Nhaaaaaai, nossa, dessa vez eu até que atualizei rápido, ao menos comparando com a atualização de meus últimos capítulos o
Devo salientar que isso só foi possível graças ao carinho de todas vocês, tanto as leitoras recentes como as mais antigas. Obrigada a mfm2885, Zia Black, Srta.Kinomoto, m-chan, lis, Gika Black, Simca-chan, ...Makie... e em especial a: Tainá, ela foi a primeira a mandar um review, e por coincidência também a primeira a acertar o animal em que Rony se transforma. E também para St. Luana, que infelizmente foi a segunda a acertar a forma animaga de Rony, mas garota, eu ri muito com a sua sugestão da aranha, quase mudo de idéia e transformo Rony em uma caranguejeira, mas para o que planejo mais a frente o ruivo tem que ter uma constituição mais... Maciça. Quem sabe em outra historia.
Draco: Pare de enrolar, escritora muggle de meia pataca, e diga logo quem ganhou a aposta.
Luana: Ué? Mas eu já respondi, foi a Tainá, e ela me perguntou...
Severus: Não é disso que o jovem Malfoy está falando senhorita Rosette. Mas de nossa aposta secundaria, de quem terá de passar por uma situação vergonhosa neste capitulo. – ele fala de uma maneira séria, mas visivelmente estava preocupado com o resultado.
Luana: Bem... – suspiro resignada – De fato, eu contei o número de reviews, e eles são exatamente 10, assim como o do capítulo que teve mais reviews anteriormente: o capitulo três.
Severus: Isso... isso quer dizer que... empatamos? – Severus parecia tentar se agarrar a alguma esperança.
Draco: Não – sorriso malvado – Isso quer dizer que você perdeu. A aposta era que se os reviews do capítulo anterior não passasse o número mais alto de reviews dos capítulos anteriores você pagaria o mico, empate também engloba uma derrota para você.
Severus: Droga – meu amado moreno de olhos negros é envolvido por uma nuvem de depressão.
Com certo pesar eu anuncio a derrota de Severus, que mesmo que recebesse mais um review de desempate perderia, já que dentro dos dez reviews enviados, só sete participaram do jogo, logo como três desses reviews não eram influenciados pela brincadeira, tecnicamente não contam --
Mas á males que vem para bem. No final até que toda essa situação vai ser bem positiva
Severus: Como me humilhar pode ser positivo? – ergue uma sobrancelha de maneira questionadora
Acredite, vai ser. Eu me garantirei disso.
Boa leitura
Disclaimers: Não sei quantas vezes eu já disse isso, mas não custa repetir. Harry Potter e seus personagens pertencem a titia Rowling, eu só tenho o prazer de escrever assa fic sem fins lucrativos.
Capítulo seis: Confrontos venenosos
Se eu fecho os olhos eles estão lá, se eu os abro eles estão lá. Eu não peço para vê-los, por favor, me perdoem, mas eu não peço para vê-los. Eu juro que não peço para vê-los. Afinal, quem gostaria de viver em um mundo habitado apenas por sinistros?
3º dia
Talvez, depois de tantos anos cercados por serpentes, uma das poucas semelhanças que Harry guardou de Gryffindor – alem da grande capacidade de se meter em problemas desnecessariamente – foi a maneira como acorda.
Sim, naquele exato momento quem o visse poderia associá-lo facilmente a um gato.
De maneira preguiçosa ele alonga os braços e pernas mantendo os olhos fechados em uma expressão relaxada. Aquela noite podia ter começado de uma maneira incomoda, mas depois que conseguiu se deixar embalar pela sonolência, os pesadelos e as palavras de mau-agouro de certa primeiranista desapareceram.
Por se deixar embalar pela sonolência e por...
- Neville?
Harry abre os olhos de um só golpe e se vê sozinho na cama. E teve que agradecer a Merlin por isso, seria totalmente constrangedor se tivesse que acordar com o amigo ao seu lado. Estava tão acostumado a acordar de seus sonos tranqüilos ao lado de Draco que não pode deixar de pensar que isso seria uma traição.
"Mas se não somos mais nada um do outro"
Isso o fez se perguntar o que Draco faria no futuro.
Harry estava naquele mundo para recomeçar, mas apesar de está-lo visitando, Draco havia dito antes que ficaria no seu mundo de origem. Talvez as visitas do loiro sejam apenas para que não se sinta sozinho nesse começo.
Então um dia ele simplesmente não vai mais aparecer?
Nunca mais Harry o veria?
Aquilo não o agradou. A proposta inicial era essa, mas agora que suas emoções estavam mais estáveis não tinha bem certeza se era isso o que queria.
"O que eu quero afinal? Recomeçar. É claro. Viver aqui é o melhor a se fazer para alcançar essa meta. Mas alem disso, o que eu quero?"
- Draco... – ele aperta os lençóis ainda quentes - ... O que eu quero Draco?
Era estranho finalmente ter depois de tanto tempo a capacidade escolher, nunca pensou que essa posição fosse tão abrangente. O melhor era caminhar lentamente, se adaptar a esse mundo e quando algumas peças estiverem em seus devidos lugares pensaria nisso.
"Fora que Draco falou que quando eu me adaptar completamente a esse mundo ele vai ganhar um corpo material. É isso! Vou esperar isso acontecer e juntos decidiremos, agora ele não é mais do que um 'fantasma', mas quando puder ser tão material quanto eu, e vivermos essa experiência juntos, sei que a resposta de minhas duvidas virão"
Com essa conclusão Harry só pode sorrir, se deixar cair contra os lençóis e olhar feliz para o teto.
"Sim, vou simplesmente esperar Draco ganhar um corpo aqui. Aaah, o que será que vamos fazer juntos primeiro?"
FVQP
Para seu alivio, Neville, diferentes dos outros texugos do quarto ainda estava lá.
E Harry pode ver a amplitude do desgosto dos de mais com ele, afinal, quantos adolescentes se prontificam a levantar tão cedo em pleno sábado? E tudo aquilo para evitá-lo?
Ele quase se sente honrado por eles se prestarem a tanto esforço apenas por sua pessoa.
- Bom dia Nevy.
- Bom dia Harry.
Neville, assim como fez com o assunto sobre "aborto", não comentou nada sobre os pesadelos da noite anterior.
E Harry só pode agradecer interiormente novamente por isso.
Os dois rapazes deixam o dormitório, depois de um banho rápido e uma conversa agradável sobre as aulas de sexta.
Claro que com um grande esforço da para de Harry para não falar nada sobre os constantes ataques que sofreu.
Quando chegaram na sala comum ela estava vazia, com apenas dois ou três texugos retardatários. Que quando viram Harry saíram mais que apressados de lá.
- Acho que as garotas já devem ter ido tomar café – o rapaz de olhos castanhos diz para si mesmo.
- E por que não foi com elas?
Eles passam pela entrada protegida por uma estranha armadura em que o elmo continha longos chifres.
- Como por quê? – ele olha confuso para Harry enquanto ambos caminham pelos corredores – estava te esperando acordar.
- Isso eu sei – responde entre dentes Harry, ligeiramente envergonhado – mas podia ao menos ter me acordado, não precisava ter me esperado acordar.
- Pensei que precisasse dormir – disse simplesmente – fora que eu aproveitei esse tempo para terminar o relatório de Herbologia.
- Dois pergaminhos, dois!! – Harry se lembra do dever passado ontem na sua primeira aula do ano – essa mulher está louca!!
- Estamos na época dos N.O.Ms. – Neville dá entre ombros de uma maneira tão "Hermione" que quase fez Harry rir – Você tem quinze anos não é? Você ainda não sabe em que ano vai ficar, mas sabe se vai prestar os N.O.Ms esse ano?
- Humm, para ser sincero eu nem pensei nisso ainda. Mas acho que sim. Fora que duvido que entre em outro ano que não seja o quinto – "Ou ao menos eu me encarregarei disso". Completou em pensamento.
Os esbarrões em seu ombro não tardaram a começar. Mas desta vez, Harry ao invés de se deixar agredir movimentava seus ombros no mesmo sentido que o agressor e diminuía o impacto. No final aquilo cansava mais do que se deixar agredir, mas também servia como um bom exercício.
"Tenho que me organizar novamente para voltar a me exercitar. Acho que ate Giny em seu primeiro ano tinha mais músculos do que eu agora"
- Seja como for – Neville chama atenção de seu distraído amigo – eu te recomendo que comece logo seu dever de Herbologia. Graças a você não tivemos dever de poções – nessa parte ele sorri de uma maneira viperina de mais para um texugo – mas em compensações também temos dever de Historia da Magia e...
- Certo, certo – "Cruzes. Definitivamente Neville virou uma Hermione de calças" pensou – bem que Xionara disse que você parecia mais um Ravenclaw do que um Hufflepuff.
- Ah, cala a boca.
Ele tenta acertar a cabeça de Harry com um tapinha, mas esse desvia e já ia retribuir o ataque quando alguém segura a sua mão.
Harry olha para quem tinha se colocado na frente deles e viu Theodore Nott, ele parecia ser a sua versão do quinto ano. Nunca teve muito contato com Nott, já que a serpente sempre pareceu tentar ignorar a presença de Harry. Era estranho o ver segurando seu pulso do nada.
Soltando o texugo aborto, Nott se vira apenas para Neville e estende um envelope.
- Não ache que ele vai esperar para sempre uma resposta, texugo.
Neville pega o envelope com sua face em branco, sem qualquer traço que denotasse emoção.
Nott parecia esperar alguma resposta, pois ficou parado alguns minutos encarando Neville, até que o Hufflepuff finalmente suspira e diz:
- Ao fim do dia mandarei uma resposta.
Acenando com a cabeça, Nott pareceu satisfeito com as palavras, e se foi ignorando completamente Harry.
Talvez não fosse tão diferente como em seu mundo afinal.
Os dois amigos voltaram a caminhar, e Harry lançava olhares de esgueira para o envelope na mão de Neville. Queria perguntar, mas não sabia se seria conveniente ou não.
No final sua veia Gryffindor falou mais alto. Aparentemente ele tinha mais pontos Gryffindors do que esperava.
- O que foi isso?
- ... – Neville parecia escolher as palavras – Theodore por ser de meu ano, e as vezes um ou outro Slytherin, vem me deixar recados de... alguém de sua casa.
- De quem?
Harry se surpreendeu que Neville, apesar de não ser tão tímido como em seu mundo, tivesse amigos na casadas serpentes.
- De meu prometido.
A noticia foi um pouco impactante, Neville nunca tinha dito antes que estava comprometido.
E com um Slytherin.
Quando Harry perguntou quem era, Neville continuou a relutar em dizer o nome.
Aparentemente seu amigo não estava muito feliz com o noivado.
Depois de estabelecer uma vida no mundo mágico, ou ao menos no seu mundo mágico, o compromisso oficial entre dois homens não o assustava, era normal em famílias puro sangue, que não tivessem filhas para comprometer, entregasse a mão de seu filho mais novo como progenitor de futuras descendências (por estímulos de poções, é claro) em alianças ou simplesmente contratos de negócios financeiros. No caso de Neville, em que ambos eram primogênitos, o moreno foi escolhido como consorte progenitor já que o status de sua família, na época do pacto, não era tão alto quanto a da família de seu noivo.
Mas quem era o noivo?
Harry se carcomia de curiosidade por dentro, mas resolveu não insistir, o amigo já estava bastante incomodo com aquilo tudo.
Um esbarrão que o pegou desprevenido foi especialmente forte e o jogou no chão.
"É impressão minha, ou eu já passei por isso?"
Quando ergueu a cabeça para ver o agressor que se afastava sem olhar para trás, viu as costas de Kingsley.
Suspirando, sabia que reclamar não adiantaria de nada, fora que se reclamasse com ele teria que reclamar com mais de três terço do colégio também, o melhor era relevar.
"Releve Harry... apenas releve" pensava em forma de mantra.
Com a ajuda da mão que Neville lhe estendeu ele se pôs de pé e entraram no grande salão, que graças a Merlin não estava muito longe.
FVQP
Harry nem ao menos se dignou a falar com ninguém que estava sentado, e o tratamento foi recíproco. Apesar de ninguém fazer qualquer movimento para impedir que ele sentasse, o moreno fez sua pequena "colheita" entre comes e bebes, e se voltou com Neville para se sentar no chão, assim como fez na noite passada.
Não era tão ruim comer daquela forma afinal de contas.
- Sibila estava na nossa mesa, não? – Neville perguntou.
- Er... sim.
Harry a havia visto quando passou pela mesa, e ela o encarou de volta, mas não disse uma única palavra para a murmurante garota. Simplesmente pegou o que tinha que pegar e se afastou.
Ainda não sabia como reagir perto dela.
- Então Xionara não veio tomar café.
- Por que diz isso? Ela não pode ter tomado café e ido, deixando a irmã para trás? – O próprio Harry viu a improbabilidade de suas palavras.
- Se fosse isso a Sibila estaria sentada em qualquer outra mesa. Xionara só senta-se à mesa de Hufflepuff no dia da cerimônia de boas vindas. Mas durante o resto do ano ela se senta em outras mesas.
- Por quê?
- Não sei. – Neville mordisca um pão coberto de geléia – desde que entrei em Hogwarts só vi Xionara sentar na nossa mesa cinco vezes contando com anteontem.
- Ela realmente parece se dar bem com as outras casas. Eu nunca a vi conversando com outro Hufflepuff que não fosse eu, você e a própria irmã.
- Eu sei – leva o dedo ao queixo com uma expressão pensativa – acho que ano passado eu só a vi falando com o time de Quadribol da nossa casa, e isso porque ela era a capitã. Comigo mesmo ela só começou a falar ano passado, e eu nunca soube o porquê. Ela simplesmente começou a grudar em mim.
- O que será que ela esta fazendo agora? – Harry murmura.
- Vai saber, ela geralmente falta muito as aulas durante o ano letivo, mas por que tem que trabalhar.
- Trabalhar? – olha estranhado o amigo como se visse um parafuso pulando de sua cabeça – Aqui?
- Hogwarts abriga todo ano famílias e mais famílias de magos, Xionara faz bicos para todos que estejam dispostos a pagar a ela. Tudo aprovado pela diretora, é claro.
- Mas por que ela precisa trabalhar?
- Para pagar as mensalidades de Hogwarts – diz com certo pesar.
- Mas... E os pais dela? Eu sei que adotaram a Trelawney. Por acaso eles morreram.
- Não, eles estão vivos, mas devido a alguns problemas, Xionara e Sibila saíram de casa, e agora Xio tem que sustentar as duas.
E Harry se lembra de Hooch ter dito algo sobre os pais dela terem virado as costas para Trelawney. Eles devem não ter querido manter a garotinha quando voltou do laboratório do governo, e Hooch deixou a própria casa para não ter que abandonar a irmã.
Tudo era especulação, mas seria a historia que mais encaixava.
Mudando de assunto, os dois continuam a tomar o seu café da manhã.
Passado alguns minutos uma grande revoada de corujas entrou palas janelas do grande salão. Enquanto uns davam pequenos gritinhos de felicidade ao ver os presentes que recebiam de casa, outros mantinham expressões de desgosto seguidas pelos comumente conhecidos gritadores. Aparentemente algumas pessoas não esperaram completar uma semana antes de começar a aprontar.
- QUE HISTÓRIA É ESSA SOBRE FAZER CRESCER CABELO PURPURA EM TODOS OS ELMOS DE ARMADURAS DO SEGUNDO CORREDOR?? EU NÃO ESTOU TE MANDANDO A HOGWARTS PARA TE TRANSFORMAR EM UM CABELEREIRO SENHOR SIRIUS ORION BLACK!! AI DE VOCÊ SE EU OUÇO QUE VOLTOU A SUJAR O NOME DE NOSSA FAMILIA, JURO QUE TE MANDO PARA UM COLÉGIO MILITAR NA FINLÂNDIA E NÃO VAI TER PAI NENHUM QUE ME IMPEÇA DESSA VEZ!! ENTENDIDO??
Sirius, que ainda estava com os olhos arregalados depois de enfrentar os poderosos pulmões da senhora Black dez vezes aumentados, cai em uma gostosa gargalhada junto aos seus amigos.
- Olhe pelo lado bom Padfood – James palmeia as costas do amigo – ano passado o colégio que ela falava que iria te mandar era no Tibet.
Harry sorriu. Esses eram os marotos que gostava de ver.
E ainda assistindo a cena não pode ver quando um pássaro negro pousa em seu ombro, contrastando fortemente com seu cabelo.
- Harry, eu acho que esse veio para você – Neville chama a atenção do amigo, que logo após se assustar, se pergunta como não percebeu a pressão das garras da ave antes.
Em seu ombro, muito bem acomodado, estava empoleirado um corvo.
O animal estende uma de suas patas e Harry tirou o pergaminho, não sem antes torcer o nariz com desgosto, as penas daquele corvo tinham um cheiro desagradável.
Não sabia quem poderia ter escrito para ele, por segundos considerou a idéia de ser Firenze, mas centauros não estudavam o alfabeto humano.
No papel amarelado estava escrito:
Querido maninho.
Como você é mau!
Não acredito que já teve seu primeiro dia porai e não escreveu nada para sua graciosa irmã. Mamãe ficou dizendo que não deveria te escrever. Que você estava concentrado em estudar e não podia ser atrapalhado.
Estudar... sei...
Por isso eu peguei Orus escondida e estou enviando essa carta, eu queria mandar um gritador, mas se a mamãe falou que não queria que eu mandasse uma carta quanto menos me ajudar a montar um gritador.
Ontem papai me deu três vestidos novos, um deles você conhece, é aquele que vimos quando passeávamos pelo povoado de Holgsmead, se bem que talvez você não se lembre, pois estava mais interessado em correr para a loja de artigos de Quadribol.
Garotos.
Seja como for, me escreva logo, não pretendo esperar ate o final de semana que você visita Hogsmead para poder falar com você de novo. Nem que tenha que ir pessoalmente para Hogwarts para te caçar.
Marius também parece sentir sua falta ou ao menos o maximo de falta que alguém com apenasquatorze meses pode sentir, começo a achar que ele gosta muito mais devocê do que de mim. Mamãe brincou falando que todos demais homens são assim, sempre mantendo essa lealdade entre eles. Mas eu não deixarei que meu irmãozinho entre nessa cadeia machista!!
De sua irmã Jubileu
O garoto não precisava ter chegado nem na metade da carta para saber que a ave havia se enganado de destinatário. Quem naquele mundo tal mandaria correspondência para ele?
Harry enrola novamente o pergaminho e estende para o corvo.
- Acho que você errou a sua entrega, meu chapa.
Ofendido, ou como diria a sua "irmã", tão ofendido quanto um corvo poderia parecer. A ave negra bica a ponta do nariz do moreno, o fazendo soltar um grito baixo, atraindo a atenção de Neville.
- De quem é? – o texugo de olhos castanhos olha com receio o corvo, aquela não era uma ave convencional para entrega de mensagens.
- Aparentemente – Harry olha indeciso para o animal em seu ombro que afirma orgulhoso com a cabeça – da minha irmã.
- Você tem uma irmã? Quantos anos ela tem?
- Nove – Harry chuta "Ela não tem idade o suficiente para freqüentar Hogwarts, mas por sua letra não parece ser muito pequena" – Também tenho um irmão mais novo, completou recentemente um ano e dois meses... – "um ano e dois meses, normalmente uma criança não se prenderia muito a detalhes como contar a idade do irmão em meses exatos como quatorze se não estiver imitando um adulto que falou dessa maneira perto dela e diria simplesmente um ano".
- Ah... Eu gostaria de ter irmãos pequenos. – Neville parecia ter realmente um pouco de inveja.
Harry que havia aberto novamente o pergaminho escondia um sorriso de triunfo atrás do papel amarelado, e olhando para a ave que não parecia muito disposta a descer de seu novo poleiro, Diz:
- Ou talvez nem tão pequenos
FVQP
- Me desculpe.
- Eu já disse que esta tudo bem Neville.
- Não, é sério, me desculpe, eu devia ter me lembrado.
Próximo das portas do lado de fora do grande salão, Neville se despedia de Harry, tendo atrás dele um pequeno grupo de Hufflepuffs sorrindo vitoriosos.
Aparentemente eles não desistiram de separa Neville da "má companhia" de Harry.
- Se você tinha prometido não tem como voltar atrás agora, eu vou ficar bem.
No primeiro dia de aula Neville tinha prometido passar o dia de sábado ajudando alguns alunos de sua casa a se organizarem para estudar para o N.O.Ms E acredite, eles precisam.
Harry notou no dia de ontem que apesar de ser o alvo preferido de todo o colégio, durante as aulas os alunos de Hufflepuff também sofriam pequenos atentados. Não que Harry ligasse muito, mas era fato que em tais circunstancias eles teriam certa dificuldade para aprender.
- Mas Harry eu...
- Fora que – o moreno aponta para o próprio ombro onde um preguiçoso corvo cravava suas garras em um mudo sinal de "daqui não saio, daqui ninguém me tira" – creio que por algum tempo eu estarei mais do que acompanhado – faz uma careta para a ave – uma péssima companhia... au – que lhe custa uma bicada na bochecha – mas ainda assim acompanhado.
- Você podia vir conosco estudar – o moreno mais alto parecia tentar remediar sua gafe a todo custo – pelo o que vi ontem, você está bem adiantado na matéria, poderia me ajudar a ensinar os outros.
Harry sorriu maligno para as figuras pálidas atrás de Neville. Ele sabia que sua presença era menos que bem vinda, mas agora que o "príncipe" em pessoa pediu que fosse não havia texugo que pudesse contrariar.
- Não, obrigado – Harry revira os olhos ao ouvir os suspiros de alívio vindo dos companheiros – eu tenho algumas coisinhas a resolver.
- Certo.
- Mas ainda vamos nos ver no almoço, né?
- Mas é claro – Longbottom palmeia o ombro desocupado de Harry.
- Até lá eu já espero ter me livrado desse pequeno encosto. Au au au – Harry tenta se defender dos ataques múltiplos de uma ave furiosa com apenas uma das mãos.
O novato assiste Neville e os outros se afastarem, e assim que os perde de vista, desfaz o sorriso agradável que manteve durante o curto dialogo e tira de dentro de suas vestes o pergaminho o apontando para a ave.
- Eu já disse que vou responder ao seu dono. – recebe um "craaaa" como resposta – é sério, não precisa ficar "marcando ponto", vai dar uma voltinha, comer algum inseto, ou seja lá o que corvos comem.
- Craaa, craaa – a ave abre suas asas, irritada, as batendo contra a face de Harry.
"Ok, nota mental: nunca mais tentar abrir diálogo com aves temperamentais."
Sabendo que estava chamando atenção com aquela sirene emplumada, Harry resolve sair do colégio. Talvez sentado próximo ao lago, ele ache a tranqüilidade para ler novamente a carta da "irmã".
FVQP
Harry estava próximo a saída quando se deparou com uma figura inusitada.
Hooch, que calçava galochas grossas de borracha, levava um pano na cabeça e carregava um esfregão, se aproximava visivelmente cansada.
- Er... Hooch?
- Chris – a garota acena com a mão livre – Como estava o café?
- Ótimo e... O que você esta fazendo assim?
- Negócios de ultima hora – sorri marota, repetindo a misteriosa frase que disse ontem – de vez em quando o professor de CCM me aparece uma dessas jóias para limpar – ergue os braços mostrando o avental sujo de algo fedorento, pegajoso, acinzentado e que Harry realmente não gostaria de saber o que exatamente era, ou de quem era.
- E por que ele não pediu para o zelador?
- E pediu, eu ajudo Flinch por uma pequena comissão. Geralmente ele me delega os serviços mais desagradáveis – faz uma careta ao se lembrar, para depois suspirar resignada – Fazer o que?
- Olá Hooch! – uma aluna de Slytherin passa pelos dois cumprimentando Hooch.
"Duvido que algum aluno de Slytherin, ou seja de qual casa fosse, me cumprimentaria se eu estivesse coberto de excremento de 'sei lá o que', seja nesse ou no meu mundo".
- E o que deveria ser isso? – a garota aponta para o corvo em meu ombro – você andando com ele assim parece um papagaio de pirata gótico.
- Nãaa, ele é apenas um passageiro, inoportuno, inconveniente, persistente e... au – recebe uma forte bicada – e altamente temperamental.
- Não sei não, até que ele é bonitinho – Hooch se aproxima o suficiente para fazer carinho debaixo do bico da ave – ele só tem um cheiro estranho.
Esse comentário recebeu como resposta da ave apenas um olhar severo.
"Claro, por que as bicadas aparentemente ele guarda apenas para mim"
De certa forma aquela ave começou a lembrá-lo de Bichento, o gato que Hermione comprou em seu terceiro ano. Assim como o felino, a ave parecia ser mais inteligente do que se espera de um animal de sua espécie.
- E onde está Neville? – Hooch o tira de suas divagações.
-Foi estudar com uns caras do nosso ano.
- E já começaram a explorar ele. – a mais velha bufa indignada – E como esse é o ano do N.O.Ms o pobre não vai ter paz. Quem manda não saber dizer não para as pessoas? E Siby? Você a viu no café?
- Hn? Ah... sim – responde sem jeito.
Ao ver a maneira hesitante do mais novo. A expressão da garota ensombreceu.
- Ela pareceu gostar de você. – Xionara diz realmente séria – ela não conversa muito, mas percebo quando as pessoas agradam a ela, e o quanto se entristece quando essas mesmas pessoas se afastam dela. E acredite-me, já vi isso acontecer varias vezes.
O silêncio foi incomodo, os olhos de falcão estavam cravados em Harry. E este não sabia como reagir. Sabia que não era correta a maneira com que ele estava evitando Trelawney
Mas era inevitável.
As palavras de mau-agouro ainda estavam gravadas em sua cabeça.
- Bem – a garota se espreguiça como se o momento incomodo não tivesse existido – acho que é melhor eu ir tomar banho, ou vou acabar empestiando o castelo.
Só foi quando a albina estava a uma certa distancia que Harry teve uma idéia.
- Ela é amiga de Nevy desde o ano passado, talvez saiba alguma coisa sobre a identidade do noivo misterioso dele. – disse consigo mesmo, mas só precisou dar um único passo na direção em que a garota se encaminhou e recebeu mais um furioso ataque de bicadas – Ai ai ai ai. Certo, certo, eu vou primeiro resolver o problema da carta.
"Patético, estou sendo chantageado por um corvo".
Não foi até quando desceu os últimos degraus de entrada do colégio que percebeu a presença de Draco a seu lado, apesar do susto pela aparição repentina ele tentou disfarçar.
- Você viu? – perguntou sem olhar para o loiro
- Sim.
Harry já estava se acostumando em conversar com Draco sobre situações em que o loiro não estava presente, e mesmo assim havia presenciado. Não sabia como, mas o Slytherin deveria estar assistindo o seu progresso nesse novo mundo, e se Draco não comentava, ele também não o faria.
- Parece que nesse mundo eu tenho uma irmã.
- Potter, eu já disse que você não pode ter nenhuma ligação com...
- Sarcasmo. – Harry sorri de lado
- Ah
Os dois caminharam até uma árvore a alguns metros do lago, ainda assim deixando uma boa vista dos tentáculos da lula gigante saindo da água.
Ela parecia inquieta.
- Seja quem for que me mandou essa carta – Harry retoma o assunto depois que se senta debaixo da sombra da árvore – não foi um engano.
- Por que a certeza?
Harry aponta para seu obstinado passageiro.
- Entendo, então só pode ter vindo de alguém que sabe que você não é desse mundo. Acha que é a mesma pessoa que ajudou Firenze a comprar seus pertences novos?
- Espero. – o moreno relaxa o corpo e tenta se colocar de maneira que a ave ficasse o mais incomodada possível, apenas recebendo uma nova bicada na bochecha – Au. Se não for a mesma pessoa, isso quer dizer que o numero de gente consciente da minha situação por aqui está aumentando.
- Mas eu não entendo – Draco lança um olhar de esgueira para o papel amassado na mão do ex-amante – para que fazer isso?
- Se comunicar – Harry desenrola o pergaminho para mostrar a Draco o que percebeu – quando eu dei uma olhada mais cuidadosa, percebi que algumas letras parecem estar mais puxadas para baixo. Percebe?
Draco olha com cuidado.
- Não pode ser coincidência?
- As demais letras estão escritas devidamente precisas e não vi nenhum padrão nas palavras, essas letras soltas devem formar alguma mensagem.
Sem uma pena ou pergaminho a mão, Harry teve que usar um graveto para riscar na terra as letras destacadas na ordem que eram retiradas (só não traçou com o próprio dedo por que Draco fez uma careta falando que isso seria anti-higiênico).
VAPARAOSEGUNDOANDARPAREEMFRENTEAOQUADRODASCRIANÇASCOMASASEPEÇAQUEBATAMPALMAS
Aquilo ainda não dizia muito, mas era um começo, precisaram de algum tempo e muita discussão antes de conseguirem separar as letras, colocar acentos e pontualizar, formando uma frase que tivesse algum significado. E ficou:
VÁ PARA O SEGUNDO ANDAR, PARE EM FRENTE AO QUADRO DAS CRIANÇAS COM ASAS E PEÇA QUE BATAM PALMAS.
Orus, ou seja lá como se chama realmente, estava dormindo em seu novo poleiro quando os rapazes terminaram o trabalho.
- Crianças com asas. – Draco sacode a cabeça negativamente – não me lembro de nenhum quadro assim no segundo andar.
- E nem eu, e olha que eu tive muitas excursões noturnas pelos corredores de Hogwarts antigamente.
- Vai procurá-lo agora?
- Melhor não. – Harry olha para o castelo – É sábado, e a essa hora tem muitos alunos andando pelo castelo. E a noite... – Harry se lembra de Neville deitado ao seu lado o consolado de seus pesadelos – não acho que possa sair despercebido.
E aparentemente Draco se lembra da mesma cena, pois cruza os braços e bufando diz:
- Bem – tenta não parecer tão enojado (não que não fosse obvio) – então vai esperar a segunda-feira e tentar achar o quadro no horário de aula.
- Nem morto, essa coisa – aponta para a ave rabugenta em seu ombro – só vai sair daqui quando eu responder ao seu mestre, certo? – pergunta para a ave que responde um alto "craaa" – e antes de responder devidamente eu tenho que conferir o que tem no quadro, certo? – e outra vez a ave respondeu um "craaaa". – Merlin me poupe, mas eu não sei o que é pior. O fato de estar conversando com um pássaro, ou de estar entendendo o que ele me responde.
- Também não sei – Draco parecia conter o riso – mas já ouvi boatos de que Dumbledore não era muito diferente. Diziam que ele conversava com uma fênix que mantinha no despacho, acho que se chamava...
- Fowlks, mas não sei se é muito justo comparar uma fênix com esse espanador fedorento. Ai ai ai ai ai ai PARA COM ISSO!! – Harry e vitima de mais uma ataque ininterrupto de bicadas. – de qualquer forma, eu pretendo ir hoje depois do almoço. Vou sair um pouco mais cedo que a maioria e começarei a procurar.
- Você já viu o tamanho do segundo andar? Você já viu o tamanho de QUALQUER andar de Hogwarts? – Malfoy começava a duvidar da capacidade mental do amigo – Como você acha que vai achar algo assim com tão pouco tempo? Nunca conseguiria antes de alguém aparecer.
- É o máximo que posso fazer por hora – dá entre ombros – vamos torcer que tenhamos sorte.
- Bom, você quem sabe. Por hora é melhor eu ir, assim posso voltar mais tarde e te ajudar com seja lá o que tiver nesse quadro.
- Certo – diz meio decepcionado – e quando você voltar, quanto tempo acha que vai conseguir passar por aqui?
- Acho que uma hora, uma hora e meia.
- Wou, somando todo o tempo que você passou agora por aqui, isso é bem mais do que você pôde passar nos dias anteriores, isso quer dizer que meu elo com esse mundo esta crescendo – diz com entusiasmo. – logo você vai pode ganhar um corpo por aqui.
- É – responde sem jeito – Logo. Bem, melhor eu ir.
E na frente de Harry ele desaparece.
"Pois é" o moreno sorri "Logo".
Ele tenta levar os braços para trás da cabeça, mas com seu empecilho emplumado foi impossível, então se conformou em apenas fechar os olhos e dormir mais uma pouco.
E assim conseguiu passar algumas horas inconsciente, até seu passageiro saiu de seu ombro e se empoleirou no meio dos cabelos negros de Harry, um perfeito ninho.
- HÁ HÁ HÁ HÁ FAZ ELE GIRAR AGORA!!
Acordado por gritos próximo a onde estava, Harry viu que muito próximos a borda do lago estavam os marotos. E não estavam sozinhos.
- Há há há – Sirius apontava sua varinha para cima e fazia girar o corpo que levitava, o de Severus Snape – Como é a vista ai de cima Seboso?
Os outros três marotos riam ao seu redor, ou ao menos dois deles, Remus olhava para tudo aquilo preocupado. E não era para menos, logo os amigos começaram a brincar de jogar Severus de um para o outro com suas varinhas, e a "bola" em questão parecia lutar para não gritar, mas mesmo assim estava visivelmente pálido.
- Isso não vai acabar bem – Harry resmunga ainda meio grogue de sono.
Os passes estavam ficando cada vez mais arriscados e próximos a borda do lago.
Harry mordeu a língua.
"Será que todas as vezes que eu tenho a chance de me aproximar de meu pai ele tem que se comportar como um idiota?"
Por segundos pensou que se esperasse, logo eles iriam enjoar e não teria que se meter.
"Afinal, da ultima vez Snape deixou bem claro que não queria ajudas de texugos."
Remus pareceu dizer alguma coisa, mas os outros três ignoraram.
"Fora que não é como se fosse problema meu"
Rony brincava de jogar a varinha de uma mão para outra antes de pegar Snape no ar
"Não é como se fosse o pai deles para ensinar o que é certo e o que é errado"
E por descuido, Rony não consegue pegar Snape a tempo e o corpo do Slytherin saia voando em disparada para o meio do lago.
"Merda"
FVQP
Os quatro adolescentes olham abismados o corpo do colega de instituto ser arremessado contra a gelada água do lago, como suas vestes negras do colégio desapareciam a medida que afundavam.
No primeiro momento Sirius, James e Rony riram da cena, já Remus torcia as mãos, nervoso. Precisou de apenas uns segundos sem qualquer movimento na água para todos os quatro ficarem nervosos.
- Ele... ele sabia nadar? Não sabia? – A vozinha em que tinha se tornado a de James quebrou o silencio.
Antes que tivessem qualquer outra reação, uma figura negra passa a toda velocidade ao lado deles e em um salto mergulha no lago, deixando para trás um pequeno vulto que se soltou dela antes que uma grande quantidade de água subisse em um "splash".
Os quatro olharam para cima, e viram que o vulto era um corvo, que parecia ter complexo de gaivota, pois mesmo depois que a água voltou a estabilizar ficou girando em pequenos círculos aonde a figura misteriosa havia mergulhado.
Cinco minutos depois, que pareceram horas, as águas voltaram a ondular e dois corpos se aproximaram da borda.
Um desacordado Snape, e o misterioso novato.
Assim que arremessa o corpo de Severus na borda, e de subir logo atrás, Harry sente fortes garras se prenderem em seu ombro.
"Craaaa" a expressão de corvo era similar a de deboche.
- Ah, que ótimo que você está seco.
- Ele... ele não parece estar respirando.
Harry vira a cabeça para onde veio a voz de Remus, ele estava próximo ao corpo de Severus, os outros três em volta de pé, olhando tudo, nervosos.
- Nós... Nós devíamos levar ele para a enfermaria? – James parecia estar a ponto de entrar em pânico..
- Mas se ele não respira, não quer dizer que ele está... morto? - Rony murmurava com as orelhas completamente vermelhas
Harry bufou exasperado.
Por segundos ele se esqueceu que pior do que com adolescentes, ele estava lidando com magos adolescentes. "Fazem as bobagens sem medir as conseqüências e quando dá errado, perdem o controle quando não conseguem achar um feitiço que solucione tudo."
Com um pulo ele se aproximou do grupinho e empurrou Remus para trás.
Os três amigos erguem as varinhas ao ver o amigo ser empurrado pelo texugo, mas era difícil atacar aquele que parecia ser o único que sabia o que fazer. Pois ignorando as outras pessoas presentes, Harry tira as vestes escolares encharcadas do próprio corpo, ficando apenas de camisa, gravata e calça jeans muggle. Dobrou o tecido e o colocou de baixo da cabeça do afogado a mantendo erguida. Levou as duas mãos uma sobre a outra no peito de Snape e pressionou forte varias vezes seguidas, para depois tampar o nariz do Slytherin e colar sua boca contra a dele.
- Iiirc – Sirius torce o nariz ao ver a cena – o que ele pensa que está fazendo?
- Não sei, nunca vi nada parecido. – James reconhece também não muito agradado em ver a cena similar a um beijo.
Harry repetiu o processo mais algumas vezes sob a angustiada vista dos quatro adolescentes. Até que finalmente o adolescente deitado começa a tossir a água que retinha.
- Cof argah arh – Snape se senta ainda confuso, apoiando a mão no ombro de Harry.
Seus olhos negros se erguem lentamente e encontram as orbes verdes e reconfortantes do moreno. Respirava com dificuldade, e não sabia muito bem o que aconteceu. Por isso culpou sua atual confusão pelo estranho desejo de beijar a boca que lhe sorria de forma acolhedora
- O que foi isso que você fez? – Remus pergunta enquanto ajuda Harry a se levantar, e o moreno que segurava Snape pelos ombros o ajuda também no processo.
- Manobra de ressuscitarão cardio-pulmonar – Harry murmura sem querer dizer "respiração boca a boca". Pelas caras de Sirius e James Harry havia feito mais contato com Snape do que um ser humano normal deveria fazer. – é uma técnica muggle para ajudar afogas a respirar.
Snape tremia. Os ombros segurados por Harry pareciam que iam desfalecera qualquer momento. Por isso deixou o garoto mais velho se escorar contra ele o tempo que necessitasse, e Snape silenciosamente aceitou a também muda oferta.
- Você deveria passar na enfermaria – Harry apesar de ser mais baixo, teve que se abaixar levemente para falar próximo ao rosto do encurvado Severus.
- Ah, então nem mesmo nadar o Seboso consegue – Sirius, agora que vê que o outro adolescente estava bem, volta a usar seu tom de desdém – isso é o que dá passar tanto tempo trancado em uma masmorra estudando magia negra.
Em um rompante de fúria Snape se afasta trôpego de Harry e se vira para encarar Black com o olhar furibundo.
- Talvez seja difícil para seu diminuto cérebro compreender Black, mas por mais que uma pessoa saiba nadar, fica um pouco difícil quando uma lula gigante o puxa para baixo.
O slytherin se vira para ir. E quando seus olhos se encontram novamente com os de Harry seus lábios crispam em desagrado ao lembrar de sua recente cena de fraqueza diante do texugo, mas acena de leve. E parte em direção ao castelo.
- Você... lutou contra uma lula gigante? – Rony parecia meio embasbacado
- Lutar seria exagero, tudo que fiz lá embaixo foi rebocar – Harry pega seu uniforme no chão – quando cheguei os sereianos já estavam tentando recuperar Snape, quando o tentáculo que o prendia o soltou, eu o peguei e o afastei o mais rápido que pude de lá.
Disse com simplicidade, mas não havia como desmerecer aquele feito.
- Foi muito valoroso de sua parte – disse de maneira séria o seu pai – o erro foi nosso. Você não precisava se meter.
- Bem – Harry se sentiu feliz pelas palavras, mas não queria deixar transparecer – acho que eu preciso me trocar agora.
Nem bem se virou e deu dois passos, ouve a voz de James novamente as costas.
- Me lembrarei disso Hardnet – sua voz era solene.
- James? – já a de Sirius era estranhada, o que fez Harry girar de leve a cabeça.
Seu pai tinha a varinha erguida. "Será que ele simplesmente não pode me deixar ir embora mesmo depois de cometer a 'afronta' de não deixar um slytherin morrer no fundo do lago como comida de lula?"
Da varinha de seu pai sai uma luz prateada que envolve o pescoço de Harry.
Harry reconheceu na hora o ritual realizado
E odiou.
- Acabo de fazer um feitiço de honra e...
- Sei no que consiste um feitiço de honra. – Harry diz irritado – e sinceramente eu dispenso.
Harry se vira de vez e parte.
Não gostava desses tipos de feitiço, eles forçavam ao que o realizou a pagar dividas como a que Snape de seu mundo teve com seu pai. As de honra, eram feitas quando um mago defendeu nome da família de outro de cair em desgraça, como aconteceria com a família Potter, se James, o primogênito de uma das mais proeminentes linhagens da luz se transformasse em um simples assassino.
Harry bufa irritado.
"É apenas uma maneira fácil de aliviar a própria consciência pelos seus erros".
Tocando o próprio pescoço pensou que talvez não fosse mal ter algum tipo de elo com seu pai, mas não um tão mesquinho e obrigatório.
Um pouco mais atrás do moreno a varinha de James continuava erguida e um sorriso malvado se desenhou em seu rosto.
- James? O que você vai fazer? – Rony estranha – você não pode atacar alguém com quem fez um pacto de honra.
- Não, não posso – a varinha dele muda levemente de ângulo na direção de outras costas que entravam em Hogwarts, tão encharcado quanto as do texugo – e nem vou.
FVQP
Uma coisa positiva de estar coberto pela água do lago? Do caminho de entrada de Hogwarts até a sala de Hufflepuff quase ninguém tentou esbarrar nele. A coisa negativa? Seu irritável passageiro escorregava de seu ombro e varias vezes apertava com força suas unhas contra seu ombro. "Como se tudo isso fosse minha culpa."
- Ai ai ai ai... Certo, você está certo, a culpa é minha, toda minha... Mas manéra aí do lado pô.
Foi um longo trajeto.
No fim, ele conseguiu se trocar – enquanto aquela ave voyerista voava ao seu ao redor sem desgrudar seus olhinhos negros dele. – E assim que Harry pôs as vestes do colégio o corvo se jogou como um raio negro em direção ao seu ombro e lá se cravou comodamente de novo.
Quando deixou o banheiro, Neville, que estava ainda na metade de sua cruzada do saber, o estava esperando para os dois desceram juntos para almoçar.
- Ainda não conseguiu se livrar do seu amiguinho – ele parecia achar divertida a cara de puro ódio de Harry e jubilo da ave.
- Não enche – Harry murmura entre dentes – não esperava que a ave de minha família fosse tão insistente.
- Talvez devesse tentar engana-lo. Os corvos normalmente se sentem atraídos por coisas brilhantes, por que não...
"Craaaa, craaaa, craaaa" grasna insultado o corvo ruflando as asas no ombro de Harry batendo forte no rosto do moreno enchendo sua bota de penas.
- Aparentemente... pitchuf – cospe uma pena – ele... pitchuf – cospe outra pena – não seria... pitchuf – e outra – tão... pitchuf – e outra – ingênuo.
Chegando no grande salão, Neville ajudou Harry a pegar os pratos e copos dessa vez. O bom de ter Neville de seu lado é que as pessoas chegavam a oferecer as coisas para ele. Qualquer coisa que o "príncipe" quisesse da mesa conseguiria facilmente.
Se sentando no seu lugar de praxe. Os dois garotos se põem a conversar. Neville falando em como os de mais estava se saindo, e Harry sobre o episodio do lago.
- Woooou – o texugo de olhos castanhos deixa cair o garfo quando Harry chega a dada parte – você tem uma divida de honra com o príncipe dos leões? Isso talvez te facilite um pouco a vida com eles.
- É – Harry acaricia o pescoço com uma cara de desagrado – apenas não gosto da idéia de relações forçadas.
Aos olhos de Neville aquilo soou ressentido demais para algo que ocorreu entre desconhecidos, se perguntou se Harry levava tudo ao seu redor dessa forma, tão "a peito".
- Príncipe dos leões? – a ficha de Harry caiu.
- Hn – Neville confirma com a cabeça enquanto mastiga e engole uma garfada especialmente grande – não era meio obvio?
"Você não imagina o quanto. Ainda não gosto desses tipos de relações, mas acho que posso usar isso ao meu favor" Harry olha na direção da mesa dos leões onde seu pais e seus amigos riem de algo, "sim, realmente posso usar isso ao meu favor".
O raciocínio de Harry só foi quebrado quando todo o grande salão derrepente ficou em silencio, para em seguida se quebrar em varias e altas risadas. Principalmente na mesa de Gryffindor.
Entrando no salão, Severus estava coberto da cabeça aos pés de água. Deixando pequenas poças por onde pisava. Sua cabeça estava baixa e era difícil saber se a vermelhidão de suas orelhas era de vergonha ou raiva.
Provavelmente os dois.
E mesmo debaixo das risadas e escárnio dos demais companheiros de instituto, ele se senta em sua mesa, onde apenas duas garotas pareceram se dignar a sentar perto dele. Harry reconheceu sendo a loira e a morena que sempre o acompanhava nas refeições, acha que até mesmo chegou ver a morena em sua ultima e fatídica aula de poções.
- Sr. Snape – a diretora fala de sua posição na mesa dos professores – creio que seu atual estado não é o mais recomendado para dividir mesa com seus demais companheiros. Peço que se retire e troque-se imediatamente de roupa.
- Eu tentei senhora diretora – o garoto ergue o queixo no alto do que restou de seu orgulho ferido – mas por mais que eu bote outras fardas a água parece voltar a empapa-las, como a senhora mesmo vê. – seus olhos se estreitam e miram com ódio a mesa dos leões, onde a maioria de seus ocupantes, principalmente três, quase morriam sem ar de tanto rir – acho que alguém me enfeitiçou pelas costas.
- Entendo – a mulher ergue sua varinha e proferindo alguns contra feitiços, ela finalmente achou o adequado e conseguiu secar o rapaz – vinte pontos a menos da Slytherin, por se deixar pegar desprevenido.
Para o espanto de Harry ninguém da casa das serpentes reclamou, pelo jeito tirar pontos por causa disso era normal naquela Hogwarts.
- Hm... sim, isso é normal – Neville explicou depois que Harry o perguntou – não é permitido enfeitiçar outro aluno nesse colégio, não na frente dos professores ao menos, mas se você for atacado longe das vistas deles, mesmo que você saiba quem é o atacante, quem perde o ponto é você por não saber se defender. A diretora diz que essa é uma boa maneira dos estudantes ficarem mais atentos nos dias de hoje.
Harry não sabia se aprovava essa técnica de disciplina, era algo que incentivaria o típico "olho por olho". Bem, não é que se pensando nisso alguma coisa iria mudar.
- Olha, aquela não é a Sibila?
Neville aponta para a mesa de Ravenclaw, onde a pequena estava sentada.
- Estranho – Longbottom não pareceu notar a palidez de Harry ao citar a garota – a Xionara não veio para o almoço hoje, por que será que a Sibila está lá? Ela não tem confiança o suficiente normalmente para falar com outras pes...
- Estou indo – Harry se levanta de um sopetão – eu tenho ainda umas coisas para resolver.
E sem esperar que Neville perguntasse "o quê", o novato sai a passos apressados do grande salão. Antes de passar pelas portas ele olhou para a mesa das águias, e nela Trelawney olhava diretamente para ele e parecia murmurar algo alem da sua típica musiquinha.
-Tec tec tec tec tec tec.
Harry sentiu um forte arrepio e saiu de vez.
- Né... Sibila – uma garotinha loira ao lado da descendente de Cassandra chama a atenção dela – porque sempre que passamos perto daquele garoto você faz esse barulho?
Para o espanto das pessoas ao redor, Trelawney responde a alguém que não e sua irmã:
- Para que eu não me esqueça.
FVQP
Tudo bem, aquilo não foi muito Gryffindor da sua parte, mas era difícil não se sentir impressionado com aquela previsão de morte.
E de certa forma, ele realmente tinha algo para resolver.
Chegando ao segundo andar. Ele começou a buscar o quadro dito na carta. E precisou de um bom tempo para achar. Em seu mundo o quadro que ele se lembra estar naquele lugar era o de uma bela dama dançando com um cavalheiro. Era estranho ver que trocaram o quadro, quando tudo o de mais estava tão bem replicado em comparação ao seu mundo.
Sem olhar para uma das crianças aladas em especial ele pede para que batam palmas. Rindo, elas formam uma rodinha, começam a abater palmas entre si e à medida que vai ficando mais rápido elas vão desaparecendo e em seu lugar fica um grande buraco no meio da tela, onde dentro havia uma alavanca.
Harry puxa a alavanca e parte da parede se abre dando acesso a uma pequena sala.
Entrando, Harry ouve a parede se fechar com um forte golpe atrás dele, e torceu para si mesmo conseguir sair de lá mais tarde.
A sala era iluminada por algumas tochas, e suas trêmulas chamas revelavam uma grande mesa no centro onde estavam dispostos vários e vários frascos de líquidos coloridos.
- Poções – uma voz murmura ao seu lado.
Harry por alguns segundos quase acreditou que foi o corvo quem falou, mas na realidade havia sido Draco, que assim que viu Harry entrar na sala resolveu que era a hora de aparecer ao seu lado.
- Essas poções são para mim? – Harry perguntou ao corvo.
"Craaaa" a ave responde aparentemente uma afirmativa.
- Por que alguém me daria poções? – Harry franze o cenho desconfiado – Será que estão adulteradas?
- Só tem um jeito de saber – Draco se aproxima da mesa – terei que analisá-las. Venha, erga os frascos a altura de meus olhos e para que cheire.
- Claro... – Harry se aproxima também, mas ao chegar olha estranhado para Draco – Cheirar? Você já consegue sentir os odores deste mundo?
- Hn... sim – responde incomodo.
Na verdade, ele havia percebido isso hoje de manhã, quando se aproximou de Harry e sentiu o cheiro estranho daquele pássaro. Na hora entrou em pânico, as coisas estavam indo rápido de mais, se as coisas continuassem assim... "Logo eu vou poder tocar o Harry. Não... eu não quero, por favor, que eu tenha mais tempo."
- Por que não me disse antes? – Harry pareceu ligeiramente irritado, mas ainda sim feliz, isso era uma boa noticia, não? Nesse ritmo o loiro logo poderia tocá-lo, não?
- Eu... Não me dei conta até agora a pouco, quando entrei nessa sala. – mentiu – E... bom, vamos logo com isso.
Assim como Draco pediu, Harry ergueu frasco por frasco na frente dos olhos do loiro, as vezes tinha que sacudi-los, ou derrama-los em outros recipientes vazios e limpos que também estavam na mesa. E claro, também levou a cada um dos frascos para debaixo do nariz do pocionista.
Apesar de hoje em dia ser um bom conhecedor de poções, os conhecimentos de Harry não chegavam nem aos pés dos de Draco, que sob pedido direto de seu padrinho fez especialização em poções no seu curso de aurologia. Fora que o próprio Severus Snape o escolheu como discípulo.
Depois da morte do pocionista, Draco seria o seu legado ao mundo.
- E então? – Harry pergunta ligeiramente impaciente, depois de quase uma hora – acha que alguma foi adulterada?
- Longe disso – os olhos de Draco estavam arregalados – Elas estão perfeitas, perfeitas até de mais.
- Como assim?
- Essas poções, seja lá quem as fez, são de altíssimo nível, acho que só vi poções tão bem produzidas dentro do armário particular de meu padrinho.
- Não existem muitos pocionistas no mundo no nível de Snape.
- Não, alem de mim, é claro – diz com presunção mais do que justificada – seja quem pôs essas poções aqui, é um pocionista fora de série. E para colocá-las onde estão, deve pertencer a este colégio. Você acha que seu professor de poções poderia...
- O Tom? Há há há, tá certo, eu acho que ele me envenenaria, e se necessário se envenenaria no processo, apenas para não me dar metade das poções que tem aqui.
Harry deixou os olhos caírem nas várias e várias poções dispostas à mesa. Poções para ferimento, para crescer ossos, para dormir sem sonhos, fechar ferimentos, passar dor de cabeça, regulador de pressão, para sumir com hematomas... Havia todo um conjunto de poções curativas.
- Quem deixou isso aqui – Harry ergue um frasco com o liquido azulado – parece querer ter certeza de que vou me cuidar. O que não posso dizer que não virá a calhar, já que essa semana não será das mais tranqüilas. – e bebe um pequeno gole do frasco.
Logo em seguida, Harry sente a dor que sentia todo o dia ainda levemente em seu nariz desaparecer. Sabia que o correto era passar na enfermaria de manhã, mas assim como ontem a noite, ele não estava muito disposto a encontrar a chaminé irritadiça que tinha por enfermeira. A dor do ferimento do seu nariz o perturbou até aquele agradável momento em que provou do liquido azulado.
- Bem – Draco se espreguiça – já está na minha hora, perdi muito tempo avaliando essas poções.
- Certo.
- Harry – a voz de Draco saiu baixa – você... bem... obrigado pelo que fez por meu padrinho.
Draco, como sempre, viu como Harry mergulhava no lago para salvar Severus. E apesar de não aprovar muito o método de ressuscitação, não pode deixar de se sentir grato.
- Sei que vocês nunca se deram bem quando você era criança, mas...
- Severus Snape foi um grande homem – Harry disse de maneira seria – isso é inegável, já que o próprio Dumbledore disse isso – e sorrindo de maneira gentil olhou fundo nos olhos de Draco para continuar – e Albus Dumbledore sempre foi bom em reconhecer grandes homens.
Draco teve que se conter para não ruborizar diante do elogio feito a seu padrinho e a ele mesmo.
- Obrigado – sussurrou antes de desaparecer.
- Bem – Harry olhou para seu passageiro – e como nós saímos daqui?
A ave levantou vôo e com o bico empurrou três pedras da parede em uma determinada ordem que Harry decorou mentalmente.
Já no corredor Harry se espreguiçou e falou consigo mesmo:
- É... Acho que vou atrás de Neville e seus "discípulos". He he, acho que consigo fazer um ou outro desmaiarem só de me sentar com eles... au au au – Harry recebe outro ataque furioso do corvo – certo, certo, desculpe, eu já vou escrever uma resposta para o seu mestre. Eu tinha me esquecido que você ainda estava aí, acho que meio que me acostumei a andar com um peso morto nos ombros... ai ai ai – e mais bicadas vieram – Pô... desculpa, foi maneira de falar. Eu juro!!
E coagido, Harry voltou para a sua casa, mas não pode parar para conversar com Neville, foi direto para seu quarto atrás de pergaminho, tinta e pena, e depois de um certo tempo, conseguiu escrever uma carta para sua "irmã".
Amada Jubileu
Ora pequena, Quando abri sua carta logo mais cedo, me senti bastante envergonhado por não ter me lembrado de cumprir a promessa que fiz para vocêantes de partir de casa.
Finalmente achei um momento tranqüilo para te responder devidamente.
Meu primeirodia não foi fácil por uma porção de motivos que prefiro não comentar no momento. Masmesmo assim, apesar de tudo o que aconteceu, consegui fazer alguns amigos... Bem, talvez apenasum, isso só terei certeza com o tempo.
Apesar da aparente pouca fé que você tem em seu maninho, eu me lembro sim do citado vestido, e digo que quando o vestir vai parecer uma linda princesinha.
Devo também dizer que desista minha irmã, de agora, a esta altura do campeonato, tentar levar a Marius para o seu lado, no alto de seu um ano e dois meses sua fidelidade masculina já esta mais que concreta.
E também de pedir que reconsidere esta historia de gritador, brrr, hoje no café, um dos garotos de Gryffindor (o primogênito Black) recebeu um de sua casa. E pode apostarquando digo que a voz da famosa senhora Black aumentada dez vezes não e algo nada agradável.
Obrigado por sua carta
Seu esquecido e envergonhado irmão Chris.
Depois de escrevê-la, Harry a releu varias vezes para ver se as letras que ficaram ligeiramente mais a baixo que as de mais estavam na posição certa, formando uma versão, não acentuada e pontualizada corretamente da frase:
"Obrigado pelas poções, elas serão úteis. Mas também gostaria de saber quem é você."
- Feliz agora?
Harry teve quase certeza que viu a ave acenar afirmativamente com a cabeça um pouco antes de esticar a pata de uma forma mandona como se mandasse o garoto botar a mensagem de uma vez lá.
Com a mensagem segura, a ave bicota de maneira carinhosa a orelha do menino de uma forma que o fez se lembrar de sua bela e antiga coruja, e sem maiores despedidas alçou vôo em direção da janela do quarto.
O garoto, apesar de ter achado a estadia do corvo em seu ombro mais do que desagradável em vários momentos, não pode evitar murmurar na direção em que viu a ave partir.
- Boa viagem.
FVQP
Só foi quando saiu do quarto que se lembrou que enquanto fazia a carta, Neville havia passado no dormitório para avisar que iria à biblioteca pegar alguns livros que esqueceu de levar para a aula particular que estava dando, e se o novato queria alguma coisa de lá.
Sem muito que fazer pelo resto do dia, e como ainda faltavam algumas horas para o jantar, o moreno saiu da casa Hufflepuff, e caminhou a passos lentos na direção da biblioteca.
Só precisou dar alguns passos pelos corredores que começou a sentir falta do seu espanador negro e temperamental, pois quando o tinha com ele, não eram muitos os que se arriscavam a impactar seus ombros com os dele, já que a furiosa ave protegia seu novo poleiro na base de bicadas ao primeiro engraçadinho que tentava se aproximar.
O jeito era voltar ao antigo exercício de contrair os músculos do ombro e vira-los quando os tentavam empurrar.
Foi quando estava bem perto da biblioteca que viu, virando uma esquina, um pequeno grupinho de cinco Slytherins encurralando um... Slytherin?
- Não acredito que você se deixou humilhar novamente por aqueles leões idiotas – uma das serpentes empurra Severus contra a parede.
- Só podia ser um mestiço – outro representante da casa de Salazar cospe no chão em sinal de nojo – é uma vergonha ter que dividir a minha casa com você. Inútil.
Severus fecha os punhos com ódio. Ele não era do tipo que levava facilmente desaforo para casa, mesmo quando seu adversário era o "príncipe" dos leões ele tentava revidar a altura, mas dentro de sua casa própria casa ele sofria de um grande complexo de inferioridade por ser um simples mestiço, e sempre que implicavam com ele, apesar de ser um excelente duelista a sua idade, nunca revidou as provocações.
Não se considerava digno.
Quando um dos seus companheiros de casa ergueu a varinha em sua direção ele apenas apertou mais forte os punhos e esperou o inevitável.
Mas "esse" nunca veio.
A serpente que apontava a varinha para Severus gelou ao sentir as suas costas a ponta de outra varinha em seu pescoço.
- Creio já ter falado que aquele que tocasse no prometido de um Black – disse uma voz excessivamente infantil, assim como letal – se veria comigo.
Todos os garotos que cercavam Snape se viraram e se viram de frente com a varinha ainda erguida de Bellatrix Black e uns poucos passas atrás dela, a graciosa, mas não menos letal Narcisa Black, esta sem ter sua varinha levantada, mas ainda assim a segurando fortemente.
Esse era outro fato que fazia Snape ser alvo de muitas perseguições dentro de sua casa, era a inveja de sempre estar rodeado de uma das duas beldades de Slytherin, elas que tinham a beleza sempre comparada as das garotas de Ravenclaw.
- Bella, Bella, Bella – tentava argumentar um dos garotos – por que você ainda defende a este estorvo? – escolhendo pessimamente as palavras – ele não passa de...
- O estorvo em questão é o meu prometido – ela diz com uma expressão de pura maldade – não importa o quão sujo seja o sangue dele, toque em um fio de seu cabelo, e considerarei que esta tocando no meu.
Bellatrix Black, uma bruxa puro sangue, teve sua mão dada antes de nascer – assim como a maioria das crianças puro sangue – prometida ao descendente da família Prince, este ainda inexistente também na época, quando se soube que a mãe de Severus havia se casado com um muggle, o pai de Bella quis desfazer o acordo, mas como o pacto de cruzamento de famílias já havia sido selado, não havia volta atrás.
Snape, quando conheceu sua prometida, pensou que seria repudiado, mas Bella era a confiança em pessoa, e mesmo que seu marido deixa-se a desejar, seja quem fosse, ela já tinha decidido que seria uma bruxa espetacular, e para isso não precisaria se apoiar em ninguém.
Fora que... bem, em tendências amorosas suas preferências eram outras, assim como as de seu futuro marido. Logo, com uma relação de camaradagem, os dois aceitaram seu futuro.
Claro que Harry desconhecia tudo isso, e tudo o que via lá era uma mini-Bellatrix defendendo um mini-Snape, que tinha a retaguarda protegida por uma mini-Narcisa.
"Eles parecem ser amigos" foi tudo o que pode concluir.
Os rapazes pareciam pensar em uma maneira de atacar as guarda-costas de Severus, mas enfrentar duas Blacks não é nada que gostariam de fazer qualquer puro sangue.
Enquanto isso as garotas também pareciam achar uma solução de tirar Severus de lá sem maiores danos.
E Harry, esse suspirou resignado, aparentemente ele não conseguia se manter muito longe de conflitos.
Andando a passos aparentemente despreocupados, mas com o coração na garganta, ele foi na direção das oito serpentes como se inocentemente estivesse ainda indo para a biblioteca.
Assim como imaginou, ninguém lhe deu atenção, estando tão absorvidos na intricada espera da fraqueza de um dos lados. Ou quase ninguém, um par de olhos negros notou desde o principio quando ele se aproximou.
"Perfeito"
Conseguindo chegar o mais próximo possível ele simula um tropeção e cai, conseguindo arrastar com ele três dos Slytherins que atacaram Severus.
Os outros dois abaixaram a guarda ao ver seus companheiros caindo no chão, e com isso as duas garotas os pegaram desprevenidos com um expelliarmus bem no peito, os arremessando contra a parede a nocauteando na hora.
Dois dos alunos derrubados por Harry se levantam, mas antes de conseguirem apontar as varinhas, tiveram o mesmo destino que seus companheiros anteriores.
O ultimo oponente, que havia ficado no chão embaixo de Harry, empurra o texugo para o lado e aponta a varinha para ele.
As meninas e Severus – que havia despertado de seu estupor no meio da batalha – não puderam fazer nada, pois o atacante foi muito rápido em lançar o feitiço, mas antes, não deixando de falar.
- Texugo estúpido, tudo isso foi por sua culpa, mas agora vai pagar!! Serpensortia.!!
E para o pânico dos de mais uma cobra de brilhantes escamas negras apareceu na frente de Harry. O garoto que a invocou sorria de maneira prepotente, aquela era uma cobra de veneno extremamente mortal, e já que ele realizou o feitiço sem ser na frente de um dos professores, seja o que aconteça com o texugo, não teria que pagar por nada.
Narcisa e Bella não sabiam como reagir, não que frequentemente se dessem ao trabalho de ajudar pobres texuguinhos enrascados, mas graças ao tropeção daquele texugo em especial, não houve maiores danos para o seu lado no duelo. E Severus também parecia compartir da opinião das meninas, mais até, já que não seria a primeira ou segunda vez que esse texugo intrometido aparece para ajudar.
Por que a ele, esse papo de tropeço acidental não engana.
Mas seja qual fosse a posição dos de mais, Harry sabia que se não aparecesse logo um professor que conhecesse o feitiço para fazer a cobra desaparecer, ele é quem deveria fazer alguma coisa para resolver o dilema.
- Esssstúpidos... humanossss inconcsssequentessss por que me tiraram do meu ninho? – a cobra sibilava furiosa e amedrontada na direção de Harry que graças ao parsel, conseguia entender – por que me roubaram de meu lar?
"O que eu faço? O que eu faço? O que eu faço? O que eu faço?" Harry não tirava os olhos da cobra que serpenteava em sua direção "Não posso simplesmente falar em parsel e derrepente me tornar o tatara tatara tatara neto de Salazar Slytherin, isso alem de chamar atenção indesejada aqui no colégio, pode chegar aos ouvidos do suposto Voldemorte que está do lado de fora."
Ele dava pequenos e lentos passos para trás à medida que o réptil se aproximava, bradando seus lamentos e reclamações. Sem magia, ele teria que dar um jeito da melhor forma muggle possível.
Sem parar de recuar lentamente Harry ergue beeeeem devagar o braço e esticando dois dedos unidos empina o punho e ondula a mão. Aos poucos a cobra começou a seguir esse movimento erguendo levemente a parte dianteira se preparando para o bote.
Harry suava frio, pois se esperasse a cobra dar o primeiro movimento estaria perdido.
Então de maneira rápida ele faz um movimento brusco para o lado e quando a cobra avançou na mão que seguia antes, a outra mão de Harry conseguiu pegá-la um pouco abaixo da cabeça antes que suas presas atingissem seu alvo.
Todos olhavam estupefatos o aborto de Hufflepuff segurar firmemente a venenosa cobra com certa dificuldade, já que ela se debatia violentamente. E acredite, ela era forte, uma verdadeira lutadora.
Agora, que a probabilidade de ser mordido diminuiu consideravelmente, Harry pensava no próximo passo que deveria dar.
"Se eu pudesse fazer magia poderia deixá-la desacordada e levá-la até a floresta proibida, ou até mesmo usar o anti-conjuro que a invocou e devolve-la exatamente de onde veio, mas nada disso é uma opção no momento..." olhou a cobra que sibilava furiosa.
- Me largue, me sssolte ssseu humano esssstúpido, vândalossss, desssrespeitossssos, encreiqueirossss...
"Pessoalmente nunca gostei de serpentes, já que a maioria tentou me morder/comer, mas essa criatura não tem culpa de ter sido tirada de seu lar por um mago estúpido"
- Me laaaargue eu quero voltar para casssa!!! – sua voz ao ouvido de Harry começou a parecer chorosa.
"Mas não posso deixá-la solta em Hogwarts, é muito venenosa, e leva-la histérica desse jeito até a floresta seria impossível, ela pode se soltar a qualquer minuto, e eu prefiro não arriscar"
- Meussss ovossss!! Ssse por acasssso algum de vocêsss humanosss esssstúpido tocou em meusss ovosss ssse consssidere morto.
"Não tenho escolha"
Com a mão livre, Harry cobriu a cabeça da cobra por trás para escapar de suas venenosas presas, a segura fortemente e gira as duas mãos em sentidos opostos.
"CRECK"
Os presentes ofegam ao ouvir o som de algo quebrar. E ver em seguida o corpo inerte da cobra, que antes se debatia violentamente por liberdade, segurada ainda pela mão do Hufflepuff.
Algo de ressentimento brotou no peito de cada Slytherin consciente naquele corredor, era meio doloroso ver o símbolo de sua casa ser tratado daquela maneira. Mas as irmãs Black, assim como Severus ainda sabiam muito bem de que lado ficar naquela situação.
O Slytherin que conjurou a cobra abriu a boca para dizer alguma coisa quando foi interrompido.
- Ora ora ora, meu caro irmão, o que temos aqui?
- Eu diria que é uma convenção de serpentes, sim isso creio, uma convenção de serpentes.
Os dois irmãos Weasleys se aproximaram do estranho grupo. Olharam desde os corpos desacordados, os slytherins conscientes, mas pálidos, até o sério Hufflepuff que segurava uma cobra aparentemente morta.
Era um quadro realmente perturbador.
- Alguém poderia nos explicar o que exatamente aconteceu aqui? – Fred pergunta a todos, mas olha especialmente a Harry.
- Nada de mais professor – Bella diz em sua voz irritantemente infantil – apenas caminhávamos pelos corredores e achamos esses alunos inconscientes.
A desculpa era fraca, mas como as coisas naquele colégio era "o que os olhos não vêem o coração não sente"...
- Ah claro, uma tragédia, uma tragédia – George parecia entender mais ou menos o quadro em questão, mas sabia como deveria se portar nessas situações – Então vejamos – começou a apontar para corpos inconscientes – um.. dois.. três..quatro... Eu diria que são oitenta pontos a menos para Slytherin – o ajudante de professor sorri malvado ao ver as expressões de desgosto das serpentes.
- E você senhor Hardnet, o que faz aqui? – Fred pergunta sem tirar os olhos da cobra em sua mão.
- Controle de peste – dá entre ombros e ergue a cobra estática, recebendo mais um lance de olhares ressentidos dos Slytherins pelo modo desrespeitoso que tratava o símbolo de sua casa.
- Serviços prestados ao colégio? Que doce, nada menos esperado de nosso texugo maravilha – diz Fred sarcástico – então serão trinta pontos para Hufflepuff pela boa vontade.
Dito isso o professor de defesa, ajudado pelos outros alunos de Slytherin se focaram em levitar os corpos das serpentes inconscientes.
Andando ao redor de Fred, com um olhar triste, Harry viu mais uma vez a figura descabelada de Giny, assim como mais ninguém parecia ver
O moreno só desviou os olhos da menina quando George se aproximou. E quando o assistente estava perto o suficiente Harry não pode evitar de olhar mais uma vez no brinco em sua orelha e o considerar familiar.
- Essa cobra tem um veneno realmente potente – George olhava de perto, e notou que a mão de Harry estava extremamente tremula – hn... Acho que Riddle ficaria mais que encantado em, receber esse espécime – olhou de maneira penetrante para o aluno.
- Ela não teve uma morte agradável – Harry diz com um tom de ressentimento puxando a mão para longe do professor, ao menos posso providenciar que em seu descanso – lança um olhar acusador ao Slytherin que a trouxe para a confusão – seja mais tranqüilo.
-Um enterro – George ergue uma sobrancelha de maneira divertida – bem, você pode fazer o que quiser de seu tempo livre.
Harry da às costas para o grupo e vai na direção que o levaria para a saída do colégio.
Só se lembre de passar na enfermaria mais tarde.- diz a voz de George as suas costas.
- Não se preocupe professor, eu não me machuquei – Harry diz sem se virar.
- Apenas faça – o assistente insiste a medida que seu sorriso aumenta.
FVQP
"Ele sabe"
Foi o que Harry pensou durante todo o seu trajeto até o lado de fora do castelo.
Quase tão eficaz quanto a presença de Orus, ao Harry caminhar segurando a cobra em sua mão, não ouve muitos que tentaram se aproximar dele, somando a expressão séria, aquele aborto Hufflepuff era uma imagem sinistra.
Chegando à orilha da floresta. Harry larga o corpo da cobra no chão com certo alivio e aperta a mão que a segurava contra o peito, finalmente fazendo uma careta de dor.
Seu dedo polegar estava deslocado.
Para evitar matar a cobra, Harry utilizou um movimento que a deixou inconsciente. Mas também para acabar com a confusão, pensou que o melhor era deixar os briguentos Slytherins chocados e com isso simulou a morte da cobra, o símbolo da casa deles. Mas para isso sacrificou o próprio dedo.
"Draco tem razão, se eu continuar a quebrar partes do meu corpo para me livrar das situações, já já não vai sobrar nada de mim quando acabar a semana." Suspira "Aparentemente George percebeu meu dedo quebrado, e acho que também sabe que a cobra está viva"
Olhando a cobra desacordada, Harry mais uma vez pensou em como seria mais fácil se tivesse magia, poderia simplesmente acordá-la, ao invés de esperá-la despertar. Mas não tinha jeito, esperaria que despertasse por si mesma e depois falaria para ir embora em paz.
- O que você está fazendo? – uma voz fala as suas costas.
Harry olha para trás e vê Severus se aproximando, e quando chega ao seu lado se agacha também olhando para a cobra.
- E então, acha que vai demorar muito para acordar? – pergunta para Harry.
- Você sabia que não estava morta?
- Na hora em que você a "matou" não – o slytherin deu entre ombros – mas quando vi sua mão tremendo enquanto falava com o Weasley juntei os pontos – sorri prepotente com o canto da boca – manobra bem Slytherin a sua, texugo.
- É – ruboriza por ter sido tão facilmente pego – Dizem isso com freqüência.
- Bem, não pretendo esperar o resto da tarde – Severus diz ligeiramente impaciente. Aponta a varinha para a cobra e recita – enervati.
Com a presença de Severus ali novamente seria impossível falar com a cobra, mas nem foi necessário. A serpente desperta confusa, e sem notar os humanos a suas costas, vê sua tão amada mata ao alcance dos seus olhos e feliz repteia de volta a floresta para encontrar seus ovinhos abandonados.
- Acha que ela vai se adaptar a floresta proibida? – Severus pergunta ainda olhando por onde a serpente se foi.
- Claro que vai –Harry responde – foi de lá que ela saiu, o conjuro de "Serpensortia" teleporta uma serpente do local mais próximo e o único lugar próximo que uma serpente dessa pode ter vindo seria da floresta proibida.
Severus observa impressionado, assim como ouviu de alguns companheiros de casa, o aborto, apesar de não ter magia, parece ter um extenso conhecimento da teoria.
Ambos adolescentes caminham em direção ao colégio, tendo atrás deles o entardecer.
- Por que você o fez? – do nada Severus pergunta ao chegarem perto da entrada.
- Hn... Não acho o corpo docente ficaria feliz em saber que eu deixei uma cobra venenosa daquelas vagando livremente pelos corredores de Hogwarts.
- Não falo disso, e você sabe. Porque me ajudou?
- Ajudar? – Harry tenta soar inocente – mas eu só tropecei.
Severus bufa irritado.
- Tá bom, assim como você tropeçou dentro do lago. – ele se vira para Harry e o segurando pelo braço diz de maneira desafiante – o que você quer comigo? Por que fica me ajudando?
Harry não esperava ser interrogado, e simplesmente deixou os ombros caírem cansados e encarou Snape, sem saber os efeitos que causavam suas esmeraldas no rapaz mais velho.
- E por que eu deveria ter uma razão?
- Como? – pergunta desconcertado.
- Por que eu deveria ter uma razão de ajudar você? Por que eu deveria ter uma razão de ajudar a qualquer um nesse colégio? Por que qualquer um deveria ter uma razão de ajudar a qualquer um? – Harry diz as palavras que sempre o assombravam, calmamente, olhando de maneira compenetrante nas orbes de ônix – por que eu deveria ter uma razão para não querer te ver ferido ou humilhado? Por que você deveria ter uma razão para ajudar a um igual? – o texugo balança a cabeça com desgosto ao lembrar de fatos passados – Enquanto procuramos respostas para essas perguntas mais e mais pessoas se ferem e morrem nesse mundo, então hoje em dia, ao invés de me perder em perguntas egoístas e inúteis eu simplesmente prefiro a maioria das vezes agir. A dor que remanesce no panorama final se torna bem menor.
Harry afasta a mão que segurava seu braço e encara a face ainda confusa de Severus, tentando processar aquela lógica.
- Isso – diz com certo desdém, tentando disfarçar seu desconcerto – já é bem Gryffindor de sua parte.
- Não Snape, isso é apenas bem humano de minha parte.
E dando as costas ao pensativo Slytherin, Harry mais uma vez tenta chegar a biblioteca, talvez ainda conseguisse encontrar Neville.
FVQP
- AAAAAAU SUA LOUCA!! – o grito de Harry reverberou por todo o corredor em que estava.
Mais uma vez, tendo seu caminho barrado, Harry se viu de frente com a escultural e nada sutil enfermeira.
A mulher não havia trocado duas palavras com o aluno, tira a mão do moreno do bolso e em um movimento rápido, e realmente dolorido, colocou o dedo no lugar.
- Você sabe que existem feitiços menos dolorosos para isso – Harry comprime sua mão machucada contra o peito, como se a mulher a sua frente fosse a qualquer minuto pular em cima dela e mostrar novamente sua veia sádica.
- Pensei que você fosse preferir algo desse gênero, já que aparentemente adora escolher o caminho mais difícil. Você pode ter algum problema em suas juntas – diz a mulher acendendo o seu cigarro – eu recomendaria você a passar na enfermaria, mas pelo visto seria inútil – ela o olha de maneira acusadora, lembrando o menino do episodio do nariz e sorri mordaz. – não fui contratada para ser babá de ninguém, quando não conseguir mais mexer o dedo permanentemente pode passar na enfermaria e eu amputo para você com o maior prazer.
Ela solta uma forte baforada para o lado e segue o seu caminho.
Harry sabia que aquele era o seu trabalho, mas a idéia de ir vê-la na enfermaria ainda não agradava, por mais que sentisse dor em seu dedo, o jeito seria se desviar novamente de seu percurso e beber alguma coisa para as juntas lesionadas.
Após se automedicar, Harry, no alto de sua determinação, retoma sua caminhada para a biblioteca. E realmente pensou que dessa vez conseguiria, quando...
- Veja só o que temos aqui.
Por segundos ele realmente pensou que era com ele, mas não, alguns Ravenclaws zombavam de duas menininhas, pelo tamanho que tinham deviam ser primeiranistas.
"Por Merlin, será que eu não posso dar mais nem um passo nessa escola sem ver alguns dos alunos tentando matar una aos outros?"
Foi só quando se aproximou mais que percebeu que uma das primeiranistas em questão, era uma conhecida sua.
"Trelawney"
A menina tinha a cabeça baixa e murmurava incessantemente a sua mórbida musiquinha. Ao seu lado estava uma aluna de Ravenclaw, também do primeiro ano, expressão despreocupada, cabelos loiros, brincos estranhos...
- Luna? – Harry deixou escapar por entre os lábios.
As duas meninas eram abordadas por alunos mais velhos que pareciam provocar Trelawney em especial, mas a garota não dava sinal de estar sequer ouvindo.
- Quer para de cantar essa musica ridícula? – gritou uma das águias perdendo a paciência puxando um dos rabos de cavalo da menina.
Trelawney não parava de murmurar, só que agora era de uma maneira mais rápida e de seus olhos começaram a brotar lagrimas. Luna puxava o braço do seu companheiro de casa para solta-la, enquanto falava:
- Solta ela – Luna perde sua expressão serena e pareceu realmente angustiada – ela não tem culpa, eu juro. A culpa são dos Hamilitongs que habitam na cabeça dela, eles gostam de entrar na cabeça das pessoas e faz com que elas cante a mesma musica todo o tempo, eu tinha uma tia que tinha um Hamilitong que a forçava a cantar o hino da Indonésia por dez anos e...
- Cala a boca – uma outra águia segura Luna para longe de onde sua amiga tinha os cabelos puxados cada vez mais alto – agora eu entendo por que você se tornou amiga da Sibila "morte certa" Trelawney, você e tão estranha quanto ela.
- Tudo bem eu sou estranha – Luna tentava alcançar sua amiga que chorava cada vez mais – isso todo mundo diz, então deve ser verdade, assim como os Yeets poloneses são reais. Mas ela não tem culpa, o único problema é que o Hamilitong na cabeça dela tem um péssimo gosto musical – Luna começou a chorar também angustiada – ela não tem culpa, eu juro, ela não tem culpa.
Harry via aquela cena cada vez mais furioso
"Ela não tem culpa"
As lagrimas de Luna.
"Ela não tem culpa"
As lagrimas de Trelawney.
"Ela não tem culpa"
Os pedidos de clemência de Luna.
"Ela não tem culpa"
Os murmúrios acelerados e amedrontados de Trelawney.
"Ela pareceu gostar de você" a voz de Hooch chegou a mente de Harry naquele momento repetindo o que a garota disse mais cedo "ela não conversa muito, mas percebo quando as pessoas agradam a ela, e quanto se entristece quando essas mesmas pessoas se afastam dela, e acredite eu já vi isso acontecer varias vezes."
- Ela não tem culpa – Harry murmura para si mesmo
O moreno se aproxima daquela absurda situação onde alunos de anos mais avançados agrediam alunas – sendo uma delas da mesma casa – que nem ao menos tiveram uma semana de aulas.
- Siby – Harry sorri para a chorosa garotinha que fungou amedrontada – Sua irmã está te procurando. Já é quase hora de jantar.
Harry segura o braço da águia e a abaixa lentamente. Havia chegado tão derrepente que o Ravenclaw não reagiu.
Puxando o cabelo da mão que o segurava, Harry se movia sob a vista dos estupefatos agressores, que viam a ousadia do aborto texugo. O moreno apenas agia o mais rápido possível, antes que eles retomassem o ataque.
Apesar de que uma nova investida poderia demorar um pouco. Quando as águias ouviram o nome "Hooch" sabiam que não seria muito bom negocio continuar o que estavam a fazer
Aproveitando a vantagem, Harry puxou Lovegood para perto de si também.
- Acho que Hooch vai querer conhecer a sua nova amiguinha, não?
Trelawney ainda com a face coberta de lagrimas, e murmurando suas predições de mau agouro apenas sorri tremulamente e acena positivamente com a cabeça.
Essa cena fez Harry apenas se odiar mais.
"O que eu estava fazendo? Minha atitude hoje ao evitá-la não foi melhor da dos de mais, ela é apenas uma criança que é obrigada a ver coisas assustadoras diariamente e ainda é julgada por isso." Harry afaga carinhosamente a cabeça das duas meninas amedrontadas, conseguindo de ambas um largo sorriso "Quem eu tenho que enfrentar, não e Sibila Trelawney, nem mesmo o meu destino, se tudo o que eu fiz até hoje me levar a morte, então eu terei que abraça-la, pois esse foi o caminho que escolhi."
- Torrency, pare – ouviu as suas costas as águias discutirem – aprontar com a retardada mental e com a lunática é uma coisa, mas se o aborto disser alguma coisa a Hooch nos estamos ferrados.
- Tô me lixando David – a voz do tal Torrency respondeu – não vou deixar um aborto me humilhar.
Supostamente o feitiço deveria ser para Harry, mas com o amigo tentando impedir que ele levantasse a varinha o raio de luz acertou o braço de Luna, que ao soltar um gemido sufocado de dor, atraiu o olhar preocupado de Harry. No braço atingido da menina nasciam dolorosamente escamas.
Harry apenas olhou aquilo e a expressão de dor da versão mais jovem da amiga falecida que foi o suficiente para ver tudo vermelho.
Com uma expressão sombria se vira para o adolescente que ainda mantinha a varinha erguida e caminha em sua direção lentamente.
Assustado com a mudança de "presença" do aborto, o rapaz lança vários feitiços em seqüência, e foi aí que Harry fez uso de sua agilidade. Avançava determinado e ao mesmo tempo desviou dos dois primeiros apenas balançando o corpo da esquerda para direita, saltou quando um quase acertou perigosamente suas pernas, e girou no chão para escapar de um que quase o raspou. Quando se pôs de pé, estava face a face com a águia que tremia diante dos olhos ferais do texugo. Com um único tapa a varinha do Ravenclaw cai no chão e Harry o chuta no peito o jogando contra a parede mais próxima.
Quando a águia tentou retomar o ar que perdeu com o golpe sente sua traquéia ser pressionada perigosamente pelo braço do mais baixo, porem intimidante texugo.
- Se você é o tipo de mago que se reduz a essa figura patética quando é obrigado a entrar em um combate corpo a corpo, te recomendo que aprenda a segurar melhor sua varinha – Harry não sabia, mas mais do que o seu braço, o que fazia o ar sumir dos pulmões do garoto eram aqueles turbulentos olhos verdes que queimavam em fúria. E o moreno continuou a falar, mas agora tão baixo que só o Ravenclaw pode ouvir, e este quase desvaneceu ao ouvir o tom morbidamente venenoso – e como sou um cara legal, vou te dar mais um conselho hoje. Da próxima vez que mirar um feitiço em mim, eu sugiro que acerte, por que talvez não vá ter uma próxima chance de tentar de novo.
Se ele fosse dizer mais alguma coisa o amedrontado Ravenclaw nunca chegou a saber, pois um segundo depois do mórbido discurso, três raios de luzes empurraram Harry para o lado, e para longe do outro garoto, o jogando no chão. As águias que atacaram Harry fizeram um circulo e começaram a chutá-lo.
O Ravenclaw que havia sido imprensado contra a parede poderia até mesmo ter se unido a seus amigos, mas seus olhos ainda estavam esbugalhados de medo. Aquela voz, aquela expressão, a força que com apenas um pouco mais de pressão poderia ter quebrado seu pescoço, nunca havia se sentido tão pequeno, nunca teve tanto medo.
"Era com estar diante do demônio"
Olhou seus colegas chutando o texugo, e engoliu em seco, mesmo agora não queria se aproximar dele.
O que tinha era medo.
Puro e simples medo.
- O que vocês pensam que estão fazendo?
A voz gelou todos os três agressores, que ao ver um pequeno grupinho de alunos se aproximando pararam de chutar o novato caído. Na frente do grupinho vinha uma colérica Hooch.
Ela parou próxima ao trio de águias e essas começaram a falar ao mesmo tempo.
- Nós... Nós... Não pode fazer nada contra nós.
- É... Não tinha professor algum aqui.
- Isso mesmo, nós...
- Eu disse alguma coisa sobre fazer algo a respeito?
Os olhos da garota varreram toda a cena, desde a águia com uma expressão estranha escorada na parede, ao corpo machucado de seu companheiro de casa no chão e das duas primeiranistas amedrontadas que haviam corrido atrás dela para que salvasse Chris.
Seus olhos de falcão se prenderam principalmente na face manchada pelas lagrimas e nos olhos avermelhados da irmã.
- Peguem seu companheiro e sumam daqui – ela diz com uma voz fria – não tenho o mesmo poder que um professor, mas ainda sou monitora, saiam antes que desconte pontos de sua casa.
As águias obedeceram o mais rápido possível. Sentindo uma desagradável sensação gelada descendo a sua espinha.
Eles provocaram a pessoa errada.
Hooch se aproximou de Harry e o ajudou a levantar. O garoto negou com um aceno de mão usar a menina como apoio para andar. E quando estava de pé a garota disse.
- Vinte pontos a menos para Hufflepuff.
Harry não disse nada, não era como se ligasse muito em perder pontos para a sua casa. Ainda mais quando Trelawney caminhou em sua direção e segurou acanhada a ponta da sua manga e sem jeito parou por alguns segundos de recitar sua estranha musiquinha para murmurar:
- Obrigada.
Harry não respondeu, pois em seguida Luna também agradeceu a ele o deixando acanhado.
Lovegood agarrou o braço de Sibila, a puxando para irem juntas ao grande salão jantarem enquanto apontava para suas novas escamas e falava:
- Se dobrar um pouco o pescoço e fechar um olho você pode ver o formato da ponta do nariz de um Jumingterus, será que se eu pedir para a srta. Hargreaves ela pode deixar esta parte das escamas por mais algum tempo? Aposto que meu pai iria adorar vê-las.
Os dois texugos mais velhos viam as garotas se afastarem
- Elas são... – Harry diz divertido
- ... estranhas – Hooch completa no mesmo tom
- Mas mesmo assim...
- ... são boas garotas.
Sorriem cúmplices um para o outro.
- Chris!!
Harry e Hooch se viram para onde vinha a voz de um preocupado Neville.
- Chris!! – repetiu alarmado vendo os hematomas – O que aconteceu com você?
O numero de espectadores aumentava cada vez mais, quase todas as casas pareciam presentes.
- Nada de mais – Harry sorri como se isso fizesse o outro esquecer as marcas em sua pele – vim para te fazer companhia na biblioteca, mas pela hora já devem ter servido o jantar. – se vira com a intenção de ir jantar
- Mas...
- Aaah, eu estou morta de fome – Hooch passa a mão pelo ombro de Harry e o acompanha na direção do grande salão.
- Sim, mas o que aconteceu por...
- Será que tem frango hoje? Ontem não teve, eu adoraria comer uma ou outra coxa – Harry continua seu trajeto sem olhar para trás.
- Chritofer Hardnet, não me ignore!! – Neville usa um tom que não deixaria nada a deseja a uma mãe.
- Ontem na mesa de Gryffindor teve, talvez se eu pedir eles dêem.
- Xionara Hooch!! Eu sei que vocês estão me ouvindo!!
- Ah isso seria ótimo – os olhos de Harry brilharam em expectativa.
- Desisto – Longbottom se bota ao lado dos amigos e caminham para fora do corredor.
Os olhos de Harry caem em um de seus braços ferido, todo o seu corpo doía, pelo visto seu novo estoque de poções viria a calhar novamente, só esperava que sejam suficientes para aquela cansativa semana.
- As coisas funcionam em um ritmo estranho nessa escola – Hooch fala sem prévio aviso assustando a Harry – talvez pareça à primeira vista que tudo se resume a "se alguém comete uma injustiça tem a chance de sair impune" mas se for pensar bem, também significa "se alguém fez algo a você, você terá chances iguais de revidar". Aqui as justiças são feitas com as próprias mãos, por que lá fora essa é a atitude predominante, e acredite.
O rosto de Xionara se tornou perigosamente sério.
- Nessa área eu sou especialista.
FVQP
Vendo o trio se aproximar de onde estavam, Régulos se vira para Lucius e fala:
- E quanto ao seu plano?
- Se quero pô-lo em pratica, tenho que esperar que seja em um dia de aula. – o loiro não desgrudo os olhos do trio que diminuía cada vez mais a distancia entre eles.
- Sabe – o mais novo sorri malvado para o amigo – você sempre tem a opção de usar "ele". Aparentemente "ele" não desgruda do aborto.
- Creio que a educação Black ensinava aos seus representantes a não se meter aonde não são chamados – responde ríspido a sugestão maliciosa.
- Não, nos ensinaram a nos meter em tudo o que consideramos potencialmente vantajoso.
- Por isso é meu amigo – ergue a sobrancelha de maneira cética.
- Não, por isso não sou seu inimigo. Sou seu amigo por que sei que se te deixar sozinho é capaz de andar com esses idiotas que ficam pregando a pureza do sangue sem nem ao menos saber segurar uma varinha direito – estala a língua irritado – incompetentes.
Os três amigos texugos passam na frente da dupla de serpentes e Lucius cumprimenta apenas um em especial.
- Longbottom.
- Malfoy – o texugo responde friamente enquanto continua o percurso com seus amigos.
Lucius observa Neville com seus amigos se distanciar e por segundos quase deixa sua mascara de frieza cair.
- Ainda não quer falar com você? – Régulos pergunta dessa vez de maneira séria
- Mas terá de falar – Lucius também caminha na direção do grande salão, mas mantendo uma boa distancia dos texugos – uma hora ou outra ele vai ter que falar.
Um pouco mais a frente a garota do trio sorria de maneira maliciosa e falava com um ar conspiratório:
- Aaaah o amor – Hooch cantarola de maneira afetada – sempre se pode ver os coraçõezinhos ao redor desses dois quando se vêem.
- Como assim? – Harry pergunta olhando da expressão zombeteira de Hooch para a de pura vergonha de Neville – amor... O NOIVO DO NEVILLE E O LUCIUS??
- Shhhh – Neville pula em cima de Harry para calá-lo. – se supõem que quase ninguém mais sabe, ou ao menos até agora.
- Mas... Mas... – Harry não sabia como reagir – Os Malfoy são uma família abertamente seguidora de Voldemorte e os Longbottons...
- São uma família com um longo histórico de famosos aurors – Neville revira os olhos – Eu sei. Mas antes de começar a guerra meus pais aceitaram o meu compromisso com Lucius, e agora não há como cancelar.
- E você quer isso? – Hooch pergunta desta vez de maneira séria.
- Eu...- o texugo abaixa a cabeça totalmente vermelho – vocês não estavam com fome? Então vamos.
Neville disparou na frente sendo seguidos por seus dois amigos.
FVQP
Desta vez o jantar no meio do grande salão juntou o melhor de três das quatro mesas.
Hooch levava um prato cheio de coxas e outras partes de frango, e uma jarra de suco de uva que não pode resistir em seqüestrar.
Luna, que resolveu se unir ao grupo do picnic, carregou com um pouco de dificuldade uma travessa com arroz acompanhado de rosbife. Que conseguiu convencer aos seus companheiros em lhe dar ao prometer parar de contar suas historias estranhas na sala comum por um mês. Nessa brincadeira até deram para ela um recipiente de molho e varias batatas cozidas.
Harry e Neville pegaram o purê de batata, a torta de frango em maior quantidade que na noite passada e Trelawney caminhava alguns passas atrás equilibrando os bolinhos de frutas.
A refeição tinha uma aparência farta e convidativa, apesar de mais de um dos alunos sentados nas mesas olhar com desaprovação aquela atitude.
Na mesa das serpentes um rapaz olhava para aquilo, não com desaprovação, mas de modo pensativo.
- Cici – choraminga de maneira infantil Bella agarrando o braço da irmã – ele está olhando de novo para aquele texugo aborto.
- Começou – Severus afasta seus olhos de Harry e massageia suas temporas em puro sinal de cansaço
- Indigno, eu sei minha irmã, mas não se pode fazer nada se ele não preza a nobre honra de ser um prometido da casa Black. – Narcisa envolve sua irmã em um abraço protetor e finge a consolar.
- Por favor, vocês duas, hoje não. – se lamente entre dentes o pobre rapaz
- Cici – ela ergue a cabeça olhando para a irmã com falsa tristeza – eu sei que ele quer estar lá com ele... falar com ele, tocar ele, beijar ele, joga-lo em cima da mesa e...
- BELLA!! – Severus perdia a paciência, sua amiga sabia ser exasperante.
- E ainda grita comigo por perceber o obvio. Oh que destino me aguarda o matrimonio.
- Não se preocupe maninha – Narcisa acaricia a face da irmã aproximando os lábios dela dos seus – eu estarei sempre aqui para te consolar – e a beija
- Oh por favor – Severus revira os olhos – me poupem.
Severus estava mais que acostumado com aquele tipo de cena. As duas irmãs mantêm um caso há dois anos, e nunca esconderam isso de ninguém. Cada uma consciente que futuramente se entregariam honradamente a seus devidos casamentos arranjados, como duas boas representantes de uma família puro sangue, mas isso não significava que até lá não poderiam desfrutar do tempo que restava nos braços de quem ama.
- É serio, eu faço qualquer coisa, mas deixem eu terminar de jantar sem que me embrulhem o estomago.
- Qualquer coisa? – Bella sorri maliciosa saindo dos braços da irmã.
- Qualquer coisa – resmunga entre dentes.
- Então leve isso com você – Narcisa ergue uma travessa cheia de pavê de chocolate.
- Levar isso? – o rapaz pega a travessa com uma expressão confusa. – para onde?
- Para onde você gostaria de estar agora, seu bobo – Bella sorri mais largamente e pisca de maneira conspiradora – não que me agrade muito a idéia de que meu futuro marido tenha um caso com um aborto – torce a cara em uma careta de deprecio – mas acho que um aborto é mil vezes melhor do que se fosse um sangue ruim, então tem minha benção.
- Sua... Sua benção? Mas eu... – Severus começava se sentir nervoso, como o assunto tomou esse rumo? – eu não tenho nada com ele.
- Severus – Narcisa diz de maneira fria levando seu cálice a boca – eles não parecem ter sobremesa o suficiente para todos. Por favor, se aprece antes que o pavê derreta.
Severus abriu a boca para argumentar, mas desistiu diante daquelas duas faces resolutas.
Fora que também não podia negar.
Algo no aluno novo o fascinava.
Saindo da mesa das serpentes se aproximou um pouco coibido do grupo alegre que comia seu pequeno banquete pessoal.
- Posso... Posso me juntar a vocês?
Os cinco pares de olhos se ergueram para quem havia se aproximado, mas apenas duas pessoas regiram ao pedido.
- Sempre há espaço para um pavê – Hooch pega a travessa das mãos da serpente e voltou a se sentar.
- Assim como sempre há espaço para um companheiro – Harry sorriu a coibida serpente abrindo espaço no circulo.
"Decididamente" Snape pensou ao poder observar o moreno mais novo de perto "essa pessoa me fascina"
FVQP
O dormitório dos texugos do quinto ano estava silencioso, com exceção de um ou outro ronco mais alto. Na cama de Neville o garoto havia montado uma pequena tendinha e debaixo dela iluminava o pequeno ambiente com um fraco lumus.
Vários pergaminhos amassados estavam ao redor de suas pernas dobrados e apoiadas nela estava uma prancheta com um pergaminho em branco.
Havia pensado em varias maneiras de como responder a mensagem que recebeu de manhã, mas sempre que lembrava das palavras escritas nela, acabava por amassar o pouco que havia escrito e recomeçava do zero.
E com certo desgosto olha o pergaminho jogado perto de seus pés, junto com o envelope em que veio.
O pergaminho que havia começado tudo aquilo.
Amado Neville.
Você não pode mais fugir assim de mim, mesmo que não queira teremos que conversar mais cedo ou mais tarde.
Este será meu ultimo ano aqui em Hogwarts e você sabe muito bem qual será meu destino quando isso acontecer.
É por isso que tem fugido? Por isso não me responde mais alem do necessário nos corredores.
Por isso esconde que é meu prometido?
Não vou mais aceitar essa situação Neville, não sem saber por que me evita.
Você pode se esconder pequeno, mas nosso destino está mais que traçado, desde a primeira vez que o vi, desde a primeira vez que sorriu para mim.
Na primeira saída para Hogsmead do ano não ouse marcar nada com ninguém, temos que conversar e você não pode mais fugir disso.
De seu Lucius Malfoy
Era simplesmente impossível responder a aquilo, foi durante os últimos dois anos, e ainda era agora. A cada mensagem as palavras de Lucius pareciam mais ansiosas e mais carinhosas.
Antes tudo o que passavam era preocupação pela sua distancia.
Agora elas expressavam claramente amor.
"Por que você torna tudo tão difícil Lucius?" Neville acaricia com certo carinho as duas palavras no final da carta.
"De seu"
"Como acha que eu poderia me iludir ao ponto de acreditar nessas palavras Lucius?"
Acordando de seus devaneios, o moreno ouve os gritos de angustia de Harry em mais um de sues pesadelos.
Sacando a pluma, rabisca rapidamente umas poucas palavras no pergaminho a sua frente, tampa o seu tinteiro e sai de sua cabana improvisada para deitar ao lado de Harry. Deixando para trás o pergaminho que enviaria amanhã de manhã em uma coruja do colégio.
Pergaminho que dizia:
Nunca mais escreva para mim novamente
Uma mensagem realmente fria, qualquer um diria, se não fosse por uma ou outra letra borrada por pequenas gotas salgadas.
Mas tudo bem.
Na manhã seguinte ele apenas tinha que passa-la a limpo.
FVQP
A noite avança e todos dormem.
Inconscientes que no dia seguinte pelo menos três professores terão que arrancar do teto da torre de astronomia quatro pálidos Ravenclaw que estavam grudados no teto por uma substancia fedorenta, acinzentada e pegajosa. Eles não puderam freqüentar as aulas pelas próximas semanas.
Não disseram quem foi seu atacante, nem ao menos falaram, apenas tremiam e protegiam seus corpos com os braços escondendo os vários cortes que tinham no corpo.
Tudo o que conseguiam expressar em suas faces até o caminho da enfermaria foi apenas uma coisa:
Pânico.
Mas no geral ninguém estranhou o ocorrido, afinal...
"As coisas funcionam em um ritmo estranho nessa escola"
FVQP
A espevitada figura de bronze, depois de uma batalha titânica para abrir as pesadas portas da biblioteca da mansão Malfoy, escalava prateleiras atrás de prateleiras, procurando um livro em especial.
Cansada de implorar de maneira tão vulgar quanto uma curiosa Gryffindor, a bonequinha de bronze resolveu deixar para trás as irritantes meias palavras de seu companheiro de metal e buscar respostas por ela mesma.
Mas realmente não foi tão fácil como esperou.
Por mais que Draco lhe garantisse indignado, que a antiga e muito requintada mansão Malfoy não tinha ratos, ela teria que discordar. E acredite, quando se tem quinze centímetros de altura, a pessoa percebe essas coisas.
Roedores maníacos a parte, e uma ou outra aranha, o que mais dificultou sua chegada ao seu destino foi certamente as portas.
Grandes e pesadas portas de salgueiro.
Se não fosse uma peça de bronze, a garota tinha certeza que naquela fatídica tarde haveria perdido uns cinco quilos só com o exercício.
Mas agora, lá estava ela, aparentemente na prateleira certa. Andou para a esquerda passando por cinco grossos livros até se ver de frente com o que procurava.
"Guia em 999 passos para adestrar o seu explosivin"
A figura de bronze sorriu de maneira malvada, e um pouco desajeitada começou a puxar o pesado livro. Só precisou de dar alguns puxões, e se desequilibrando ela cai ainda segurando o livro por toda a altura que teve que subir minutos atrás.
Alem do livro que esteve puxando, mais três a acompanharam na queda. E soterrada por paginas e paginas de empoeirados livros ela soltas uma pequena risada de felicidade.
A dor em seu corpo metálico era inexistente. Fora que havia conseguido realizar seu intento
Depois de conseguir sair de baixo dos pesados livros, Pansy olhou para a estante que havia escalado a alguns momentos atrás, esta havia se afastado para o lado dando passagem a outra sala escura e mais empoeirada que a que estava.
"Devo falar com Draco sobre o estado de sua biblioteca, está certo que prefere evita-la pois o lembra de seu pai, mas nem por isso devia deixar que os elfos a negligenciem" franze seu pequeno cenho "uma espanada de vez em quando não mataria ninguém".
Mas não era hora de fica pensando em assuntos domésticos, agora ela tinha coisas mais importantes para se preocupar, como bisbilhotar a coleção secreta de livros e documentos da família Malfoy.
E estava determinada a só sair de lá com respostas.
FVQP
Nhaaai, esse sim que foi um capítulo cheio de conflitos, o pobre Harry não conseguia dar um passo sem bater de frente com alguém.
Não sei se deu para perceber, mas os pensamentos no inicio do capítulo pertencem a Trelawney. Ela realmente, graças ao seu poder, consegue ver vários e vários sinistros. Apesar de aparentemente o único que a interessa no momento é o que anda com Harry
Eu tenho recebido alguns comentários sobre a relação de Nevy e Harry, mas como eu disse antes, a relação deles é puramente fraternal, o verdadeiro amor de Nevy acabou de aparecer, apesar de terem um relacionamento complicado. Fora que um dos primeiros verdadeiros concorrentes de Draco já entrou em cena, com direito a torcida organizada (as irmãs Black) e tudo.
Narcisa e Bella é o segundo casal Yuri da fic, não tenho muita experiência escrevendo esse tipo de relacionamento, mas me esforçarei. O primeiro casal, caso ninguém tenha percebido, é Hooch e Trelawney, mas diferente das irmãs de sangue, as irmãs postiças não tem um relacionamento físico, é algo mais emocional, elas só vão dar "o próximo passo" no relacionamento delas quando Trelawney estiver mais velha, até lá Hooch irá esperá-la.
Eu realmente gostei de escrever as cenas com o corvo, e podem apostar, ele voltará mais irritante do que nunca hua há há há...
Graças ao último capítulo, eu li varias perguntas pouco comprometedoras para o enredo, que eu não me importo em responder para as de mais. Por isso resolvi responder a algumas delas aqui.
1)Essa foi a pergunta da ganhadora do jogo, "eu gostaria de saber mais ou menos quantos cap terá a fic"
R. Essa fic não tem um final determinado ainda, se eu fosse chutar um número eu arriscaria uns quarenta mais ou menos. Os únicos números que eu poderia garantir são o numero de capítulos que terá essa fase, que serão sete e o numero de fases que terão mais a frente, que seriam seis. Mas até isso poderia mudar mais a frente.
O sinistro seria o Draquinho?
R. Eu pessoalmente adorei essa pergunta, pois essa hipótese sem me passou pela cabeça, ou seja, não, o sinistro desta vez é beeeeem real, e com certeza é um aviso de morte
3) Harry vai ou não ficar com o Draco no final?
R. Como disse antes, o final ainda não foi decidido, muuuuitas coisas podem e vão acontecer, e no meio desses percalços a possibilidade de Draco e Harry não acabarem juntos existe. No momento, da maneira que anda a historia Malfoy tem toda a vantagem sobre os demais concorrentes, pois apesar de ser incorpóreo, o único que é visto de uma maneira romântica por Harry, é ele. Mas como disse, muuuita coisa pode e vai acontecer.
Ai ai... Finalmente acabou mais um capítulo, e agora você deve admitir Severus, valeu a pena se encharcar todo para depois ter o Harry te fazendo respiração boca a boca.
Severus: Hm... bem...
Draco: EU PROTESTO!!
Luana: Isso não e um tribunal loiro.
Draco: Mas mesmo assim eu protesto – aponta o dedo de modo acusador a meu amado Severus – Por que ele pode beijar o Harry e eu não??
Luana: Aquilo não foi um beijo, loiro. Eu já disse, foi uma respiração boca a boca.
Draco: Para mim pareceu um beijo, não importa de que ângulos eu olhasse, sempre via DOIS PARES DE LABIOS SE TOCANDO!!O
Luana: Tipo... Quando as duas pessoas em questão tem corpos materiais fica mais fácil de desenvolver esse tipo de cena. E eu já disse não foi um beij...
Draco: Pois eu o desafio Severus Snape, mais uma vez vamos colocar uma pergunta e quem responder corretamente ganha um prêmio. E dessa vez se houver mais reviews que o capítulo que teve mais reviews nessa fic de quinta eu ganho o direito de dar o próximo beijo em que Harry o estiver nessa fic, mas se perder, o beijo será seu com ele.
Luana: Tipo... De que prêmio estamos falando agora? – temendo o pior.
Draco: Alem de escritora medíocre você também faz um ou outro rabisco, sei que está fazendo algumas imagens da fic. Então você terá que scanealas e mandar por e-mail para quem ganhou.
Luana: Sabia, todo o trabalho braçal acaba comigo. Fora que, como eu posso fazer uma cena de beijo com você, se você ainda não tem corp...
Draco: Cala a boca muggle, isso será problema seu, e a cena tem que ser no tempo real, no mundo onde está Harry no momento e SEM TRAPAÇAS use sua imaginação – se vira para Severus – E então? Aceita a aposta?
Severus: Aceito – olhos brilhando com o desafio.
Luana: Socooorro, estou no meio de um fogo cruzado entre serpentes, a onde eu estava com a cabeça quando pus esses dois seres viperinos juntos ?? ToT
Maaaaais uma vez a aposta está valendo, quem acertar a pergunta que eu fizer ganha um desenho via e-mail se bem que até agora eu só cheguei a desenhar os gemios com o novo look deles. Se alguém desejar tentar a sorte, esteja a vontade.
E as conseqüências da aposta também está valendo, o lado que ganhar terá o direito de ter o próximo beijo do Harry na fic.
A pergunta é: qual o dia da semana em que Harry vai FINALMENTE falar com Firenze. Assim como na outra pergunta, não existem pistas para a resposta desta, podem chutar a vontade, no fim das contas só existe sete opções possíveis rs rs... alguém pode ter sorte.
Quem acertar eu direi na resposta do review, e se realmente quiser o premio, é só mandar seu e-mail para o meu (). Não sou uma excelente desenhista, mas ainda dou para o gasto. o
Só peço um pouco de paciência, pois ainda tenho que pedir a um amigo para passar a imagem para o computador. E não se preocupem, não é incomodo, eu teria que fazer isso de qualquer jeito. o
Ps: eu tenho me perguntado se as resposta que eu mando tem chegado direitinho a vocês, se não, me avisem, assim eu começo a escrever as respostas das reviews na fic.
Até o próximo capitulo
