Fala aí galera, quem achou que atualização demorou muito levante a mão!!!

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Poxa, não precisava tanta gente assim levantar a mão, acho que teve até quem levantou as duas ToT.

Mas não me matem. Para compensar, hoje vocês terão um capítulo de sessenta e cinco páginas. O domingo de Harry foi extremamente longo, tanto que eu tive que partir esse dia em dois capítulos, essa primeira parte contém apenas a complicada manhã do moreno.

Pelos adoráveis reviews que recebi, eu agradeço a Lilavate, Ninguem (seja você quem for ^_^), Angel of Death, m-chan, Anne Malfoy-Potter, lis, St. Lu, Lucy Black, , Tainá, ...Makie..., amdlara, Gika Black e especialmente a TONKS BLACK2. Devo ser sincera com você, a palavra morte vai ser usada algumas vezes nessa fic, os personagens, querendo ou não, estão em meio a uma guerra e baixas vão existir. A única coisa que posso prometer e que dou minha palavra que vou cumprir é que não causarei mortes desnecessárias para o enredo, nem muito seguidas, e que dentre das baixas os nomes de "Harry" "Draco" e "Severus" não estarão no meio. Eu pessoalmente gostaria que você não deixasse de acompanhar a fic, mas se for o caso fico feliz em saber que até o ponto em que você leu minha estória foi de seu agrado ^o^

Devo dizer a todos que estou...

Draco: " ...que estou muito comovida com seu carinho e blá blá blá..." – o loiro imita a escritora fajuta com voz de taquara rachada – corta o discurso batido muggle de meia pataca, o que queremos realmente saber é o resultado da última aposta entre eu e o Severus.

Luana: Claro, claro... – revira os olhos – como se vocês ou os leitores já não soubessem o resultado. Francamente loiro, eu não preciso nem perder meu tempo contando os reviews, sempre que um de vocês desafia o outro quem faz o desafio perde e o que é desafiado ganha.

Draco: Quer dizer que eu... – o loiro começou a ficar pálido.

Luana: Peeeeeerdeu – a escritora sorri de orelha a orelha sacando sabe-se deus de onde uma relação com os reviews dos capítulos anteriores – segundos os dados recentes, o capítulo que teve o numero de reviews mais alto foi o três com 10 reviews. O capítulo anterior teve um total de 14 reviews. Logo, loiro azedo, você... O QUE? – a escritora fajuta re-lê o papel que segura sem acreditar no que via – o loiro azedo... ganhou?

Draco: Ganhei?

Luana: Ga... Ganhou...Com uma diferença de quatro reviews você ganhou o direito de receber o próximo beijo que Harry der na fic e bla bla bla...– a morena diz de má vontade.

Draco: YEEEES!!!! – O loirinho vibra de felicidade enquanto faz a dança da vitória – eu ganhei, eu ganhei...

Severus: Certo, certo, foi justo.

Luana: Poxa Sevy, até que você está aceitando bem a derrota.

Severus: Desde que essa fic começou a única pessoa que Potter beijou foi o Draco. Nesse momento, um beijo a mais ou um beijo a menos que Potter dê em meu afilhado não vai fazer muita diferença – o pocionista diz com toda a sobriedade que se espera de um renomado pocionista – fora que o fato de eu não poder roubar o próximo beijo de Potter não vai me impedir de tentar fazer outras coisinhas com ele.

Luana: Ai ai... Aonde eu fui me meter? – suspira enquanto observa Draco ainda entretido na própria dança da vitória e Severus arquitetando planos malignos de como se aproveitar de um inocente ex-Gryffindor – Na próxima fic eu só vou trabalhar com Hufflepuffs

Bem, bem... Felicidades às fãs do Draco a parte, devo dizer que surpreendentemente NINGUEM acertou o dia da semana em que Harry conseguiria falar com Firenze. Juro que não foi trapaça minha, o dia que eu escolhi, e que aparentemente ninguém pensou que seria foi a quarta-feira, o dia em que a "semana sem magia" de Harry chegaria ao fim.

Como prêmio de consolação a todos, eu coloquei algumas das imagens em um Orkut que eu criei especialmente para guardar as imagens da minha fic, só precisam procurar por: AHOmya Hotaru

Só deixo claro desde já que eu não sou tão boa desenhando (na verdade eu não tenho a menor técnica ToT), eu apenas queria ter uma ou duas ilustrações da minha humilde estória... (olhinhos de cachorrinho abandonado)

Se quiserem adicionar meu Orkut pessoal fiquem a vontade, é só procurar por Luana Rosette ^o^v

No próximo capítulo vou propor mais uma aposta. Por hora aproveitem a fic ^_^

Disclaimers: Harry Potter quem? Desculpe, nunca ouvi falar, você deve ter se enganado, eu não tenho nenhum direito sobre... qual e o nome mesmo? Ah é, Harry Potter ou qualquer um de seus personagens, e não ganho nada com eles.

Capítulo sete: Um conturbado domingo. Parte 1: A mais longa das manhãs

Por que procurar respostas se delas sempre nasceram mais perguntas?

Por que se atormentar com fatos passados se a mão que te assombra ao segurar no seu ombro pertence ao presente?

Por que você chora por conclusões que você mesmo buscou?

Por que perder seu tempo, suor e sangue para descobrir algo que você mesmo sabe que te trará lagrimas?

Por quê? Por quê?

Eu não deveria poder entender?

Por que você procura a minha porta se até mesmo eu sei que dela nada de bom terá?

Afinal, por que você acha que eu mesma sempre estou do lado de fora dela?

4º dia

Complicada.

Draco buscou várias palavras nesses últimos minutos para descrever a situação em que estava, mas sempre que sentia que alguma se aproximava da descrição que procurava, sua mente sempre voltava para o mesmo conjunto de letras.

C-o-m-p-l-i-c-a-d-a.

Quero beber o mel de sua boca

Como se fosse uma abelha rainha

Quero escrever na areia a sua historia

Junto com a minha

Definitivamente aquela era uma situação complicada.

Desde que Harry acordou e se pôs a caminhar para fora do castelo o loiro ficou ao seu lado. Trocaram algumas palavras e por um curto espaço de tempo chegaram a falar como se nada daquele contexto doido de mundos paralelos existisse.

Era estranho quando o que era considerado rotineiro em uma época, algo tão trivial, se torna... raro.

Falar com Harry de maneira trivial se tornou algo raro.

E no acorde doce da guitarra

Tocar as notas do meu pensamento

Em cada verso traduzir as fibras

Do meu sentimento

Agora o loiro observava a certa distância o texugo correndo na beira do lago.

"Complicado... tudo se tornou muito complicado".

Em outros tempos ele estaria correndo ao lado de Harry. Com certeza se fosse antigamente aquele moreno de cabeça dura o perturbaria até a morte para acompanhá-lo em suas maratonas sem fim de exercícios.

Era estranho não ouvi-lo o convidar para participar de algo assim.

Complicada, a sensação que sentia em seu peito era definitivamente complicada.

Os olhos de Draco não desviavam do corpo esguio que agora fazia flexões.

Para poder se mover melhor, Harry havia se desfeito da túnica, assim como do colete e da camisa. Um fator que fez Draco pensar que seria mais do que suficiente para ele recusar a acompanhar o moreno se a proposta tivesse sido feita. Nada por Merlin faria o Slytherin ficar semi-nu em uma manhã aparentemente tão fria.

E no fim, apesar dos pesares, não era como se ele se importasse tanto em apenas olhar.

Era até engraçado ver um abdômen tão liso fazer tantas flexões aparentemente de maneira tão fácil. O abdômen de Harry parecia o abdômen de um principiante.

- Não é a toa que hoje ele acordou tão determinado a retomar sua rotina de exercícios – murmura mal podendo conter o riso – para alguém que já conseguiu a tanto custo o corpo que um dia teve, voltar ao físico de quando era menos desenvolvido que uma minhoca deve ser frustrante.

Oh sim, Draco se lembrava muito bem de como era o corpo de Harry.

O moreno em uma época meio que ficou obsessivo em moldar seus tão subdesenvolvidos músculos.

"E como deu certo." pensa o Slytherin.

Mas hoje em dia Draco não se importaria muito se Harry mantivesse seus "músculos de minhoca". Por que para ele: Harry continuaria sendo Harry, com ou sem músculos.

Mas para os olhos cobiçosos alheios: um Harry bem definido se torna um alvo mais tentador para se atacar.

- Não que a essa altura do campeonato faça muita diferença, não para mim.

O loiro suspira olhando como Harry mudava de exercício.

"Quantos dessa vez cairão pelos encantos desses futuros abdomens?"

Que estou apaixonado

Que este amor e tão grande

Seus olhos se estreitam ligeiramente ao sorrir diante da expressão concentrada de Harry.

"Quantos dessa vez cairão por seus encantos antes mesmos que desenvolva seus suculentos abdomens?"

Que estou apaixonado

E só penso em você a todo instante

Draco fecha os olhos com certa nostalgia e se perde em mais uma de suas recordações.

-----FVQP-----

- O que você fez com os pequenos?

Um grogue Harry se deixa cair de qualquer jeito na cama de seu dormitório

Por acaso o mesmo dormitório que divide com Draco desde que ambos começaram a prestar o curso de aurologia.

O loiro observa seu bêbado companheiro de quarto se remexer sobre os lençóis, atrás de uma posição cômoda, mas por mais que se movesse o único que conseguia era que sua justa camisa negra subisse lentamente deixando ligeiramente exposta aquela bem definida barriga morena.

Eu quero ser o ar que tu respiras

Eu quero ser o pão que te alimenta

Eu quero ser a água que refresca

O vinho que te esquenta

Draco se senta na cama do "mais que rival e menos que amigo sem direitos a roce" e soltando um suspiro puxa de maneira brusca a camisa do moreno para baixo, cobrindo a pele exposta.

"Como se eu já não tivesse tido problemas o suficiente para mantê-la abaixada no meio daquela boate. Depois dessa noite desastrosa quero garantir que meu banho antes de dormir seja quente e não frio".

A verdade era que quente ou frio, dificilmente apenas um simples banho poderia apagar as imagens que sua mente gravou naquela noite.

As bebidas.

Aquele corpo.

Movimentos embalados por uma viciosa batida.

Merlin... Que humano esqueceria aquilo tudo, por mais que não tenha sido voltado para ele?

- Consegui convencer Granger a esconder os fedelhos por essa noite, não quero que eles passem pelo trauma de dormir com o seu "papai" pinguço.

- Mario e Pedro não são fedelhos – Harry fez a careta mais enojada que sua embriagueis o permitiu expressar, defender a honra de seus "filhos" havia estado em primeiro lugar nessas primeiras semanas em que começaram a dividir a vida com as duas crianças – ao menos não mais fedelhos que você. He he.

Draco não sabia se ria, gritava ou chorava. Após ter que enfrentar uma horda gay enfurecida em uma boate muggle por ter tirado o centros das atenções de cima de uma mesa – seu estimado companheiro da alojamento no caso – ter que expulsar duas pequenas ferinhas ciumentas que o ameaçaram de morte se encostasse um dedo em seu embriagado "papai", agora tinha que aturar um bêbado tirar onda com a sua cara.

- Eu tenho mais o que fazer. – O loiro diz isso com um tom de lamento.

Tentando ignorar a insinuante barriga que voltava a aparecer graças ao ataque de riso do moreno, Draco se propõe a levantar, mas uma mão o segura.

"Uma amizade estranha nos une".

Foi tudo o que conseguiu pensar quando sentiu aquela mão segurar seu pulso.

Uma amizade que era como aquele ato que Harry acabara de fazer.

O moreno o segurava firmemente, mas não fazia mais que aquilo: o impedia de se afastar, mas também não o puxava de volta. Draco olha para o moreno, ele ainda estava deitado, desta vez parado e sem rir, com seu braço livre cobrindo os olhos.

E se eu cair que caia em seu abraço

Se eu morrer que morra de desejo

- Por que você me levou para lá hoje?. – sua voz ainda era grogue, mas estranhamente sóbria ao mesmo tempo, Harry Potter nunca deixaria de impressioná-lo.

- Foi você quem me pediu para...

- Por que me levou para lá se não ia suportar que me olhassem como me olharam?

- Quem não olharia para você vestido como se fosse um put...

- Que me tocassem como tocaram.

- E você parecia estar bem cômodo com tudo...

- Por que me levou para lá se queria tanto que eu te olhasse como você me olhou a noite inteira?

Draco ficou pálido naquele instante, mas ainda assim manteve seus traços impassíveis.

Durante toda a noite tentou demonstrar indiferença quando seu amigo se enroscava com Deus-sabe-quem naquela boate que acabaram de sair. Havia o levado para lá, pois o moreno parecia meio deprimido por achar que ninguém se interessaria por ele se não fosse por seu nome ou dinheiro.

"Mas também não precisava que TANTA gente se interessasse!!! Francamente..."

Adormecer dizendo que te amo

- Então você percebeu? – Draco se lembrou do aperto no coração que sentiu durante toda a noite – Percebeu, e mesmo assim continuou a agir daquela maneira vulgar? – o desespero estranho que o consumiu quando Harry aceitou dançar com um desconhecido – Percebeu... E nem se preocupou com... Deixa para lá. – tentando recuperar a calma o Slytherin desenha em seu rosto um sorriso sarcástico enquanto seus olhos se tornam duas pedras de gelo – Você está sendo bem cruel, não? – o loiro tenta puxar a mão do firme agarre do amigo, na tentativa vã de manter um mínimo de dignidade, mas esse não cedia – depois de uma noite inteira agindo daquela forma estranha vir me jogar na cara que sabia que me incomodava.

- Aaah, então você foi bem cruel também – o moreno subiu o braço que cobria seu rosto um pouquinho, deixando a mostra uma de suas esmeraldas – depois de uma noite inteira com você agindo de maneira tão fria eu precisei me embriagar para finalmente criar coragem de te beijar.

- Mas de que diabos você esta falan... humpf.

E te acordar com um beijo

Com apenas um puxão Harry faz Draco se desequilibrar e cair sobre seu corpo, e sem perder tempo rouba um beijo do hesitante loiro.

Após um longo beijo, atiçado por toda aquela tensão sexual reprimida, Draco afasta seu rosto para olhar nos olhos do seu semi-bêbado companheiro de quarto.

- Draaaaco – Harry murmura invadindo a camisa do loiro com uma de suas mãos – se você não quer que eu me vista de maneira vulgar, você terá que me vestir todas as manhãs. Se não quer que eu aja de maneira vulgar, cole seu corpo contra o meu e guie meus movimentos a cada passo e suspiro. E se não quiser que eu beije meia boate novamente – sorri descaradamente – proponho que mantenha minha língua beeeem ocupada.

Que estou apaixonado

E esse amor e tão grande

Não sabia se o álcool que provou na boca do outro era o suficiente para fazer efeito sobre ele.

Não sabia se havia sido aquele beijo desajeitado que calara aquela estúpida angustia que carcomia seu peito.

Por tudo que era mágico, ele não sabia se nada daquilo tinha alguma lógica ou razão.

Mas diabos, o que mais ele poderia responder diante de um sorriso tão depravado, deitado entre aqueles braços?

Que estou apaixonado

E só penso em você a todo instante

- Com todo o prazer.

-----FVQP-----

Depois daquilo eles passaram para "mais que amigos e menos que namorados com direitos a mais do que roces".

Não era muito, mas ainda assim era uma relação.

O único problema que não os fazia avançar, era o fato de nenhum dos dois ter coragem de admitir que o que sentiam ia alem do carnal.

Um Slytherin e um Gryffindor orgulhosos e ao mesmo tempo temerosos de mais para admitir o que sentiam um pelo outro.

Quero sair contigo em noite enluarada

Dois adolescentes pela madrugada

Pra viver a vida sem pensar em nada

Trocavam raramente palavras carinhosas.

Escondiam entre comentários irônicos e venenosos os seus verdadeiros sentimentos.

E quando qualquer um deslizava e expunha o que realmente sentia, ambos disfarçavam e ignoravam o estranho ocorrido.

Sem falar das incontáveis cenas de ciúmes protagonizadas por ambas as partes.

Uma desculpa talvez, era que na época em que viviam não era muito comum pensar no futuro, tentavam se concentrar apenas no "aqui e agora".

Nessa brincadeira, quando Harry deixou escapar uma expressão distorcida de seu relacionamento com Draco, um comentário que na hora era para ser apenas uma brincadeira, mas que magoou o loiro mais do que esperava: "nosso relacionamento não passa de uma trepada rápida entre uma maldição e outra" foi nesse momento que o loiro não teve mais coragem de revelar seus verdadeiros sentimentos.

Que estou apaixonado

E esse amor e tão grande

E assim vivem como estão nesse momento.

Harry de um lado e Draco do outro, um sem admitir o que sente pelo outro.

Draco suspira pela milésima vez ao ver Harry parar repentinamente os exercícios e se aproximar de maneira cautelosa a um suspeito arbusto.

Pressentindo confusão, Draco se levanta e vai até onde Harry já havia chegado e parecia conversar calmamente com algo inidentificável.

"Complicadas, as coisas com Harry sempre serão simplesmente complicadas."

Que estou apaixonado

E só penso em você a todo instante

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O céu ainda estava um pouco escuro, e de certo poucas pessoas deveriam estar de pé há essa hora, ainda mais em pleno domingo.

Harry definitivamente gostava daquele ar despreocupado que o colégio emanava naquela manhã, tão diferente das manhãs que teve que vivenciar nos últimos anos.

Se for para ver manhãs como aquela, não se importava em sempre acordar naquele horário. Se bem que não foi para ver as mudanças de cores do céu, ou apreciar o silêncio matutino, que acordou tão cedo, mas para voltar a sua antiga rotina de exercícios.

Sabia que não demoraria muito para conseguir demarcar novamente seu abdômen. Por mais incomodamente liso que estivesse agora, o moreno era consciente que graças a sua natureza amaldiçoada seu corpo se condicionava mais rápido que os corpos normais. Alguns dias era tudo o que precisava.

Apenas alguns dias.

Não muito longe dele, Harry sabia que Draco estava observando a sua bateria de exercícios. No começo foi incomodo, mas depois de uma ou duas discussões acaloradas desistiu de mandar o loiro embora.

"Porque gasta o pouco tempo diário que tem nesse mundo para ficar me observando correr ao invés de esperar um momento em que possa falar comigo com calma? Ufh... ainda vou conseguir entender o que passa nessa cabeça tingida".

Os pensamentos de Harry vagaram por essa área por mais alguns segundos à medida que seu corpo foi aquecendo e seus músculos se moviam mais e mais frenéticos, era ótimo poder se perder novamente em exercícios físicos, graças a sua "condição" o seu espírito parecia grunhir de contrariedade nos últimos três dias com a falta de exercício físico.

Bem... E pela falta do sabor do sangue também, mas isso ele sempre soube conter.

A verdade era que apesar de ter sido obrigado a engolir àquela estranha natureza, Harry sempre soube aceitar muito bem o que era agora. Sabia domar aquilo o que os "seus" chamam de "besta" e também sabia deter os próprios preconceitos humanos se mantendo em um equilíbrio onde sua "besta" nunca se rebelou contra si, e assim não se tornando um monstro cego de ódio.

Era exatamente nessa área que sempre se preocupava com Remus. Quando Lupin era vivo, por mais que explicasse que havia um jeito melhor de domar a "besta" sem o uso de poções, o licantropo nunca lhe deu muito ouvidos.

"Seu caso é diferente do meu Harry" ele dizia com certa inveja nos olhos "Seu caso é diferente de todos os outros".

Sim, Harry era diferente, mas a natureza de sua "besta" era tão selvagem quanto à de qualquer outro, e nisso ele sempre teve que dar o braço a torcer para Greyback – um de seus mais terríveis rivais em campo de batalha - seus posicionamentos perante a "besta" não eram muito diferentes, ambos não se perdiam em auto-compaixão, se deixando inconscientes durantes suas transformações. A única diferença era que enquanto Harry se preocupava em deter a sede de sangue de sua "besta", Greyback deixava a sua agir como bem entendesse, apreciando cada atrocidade cometida.

"Porque tudo no mundo tem que ser tão 8 ou 80?".

Algumas horas haviam passado e o corpo franzino finalmente começava a suplicar por descanso. O moreno só pode sorrir satisfeito com o progresso do dia e dar por encerrado a sessão matutina.

Olha de relance para o canto em que Draco havia se sentado e....

Lá estava ele...

"Tsc... não desperdice assim seu tempo por aqui."

Quando foi que saber que o tempo ao lado de Draco era tão restrito começou a doer tanto?

Quando foi que as palavras do loiro se tornaram pequenas gotas de água contadas a conta-gotas caindo em uma garganta sedenta?

Raras

Escassas.

Preciosas.

Vitais...

"Por que esse tipo de pensamento me vem tão seguido à mente?" Harry revolve confuso o cabelo "Pode alguém que sempre esteve ao meu lado se tornar do nada tão importante?" um sorriso dissimulado cresce em seus lábios "não, isso é impossível. Ninguém se torna importante para ninguém em tão pouco tempo. Draco não se tornou alguém importante para mim... Draco SEMPRE foi alguém importante para mim".

- Ssssim, ssssim. Agora que o nojento sssser humano parou de sssse contorssscer vou poder pegá-lo.

Uma voz não muito longe de onde estava sentado tirou Harry de seus devaneios, sem olhar na direção da venenosa voz ele normalizou aos poucos sua respiração. A havia reconhecido ao tão só ouvi-la e agora que estavam sozinhos, finalmente poderiam ter a tão adiada conversa.

- Ssssó tenho que essssperar que fique de pé – a voz em meio aos arbustos volta a falar consigo mesmas – vamosss essstúpido ssser de ssssangue quente, vamosss, que ssse levante.

Harry teve que conter o riso diante da ansiedade da voz.

Como que para agradá-la se pôs de pé e sem dar tempo para que sua atacante desse o bote, caminha lentamente na direção de onde vinha a voz. Para evitar maiores acidentes, falou apenas com intenção de desconcertar a tão ansiosa predadora:

- Vejo que essstá bem apesssar dossss percalçossss de ontem.

Próximo o suficiente, Harry pode ter uma boa visão da cabeça viperina que saia de entre as folhas do esconderijo. A cobra ergueu sua cabeça de dentro do arbusto e de olhos arregalados encarou com espanto o humano.

- Ssssabe minha língua, maldito humano!!! Como um ssser dessssprezível como vosssscê ssabe a valorossssa língua viperina?

- Nossssa – Harry revira os olhos diante de tanta "humildade" – colocando asssim não sssei ssse me sssinto honrado ou insssultado.

- Honra é uma palavra que ssseres como vossssscês humanossss nunca provaram do sssabor, por mais que ssse percam nesssasss imitaçõessss baratasss de minha nobre língua.

- Honra dissssz? – Harry olha com certo desdém – isssso vindo do ssser que planejava a tão pouco tempo morder àquele que a sssssalvou em nem tão bem um dia?

- Ssssalvar dissssz? – a cobra ergue mais seu corpo insultada e arreganha os dentes – oh essspere, agora te reconhesssssço, eressss um dosss malditossss que esssstavam sssse burlando de mim ontem!!! Deveria mordê-lo agora messssmo, grassssças a brincadeira esssstúpida de vocêssssss todossss ossss meussss ovinhossss foram devoradossss enquanto esssstava fora meu ninho. Vossscê alguma vessssz já botou um ovo, humano desssprezivel? Poissss bem, tente fassszer isssssso dezesssssete vesssszessss.

- Hei!!! – Harry ergue os braços ofendido – não fui eu que a conjurou, e ssse pensssar bem, creio que ssse lembra que tudo o que fisssz foi tirá-la de lá.

A cobra recolheu suas presas e se pôs a pensar.

Esse era o mal de ser parselmonth, a medida que o tempo passa, mais e mais as cobras parecem adquirir expressões humanas quando fala com elas, Harry se sentiu diante de um desenho animado ao ver o semblante concentrado da serpente.

Era de certa forma perturbador.

- Hum... sssim, eu me lembro – diz por fim, ainda não tão convencida – quando acordei perto da floressssta vosssscê e o garoto com o cabelo que chssseira esssssquisito essstavam por perto. Não sssssei como chsssseguei lá massss...

- Eu a levei até lá - Harry dá entre ombros diante do olhar descrente da cobra – quando te peguei no meio do corredor eu te pussss inconsssssciente com um movimento de mão e a levei.

- Me agredisssste!!!

- Te sssalvei asss essscamasss. – o moreno a corrige – Apenasssss te deissssxar inconsssiente ssseria o mínimo que fariam contigo sssse outro a tivessssse pegado.

Uma careta de desagrado se espalhou na face da serpente enquanto as palavras de Harry ganhavam mais e mais significado em sua mente. E com um ar resignado respondeu a única coisa que um digno representante da sua espécie poderia responder em uma situação daquela.

- Desssagradavel sssser humano, imundo ssssaco de ssssangue quente, poissss então pessssça o que quisssser, pesssça de uma vessssz algo que quite contigo esssa maldita divida. E me dê novamente a chance de poder arrancar sua nojenta carne de ssseusss ossssossss.

- Pedindo com tanta gentilessssza...

Não podia negar, Harry realmente estava se divertindo com tudo aquilo, a cobra a sua frente tentava aparentar uma frieza que não conseguia manter. Retorcia de maneira nervosa a ponta de sua cauda em uma tentativa falha de se acalmar, e o moreno podia entender o porque. Raros são os animais selvagens que conseguiam confiar plenamente em um humano, e estar em uma posição tão comprometedora em que estava não deveria agradar em nada ao ser viperino.

Aaaaah, o moreno estava adorando tudo aquilo.

- Huuum – Harry simula uma expressão pensativa – aqui e agora não conssssigo penssssar em nada. – sorri de maneira maligna – não quero desssperdiçar uma honrossssa oportunidade como essssta. Sssserá que você não poderia essssperar um pouquinho maissss para poder arrancar a minha nojenta carne de meussss osssos?

- Biltre!!!! – a serpente explode – maldito bípede, pesssça!!!!! Pesssça de uma esssstúpida vesssz e me desssfaça desssssa nojenta divida para que possssa comer seussss olhossss!!!!

"Essa serpente sim sabe como negociar" Harry contem o riso enquanto dava as costas para a indignada serpente. Sabia que não corria perigo, não enquanto aquela estranha divida estivesse de pé.

Ainda ouvindo o sissear furioso as suas costas, Harry recolhe as vestes que havia retirado antes de começar a se exercitar. E descansando as peças de roupa dobradas sobre braço, caminha em direção ao colégio.

- Você sabe que não será muito saudável manter essa situação por muito tempo.

O moreno quase dá um pulo ao ouvir a voz ao seu lado. Draco, que havia acompanhado tudo ao seu lado em silêncio, finalmente se faz notar. Talvez por seus passos não fazerem ruído não haviam alertado o texugo de sua presença.

- Draco... – murmura ligeiramente irritado com o susto.

- Manter aquela serpente pendente de uma resposta sua só vai alimentar o seu rancor. E acredite, por maior que seja uma dívida, uma "serpente" sempre sabe contornar pequenos detalhes, ainda mais se for por uma vingança.

-Pequenos detalhes? – Harry inclina a cabeça ao mesmo tempo em que a vira na direção do loiro, ergue uma das sobrancelhas e sorri com deboche – Pequenos detalhes como honra, palavra e leis naturais?

- Por aí. – Draco devolve o sorriso.

- Menos saudável ainda seria abrir mão dessa dívida. – Harry volta a olhar para frente, caminhando na direção do colégio, à medida que coloca novamente sua camisa diminuindo assim um pouco o frio, mantendo a túnica e o colete no braço para não suja-los – Por maior que seja o rancor que ela adquira, se eu puder mantê-la longe de minha jugular ainda serei eu que estarei no lucro. Fora que... – Todas as palavras por um segundo fugiram da boca do moreno quando um pequeno detalhe da circunstância recente finalmente veio a sua cabeça – Hey!!! Você entendeu o que estávamos falando? Desde quando você consegue entender parcel?

- Desde nunca – o loiro sorri com o canto da boca ao ver a expressão estupefata do outro – Apenas acontece que nesse mundo não existe linguagem oral ou escrita que eu não possa entender, já que foi o meu conjuro que deu inicio ao seu nascimento. Creio que isso se aplica a você também.

- Então eu posso falar em qualquer língua? E com outros animais alem das serpentes? Também posso falar com eles?

- Hmm, menos. Na verdade não é como se você estivesse falando outra língua, você ainda vai falar em inglês, a diferença é que a pessoa que te ouvir, se for a sua vontade, vai compreender o que você disser seja o dialeto que usar, assim como meu prezado leão disfarçado de texugo poderá entender a qualquer um. E quanto aos animais eu não me ilusionaria muito, o fato de eu entender o que você falou em parcel, foi porque essa é uma língua mágica, se fosse uma serpente falando com outra eu não entenderia vírgula. Tanto, que quando eu ouvi a sua conversa eu só entendi o que você dizia, não o que a sua amiga disse.

- Amiga... puft, não acho que ela gostaria de ouvir você dizer isso. Não que eu esperasse qualquer outra coisa, desde que eu me dei conta de que conseguia falar parcel não existiu uma única cobra que não me ameaçou de morte ou ao menos de me triturar os ossos... – se pôs pensativo – minto, houve uma que não me ameaçou de morte, mas a essas alturas deve estar aquecendo as escamas no sol do Brasil.

- Hummm como você é frio – Draco diz com uma voz brincalhona - eu sou uma "serpente" que nunca tentou te matar.

- Oh não... Nunca! – olhou para o loiro com falsa culpa enquanto enumerava com os dedos – Apenas me abandonou em terrenos inóspitos. Atiçou animais perigosos contra mim. Tentou me fazer cair da vassoura incontáveis vezes, explodiu um "sem números" de vezes o meu caldeirão... Se desconsiderarmos esses e mais uns tantos fatos, nosso relacionamento foi bastante saudável.

O silêncio ao seu lado fez Harry virar o rosto para saber por que a resposta sarcástica não havia vindo. O loiro parecia estar com o olhar perdido, com uma expressão indecifrável, por segundos Harry teve medo.

Quando aquele loiro havia adquirido uma expressão tão distante?

Por ato reflexo Harry ergue seu braço para tocá-lo, mas Draco dá um passo para trás. Se dando conta da atitude de repudio tão explicito que deu, o loiro sorriu nervoso, e Harry suspirou, não iria perguntar, o clima estava estranho demais para continuar a atiçar aquela situação incomoda.

Mas umas poucas palavras atormentavam o loiro quando se gravaram a fogo em sua mente.

"Uma vida... uma estranha e conturbada, mas ainda sim uma vida em conjunto, Harry... quanto tempo mais essa estranha vida conjunta vai existir?"

- Acho que vou tomar um banho agora – o moreno volta a andar dando por certo que Draco o seguia.

- Hm... – Draco, logo atrás do moreno, mantinha dois passos de distância sem tirar os olhos das costas de Harry – Há essa hora seus companheiros já devem ter acordado.

Sua mão se ergue na direção das costas de Harry sem parar de andar, mantendo seus dedos pálidos a poucos centímetros da camisa branca, suada e suja da terra que havia estado grudada na pele do moreno.

- Se eu tiver sorte já devem estar tomando café da manhã, vou ter o banheiro só para mim. – sorri de maneira infantil.

Harry avançava sem consciência dos dedos pálidos que estavam a centímetros de suas costas.

- Não daria isso pro certo – Draco diz de sua maneira comumente sarcástica, ainda sem abaixar o braço – aposto que a "mamãe Longbottom" deve estar esperando que dê sinal de vida.

Ao chegarem às escadas o movimento das franzinas costas a sua frente faziam com que Draco retirasse e recolocasse a mão na posição anterior, refugando do eminente contato.

- Hmm, talvez – Harry faz uma careta de desagrado – ele havia me dito ontem que evitasse sair por ai sozinho, parecia preocupado.

- Por que estaria preocupado? – o loiro pergunta com falsa surpresa – só por que depois de uma tarde sem estar de baixo de suas asas você conseguiu quase ser atacado por uma serpente e ser linchado por um grupinho de águias? Bobagens.

A verdade era que realmente quando andava ao lado de Neville o máximo que acontecia com ele eram os corriqueiros empurrões, talvez o "estar perto" de uma dos príncipes do colégio o dava certa proteção.

- Não posso depender dele para sempre, e não posso deixar que ele acredite que precisa me defender de tudo.

Draco sorri ao ouvir o conhecido tom orgulhoso do moreno. Sorriu para isso e para o fato de que ao saírem das escadas sua mão pode se manter esticada com mais segurança, mantendo aquela imagem com que de certo ângulo parecia que seus dedos tocavam o moreno.

Patético, sim, mas também estranhamente reconfortante.

- Não que não precise. Ao menos por enquanto você realmente é um alvo bastante vulnerável. Sua magia vai estar lacrada em seu núcleo por mais quatro dias. Se o que acontece com você, ao menos quando está longe de Longbottom, continuar no mesmo ritmo não acho que vá conseguira sobreviver por nem mais dois dias. Se bem que entendo o seu lado, quem um dia imaginaria que o grande Harry Potter dependeria seu bem estar logo de Longbottom.

- O problema não é por ser o Neville, a problema é que... Ah sei lá, passei tanto tempo protegendo a mim mesmo que depender de outro me faz sentir um imprestável, fora que quando se torna tão dependente de outra pessoa isso pode fazer mal a ela. Olha o que aconteceu com a...

- Com a Hooch?

- É... Com a Hooch.

Não pode deixar de se estremecer ao se lembrar do estranho relacionamento das duas irmãs, não se referia aos ocasionais selinhos que dividiam antes ou depois de dormir, isso ele preferia ignorar, mas a dependência doentia que as unia.

"Um sorriso que depende apenas de uma pessoa... ela me disse aquilo uma vez, e de certo é assim que ela vive. Com seu sorriso dependendo apenas da presença de Trelawney. Mas pode alguém realmente sorrir de verdade para apenas uma pessoa e ser feliz? Que tipo de pessoa é alguém que se reprime ao ponto de tornar todas as suas expressões falsas quando não está diante de uma determinada pessoa? O quão feliz alguém assim pode ser?" Harry não pode deixar de reflexionar.

- Ter alguém que sorri apenas para você parece algo tentador, o dia que Hooch me disse algo assim eu estava tão carente que me senti tentado a querer algo assim para mim, mas por mais que essa pessoa sorria para mim, eu poderia sorrir para ela de volta ao saber que assim que eu virar as costas aquele sorriso não existiria mais?

- Não sei, mas essa escolha veio da própria Hooch – percebendo a preocupação genuína do outro, Draco tenta afastar o tema daquela cabecinha morena – não acho que é algo que deveríamos nos intrometer, a vida dessas irmãs já é bastante complicada para que agora nós começarmos a nos achar no direito de interferir.

- Talvez, mas não posso deixar de pensar, pode alguém ser feliz sabendo que o sorriso que lhe conforta vem de um sacrifício tão grande?

Harry para com tudo e se vira para encarar Draco, mas ambos se quedam calados ao perceber a situação incomoda em que estavam:

A mão estendida de Draco, ainda erguida por pura inércia do loiro, transpassava o peito de Harry. E por mais perturbadora que fosse aquela cena, o que mais os consternavam era um pensamento em comum que aquele momento os induziu a compartir.

"Nada. Eu não sinto nada. É como se ele não estivesse aqui."

Pode alguém ser feliz sabendo que aquele que te quer tão bem tem que guardar tanto sofrimento?

Draco, sentindo algo entalado na garganta, dá alguns passos para trás, abaixa a mão e com certa dificuldade consegue responder a antiga pergunta do moreno.

- Sim... Eu espero que essa pessoa, mesmo assim, consiga ser feliz.

Silêncio...

E com aquelas palavras Draco selou todas as outras de mais. E os dois voltaram a caminhar, mas agora em pleno silêncio na esperança que mais uma vez o momento emocional passasse e que pudessem voltar a se falar de maneira normal.

Os dois passaram por corredores e corredores, subiram mais escadas e seguiram o percurso no mais completo silêncio, Harry se perguntava se Draco não iria embora, Draco se perguntava por que ainda estava por lá.

Mas Harry no fundo não queria ser deixado sozinho.

E a última coisa que Draco queria era partir.

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- Nunca pensei que Longbottom conseguisse gritar tão alto. Abençoados sejam aqueles pulmões.

Draco ainda não saiu do choque recente, a bronca do texugo não havia sido direcionada nem mesmo para ele, mas não impediu de ter deixado uma forte impressão.

- Neville é uma pessoa calma por natureza, mas quando se irrita... tsc – Harry revolve os cabelos com certo desconcerto – E também acho que parte do motivo dele ter estourado com algo assim é por ter alguma coisa o preocupando.

Quando enfim chegaram ao dormitório haviam sido recepcionados – ou no caso apenas Harry, já que Draco não podia ser visto – por um furibundo Neville. O moreno mais alto havia gritado por horas e horas sobre os perigos de Harry andar sozinho pelo colégio, de quantas pessoas não precisariam de muito para tentar feri-lo e bla bla bla... Na verdade Harry só havia ouvido cerca de metade do discurso, estava mais preocupado em observar a imagem "demolida" do amigo.

Neville ainda estava em sua cama, com seus lençóis revoltos cobrindo suas pernas. Seu cabelo estava mais desgrenhado que o do novo texugo – e isso era dizer muito – e seus olhos estavam ligeiramente demarcados e avermelhados.

Não tinha muita idéia do por que de seu estado, mas talvez uma dica fosse o amassado papel que Neville havia deixado ligeiramente a mostra de baixo do travesseiro.

- Mas não acha isso meio contraditório? – Draco resmunga impaciente – primeiro ele briga por você sair sozinho por aí, para logo depois te mandar como castigo a biblioteca, sozinho devo demarcar, atrás de um livro estúpido de Herbologia.

Contraditório? Sim, Harry também achou, mas não discutiu quando sua sentença havia sido dada. Neville parecia confuso. Seus sentimentos pareciam embaralhar suas prioridades entre "manter seu amigo 'Chris' a salvo" e o de "ficar sozinho em seu momento de auto-piedade". O moreno de cabelos negros apenas tomou um banho rápido e saiu para cumprir seu dever, deixando para trás um silencioso príncipe dos texugos.

Tentando colocar um ponto final nesse assunto Harry puxa a conversa com Draco para outros pontos, e seguindo assim o trajeto se encurtou mais rápido do que quando o ex-leão havia tentado ir à biblioteca no dia anterior – talvez a ausência dos encontrões e dos "obstáculos" tenha ajudado – e em poucos segundos já teriam cruzado o ultimo corredor que os separavam das maciças portas da biblioteca se não fosse a freada repentina que o moreno deu ao dobrar a ultima esquina.

No meio do corredor que dava caminho a biblioteca dois adolescentes estavam dividindo o momento menos casto de suas vidas. O mais alto comprimia possessivamente o outro contra a parede, lhe tomando um beijo tão fogoso que roubou o ar dos pulmões do próprio Harry.

E não só o controle do beijo pertencia ao primeiro citado, como também a iniciativa em vasculhar, percorrer e demarcar o corpo do menor com seus dedos e unhas, uma verdadeira fera.

E "fera" era a palavra chave naquele showzinho, foi o que considerou Harry ao reconhecer uma das figuras daquela cena, e ver mais um bom motivo para não dar mais nem um mísero passo a frente.

Draco que vinha não muito atrás contornou o moreno, olhou para o que o fez parar, e sorriu de maneira maliciosa.

- O que foi Potter? Pensei que viemos aqui para irmos à biblioteca, e não para ceder aos seus instintos voyeristas.

Tirado do choque recente, Harry sorri de lado ao sentir o descontraído veneno de seu colega Slytherin, e não querendo deixar a bola cair, usa do mesmo tom.

- Acredite Malfoy, de todos os maus hábitos que adquiri de você desde que nos conhecemos, ainda existem alguns dos quais meu bom senso me poupou de absorver.

- Certo, certo, culpe o Slytherin por todos os vícios do mundo – o loiro bufa dramaticamente exasperado com o clichê da situação – seja como for, eu não acho que ficarmos parados aqui ajudará a fazer que o livro do Longbottom apareça na sua mão.

- Eu sei, eu sei, apenas estou com um mau pressentimento de passar por esse corredor agora.

- Mau pressentimento?

- O quê? – Harry olha meio incrédulo para Draco – você ainda não reconheceu as costas daquele cara ali?

Harry não sabia dizer quantos minutos Draco precisou para identificar as costas daquela figura, mas ele mesmo não precisou de muitos segundos para reconhecer aquele corpo alto, esguio e a semi-revolta juba de cabelos descolorados... Não tinha a menor idéia de quem era a "vitima", mas sem sombra de dúvida quem guiava aquela cena erótica era o depravado Fenrir Greyback.

Draco ao seu lado arregalou os olhos de surpresa e abriu a boca em um mudo sinal de entendimento. Sinal o qual Harry ignorou, e respirando fundo decidiu seguir em frente.

Com um pouco de sorte conseguiria passar despercebido.

Tendo sempre ao seu lado a figura incorpórea de Draco em um silencioso apoio, o moreno avança fazendo o máximo para não olhar para o lado.

Mas era difícil.

Quanto mais se aproximavam, mais altos eram os gemido. A "vitima" parecia a duras penas conter o som que saia de sua boca, fazendo Harry quase ter vontade de rir daqueles pobres intentos. Ainda há de nascer um ser que consiga resistir a um lobisomem em uma época de lua quarto – crescente.

Diferente dos lobisomens que vivem em matilhas ou reclusos em áreas selvagens, os que se misturam entre os humanos não apresentam traços tão selvagens como os de mais, somando isso ao detalhe que todo ser das trevas que co-existe com humanos exala um ar naturalmente insinuante - como uma espécie de chamariz para suas "presas" – um lobisomem consegue uma aparência quase tão sedutora quanto a de um vampiro. O impacto apenas se incrementa nos períodos pré-lua cheia (a semana de lua quarto crescente) quando os hormônios dos licantropos estão em polvorosa.

Fenrir poderia ter metade do colégio aos seus pés nessas épocas do mês se não espantasse a grunhidos e socos todo cristão que se aproximasse dele.

Bem...Todos, menos o individuo ao que nesse momento está devorando a língua.

A passos leves, Harry estava exatamente do lado oposto ao casal, e vibrando internamente por quase passar de lá ileso quando mais uma vez travou.

Sem acreditar na situação similar de segundos atrás, Draco bufou de frustração, e levou a mão à boca ao perceber que havia soltado um ruído mais alto do que esperava.

- Mas o que estou fazendo? – o loiro se repreende – não é como se eles pudessem me ouvir, e você – chama a atenção de Harry – por que diabos você parou de novo? Não vai me dizer que fez aquele drama todo apenas para poder ver esse espetáculozinho de quinta mais de perto.

Harry, que não podia se dar ao luxo de falar, apenas apontou para o casal, e Draco olha com dês-gana, mas logo percebe o porquê da nova "travada" do moreno. Naquela posição eles conseguiam ver com mais clareza quem era a "vitima" de Greyback.

Era Remus Lupin.

Prestando mais atenção aos gemidos entre cortados, os dois espiões perceberam que o lobisomem mais velho sussurrava algo para Lupin em um tom de deboche.

- Delicioso... simplesmente delicioso – murmurava enquanto sua boca descia pelo pescoço do Gryffindor – minha pequena pepita... Quero te fazer gemer mais alto... tão alto que até mesmo os seus amiguinhos idiotas possam te ouvir.

Lupin estremece incomodo ao ouvir seus amigos serem citados.

- Grey... aaah... back – murmurou Remus – você prometeu... prometeu que deixaria meus amigos fora disso, prometeu que não contaria nada para eles se eu...hummm.

Como se quisesse calá-lo Greyback toma a boca de Lupin em mais uma beijo brusco.

- Já disse que de sua boca não deve sair uma vírgula sobre seus amigos quando estiver comigo – o lobisomem diz isso roçando seus lábios contra os de Lupin para em seguida morder o lábio inferior do mais baixo arrancando um pequeno grito sufocado.

- Mas se foi você que tocou no assun...

- O que sai de minha boca não é a questão aqui – sorri malicioso – não é o que eu digo nesse momento que vai influenciar se certas informações cheguem aos ouvidos dos seus amigos ou não.

-...

- Isso mesmo – Fenrir passa uma das mãos pelos cabelos castanhos claro do outro – assim que eu gosto.

Harry franze o cenho, aquilo não parecia mais um casal apaixonado, parecia uma típica cena de chantagem. E o material da chantagem era mais que obvio.

Aparentemente naquele mundo os outros marotos não sabem da condição de Remus, o que muito espanta Harry, cinco anos compartindo o mesmo dormitório deveria proporcionar mais de uma oportunidade para que tivessem descoberto. O que fez o moreno imaginar que de alguma forma tinha a pata de Greyback naquilo tudo.

Se bem que naquele momento a prioridade era outra:

Tirar Remus momentaneamente daquela situação.

- Lupin!!! – Harry diz alto o suficiente para ambos adolescentes saltarem de susto, saindo de seu mundinho. O moreno mais novo caminha na direção deles como se viesse da biblioteca

- Hard...Hardnet – Remus olha envergonhado por cima do ombro de Fenrir um pouco antes que o mais alto se afastasse.

- Que bom que eu te encontrei – Harry segura o pulso de Remus ignorando completamente o outro rapaz – os seus amigos estão te esperando na biblioteca, estão perguntando faz horas por você.

Harry aperta o pulso do Gryffindor mais forte e indo na direção da biblioteca puxa o sextoanista, mas nem deu dois passos e sente como aquilo que rebocava não avançava, ao olhar para trás, viu que segurando o outro pulso de Remus estava Fenrir que encarava fixamente Harry.

Harry devolveu o olhar com determinação, e falou mais uma vez para Remus, mas sem afastar os olhos dos de Greyback em sinal de desafio.

- Potter, Black e Weasley estão te esperando na biblioteca Lupin – seu tom era cortante – disseram que se eu não tivesse a sorte de achá-lo eles mesmo sairiam para vir te buscar.

Sem desviar os olhos de Harry, e entendendo a indireta, Fenrir solta o pulso de Remus, mas longe de parecer frustrado seus olhos destelhavam certo interesse, o mesmo que Harry havia visto na noite em que chegara.

Com certo arrepio passando por sua espinha, Harry aperta novamente mais forte o pulso do leão e o puxa na direção da biblioteca.

Já mais a frente, se sentindo menos ameaçado, Harry larga o pulso de Remus e ambos seguem lado a lado.

- Obrigado – o de cabelos castanho murmura.

- Não por isso, você parecia precisar de ajuda e... – Harry sorri e já erguia o braço para palmear as costas de Lupin, mas do nada sentiu a estranha sensação de que deveria se afastar do mais velho.

Seu olfato começou aos poucos a ser agredido por um forte cheiro doce, ligeiramente azedo. Foi no momento em que sentiu uma estranha tontura que o moreno não pode resistir muito mais e afastou-se de Lupin alguns passos para o lado.

"Esse cheiro... essa sensação... só pode ser isso, mas é impossível realizar esse tipo de ritual sem que as duas partes se... não, quero dizer, isso é impossível".

Harry olha discretamente para trás e vê a figura ligeiramente distante de Greyback calmamente os observando se afastar.

Mesmo àquela distância era perceptível.

Um sorriso largo se estendia naquela boca.

Um sorriso vitorioso.

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Remus não comentou nada sobre o ocorrido.

Harry não perguntou nada sobre o ocorrido.

A verdade era que mesmo cada um tendo ajudado o outro em momentos distintos desde que se conheceram, não havia intimidade o suficiente para algum dos dois quebrar o pacto de "não falar".

Apesar de que, pelo menos por parte de Harry, o "ocorrido" era meio que obvio.

Greyback está se aproveitando de Remus, por Merlin sabe-se lá quanto tempo, em troca de não contar para os amigos do outro lobisomem algum segredo, que provavelmente seria sua "condição mensal".

Apesar de não demonstrar sinais de que iria se meter no assunto, Draco sabia que Harry arranjaria um jeito, consciente ou não de se enrolar em mais aquele balaio de gato, isso se Greyback não o enrolasse ele mesmo primeiro. Pelo jeito que o lobisomem o olhava era meio obvio que algo em Harry o chamava a atenção.

Após a incomoda e silenciosa caminhada lado a lado com Remus, os dois rapazes chegaram finalmente a biblioteca.

A primeira impressão quando esteve de frente a aquelas grandes portas era que aparentemente, assim como a maior parte do castelo, a biblioteca era a mesma que em seu mundo.

Tal impressão só durou o tempo em que abriu as ditas portas.

Apesar de ser fisicamente impossível pelo espaço que aparentava ocupar do lado de fora, a biblioteca era dez vezes maior que a de seu mundo, quem sabe até mais, para isso bastou apenas uma olhada superficial para notar. Os números de estantes abarrotadas de livros era muito maior, e sabe se lá Deus o que mais poderia haver dentro daquele enorme e desconhecido lugar.

Tão compenetrado estava em admirar tudo aquilo, que o moreno quase não ouve o Gryffindor murmurar algo como que: havia marcado com seus amigos ali em algumas horas, um muito obrigado e adeus.

Sem maiores opções, o moreno resolve procurar a bibliotecária. Achar o livro de Neville sozinho seria impossível, ao menos se pretendia voltar ao dormitório ainda esse mês.

Foi quando achou - depois de uns bons minutos - a bancada da bibliotecária que teve o choque.

Ou deveria dizer a bancada do bibliotecário?

"Isso só pode ser brincadeira."

Harry não pode pensar outra coisa quando se pôs de frente a uma das últimas pessoas que esperava – sem falar ultima que queria – encontrar.

- O que poderia fazer pelo jovenzinho nessa esplendorosa manhã de domingo? – perguntou o dono da boca de dentes mais brilhantes que Harry já viu, seja nesse ou em seu mundo.

Sim, Gilderoy Lockhart estava atrás do maldito balcão.

- Eu... bem... – Harry balbucia impactado, de fato não sabia se chorava ou saia correndo, a única coisa que tinha certeza era de que aquela figura espalhafatosa realmente o tirava do sério, o melhor era resolver logo o que tinha que fazer ali e dar um jeito de apagar da própria memória o caminho que levava a aquela biblioteca. – eu gostaria de...

- Ah! Já sei – o homem que aparentava a mesma idade que tinha no mundo de Harry quando este esteve em seu terceiro ano começou a bater palminhas excitadas – você é o garoto novo, o tal aborto que todos estão falando – e aparentemente seu senso de conveniência era exatamente igual ao do outro Lockhart – e ao saber que eu sou o bibliotecário dessa modesta instituição veio aqui para especialmente me pedir um autografo – lançou um olhar severo para o ninho que Harry chamava de cabelo – e umas dicas de tratamento capilar.

Isso seria mais duro do que Harry esperava.

- Na verdade eu....

- Não se acanhe eu entendo, vários de seus coleguinhas também vieram me pedir autógrafos desde que eu me tornei bibliotecário – suspira com falsa modéstia – ser o ganhador cinco vezes do prêmio de "sorriso mais encantador" nos prende a essas obrigações para com nossos fãs.

Para o desespero de Harry o loiro realmente saca um pedaço de pergaminho e coberto de animação parecia determinado a presenteá-lo com o dito autografo.

- Então? – a felicidade era evidente em seu rosto – a quem dedico?

"Pela primeira vez desde que eu entro nesse colégio eu me pergunto aonde essa diretora colocou a cabeça" e então se lembrou dos diversos acontecimentos nos últimos dias "Bem, talvez a segundo... ou terceira, mas de qualquer forma, não esperava que ela tornasse alguém como ele responsável da biblioteca, o que ela pode estar esperando que ele faç...."

- Posso ajudá-lo?

Tirando de sua revolta interior, uma voz vinda do birô chamou a atenção de Harry. Em pé, o encarando diretamente, estava uma pequena estatueta de bronze, era uma miniatura impecável de Lockhart.

- Er... – Harry não soube bem o que responder para a diminuta figura.

- Não espere muito desse aí – a estatueta diz de maneira séria apontando com a cabeça ao o que Harry supôs ser seu dono – recomendo que me diga o que busca, aceite o papel que meu tolo dono lhe oferece, sorria um pouco e depois parta. – diz como se o seu "tolo dono" não estivesse logo ali, apesar do mesmo não estar nem ao menos prestando atenção – Não acho recomendável que estudantes em formação fiquem próximo tanto tempo de tamanha cabeça oca.

- Huuum, o que eu deveria escrever? – Gilderoy apoiava a pena na ponta do queixo aparentemente deixando de lado que antes de tudo deveria saber a quem dedicar o exasperante autógrafo. Deixando seus olhos caírem na mesa, seu sorriso cinco vezes campeão volta a aparecer – Oh, vejo que acaba de conhecer a minha estatueta. Perfeita não? Fui eu mesmo que a enfeiticei.

Agora tudo estava explicado, Harry não pode deixar de considerar, ao ter sido um idiota desses a enfeitiçá-la explicaria a diferença de caráter da estatueta da do seu dono.

Voltando sua atenção ao objeto animado de bronze, Harry pergunta.

- Estou atrás de um livro.

- Isso era de se esperar – responde sarcástico a estatueta – Qual seria?

- "Flores e fungos montanheses".

- Hmmm – o mini-Gilderoy tira de seu casaco de metal uma pequena replica de óculos e com um pouco de dificuldade abre um grosso livros de registros.

- Oh não! – o humano loiro geme com pena – Quantas vezes eu lhe disse para não colocar essa coisa em nosso belo rosto?

O pequeno Gilderoy apenas revia os olhos.

O livro ao ser aberto estava completamente em branco, mas quando a estatueta diz o nome do que procurava uma longa lista de nomes similares apareceu. E após folhear um pouco – e acredite, não foi fácil – o pequeno homem achou o que procurava.

- "Flores e fungos montanheses", está na sessão de Herbologia avançada. Siga em frente dobre duas vezes a direita, contorne a seção de "tabus antigos", passe pelas mesas de leitura, atravesse a secção 13-A e entre na 13-D, vai achá-lo na segunda prateleira de cima para baixo, 15º livro.

Harry não esperava nada tão exato, mas não era como se fosse reclamar. Antes de partir, uma idéia lhe passou pela mente.

- Aqui nessa biblioteca vocês guardam jornais antigos ou algo parecido?

- Jornais antigos? – o pequeno homem olhou para Harry de forma insultada – Claro que não! O sistema de armazenação de noticias passadas foi inaugurado a cerca de cinco anos. Se procura por alguma manchete antiga creio que lá achará o que busca, mas...

- Mas?

- Mas se me permitir dar um pequeno conselho: te digo que não estenda muito qualquer dialogo que comece com a guardiã da porta da "Sala de Arquivos".

- Guardiã?

- Irma Pince, ela era encarregada de outros setores nessa biblioteca antes mesmo de eu chegar com meu dono, se algo eu aprendi nesses nove anos foi que passar mais do que cinco minutos falando com aquela figura é receita certa para uma tremenda dor de cabeça.

- Por que?

- Vai descobrir.

Recebendo as indicações de onde ficava a "Sala de Arquivos" e aceitando o insistente autografo do verdadeiro Gilderoy, o moreno se despede dos bizarros bibliotecários e parte atrás do dito livro, sem deixar de pensar na estranha recomendação da estatueta. Sabia que Pince poderia ser algo irritadiça, mas nunca havia ouvido falar que destratasse outros funcionários do colégio ou coisas do gênero, seus alvos em geral eram os alunos.

Já a certa distância, Harry se sente confiante para falar com Draco sem maiores ouvintes.

- Draco, você também sentiu?

- O quê? Um calafrio ao descobrir que nesse universo existe realmente dois Lockharts? Ou por saber que um Lockhart pode ser capaz de fazer algo de forma correta? Desconsiderando, é claro, que ele mesmo é uma estatueta de produção defeituosa.

- Não – o moreno contém o riso ante a brincadeira – digo antes, quando caminhávamos com Remus, eu senti um cheiro estranho vindo dele, e uma vontade louca de me afastar. Como se fosse errado eu o estar levando de... bem, de onde eu o tirei.

- Não senti nada – Draco diz de maneira mais séria ao perceber a gravidade na voz do amigo. – nem ao menos esse tal cheiro.

- Eu imaginei, talvez por que você é humano – Harry diz mais para si mesmo do que para o outro – eu li algo a respeito quando aprofundei meus estudos sobre licantropia, e geralmente quem sofre com esse tipo de sintoma é quem se interpõem no meio de um ritual de ligação.

- Ritual de ligação? – era a primeira vez que Draco ouvia de algo parecido – Tipo um casamento?

- Não, bem... Talvez sim. Esses tipos de coisas não se executam de maneira pré-determinada, tudo isso é meio abstrato demais para explicar, envolve mais a parte química e sentimental das partes envolvidas que a racional. E quando ocorrem os licantropos apenas... sentem que não podem pertencer a mais ninguém no mundo que não seja a sua outra metade.

- Bem, não existem muitos licantropos nesse colégio, ao menos até onde nós sabemos, e se a outra metade de Lupin for Greyback, ele não parece muito de acordo a quem pertence.

- Aparentemente. – Harry murmura pensativo – Mas só isso explica por que eu me senti tão mal quando eu o afastei de Greyback.

- Péra aí! – Draco começou a ver a profundidade de tudo isso – pelo o que você diz, os dois tem que esta apaixonados, você está me dizendo que Fenrir "decepo-a-cabeça-de-qualquer-um-que-olhe-na-minha-direção-por-mais-de-cinco-segundos"Greyback está apaixonado por Lupin? Digo, ele ao menos sabe o que é amor?

- Aparentemente nesse mundo sabe.

- E Lupin não. Pois para "um pombinho apaixonado" ele parecia estar bem relutante quanto a isso. E se ele está tão desconforme, não tem como Lupin desfazer esse laço?

- Assim como não depende das partes envolvidas o começo, o final acontece da mesma forma, apenas quando um não amar mais o outro ou quando uma das partes fizer uma grande traição isso poderá se romper. Mas no fim, não sabemos se esse é ou não o caso.

- Hmm.

Os dois continuam a andar em silêncio por mais alguns segundos.

- E você? – Draco não suportou se conter.

- Eu?

- Isso pode acontecer com você?

- Não sei, muitas coisas que influenciam os licantropos me influenciam também. Mas meu caso é bastante isolado do dos de mais. Só vou saber quando se por acaso acontecer.

Não tocaram mais no assunto depois disso, tentaram manter a conversa mais leve possível, mas de certa forma Draco não pode tirar as últimas palavras de Harry da cabeça.

"Só vou saber se por acaso acontecer".

E um pedacinho dele não pode deixar de desejar:

"Espero que você nunca chegue a precisa saber"

Passando por uma das infinitas prateleiras Harry olhou de relance por entre os livros ordenados uma cena se desenrolar no corredor vizinho. E um pouco exasperado ele diz antes de retroceder alguns passos para contornar a prateleira:

- Quantas menininhas inocentes eu terei que salvar para conseguir a minha vaga no céu?

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Luna olhava com pena a furibunda garota que a fulminava com o olhar. Sua mão ainda ardia do tapa que havia levado e o livro que havia estendido segundos atrás para a mais velha, quando esta o havia deixado cair, ainda jazia no chão.

Como não sentir pena?

Aos olhos da loirinha a Ravenclaw mais velha deveria estar tão abalada por perder o seu Goldings – um raro animalzinho que anda de lado em suas sete patinhas e que se alimenta dos maus pensamentos de seus donos – que não pode perceber que o ato de Luna ao tentar entregar o livro que havia deixado cair era uma boa ação que não merecia ser paga com uma bofetada na mão.

- Não preciso de sua ajuda sua esquisitona – a Ravenclaw de cabelos loiros, mas diferentes do de Luna por serem curtos, diz – fique longe de mim.

- Não se preocupe, eu ficarei – diz a menininha com uma expressão séria, porém preocupada – não é muito saudável ficar perto de alguém que perdeu recentemente o seu Goldings, essas pessoas tendem a ficar agressivas graças aos maus pensamentos acumulados – Luna se abaixa novamente para pegar o livro e estende para mais velha – por isso eu torço para que encontre logo o seu.

Longe do ponto de vista fantasioso da mais nova, a outra Ravenclaw queria apenas se afastar o mais rápido possível daquela lunática, a menininha era a vergonha dos Ravenclaws com suas conversas esquisitas e ar sonhador, ninguém espera que aquela primeiranista consiga notas boas tendo em vista as fantasiosas invenções que cria, ou que aparenta acreditar, e para piorar a menina cismou em andar com aquela praga ambulante de Hufflepuff.

Ser vista com ela não traria nada de bom.

- Não preciso mais desse livro, lunática – diz com crueldade quando mais uma vez esbofeteia a mão de Luna – Se você tocou nele acho que a coordenação da biblioteca deveria até mesmo queimar essa porcaria – pisa no livro caído e empurra a mais nova contra a estante. – já que infelizmente não podem queimar a mão que o segurou.

Luna fecha os olhos ao ver a mais alta erguer a mão para bofeteá-la, e em sua mente só pode desejar que a sua companheira de casa encontrasse logo o seu Goldings, ser forçada a dizer coisas tão cruéis deveria ser um peso para sociabilidade de alguém.

Mas o tapa nunca veio, e quando ouviu a outra dar um gritinho sufocado a primeiranista abre um de seus olhos e se depara com uma cena estranha, o novo amigo da Siby estava atrás da sua companheira de casa segurando o pulso da garota.

"Ui..." a loirinha pensa com pesar ao ver o quão apertado o moreno segurava o pulsa da outra garota "isso deve doer".

- Ora, ora, ao se tratar de uma Ravenclaw – Harry larga o pulso da agressora e caminha até ficar entre as duas garotas, para logo em seguida se abaixar, pegar o livro caído e batendo na capa para tirar a sujeira, continuou – era de se espera que seu "amor" pelos livros fosse maior.

Harry se levanta e ainda sob o olhar confuso das duas garotas procura o local de onde o livro supostamente foi tirado e enquanto isso continuou a falar:

- Era de se esperar que como estudante de Hogwarts tivesse mais respeito por seus companheiros de instituição.

O moreno acha o local do livro, o guarda e volta a encarar a garota de cabelo curto, sempre ficando entre ela e Luna.

A Ravenclaw mais velha levou sua mão a varinha, sentia certa humilhação por ter que ouvir sermões de um simples aborto.

- Não vou ficar aqui para ficar ouvindo sermões de misero abor...

- Mas creio que hoje é o dia das decepções – Harry a interrompe portando o seu mais dissimulado sorriso – afinal – sem perder por um segundo o sorriso seu olha se torna sombrio – era de se esperar que como ser humano você fosse mais racional. Não, melhor – e nesse ponto seu sorriso desaparecera completamente – que fosse mais decente.

Era um aborto, a jovem maga tinha em mente, um mísero e indefeso aborto, mas seja lá o que viu naqueles febris olhos verdes, foi o suficiente para a fazer retroceder tropegamente de costas alguns passo antes de se virar e se afastar de lá o mais rápido possível.

- Hummm – a pequena loirinha observa sorridente a mais velha se afastar – fico feliz.

- Como? – Harry não teve certeza se deveria fazer essa pergunta.

- Pelo visto ela finalmente se lembrou aonde esqueceu o Golding dela, e foi procurá-lo. Essas criaturas são verdadeiramente dependentes, odiaria que ele morresse por ter ficado tanto tempo longe da dona.

As feições sérias da menina delatavam o quão real era a sua preocupação, o que foi suficiente para suavizar a expressão sombria de Harry e que o fez responder com cumplicidade:

- Não se preocupe, com a velocidade com que saiu daqui com certeza vai achar o seu... bem, vai achar aquilo que você disse bem rapidinho.

- Sim – sacode afirmativamente a cabeça – tenho certeza.

A loirinha sorriu com a mesma pureza que Harry reconheceu ter visto em tempos passados.

Para ter certeza de que a mais nova estaria a salvo, Harry acompanhou Luna por mais algumas prateleiras até que finalmente se separaram. A menina havia finalmente achado o livro que procurava – um que Harry preferiu nem mesmo ver sobre o que tratava – e o moreno finalmente tomou rumo para o próximo ponto do trajeto que a estatueta indicou: as mesas de estudo que se localizavam bem no centro da enorme biblioteca.

Mal pode voltar a falar com Draco, que havia assistido toda a cena de perto, pois havia cada vez mais alunos por seu caminho à medida que se aproximava ao centro da biblioteca, mas o loiro em compensação se aproveitava e usava seu humor ferino tentando fazer Harry rir durante todo o percurso, apenas para provocá-lo ao o fazer parecer estúpido por ficar rindo sozinho.

Tudo o que o moreno pode fazer foi morder o lábio inferior para se conter e formular interiormente vinganças contra aquele loiro tingido.

Com o clima decididamente mais leve entre eles, finalmente chegam no seguinte ponto de seu percurso.

O centro da biblioteca.

Era um enorme espaço com dezenas e dezenas de largas mesas, algumas como as do grande salão, e outras que eram divididas com finas divisórias para dar mais privacidade a quem fosse estudar lá.

O local estava com apenas alguns poucos alunos, a maioria Ravenclaws. Pensando em passar despercebido, o texugo sinaliza para Draco parar com seus gracejos, e compreendendo a situação o loiro obedece imediatamente.

Pé ante pé, Harry avança, e quando estava a apenas poucas mesas de cruzar o local de estudo sente dois braços passarem por sobre seus ombros e duas pessoas, uma a cada lado seu, o forçarem a se virar e acompanha-los na direção de uma das mesas. Olhando para quem o "seqüestrava" o moreno se viu no meio de dois estudantes de Ravenclaw.

Em seu mundo se lembrava de talvez ter visto os rostos deles, mas assim como nesse mundo, não fazia a mínima idéia de como se chamavam.

- Ah... Que coincidência nos encontrarmos aqui – um dos rapazes disse.

- Com certeza – o outro responde por Harry – estávamos exatamente agora falando de algo intrigante.

Os dois rapazes forçam Harry a se sentar na mesa e parados, ainda de pé, cada um segura um dos ombros do moreno com força, o fazendo gemer de dor.

Tudo o que Draco podia fazer era observar frustrado como Harry era intimidado. Já havia visto antes como os colegas dele o tratavam naquele mundo, mas nunca tão de perto.

Era revoltante não poder fazer nada.

"O que diabos esse idiota tem na cabeça? Era de se esperar que ele fosse mais forte ao menos que humanos normais" o loiro a essa altura não sabia se sentia mais raiva dos agressores ou de Harry "Será que ele está querendo não chamar a atenção ou coisa do gênero? Aaah Gryffindor idiota, não é hora para ser racional!!!"

- Sabe? Hoje a nossa casa foi acordada mais cedo que o normal – a mão do da direita aperta mais forte o ombro de Harry o fazendo ceder um pouco para baixo.

- Veja só você, acharam os corpos de vários de nossos companheiros grudados no teto da torre da astronomia. – a mão sobre o ombro esquerdo aperta também mais forte e Harry cede mais para baixo deixando seu queixo a centímetros da mesa de madeira.

- Mesmos companheiros que ontem estavam brincando com sua amiguinha esquisita ontem – a mão sobre o ombro direito faz com que Harry golpeie com tudo o queixo contra a mesa.

- Os mesmos que brincaram com você – o dono da mão esquerda sussurra ao ouvido de Harry – quanta coincidência não?

- Ora rapazes, fico feliz de vê-los por aqui – uma voz chama a atenção dos três adolescentes.

Harry só pode erguer os olhos para ver de quem era a voz.

Parado na frente deles estava quem Hooch diz ser Albus Dumbledore. Era um adolescente no alto de seus dezessete anos, o rapaz tinha uma constituição saudável: alto, forte, com traços elegantes, e uma aura poderosa ao seu redor. Seus cabelos longos e loiros estavam presos em uma folgada trança que pendia sobre seu ombro esquerdo e seus olhos azul cintilantes eram emoldurados pelo eterno oclinhos meia-lua.

- Dum... Dumbledore – um dos rapazes murmurou e soltou o ombro de Harry sendo copiado por seu companheiro.

- Nós... nós podemos explicar.

- Creio ter sido claro hoje de manhã sobre o posicionamento que os de nossa casa deveriam tomar diante desse assunto, e sobre a desnecessidade de envolver o nome de terceiros aos problemas de nossa casa.

Sem o ar de "velhinho camarada" aquele Dumbledore emanava uma aura de confiança e poder sem precedentes, e naquela hora Harry entendia por que em seu mundo, quando mais novo, tantas pessoas esperavam grandes façanhas daquele jovem.

- Mas... Dumbledore, ele...

- Os problemas pessoas de Hardnet com os nossos companheiros serão levados em conta quando os afetados pelo... trote, finalmente puderem se pronunciar e dar sua versão dos fatos, só aí podemos relevar ou não o envolvimento de outras pessoas no caso, até lá, gostaria de pedir que voltem aos seus afazeres.

- Mas... – os dois tentam contestar

- Por favor – sua voz era cortante, e mesmo não tendo sido direcionada a ele, quase fez o próprio Harry se levantar também e sair correndo.

Com a partida dos dois outros rapazes, o loiro deixa em sua face aparecer um sorriso amigável e se senta na frente de Harry.

- Sinto muito pelo ocorrido.

- Na... não precisa – Harry massageia o queixo dolorido – não foi como se você tivesse mandado eles fazerem isso.

Harry estava meio que sem jeito diante daquele Dumbledore imponente e elegante a sua frente, seus movimentos eram leves e suas palavras polidas, similar ao ancião que conheceu, mas aparentemente sem os vícios e as excentricidades.

Tanta perfeição era desconcertante.

- Mesmo assim eu tenho uma posição para cumprir para com minha casa, não posso deixar que meus próprios companheiros sujem nossa imagem.

- Bem então ele esta fazendo um péssimo trabalho – Draco diz irritado observando toda a cena – seja Ravenclaw ou qualquer outra casa a maioria dos alunos desse colégio tem se portado como verdadeiros cavalos.

Harry meio que concordou interiormente, mas não pode responder ao amigo em voz alta.

- Sinto por seus companheiros, apesar de que de fato só soube agora sobre esse tal trote – diz apenas por simpatia.

- Não, não sente – Dumbledore diz ainda sorrindo – e não o culpo, as coisas não tem sido fáceis para você por aqui, eu creio.

- Não, não tem – Harry concorda.

- Se me perguntar eu recomendaria que não saísse do lado de seu amigo Longbottom durante esses primeiros meses de aula, ao menos até que o impacto de sua chegada tenha se esfriado um pouco.

- Você quer dizer: – Harry o encara de maneira irritada e suspicaz, não havia lhe agradado em nada ouvir novamente a mesma sugestão que recebera a algum tempo atrás de Draco – "se esconda de baixo da saia de Neville até que a poeira abaixe.".

- Nem Rowena Ravenclaw poderia ter colocado em melhores palavras.

Harry não sabia como reagir.

Não sabia se devia levantar ou ficar sentado.

Se devia estender a conversa ou se calar.

Ele tinha o estranho desejo de apenas relaxar e se deixar levar pelo ar reconfortante do rapaz a sua frente, como se sem maiores motivos pudesse confiar apenas nas poucas palavras que trocaram.

Seus olhos então se encontraram diretamente com os do loiro mais velho e se lembrou do estranho batucar que captou de Kingsley no primeiro dia em que chegara no castelo.

"Alouette, gentile alouette,

Alouette, je te plumerais"

Um calafrio passou por sua espinha e seus instintos gritavam para se levantar daquela mesa naquele instante. Não sabia muito bem o porquê, mas de mais uma coisa se lembrou do Dumbledore de seu mundo.

Antes de um grande mago.

Antes de um grande benfeitor das causas nobres e humanitárias.

Dumbledore era um grande manipulador.

Harry se levanta de repente tendo cada movimento seu acompanhado por um nada surpreso Dumbledore que não cedia em seu sorriso.

- Compromissos? – pergunta com simplicidade o loiro de cabelos trançados.

- Infelizmente – diz de maneira cortês - Se me der licença.

- Recomendo que seja lá o que o tenha trazido aqui, que seja resolvido rápido – as palavras do loiro fazem com que Harry pare, apesar de não se virar – a biblioteca tende a ficar bem movimentada nos domingos. E como você parece ter uma certa tendência a problemas...

- Terei isso em conta – responde seco para em seguida voltar a andar.

Harry parte em direção as estantes.

- Não que eu reclame – Draco diz ao lado de Harry – mas por que resolveu sair de lá de uma hora para a outra?

- Nem eu sei muito bem porque – Harry ainda suava frio – mas algo nesse cara não me cheira bem.

- Você acabou de chamar Albus Dumbledore de cara? – Draco quase ri da estranha situação.

- Albus Dumbledore tem dezessete anos nesse mundo – Harry diz mais sério do que gostaria – um rapaz de dezessete anos com os olhos tão sagazes quanto os de um ancião. Se isso não for assustador, eu não sei mais o que poderia ser.

Ainda vendo o moreno se afastar sozinho, Albus desfaz o seu sorriso e diz.

- Eu não te emprestei minha capa para que espiasse necessariamente a mim, minha cara Dolores.

Aparecendo de fora da capa de invisibilidade que usava, Dolores Umbridge se senta ao lado do companheiro Ravenclaw com seu costumeiro sorriso doentio, que muito lembrava o de um sapo.

- Ora Albus, hem hem, quem eu observava era ao nosso pequeno aborto, quando o vi com nossos companheiros de casa não pude resistir de dar uma espiadinha em como reagiria.

- Você quer dizer que: quando incitou nossos companheiros de casa a ir a trás do jovem Hardnet não pode resistir em dar uma espiadinha em como reagiria.

- Pode ser... – diz sem o menor sinal de culpa.

- Dolores...

- Albus – a menina o olha com certa devoção – você mesmo disse que deveria observar o potencial do rapaz antes de colocá-lo na lista. Mas não importa quanto eu o veja, nada muda meu parecer de que ele deveria ser colocado naquele lado da lista, vamos Albus ele não passa de um aborto Hufflepuff.

- Uma das pessoas que procuramos é um Hufflepuff.

- Mas um aborto?

- Não tenho bem certeza quanto a esse boato sobre Hardnet ser um aborto – o loiro leva a mão ao queixo de modo pensativo – e tenho a impressão de que outras pessoas também não compartilham dessa opinião. Por isso peço que espere. O "cabeça" das serpentes parece estar prestes a fazer sua última tentativa de retirar a mascara do novato descobrir a verdadeira face de Hardnet, se mesmo assim o resultado não for algo satisfatório, creio que eu mesmo serei obrigado a dar o último movimento dessa dança.

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Harry finalmente conseguiu terminar de atravessar o local de estudo e chegar às prateleiras de auto-ajuda avançada. Em outros tempos o moreno se perguntaria por que existiriam tantas prateleiras com livros de auto-ajuda, mas depois de apenas três dias naquele castelo, já podia perceber que como ajuda psicológica para aqueles fedelhos isso ainda era pouco.

Draco ao seu lado resmungava algo sobre como Harry não era capaz de andar dez passos sem topar com qualquer tipo de confusão. Quando o texugo ia protestar dizendo que não era verdade uma mão o forçando a se abaixar o puxa.

- Mas que diabo... hummmm – enquanto uma mão suave ainda o segurava, outra cobre a sua boca para que o impedisse de falar.

Na sua frente, encolhido na mesma posição em que forçou Harry a se encolher, estava um estudante... uma estudante... Alguém de uma expressão extraordinariamente bonita, tão bonita quanto assustada.

- Por favor – sussurra com temor o ... a.... a pessoa em questão.

Harry desvia os olhos da pessoa que o prendia e viu do outro lado da prateleira alguém com vestes negras passar apressado. Subindo um pouco os olhos, Harry viu por entre os livros mais acima apenas os ombros da pessoa de quem fora obrigado a se esconder. Não parecia muito alto, e a única coisa que pode distinguir além da cor das vestes foi o brasão da Slytherin.

Com o misterioso perseguidor já distante, a mão que calava Harry se afastou de sua boca, e pondo-se de pé, a pessoa que o arrastou nessa estranha situação oferece a mão para que o moreno se levantasse.

Ao menos não era de todo descortês.

Já de pé, Harry observa com mais cuidado o... a.... Alguém que ele realmente não sabia dizer bem a que sexo pertence.

Seu físico era decididamente masculino, com seu peito plano e a ausência de uma cintura definida, mas isso poderia ser facilmente disfarçado pelas vestes folgadas do colégio, o que não se podia esconder eram os traços delicados, e por que não dizer femininos no rosto daquela pessoa, emoldurados por um sedoso cabelo dourado que ondulava até um pouco a baixo das orelhas.

- Desculpe por isso – a pessoa passa as mãos de maneira afobada pelas próprias vestes tentando desamassa-las – realmente, me desculpe.

- Tudo bem – Harry tenta não olhar muito para a face do outro, era uma situação um pouco cômica já que era difícil dizer quem estava mais nervoso – parecia que você estava com problemas.

- E bastante grandes – suspira – e por isso mesmo não devia meter os demais neles – percebendo a falta de cortesia a bela pessoa estende a mão sorrindo francamente para Harry – Prazer, meu nome e Roland Disraeli.

- Roland? – Harry por puro reflexo encara a face do outro ao repetir o nome com descrença por ser um nome claramente masculino – digo... prazer, meu nome é Chris... hm... – "Merda, quando eu vou conseguir lembrar do meu próprio nome? Acho que até Neville deve ter falado ele por completo" Harry chorou internamente - pode me chamar de Chris.

- Há há há – o loiro ri do visível desconcerto do outro – sim eu me lembro de você, você é o aluno novo não? Bem Chris, então eu acho que você pode me chamar apenas de Rondy – sorri ao ver que o novato não parecia muito convencido em chamá-lo de forma tão intima – meio colégio já me chama assim graças a um idiota de boca grande.

Harry agradeceu internamente por o outro não comentar a falta de educação ao visivelmente questionar a sua... hum... masculinidade. O garoto a sua frente, diferente de antes, falava de maneira alegre e relaxada que o fez lembrar de alguém, mas definitivamente ele se lembraria de qualquer rapaz com uma aparência daquelas.

- Me desculpe novamente pelo inconveniente – simulou uma cômica reverencia para em seguida se virar na direção oposta da que havia ido a misteriosa figura anterior – e obrigado.

- Por nada – Harry acena levemente com a cabeça apesar do outro não poder ver, já que já estava se afastando quase correndo. – Cara estranho.

- Já pode secar a baba.

- Waaa – Harry pula de susto ao ouvir a voz ligeiramente irritada ao seu lado – é sério Draco, eu definitivamente vou pendurar um sininho no seu pescoço.

- Hum hum – o loiro revira os olhos ainda irritado – já no desse projeto de Barbie você adoraria colocar outra coisa.

Harry teve que se conter para não rir, era sempre hilário quando Draco cedia ao seu lado possessivo, desde que eles desenvolveram aquela amizade colorida, Draco sempre se mostrava bastante frio e confiante, mas vez ou outra deixava a mostra essa fechada ciumenta.

- Nã' – Harry ainda sorrindo interiormente nega dando pouca importância a tudo aquilo enquanto volta a caminhar para o seu destino – ele realmente é bonito, mas não faz o meu tipo.

- Sei, por isso o comia com os olhos.

"Mas se eu mal olhava para a cara dele" Harry gargalhava interiormente. A insegurança do loiro só demonstrava que o próprio Draco havia achado o outro rapaz muito bonito.

- O que podia fazer? – Harry resolveu provocar – Ele realmente era bonito, vai dizer que não?

- Bem...

- Mas definitivamente não era o meu tipo, muito andrógeno.

E nesse ponto Harry não mentiu, apesar de bonito, aquela beleza feminina não era algo que cativasse o moreno, sem falar que por mais agradável que Roland – ou Rondy – aparentasse ser, Harry sempre acabava tendo uma queda maior por pessoas mais...venenosas.

- Andrógeno? – Draco aparentemente não queria deixar o assunto morrer – Aquilo ali já não é mais nem um cara andrógeno, é literalmente uma garota.

- Bom, não é como se você pudesse falar muito...

- Harry James Potter – Draco se põe na frente do outro – você está insinuando que eu sou tão andrógeno quanto aquela Drag Queen?

- Não chegaria a tanto – Harry da a volta por seu incorpóreo ex-amante "Eu mal acabo de conhecer o cara e ele já evolui de 'literalmente uma garota' para 'Drag Queen'?" – Roland realmente é a personificação da androgenia, mas não pode negar que você mesmo tem um ou dois traços andrógenos.

- Bem, talvez... – aceita acanhado.

- Um ou dois traços – murmurou para si mesmo enquanto era acompanhado mais atrás por um silencioso loiro – que definitivamente me fazem reconsiderar meu conceito de "tipo".

Após uma curta caminhada por entre prateleiras das mais estranhas seções, Harry finalmente acha o livro de Neville.

Agora só precisava chegar a tal "sala de arquivos".

Graças a Merlin e a tudo que tem poder a tal sala era próxima aonde Harry achou o livro de Neville, e descontando alguns esbarrões que recebeu no curto caminho, Harry havia chegado sem maiores transtornos.

O texugo entrou no corredor que havia sido indicado pela estatueta, e de cara achou a porta que supostamente procurava. "Supostamente", pois ela não tinha nenhuma placa de identificação.

Ela, a porta, teria uma aparência normal se não fosse o fato de ao invés de estar presa a uma parede ela estava exatamente no meio do corredor, aparentando não estar presa a nada em especial a não ser o chão. Não era ligada ao teto, e dos seus lados as prateleiras continuavam, mantendo um espaço entre elas e a porta grande o suficiente para uma pessoa passar.

- Er... deveria ser aqui, não? – Draco pergunta.

Mas Harry apenas olha para ele e acena com a cabeça. A estatueta havia dito que a Sra. Pince era responsável por aquela seção, não era seguro falar com Draco sem saber se ela estava ou não por perto.

Em silêncio o moreno vai na direção da porta e a contorna. Do outro lado dela estava o que seria a continuação normal do corredor.

Chegando a única conclusão que poderia chegar, Harry só supôs que aquela era uma porta dimensional, ele teria que abri-la para poder chegar na "sala de arquivos".

Contornando novamente a porta para voltar a sua frente, o moreno dessa vez se viu de frente a uma estranha garotinha parada na frente da misteriosa porta.

A menininha, que antes com certeza não estava lá, vestia um vestido negro com babados e vários laços cor de rosa, calçando botas da mesma cor. Seu cabelo era muito longo, preso a duas tranças grossas que saiam de um coque no topo de sua cabeça.

Além do vestido de designer antigo, o que era mais sombrio na menininha era que seu rosto era completamente coberto por um grosso tecido negro com palavra "indifferente" gravado nele.

- Você é quem busca a minha sala? – uma fina voz infantil saiu ligeiramente abafada por detrás do tecido negro.

- Eu estou procurando a "Sala de Arquivos". – Harry diz incerto se era com ela mesmo com quem deveria tratar.

- Acredita que o que busca está aqui? Entrará para procurar?

- Eu... Disseram-me que é aqui onde guardam as noticias antigas e... Olha, tem mais alguém aqui com quem eu possa falar?

- Você vê mais alguém aqui? – seu tom era neutro, e realmente não havia deboche em uma vírgula do que dizia, mas mesmo assim Harry não pode deixar de pensar que aquela garotinha deveria estar tirando uma com a sua cara – quem mais parece estar cuidando dessa sala se não eu?

- Você... Não seria por acaso Madame... hmm... Você não seria por acaso Irma Pince? Seria? – Harry pergunta descrente, aquela garota parecia ter no máximo sete anos, ela estava mais para uma linda bonequinha de porcelana gótica do que para o urubu irritadiço que era a bibliotecária de seu mundo.

Sem falar que a própria estatueta de Gilderoy havia dito que a pequena funcionaria trabalhava nessa biblioteca antes mesmo dele chegar a nove anos atrás. Quantos anos aquela menininha poderia ter então?

- Se por acaso esse for o nome que lhe deram para procurar o responsável dessa sala, quem mais eu poderia ser se não?

- Mas, digo... Você tem... Você é...

- As aparências sempre foram fieis para você em sua vida? Aquilo que lhe mostram sempre correspondeu ao senso comum?

Harry mordeu a língua para não estender mais aquela conversa confusa, não sabia o que havia acontecido com a Sra. Pince, mas definitivamente aquela pessoa a sua frente não falava como uma garotinha de sete anos.

- Posso entrar na sua sala? – Decidiu que o melhor era se ater ao que veio.

- Você poderia restringir seu acesso até o período do almoço quando a biblioteca fecha por meia hora?

Aceitando a estranha resposta como um "sim" Harry entra acompanhado pelo silencioso Draco, que não permaneceu tão silencioso no momento que a porta se fechou atrás deles.

- O que diabos foi aquilo? – Draco olhou descrente para a porta – eu pensei que Trelawney tinha ficado estranha, mas essa bateu o recorde.

- Pois é – Harry não pode negar – eu preferia quando ela se satisfazia em apenas mandar os alunos ficarem calados a base de safanões. Pelo menos era menos irritante – o moreno suspira – Você percebeu? Ela só estava falando através de perguntas. Agora eu entendi o que a estatueta do Gilderoy queria dizer.

- É, eu vi – Draco concorda, mas logo se põem pensativo – E aquele véu? Com certeza não da para ver nada através de um tecido tão grosso, mas ela falava com você normalmente, como se pudesse enxergá-lo.

- Talvez seja cega – o moreno arrisca um palpite – com o tempo qualquer um se acostuma com a falta de um dos sentidos.

- E aquela palavra? – Draco parecia determinado a enumerar a cada uma das anormalidades da garotinha - "indifferente"... o que você acha que significa?

- Latin, significa falta de interesse ou apreço, e...

- Eu sei que é latin – Draco diz de maneira quase sibilante – o que eu quero dizer é o que significa ter essa palavra bordada no tecido negro.

- Sei lá – Harry da entre ombros querendo por um fim no assunto – seja o que for que isso tudo queira dizer, não foi para isso que viemos aqui.

Draco ainda ficou resmungando pela falta de interesse de Harry por mais algum tempo. O moreno de certa forma também estava curioso, mas não era como se não tivesse já muito com o que se preocupar para agora arranjar mais um mistério.

O local em que estavam, e onde caminhavam em silêncio, era um longo corredor, estreito o suficiente para uma pessoa passar por vez, tendo presas em suas paredes tochas acesas iluminando o caminho.

A caminhada durou alguns minutos, e por fim chegaram a uma ampla sala vazia de paredes brancas. Ou talvez pudesse ser considerada vazia se não fosse a brilhante esfera que flutuava no centro do aposento.

Os dois rapazes se aproximam da esfera para olhá-la de perto.

- Er... e agora? – Harry pergunta

- Acho que você deve segurá-la ou coisa do gênero – Draco arrisca um palpite.

Um pouco temeroso Harry coloca o livro que Neville havia pedido no chão, se posiciona exatamente na frente da esfera, estica a mão e a segura. Mal ele a toca e tudo ao seu redor se torna negro e uma enxurrada de pequenas informações soltas começam a correr diante de seus olhos. Sem conseguir assimilá-las ele solta o estranho objeto caindo para trás sentindo uma forte dor de cabeça.

- Harry!!! – Draco se ajoelha ao lado do moreno e o observa de maneira preocupada – O que houve?

- Eu... não sei bem...

Harry explica o que aconteceu depois de tocar na esfera e ambos concordaram que como Harry não havia segurado a esfera atrás de uma informação especifica toda a informação armazenada veio junta em um único golpe.

Tentando se concentrar em uma informação especifica por vez, Harry voltou a segurar a esfera, e assim como antes tudo ao seu redor ficou escuro, mas desta vez diante de seus olhos apareceram um a um os artigos antigos de jornal referentes ao assunto que estava procurando.

O texugo riu com a associação que não pode deixar de fazer, pois definitivamente aquilo parecia uma espécie de Google mágico.

Dessa maneira ele pode finalmente se atualizar de vários detalhes desse mundo, como:

- A guerra contra Voldemort nesse mundo está durando cerca de dez anos, onde o lado das trevas e o lado da luz tem o Reino Unido dividido abertamente entre luz e trevas, e alguns poucos países do exterior se envolvem no conflito.

- O ministro da magia, para a surpresa de Harry, era nada mais nada menos que Alastor Moody. O que explica por que o governo estava em uma posição tão ofensiva com relação aos comensais.

- Hogwarts é considerada uma traidora para o lado da luz por muitos, mas mesmo assim, por ser a maior instituição inglesa, ainda recebe um grande números de matriculas.

- Os comensais não escondem mais suas identidades e assumem posições realmente importantes, mas isso sem deixar os territórios das trevas, a economia graças a isso virou um verdadeiro caos.

Entre outras coisas. Harry leu e leu por horas sobre as tragédias e perdas de ambos os lados da guerra, alguns jornais eram completamente parciais, outros eram mais honestos com seus leitores, mas no fim Harry realmente não sentiu simpatia por nenhum dos lados.

Mesmo que um dos lados pregasse o extermínio dos muggles, não era como se o outro estivesse lutando essencialmente em defesas dos oprimidos. Muitas de suas ações pelo que ele viu foram bem questionáveis, varias famílias das trevas que não estavam involucradas com a guerra haviam sido atacadas sem um pingo de piedade, vários julgamentos apressados haviam sido executados, e a lista de ocorrências absurdas apenas crescia.

Mood, apesar das boas intenções, é um guerreiro, e colocar alguém que pensa na cor do sangue de seu adversário antes da proteção do seu próprio povo, talvez tenha sido um erro.

Não que Harry quisesse se meter em assuntos político, longe disso...

Mas tinha coisas que não puderam deixar de abalar o moreno.

Foi ainda vagando entre as varias e varias noticias sobre os atentados dos últimos anos que Harry viu por acaso um nome que fez seu estomago revirar:

Weasleys.

A noticia era pequena, e sem grandes detalhes, mas foi o suficiente para fazer o coração de Harry se comprimir no peito, não impedindo que sua busca agora se centrasse apenas no assunto daquela pequena reportagem.

Noticia por noticia, sua mente as fazia passar vertiginosamente diante seus olhos contendo sempre o mesmo tema, os detalhes foram se tornando doentiamente repetitivos, e alguns tinham imagens que se moviam que quase fizeram com que Harry vomitasse ali mesmo.

Não sabia o que sentia: ódio, impotência, tristeza. Chegou ao ponto em que ele nem mesmo conseguia ler, apenas deixava as noticias passarem diante de seus olhos.

E finalmente não pode mais.

Soltou a esfera com nojo e tendo a face branca dá alguns passos para trás, leva suas mãos ao rosto e fechando os olhos implora que aquilo seja um pesadelo. Sem nem ele mesmo perceber, seu corpo se deixava cair lentamente, pois suas pernas não pareciam mais ser capazes de sustentá-lo.

Draco o olhou preocupado, imaginando o que poderia o ter abalado tanto.

- Mortos... – murmurou o moreno.

- Mortos? – Draco repete a palavra com certo receio à medida que se aproxima.

- Mortos... os Weasleys... O Sr. e a Sra. Weasley estão...

- Não pode ser – Draco finalmente deixa a ficha cair – Quero dizer, como podem estar mortos? Nesse mundo...

- MAS ESTÃO!!! – Harry vira o rosto de maneira irritada para Draco – estão mortos, e pelo que diz o jornal, eles foram... Foram torturados e mortos há alguns anos por comensais e... – Harry sente as lágrimas caírem por seus olhos ao pensar na primeira família que teve mais uma vez se esvair por entre seus dedos.- e... e...

- Eles não estão mortos – Draco encara o moreno com determinação querendo mais que tudo poder abraçá-lo – não importa o que esse jornal de quinta diga, até o dia em que vocês troquem ao menos uma palavra. Eles não podem morrer. Logo eles não estão mortos.

Harry mordeu o lábio inferior em pleno sinal de incerteza, aquilo realmente o destroçou, e respirando fundo tentou ser racional, "eles não estão mortos, eles não estão mortos...".

- Os jornais diziam que varias famílias da luz foram atacadas naquele dia. – respirando fundo o moreno fecha os olhos e tenta digerir com calma toda a informação recente – Falaram que acharam os corpos dos srs. Weasleys estirados na sala e não muito longe estava Kingsley inconsciente, com a garganta dilacerada, mas milagrosamente vivo. –dizer cada palavra era como sentir punhais o perfurando – Apesar de mencionarem que Rony, Fred, Jorge , estavam no colégio, e Percy trabalhando no ministério, nenhum disse aonde estão, ou qual o destino de Bill, Charles e Giny.

- Como se eles não existissem? – Draco pergunta com tato.

- Não, ao mencionar os integrantes da família Weasley seus nomes são citados, mas na hora de relacioná-los com o incidente eles são completamente ignorados.

- Informação sigilosa... – Draco murmura – típico do ministério, por alguma razão devem ter impedido a imprensa de divulgar sobre o envolvimento deles.

- Não só isso eles ocultaram – Harry diz entre dentes, ainda de olhos fechados – apesar de dizer que os comensais que fizeram isso foram presos, eles nem por um segundo dizem os seus nomes.

Nenhum dos dois sabia bem o que falar depois daquilo. Aproveitando o momento para regularizar a respiração, Harry inspira fundo e solta o ar lentamente.

As seguintes palavras foram ditas com uma frieza que assustou até mesmo a Draco.

- Foi dito no jornal que eles foram enterrados no cemitério de "Ottery St. Catchpole" – quando voltou a abri seus olhos eles pareciam duas esmeraldas frias – não sei onde fica isso, mas assim que tiver a chance de escapar daqui irei até lá.

- Harry, eu já disse, eles não estão mor...

- E abrirei seus caixões.

Harry se levanta do chão ainda sob o olhar perplexo de Draco pela frase que havia dito

- Abrirei seus caixões – repete com firmeza – tocarei suas peles frias, farei todos os exames possíveis, e comprovarei se eles são ou não o Sr. e a Sra. Weasley.

O moreno sem esperar por seu companheiro, apanha o livro que havia posto no chão e caminha em direção ao corredor de onde veio.

- E se por acaso for eles? – Draco pergunta sem querer se contradizer, apenas por curiosidade – O que pretende fazer no caso improvável de serem eles.

- Não é obvio? – o moreno vira levemente o rosto para trás lançando um olhar que fez Draco estremecer por dentro. O verde, frio como o uma pedra preciosa, começava a criar pequenos destelhos amarelos – farei questão de descobrir quem foi que os colocou lá, para então garantir que para ele a dor de um cruciatos pareça cócegas, e que entre gritos e suplicas me implore que o envie para o inferno que merece.

Harry não disse mais nada na caminhada de volta a estranha porta, aos poucos sua respiração voltou ao normal, e seus olhos voltaram a ser plenamente verdes. Draco não comentou, mas minutos atrás ele mesmo sentiu medo de andar próximo a Harry.

Sempre teve um pouco de receio quando Harry demonstrava esse lado seu.

Essa fúria selvagem.

- Pode achar aquilo que buscava?

Disse uma vozinha infantil assim que Harry passou novamente pela porta.

Pince estava exatamente aonde havia ficado quando eles entraram horas atrás.

- Mais, achei muito mais – diz com certa melancolia, mas definitivamente mais recuperado do choque.

- A busca de uma pessoa quando não vê alem do que seus olhos alcançam poderia ser considerada completa?

Sem a mínima paciência para tentar traduzir as divagações questionadoras da loirinha, Harry apenas acenou com a cabeça em sinal de despedida e mais uma vez se pos a caminhar, desta vez tendo como destino a saída.

Mantendo seu rosto virado para a direção em que Harry seguia, a menininha percebe que alguém se aproxima dela por detrás. Parando ao lado do batente da porta a outra pessoa observa Harry se afastar.

De baixo do grosso tecido que cobre o rosto de Pince um sorriso nasce, e sua voz não é mais tão impassível como antes.

- Veio me ver ou ao rapaz? – a menininha se vira e abraça a cintura da pessoa adulta.

- Ele demorou bastante a vir até aqui – diz de maneira séria a pessoa sem nem olhar para a alegre menininha. – talvez estivesse tão focado em achar que suas respostas poderiam vir apenas do centauro que não pensou em outros meios alternativos discretos de informação.

- Por que você então não vira um "meio alternativo discreto de informação"? – a menor puxa a barra da manga da pessoa que abraçava atrás de atenção.

- Por que assim não teria graça – a pessoa afaga a cabeça da menininha fazendo o sorriso da pequena aumentar.

- Acha que apenas dar aquelas poções já é ajuda mais que suficiente?

- Menininha intrometida – resmunga, mas sem muita irritação – Não digo que não pretendo ajuda-lo. Esse rapaz me agrada de certa forma. Mas ajudá-lo de maneira muito direta, ao menos agora, atrapalharia na sua harmonização com esse mundo, ele deve aprender o máximo que puder sozinho.

A pequena apertou mais forte a cintura que abraçava e esconde seu rosto nas vestes daquela pessoa

- Por que você não vem mais por aqui? – a boca da criança forma um beicinho – Se não fosse pelo jovem Potter você nem ao menos viria aqui, não é?

A pessoa abre a boca para responder, mas sabia que não poderia mentir, não para aquela menininha que sempre sabe a verdade. Apenas se permitiu suspirar e com verdadeira pena dizer.

– Você sabe que não sou quem você pensa que sou, não sabe? Desde que eu cheguei há alguns anos atrás você deve ter percebido. Não importa o quanto você finja para si mesma, eu não sou...

- Quanto tempo mais você vai dizer essa bobagem? – a meninha diz soltando uma risadinha divertida – Se você não fosse essa pessoa, por que sua magia teria a mesma "firma mágica"?

E ficando naquela posição por mais alguns minutos, a pessoa abraçada afaga calmamente a cabecinha loira dissimulando um pequeno suspiro.

"Alguém cercado de mentiras que busca algumas poucas verdades" seus olhos se mantêm fixos nas costas de Harry que se afastava "alguém que tem todas as verdades, mas se agarra com unhas e dentes em uma única mentira" beija o topo da cabeça da criança "Quem dos dois é mais patético?"

Sorrindo de maneira marota, a pessoa adulta fecha os olhos e se concentra. No momento seguinte a pequena Pince tropeça alguns passos quando o apoio em que se abraçava desaparece repentinamente, e ao recobra o equilíbrio sente algo pesado cair sobre seu ombro.

Empoleirado nele estava um belo corvo.

- Você sabe o quanto me irrito toda vez que você faz isso? – a menininha bate o pé, contrariada, sem deixar de encarar com reprovação a ave.

- Craa craaa – responde a criatura com uma expressão bem similar a de um sorriso.

- Me acostumar? Mesmo depois de tantos anos acha que vou me acostumar?

- Craa craa craa – a ave move suas asas como se "desse entre ombros" e continuou a grasnar com um tom mais sério – cra cra craaaa

- Devo supor então que por ora não terei o ar de sua graça por mais algum tempo? – diz a menina com certo desdém para encobrir a decepção – que devo voltar a ficar sozinha nessa biblioteca?

- Craaa craaa craaa.

A menininha abaixa a cabeça diante da reprimenda que recebeu da ave e apertando as palmas de suas mãos diz de maneira menos atrevida.

- Quer que abra então a janela para você agora?

- Craaa.

Sem mais trocas de palavras a versão pequena da Pince se afasta da porta misteriosa que cuida, atravessa alguns corredores e caminha até a janela mais próxima.

Assim que destrava o trinco e abre as pequenas portinholas de madeira sente o peso sobre seu ombro sumir e um vulto negro atravessa a abertura a sua frente em alta velocidade. Alçando um gracioso vôo, o corvo faz algumas piruetas no ar, alegre por poder esticar as asas e adentra a floresta proibida.

Tudo isso sendo observado pela sorridente e melancólica menininha vestida de negro

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Com novos problemas em mente e com um loiro incorpóreo em seus calcanhares, Harry volta a se embrenhar no mar de prateleiras tentando se lembra do caminho de volta.

Havia passado tantas horas na sala de arquivos que agora a biblioteca, assim como havia previsto Dumbledore, estava abarrotada de alunos, a maioria sendo do quinto até o sétimo ano.

Ao perceber a presença de Harry vários fecharam a cara com desgosto, outros abriram sorrisos malvados, e como estava demorando a acontecer: uma nova sessão de empurrões teve inicio.

Estando em um lugar apertado como aquele, Harry não apenas era empurrado, mas algumas vezes batia dolorosamente as costas contra as prateleiras.

Suspirando com paciência, o "texugo maravilha" apenas ignorava e seguia em frente.

Foi em um desses empurrões especialmente fortes que o aparentemente inevitável aconteceu.

BUUUM

Harry tropeçou e caiu de costas sobre alguém, o arrastando junto com ele para o chão.

- Aiii – uma voz geme a baixo dele.

- Uiii – Harry dolorido massageia o braço que na queda bateu contra a prateleira ao lado, sendo esse o maior dano, já que mesmo caindo, algo macio havia aparado a queda.

Olhando ao redor, pode ver as costas de alguém conhecido se afastando, e por mera intuição pode adivinhar quem havia lhe dado o "empurrão da vez".

Kingsley.

- Qual é a desse cara? – resmunga para si mesmo – Tá certo que o "colégio e meio" me odeia, mas...

- Poderia sair de cima de mim? Apenas se não for muito incomodo, é claro. – o "algo macio" abaixo dele disse de uma maneira familiarmente venenosa.

Harry levantou em um pulo e se virando para ver quem havia arrastado para o chão, teve que prender o riso.

Severus estaca caído com as pernas ligeiramente abertas, as mãos para trás apoiando o corpo e os cabelos caindo desgrenhados na frente do rosto, ainda irritando e meio confuso graças à queda. Ao seu redor estavam vários pedaços de pergaminho e o livro que Harry havia pegado para Neville.

As pessoas ao redor passavam e riam da desastrosa situação, e Harry envergonhado por ter também no fundo achado graça estende a mão para ajudá-lo a se levantar. Mas o moreno mais velho esbofeteia a mão para longe e ao invés de se levantar se coloca de quatro para recolher as folhas espalhadas.

Draco olha para tudo aquilo com desaprovação, não gostava de ver seu adorado padrinho naquela situação.

- E então? Vai ficar ai parado com cara de idiota ou vai ajudá-lo? – O loiro diz de maneira irritada.

- Eu sei – Harry sussurra para Draco – já estou indo.

Ainda com peso na consciência, Harry se ajoelha para ajudar a recolher as folhas. Foi um trabalho silencioso, onde um ignorava o outro, e de vez em quando tinham que passar pela situação constrangedora de ter que ver alguém pisar no pergaminho que estava preste a recolher e esperar que a pessoa tivesse a boa vontade de tirar o pé.

Claro que Snape algumas vezes ajudava as pessoas em questão a "criar boa vontade" com um ou outro malefício.

Com tudo recolhido, e mais uma vez tendo o livro de Neville debaixo de seu braço, Harry se levanta sendo seguido por Severus e lhe entrega as folhas que recolheu.

- Desculpe pela queda – o Hufflepuff diz sem jeito.

- Não se desculpe apenas por que existem pessoas que não são capazes de caminhar sem desrespeitar o espaço pessoal dos de mais. – tais palavras poderiam ser simplesmente traduzidas como: "não se preocupe, eu sei que a culpa não foi sua."

Agradecendo de maneira seca a ajuda o Slytherin pega as folhas da mão de Harry e tenta se afastar do texugo. O novato estranha a pressa com que o outro se afasta e ao ver que seria a mesma direção que deveria seguir vai atrás dele.

Severus não parecia muito disposto a conversar, mas Harry estava determinado a estabelecer amizade com o mais velho, no jantar passado Snape se provou uma pessoa reservada, por isso achou que se queria estabelecer uma relação deveria começar de sua parte.

Draco percebeu as intenções de Harry e seguiu silencioso para observar a interação.

- Eu pude ver, enquanto recolhia os pergaminhos, que essas anotações não eram sobre nenhum feitiço que eu reconheça. – Harry arriscou um assunto que talvez animasse o outro a falar.

- E devo supor então que você conhece todos os feitiços existentes... – resmunga mordaz.

- Não – "apesar de que o acervo de feitiços em minha memória deveria ser mais abrangente do que o de qualquer biblioteca escolar" – mas eles não pareciam ser exatamente... Tradicionais.

- Por que não diz logo que o que estou mexendo é magia negra. – Severus diz de maneira defensiva com um tom irritado.

Harry sorriu com a resposta do outro, era de se esperar tal reação, "então devo supor que o próximo passo irá te fazer baixar a guarda".

- Por que isso é obvio. – O riso contido do texugo atraiu o olhar desconfiado de Severus – O que eu digo é que mesmo dentro de magia negra não me lembro de ter visto nada semelhante.

A magia negra ainda era um grande tabu para as famílias da luz, já para as das travas, se tornou um assunto bastante corriqueiro, ainda mais agora que não tinham que esconder suas naturezas.

O problema era que o Reino Unido, graças à longa guerra que ocorria, não apresenta qualquer família das trevas que não fosse seguidora da pureza do sangue. Então, por mais interessantes que fossem as descobertas de Severus, ninguém demonstraria o mínimo interesse por qualquer coisa que viesse "da pequena mancha na milenar família Snape".

- Você... Estuda magia negra? – As palavras saíram não de todo convencidas, mas Harry pode sentir uma pontinha de esperança. Um tipo de esperança que uma vez já sentiu: a esperança de que alguém de alguma forma o entendesse.

Aquilo aqueceu de uma maneira estranha o coração do jovem texugo.

- Cof cof – Harry tenta disfarçar a estranha sensação para em seguida se recompor e voltar a sorrir tranquilamente – é interessante, mas ainda sim não consigo me lembrar de nenhum desses feitiços nos livros que eu li.

- Por que são invenções minhas.

Bingo! Era isso que Harry queria que ele admitisse, o moreno havia reconhecido uma ou outra criação de Severus naqueles papeis, como por exemplo, o sectusempra, mas não poderia dizer isso, não sem que o outro admitir primeiro que eram obras suas.

- E funcionam? – pergunta com falsa expectativa.

- Bem – o moreno Slytherin parecia ganhar mais confiança ao lado de Harry – algumas obviamente são só teóricas, mas as que eu pude testar...

- Foram todo um êxito – Harry termina pelo outro enquanto puxa uma das folhas que ele segurava – eu fiquei um pouco admirado quando eu as li de relance, você soube canalizar bem as palavras escolhidas, mesmo sem executá-las dá para ter uma idéia que não é algo simplesmente alheatório como os feitiços que alguns garotos de nossa idade normalmente inventam.

Severus não soube bem o que responder, apenas observou calado o semblante sério de Harry enquanto o mais novo lia as suas experiências, que de vez em quando se transformavam em sorrisos encorajadores.

E certo orgulho cresceu em seu interior a cada comentário que lhe era brindado.

Nunca ninguém havia elogiado seus experimentos alem de Bella e Narcisa.

Nunca ninguém tentou entende-los mais alem ao saber que magia negra estava envolvida.

Nunca ninguém pareceu tão disposto a entendê-lo.

E mesmo achando "essa pessoa que estava disposta" não sabia como reagir diante dela, por sempre o tratarem com desconfiança ou desprezo, a serpente se acostumou a falar com os de mais de forma agressiva ou submissa. Mesmo com suas primas ele não era acometido por essa estranha vontade que sentia ao ouvir a voz desse estranho novato.

"Demônios, o que isso significa? Por que eu sinto essa estranha vontade de sorrir?"

No começo da conversa, o loiro incorpóreo que acompanhava silenciosamente a tudo sorria interiormente ao pensar que de certa forma era golpe baixo de Harry tentar atingir o ego de Severus usando as tão mal vistas maldições do padrinho para se identificarem.

Mas aos poucos essa sensação foi passando.

Harry conhecia cada um dos encantamentos que discutiam, mas mesmo assim ele, à medida que conversavam, parecia realmente interessado com cada etapa do processo de idealização, e em poucos minutos o próprio Harry parecia mais entusiasmado com a conversa que o próprio Snape.

O texugo pelo jeito caiu na própria armadilha.

Já Severus, com plano ou sem plano, se abria pouco a pouco e mostrava o mesmo entusiasmo em explicar. Por momentos ambos começaram a rir de um ou outro comentário descontraído.

Severus Snape estava sendo descontraído?

Draco repetia para si mesmo:

"Harry apenas quer compensar os anos de solidão de Severus, apenas isso."

Mas a cada passo que avançavam o sorriso de Harry se tornava mais autêntico, e a aura de relaxamento dos dois morenos se expandia.

Draco então finalmente se perguntou se no final não era ele quem estava sobrando ali.

Eles estavam quase na área de estudo quando Harry percebeu que diferente de antes, Severus agora olhava concentradamente para o seu rosto, e curioso pergunta:

- Hmmm, o que foi?

- Hã? Ah... nada – o outro moreno pareceu sem jeito mas não desviou o rosto – é que eu achei meio estranho... Ontem quando você mergulhou no lago e voltou... bem... você estava de óculos não estava?

- Estava.

- Então como eles não caíram de seu rosto quando entrou na água?

- Feitiço. – o moreno da entre ombros – Neville teve dó de minha pobre alma e colocou um feitiço em meus óculos para evitar que eles caíssem ou embaçassem.

Isso aconteceu na noite de sexta-feira um pouco antes dos rapazes irem dormir, vários alunos que usam óculos fazem esse tipo de coisa, e como Harry não conseguia canalizar a sua magia teve que pedir para Neville.

- Hmmm – os olhos negros subiram um pouco ainda tendo o rosto de Harry como alvo. – E também... No dia... Eu percebi que você tem uma cicatriz na testa.

- Cica... ah – Harry ergue a franja mostrando a lendária cicatriz em forma de raio – Esta? Eu tinha até me esquecido dela, de onde eu venho as pessoas reparam tão rápido nela, que aqui, onde ninguém parece notá-la muito, eu até me esqueci que existia. Não é nada de mais, só foi um pequeno acidente de quando eu era pequeno.

Harry realmente não se lembrava muito da cicatriz nos últimos dias. O fim da guerra também levou ao fim as dores de cabeça incessantes, deixando para trás apenas os pesadelos gravados em seu subconsciente. E como nesse mundo - mesmo tendo um Voldemort - ela não voltou a doer, ele simplesmente a ignorou.

- E também percebi... – Severus meio que se deixando levar ia dizer algo, mas se deteve.

- Percebeu? – Harry pergunta novamente curioso.

- Nada, não é nada.

Draco bufa exasperado, aquele clima estava estranho, e definitivamente não sabia o que pensar.

Queria que seu padrinho tivesse amigos.

Queria que Harry e seu padrinho fossem amigos.

Mas algo em seu interior dizia que aquilo, a cena que estava presenciando, não era o que realmente queria.

"Que bobagem, durante anos eu tentei fazer meu padrinho e Harry se darem bem, que momento melhor para tornar isso realidade do que agora?" Draco prende os olhos nas duas costas que aos poucos ganhavam distância. "E se eu me lembro bem, a mãe de Harry e Severus foram bons amigos em sua infância, talvez Severus esteja aceitando tão rápido Harry exatamente por que aparentemente Lílian Evans não estuda em Hogwarts, talvez seja tudo por uma questão de equilíbrio. Isso mesmo! Severus deve estar apenas instintivamente tentando 'substituir' Lílian Evans".

O loiro estava tão distraído tentando se auto convencer que tropeça nos próprios pés.

Tentando recobrar o equilíbrio ergue os braços para frente e uma de suas mãos atravessa a cabeça de Severus.

- O que foi Hardnet? – Snape pergunta ao ver a cara de espanto que o mais novo faz de repente.

- Na... nada – gagueja Harry, ainda impactado com a cena rápida da ponta dos dedos de Draco cruzando o rosto de Severus. – nada de mais – diz mais confiante e acelera o passo sendo seguido por um confuso Severus.

Draco não segue os dois, apenas tenta absorver o choque que teve.

"Também percebi.... tão bonitos... olhos verdes entre mechas negras... tão bonitos".

Aquela voz que ecoava em sua cabeça era idêntica a de Severus, ela havia começado a ressoar de maneira vaga no momento que seus dedos atravessaram a cabeça de seu padrinho.

O que isso poderia significar?

Observando Harry se afastar com Severus em direção as mesas, não soube por que ao invés de uma conclusão uma estranha lembrança lhe veio à mente.

Um segredo regado a muito uísque de fogo que Severus havia lhe confiado meses, quem sabe até mesmo um ano antes de morrer.

"Apenas uma pessoa no mundo um dia quis ser realmente minha amiga, apenas uma pessoa no mundo me buscou sem preconceitos ou segundas intenções. Em meio a tanta pureza e boa vontade, quem seria capaz de não se deixar envolver? Podendo afagar aqueles cabelos ruivos e sendo alvo daqueles belos olhos verdes, quem poderia não se apaixonar?"

E uma nova pergunta nasceu em Draco.

"Até que ponto o Severus desse mundo estava disposto a substituir Lílian Evans que nunca conheceu pelo meu Harry"

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Chegando quase ao centro da área de estudo, Harry havia estado tão absorvido na conversa retomada que estranhou quando olhou para o lado e não viu Draco por perto.

"Será que o tempo dele se esgotou e ele partiu sem me dizer nada?"

Tentando não dar mais importância do que o assunto merecia Harry volta a se concentrar em conversar com Severus. Mais tarde brigaria com o loiro por isso, e pela brincadeira sem graça de atravessar a cabeça de Snape com a mão. Aquilo quase o matou do coração.

No momento estava feliz por aparentemente ter conquistado um pouco da confiança de Snape. Não apenas por pena, Harry queria realmente se tornar amigo do outro garoto. Severus parecia ser bem solitário, sempre acompanhado apenas daquelas duas garotas estranhas, e azucrinado pelos...

- Ora o que temos aqui!!!

...Marotos.

A voz que chamou a atenção deles era a de Rony. Não muito longe, a umas duas mesas de distância deles, três dos quatro marotos estavam sentados entre pergaminhos e livros, uma cena que de certo Harry não esperava, Marotos e bibliotecas não pareciam duas palavras que coubessem com facilidade na mesma oração.

- Seboso!!! – James e Rony fizeram coro alegremente enquanto Remus abaixava a cabeça com cansaço, aparentemente a presença de Severus havia estragado o seu plano: "vamos colocar um pouco de cultura na cabeça oca de meus amigos".

- Eu... – Severus aperta os punhos com raiva e se vira para Harry – eu estou indo.

Harry franze o cenho confuso. Não que quisesse que o outro pulasse no pescoço de seu pai, mas essa não era a reação muito costumeira vindo de Severus em uma situação dessas.

- Que é isso Seboso? Você mal chegou, por que a pressa? – Rony parecia animado em continuar com a brincadeira.

- Ora Fang, não prenda o nosso amigo caspento – James falava com um falso tom de benevolência – ele deve estar indo para o lago, pelo jeito ele não deu a sua nadada matinal.

Cruel... Harry observava em primeira mão como seu pai humilhava Snape, e não sentia nem tanto pelo Slytherin, sua aflição era ver mais uma vez essa face de seu pai.

Mas novamente, diferente das outras vezes, Severus não parecia disposto a responder.

Snape apenas não queria estender essa cena vergonhosa, não na frente dele... Desse estranho novato.

- Estou indo – o Slytherin repete mais baixo.

E se vira para ir, e diante da face resignada do outro, Harry só tinha uma coisa a dizer:

- Não se esqueça do meu pavê.

- Como? – Severus vira o rosto para encara Harry e esse, como era de se esperar, sorri.

- Meu pavê – Harry diz com simplicidade – quando formos almoçar juntos de tarde traga novamente pavê. Todos adoraram da ultima vez.

- Almoçar com vocês de novo? Você está me convidando?– a serpente não parecia ter pensado que tal acontecimento poderia se repetir.

- Não – Harry responde tão rápido que Snape por segundos perde o chão – amigos não precisam de convites.

"Amigos" aquela palavra dançou na mente do sextoanista como algo incompreensível e ao mesmo tempo precioso, "amigos", não entendia bem o conceito, mas sabia que era algo a se cuidar.

"Amigos".

- Nos vemos então – Severus diz no alto de sua dignidade e se virando novamente parte.

- Sebo...- James se levanta para dizer algo, mas se detêm ao cruzar o olhar com Harry que se põem em sua frente.

- Sabe Potter? – o aparentemente mais novo diz com um sorriso nos lábios – Severus é um dos meus poucos amigos nesse colégio, para mim seria uma lástima se algo acontecesse com ele, não acha?

James encara o mais baixo por alguns segundo antes de pescar a indireta que poderia ser traduzida mais ou menos assim: "Idiota, nós temos uma divida de honra, até que a quite não se meta comigo ou com meus amigos"

O Gryffindor sorri de lado. "Esse moleque tem realmente coragem."

Voltando a se sentar o príncipe dos leões parecia querer fazer como se nada tivesse acontecido, e não seria Harry a declinar a chance.

- É impressão minha ou toda vez que você encontra o seu pai vocês tem que passar por essa faze de pré-intimidação? – a voz entediada de Draco alertou Harry que o loiro não havia no fim das contas ido embora, mas também não era como se ele pudesse responder no momento.

"Não posso negar que até o momento eu não tenha tido os melhores começos de conversa com o meu pai" Harry suspira interiormente pensando em como recomeçar uma conversa sem maiores tensões. "Afinal, mesmo não gostando muito de alguma de suas ações, não posso desperdiçar a chance de me aproximar dele".

- O que vocês fazem por aqui – Harry pergunta com genuína curiosidade, se mantendo de pé.

- Não é obvio? – Rony diz meio irritado enquanto folheia um dos livros a sua frente.

- Hn... – Harry simula um semblante pensativo – Remus obrigou vocês a virem estudar em pleno domingo de manhã?

- Exato – responderam o ruivo e o de rapaz de cabelo negro em um tedioso coro.

- No fim do ano vocês irão me agradecer – Remus resmungou de uma maneira tão "Hermione" que quase fez o texugo rir.

- Bem, isso parece ser algo bem normal por aqui, não? – Harry comenta apontando para o resto da biblioteca cheia de estudantes de um lado para o outro – Porque tem tanta gente aqui a essa hora da manhã? Quero dizer, é o primeiro domingo do ano letivo!

- Os estudos são muito puxados por aqui – James puxa um dos livros que Remus tinha separado – quem é de quinto ano para cima normalmente tem cadeira cativa por essas bandas. NONs, NEMs, sem falar dos que decidem por prestar o ESCs – esse último nome o leão disse com tom de desdém.

Para seu orgulho, Harry não teve que perguntar o que diabos era o ESCs, havia lido algo a respeito nas matérias de jornal que acabara de ler. O ESC, "Exame Seletivo para Comensais" era, como o próprio nome indica, um teste que os alunos do sétimo ano devem prestar se pretendem seguir a "carreira" de comensal. Claro que o governo vê isso com maus olhos, mas dado que a diretora está se lixando para a opinião pública, não se importou em aceitar realizar esse tipo de exame em seu colégio. Isso era um sinal de respeito para com o caminho que qualquer um de seus alunos escolhesse seguir.

Mas com ou sem esse teste, a vida escolar em Hogwarts não era para nada um mar de rosas.

Isso era indiscutível apenas olhando para o horário, onde o número de aulas por dia era maior que o de seu mundo, e que também o número de matérias fixas aumentou em mais três.

Sem falar que Harry tinha sua pequena cota de dever de casa, mesmo tendo apenas até agora um dia de aula. Nada que para alguém como ele precise de consulta em livros ou pergaminhos velhos, seu conhecimento já era mais que o suficiente para responder algumas perguntas em nível de colegial, o que não significava que não teria de passar umas boas horas escrevendo em metros e metros de pergaminhos.

Conseguindo manter a conversa da maneira mais civilizada possível, os estudantes mais velhos foram pouco a pouco esquecendo dos próprios livros e se divertiam ensinando macetes de como se guiar naquela enorme biblioteca para o novato.

No começo havia sido um pequeno custo manter a calma perto de Rony. Para Harry, que acabara de ler aquelas perturbadoras reportagens, ficar perto do ruivo era forçá-lo a relembrar a horrível sensação de perda. Mas com todo o seu autocontrole se manteve firme e conseguiu dissimular sua raiva e tristeza com um cristalino sorriso.

Volta e meia, o texugo captava um olhar questionador por parte de Remus, e sempre que podia tentava tranqüiliza-lo com leves acenos de cabeça como se dissesse:

"Não se preocupe, não vou contar o que aconteceu antes nem para eles nem para ninguém".

Ou ao menos o mais próximo dessa mensagem que um simples aceno de cabeça poderia passar.

Conversa vai conversa vem, e Harry não pode evitar uma pergunta.

- E Black? – o texugo havia reparado a ausência de Sirius desde que havia chegado.

- Deve estar por ai – James diz com mais dês-gana do que pretendia.

- Deve estar por ai com Rondy – Rony complementa de forma maliciosa.

- Rondy? – Harry pergunta confuso.

- Você já deve tê-lo visto por ai, é um tipo que chama bastante a atenção – Remus diz de maneira mais reservada que o ruivo – Sirius tem andado bastante com ele desde o ano passado.

Harry se lembrou do estranho garoto andrógeno que conhecera mais cedo, e por alguma razão, a estranha sensação de já tê-lo conhecido antes não sumia.

- Quando chegamos aqui para encontra o Moony não deu nem dez minutos e o Sirius já disse algo parecido sobre ter visto o Rondy por aqui e logo em seguida saiu atrás dele - Rony falava isso sem tirar os olhos de James como se esperasse uma reação.

- Afinal? – parecendo perceber a provocação do ruivo, James o fuzila com os olhos – viemos aqui para estudar ou o que?

- Oh meu Deus!!! Meia hora fora e meu prezado Prongs já foi contaminado pela influência maléfica do nosso amigo CDF Remus. – disse uma voz brincalhona se aproximando do grupo.

Sirius caminhava com seu jeito "sou o dono do pedaço então não mexam comigo" arrancando suspiros de umas quantas sextanistas sentadas em uma mesa próxima. Se senta ao lado de James e ao se dar conta da presença de Harry o olha por alguns segundos de maneira pensativa para logo cumprimenta-lo com um aceno de cabeça.

- Meia hora... – James resmunga de mau humor – Talvez você pudesse ter dito algo do gênero a duas horas atrás.

- Hei, eu voltei não voltei? – Sirius responde de maneira infantil, e dá um rápido selinho nos lábios de James.

Mas não rápido o suficiente para não surpreender Harry.

"Meu pai e Sirius, Sirius e meu.... iiiiirc".

- Era meio obvio – Draco sorri ao ver a cara transtornada de Harry e com muito prazer joga mais lenha na fogueira – Sabe, eles tem todo aquele lance de sinais corporais troca de olhares...

- Não, não tem – Harry não agüente e murmura uma irritada resposta para o loiro.

- O que você disse? – Remus, que tinha a audição mais afiada entre os Marotos, pareceu ter ouvido Harry.

- Ah... nada, nada. Bem, eu já vou – Harry abria e fechava as mãos, nervoso, sem saber bem como reagir – já atrapalhei o suficiente os pobres esforços de Remus de tornar essa manhã produtiva para vocês.

- Não precisa ir Hardnet – Remus diz com sinceridade – se quiser podemos te ajudar com o dever de casa.

- Na... não – sem olhar para onde James e Sirius estavam sentados, Harry tenta responder prendendo sua visão apenas em Remus – não recebi nada com o que não possa lidar, por hora eu guardo a oferta para outro momento.

Acenando Harry se afasta da mesa com o peito mais leve.

- Ora vamos, não seja exagerado – Draco bufa exasperado – não é como se eles estivessem rolando em cima da mesa ou coisa do tipo.

Enquanto Harry se afasta Draco olha para o quarteto que voltou a estudar, dois integrantes dele em especial.

James e Sirius não pareciam em nada com um casal apesar do que tinha dito anteriormente para perturbar Harry. Não se tocavam muito, alem de alguns socos no ombro ou abraços embriagados de camaradagem. A curiosidade de saber se eles eram realmente ou não um casal era tão grande que não pode resistir.

Iria tentar aquilo que acabara de usar sem querer em seu padrinho.

Não sabia bem o que era ainda, mas aparentemente aquilo fazia com que lesse a mente das outras pessoas, ou pelo menos parte de seus pensamentos.

Harry já havia se embrenhado entre as prateleiras quando tomou a decisão, o loiro sabia que não teria muito tempo, alem do fato de que nesse mundo não podia manter uma distância muito longa do moreno, também não queria que Harry descobrisse sua suposta nova habilidade, não agora.

Se colocando atrás de Black, Draco introduz sua mão na cabeça do adolescente. No começo não sentiu nada, mas de repente, como da outra vez, uma voz que não era a sua ressoou em sua mente.

"Olhando de mais... James... parece interessado... tenho que conferir... se for o caso... tenho que me livrar..."

Tirando sua mão de dentro da cabeça do outro, Draco respira pesadamente. Diferente de antes, não foram apenas palavras que invadiram sua mente, mas sentimentos, algo parecido com preocupação, algo de possessividade, mas indiscutivelmente amor.

Achando aquilo tudo muito inconclusivo, considerou adentrar na mente do "Potter-pai" também, e quando se virou para o moreno de óculos percebeu que James olhava de maneira concentrada para a direção em que Harry havia ido.

- Será que... – Draco falava consigo mesmo quando sente algo forte o puxando desde o ventre para em seguida desaparecer. Por ter ficado mais longe de Harry do que lhe era permitido, o loiro foi obrigado a reaparecer de repente ao lado do texugo, estando o moreno próximo a saída - ... era disso que Black se referia.

- Draco... – Harry murmura irritado – Já disse para parar de aparecer do nada. E do que você está falando? O que tem Sirius?

- Sirius? Ah... nada.

- Sei.

- Mudando de assunto – Draco diz ao notar que já conseguia ver a porta da biblioteca – até que você chegou bem rápido aqui, não me diga que o choque em ver seu pai e seu padrinho juntos foi tão grande que...

O moreno nem se dignou a responder, lançou um olhar contrariado e seguiu em frente.

Harry sabia que nesse mundo muitas coisas tomaram rumos diferentes, mas ver aquilo não pode deixar de ser um choque para ele. Não pela opção sexual de seu pai, reclamar de algo assim seria até mesmo hipócrita da parte dele. Mas vê-lo com alguém que não fosse a sua mãe era muito estranho.

Quase todas as imagens que o texugo tinha de James Potter, era dele aparecendo de alguma forma com Lílian Evans. Vê-lo com alguém que não fosse sua mãe fez nascer um pequeno sentimento de traição. Mas essa era apenas uma pequena parte egoísta e infantil do coração de Harry falando.

Ele nem ao menos sabia se seu pai conhecia ou não a sua mãe nesse mundo paralelo.

Depois do que havia visto naquela manhã, nem poderia garantir que ela estaria viva.

Seguindo para a saída, tudo o que Harry conseguia pensar era em finalmente chegar ao dormitório, entregar o livro para Neville, almoçar, voltar para o dormitório, e só sair de lá na hora do jantar, dependendo de seu humor nem para isso sairia.

Como se as coisas fossem se colocar tão fáceis para o pobre leão em pele de texugo...

A poucos metros da porta uma pessoa se põe em seu caminho. Um rapaz de cabelo castanho, olhos violetas e com um brasão de Slytherin costurado na túnica para bem na frente de Harry.

- Por isso eu adoro andar com você – Draco revira os olhos ao prever mais um pequeno confronto – as surpresas nunca acabam.

Na tentativa de passar pelo silencioso rapaz a sua frente, Harry dá um passo para o lado, mas logo em seguida o outro menino também dá um passo na mesma direção. Harry tenta ignorar isso e dá um outro passo na direção oposta, mas assim como antes o outro rapaz parece fazer questão de andar para o lado e ficar bem no caminho do texugo.

- Tentarei considerar isso como uma inesperada coincidência, e que você não está fazendo isso de propósito – Harry sorri de maneira falsa – e para evitar mais inesperadas coincidências eu vou lhe dar uma dica– o moreno se aproxima do ouvido do mais baixo e sussurra – o meu próximo movimento será para a direita, se você for para e esquerda não ira ficar no meu caminho.

O rapaz de Slytherin ri baixinho, e sussurra uma resposta na mesma altura que Harry havia falado:

- Pensei que você já tivesse se acostumado em ter pessoas em seu caminho.

Afastando as cabeças os dois adolescentes voltam a se encarar, mas dessa vez Harry havia reconhecido o Slytherin a sua frente, era o garoto que sempre via acompanhando Lucius Malfoy.

Para ser sincero, era difícil notar a presença daquele garoto quando está ao lado de Lucius, o rapaz conseguia ser mais baixo e franzino que o próprio Harry, provavelmente por ser mais novo, mas fora isso também tinha essas pesadas olheiras, e uma expressão facial meio apagada.

Mas longe do "brilho natural" de Malfoy, aquele rapaz não era algo a se desconsiderar. Tanto que diante dele, Harry precisou serenar a própria mente e calcular o próximo passo. Por mais delicada que fosse a constituição do jovem a sua frente, o moreno sabia reconhecer um grande "jogador" quando fica na frente de um.

Régulos sorri de lado ao ver a cautela do mais velho. Apesar de ainda não concordar com a opinião de Lucius, Black considerou que talvez o aborto não fosse de se jogar totalmente fora no final das contas.

Dando um passo para o lado, o mais baixo abre caminho para Harry, no final das contas o texugo já era alvo de Lucius. Não seria nada saudável para ele se meter nas "caçadas" de seu amigo.

Ainda um pouco receoso, Harry não desperdiça a oportunidade e avança. Pouco lhe importava o que diabos tinha acabado de acontecer. Não precisava de mais confusão no seu dia.

Mas nem bem havia chegado à porta quando ouviu o mais novo dizer as suas costas:

- Ah é, não se esqueça de mandar meus cumprimentos ao Longbottom.

Assim como nada mais foi dito por parte de Régulos, Harry não se virou para maiores explicações. Apenas abriu a porta e seguiu em frente.

Mas por mais que ignorasse o recém-ocorrido, não pode deixar de imaginar que aquilo seria apenas o começo de uma longa história.

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Apertando o livro de Neville contra seu peito, Harry não queria saber mais de nada, sua única meta era o dormitório de Hufflepuff.

Com passos rápidos, o moreno passava pelos outros alunos fazendo perfeitas fintas. E quando por acidente não podia evitar os eminentes esbarrões, pressionava o próprio ombro para que quem caísse para trás fossem as pessoas que tentassem agredi-lo primeiro.

Draco, que assistia tudo à medida que tentava acompanhar o passo do moreno, não pode deixar de compará-lo uma ou duas vezes em voz alta com um jogador de futebol americano.

A verdade era que Harry nem ao menos ouvia mais os deboches de Draco, era como se ele tivesse entrado no modo automático.

Tão distraído estava que nem ao menos percebeu quando entrou em um corredor deserto.

Ou talvez não teria notado se não tivesse acontecido o que aconteceu a seguir.

- Hmmm não tão rápido.

Uma mão vinda de trás do moreno prendeu o pulso de Harry. E pego de surpresa o moreno só conseguiu entender o que estava acontecendo quando sentiu as costas baterem contra a parede do corredor, seguido pelo som do livro que carregava caindo no chão.

Havia sido encurralado.

Um Greyback malevolamente sorridente o prendia contra a parede grudando o corpo dele contra o seu.

"Merda" pensaram Harry e Draco ao mesmo tempo em uma sincronia impressionante.

- Ora, ora, ora. O que temos aqui? – diz o lobisomem de maneira insinuante a medida que arranca a gravata do pescoço de Harry com apenas um puxão e desabotoa uns poucos botões da camisa - ao menos os botões que a túnica que o moreno usava permitia que fossem abertos - deixando exposto apenas uma pequena parte da clavícula.

- Pensei que já tínhamos passado dessa fase Greyback – diz Harry irritado tentando mover uma das pernas para acertar novamente os países baixos de seu captor, mas na posição em que estava era impossível.

- Oh... E minha pequena esmeralda já sabe meu nome, andou perguntando por ai? – a boca do albino baixou com gozo na pele bronzeada do aparentemente mais novo, e roçando seus lábios na pequena área exposta, continua a falar – Quanta honra.

- Bom, de onde eu vim, quando um cara se esfrega na nossa bunda temos que ter ao menos a decência de aprender o nome dele.

- Tudo pela decência – Fenrir murmura desbocado à medida que deposita com calma na pele de Harry pequenos chupões enquanto uma de suas mãos massageava insinuante a cintura do moreno.

Draco, que mais uma vez só podia observar sem fazer nada abria e fechava a mão com fúria, em uma impotência que nem mesmo conseguia expressar com palavras.

- Tudo pela decência – Harry repete com o mesmo tom, mas com certa raiva à medida que tenta se livrar do corpo que o aprisiona, apenas excitando mais o sádico Slytherin.

- E o que os bons costumes de seu lugar de origem lhe ensinaram a reagir quando alguém lhe faz isso? – a mão que massageava a cintura de Harry desliza para o lado para sem maiores avisos apertar com força uma das nádegas do texugo, ao mesmo tempo em que o lobisomem cola os dois quadris arrancando do mais baixo um curto suspiro surpreendido.

- Dizer eu posso até dizer – Harry diz de maneira maligna, contrariado por Fenrir ter conseguido arrancar aquele ruído vergonhoso de sua boca – mas eu não sei se nessa sociedade em que estamos a extração de membros é bem vista.

- Sendo dono de uma língua tão ferina e de uma mente tão maliciosa – o Slytherin aspira profundamente toda a curva do pescoço de Harry e chegando a altura de sua orelha lambe aquele sensível lóbulo e volta a falar em um sussurro - me surpreende que não tenha caído em Slytherin.

Harry teve realmente que se conter para não soltar outro suspiro, a respiração do lobisomem sobre a área úmida de sua orelha era quase enlouquecedor.

"Malditos hormônios" Harry praguejava com todo o seu ser enquanto se removia para fugir daqueles braços "malditos, malditos, malditos hormônios".

- Você que cismou em se esfregar em mim desde que entrei nesse puto colégio e eu sou o malicioso? Vejo que alem de libidinoso, você não passa da um cachorro com um péssimo senso de classificação.

- Cachorro? Hu hu... definitivamente você é interessante... Mais do que isso, você é o substituto perfeito para a presa que me fez perder. – sua boca se aproximava perigosamente dos lábios de Harry – Será que você geme tão alto quanto o Lupin? Só ah um jeito de saber...

Sabendo o que iria vir a seguir, Harry virou o rosto o mais rápido que pode e antes que os lábios da serpente perseguissem os seus, o texugo tentou jogar sua ultima carta de salvação.

- Lupin, Lupin – cantarolou com um tom de deboche – pensei que ele era seu brinquedinho favorito, mas parece que qualquer um serve, não é?

Para sua surpresa essas palavras tiveram mais efeito do que esperava. Talvez sua teoria não estivesse tão longe da verdade.

Talvez Remus realmente significasse alguma coisa bastante profunda para Greyback, pois ao apenas ouvir o nome do outro lobisomem as caricias obscenas de Fenrir haviam se detido, e quando o comentário mordaz de sua "vitima" chegou ao fim, Greyback ficou paralisado por apenas alguns segundos, antes que de cabeça baixa soltasse o corpo que aprisionava bruscamente e dar alguns passos vacilantes para trás.

"Uuuh" Harry pensa meio atordoado, meio debochado "parece que acertei bem no alvo".

O moreno sabia que deveria dar o fora de lá o mais rápido que pudesse, mas a idéia de dar as costas para aquele licantropo abalado não parecia ser uma das melhores. Sabia que mesmo que estivesse em sua melhor forma nunca conseguiria vencer uma corrida contra um lobisomem, principalmente um do nível de Fenrir.

O melhor era esperar a reação do seu adversário antes de dar o próximo movimento.

Mas o que veio a seguir não era algo que podia chamar de esperado.

O albino havia dado alguns passos na direção da outra parede e se apoiando nela, dando as costas para Harry, responde mais para si mesmo que para o moreno.

- Remus... é diferente.

O lado Gryffindor de Harry se sentiu tentado a perguntar: "diferente em que sentido?". Já o seu lado Slytherin bradava para que ele se aproveitasse que o outro estava de costas para golpeá-lo e que fugisse de lá o mais rápido possível. E uma vozinha bem baixinha, uma voz que havia nascido recentemente nos últimos dias, que reconhecia como sendo o seu lado Hufflepuff falava para oferecer o ombro para o lobisomem desabafar.

Bom... Harry só pode chegar a uma conclusão: Definitivamente estava virando um esquizofrênico.

- Uma tarde.

A voz baixa de Fenrir tira Harry de sua auto-analise. O lobisomem se vira imponente para encarar o texugo.

- Como? – Harry começava a se arrepender de não tê-lo golpeado pelas costas quando teve a chance.

- Passe uma tarde comigo no local onde eu escolher e não direi nada de sua condição a ninguém.

- Hu – Harry sorri de canto de boca – você não sabe nada de minha condição.

- Aí é que se engana minha bela esmerada – ele aspira o ar de uma forma bem canina – apesar de ser um pouco diferente eu sinto o mesmo cheiro meu e de Lupin em você, ainda não sei por que, mas mesmo assim tenho certeza que é quase o mesmo cheiro, o cheiro dos que guardam a "besta" em seu interior. O cheiro dos amaldiçoados pela lua cheia.

Harry sentiu seus pelos da nuca se arrepiar com a menção da lua cheia, e o estremecimento do moreno não passou despercebido para Greyback. À medida que a data da lua cheia se aproximava a sensibilidade deles ficavam a flor da pele.

Fechando a cara em uma expressão séria, Harry disse em um tom que soou similar a um rosnado.

- Pois bem, tente falar a quem quiser sobre a minha condição – Harry ergue a mão e curva os dedos como se deles fossem sair garras – só espero que depois disso você se lembre da minha pequena promessa no dia em que nos conhecemos.

Fenrir sorri ao lembrar da forte "pegada" que o baixinho deu em suas partes baixas na noite do jantar de boas vindas, e das palavras que seguiram o ato:

"Um piu. Dê apenas uma piu sobre a minha condição, e eu repito o mesmo que estou fazendo agora, mas com as minhas garras muito bem sacadas"

Diferente da reação que Harry esperava, Fenrir teve um pequeno acesso de riso. Era inegável que aquele pequeno texugo o divertia.

Ainda com lagrimas nos olhos de tanto rir, Fenrir decidiu abordar o assunto de uma nova maneira.

- Coloquemos dessa forma então: Moramos em um castelo grande, cheio de salões vazios e corredores desertos como esse. Quais são as chances de pequenos acidentes acontecerem?

- Agradeço a preocupação – responde mordaz – mas acho que posso me proteger.

- Oh sim, talvez você possa – seu tom ganha um ar pertubadoramente infantil – mas vem cá, o quão seguro esse ambiente tão propicio a acidentes pode ser a uma pobre primeiranista? Você deve fazer uma idéia, afinal parece ser amigo de duas.

Entendendo o rumo da ameaça uma profunda fúria começou a carcomer o moreno.

- Você não ousaria...

- Ah... – o sorriso de Fenrir se alarga – poucas coisas no mundo são as que eu não ousaria minha pequena esmeralda. E ainda mais com alvos tão fáceis. Talvez a pequena de Hufflepuff seja mais fácil de vigiar para você – tomando novamente o tom maliciosamente infantil de antes o lobisomem adota seu sorriso mais sádico – mas vem cá, quantas vezes por dia você tem a chance de vigiar a pequena de Ravenclaw? Hmmm – o lobisomem finge formular uma expressão pensativa – Quanto tempo vai levar para você considerar que ela está mais atrasada que o normal para o jantar... Quanto tempo você vai demorar para achar o corpo dela completamente...

- Já entendi o ponto – Harry sibila com raiva, arrancando um sorriso vitorioso dos lábios de Fenrir. –Terá a sua tarde, mas tem que me prometer que não contará nada a ninguém – Harry sussurra de maneira maligna ponto bastante ênfase nas palavras seguintes – e nem ferirá a ninguém.

- Não contarei, Nem ferirei. – seu tom ainda era debochado o que fez Harry duvidar se o albino manteria a promessa. – Me encontre ao meio dia na porta de entrada do castelo,

Conseguindo mais do que havia buscado quando seguiu Harry, Greyback dá as costas para o texugo e segue seu caminho deixando para trás um inquieto moreno.

Se pudesse quebrar alguma coisa, nesse momento Draco teria destroçado metade daquele corredor, mas até nisso ele era impotente. Tudo o que pode fazer foi esperar que Harry recuperasse a calma – no momento o moreno respirava profundamente sem tirar os olhos das costas distantes de Fenrir – e por fim pode falar o que lhe entalava a garganta:

- Ok... essa é a parte em que você corre para o seu dormitório se esconde de baixo das cobertas e reza para que a diretora autorize que você realize as provas de fim de ano na sua cama. – Draco diz isso com um tom mais sério do que as suas palavras sugeriam. Ao olhar a expressão compenetrada de Harry ainda observando o lobisomem se afastar um péssimo pressentimento o golpeou – Diga que você não está nem ao menos considerando ir ao encontro dele.

- Eu vou ao encontro dele. – Harry se abaixa para recolher o livro caído e virando na direção oposta a que Fenrir se foi, começa a andar sendo seguido de perto por Draco.

- Você está louco? Não me diga que pretende passar a tarde com um lobisomem faltando poucos dias para a lua cheia, sem um pingo de poder e fora de sua normal forma física? Eu poderia resumir tudo isso que eu acabei de falar em apenas uma palavra: SUICÍDIO!!!

- Não tenho tempo para discutir isso agora, tenho que entregar esse livro para o Neville...

- ESQUECE A DROGA DO LIVRO!!!

- ... e me prepara para o que possa vir.

Draco se calou ao ouvir o tom sério de Harry, o moreno estava naquele estado que antigamente fazia muitos dos soldados da sua unidade tremerem nas bases, estava no modo "Kamikaze". Seja o que for que saísse daquela cabecinha naquele momento seria algo arriscado, algo que jogaria Harry de cabeça.

- Não temos muito tempo – o ex-leão continuava a avançar sem olhar para o lado – Quanto tempo mais você pode ficar por aqui?

A pergunta pegou Draco de surpresa, ele havia se esquecido completamente que o tempo diário dele já deveria estar se esgotando, dado o fato de ter ficado ao lado de Harry desde manhãzinha.

- Vinte minutos, talvez meia hora – murmura envergonhado da própria imprudência ao desperdiçar tanto tempo que poderia ter empregado melhor.

- Suficiente. Preciso de algo de nosso mundo. Você me disse quando me propôs essa "mudança de ares" que transferiria o ouro de minha conta no nosso mundo para o desse.

- Sim, só estou esperando que você tenha sua primeira visita a Hogsmeade para que possa escapar para o beco diagonal e...

- Certo, certo, certo. Mas não é disso do que quero falar agora. Se você pode transportar o ouro para cá, então pode trazer outras coisas, não é?

- Bem, sim. Se forem coisas suas posso transferi-las agora mesmo, se fossem de outra pessoa seria algo mais complicado pois...

- Não se preocupe – o moreno o interrompe mais uma vez – isso o que quero que traga é meu, e se eu tiver que passar uma tarde com Fenrir, temo que possa a chegar a ser muito útil.

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Harry caminhava tendo como destino as portas da frente do castelo.

Faltava cerca de dez minutos para o horário estabelecido pelo lobisomem.

Draco já havia ido e voltado do mundo deles para entregar a "encomenda" de Harry, e aproveitou para gastar os últimos vinte minutos naquele mundo para tentar convencer o moreno a desistir daquela idéia maluca de passar a tarde com Fenrir.

Foram os vinte minutos mais infrutíferos da vida do loiro.

Apesar de ter ido entregar o livro a Neville, não havia gastado muito no dormitório, não tinha tempo para isso, e também por que deveria deixar Neville sozinho por um tempo.

Havia deixado o livro em cima da cabeceira do outro moreno e antes de partir disse:

- Por não saber exatamente o que está acontecendo, não posso me dar o direito de me meter, mas algo posso lhe dizer, pois sou seu amigo: Qualquer que seja o problema que estiver passando, não será deitado nessa cama que encontrará a solução. Ao fugir das preocupações só dará tempo a elas para que cresçam. Não fuja do que lhe prende agora a essa cama Neville, se você tiver algum problema para dar o primeiro passo para frente, eu prometo te ajudar.

O discurso pareceu surtir efeito, Neville havia se remexido debaixo das cobertas e saindo um pouco de seu esconderijo, sorrir daquela forma gentil que sempre aqueceu o coração de quem visse.

A confiança parecia ter crescido um pouco em seu coração, ao menos até ouvir as seguintes palavras de Harry antes que o de cabelos negros saísse do quarto.

- Ah, eu havia me esquecido, Régulos Black te mandou comprimentos.

O novato não chegou a ver, mas um calafrio fez Neville estremecer e um ar de puro pânico se apoderou de sua face.

Não, Harry não viu aquilo, e nem tão pouco ouviu quando fechou a porta atrás de si quando seu amigo sussurrou:

- Black...

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Ainda respirando pesadamente Draco cai deitada de barriga para cima quando volta para o seu mundo. Viajar de um mundo para outro era algo extremamente cansativo, ainda mais quando a viajem dura tanto quanto essa durou.

Precisando de alguns momentos para recuperar o fôlego o loiro fecha os olhos por instantes e respira de forma lenta.

Pego de surpresa, ele sente algo pequeno escalar o seu braço esquerdo para em seguida se sentar no seu peito.

Não era necessário pensar muito para saber quem era.

- Dessa vez você demorou mais do que o normal.

Draco abre os olhos para encarar a pequena estatueta de seu falecido amigo Blaise.

- Sabe que por enquanto não é saudável estender tanto seu tempo por lá. – a estatueta franze o cenho contrariado – ao menos não enquanto houver limitações de tempo.

- Eu não queria deixá-lo... – murmura o loiro de maneira cansada.

- Sei que não queria, você nunca quer – a imagem de bronze revira os olhos – mas não custava nada esperar alguns dias até que pudesse ficar por lá sem se desgastar tanto. Mesmo que você não aparente enquanto está por lá, seu corpo se debilita quando volta para esse mundo.

- Eu não queria deixá-lo – volta a murmurar Draco.

- Você já disse isso, e repito que foi insensatez de sua...

- Eu não queria deixá-lo – Draco leva uma mão para cobrir o rosto – eu não queria deixá-lo. Eu sei desde o começo que isso seria o final de tudo, mas eu realmente, realmente não queira deixá-lo.

Percebendo o que seu dono estava querendo dizer, o pequeno Blaise só pode suspirar e dizer o que era cruelmente obvio.

- Mas agora não existe mais escolha Draco, muito em breve você vai ter que deixá-lo.

- Eu sei... – por de baixo da tremula mão que cobria seu rosto começaram a cair finas e incontáveis lagrimas – mas eu realmente não queria deixá-lo...

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Tchu ru ruuu... e eis que novos personagens entram na saga, e alguns mistérios são desvendados em parte. Devo dizer que a parte em que Harry descobre sobre os Weasleys foi a que mais me deu agonia de escrever. A pergunta agora é, será verdade ou não? Mistérios... mistérios... Já a parte que eu mais me diverti em escrever foi a de Gilderoy, o cara é uma anta, mas cabe como uma luva em cenas de comédia.

Nhaaai, e quanto a Pedro e Mario, eles são os meus dois UNICOS (não sei se alguém conseguiu captar a indireta) personagens originais que vão participar ativamente da trama principal, mas infelizmente por hora eles só vão aparecer em flash-backs.

Eu tenho uma pergunta que gostaria que quem pudesse me respondesse. Quem odeia o Greyback levanta a mão!!!!

Draco: \o/

Severus: \o/

Bem, eu não sei ainda do pessoal que lê a fic, mas eu pessoalmente amo o Greyback. E especialmente nessa fic o albino tem um detalhe que me faz sentir muuuuuita pena dele e ao mesmo tempo muuuuuita raiva de Remus, quem já percebeu o que é de certo compartilha minha opinião. Quem ainda não percebeu, acredito que vai entender do que falo quando ler o próximo capítulo, e vai começar a dividir a mesma opinião que eu. ^_^

Talvez algumas pessoas não tenham gostado muito da minha escolha na música que coloquei na fic. Não é muito comum, ou ao menos eu não li muitas fics que tenha letras de músicas nacionais, ainda mais sendo sertanejas. Bem, quanto a isso só posso dizer que a próxima música que eu vou colocar como tema para Draco e Harry será novamente uma sertaneja, mas ainda vai demorar um pouquinho, se alguém tiver alguma sugestão de música até lá, pode me dar, se ela se encaixar melhor na situação que planejo para o casal eu posso usá-la no lugar da que escolhi.

E devo dizer, esse capítulo foi uma espécie de compensação, afinal, nos próximos dois capítulos o nosso loirinho vai tomar um bom chá de sumiço.

Já vou me preparando psicologicamente para receber as reclamações. He he.

Draco: Ótimo, então pode começar com a minha: Porque DEMÔNIOS o beijo que eu dei em Harry nesse capitulo foi em um flash-back? Eu não deixei bem claro que beijos fora da linha temporal da estória não contam.

Luana: Bem... Primeiro, por que obviamente é impossível fazer o Harry beijar algo imaterial. E segundo por que o beijo desse capitulo não foi o beijo que eu prometi.

Draco: Não?

Luana: Não. Para cumprir o acordo, eu vou ter que esperar você ganhar um corpo sólido no mundo em que Harry mora. Até lá pode demorar um bom bocado...

Draco: O QUE??? – o loiro tingido ergue a sua varinha, indignado.

Luana: Olha pelo lado bom – suando a borbotões a escritora ergue os braços tentando salvar a pele – se o próximo beijo que o Harry der for obrigatoriamente seu, isso quer dizer que por mais que o tempo passe ninguém mais vai ter a mínima chance de beijar o moreno até que você o faça.

Severus: Devo supor então, senhorita Rosette – agora foi a vez do pocionista erguer sua varinha de maneira ameaçante – que minha posição nessa estória no final das contas é a de apenas chupar o dedo.

Luana: Não se preocupe Sevy – dando passinhos para trás a morena procura com os cantos dos olhos a saída mais próxima – o que é seu está guardado. Draco pode ter o próximo beijo, mas não quer dizer necessariamente que seja o ultimo.

Draco: O QUE???

Luana: Ai ai... – suspira cansada – acho que nunca vou conseguir agradar a todo mundo...

Obrigada por acompanharem essa loooooonga primeira parte. No final da segunda parte eu vou colocar as respostas dos reviews do capítulo seis, quem me escreveu dê uma procurada que vai achar a sua resposta por lá.

E não percam o próximo capítulo. Aonde será que Greyback vai levar Harry durante o seu encontro?

Snape e Draco: AQUILO NÃO VAI SER UM ENCONTRO!!!

Bem...-_-" Até o próximo capítulo.