhas que o perseguiram agonizavam debaixo das toras, soltando um guinchado irritado.

As outras aranhas, furiosas e confusas, despertavam uma atrás a outra graças ao cheiro de seus ovos esmagados e os gritos de agonia de suas companheiras, tendo como alvo de sua ira os recém-chegados centauros.

Aproveitando a chance que tinham, graças à distração criada pela luta que deixaram para trás, entre os seus perseguidores e as rancorosas acromântulas, o centauro saltou por sobre mais algumas armações e chegando na mais próxima da mata fechada, golpeou com força a madeira a baixo que não demorou muito para desabar. Com a mesma agilidade com que subiu, Firenze desceu no mesmo solo instável, tora por tora, até voltar para o chão, e apreender uma corrida afobada para o mais longe possível, apesar de aparentemente ninguém mais os perseguir.

- Sinto muito por... – Harry dubitativo tenta consolar Firenze

- Não fale agora, poderia morder a língua por acidente.

O moreno se calou, não pelo argumento, mas por que o tom usado por seu companheiro de fuga foi cortante, sinal de que por mais que o julgassem traidor, o nobre guerreiro sempre os considerariam seu clã. O qual acabara de deixar para trás.

O menino se abraçou mais forte contra as costas do centauro, em meio a toda aquela adrenalina por minutos havia esquecido da forte chuva que caia sobre suas cabeças. O frio era cortante, e seu corpo estava mais pesado que o normal. Sentia-se tonto, e sua visão tão turva quanto como se estivesse sem óculos.

Já o centauro sentiu quando o corpo trêmulo e quente do garoto o apertou. Apesar de saber que algo ruim estava passando com seu passageiro não podia parar agora, não quando finalmente podia ver a sua frente, pela primeira vez naquela noite, as luzes de Hogwarts.

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"As luzes... as luzes..."

Harry luta para manter as pálpebras abertas, mas um sono enfermo o envolvia pouco a pouco. E cada vez que seus olhos cediam ao cansaço, ao voltarem a se abrir após um pequeno lapso de tempo, as luzes para qual o levavam pareciam maiores e mais fortes.

Tudo o que o mantinha ligeiramente acordado eram os movimentos de Firenze. E quando esses se tornaram mais lentos por segundos pensou que finalmente iria perder aquela dura batalha.

Foi aí que a amável voz de Firenze voltou a se pronunciar:

- Chegamos pequeno, é aqui que você desce.

Meio relutante Harry se deixou baixar. Talvez tenha sido a sonolência causada pela febre, mas um incontrolável beicinho apareceu em sua face o deixando com um aspecto mais infantil do que já estava. O centauro, diante daquela expressão, não pode mais do que soltar uma estridente gargalhada muito similar a um relincho.

- Desculpe potro, mas se deixa-lo ir sobre mim até o grande salão, você vai acabar adormecendo como quase fez agora a pouco – sua expressão se torna mais séria – e a seqüência dos fatos que vão seguir daqui a pouco precisaram de você o mais desperto possível.

Harry abriu a boca para perguntar o que o centauro quis dizer com isso, mas Firenze começou a empurra-lo para sair do saguão, e partir em direção aos corredores.

A familiaridade com que era tratado era desconcertante. Segundo Draco, aquele mundo não devia ter ninguém que o reconhecesse. Mas o Firenze desse mundo não parecia agir diante de um desconhecido.

Algumas teorias se formaram na mente do moreno, mas nenhuma parecia ter muito sentido ou maneiras práticas de serem confirmadas.

As portas do grande salão já estavam na sua frente quando se deu conta. Em pouco tempo estaria cercado de várias pessoas, se queria perguntar qualquer coisa para o centauro com privacidade tinha que ser agora.

Mas a única pergunta não comprometedora que sua mente cansada pode formular, foi dita entrecortadamente, graças a sua respiração pesada:

- Quem você pensa que sou?

A criatura o olhou por alguns segundos, enquanto segurava as portas do grande salão, e sorriu.

- Você é aquele que vem de terras distantes, aquele que caminha sob a luz de Marte. Aquele que traz o final.

E sem mais, como se aquilo aclarasse todas as duvidas do moreno, abriu as portas a sua frente.

As vozes de centenas de alunos impactaram todas de uma só vez a dolorida cabeça de Harry, e um pequeno sentimento de náuseas o invadiu, alem de certa raiva.

"Que droga, por que eu estou me sentindo tão mal? Eu não era tão 'delicadinho' nem quando eu tinha essa idade para passar mal apenas por que tomei um banho de chuva!".

Com um pouco de lastima, Harry apenas podia imaginar o quão bonito deve estar o caótico céu chuvoso representado no teto do salão. Já que sua visão parecia piorar, e com ela a tontura e as náuseas.

Tudo então se tornou um abrupto silêncio, apesar de não poder distinguir o rosto de ninguém – para ele não passavam de borrões multicoloridos – podia imaginar que todos se calaram ao notar as destroçadas presenças recém chegadas.

A mão forte de Firenze apertou seu ombro, e Harry seguiu em frente a passos trôpegos, guiado pelo centauro, e esse lhe sussurrava:

- Haja o que houver, falem o que falarem, não saia desse salão sem ser selecionado, você não pode perder a seleção. Esse evento só pode ser iniciado uma vez ao ano. Se perde-lo hoje, seus planos por aqui terão um longo retraso.

Mas a cada passo que dava o estado de Harry apenas piorava, e sua mente confusa se perdia em meio às palavras ditas por Firenze, e apenas algumas pareciam ter realmente compreendido. "Seleção... perder... planos...".

Quando o que lhe foi dito teve mais ou menos sentido, já estava na frente da mesa dos professores, não que pudesse ver quem estava lá, não em meio ao borrão que se tornou seu mundo, mas por que ao acompanhar a conversa que se iniciou, pode perceber que estava diante da figura máxima de Hogwarts, a diretora.

Diretora????

- O que significa isso Firenze? – a voz de uma mulher jovem chegou aos ouvidos de Harry – onde esteve durante todo o dia e quem é ele?

- Ele, sra. Diretora, é o aluno transferido que disse que chegaria hoje.

- Sim, me lembro dos documentos que você havia me trazido há alguns meses, mas pensei que ele viria pelo expresso Hogwarts e não de... – a figura borrada pareceu olhar diretamente para Harry – de sabe-se-lá-onde. Parece ter saído do próprio inferno.

- Ele veio de Hogsmeade – o centauro tenta tomar as rédeas da conversa – tentou chegar aqui pela trilha, mas se perdeu, por sorte eu estava por perto e o guiei até aqui.

- Debaixo dessa chuva? Homem de Deus, não é à toa que ele parece estar mais morto do que vivo. Deve levá-lo para a enfermaria imediatamente, mal consegue ficar de pé.

Harry havia se perdido por segundos naquela voz, ela era severa, mas tinha um tom tão maternal que o encheu de uma estranha e prazerosa sensação. Ainda meio embobado, percebeu que ambas as vozes, de Firenze e a da diretora, se calaram. E foi aí que percebeu que era sua deixa:

- Seleção... Eu consigo... – sussurrou com voz fraca.

O adolescente nunca desejou tanto se chutar, mas nem mesmo se quisesse conseguiria fazer tanto esforço, demônios, mal conseguia ficar de pé.

- Não seja tolo jovenzinho!!! – exclamou a mulher – Aposto que se eu colocar o chapéu na sua cabeça ele se incinerará instantaneamente com a temperatura que você parece ter – uma delicada mão subitamente toma Harry de surpresa ao cobrir sua testa – Pelo báculo de Morgana!!! Você está pelando!!! Não tem discussão, você vai a enfermaria agora mesmo.

A mesma mão que cobriu sua testa tão delicadamente provou sua força quando envolveu seu pulso e tentou leva-lo de lá. O silêncio de Firenze parecia gritar que o próprio moreno tinha que tomar cartas na mesa, e assim fez. Estancou o pé no chão e encarando o borrão que tentava arrasta-lo lançou o que supôs ser um olhar determinado:

- Seleção... agora... eu SEI que posso!

A mancha borrada parou de puxa-lo e se moveu de maneira que Harry entendeu que olhava dele para Firenze, para no fim falar sem perder seu ar severo:

- Tudo bem, você fará a seleção. Mas assim que se sentar em sua nova mesa tomará o fortificante que vai aparecer na sua frente. E se mesmo assim não se sentir melhor, irá direto para enfermaria, estamos claro?

Harry apenas acena levemente com a cabeça.

Dessa vez, se deixando guiar, Harry caminha até onde estaria o eterno banquinho da seleção. O silêncio a sua volta apenas o punha mais nervoso, como se não bastasse a cegueira momentânea.

A diretora o ajuda a sentar, pois a muito havia percebido o problema do adolescente para enxergar. E após acomodar o futuro aluno, ela deixa o famoso chapéu selecionador cair sobre a revolta e úmida cabeleira negra.

"Ora ora ora... O que temos aqui?" A voz do chapéu falou na mente cansada de Harry. "Não é sempre que eu vejo uma mente que aparentemente já selecionei, mas engraçado, não me lembro de você. Como pode ser isso?" Houve uma longa pausa antes dele voltar a falar "Interessante, interessante... Vejo que mais uma vez mentes jovens resolveram brincar com o tempo-espaço, espero que isso não vire moda."

"Mais uma vez?" Desta vez é Harry quem fala.

"Não preste atenção nos resmungos desse trapo velho. Por hora digo que se depender de mim, seu segredo está guardado. Afinal, sou o guardião dos segredos das paredes de Hogwarts. Mas se não for incomodo creio que devamos nos concentrar no que o trouxe a mim, não acha?".

"Ainda acha que preciso ser selecionado? Você mesmo viu que..."

"Oh sim, a decisão que meu outro eu tomou em seu mundo não poderia ter sido mais correta. Naquela época, a pessoa que você era, e os desafios que o esperavam, fora o seu desejo obstinado o guiaram para Gryffindor, mas hoje e aqui... Hum... vejo que seu objetivo nesse mundo é diferente do que o que te guiava no seu anterior, e também vejo uma mente mais complexa... Sim... Com certeza se você realmente quer alcançar os seu objetivos sua casa será..."

Continua.

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Nhaaa, desculpem a demora, mas quem me conhece sabe que sou meio inconstante com minhas atualizações.

Prometo tentar não me tardar tanto nas próximas. Mas agora, me digam: em que casa vocês acham em que Harry vai cair? Desde que comecei essa fic eu já tinha escolhido, e acho que nosso leãozinho com complexo de serpente vai armar uma boa revolução por aquelas bandas. A casa em que ele vai entrar é...

Draco: Calada mugle – o jovem mago me agarra por trás, enquanto com sua mão livre aponta sua varinha para o meu pescoço – você agora é a minha refém, e eu só vou soltá-la quando essa fic começar a receber um montão de reviews.

Luana: Calma loiro, eu sei que quando se posta uma fic se espera receber alguns reviews...

Draco: MUITOS REVIEWS!!!! – pressiona a varinha mais forte contra meu pescoço

Luana: Certo, certo. Espera-se receber muitos reviews, mas não se deve ameaçar assim os leitores, quem quiser elogiar a fic tem que fazer por vontade própria e...

Draco: E quem falou em elogiar? EU QUERO É QUE RECLAMEM!!!!

Luana: Reclamar?

Draco: É, esse capitulo foi um insulto, eu nem apareço!!! Onde já se viu? Quero que todos os verdadeiros amantes do bom gosto mandem reviews começando com a frase "ONDE ESTÁ O LINDO, MARAVILHOSO E GOSTOSO DRACO MALFOY???".

Luana: Eu disse que tanta tintura um dia ia afetar o cérebro dele – murmuro para mim mesma. – eu sabia que algumas pessoas têm complexo de superioridade, mas isso é ridículo.

Draco: Vamos fazer passeatas, mutirões e músicas para protestar a desvalorização de tão belo protagonis... – o discurso do loiro é interrompido quando ergo meu punho de surpresa e o golpeio.

Bem enquanto o loiro tingido está inconsciente, eu os deixo por hora, no próximo capitulo prometo que terão mais não só de Draco, como de vários outros personagens, e desde já pergunto, quem vocês acham que é a misteriosa diretora? Quem responder corretamente vai ganhar uma cerveja amanteigada.

Draco: Nham nham... Harry... – murmura entre sonhos.

E acho que vou escalar outro personagem para comentar a fic no final dos capítulos... Esse está ficando perigoso.

Sim!!! Quanto às informações que eu citei sobre os centauros e as armmmm, elas foram inventadas por mim, não tirei nada dos livros, e não sei se serão relevantes nos capítulos seguintes, só Merlin dirá...

Até o próximo capítulo.