Nhaaa, desde já eu agradeço as meninas que me mandaram review pelo último capitulo: ...Makie... e Gika Black. E também a todos que leram e que não se manifestaram, espero que continuem a acompanhar a série.
Eu me senti um pouco deprimida com a queda de reviews, mas acho que não posso reclamar quando fui eu mesma que disse que quem quisesse pular o interlúdio não teria maiores problemas (fico pensando em quantas pessoas realmente leram aquele interlúdio – Luana sendo absorvida por uma nuvem de depressão – logo quando o casal principal dele era justamente o meu atual predileto).
O jeito é dar o meu melhor e esperar que isso os agrade . Se bem que dessa vez eu tenho uma arma secreta.
Draco: Arma secreta? – pergunta desconfiado – Qual?
...: Eu – diz isso uma imagem escondida pelas sombras.
Draco: Quem é ele? – o loiro pergunta já esperando o pior.
...: Isso você só vai descobrir no final do capítulo – risada maligna.
Tenham uma boa leitura
Disclaimers: Tenho uma boa e uma má noticias. A má é que Harry Potter e seus personagens não me pertencem. A boa é que mesmo assim vocês podem ler essa fic escrita sem fins lucrativos.
Capitulo 5: Um copo de suco de abóbora, por favor.
Mesmo que cem pessoas te virem às costas, uma sempre te estendera a mão. E mesmo que no seu caso todas as cento e uma pessoas te virem às costas, eu estenderei a mão para você.
Por favor, deixe-me estender minha mão...
Por favor, pegue minha mão...
FVQP
1º dia
Se alguém perguntasse a Harry qual dos fatores ele achava que mais o tornava diferente dos adolescentes da sua idade (ou ao menos da idade do seu corpo atual), provavelmente diria que era a sua facilidade em sempre acordar cedo. Após um longo e tortuoso treinamento sob a supervisão de sua tia Petúnia, raras eram as vezes que o moreno se dava o prazer de acordar tarde.
Bem, aquela foi uma das raras vezes.
Ainda sentindo o corpo doendo de todas as "revoluções" que ocorreram no dia anterior, Harry abriu com certo pesar os olhos, apenas para ver o grande dormitório que dividia com seus companheiros de quarto completamente vazio.
A idéia de que ninguém se dignou a acordá-lo para o café da manhã não o abalou muito, afinal, ontem não foi a melhor das estréias em um colégio. Mas ao se dirigir ao bagunçado banheiro, não pode evitar lançar um olhar desolado para a cama que pertencia a Neville. Esta, tão vazia quanto às outras.
"Ele ainda não me disse uma palavra desde aquela hora que me arrastou para longe de Remus".
Preferindo não pensar muito nisso, Harry termina rápido seu banho e coloca suas vestes da escola em tempo recorde. Se corresse talvez desse tempo para comer algo no café da manhã.
Já vestido, antes de se afastar de sua cama, ele vasculha suas novas coisas atrás de algo que deveria ter conferido desde o dia de ontem.
Um calendário.
Sabia que aquele dia era dois de setembro, mas queria uma data mais exata. Quando o achou finalmente pode conferir. Dois de setembro de dois mil e cinco, mesmo ano em que deixou o seu mundo, sendo apenas o mês e o dia diferentes. Aquela era uma sexta feira (como não fazia idéia de qual seria seu horário de aulas, preferiu deixar seus livros novos a onde estavam, voltaria por eles mais tarde). Conferido isso, ele deixou os olhos caírem no pequeno calendário lunar que tinha no topo da folha, e ai sim não pode deixar de prender a respiração.
"Lua nova. Mais duas semanas para a lua cheia. Apenas duas semanas. Terei que me organizar para quando chegar à hora"
Tentando se convencer que o melhor era se preocupar com isso mais tarde, ele ajeita por uma última vez o colarinho, larga o calendário sobre a cama desarrumada de qualquer jeito, e vai em direção a saída.
Assim como no seu dormitório, não havia ninguém na sala comunal, ou ao menos quase ninguém, sentada em uma das poltronas estava Hooch, seu semblante era mais sério do que o que tinha ontem à noite.
Bem mais sério mesmo.
Ela olhava diretamente para a escada que dava para o dormitório feminino, de certo esperando sua irmã.
A albina ergue os olhos ao sentir a presença de Harry e seus traços não suavizaram nem um milímetro, quase fazendo o moreno retroceder intimidado, mas bastou ressoar um lento som de passos, e os murmúrios de uma já conhecida musiquinha, para seu rosto adotar um largo sorriso.
- Bom dia – Harry finalmente teve coragem de se dirigir à garota.
- Bom dia Chris – ela responde enquanto se levanta e vai em direção a irmã, se ajoelha na frente da mais nova e lhe dá um selinho casto nos lábios – Bom dia pequena.
- Bom dia Xio – Trelawney murmura interrompendo a musiquinha pela primeira vez na frente de Harry, para logo depois voltar a recitá-la.
Harry não se lembrava de Rony cumprimentar Giny dessa maneira de manhã, ou Parvarti cumprimentar assim a sua gêmia quando se encontravam no grande salão de seu mundo, e de certo nunca viu Colin cumprimentar seu irmão mais novo assim também, mas entre essas duas irmãs - que para Harry estava mais do que claro que eram postiças - não havia ritual matinal mais normal.
O moreno resolveu que seria uma pessoa mais feliz se simplesmente não comentasse.
- Vamos tomar o café? – Hooch, munida com o mesmo sorriso radiante de ontem, se vira para Harry e esse apenas confirma com a cabeça.
O novato não pode deixar de pensar que esse seria um longo dia.
FVQP
Trinta e nove...
Cinqüenta...
Sessenta e sete...
E a conta apenas aumentava, aumentava e aumentava...
Parecia que a cada pessoa por quem passavam a Harry lhe propinavam um esbarrão no ombro, seja esquerdo ou direito, e a pessoa que o dava simplesmente seguia em frente como se nada tivesse acontecido.
No começo não sabia o motivo da animosidade, mas depois que ouvir um ou outro aluno esculpir quase com nojo a palavra "aborto" a resposta foi mais do que dada.
Aparentemente os alunos já haviam tirado suas próprias conclusões da cena da última noite. E até certo ponto aquilo foi meio que positivo
"Quanto mais certo eles acharem que isso é verdade, menos vão me perguntar o porquê de eu não fazer magia, e menos mentiras eu vou ter que sustentar por hora".
Harry não comentava nada, Hooch não comentava nada, e com certeza Trelawney não comentava nada, só seguiam seu percurso como se nada acontecesse.
E de certo do ponto de vista, para Hooch nada acontecia, o moreno já havia percebido, que tudo, desde a disposição, até o humor da albina estavam pendentes apenas da primeiranista, os demais eram apenas cenário. Harry não se sentiu perturbado, até gostava de ver aquele tipo de relação, a mais nova realmente precisaria desse tipo de apoio, mas ele chegou a se perguntar se poderia algum dia considerar a mais velha como uma amiga. E também se ela se portava tão friamente com Neville quando eles dois estão sozinhos, já que a garota pareceu ontem ser realmente amiga do outro garoto.
E mais uma vez Neville invadiu os pensamentos de Harry.
Tentando se distrair, e ignorar os "acidentais" esbarrões ele olha com certa nostalgia as paredes dos corredores por que passava.
"Tudo parece tão igual".
Os quadros, a pintura, aquela estranha sensação reconfortável que todo aquele ambiente lhe passava apesar de seu ar sombrio. Um sorriso não pode evitar de brotar em seus lábios ao chegar a essa conclusão.
Mas não foi por muito tempo que ele pode se perder nesse agradável sensação, pois um empurrão especialmente forte o jogou direto para o chão.
Erguendo os olhos, ligeiramente irritado, ele vê as costas do seu atacante se afastar sem remorso.
- Se espera um pedido de desculpas vai morrer na vontade. – Diz Hooch parada ao lado dele enquanto olha o outro garoto se afastar – aquele era Shacklebolt.
- Já sei já sei – Harry se levanta batendo as próprias vestes para tirar a sujeira – por que ele, segundo você, é "o garoto problema".
- Isso – ela responde com um aceno de cabeça - e também por que ele é mudo.
- Hn? – Harry a olha interrogante.
- Não disse ontem por que achei meio obvio – os três retomam a caminhada – afinal, você acha que aquela cicatriz é apenas um enfeite?
Harry realmente não havia pensado naquilo, a cicatriz era tão grande que tudo no que ele pensou foi na estética desagradável, não tinha considerado outras conseqüências.
O assunto estava se tornando mórbido demais para àquela hora da manha, e falando nisso o moreno põem atenção na musiquinha cantada pela mais nova do grupo e faz a pergunta que gostaria de ter feito desde ontem, esperando não ofender a ninguém.
- Quem foi que ensinou essa música para ela? – Harry soltou sem maiores preparações, fazendo a mais alta o olhar de esgueira.
- Ninguém. Digo, fui eu que disse para ela cantarolar suas predições, mas foi ela que desenvolveu o ritmo à medida que passou o tempo.
- Hn... – Harry não tirou os olhos da mais nova e continuou a instigar a mais velha a confirmar o que ele mesmo já supunha – e por que você sugeriu isso?
- Lógica. Você deve saber que magas como ela ficam trancafiadas por toda sua vida em algum setor do ministério, longe de todos. E existem meios... – nessa parte Hooch estremeceu ao se lembrar de algo particularmente desagradável – meios nada agradáveis de controlar as predições de mau agouro delas, pois se não, todos os desastres que acontecem a cada instante no planeta golpeiam o seu cérebro sem qualquer piedade as tornando em poucos anos "inutilizáveis". – bufa diante da expressão técnica – Ao cantar lentamente uma das predições, ela se concentra em apenas um desastre por vez, suavizando aos poucos a carga e não a desgastando tanto.
- Bem pensado. Só me surpreende que o governo a tenha deixado abandonar suas instalações.
- E não deixou, se ela não esta mais submetida a aquela atrocidade, é por que intercederam por ela. Nunca em toda minha vida pensei que ficaria tão grata a alguém como fiquei da diretora McGonagall.
- A diretora? – Harry estranhou – por que a diretora...
- Ela tinha pesadelos todas às noites, a minha Siby – a garota mais velha o interrompe – Antes de ser levada pelo governo ela era uma garota normal, mas quando voltou... Começou a ter pesadelos todas às noites, não dizia uma única palavra e varias vezes teve sua magia descontrolada, todos deram as costas para ela, até meus pais deram as costas para ela. Mesmo depois que ela se estabilizou quando começou a cantar ninguém mais a quis, todos lhe deram... as costas. Menos eu, a única voz que a tenta consolar nesse mundo de dor que é a mente dela é a minha. A única voz que tenta alcançar sua alma cansada é a minha.
Harry percebeu que tocara em um ponto realmente sensível, e que era melhor deixa-lo quieto.
A albina dá alguns passo e toca a portas que davam para o salão principal. Vira de leve o rosto e diz olhando de relance para Harry:
- Mas sinceramente acho que você tem outras coisas com o que se preocupar, não?
A garota entra deixando Harry descolocado. Assim como imaginava, a pequena Trelawney não vivia em um mar de rosas devido a sua maldição, mas preferia não pensar muito nisso, não havia nada que pudesse fazer pela garota, a aparentemente a única que conseguia amenizar a sua agonia era sua irmã postiça.
Mas a intromissão da diretora nessa historia também o intrigava, já que ela intercedera por uma criança que nem mesmo era aluna de Hogwarts, por quê?
- Tec tec tec tec tec tec
A musiquinha é interrompida quando às costas de Harry a menininha começa a murmurar aquilo sem nenhum ritmo aparente
Harry se virou e se viu sendo encarado por aqueles olhos castanhos, que graças às lentes pareciam o de uma enorme libélula. A menina não expressou nenhuma reação ao ser encarada de volta, apenas voltou a andar na direção por onde sua irmã havia passado, e continuou a murmurar sua musiquinha fúnebre.
Não teve certeza se queria mesmo ouvir uma resposta, mas não pode deixar de se perguntar:
"O que diabos foi aquilo?"
FVQP
O grande salão.
Assim como ontem estava lotado, mas desta vez Harry percebeu que o espaço era maior do que o de seu mundo e alem das cinco mesas normais havia mais três próximas à mesa dos professores.
As pessoas nessas mesas não usavam o uniforme de Hogwarts, mas vestes normais de bruxos, e eram desde crianças de colo a idosos.
E mais uma vez, a mesa dos professores estava vazia, com exceção da presença da diretora. Harry se perguntou o porquê, mas depois viu que era lógico, se ontem à noite aqueles magos tiveram que bater de frente contra comensais e magos do ministério, de certo hoje não estariam muito bem dispostos.
O que o fazia se perguntar se hoje teria aulas.
Indo na direção da mesa dos texugos, Harry não pode deixar de notar que era o centro das atenções entre os alunos, os buchichos eram descarados, não faziam a mínima questão de disfarçar que falavam dele pelas costas.
"Ah... é tão bom quando nos fazem se sentir em casa" pensa irônico.
Ao se aproximar de um lugar vazio qualquer da mesa, as pessoas que estavam sentadas próximas simplesmente se deslizaram para o lado e cobriram o lugar vago. Harry levantou uma sobrancelha diante desse ato, mas preferiu não comentar. Indo na direção de outro lugar, o mesmo aconteceu, e de novo e de novo e de novo...
Os alunos das outras mesas começaram a rir da cena, e Harry só pode pensar no quão idiota estava parecendo. Mas uma hora aquilo tinha que terminar.
Foi só depois de alguns minutos que achou um lugar onde não adiantasse o quanto se movessem, sempre haveria um espaço suficientemente livre para se acomodar. Com um sorriso semi-vitorioso ele ia na direção dele quando...
Splaaaash
Um dos alunos ao lado do lugar vago entornou todo o seu suco de abóbora na assento, e disse:
- Ops, você ia sentar ai? Desculpe, mas eu não queria mais beber, e pensei que ali fosse o lugar de colocar o lixo.
As gargalhadas nas outras mesas estouraram com tudo, e os próprios alunos da Hufflepuff pareciam conter o riso.
O novo texugo olhou do assento ensopado para o altivo garoto que segurava a taça vazia. Seu olhar se deteve especialmente na gravata que usava, e teve que crispar os lábios ao ver que em cima de uma das listras amarelo canário, próximas a gola, estava amarrada uma fita verde. E não pode deixar de murmurar:
- Escoria.
- O que disse? – o garoto do suco de abóbora perguntou ao ouvir o baixo insulto.
Mas Harry não repetiu, uma pessoa como aquele cara não valia a pena.
Com um pulo, o moreno se coloca em pé em cima do banco. Os presentes prenderam a respiração, esperando algum ato inesperado de vingança, ou que o novato iniciasse um sermão. Mas tudo o que Harry fez foi se abaixar até a altura da mesa, pegar o prato vazio que estava lá e se sentar no móvel, exatamente a onde a louça estava antes. E como se fosse à coisa mais corriqueira a se fazer, cruzou as pernas de maneira imponente, acomodou o próprio prato sobre as coxas e virando de vez em quando para trás se serviu.
Do silêncio do comedor, apenas se podia ouvir uma alta e gostosa gargalhada. Sentada a alguma distancia, mais exatamente na mesa de Gryffindor, estava Hooch, que sem nenhum remorso por não ter ajudado o moreno ria do desfecho daquela situação constrangedora. Ao seu lado a pequena Sibila parecia nem prestar atenção aos últimos acontecimentos enquanto murmurava sua eterna musiquinha, pausando apenas para mastigar o pequeno pedaço de pão que tinha nas mãos.
O rosto do "garoto abóbora" era todo um poema, mas Harry não estava nem ai, aquele garoto era o tipo de gente que mais odiava.
Traidores.
Uma das coisas que Hooch ensinou ontem foi como saber quem eram os alunos de Hufflepuff que pediam proteção de outra casa, eles carregavam em suas gravatas fitas da cor da casa a qual "servia". Harry não se prendia mais a essas coisas de casas, lados, ou que diabo for, mas o seu eterno espírito leonino achava que aqueles que seguiam essas regras deveriam fazer isso com um pouco mais de dignidade. E no momento em que se rebaixam a cobrir as cores de sua casa com a de outra, aos olhos do moreno essas pessoas não passavam de escoria.
"Crianças estúpidas" pensou guiado por seu péssimo humor "deveriam ao menos saber viver com um mínimo de dignidade".
- Ah, eu sabia que tinha acertado – o "garoto abóbora" diz mais alto que o necessário – mas também não tinha como errar, não e? Lixo não consegue ficar muito tempo longe de lixo, sempre arranjam um jeito para se unir aos seus iguais.
Harry revira seu prato com um pouco de desgosto
"Acho que o mingau do meu mundo era mais consistente, será impressão minha?"
- E pelo jeito você não passa de um neandertal, apesar de que seu lugar não deveria ser ai, mas no chão. – esse comentário teve como resposta risadinhas de seus companheiros.
Harry bufou exasperado ao erguer a colher na frente de seus olhos:
"Definitivamente o mingau do meu mundo é mais consistente, será que os elfos domésticos daqui são outros?"
- Mas não posso pedir que um ser de intelecto aparentemente tão baixo quanto o seu saiba reconhecer o seu lugar.
Harry solta um grunhido ao levar finalmente a colher a boca
"Eca, definitivamente eu vou fazer uma visitinha a esses elfos, quem sabe lhes dar um curso intensivo"
- Fora que...
- HEEEY Neville – Harry grita de seu lugar para o encolhido e distante amigo (ou seria agora apenas um conhecido?) interrompendo o monologo do "garoto abóbora" – pode me jogar a bomba de chocolate?
O texugo abriu a boca para responder, mas outro aluno falou com ele na hora, e ignorando Harry, Neville começou a falar com o amigo.
Harry não disse nada quanto a isso, lançou um olhar para Hooch que apenas sorriu em resposta e com um lançamento perfeito arremessou o doce. Harry ergue o braço para pegar a comida. Apertando mais forte que o necessário, Harry sente o doce ser esmagado por entre seus dedos fazendo cair "sem querer" em cima do "garoto abóbora" uma chuva de recheio e pedaços de bolo de chocolate.
- Ops – Harry diz enquanto lambe os dedos melecados com seu olhar mais inocente – foi mal.
- Desgraçado – o garoto abóbora e alguns amigos pareciam prontos para sacar as varinhas.
Harry olha com desgana para o prato de mingau em seu colo, o coloca novamente sobre a mesa e se levanta.
- Qual será o meu horário de hoje?
Mas ao dar o passo que o levaria de cima do assento em que estava em pé para o chão sente que alguém golpeia a sua perna. Escorregando ruidosamente no suco que havia sido derramado antes, o moreno cai de maneira vergonhosa e sua cara vai direto contra o frio piso.
Uma alta gargalhada compartilhada por quase todos preenche o salão.
Ainda sentindo seu rosto doer horrores Harry se senta no piso cobrindo o nariz e a boca com as duas mãos em forma de concha.
- Há há há há há -o garoto abóbora e seus amigos, assim como quase todo o salão, se levantaram para ir em direção as suas aulas – pelo visto finalmente o lixo achou o seu lugar.
E ainda rindo se afastam.
O moreno deixa seu olhar cair sobre Neville, mas mais uma vez o outro moreno colocava toda sua atenção a outras pessoas ao seu redor.
- Aqui – Harry olha para quem disse isso, e ao seu lado estava Hooch com a mão estendida para ajudá-lo a se levantar.
- Tudo bem – Harry sem tirar as mãos do rosto se levanta sozinho.
- Bela queda – diz de maneira zombeteira - se machucou?
- Hum... Antes quisera – responde no mesmo tom apesar da voz estar meio nasalada.
- Bom, de qualquer forma – a menina dá entre ombros como se tudo o que havia passado fosse irrelevante – a diretora McGonagall falou comigo que até fazer os testes que definem que ano vai cursar, você ira acompanhar os alunos do quinto ano.
- E por que ela diria isso para você?
- Oras, porque eu sou uma das monitoras – diz como se fosse o mais obvio.
- Hm
- De qualquer forma – Hooch repete tentando ignorar a expressão de descrença nos olhos do moreno – pegue – estende dois papeis – esse é o horário do quinto ano dos Hufflepuffs. Você vai perceber que algumas matérias vão ocorrer no exato momento que as outras, essas são as eletivas, não são obrigatórias, mas mesmo assim você terá que escolher pelo menos duas ou três. Bem, acho que é só.
- E esse outro papel?
- Ah é, no final do dia você sinala as matérias eletivas que vai querer cursar e eu entregarei para a diretora, assim ela vai poder prepara as respectivas provas de medida de ano para você.
- Certo... Mas vai ter aula hoje? quero dizer... – Harry lança um olhar indeciso na direção da mesa semi-vasia dos professores.
- Ah, não se preocupe, no começo do café da manhã a diretora disse que todos estavam bem. Alguns ainda precisam se recuperar por isso tomaram café na enfermaria, mas vão dar as aulas normalmente.
- Entendo, bem, te vejo mais tarde.
O rapaz se afasta ainda cobrindo o rosto.
- Hey Hooch – uma garota de Ravenclaw chama a albina – vamos, ou não vamos pegar bons lugares na aula de defesa.
- Hmmm – a albina olha na direção da saída por onde passava Neville cercado por vários garotos da Hufflepuff e Harry não muito longe ainda com as mãos cobrindo o rosto e murmura – parece que hoje você vai ter um loooongo dia.
- O que? – a garota olha na direção para onde Hooch olhava e com um ar de desdém diz – não me diga que você esta preocupada com aquele aborto?
- Ora ora – a albina sorri para a outra estudante – parece que eu realmente não sei me explicar, desde ontem estão confundindo as pessoas sobre quem estou falando.
E dito isso a garota deixa seus olhos amarelos acompanharem as costas ligeiramente caídas de seu companheiro de olhos castanhos.
FVQP
A cada passo que Harry dava ele sentia cada vez mais que ia contra a maré. E como se fosse para confirmar isso, seus ombros eram empurrados com mais brusqueidade que de manhã, mas não importava quantos golpes levava ele não afastava as mãos do rosto.
- Uffh – ofega com o impacto
"Aaaah, como esse gosto metálico é irritante" sua mente devaneia.
Sem se importar se quem visse de fora achasse que o novato caminhava de maneira confiante pelos supostos corredores desconhecidos do colégio, ele se move rápido para onde sabia ser o banheiro de Murta, mas a cada passo...
- Uffh
... Parecia...
- Uffh
... que alguém...
- Uffh
...tentava...
- Uffh
... derruba-lo.
- Uffh
Foi com certo custo, e com os ombros doloridos que chegou ao seu destino, e assim como em seu mundo o banheiro estava interditado.
"Então nesse mundo não só a câmara dos segredos existe como Tom esteve por aqui também."
Entrando de maneira discreta o rapaz foi até o espelho do banheiro e olhou seu reflexo.
Lá estava ele, seu eu de quinze anos, com uma aparência uma pouco melhor do que a da noite anterior, com as duas mãos cobrindo o nariz e a boca, sendo fitado por aqueles olhos verdes e cansados. Talvez ele pudesse arriscar dizer que tinha uma aparência saudável, se não fosse seu corpo magro, e as gotas de sangue que manchavam sua camisa.
- Você sabe que aquilo foi patético.
Uma voz mais zombeteira, até do que a de Hooch, falou as suas costas.
- Bom dia para você também Draco. – o moreno olha no espelho o reflexo do corpo imaterial as suas costas – Temos que um dia conversar sobre esse seu estranho fetiche de me encurralar em banheiros
- Patético e estúpido – o loiro continua ignorando o comentário anterior do moreno – Fora que depois de tantos anos de guerra fica difícil não reconhecer aquele barulhinho irritante que ouvi quando você caiu. Vai. Fala. O que foi que você deslocou dessa vez.
- Hmm – o moreno afasta as palmas da mão do rosto, posiciona os dedos sobre o nariz, e com um movimento o coloca no lugar. Tendo a voz ainda nasalada grunhi com a dor e responde – o nariz... É, acho que só o nariz.
- Francamente, não sei como você ainda não tem nenhum problema respiratório.
- Sorte eu acho – coloca um dos dedos sobre uma de suas fossas nasais e força a saída de uma pequena quantidade de sangue, repetindo o mesmo processo com a outra – droga, acho que rompi uma veia.
- Por que você deixou? – o loiro pergunta de maneira séria.
- Deixei o que? – Harry tenta soar inocente.
- Ora vamos Potter – bufa irritado – por favor, você é um dos aurors mais condecoradas a sua idade, e teve mais de um professor de defesa corporal, fora os seus instintos naturais... Não acho que um pirralho qualquer conseguiria fazer você cair daquela maneira ridícula nem em um milhão de anos.
- Nossa, agradeço por estar em tão auto-estima com você. – o moreno perde o sorriso ao ver a expressão séria do outro, dá entre ombros e se escora contra a pia – bem, o que posso dizer? Foi a melhor saída que achei. A minha idéia principal era entrar e sair daquele salão sem chamar muita atenção. – se virando novamente para a pia ele dá uma pausa para limpar o rosto ligeiramente manchado de sangue para depois voltar a encarar o loiro enquanto seca a face com a manga das vestes – Mas quando perdi a paciência e provoquei aquele garoto, eu me coloquei não na frente de uma, mas talvez de um bom número de varinhas. Eles não me atacariam naquela hora, não com a diretora por perto, mas em Hogwarts o que mais existe são lugares em que se possa encurralar alguém. Estando desarmado, talvez eu pudesse lidar com quatro até mesmo cinco magos, mas nunca com o número de caras que iriam me maldizer... logo...
Harry pega um pouco de papel higiênico e tenta estancar a hemorragia, para em seguida bater uma mão contra a outra satisfeito e ir em direção a saída.
-Logo deixou que um pivete te quebrasse o nariz. – Draco segue os passos do moreno para fora do banheiro
- Por ai. – Potter segue pelos corredores agora vazios – Às vezes para acalmar um adversário, temos que mostrar um pouco de sangue.
- Faz seu estilo – Draco suspira resignado, aquele moreno nunca mudaria – mas mesmo assim você não pode quebrar o nariz, o braço ou uma perna a cada pessoa que te incomodar até o final da semana, isso é ridículo, alem de perigoso.
-Eu sei, eu vou pensar em outras coisas. Fora que... – para de falar e cobre sua face com uma expressão de espanto
- "Fora que..." o quê? – Draco olha estranhado para a expressão de Harry e em seguida para onde estava olhando, mas não havia nada lá, apenas um corredor vazio.
Já Harry via claramente uma garota ruiva de cabelos soltos e ligeiramente desgrenhados, vestindo uma longa bata branca, que caminhava com passos vacilantes, e olhando para todos os lados, como se procurasse alguma coisa.
Ou alguém.
- Draco, por acaso você não consegue ver?
Mas antes que o loiro respondesse, seu caminho é cortado por um rosto que quase se cola contra o seu. Uma alta mulher de longos cabelos loiros, aparece de Deus sabe onde, segura o queixo do moreno e o encara de maneira analítica.
- Hmmm, como eu imaginei. Pelo menos não está quebrado. – seus olhos negros quase fizeram Harry se encolher.
- Eu... bem... – Harry fica nervoso com o excesso de aproximação. – e quem seria voc...
- Crianças idiotas – murmura a mulher que arranca sem muita delicadeza o papel do nariz do adolescente e saca a varinha – Será que não podem nem ao menos começar o ano letivo sem suas brincadeiras perigosas?
Com um movimento do fino bastão de madeira a dor do nariz de Harry sumiu.
- Como...
- Isso e só um feitiço temporário – a mulher tira um maço de cigarros e um isqueiro de dentro de suas vestes - ele vai fazer a dor e o inchaço sumirem por um tempo, por isso eu te recomendo que passe na enfermaria ao final do dia, assim eu posso tomar medidas mais eficazes.
Draco não sabia o quanto aquilo iria demorar, e não querendo gastar seu pouco tempo diário naquele mundo resolveu partir para poder voltar novamente quando o moreno estivesse mais disponível. Com um aceno de mão se despede de Harry que apenas assente com a cabeça.
Ainda sem voltar a atenção para a mulher a sua frente, o texugo lança um olhar curioso para o corredor atrás da loira, mas não havia mais ninguém ali, "Teria sido uma alucinação? Mas aquela garota parecia tanto com a Giny." Dando agora mais atenção as palavras ditas pela estranha, Harry não pode evitar de enrugar o cenho confuso e dizer:
- Enfermaria? – Harry encara de maneira descrente para a figura voluptuoso que fuma descaradamente na frente de um aluno – você por acaso seria a enfermei...
- Sr Hardnet!! – chegando por trás, a diretora coloca mais uma vez a mão sobre o ombro do aluno, interrompendo pela milésima vez no dia e o fazendo ter um sobressalto – pelo que vejo você acaba de conhecer a nossa a enfermeira.
- Sra. McGonagall – a mulher apenas acena com a mão que segura o cigarro.
- Sim... Por um leve acaso, acabo de conhecê-la.
- Leve acaso uma pinóia – a loira fuzila a diretora com seus olhos negros – esses vândalos que você chama de alunos quase deformam a cara desse seu novo protegido idiota – Harry realmente não sabe se agradece ou reclama com a forma que era defendido – quantas vezes eu já te disse Minerva, que esse seu sistema...
- Ora vamos Raven, não exagere, não é para tanto, ou por acaso é? – a diretora olha para seu novo aluno – Sr. Hardnet?
- Hm – Harry capta o desafio da mulher – não, não é.
- Bah... – a mulher bufa "agora vejo que são farinha do mesmo saco" – Façam como queiram. Só não pensei que quando virasse enfermeira desse colégio faria tanto por valer o meu salário. Acho que trabalharia menos se tivesse aceitado a vaga na emergência do St. Mungus. – a mulher deixa seus ombros caírem de maneira derrotada. E se afastando acena de costas para os outros dois.
- Ela é... – Harry começa.
- Diferente – a diretora completa sorridente – Raven Hargreaves é uma das poucas enfermeiras que se enquadra ao padrão de nosso colégio.
Harry teve que suspirar um pouco aliviado ao saber que aquela chaminé irritadiça não era a dura, mas doce senhora Ponfrey em uma versão mais nova.
- A propósito Sr. Hardnet, não estaria o senhor atrasado para a sua primeira aula?
- Hum? – o moreno arregala os olhos para logo em seguida sair correndo corredores a fora, teria ainda que passar no dormitório para pegar os livros correspondentes para aquele dia – droga.
- Tenha um bom primeiro dia senhor Hardnet – a mulher fala, apesar do rapaz já ter partido – que tenha boas experiências.
FVQP
Após se desculpar infinitas vezes com sua professora de herbologia – a que era responsável pela primeira aula – Harry não teve o que se podia chamar de bom começo (de novo). Apesar de ser uma aula que não precisasse do uso de magia, seu desempenho não era o dos melhores. Durante todo o período, pequenos acidentes aconteciam, os vasos com que mexia estavam rachados, as plantas que cuidava morriam misteriosamente e sem maiores explicações a água que usou para regar uma das hortas – tarefa que lhe foi dada pela professora para tentar evitar que provocasse mais desastres – estava repleta de veneno.
Por segundos o moreno quis acreditar que essas "coincidências" vinham da casa com quem os texugos compartiam a aula, os slytherins, mas sempre que algo acontecia as risadas vinham de vários grupinhos diferentes da própria casa, todos com faixas de diferentes cores em suas gravatas. Era meio obvio de onde vinha a sabotagem.
Fora que as serpentes apenas olhavam aquilo com seu eterno ar de superioridade, como se o moreno não valesse o esforço de sujarem as mãos.
Aaaaah como aquilo o irritava.
Foi uma surpresa quando a professora começou a fazer perguntas sobre a matéria.
Entre todas as mãos erguidas de slytherins, a única hufflepuff erguida era a sua. O que fez todos os texugos tremerem e as serpentes estreitarem seus olhos malignamente, aparentemente a participação dos de gravata amarelo canário não era muito comum, ou aceitada.
Tanto faz.
Ignorando os olhares malignos, Harry ergueu a mão o máximo que pode naquela aula e sempre respondeu corretamente as perguntas, afinal, matéria de quinto ano para alguém já formado com honras em aurologia, era moleza.
E com o fim da primeira aula Harry tinha mais inimigos do que quando entrou pelas portas da estufa. Sorrindo de maneira marota para as carrancas que passavam por ele, o texugo ignora homericamente eles e segue em frente para a próxima aula, que após olhar para seu novo horário não pode conter o sorriso.
"Duas aulas seguidas de defesa contra as artes das trevas"
Dessa vez ele não se atrasou, já que acompanhou seus companheiros de casa a uma distância segura. Sempre tendo em vista um distanciado, e sempre cercado de gente, Neville.
Essa aula eles dividiriam com os Ravenclaws. Entre alguns rostos conhecidos, ele viu entre os quintanistas da casa da águia Kingsley Shacklebolt e Dolores Umbridge.
Não que isso significasse alguma coisa, já que enquanto do primeiro ainda se sentia ligeiramente intimidado pelo porte pouco amigável, a segunda era alguém de quem não se aproximaria nem se lhe pagassem.
E Neville, bem, o rapaz por segundos pareceu ir em sua direção, mas novamente alguém apareceu para puxa-lo pelo braço e o guiar para se sentar perto de um grupinho de texugos.
Dando entre ombros, Harry simplesmente resolve se preocupar em achar aonde se sentar.
Ele até tinha tentado conseguir um lugar mais a frente, mas sempre havia alguém que lhe tomava o lugar, até que por fim se conformou em se sentar no fundão.
Com alguns minutos de atraso, o professo finalmente chegou, ou seria melhor dizer, os professores.
Harry não pode parecer mais surpreso quando viu os dois donos de cabeleiras ruivas entrarem por aquelas portas, não tinha a menor dúvida, eram eles.
- Bom dia queridíssimos alunos nossos, por favor deixem seus cérebros ocos e cansados nas nossas mãos – sorri de maneira maligna um dos ruivos.
- Que prometemos no final do ano devolvê-los cheios de bobagens, e conhecimento inúteis.
- Ou ao menos o que sobrar deles.
- Ou o que deixarmos sobrar deles.
- Fre...Fred – uma das águia gagueja.
- Jor...ge? – outra Ravenclaw balbucia não menos assombrada.
- O QUÊ VOCÊS ESTÃO FAZENDO AQUI?? – foi praticamente o grito unissom de toda a sala entre gemidos e exclamações de horror.
- É bom vê-los de novo também queridos companheiros de colégio – sorri Fred... ou seria Jorge?
- E aposto que vão ficar tão felizes quanto nós ao saberem que Fred – bem, esse com certeza era o Jorge – é o seu novo professor de defesa – se vira para o irmão – parabéns Fred.
- Obrigada Jorge.
Os dois usavam vestes idênticas cor de abóbora escura com bordados de bronze na borda das mangas, sendo que Fred levava o cabelo solto um pouco abaixo das orelhas ligeiramente revolto e mantendo uma fina trança próxima ao rosto, e Jorge tinha os cabelos aparentemente na altura dos ombros, mas presos em um rabo de cavalo baixo e levava na orelha um brinco que para Harry pareceu extremamente familiar.
- Hen hen – interrompendo a falsa alegria dos irmãos, a miniatura de Umbridge tosse para chamara atenção – que bom que conseguiu o posto Fred – sorri falsamente – não é ótimo que a diretora McGonagall tenha aceitado alguém sem diploma de licenciatura completo para impartir aulas no colégio? A pressão de ter o ministério sobre seus calcanhares deve ter finalmente a atingido para tomar tal medida – aquela voz falsamente melosa parecia estar irritando mais de um naquela sala, mas os gêmios estavam com seus sorrisos imutáveis – só é uma pena que não vá durar muito, não é?
- Ora, doce... – Fred simula uma tosse que soa como "cara de sapo" arrancando risadas de mais de uma naquela sala – ... srta. Umbridge. Se disser as coisas dessa maneira vai parecer que nos está ameaçando.
- Ora não, não, não – a menina mantêm aquele sorriso irritante – mas acho que vocês sabem que de fato os professores de defesa não duram muuuuito nesse colégio.
- Nossa, mas eu também ouvi falar disse caro irmão – Fred diz fazendo uma exagerada cara de pesar – aparentemente minha carreira como educador não durara mais do que um ano.
- Oh irmão, eu também ouvi falar – Jorge o abraça – mas não se preocupe – segura o queixo do irmão e encara a falsa cara de choro do outro – por isso estou aqui. Como seu ajudante eu vou te apoiar pelo que vier nesse fatídico ano.
- Obrigado irmão – Fred sorri de maneira exagerada – mas também soube que o posto vago de professor de defesa contra artes das trevas foi oferecido para você no ano que vem, meus parabéns.
- Obrigado meu irmão – Jorge sorri da mesma maneira que o irmão para em seguida simular uma expressão de pesar – mas também soube que minha carreira de educador ano que vem não durara mais que um ano.
- Não fique assim querido maninho – acaricia a falsa cara tristonha sem despregar os olhos dos do irmão - pois nesse ano eu estarei ao seu lado para te ajudar como seu ajudante, e te ajudarei a superar tal perda.
- Mesmo? Ah que bom meu irmão, mas também sou que o cargo no ano seguinte estará vago, talvez você devesse se candidatar a vaga...
-...NÉ? – os dois perguntam dissimulados e sorrindo de maneira maligna olham na direção de Umbridge que soltava fumaça ao entender o que eles queriam dizer com aquela atuação toda.
"Muito inteligente da parte da diretora" reconhece Harry "Ao invés de se preocupar em procurar um professor a cada ano contrata dois para que revezem o cargo a cada ano, e enquanto um fica como titular, o que fica como ajudante acompanha o processo. Agora só falta esperar o final do ano e ver se dará tão certo quanto na teoria".
- Bem, vamos à aula. – Fred bate as mãos chamando a atenção dos dispersados alunos
Os dois no final das contas não se apresentaram apropriadamente, já que todos os conheciam, pelo jeito não fazia muito que saíram do colégio.
Os gêmios pareciam se divertir em sua nova posição de poder. Alguns alunos receosos foram aos poucos cedendo e vendo que eles realmente estavam dispostos a trabalhar, mas outros, como Umbridge, simplesmente não davam o braço a torcer, tentavam a cada segundo botar os professores em situações difíceis, fazendo perguntas de respostas complicadas, mas eles estavam mais que preparados para impartir aulas.
Harry não pode deixar de lembrar que o próprio Rony em seu mundo admitiu que os gêmios eram muito inteligentes, apenas não direcionavam seus dons na direção que os pais gostariam que direcionassem.
Quase era o final da aula – que havia sido um grande resumo sobre feitiços defensivos e ofensivos – Harry não havia se manifestado, sua mão era dificilmente notada no lugar aonde estava e com tantas mãos Ravenclaws levantadas.
- Bem – Fred fecha o livro que carregava e olha para a turma – a próxima aula será a prática, nela decidiremos os parceiros com quem praticarão juntos até o final do ano.
Um burburinho se espalhou pela sala. Todos pareciam tentar formar a sua dupla antes que lhe faltassem melhores opções.
- Queeeeee – Jorge diz alto interrompendo a pequena babel que se formou na sala – serão definidas pela sorte.
Os protestos não tardaram em chegar.
- Hey hey – Fred ergue as mãos ligeiramente divertido pela situação – relaxem, não se preocupem tanto, vai ser divertido. Fora que vamos desenferrujar nossas varinhas e nos acostumar com esses feitiços simples, acho que até o meio do ano podemos começar a ver as imperdoáveis.
Um profundo silêncio tomou conta da sala de aula. Até que mais ou menos no meio dela se pode ouvir uma inconfundível tossezinha.
- hen hen – Umbridge em posse de seu irritante sorrisinho manifesta o que toda a sala pensa – imperdoáveis você disse? Devem ter se enganado, seria por acaso as mesmas imperdoáveis que o governo pune com prisão em Azkaban?
- Não sei – Fred se vira para Jorge – Hein Jorge? São essas as imperdoáveis que o governo pune com prisão em Azkaban?
- Sim Fred, essas são as mesmas imperdoáveis que o governo pune com prisão em Azkaban.
- É srta Umbridge, aparentemente elas são as mesmas imperdoáveis que o governo pune com prisão em Azkaban – sorri maroto.
- Isso deveria significar alguma coisa não? – diz como se os dois homens a sua frente não passassem de crianças estúpidas.
- Siiiim que a srta. deveria largar os livros e ler mais jornais – Jorge encara a menina – o colégio Hogwarts rompeu laços com o ministério a pelo menos onze anos atrás.
- A manifestação de magia de qualquer natureza só deve prestar conta a entidade de maior poder dentro deste castelo – Fred segue o discurso do irmão de maneira mais leve – ou seja, a diretora.
Harry abriu o máximo os ouvidos quando chegou nessa parte, "então o rompimento com o ministério já chegou a esse ponto?" Harry se comia por dentro para descobrir mais detalhes.
- Está dizendo então que a professora apóia a magia negra?
- A diretora apóia toda e qualquer tipo de magia que salve o seu rabo – Jorge parecia ser o primeiro dos dois a perder a paciência.
- Com uma imperdoável? – a garota pergunta com certo nojo – como se uma imperdoável pudesse servir mais do que destruir vidas.
- Ponto interessante srta Umbridge - Fred parecia contente por a menina ter conciderado aquele detalhe – pois coloquemos assim, eu farei duas perguntas para a sala, ambas se dividem em três partes, para cada parte que acertarem a casa do aluno que responder ganha dez pontos, mas para a casa que responder de maneira incorreta perde cinqüenta.
Os alunos se entreolharam incômodos, mas as águias sentiram seu conhecimento e orgulho desafiado com as palavras do novo professor.
- Pois bem – Jorge se senta em sua cadeira e encarando a turma pergunta – Para que são usadas as imperdoáveis?
Um mar de mãos Ravenclaws se levantam, entre elas a de Harry, mas mais uma vez ele era ignorado.
- Hn... – Fred analisa as mãos levantadas enquanto se escora contra a lousa atras de si – srta Umbridge, por favor, nos faça as honras.
- pois não professor – diz de maneira mordaz – Avada kedavra – sua cara, já não muito bonita, se contorce em nojo ao pronunciar a maldição – Causa morte instantânea, sem deixar nenhum sinal. Esse feitiço produz um flash de luz verde e um som de algo batendo no alvo. Imperius, faz com que a vítima seja controlada pelo bruxo que lançou o feitiço. E crucius, causa enormes dores físicas por todo o corpo da vitima.
- Ora parabéns – Fred sorri para a menina – pelo visto teve um ótimo verão decorando os livros-textos, acho que são uns... Trinta pontos para Ravenclaw. Bom, bom. Próxima pergunta: digam-me um uso positivo de cada uma das imperdoáveis.
Todas as mãos que antes se levantaram pareceram se encolher, Harry olhou para todos aqueles ombros encolhidos e bufar de maneira exasperada, "que mentes pouco imaginativas, e isso por que são Ravenclaws"
E ergue a única mão em toda aquela sala, sendo finalmente notado.
- Mas veja só Fred – Jorge foi o primeiro a ver a mão de Harry – e não é que temos entre nós um novo aluno.
- Sim, sim irmão, creio que ontem a diretora havia comentado algo sobre isso. – Fred estreita os olhos e leva uma das mãos sobre eles como se tentasse enxergar algo muito distante – mas vamos, vamos, responda a nossa pergunta.
" Interessante, só podia ser um novato" pensa Fred "Não é sempre que vemos um texugo tentando responder algo em uma aula".
- Bem, comecemos pelo mais simples, imperius. Pode-se usar essa magia para impedir que uma pessoa que esteja pré-disposta a cometer uma bobagem, como machucar alguém, se machucar ou até mesmo se matar. Fora que sobre esse efeito, a pessoa pode fazer qualquer coisa dentro dos limites da capacidade do seu corpo, logo, alguém que tem medo de altura pode superar esse medo, ou alguém que precisa pular um longa distancia pode realizar o feito dentro dos seus padrões.
A sala ficou silenciosa, e alguns "eu podia ter dito isso" ou "grande coisa" ecoaram por ela.
- Hnn – Fred olha de maneira analítica o rapaz – muito bom, dez pontos, próxima maldição.
- A maldição da morte – alguns alunos ofegaram como se dizer a maldição fosse fazer alguém cair duro ali mesmo – se alguém estiver com uma doença terminal, ou em meio a um campo de guerra a beira da morte, é preferível que a pessoa tenha uma passagem dessa vida sem muita dor, essa maldição tira a vida dessas pessoas sem infligir dano, de maneira tão rápida que partem sem sentir nada.
Vários se removeram inquietos, era estranho ouvir alguém falar de uma maldição tão terrível com tamanha naturalidade.
- Hm, acho que posso considerar isso como um bom uso... – Fred considera as palavras do garoto. – Dez pontos para Hufflepuff. Próxima.
Harry se pôs a pensar, e realmente se lembrou de algo antigo, mas que com certeza era um uso bom para o cruciatus, abriu a boca para responder, mas logo a fechou.
Os Ravenclaws o olhavam com certo rancor, era indiscutível que aquele novato estava mostrando um potencial que deveria ser mostrado por eles, aquilo feria o orgulho deles como águias, mas mesmo assim, esperavam as palavras de seu rival, e pareciam procurar uma brecha para poderem revidar a altura. Isso era algo que Harry admirava.
Só que...
Bastou olhar para os Hufflepuffs...
Trêmulos...
Temeroso...
Rezando para que errasse a resposta, que o fez decidir.
- Se você prende alguém em meio a uma guerra não existe meio melhor para conseguir informação, de baixo de um cruciatus qualquer pessoa abriria o bico.
- Peeeee – Fred sorri de lado – esse é um uso bem padrão, e não acho que possa dizer que e possivelmente benéfico.
- Principalmente para quem, é atingido. – Jorge complementa – Cinqüenta pontos a menos para os Hunfflepuffs.
Os texugos, ao contrario do que se era esperado respiram aliviados ao ouvirem isso, e as águias voltam a suas poses prepotentes, e logo em seguida toca o sinal para o almoço.
Não queria que os outros entendessem mal, mas ele realmente não errou aquela pergunta para trazer um pouco de alivio a aqueles Hunfflepuffs, diferentes deles, ele não deixaria de responder algo que sabe a resposta apenas por uma pressão estúpida. Apenas ficou confuso, porque estava se esforçando tanto para conseguir aqueles pontos? Por aqueles rostos tão patéticos? Não, eles não mereciam, qual era o sentido de apoiar uma casa daquelas? Para ele bastava saber que se quisesse teria vencido os Ravenclaws em seu jogo na hora em que quisesse.
Todos saem de sala, e Harry não é diferente, mas quando se aproxima da porta alguém segura seu braço. Olhando para o lado vê Jorge.
- Agora, se não for muito custo, gostaria de ouvir a sua resposta – sorri maroto
- Hn? De que esta falando professor? – tenta simular inocência.
- Ah não, o professor é ele – Jorge aponta para seu gêmio que estava escorado contra o birô e que acenava alegremente para o aluno – e ambos estamos curioso para saber a sua real resposta a aquela pergunta.
- Afh – se dando por vencido Harry apenas relaxa os ombros tensos e diz – o cruciatus pode ser usado para o tratamento de pessoas que foram expostas a muito tempo por petrificus totalus, pois essas pessoas ao passar do tempo, se receberem esse feitiço de maneira seguida, começam a sentir que seus membros se endurecem. Após tomar uma forte poção para evitar a dor, o feitiço é usado para estimular os músculos até que voltem ao funcionamento normal.
Ambos os gêmios observam silenciosos o aluno, e Harry sabia o porquê, aquela técnica era usada há anos atrás, antes que o ministério declarasse aquela maldição uma imperdoável. Tal conhecimento era de conhecimento muitas poucas pessoas hoje em dia.
E sinceramente Harry estava se lixando para que conclusões aqueles gêmios tirassem disso.
- Dez pontos para Hufflepuff – Fred diz como se não fosse nada.
- Humpf – Harry apenas assente com a cabeça e se vira.
- E da próxima vez que você errar de propósito na nossa aula.
- ...seja qual for o motivo...
- ...seja com quem você tenha uma rixa...
- ... te daremos uma redação de dois metros sobre ética.
Harry simplesmente olhou para trás e encarou os professores.
Sabia o que eles queriam dizer, errar por errar, sabendo a resposta era pior que omiti-la, por mais rancor que tivesse de sua casa, não deixaria de ser um ato baixo.
Se sentiu tão pequeno, aquela era uma atitude não muito diferente da daqueles que o atacaram por toda a manhã.
- Eu...
- Afinal essa foi uma aula divertida – diz Fred colocando as mãos atrás da cabeça e lançando um olhar sonhador para o teto
- Ora se não? Quantas vezes podemos ver esses Ravenclaws morrerem com a resposta na boca. Adorável.
- imperdível...
- Inesperado...
- Mas ainda sim...
- Impagável.
- Por isso, não se deixe intimidar texugo maravilha, faz tempo que não vemos tanto valor vindo da sua casa.
Harry sorriu com aquelas palavras, com certeza aqueles dois não são bons em repreender ninguém, dando novamente as costas ele já estava do lado de fora da sala quando ouviu um dos gêmios o chamando de novo – Hey novato, poderia nos fazer um favor? Você...
Mas as palavras morrem na boca do assistente quando vê um pequeno grupo de gryffindors passarem na frente da sala de aula, entre eles, Rony.
Jorge pareceu desejoso de falar algo ao irmão, mas esse ao notar a presença do mais velho fechou a cara em pleno desgosto e fingiu não vê-lo, incentivando os amigos a se apressarem. Seguindo os passos apressados dos leões, o moreno viu a mesma menina ruiva - agora teve a certeza que era Giny - ela parecia tentar alcançar o irmão com uma de suas mãos estendidas, mas sempre que o tocava acabava o traspassando.
Quando o moreno se virou para perguntar se Jorge havia visto o mesmo, não conseguiu dizer nada diante da expressão de dor do mais velho, alem do assistente não parecer ter visto a irmã, também parecia sofrer pela reação do irmão.
Tentando disfarça a situação incomoda, o gêmio sorriu e continuou.
- Como dizia, gostaria de pedir um favor – Jorge entregou a ele uns papeis – aqui tem uns exercícios que a diretora nos pediu para passar a uma setimanista em especial, mas ela acabou faltando, poderia entregar a ela?
- Claro – aceitou apesar de saber que entregar isso poderia ser bem problemático com a recente popularidade que tinha – quem seria?
- Xionara Hooch, conhece?
- Hn – olhou para os papeis pensando que talvez não fosse tão difícil, e também na possível razão dela ter faltado a uma de suas primeiras aulas. – Sim, eu a conheço.
- Ótimo, ótimo... Então é isso.
Um pouco antes de fechar, Harry pode ver pela brecha como o outro gêmio, que estava mais para o fundo botava a mão no ombro de alguém e falava.
- E como você está? Teve um bom começo de aulas? Comeu direito?
Seu tom era o de uma verdadeira mamãe galinha, e depois que a porta foi totalmente fechada, Harry ainda pode ouvir
- Fred, você trouxe aquelas gomas gruda-dentes que fizemos durante o verão? Você vai adorar pequeno, essa foi uma das nossas mais novas invenções.
E Harry se afastou da porta ligeiramente incomodado, e sem se preocupar em ouvir uma resposta da terceira pessoa naquela sala, pois ela nunca viria, afinal, a outra pessoa era Kingsley Shacklebolt.
FVQP
O cansado texugo se senta em um dos bancos próximo ao lago, onde tinha uma boa visão das portas do castelo, mas a uma boa distância. Em seu colo ele tinha um prato cheio de arroz, feijão, uma pasta que ele supõe ser ou de cenoura ou de abóbora, e vários pasteizinhos de carne.
Não estava muito a fim de comer no grande salão, depois de uma manhã trágica, tudo o que precisava era de um pouco de paz. Por isso, invadiu a cozinha e convenceu alguns elfos a prepararem um prato para ele.
Mal levou a primeira garfada a boca e ouve uma grossa voz a suas costas.
- Não acha que aqui é um dos melhores lugares para se almoçar?
Sentando ao seu lado – provando o quão largos eram aqueles bancos – se acomodou Hagrid, o gentil meio gigante.
Harry teve que se conter para não abraçar o homem a sua frente, ele era idêntico ao Hagrid de seus dias de escola, com sua aparência selvagem de sempre, apesar de conseguir manter os brilhantes olhinhos gentis.
- Gosto de manter certo contato com a natureza – mentiu Harry concordando com o hibrido – aqui é bem agradável.
- Sim, Hogwarts pode estar na época em que for, seu ar de tranqüilidade consegue ser imutável – o meio gigante olha de maneira sonhadora para os sólidos muros da construção.
- Realmente é um lugar maravilhoso. – Isso foi dito com mais sinceridade do que ele poderia reconhecer
- Você é o aluno novo, não é ? – finalmente o homem cai em si – seja bem vindo meu rapaz – dá a Harry "leves" tapinhas nas costas que quase o faz derrubar o prato – o que esta achando de seu primeiro dia?
- Revigorante – murmura ligeiramente rancoroso, mas derrepente lhe vem uma idéia, aquela pode ser a chance de descobrir parte do novo mistério que tinha a frente – mas parece que como em todos os colégios os professores tem os seus favoritos – diz como se não fosse nada.
- Ora? – o homem pareceu ligeiramente desgostoso com a insinuação - Mas por que diz isso?
- Nada não – diz como se estivesse brincando – apenas me lembrei como os professores Weasleys pareciam se dar bem com o Shacklebolt.
- Oh, por isso – Hagrid fica menos tenso – mas é obvio que se dão bem, afinal são irmãos.
"Irmãos??"
- Você não sabia? – pergunta ao ver a cara de interrogação no moreno – isso de adotar crianças de outras famílias não é raro nos tempos de hoje , sim, sim, essas crianças vitimas da guerras que perdem seus pais, normalmente não perdem o sobrenome, principalmente se tiverem o sangue puro. O garoto Shacklebolt vive com o Weasleys desde que tem três anos, os pais foram mortos ao serem atacados por comensais.
Harry sorri por dentro diante do homem que soltava informação como uma metralhadora. Era fácil demais. Por isso aproveitou para tira algumas outras duvidas daquele mesmo assunto.
- Ataque de comensais? Que horror – Harry forçou o máximo seu tom de pesar – deve ter sido horrível, perder os pais e ainda conseguir aquela cicatriz horrível.
- Não, aquela cicatriz não foi feita naquele dia, mas no dia em que a toca foi atacada. Pobre garoto, quando finalmente pensou que poderia ter uma vida normal acontece uma coisa como ... – nesse ponto o adulto arregala os olhos e detêm a própria boca – digo... é realmente trágico que não consiga mais falar.
- Sim, trágico – Harry se contem para não gritar, estava bem perto, - mas realmente deve ser uma marca que deve trazer más recordações, por que ele não opera? E as cordas vocais, elas...
- Ele operaria se pudesse – Hagrid volta a soltar informação ao ser absorvido pela dor – mas o tipo de feitiço usado nele... – os olhos do meio gigante olham para Harry e volta a si – bem... Seja como for – se levanta – esse não é um dos melhores assuntos a se discutir tão levianamente né? Bem... Tenha um bom resto de dia.
E se afasta a passos apressados. Harry que simulava um sorriso amigável deixa sua face relaxar e bufa exasperado.
- Eeh – Harry se espreguiça e apóia as mãos para trás enquanto ergue a cabeça para fitar o céu. Ainda nessa posição sente uma figura incorpórea que havia acabado de se projetar perto dele – se eu não consigo arrancar essa informação nem mesmo de Hagrid quer dizer que esse assunto é mesmo um tabu por aqui.
Draco fica alguns segundo encarando a figura relaxada do moreno. Durante toda aquela manhã ele observou as evoluções do ex-amante, e em varias circunstancias desejou tira-lo daquele mundo. Foram poucos, para não dizer quase nenhum, os sorrisos que Harry deu durante todo aquela longa manha. E seu corpo deveria estar completamente dolorido. Mas mesmo assim, apenas uma coisa evitava que o loiro pusesse fim a essa nova experiência, que era ver aquilo que esteve buscando nos olhos do moreno nos últimos tempos, aquilo que havia perdido pouco a pouco durante a guerra. Vida, a mesma que viu noite passada nos banheiros de Hufflepuff, os olhos do moreno pulsava com vida. A raiva, o ressentimento, as poucas alegrias, e vitórias, tudo aquilo se acumulava nas esferas verdes e pulsavam naqueles olhos, nunca Draco vira o moreno tão vivo. Fora que mesmo que o trouxesse de volta para seu lado, ele teria que fazer o pagamento correspondente por executar aquele feitiço.
"Não... é melhor assim".
Draco se conforma, e voltando a si vê que Harry ainda esperava sua resposta sem sair daquela posição.
- Você fala do que aconteceu com os Weasleys? – Draco senta seu corpo imaterial ao lado do de Harry.
- Pois é – sua expressão se torna sombria – aparentemente algo terrível aconteceu com eles, não só pelo o que Hagrid disse, mas pela estranha reação do Rony com Jorge, se existe algo que é de maior importância para um Weasley, seria a sua família. Seja lá o que aconteceu nesse tal atentado, tenho a impressão que a cicatriz na garganta de Kingsley foi a menor das conseqüências. – o moreno deixa a cabeça cair de lado para encarar a pessoa com quem falava – Fora que você não acha estranho?
- O que?
- Até agora eu não vi nenhum sinal da Giny. Eu sei que algumas idades estão diferentes e tudo o mais, e no começo eu nem me importava muito levando isso em consideração, mas ultimamente eu a tenho visto vagar pelos corredores, e o pertubador é que aparentemente ninguém mais vê.
Harry descreve os dois últimos encontros que teve com a ruiva. Foi com o coração encolhido que sugeriu que a menina poderia ser um fantasma.
- Os fantasmas que entram nesse castelo podem ser vistos por qualquer um Potter – Draco diz isso, mas também parece considerar a hipótese – se fosse o caso dela ser um fantasma, todos poderiam vê-la também. Se ela está viva ou morta, não tem nada haver com essas estranhas aparições. Fora que eu não já te disse que todos os habitantes desse mundo que um dia você conheceu tem que cruzar o seu caminho pelo menos uma vez? "Morte" esta totalmente fora de cogitação.
Harry sentiu seu coração se aliviar ao ouvir aquilo, e agradeceu internamente as palavras do loiro.
- Bem, acho que posso deixar para pensar nisso depois – um sorriso se estende no rosto do moreno – por agora eu não consigo parar de pensar o quanto esse dia foi bom.
- Hn? – Draco encara o moreno como se um parafuso acabasse de pular de sua cabeça – desculpe Potter, mas tanta pancada na cabeça finalmente despertou o seu lado masoquista?
- Meu lado masoquista se despertou há muito tempo atrás, o que explica por que mantenho você do meu lado. É só que – Harry olha por onde o meio-gigante se foi – ver Hagrid, o mesmo Hagrid que eu vi a tanto tempo atrás, exatamente como era no meu mundo, me fez pela primeira vez me sentir realmente em Hogwarts. – olha para a expressão incrédula do loiro – é serio, eu não ligo para o que essas crianças estúpidas estão fazendo, até certo ponto não posso negar que é incomodo, eu algumas vezes não agüentei e até me rebaixei ao nível deles tentando revidar. Mas quando Hooch fez todo aquele drama ontem eu pensei seriamente que as coisas seriam um pouco mais drásticas, o que me alivia um pouco – Harry olha com um semblante sereno para os muros de Hogwarts – aparentemente ninguém aqui sabe o que realmente é dor.
- Hnn – Draco ainda não estava muito convencido, preferiu não falar, mas sabia que as pessoas com quem Harry realmente deveria tomar cuidado ainda não tinham se movido, as coisas estavam ao ver dele, assim como o moreno disse, brandas, incomodas, mas brandas em comparação a tempestade que esperava vir. – Mesmo assim não acha que é uma reação um pouco exagerada?
- Hagrid foi o meu primeiro contato com o mundo mágico – o moreno murmurou nostálgico – eu posso ter conversado com comerciantes e tido que apertar as mãos de algumas pessoas, mas ele foi o primeiro ponto importante de minha nova vida, ate que eu topasse com os Weasleys.
- É mesmo, não é? – Draco apertou as mãos de maneira nervosa e pensou com certa tristeza: "começou" – eu tinha me esquecido que você havia me dito algo parecido... Eu... eu tenho que ir.
- Hum? – Harry olha de novo para o nervoso loiro.
- Eu tenho que ir, meu tempo aqui já acabou.
- Eu não sabia que você tinha tempo limi... – e o loiro desaparece diante de seus olhos - ... te.
Dando entre ombros Harry deixa suas costas caírem contra o encosto do banco, mas não teve tempo de fechar os olhos para descansar.
- Huuum, e derrepente pegamos o nosso "novato maravilha" em meio a um ataque de esquizofrenia.
A voz alegre as suas costas o fez virar a cabeça para ver a sorridente Hooch que se aproximava. Tendo sempre a seu lado a inexpressiva e murmurante Trelawney.
- Você parecia estar falando com alguém – a menina se senta logo a onde Draco estava antes.
- Nãaa – o moreno se põe ereto – apenas resmungava um pouco sozinho.
- Huuum – ela da entre ombros e olha para os restos do almoço que o moreno ainda mantinha no colo – pelo visto você não foi ao grande salão.
- Nem você – diz levando em conta a direção de onde ela vinha
- Eu sou a capitã do time de Hufflepuff, como todo ano tem algum engraçadinho que tenta sabotar as nossas vassouras eu fui dar uma conferida nelas e renovar os feitiços de proteção.
- Capitã, né? – Harry não podia pensar em nada mais obvio vindo de quem vinha – e como esta o time esse ano?
- Ah, está ótimo. Este ano ele está composto apenas de ótimos voadores.
- Verdade? – aquilo sim surpreendeu Harry, até mesmo em seu mundo Hufflepuff deixava a desejar com relação ao quadribol, se não fosse claro a presença de Cedric Diggory
- Verdade – respondeu com verdadeiro orgulho – eu posso garantir, afinal, eu sou a única jogadora.
- Heim? – o moreno pergunta desconcertado.
- Que todos os jogadores da equipe são ótimos voado...
- Não, eu digo da parte em que só você faz parte da equipe?
- Ah, é normal. Todo o ano o time de Hufflepuff começa quase vazio, a maioria dos jogadores que entram no ano anterior que fazem alguma diferença em alguma partida são meio que ameaçados para sair no ano letivo seguinte, isso só prova que o ano passado o time realmente era bom há, há, há – a albina ri de uma situação a qual Harry não via graça alguma.
- Não sei por que o orgulho – Harry resmunga meio inconformado com a falta de revolta da garota – se você ainda esta no time não quer dizer que...
- Eles não ousariam – foi a resposta cortante da albina que não perdeu o sorriso por nem um segundo – jogo nesse time desde meu segundo ano e não há quem ouse me tirar dele
E lá estava de novo, a mesma sensação que teve de manhã, um escalafrio passou por sua espinha ao ouvir o tom da garota. E também o fez pensar. Realmente, desde que o dia havia começado, ele não se lembrava de ver ninguém tentar tocar nela, pelo contrario, ela parecia se dar muito bem com todas as casas. Lançou um olhar de esgueira para a gravata da menina, mas não havia nenhuma faixa de seja qual fosse a cor.
- Ah é – Harry tira de dentro de seu material os papeis que Jorge pediu para entregar – aqui estão uns exercícios que os professores Weasleys te passaram.
- Weasleys? – Hooch folheia o material interessada – então eles realmente pegaram a vaga de defesa. Droga, e eu perdi justo a primeira aula deles.
- E por que você não foi? – o moreno tentou parecer casual.
- Negócios de ultima hora – diz como se fosse nada.
Harry não pode deixar de imaginar que tipo de negócios uma estudante pode ter que a faz perder a primeira aula do ano.
- Por que a diretora pediu para que te passassem esse exercício?
- Não só eles, mas todos os professores me passam exercício extra durante o ano – ela da entre ombros – como eu falto a muitas aulas eu tenho que compensar pela ausência.
- E porque você falta? – tenta novamente.
- Negócios de ultima hora – mas só recebe as mesmas palavras e um sorriso malicioso.
Os dois caem em um profundo silêncio, rompido apenas pelo murmurar de Trelawney que estava sentada na grama próxima ao banco.
- Parece que passou por um dia pior do que eu pensei. – Hooch fala repentinamente.
- Hn? – Harry olha para o rosto sério da garota – nem tanto, eu apenas...
- Neville – Hooch olhava para um ponto a sua frente – parece ter passado por um dia pior do que eu pensei.
Harry olha para onde a garota mirava, e viu o alvo de seus comentários. O texugo em questão estava rodeado de vários outros alunos de sua casa, todos riam e falavam ao mesmo tempo, e o garoto sorria para cada um deles e faziam um comentário uma hora ou outra.
- Ele parece bem – Harry murmurou com certo ressentimento.
- Você acha? – a garota segue o grupinho que parecia voltar para o castelo. – Sabe? Em cada casa os alunos meio que elegem um príncipe. De maneira geral essa pessoa representa sua casa quando ocorre algum problema ou simplesmente tenta conter problemas internos. Uma constante fonte de atenção. Em Hufflepuff, diferente das outras casas, não se escolhe a pessoa mais intimidante, ou mais poderosa, mas a mais reconfortante, alguém capaz de consolar e entender seus companheiros. Quem você acha que escolheram ano passado depois que Cedric se formou?
- ... – Harry apenas observa o grupo que havia finalmente passado pelos portões principais.
- Se você conversou ao menos um segundo com Nevy ontem deve ter percebido que ele não é o tipo de pessoa que aceita um posto desses, mas isso não é algo que se tenha opção de aceitar ou não, simplesmente te empurram para o cargo.
- Por que você esta me dizendo isso?
- Por que ele é um idiota – a menina diz sem maiores cuidados – Ele disse ontem palavras muito boas para você, e aposto que ele realmente acreditou nelas, e pelo jeito que vejo você olhar para ele, acho que você também acreditou. Mas de nada adianta palavras se não tem a força para segui-las, e Nevy é bonzinho de mais para se egoísta ao ponto de se preocupar apenas com uma pessoa.
- Eu nunca pedi isso.
- Egoísta o suficiente de tornar o seu sorriso presente apenas para uma pessoa – ela afaga os cabelos castanhos de sua irmã – Não sei quem você espera que Neville substitua Hardnet, mas esperar que ele seja a sua pessoa egoísta vai apenas feri-lo.
A albina se levanta e sendo acompanhada por Trelawney volta ao castelo.
- Eu não quero que ele estenda a mão só para mim, não quero que ninguém estenda a mão para mim, não preciso que ninguém...
Seu olhar cai no lugar a onde antes estava Draco, e para por onde passou Neville.
- ... estenda a mão para mim.
Ele era um rapaz forte, sempre foi e sempre será. Então por quê? Por que ele sentia aquele estranho frio?
FVQP
As seguintes aulas Harry se moveu como um autômata, mas mesmo assim todas as vezes que teve chance fez questão de responder as perguntas que lhe faziam, para desespero dos de sua sala e ódio dos demais.
Ainda estava perturbado com as palavras de Hooch. A idéia de que poderia ser uma pessoa tão dependente o incomodava. Foi quando percebeu que sempre de uma forma ou de outra, desde que entrara em Hogwarts estivera com alguém do seu lado, primeiro Rony e Hermione, e logo depois Draco.
"Hermione, onde você esta? Eu olhei nas mesas de cada casa, mas não vi nem sinal seu. Será que nesse mundo você virou uma das professoras?"
Harry não queria alguém que "sorrisse apenas para ele", nunca foi tão pretensioso, mas em meio aquela solidão entre tantas pessoas, ele gostaria de ter alguém que "não se importasse de compartilhar seu sorriso com ele também".
Quando passou de sala para sala, seus ombros eram como antes continuamente golpeados, mas isso ele simplesmente ignorava e seguia em frente. Até que finalmente chegou às duas aulas finais. Poções.
Diferente das outras vezes, ele conseguiu um lugar que não fosse no fundo, mas isso apenas por que todo e qualquer outro Hufflepuff pareceu tentar ficar em um lugar o mais longe possível do birô do professor.
O moreno teve um mau pressentimento.
A aula teve inicio e o professor que impartia, assim como os outros, não se apresentou, já que era uma turma de quinto ano e todos o conheciam, todos menos Harry.
O homem deveria ter seus trinta... trinta e dois anos, cabelos negros e olhos castanhos, um copo bem feito – essa parte Harry notou logo de cara – e decididamente um ar tão severo, ou até mais, que o de certo professor de poções em seu mundo.
O professor por sua vez também havia percebido Harry, um homem tão observador como ele não deixaria passar um rosto novo facilmente, e logo supôs ser o famoso aluno transferido que alguns professores comentaram, os idiotas que a diretora contratou como professores esse ano de defesa contra as artes das trevas disseram que ele era...
"Qual era a palavra mesmo? Ah, inusitado, um texugo inusitado. Bem vejamos o quão inusitado esse aborto pode chegar a ser".
Apesar de expectativa, o homem não pode deixar de sentir um estranho sentimento que crescia à medida que olhava disfarçadamente para o rosto daquele rapaz.
Era como...
A aula seguiu, assim como nas outras era mais uma revisão que qualquer outra coisa. Harry demonstrou tanto conhecimento como nas aulas anteriores, por mais que um ou outro tentasse sabotar a sua poção, eram sabotagens tão elementares que ele conseguia contorná-las ao acrescentar os ingredientes certos, e assim como antes conseguiu pontos para sua casa.
Aquilo sim era algo raro, era certo que até o final do ano era impossível que os texugos não conseguissem fazer alguns pontos, afinal eram alunos e deveriam mostrar algum rendimento se queriam passar de ano, mas passar pelo primeiro dia de aula sem o contador de sua casa zerado era uma façanha que não acontecia a muito tempo.
E era algo que não trazia alegria para muita gente. Mas Harry apenas ignorava e seguia em frente. O professor mais uma vez olha aquela expressão serena em meio a tanta hostilidade e mais uma vez foi inundado por aquele sentimento.
Era como... sim... era exatamente como...
E enfim chegou a hora. A tão temida hora das perguntas orais. Assim como nas outras aulas, Harry a cada pergunta levantava a mão apesar dos olhares furibundos que recebia.
E lá estava ele, aquele sentimento.
Era como... sim... era exatamente como... se sentisse...
Harry por seu lado estava entediado, as perguntas eram fáceis, ao menos para seu nível, e aqueles olhares, seja apavorados, ou raivosos, já haviam virado repetitivos. E sem querer, movido pelo excesso de confiança, disse:
- Você pode me perguntar as próximas duas páginas de exercício completas que eu vou saber as respostas.
Aquilo fez mais de um trincar os dentes diante da ousadia do texugo, e algo dentro do professor estalar. Aquele incomodo sentimento que teve desde a primeira vez que o viu.
Era como... sim... era exatamente como... se sentisse... o mais puro e imensurável ódio só de olhar para aquela cara.
Foi quando Harry se espreguiçou que aconteceu, vindo de não se sabe onde (apesar de que as risadinha vindo de um grupinho de serpentes desse certa idéia de quem seria os autores da peça) algo estourou sobre seu livro de poções, e todo o objeto foi coberto por uma forte tinta vermelha. A tinta alterada magicamente transpassava rapidamente por entre as folhas tornando tudo ilegível. E quando Harry ergueu os olhos para falar com o professor se viu diante de uma expressão malvada.
- Ora Sr. Hardnet, creio que o senhor disse que nos brindaria com as respostas das próximas duas páginas de exercício, estou esperando.
Foi olhando para aqueles olhos maliciosos que Harry soube que de nada adiantaria reclamar, mais do que os alunos ali presentes aquele homem queria ver como Harry sairia dessa.
- Ainda estou esperando ou a palavra de um texugo não vale tanto quanto se espera?
O lado da sala correspondente às serpentes se desfez em risinhos malvados e comentários maldosos murmurados.
Harry apenas se resignou, poderia até ser humilhado, mas nem por isso se rebaixaria mais.
- Devo supor que você não sabe as respostas senhor Hardnet? Então aquela bravata anterior foi movida apenas por ego? Tsc tsc, pensei que tal papel ridículo viria apenas daqueles tolos leões.
Mais risos por parte dos slytherins
- Mas também, não poderia esperar menos de um simples abort...
Preeeeeeim
O som forte de uma cadeira se arrastando assusta a todos os presentes e cala o professor.
Harry teve que se virar para trás para ver o que houve. Neville, como se fosse a coisa mais natural do mundo, se levantou de sua carteira e caminhou até o lado do outro moreno. Com o livro aberto na pagina da matéria que estavam tendo o joga bem encima do livro empapado de tinta, respingando algumas poucas gotas nas vestes de Harry.
- Sr. Longbottom, não que eu tenha a pretensão de conseguir compreender o que se passa em sua diminuta cabeça, mas o que diabos pensa que esta fazendo? – sibila o professor.
- Nada de mais senhor – Neville sorri de maneira amigável para o homem que o fuzilava com os olhos – mas como ninguém pareceu perceber que Chris estava tendo problemas com o seu material eu pensei em emprestar o meu li...
- O mau cuidado do senhor Hardnet para com seus utensílios escolares é uma questão a ser tratada em outro momento, pegue seu livro e volte para seu lugar, Sr. Longbottom.
- Mas...
- SEM MAS, SR. LONGBOTTOM – o homem estava prestes a perder a paciência – volte para seu lugar antes que os marcadores de Hufflepuff comecem a marcar NEGATIVAMENTE!!
-Si...sim senhor – balbucia o aluno
Neville se abaixa levemente para pegar seu livro e nisso Harry sorri para o garoto tentando mostrar que estava grato pelo ato. Mas tudo o que o outro faz é sorrir em resposta de maneira conspiradora e apontar levemente com a cabeça para o colo do outro. E se vai.
Harry olha para o próprio colo e vê duas páginas arrancadas, exatamente as das questões. Sem perder tampo, ele as lê disfarçadamente enquanto os de mais se acalmam depois daquela demonstração pouco ortodoxa da parte de Neville.
- Bem senhor Hardnet – o professor se recompõe – já que você aparentemente não sabe as respostas, eu não tenho escolha a não ser...
- Mandragura – diz com simplicidade Harry.
- Como?
- A resposta para a primeira pergunta. Para conseguir dobrar os efeitos de uma poção anti-acne deve-se pulverizar as raízes de uma mandragura.
- Mas como você...
- E a resposta de segunda é Penas de fênix. A da terceira é unindo escamas de dragão com o sangue do mesmo. A da terceira é manter em cozimento por meia hora. A da quarta é evitar fazê-la as luas cheias. A quinta...
- Chega, não sei como você sabe essas respostas quando nem deveria saber as perguntas mas...
- E por que não deveria saber as perguntas? – pergunta inocentemente.
- Mas... – continuou o homem, ignorando o visível sarcasmo – não tolerarei cola nessa sala.
- Respondi essas perguntas apenas com meu conhecimento – diz Harry ligeiramente ofendido – se duvida de minha capacidade, me pergunte aqui e agora, algo, e aposto que saberei responder tão bem, ou até melhor que antes.
Os dois se encaram com raiva, e toda a sala se cala diante daquele duelo de olhares.
E para alivio dos de mais, toca a campainha de fim de aulas.
- Não sei que tipo de educação você teve antes de chegar aqui Sr. Hardnet, mas quero deixar bem claro que não pretendo ser desafiado em minha própria sala de aula. Detenção, próxima sexta, as oito, compareça a minha sala.
E dito isso ele libera os alunos.
Harry sai da sala, sendo fuzilado pelos slytherins e evitado pelos hunfflepuffs.
Novidade...
- Chris...
Uma voz vacilante o chama as suas costas, era Neville, de maneira encabulada ele se aproxima.
- Eu... Desculpe-me se eu te evitei o dia todo, mas...
- Hey Neville – outro aluno do ano deles passa o braço pelos ombros do texugo e sorrindo diz – vamos logo, se não corremos Adrian vai comer todos os pasteis.
- Qual é, até parece – outro texugo aparece e pegando o braço de Neville começa a puxá-lo para longe de Harry.
E outro, e outro e outro... Vários texugos foram vindo e pareciam determinados a levar Neville e Harry apenas via tudo aquilo resignado.
"Tudo bem" pensou.
"Eu não preciso de ninguém para me apoiar, que sorria, ou que..."
E de costas sente alguém segurar forte a sua mão.
"... segure a minha mão."
Virando o rosto, ele vê a expressão determinada de Neville.
- Ne... Neville? – os outros texugos o olhavam temerosos.
- Foi mau gente, mas hoje vou jantar com o Chris.
- Neville – todos pareciam receosos em falar o que pensavam.
- Sei o que estavam fazendo, e agradeço por se preocuparem comigo – sorri daquela maneira calorosa que agradava a todos – mas essa é uma situação que não posso mais tolerar.
- Neville, você não entende- um dos hufflepuffs toma coragem – ele esta marcado, as outras casas... elas... Não podemos deixar que você fique perto dele, se continuar assim você vai acabar se machucando.
- Se tiver que ser – dá entre ombros – a única coisa que não posso suportar é de ter vergonha de meus próprios atos.
Dando a volta, Neville e Harry andam por mais alguns corredores ainda de mãos dadas, quando perceberam a gafe, ambos afastam as mãos como se queimassem.
- Como dizia – Neville retoma sem jeito o assunto – Chris, sobre hoje... Eu nunca fui muito bom de dizer não aos de mais, sempre me deixei levar. Apesar do que eu prometi ontem eu deixei de novo me levar e...
- Tudo bem – Harry diz de maneira leve – deixa para lá.
- Mas...
- O que você fez hoje na sala valeu por todo o dia há, há, há – o moreno se perde em uma gostosa gargalhada – a cara de todos foi impagável.
- É – responde envergonhado – Foi tudo tão rápido que antes que eu notasse já havia arrancado as paginas do meu caderno e ido para o seu lado. E no fim você ainda vai ter que se apresentar em uma detenção.
- Detalhes – abana a mão desmerecendo a situação – Falando nisso, o seu livro deve estar acabado. Se quiser eu posso te comprar um novo, vou ter que comprar um para mim de qualquer jeito.
- Nada que um reparo e alguns feitiços removedores de tinta não resolvam. Se quiser eu posso realizá-los no seu livro.
- Seria bom – responde envergonhado, tinha se passado apenas um dia sem magia e Harry já pensava como um muggle. Tirou de dentro de sua bolsa as duas folhas arrancadas – aqui, vai precisar disso quando reparar o seu livro.
- Obrigado – Nevy guarda as folhas e suspira ligeiramente amargado – Que dia... O professor Riddle podia ser menos rígido.
- Rígido? – Harry pergunta indignado – ele poderia ser menos bastardo, isso sim, quem ele pensa que... hey – o moreno fica pálido – vo... você disse... Riddle?
- É. – responde com simplicidade – Professor Tom Marvolo Riddle.
Harry sentiu as pernas fraquejarem. Como era possível? Tom? Professor? Mas se pelo o que ele ouviu Voldemort já existe e está muito bem ativo. Como pode Tom Riddle estar calmamente dando aulas de poções dentro dos muros de Hogwarts?
"Isso esta ficando cada vez mais insano"
FVQP
Dois slytherins que viam os dois texugos se afastarem inocentemente, não conseguiam disfarçar todo o ressentimento e humilhação que a sua casa passou. E apontando para as costas do "aborto" eles estavam prestes a murmurar uma maldição quando ouvem uma voz rouca e ameaçadora mais próxima das suas costas do que realmente gostariam.
- Suas mamães nunca ensinaram a não brincar com o brinquedo dos outros sem a devida permissão.
As duas serpentes se viraram em um salto para encarar temerosos quem se havia se esgueirado por trás deles.
Ninguém mais que Greyback
Um dos garotos, por puro instinto ainda sacudiu sua varinha na direção do lobisomem recitando uma maldição de conjuntivite. Mas tudo o que conseguiu foi como resposta uma risada sinistra.
O adolescente de cabelos descolorados, fazendo uso de sua força e velocidade sobre humanas, segura os dois companheiros de casa pelo pescoço e os prende contra a parede.
- Tsc tsc tsc, pensei que a essa altura do campeonato vocês já soubessem que esses seus palitos não funcionam contra mim – o ameaçante garoto sorri maldoso enquanto aponta com os olhos para o colar que levava no pescoço.
- Ora, mas essa é a primeira vez que eu vejo um cachorro se sentir orgulhoso por usar uma coleira. – disse uma voz arrastada que se aproximava da confusão.
Greyback ao reconhecer a voz larga os dois garotos que fogem mais que depressa, e se vira para encarar o recém chegado.
Régulos Black apesar de ser dois anos mais novo que o lobo não parecia intimidado. Já Lucius era mais cauteloso que o amigo ao se aproximar do outro slytherin.
- Se a coleira for anti-pulgas, talvez o alívio valha a pena.
A indireta foi friamente lançada.
A "coleira" em questão era um artefato feito pela diretora que foi emprestada para o lobisomem poder cursar Hogwarts. Mesmo sem poder usar magia, ele não ficava em desvantagem com os outros alunos se alguém o fosse atacar, já que a peça continha todos os mais fortes feitiços de defesa que a mulher conseguiu juntar.
- A aula que teve fim a pouco era para quintanistas, o que o honorável setimanista e ou pentelho quartanista fazem por aqui? – pergunta maldoso.
- Poderíamos fazer a mesma pergunta para o pulguento sextanista – Régulos diz com não menos maldade.
Lançando um ultimo olhar de desagrado ao pequeno, Fenrir da às costas aos dois recém chegados e se vai.
- Regulus – Lucius diz de maneira severa – não devia testar tanto a sua sorte com esse cachorro sarnento, ele pode ser muito perigoso.
- Relaxe Lucius – o mais novo da um leve tapinha no ombro do mais velho – Greyback não pode fazer nada contra mim, ao menos não por enquanto. Não com a dívida que ele tem comigo.
- Dívida? – o loiro ergue uma de suas sobrancelha em uma expressão curiosa, qualquer coisa vinda desse pequeno demônio não poderia ser boa.
- Coisa nossa – responde misterioso – Algo que apenas um Black poderia fazer por ele. Mas mudando de assunto, o dia acabou e pelo que eu vejo o seu porquinho da índia novato não mostrou nada de excepcional. Pelo que eu ouvi, ele não realizou um único feitiço no horário letivo inteiro. Talvez ele não tenha nada de especial afinal.
- Será? Então me diga quantas pessoas você viu serem defendidas por Greyback.
Esse argumento calou Black.
- Pois eu respondo por você, nenhuma. Esse garoto, sim, tem algo de especial. E o fato de não usar magia é o que mais me intriga, pois se ele fosse um aborto, o que eu duvido, depois da cena de ontem, ele teria um colar de proteção como o do Greyback.
- De qualquer forma, o boato não parece ter pressionado muito ele. Por Merlin, pelo pouco que vi ele nem ao menos desmente. Quantos magos se deixam chamar de abortos tão facilmente?
- Talvez essa não foi a abordagem correta – o loiro disse analiticamente – Talvez eu tenha que tentar usar outro método, algo mais direto.
Regulus não perguntou para o amigo qual seria o método, tudo o que precisou foi ver o sorriso maligno de seu amigo para suspirar e concluir.
"Hardnet, eu não queria estar no seu lugar"
FVQP
Dessa vez quando entrou no grande salão, após mais uma sessão ombradas, Harry olhou diretamente para a mesa dos professores. Quase todos estavam lá, e a maioria dos rostos eram os mesmos do de seu mundo, um ou outro era mais novo, ou mais velho, os únicos diferentes do corpo docente de seu mundo eram os gêmios, uma mulher que Harry demorou um pouco para reconhecer como sendo Lilá Brow e o sempre sombrio Tom Riddle.
Mas nem sinal de Hermione.
"Então nem mesmo professora ela é. Mione, onde está você?"
Também entre os professores ele percebeu a ausência de Hagrid "talvez nesse mundo ele segue sendo o guarda-caças" e a presença de Firenze "tenho que me aproximar dele sem mais ninguém ao redor"
Suspirando, Harry afasta isso de sua cabeça, e arquivou na longa lista de coisas que teria que resolver mais tarde, no momento havia outra batalha a se travar.
Lado a lado com Neville ele foi na direção da mesa dos texugos, e como mais cedo, todos pareceram se acomodar para que não sobrasse espaço para ele.
- Então criou coragem para comer dessa vez com a gente? – o "garoto abóbora" parece ter mal interpretado, como todo mundo, a ausência de Harry no salão na hora do almoço.
- Eu estou morto de fome – Harry diz para o amigo que o acompanhava como se não tivesse ouvido o "garoto abobora" – Neville, você não esta com fome?
O moreno vai em direção a mesa e assim como antes, os alunos se moveram de modo que Harry não pudesse se sentar, enquanto Neville apenas olhava alguns passos atrás com uma expressão receosa. Mas mesmo sem um lugar para se sentar o novato continuou avançando até chegar perto o suficiente da mesa.
- Eu pessoalmente não vou me arriscar de novo a passar pela experiência de comer esse mingau horrível – Harry ignora os olhares fulminantes que seus companheiros lhe lançavam. – Hey Nevy, você vai querer bolinhos? Acho que estou vendo uns com pedacinhos de chocolate.
- Hn.. bem.. eu acho que sim, mas Harry.
Sem importar o que seu companheiro tinha a dizer, Harry estende o braço por entre os ombros no seu caminho e puxa alguns bolinhos, para em seguida arremessa-los a Neville que os pega por pouco.
- O que mais você quer Nevy? – Harry sorri para o amigo.
- Acho... acho que um pouco de torta de frango cairia bem – Neville sorri tímido entrando no jogo do outro.
- Boa – e Harry enche um prato com torta de frango e outro com purê de batatas – pena que não tem molho.
O moreno da às costas para a mesa perplexa pela cara de pau do novato e segurando ainda os dois pratos se senta no meio do chão do grande salão.
Acanhado, Neville imita o amigo dividindo os bolinhos e equilibrando os próprios no colo.
- Então parece que você realmente entendeu que o lugar de ralé como você é abaixo de nós.
- É, É... O que seja. – Harry ergue a mão e sacode displicentemente – só estou seguindo o conselho de um colega de casa, muito obrigado.
- Seu... – o "garoto abóbora" não tinha argumentos, mas nem por isso deixava de ficar furioso pela posição indiferente do outro.
Leva à mão a varinha como ato reflexo, mas assim como de manhã, ele não teve coragem de sacá-la, não na frente de todos os professores e da própria diretora.
Frustrado, pega uma das jarras com refresco de limão e joga seu conteúdo em direção as costas de Harry.
- accio refresco de limão.
A voz de Hooch cortou todo o salão e com isso o liquido voa em sua direção em um jato super rápido e segurando uma jarra vazia consegue que ele caia completamente dentro da peça de cristal.
- Desperdícios, desperdícios – a menina balança a cabeça desgostosa – você sabe o quão difícil é achar em uma das mesas um suco que não seja de abóbora?
Debaixo daquele olhar de ave de rapina o "garoto abóbora" volta a se sentar em seu lugar encolhido. A garota deixa a mesa de ravenclaw e caminha até seus dois companheiros de casa.
- Ai ai, essa é uma boa noite para fazer um picnic, não acha Siby?
A irmã mais nova apenas como resposta caminha lentamente atrás da mais velha e ambas se sentam ao lado dos meninos.
- Trouxe molho – a albina diz sorridente.
- Ah – Harry responde seu sorriso com outro – então seja bem vinda.
Graças ao accio bem sucedido sobre um corpo tão difícil de controlar como um litro de suco de limão – alem de manter seco o chão do grande salão – Hooch conseguiu vinte pontos da própria diretora, mas a menina parecia mais feliz em poder beber algo que não seja feito de abóbora do que ter ganhado aqueles pontos.
Como se nada tivesse passado, os três entablam uma leve conversa enquanto comem e o resto do salão também se centra em sua própria refeição.
Harry olha diretamente para a mesa dos professores e lá vê a diretora o encarando com o seu eterno sorrisinho, de "eu sei de tudo o que se passa ao meu redor". A mulher ergue sua taça em saudação a Harry como se dissesse:
"Parabéns por sobreviver aos seu primeiro dia"
E Harry apenas ergue a sua em resposta.
"E pretendo sobreviver a todos os que vierem"
FVQP
Ele sabia que não era o correto, sabia que pelo bem de sua saúde ele deveria ter feito aquilo. Mas simplesmente não fez.
Harry simplesmente não foi a enfermaria no final do dia.
A idéia de ter que se encontrar com aquela antipática chaminé ambulante apenas fez revirar seu estomago.
Então, assim que terminou seu jantar, acompanhou seus companheiros até a sala comunal.
- Chris!!
Uma mão segurou seu braço um pouco antes que pudesse ir para o dormitório masculino.
- Chris – repetiu Hooch – as suas matérias. Você tem que me entregar hoje para que eu possa passar para a diretora.
- É mesmo – Harry balbuciou, havia esquecido completamente.
Não sabia bem o que fazer enquanto desdobrava o papel, mas precisou de alguns segundos para um sorriso se assomar a seu rosto.
Sabia exatamente quais matérias extras escolher.
Pegando uma de suas plumas e molhando a ponta com tinta azul, marca as matérias e entrega para a albina. A garota olha por cima e quando viu que estava tudo certo volta a dobrá-la.
- Muito bem – diz mais para si mesma que para o garoto a sua frente. – boa noite.
O moreno a vê se afastar por alguns segundos para logo em seguida voltar a andar em direção ao seu próprio dormitório, mas nem ao menos deu um passo...
- Tec tec tec tec tec tec
Harry ouviu as suas costas o ruído que ouviu logo no começo daquele longo dia, ao se virar se deu de cara com uma murmurante Trelawney que voltara a cantar a sua – já irritante – musiquinha.
Assim como antes o moreno teve o pressentimento que não deveria fazer aquela pergunta. Que sua vida, já não tão simples, agradeceria pela ignorância. Mas seus instintos de gryffindor falaram mais alto. Deixou-se levar pela curiosidade, e temeroso perguntou:
- O que isso significa?
A garota olha espantada para Harry, como se fosse a primeira vez que alguém falava com ela diretamente sem ser a sua irmã há muito tempo.
- O que esse ruído significa? – Harry insistiu
- Logo atrás de seus passos – A menina falou em um tom um pouco mais elevado do que o que usava normalmente, não que fosse muito – sim, eu ouço, os passo do sinistro, lado a lado, por onde você vai, eu sempre ouço, os passos do sinistro.
E como se não entendesse o peso de suas palavras ela sorri inocentemente para Harry, como se agradecesse poder trocar palavras com alguém mais que a sua amada albina e sai deixando para trás um impactado Harry.
Diversas vezes havia compartilhado risos com Rony das infindáveis profecias de morte de sua professora de adivinhação, o sinistro já havia virado ate mesmo uma figura de zombaria entre eles, mas naquela noite, naquela sala, não pode deixar de estremecer diante da seriedade daqueles olhos castanhos.
Afinal...
Quem contestaria a profecia de morte de uma filha de Cassandra?
FVQP
Deitado em sua cama, mais uma vez as palavras de Trelawney ressoaram em sua mente, mas mais do que isso o que o impedia de dormir era que pela segunda vez naquela noite havia sido assolado por seus infindáveis pesadelos. E apesar de que também pela segunda vez ter acordado aos berros, ninguém da habitação reclamou, aparentemente o pacto de gelo permaneceria por mais incomodo que o moreno fosse.
Harry respirou fundo varias vezes e fechou os olhos se preparando para dormir, mas foi então que sentiu que alguém erguia seus lençóis e se deitava ao seu lado, por segundos imaginou que se veria diante de Draco, pois não seria a primeira vez que o outro o envolvia para protegê-lo de seus pesadelos, mas diante dele estava Neville que sorrindo docilmente apenas fez o outro moreno descansar sua cabeça contra seu peito e murmurar.
- Não sei o que você vê em seus sonhos, mas sei o que posso faze-lo ver quando acordar deles, não quero soar pretensioso, mas pode dormir sem medo, pois seja o que o faz sofrer uma hora terá que partir, e quando abrir os olhos eu estarei aqui para te consolar.
E Harry obedeceu sem poder conter um pequeno sorriso.
Hooch talvez estivesse certa, Neville nunca seria dono de um sorriso egoísta.
E talvez, apenas talvez, Longbottom fosse um grande idiota ao tentar fazer os outros acreditar que poderia chegar a ser.
Mas também, com apenas um sorriso não-egoista ele era capaz de criar vários idiotas, que acreditam que poderiam algum dia ter esse sorriso só para si.
Uma idiotice tão enternecedora que consegue aquecer mais de um coração.
Era o que dizia o calor do corpo que lhe ofereceu conforto naquela noite.
Era o que dizia o calor da mão que finalmente o alcançou.
FVQP
- Se era para ele ficar assim por que voltou? – a menininha de bronze cruza os braços enquanto bufa indignada – Não era mais simples ficar vagando por aquele mundo até ganhar um corpo material?
- Não e tão simples assim pequena – Blaise também observava seu deprimido dono – Apesar de poder visitar, aquele mundo não é o dele, até que o elo de Potter com aquela dimensão estivar firmemente sólido, ele só poderá fazer pequenas viagens, que aos poucos poderão ficar mais longas. Mesmo que...
- "Mesmo que..."? – Pansy olha para a face desgostosa do amigo.
- Mesmo que eu suponho que ele não escolheria passar tanto tempo ao lado de Potter, mesmo se pudesse.
- E por que não faria isso.
- Por que já começou.
- Começou? Começou o quê? Por que você só sabe falar com meias palavras?
- Algo irreversível pequena. Começou algo irreversível, e contemplar isso de perto deve ser mais duro do que apenas saber que de qualquer jeito iria acontecer.
O loiro se remove incomodo na cama enquanto observa o corpo relaxado do moreno nos braços de Longbottom. Nunca em sua vida Draco imaginou que um dia iria querer estar no lugar do garoto de olhos castanhos, mas se isso significasse poder tocar Harry...
- Não. Melhor que eu não possa tocá-lo, espero nunca mais poder tocá-lo – olha triste para a esfera – Merlin, por favor, que eu nunca mais consiga tocá-lo.
FVQP
E mais um novo capitulo chega ao fim. Peço desculpas pelos efeitos especiais na hora de simular os passos do sinistro, mas toda vez que eu penso no som das pisadas de um cachorro só me vem à cabeça o som que faz as unhas do Negão (meu dog alemão) quando anda nos ladrilhos de casa . tec tec tec... No começo é meio irritante, mas depois de doze anos a gente se acostuma.
Nhooooi... Depois de muito procurar, finalmente eu achei a musica perfeita para ser o tema de Draco, todos já devem tê-la ouvido uma vez na vida, é muuuuito manjada, mas descreve perfeitamente a sua situação atual com Harry, desde já digo que e nacionaliiiissima. Só vou coloca-la no capitulo que eu estou mais do que ansiosa em escrever, e no que mais de uma vai querer me matar, ai ai... aguardem.
Ah, e desde já eu peço que as amantes do Draco guardem seus socos-ingleses e pistolas, apesar da cena carinhosa acima, o carinho de Nevy por Harry é totalmente fraternal. Ele, assim como boooooa parte do elenco, vai sentir essa estranha atração por Harry, uma certa familiaridade, mas apenas três personagens pelo transcorrer da fic vão chegar a realmente se apaixonar pelo novo texugo. A primeira seria o nosso Draky-poo, e os outros dois... bem... digamos que no momento eles não são os maiores fãs do moreno, mas ao seu tempo, em circunstâncias bem diferentes, cada um vai desenvolver seus sentimentos devidamente. Ainda não decidi com quem Harry vai ficar, já o coraçãozinho do Nevy tem um dono mais que definido, hu hu hu, e creio que será inusitado.
Draco: O QUEEE? COMO ASSIM EU VOU TER RIVAIS? VOCÊ NUNCA ME DISSE QUE EU TERIA RIVAIS!! Crucio
Snape: Protego. – a figura negra e esvoaçante de Severus se coloca em minha frente
Luana: Essa foi por pouco.
Draco: Devo supor então que você é que vai aparecer também no final dos capítulos.
Snape: Excelente dedução jovem Malfoy, devo aplaudir diante de tamanho esforço de sua parte?
Draco: Por que ele não esta com a idade do Snape da sua fic – o loiro olha mal humorado a figura do outro adulto.
Luana: Motivos pessoais – respondo enquanto seco a baba que deixo escorrer diante da figura imponente de Snape. – obrigada por vir Severus.
Draco: Humpf, como se tendo a presença de um Malfoy precisasse da de mais alguém.
Snape: Bem, talvez por que a presença de um Malfoy não seja mais o suficiente, até aonde eu vi, o numero de Reviews caiu consideravelmente nos ultimos dois capítulos.
Draco: E você aparecendo vai fazer os reviews aumentarem? – sorri prepotente – o que você vai fazer? Ameaçar distribuir detenções para quem não escrever?
Snape: Não. – cruza os braços e sorri maldoso – farei uso de uma tática mais efetiva.
Draco: Extorsão?
Luana: Maldições?
Draco: Mudança de escritora?
Luana: Heeeey. – olho ofendida para o loiro azedo.
Snape: hu hu, um jogo. – responde – Aquele que acertar a resposta ganha um prêmio.
Draco: E dado que é meio difícil premiar alguém através do computador o prêmio seria...
Snape: Respostas. Essa escritora fajuta criou uma trama com muitos mistérios entrelaçados, e que vão demorar a serem devidamente revelados, quem acertar a pergunta poderá perguntar qualquer coisa que ela terá que responder completamente, sem meias palavras.
Silêncio
Luana e Draco: Isso nunca daria certo.
Snape: Por que? - pergunta meio ofendido.
Luana: Eu pessoalmente não gosto de receber spoilers, acho que se leio algo os mistérios devem ser revelados cada um ao seu tempo, não acho que alguém se daria tanto trabalho apenas para estragar a própria leitura.
Draco: Fora que isso é baixo e apelativo, totalmente vulgar – enruga o cenho contrariado.
Snape: Ok se você acha tão baixo e pouco funcional, eu proponho uma aposta, se com isso os reviews desse capitulo não baterem o numero de reviews do capítulos que teve mais respostas nessa fic... hm... – pensa por um segundo – A senhorita Rosette terá que escrever uma cena vergonhosa com a minha pessoa, mas se o numero de reviews bater será a sua pessoa que terá que passar por uma cena vergonhosa. Feito? – estende a mão
Draco: Feito – aperta a mão oferecida.
Luana: Oye!! É impressão minha ou de qualquer jeito todo o trabalho braçal ficou para mim? Bah... deixa para lá, ao menos consegui terminar o capitulo sem receber nenhum arranhão, é bom ter uma pessoas sensatas por perto para variar, acho que vou fazer você se aproximar um pouco mais de Harry no próximo capitulo Severus, ele pode precisar.
Snape: Bem... – todo vermelho – se você quiser... Não que eu queira... Mas talvez... Quem sabe...
Draco: Pa... padrinho porque você esta todo vermelho? Não me diga que... oh não, não me diga que você também...
Pooooor hoje é só pessoal, e a proposta do Sevy-pooh está valendo, o prêmio é o mencionado acima (apesar de que eu ainda acho que vale mais a pena os mistérios se revelarem aos poucos) e as conseqüências do numero de review também (já essa parte eu não me importo muito, adoro escrever cenas constrangedoras para os meus personagens).
A pergunta é: qual e o animal em que Rony se transforma em sua forma animaga?
Eu não dei em nenhuma parte da fic qualquer pista para isso, logo quem quiser tentar a sorte só poderá chutar ao azar (apesar de eu achar meio obvio) o primeiro que responder corretamente ganha. Darei a resposta para a pergunta que essa pessoa quiser na resposta do review. Deixo claro que só uma pessoa vai ganhar...
Derrepente sinto que transformei minha fic em um programa de auditório de quinta categoria (depressão)
Obrigada por lerem mais esse capitulo e até o próximo.
