Consegui!!!!! Consegui!!! Depois de muito suor e lagrimas consegui postar esse capítulo... Acontece que eu já o havia terminado desde antes do natal, mas o fanfiction não colaborava na hora de postar... TToTT. Bem, aqui estou de novo, e felizzzzzz ano novo para todos, espero que essa ano traga muitas felicidades a vocês.
Desde já agradeço a todos que gentilmente lêem a minha fic.
E obrigada também a aqueles que me incentivaram tanto mandando um review: Srta. Silver, Srta. Silver, Maíra, m-chan, ...Makie..., Tainá, Eyre Malfoy-Potter, Gika Black , Simca, 2Dobbys, Zia Black, Miyu Amamyia. Em especial a Lucy Blacke, que levantou algo importante sobre os cabelos dos personagens. Por hora eu vou comentar apenas sobre o caso de Greyback, no próximo capítulo, quando responder o seu review eu vou explicar o caso dos outros.
O caso de Fenrir é o mesmo que de Hooch, eu os chamo de albinos, mas na verdade suas peles são bem morenas. É apenas uma velha mania minha, todo o personagem com cabelos branco, cinza ou azul perolado eu chamo de albino. Creio que com relação a Hooch eu já meio que havia expliquei isso durante alguns dos capítulos passados, mas acho que nunca expliquei o caso de Fenrir, me desculpem todos.
Eu queria deixar ao menos isso claro, por que hoje vocês terão uma overdose de Fenrir Greyback.
Três pequenos detalhes:
Primeiro – graças a um review em uma outra fic minha, eu me toquei que algumas pessoas não têm orkut, eu nunca pensei nessa possibilidade, por isso me desculpem, não sou boa com computadores, por isso a solução que achei pode não parecer a melhor. Criei uma nova conta de e-mail aonde guardei as imagens que digitalizei, a medida que eu for desenhando eu vou guardar tanto lá como no orkut: Ahomya Hotaru. Quem quiser ver as imagens é só entrar no e-mail: foivocequempediuhotmail, tudo junto, e usar a senha foivoce, também tudo junto. Espero que assim possa ter facilitado a vida de alguém. ^o^
Segundo – no final do capitulo, Draco esta planejando algo muuuuuuuito longo, por isso se preferirem podem pular, por que mais pro finalzinho-inho-inho do capitulo haverá mais um pequeno desafio para os leitores.
E terceiro – Esse episódio, vai ser longo e algumas partes bem violentas, me desculpo desde já se for do desagrado de alguém, mas era necessário.
Boa sorte e espero que apreciem o fim do desastroso domingo de Harry,
Tenham uma boa leitura. ^o^
Disclaimers:Harry Potter ... Sim... Acho que já ouvi falar dele em algum lugar... hn... Ele tinha uma coruja, não tinha? Talvez... Talvez... Seja como for eu não ganho nada com esse tal de Harry... hn... Potter, isso, eu não ganho nada com Harry Potter ou com os seus personagens.
Capítulo sete: Um conturbado domingo. Parte 2: Sobre meninos e lobos.
4º dia
Eu te marco...
Por que minhas palavras não chegam até você.
Eu te marco...
Para que você se lembre do que é, por mais que negue.
Eu te marco...
Pois só assim você se lembra de olhar para mim.
Eu te marco... Meu amor... Eu apenas te marco...
Por que nunca senti um amor tão possessivamente grande.
Só por isso...
Eu te marco...
A tarde que Harry tinha pela frente estava prometendo.
Recapitulando: Depois de deixar seu atormentado amigo Neville para trás nos dormitórios de Hufflepuff (onde de certo remoeria mais de um de seus "fantasmas do passado"), o moreno teve seu percurso interrompido apenas pela reaparição de Draco que lhe entregou a tão esperada encomenda do mundo a que antes pertencia. E não querendo apostar com a sua sorte – ao menos não depois da manhã de cão que teve – Harry chega o mais rápido que pôde ao portão principal.
Entre ombradas e um ou outro insulto proferido por seus "adoráveis" companheiros de ensino, o moreno cruza as portas do instituto com um curto e frágil fio de esperança ao tentar se convencer que poderia lidar com aquela bizarra situação em que estava se metendo.
A positividade era algo que realmente Harry gostaria de cultivar.
Não que a vida dele até aquele momento tivesse sido um mural de boas lembranças, longe disso, mas é meio que da natureza humana acreditar que não importa o quão fundo ou escuro for o buraco em que você se meta, sempre vai existir uma corda que te ajudara a ser puxado para fora. Basta você saber em que direção estender a mão.
E por mais infelizes que fossem suas experiências, Harry também tentava crer em sua "corda". Tanto que apesar daquele lamentável começo de dia ele ainda ousava pensar que nada poderia torná-lo pior.
Pobre alma iludida...
Aparentemente é verdade quando dizem que Gryffindors (até os que se disfarçam de texugos) só conseguem aprender as coisas da maneira mais difícil.
- Ai
- Ai
Tão distraído estava Harry ao tentar levantar a própria moral que não percebeu a pessoa que subia os degraus de entrada a passos rápidos, e que por acidente foi de encontro com o pobre moreno distraído, levando ambos ao chão.
Ainda sentado no chão, Harry olha quem havia esbarrado nele. Não muito longe e em uma posição similar, estava seu mais novo professor de poções.
Tom Marvolo Riddle.
O texugo não pode mais do que simplesmente suspirar diante de mais uma das injustiças universais. Apesar de ambos terem caído praticamente na mesma posição, comparado com a figura ainda imponente a sua frente, o pequeno moreno deveria estar parecendo àquelas tartarugas marinhas que quando são levadas pelas ondas para a praia ficam de cabeça para baixo, desengonçadas, patéticas e totalmente desprotegidas.
O professor também parecia estar chegando às mesmas conclusões que Harry, pois nem ao menos se dignou a lançar um olhar de ódio para a tartaruga... digo... Para o rapaz, se contentando apenas com um de puro desdém.
O mais velho (Que realmente é mais velho já que enquanto Harry tinha vinte e cinco o professor deveria ter mais de trinta) se levanta e bate nas vestes negras se livrando da poeira e das rugas do tecido, enquanto seu aluno observa tudo com certa letargia, permanecendo caído, esparramado no chão.
Distraído, enquanto desamarrotava a própria roupa, o professor não era consciente, mas "Tom Marvolo Riddle" era um nome que havia se cravado na mente do pequeno moreno desde dois dias atrás. Muitas teorias zanzavam na cabeça do texugo para explicar como pode haver um "muito ativo" Lorde Voldemort aterrorizando todo o Reino Unido ao mesmo tempo que Tom Riddle habita 24 horas o castelo de Hogwarts aterrorizando pobres alunos.
A figura de Voldemort, querendo ou não, não poderia "nascer" sem vir do interior de Riddle, o próprio nome é um anagrama do nome completo do professor de poções, seja quem for o novo lorde, só pode estar nessa posição em duas situações: primeira, recebeu o posto pelas mãos do próprio atual professor de poções; ou segundo, tomou a força o posto. Seja qual for a opção, Riddle, teve sua era negra, e por algum motivo a deixou para trás. As perguntas agora seriam: Como? E por quê?
- Não espere que eu lhe ajude a levantar, pequeno incompetente. – o professor sibila com desprezo, trazendo Harry de volta a realidade. – Creio que seu ego já deve ser grande o suficiente para que possa se apoiar nele e se por de pé. Só espero que seu diminuto cérebro reaprenda como seres humanos andam devidamente até sexta feira, e que consiga caminhar até a minha sala para prestar a sua detenção.
E aparentando não perceber quem havia esbarrado em quem a principio de conversa, ou ao menos disfarçando muito bem não ter reparado, o professor se vira de maneira esvoaçante e se afasta deixando seu aluno de boca aberta.
"Será que quando um professor de poções ainda esta se formando na faculdade tem que pagar alguma matéria de "como insultar os seus alunos dentro dos parâmetros acadêmicos" ou de "como esvoaçar suas vestes negras da melhor maneira para que você pareça um morcego"? Esse cara consegue ser pior do que o Snape quando era meu professor!!! Espera um pouco... SNAPE!!!".
- Merda – o moreno palmeia a própria testa – eu me esqueci completamente que prometi almoçar junto com o Snape hoje.
O moreno lança um olhar desconsolado para os portões pelos quais sabia que não poderia voltar, pois se fosse ao refeitório agora não conseguiria chegar a tempo de seu encontro com o lobisomem psicopata.
Não querendo dar mais importância do que a situação realmente merece, o aluno se põe de pé, resignado.
"Agora não é hora para pensar nisso. Depois eu me acerto com Snape, por hora acho que ele não vá se incomodar em almoçar com apenas os outros."
Claro que Harry pensou nisso para tranqüilizar a própria consciência, já que as chances de Severus ir almoçar com seus amigos, sozinho, por livre e espontânea vontade eram as mesmas de Gilderoy Lockhart pintar o cabelo de rosa choque para depois fazer um corte moicano. Sem falar que: Neville ainda deve estar metido no dormitório; que dificilmente Hooch tenha paciência de dar atenção a mais alguém que não seja sua própria irmãzinha e que por mais que seja simpática, e pouco provavelmente Luna possa ser considerada a anfitriã ideal com seus longos monólogos sobre criaturas bizarras.
Realmente Harry soube como formar "a equipe dos sonhos"
- Mas eu preferiria mil vezes estar lá com meus amigos do que aqui.
Sem conseguir acreditar no que estava prestes a fazer, o moreno leva uma mão para detrás de seu ombro esquerdo e alisa a encomenda que Draco havia lhe entregado minutos atrás, procurando naquele ato um pouco mais de confiança.
O que ele carregava estava preso em suas costas, escondido por um dispositivo mágico para que ninguém mais pudesse ver: Um presente dado há alguns anos por um de seus "filhos", o pratico e bem humorado Pedro.
"Deve ser a primeira vez que volto a usá-las desde a morte de Pedro"
Era um tesouro que pensou que conseguiria conservar intacto por mais alguns anos, mas estando sem magia e visivelmente em desvantagem, eram as melhores armas para equilibrar qualquer... Inconveniente.
Como que para reforçar os seus temores, parando no final dos degraus de entrada, apareceu Greyback.
- Olha só, e não é que você veio? – o lobisomem falava com um falso tom de surpresa – Pensei que teria que te caçar pelo colégio e te arrastar pelos cabelos.
- Não seria a primeira vez – se referindo a tempos passados em seu mundo, Harry resmunga baixinho para si mesmo enquanto desce as escadas em direção ao Slytherin.
As lembranças do campo de batalha eram sempre bastante vívidas toda vez que Harry ficava perto daquele rapaz, talvez por que assim como Greyback havia dito para Harry no primeiro dia "ambos cheiravam a sangue... a sadismo". Mesmo com essa péssima sensação o moreno olhou o outro adolescente de cima para baixo e a reganha dentes teve que admitir, o lobisomem não era de se jogar fora.
Culpe os hormônios naturais, culpe o período pré-lua cheia, culpe o que for, mas a verdade era que Greyback era uma figura difícil de não se olhar mais de duas vezes. Sem seu o ar maltrapilho que tinha em seu mundo o jovem Greyback aderiu a "moda civilizada" onde: visivelmente tomava banho com regularidade, tinha seus cabelos cinzentos até a altura dos ombros bem tratados, e ainda levava uns estranhos brincos dourados e prateados nas orelhas.
A típica imagem do adolescente atualizado e corrente.
A única coisa que Harry não poderia dizer era que o outro abandonara seu "ar selvagem", isso seria impossível.
- Cuidado – fala o albino que não havia ouvido o último comentário de Harry – posso começar a pensar que está mais ansioso com nosso encontro do que eu.
- Isso não é um encontro – grunhe o moreno entre dentes enquanto descia os degraus de pedra, recebendo como resposta apenas um sorriso debochado do sextanista.
Assim que a lenta descida do aparentemente mais novo acabou, Fenrir esboçou um sorriso vitorioso, apontou uma direção com a cabeça e sem nenhuma palavra se virou para caminhar crente que Harry o seguia.
E assim o moreno de olhos verdes fez.
Foi uma caminhada mais pacifica do que o texugo havia esperado.
Não houve mais comentários mordazes da parte de Fenrir, nem tentativas de manuseio – o que era uma situação rara levando em conta todos os encontros que esses dois tiveram desde que se conheceram – Greyback parecia não se importar nem com a pequena distância que Harry abria entre eles caminhando alguns passos atrás.
Se Harry estivesse ao seu lado poderia até mesmo ver o semblante contente do supostamente mais velho.
FVQP
Não havia muitas pessoas do lado de fora àquela hora.
"Por que haveria? Afinal aquela era a hora do almoço."
Harry lembrou daquilo com certo pesar.
Com tanto corre-corre havia esquecido não apenas do almoço, mas também de tomar café da manhã.
Sua barriga parecia estar determinada a lembrá-lo disso.
Tentando pensar em outra coisa Harry resolveu pôr mais atenção no percurso que seguia. Se distanciando mais e mais do castelo, o moreno não precisou de muito para adivinhar o local para onde estava sendo levado.
E não gostou nada disso.
Sem muita surpresa, o moreno viu a alguns metros de distância a famosa Floresta Proibida.
- Hã... Espero que sua idéia de... hum.... de um... hum...
- De um encontro?
- Isso não é um encontro! – Harry fuzila as costas do mais velho com ódio à medida que procura com cuidado suas próximas palavras – Espero que sua idéia de confraternização seja um picnic a beira da floresta – Harry tentou ser o mais sarcástico possível, mas não pode dissimular o nervosismo em sua voz.
- Oh, estou diante de um romântico – debochou Fenrir, e erguendo as mãos continuou. – Só que não sei se percebeu, mas eu não estou exatamente equipado para um picnic.
- Por isso mesmo devíamos voltar para o castelo, podemos invadir a cozinha e pegar algumas coisas. Aposto que lá deve ter uma ou duas toalhas quadriculadas. – em seu nervosismo, Harry nem mais sabia se sugeria aquilo seriamente ou apenas por sarcasmo. Qualquer coisa era valida para se afastar daquelas árvores que estavam cada vez mais próximas – Pensando bem, não precisamos nem mesmo sair de lá, podemos comer entre os elfos domésticos, aposto que você pode encontrar neles ótimas companhias enquanto não tentar arrancar suas cabeças.
- Apesar de a oferta ser interessante – o albino dissimula o riso – acho que podemos deixar isso para o segundo encontro...
- Isso não é um encontro.
- ... Por ora me contento com um breve "passei no bosque".
- Claro, claro, caminhar entre borboletas e coelhinhos, teremos que nos dar as mãos ou basta uma troca de olhar amoroso. – Isso sim com certeza foi sarcasmo
- Deixo essa parte também para o nosso próximo encontro que você carinhosamente arquitetou para ocorrer entre toalhas de picnic e elfos decapitados.
- Pare de usar a palavra encontro, e eu disse que você não podia decapitar nenhum elfo.
- Não, você colocou a decapitação como um fator opcional.
- Eu nunca coloquei como... POR QUE DIABOS ESTAMOS DISCUTINCDO SOBRE ELFOS DECAPITADOS???
- Por que pensei que já estávamos planejando nosso segundo encontro.
- Isso não é um encontro!!!
O albino a frente de Harry se engasga no meio de uma alta gargalhada, ele parecia se divertir bastante tirando uma onda com a cara do moreno. Já Harry não parecia tão feliz, o tempo passou enquanto eles tiveram aquela inútil e incompreensível discussão e a floresta estava a uma curta distância dos dois.
Harry tinha bons motivos para não querer entrar lá, e não apenas pelos centauros furioso, cobras vingativas e acromantulas inconsoláveis com a destruição de seus ninhos. O que realmente fazia Harry querer evitar avançar mais um passo sequer na direção das frondosas árvores eram as defesas a base de prata que liberavam nelas.
Motivo que deveria ser levado em conta por Greyback também.
Mas aparentemente o lobisomem ou não sabia deste pequeno detalhe ou simplesmente era suicida, pois avançava sem receio.
Incerto do que deveria fazer, Harry cobre os passos que separavam os dois e segura com as duas mãos o braço do mais alto.
Confuso, Greyback vira o rosto para trás e encara Harry atrás de um motivo para o moreno tê-lo parado.
- Sabe? – Harry não sabia mais a que apelar e sua voz começava a ganhar um tom preocupado – Existe uma razão para que chamem essa floresta de "Floresta Proibida".
O lobisomem sorri maroto e dá entre ombros.
- Não importa de como a chamem. Do ponto de vista que você olhe uma floresta sempre será uma floresta. – não podendo esconder o desafio em suas palavras ele continuou – o quão perigosa ela pode chegar a ser depende da capacidade que você tem para enfrentar o que ela esconde.
Perdendo a paciência, Harry resolve deixar de lado as meias palavras, Diabos, não era como se Greyback não soubesse que ele também guardava uma "besta" em sue interior.
- Pois sinto muito lhe informar companheiro – o Hufflepuff larga o braço do mais alto, faz questão de ir para a frente do albino e apontando o dedo para o peito do companheiro de passeio diz de maneira mordaz – mas creio que se um dos desafios que floresta guardar for prata, a capacidade de enfrenta-la de ambos aqui presente é "0".
O albino sorri diante daquelas palavras, era a segunda vez que o novato admitia a própria natureza na sua frente.
- Prata? – Fenrir simula por segundos um semblante de confusão – Ah... As defesas! Não se preocupe, durante o dia as defesas que utilizam prata são desligadas.
- Que conveniente. – Harry não parecia muito convencido.
- De qualquer forma – Fenrir estapeia a mão de Harry para o lado. Sem sair da frente do texugo, retira do pescoço o colar que usava e o prende no pescoço do moreno.
- E para que isso? – Harry segura uma das tantas correntes prateadas que formam o colar.
- Viemos aqui para brincar não? – com dois dedos o albino balança uma das correntes do colar o fazendo tilintar – se for assim prefiro não perder meu novo brinquedo.
Sorrindo de maneira desafiante o Slytherin empurra de leve o ombro de Harry e adentra a floresta, sumindo rapidamente por entre as a árvores.
Harry olhou com certo desdém para a direção que o outro seguiu e não pode deixar de perguntar em voz alta:
- Você não espera mesmo que eu brinque de pega-pega aí, espera?
Não ouve resposta, ou melhor, o silêncio vindo por entre as árvores a sua frente foi mais claro que qualquer palavra:
"Venha me pegar se for capaz".
Suspirando irritado, o moreno por segundos se sentiu tentado a simplesmente ir embora e deixar o "idiota que caiu de cabeça em um balde de água oxigenada quando criança" correndo sozinho na floresta – que aparentemente estava mesmo com suas defesas de prata desligadas, ou um lobisomem completo como Greyback teria caído duro no primeiro passo que desse naquele lugar – mas temia a reação do albino se descobrisse que o outro havia quebrado a promessa de acompanhá-lo por uma tarde.
Personificando a própria má vontade, Harry deu seus primeiros passos mata adentro.
Florestas não eram locais em que ele andasse com muita freqüência, e sempre que ocorria eram em circunstancias como as da noite em que havia chegado naquele mundo.
Mas dessa vez era diferente. Algo estava diferente. Sem a correria e a adrenalina fervendo em seu sangue, uma sensação de familiaridade havia começado a vibrar em toda a sua pele.
O moreno avançou mais, e passeou com um passo lento e dubitativo por entre as árvores, não havia qualquer sinal de Fenrir ao redor, e ao invés de ficar nervoso, Harry sentia uma calma se espalhar dentro de si.
Como se fosse natural estar por lá.
Como se aquela fosse a sua casa.
Não.
Como se fosse um reconfortante útero.
Era relaxante e ao mesmo tempo assustador.
Era como se uma pequena parte dele sorrisse de algo que ainda era desconhecido para sua outra parte.
Confuso, Harry vira-se e se preparava para sair. A estranha alegria ainda pulsava em sua veia, mas a sensação de estar fora de si também. E se uma coisa ele aprendera em toda a sua vida – normalmente das maneiras mais difíceis – era em nunca confiar facilmente naquilo que não podia explicar. Principalmente quando o mundo em que se vive é o mundo da magia.
Mas nem deu um passo no seu recém-decidido retorno e sentiu um forte empurrão no ombro que o jogou em direção ao chão.
Erguendo seu rosto, ainda cuspindo terra, Harry vê as costas de Greyback sumirem por entre as árvores a sua frente.
Um desafio.
Olhou mais uma vez na direção por onde supunha ser a saída, sabia que em apenas alguns passos poderia deixar aquela floresta, mas aquele empurrão havia bagunçado tudo na sua mente.
A dor em seu ombro e em seus joelhos ralados.
O cheiro fresco e diferenciado de cada tronco de árvore.
A prepotência das costas que viu se afastarem.
O mato e a terra que arranhavam as palmas de suas mãos...
Uma nova onda daquela sensação estranha inundou seus sentidos, e cegado por motivos incompreensíveis o moreno se pôs de pé e começou a correr na direção que o albino havia seguido.
A cada passo que dava seus sentidos se extasiavam ao ponto que seus pensamentos se tornavam vagos e confusos, mas definitivamente eufóricos.
"Do que era mesmo que tinha medo antes?"
Não lembrava...
"Os pássaros cantavam tão alto como fazem agora?"
Talvez...
"Centauros habitavam aquela floresta não habitavam?"
Talvez... Talvez...
"E acromantulas caçavam em alguma área próxima daquelas, não caçavam?"
Quem sabe...
Era difícil dizer, pois tudo em seu ser parecia pulsar.
Sua audição.
Seu tato.
Seu alfato.
Todos os sentidos que usava naquele momento pareciam mais afiados. Ele ouvia o som das asas dos pássaros batendo, das pisadas de um ou outro animal se afastando. Sentia os galhos que quebravam de baixo de seus pés, e a umidade das árvores que encostava. Aspirava uma fragrância misturada às vezes achando que era salgada, outras vezes supondo ser doce e com certa duvida a considerando ser azeda.
Algo dentro do moreno parecia se eriçar e acalmar ao mesmo tempo, como se ronronasse e se espreguiçasse em seu interior.
Sorrindo, Harry fechou os olhos e se deixou levar por segundos por aquela agradável sensação.
Era aquilo que Fenrir Greyback queria lhe mostrar quando o levou para lá?
Não.
Era aquilo que Fenrir Greyback queria mostrar para a besta de Harry?
Um lugar para ronronar e se espreguiçar?
Um lugar onde pode ser ela mesma?
POF
E pego novamente de surpresa Harry recebeu outro empurrão que o levou ao chão.
E sem mais se perder em devaneios, o moreno não esperou muito para se levantar em um só pulo e voltar a correr mata adentro.
Seu coração batia rápido, e pouco a pouco um sorriso começou a se desenhar em seu rosto.
O moreno não parecia perceber ainda, mas realmente começou a desfrutar de brincadeira de Fenrir.
Como dois filhotes os dois corriam por entre a mata. Fenrir ora sumia, ora aparecia, e quando Harry pensava que finalmente havia perdido sua pista o lobisomem sempre aparecia em suas costas e o empurrava. Precisou de algumas horas para Harry se tocar que ao final não era ele que estava "caçando" Fenrir, mas sim ao contrario.
A essas alturas o moreno já havia tirado a túnica e o colete, sua respiração era arfante e suas pupilas eram quase do tamanho de contas.
Respirando fundo percebeu que tentar pegá-lo daquela forma era inútil. Um lobisomem completo com Fenrir era muito mais rápido e ágil que um licantropo mestiço como Harry.
O moreno sorriu.
Então talvez ele devesse colocar alguns ases na manga.
Se abaixando um pouco Harry tira seus sapatos e meias. Fecha os olhos e espera.
Espera
Espera
E espera...
Não foi inesperado quando o moreno conseguiu pressentir o ataque que veio por trás.
Com um único pulo Harry se salvou de sua costumeira viajem sem escalas em direção ao chão e alcançando o galho mais próximo ele subiu elegantemente em meio a uma cambalhota em um dos galhos mais altos da arvore mais próxima.
Sem esperar uma reação de seu oponente, mantendo a mesma agilidade humanamente impossível Harry saltou de galho em galho rondando Fenrir, que desconcertado tenta acompanhar os movimentos de Harry no chão, e quando finalmente o moreno vê um ponto cego na defesa do lobisomem ele salta com tudo. Com as duas mãos estendidas para frente ele empurra os ombros de Greyback, o que da impulso para o moreno dar uma mais uma cambalhota no ar e aterrisar de quatro, e o que fez Fenrir cair com tudo de cara no chão.
O albino ergue ligeiramente a cabeça muuuuuito dolorida e vê cara a cara Harry ainda de quatro a sua frente em uma posição defensiva.
Um sorriso é dividido pelos dois como se dissessem:
"Touché"
Com um impulso Harry volta a pular por entre os galhos e Fenrir se põe de pé para novamente se embrenhar por entre as a árvores.
A disputa continuava.
E seguiu, e seguiu... Até o ponto em que não se sabia quem havia derrubado mais a quem, sem notar Harry havia sorrido e rido varias vezes, era inevitável, tudo aquilo era tão bizarro, tão improvável... tão... incrível.
Ele simplesmente estava correndo em plena Floresta Proibida brincando de pega-pega com Fenrir Greyback.
E o mais inesperado de tudo aquilo?
Ele estava realmente gostando.
FVQP
Havia um vencedor?
Havia um perdedor?
Sinceramente nenhum dos dois jovens saberia responder.
A única certeza que tinham era o quão agradável era estar naquele instante sentados no chão, costa contra costa, arfando com todas as suas forças, descansando enquanto seus pulmões clamavam por oxigênio.
Harry não pode mais negar, as horas que havia passado correndo dentro daquela floresta era de longe as mais divertidas que teve desde que havia parado naquele mundo, era uma felicidade que havia feito esquecer todos os seus problemas.
Por isso não pode evitar perguntar:
- O que... – respira fundo antes de continuar a falar ainda arfando – o que exatamente .... arf arf... foi isso?
- "Isso" o que? – respondeu uma voz tão cansada quanto a de Harry.
- Isso – ergue as mãos mostrando a floresta ao redor – isso – aperta as mãos no peito mesmo sabendo que o outro não estava vendo – e isso – leva as mãos a cabeça – Tudo isso que acabou de acontecer, era como se eu estivesse fora de mim.
- Foi incrível né? Quando as pessoas pensam em lobisomens ou licantropos em geral logo os associam com trevas, mas esquecem que diferente dos vampiros, alem de um demônio, o que temos em nossas almas também é um animal. – o albino falava de uma maneira mais didática do que Harry havia esperado – "Isso", companheiro, foi a nossa "mãe" te dando boas vindas.
- Mãe...
Harry murmura enquanto inconscientemente acaricia a grama em que estava sentado.
- Nada revitaliza mais um ser licano do que uma boa floresta.
- Ora vamos – o moreno revira os olhos – todo mundo sabe que a maior taxa de licantropos sempre se apresenta maior nas cidades grandes.
- E por isso não passam de um bando de amargurados, drogados e estressados. - Fenrir dá entre ombros – Mesmo que o número de lobisomens seja maior nas cidades, os que tem maior contato com a natureza tem bem mais estimativa de vida.
- Não segundo os dados do SCCM – Harry diz solenemente lembrando dos dados que leu recentemente sobre aquele mundo – os casos de caça licana diminuíram consideravelmente o número de licantropos nas matas.
- Exatamente, continuo a dizer, o número pode ser pequeno, e estar ainda diminuindo, mas os poucos que sobrevivem...
E assim se estendeu um longo debate sobre as necessidades licanas, os pontos mais habitados por licantropos hoje em dia e a política que afeta a raça.
Os dois adolescentes trocavam dados entre si, um tentando superar o argumento do outro, e apesar de não dissimularem seu ar competitivo, ambos pareciam desfrutar do debate.
Principalmente Harry.
Era a primeira vez que o moreno pode discutir com alguém sobre essa área de sua vida, Draco sempre tratara esse tema muito "cheio de dedos", Remus parecia fugir da palavra "lobisomem" como o diabo foge da cruz, e seus filhos... bem, apesar das crianças se mostrarem bem confortáveis com as suas maldições, a vida que eles dividiam com Harry era muito corrida para dividir momentos como aquele que ele dividia com...
Greyback.
- Por que? – disse o moreno com a voz ainda entrecortada pelo cansaço – Por que você me trouxe aqui?
Por segundos a respiração pesada as suas costas pareceu ter se detido. Harry sente suas costas caírem lentamente para trás, à medida que as costas que a apoiavam avançavam para frente.
- Eu... – a voz de Greyback saiu mais baixa e menos confiante do que o de costume.
O curioso texugo sentiu uma forte vontade de ver qual seria a expressão no rosto da serpente naquele momento.
Parecendo ler seus pensamentos Fenrir levanta repentinamente deixando Harry cair com tudo no chão ficando de barriga para cima.
Sem mostrar um pingo da hesitarão que demonstrava segundos atrás, o albino fica de pé com sua costumeira pose prepotente e sorrindo de lado estende a mão para ajudar o moreno a se levantar.
- Por que desde que eu te vi pela primeira vez você pareceu ser o cara mais tenso que já conheci. E acredite, disso eu entendo, eu divido o dormitório com ninguém menos que Severus Snape.
Sorrindo com o último comentário, Harry aceita a mão para se levantar e com um único puxão do outro já estava de pé.
GROAAAAAARR
Podendo ser confundido facilmente com o rugido de um animal selvagem, o estômago de Harry reclama por um pouquinho de atenção.
Fenrir encara o menor com uma sobrancelha erguida.
- Não me olhe assim – Harry queria que a terra o tragasse naquele momento – eu não tive tempo para tomar o café da manhã e a hora que você escolheu para me seqüestrar era justamente a em que servem o almoço.
- Seqüestro? – o albino simula uma falsa expressão de pesar – e eu pensando que estávamos passando essas memoráveis horas graças a uma adorável relação de comum acordo.
Como se uma ficha caísse dentro de sua cabeça, Harry se lembra das circunstâncias de estar ali. Tinha estado tão distraído com aquela brincadeira que havia esquecido que o adolescente na sua frente havia ameaçado machucar seus amigos. Sem contar que mantinha Remus preso a ele por ameaças.
E por alguma estranha razão, mesmo com tudo aquilo, Harry não conseguia odiar aquele garoto como havia odiado ao adulto que conheceu em seu mundo. A situação em que se encontravam era incomoda, se há algo que Harry odiava era ser coagido a fazer alguma coisa, mas mesmo assim algo nele não conseguia odiá-lo desde que pisaram dentro dessa floresta.
E então entendeu, não era que ele havia simpatizado com Greyback, mas a sua besta interior havia simpatizado com a besta interior de Greyback.
"Maldita época pré-lua cheia" Harry observa Fenrir se afastar como se procurasse por algo "Malditos instintos licanos".
Mas se fosse bem sincero consigo mesmo a palavra: "maldito" estaria bem longe do dicionário do moreno naquele momento.
As circunstâncias que o levaram até ali poderiam não ter sido das melhores, mas inegavelmente Greyback tem sido o melhor dos anfitriões nesse novo mundo que se abria na frente de Harry durante aquele encontro... Digo durante aquela confraternização.
Fenrir, que farejava o ar a algum tempo leva a mão ao queixo com uma expressão pensativa para logo em seguida se virar para Harry.
- Bom, se a culpa de sua fome é minha acho que posso dar um jeito, mas se me permitir eu tenho uma idéia mais interessante do que frutas e cascas de árvore.
Temendo o que o lobisomem poderia considerar por interessante, Harry perguntou:
- E isso seria?
Parecendo gostar da pergunta o albino apenas acena com a cabeça para uma direção, Harry olha na direção do local indicado e teve que espremer os olhos para ver bem de longe um porco do mato.
- Oooou não! Não, não, não, não – Harry sacode os braços dando alguns passos para trás – você não está mesmo sugerindo que cacemos nesta floresta?! Ela é toda demarcada por territórios de todo o tipo de criatura, seja lá de quem for esse território, se formos pegos caçando...
- Alguém já te disse que você pensa de mais?
- Não – Harry poderia imaginar um bom número de serpentes que ririam só ao ouvir tal comentário – realmente não.
- Vamos, hoje eu dou as ordens, lembra? – sorri de maneira marota – e eu digo que o cardápio do dia é: Porco na grelha!!!
Harry se perguntou seriamente se estava diante de um Slytherin.
Mas mesmo assim não pode deixar de sorrir, o rapaz que o convidava para o exótico almoço (ou a essa hora seria melhor chamar de janta?) estava completamente desgrenhado, suado, com uma expressão hiper-ativa adornada por um largo sorriso.
A verdade era que desde que toda aquela tarde anormal começou Fenrir não havia tentado nada contra ele, e aparentava realmente apreciar a companhia de Harry.
Deixando cair os ombros em sinal de derrota, Harry "levantou a bandeira branca".
- Ok, hoje comeremos carne de porco.
- Carne de porco! Carne de porco! – Fenrir cantarolou feliz – Agora que você aceitou, vou lhe explicar a parte interessante. – ainda agindo genuinamente como uma criança o rapaz albino falava com um brilho de pura diversão nos olhos – Que tal fazermos uma aposta?
- Aposta?
- Quem matar o porco primeiro ganha. E aquele que perder terá que preparar a carne.
- Que? Preparar a carne? Mas eu nunca fiz nada parecido com isso antes!
Claro que Harry sabia cozinhar, anos de treinamentos com os Dursley deveriam ter servido para alguma coisa afinal, mas isso não o qualificava para escalpelar um porco desossa-lo e Deus sabe mais o que teria que fazer.
Vendo o desespero crescer na expressão de Harry, Fenrir apenas sorri prepotente como sempre
- Então sugiro que seja um bom caçador – e com apenas um movimento de mão estala todas as juntas dos dedos e do pulso – ou ao menos acompanhar o meu passo.
Mais uma vez diante do puro desafio daquela voz pretensiosa, Harry comparte o sorriso confiante de seu oponente e decide que era a hora de sacar as suas "bebezinhas".
Cruzando os braços atrás da cabeça, Harry segura as duas empunhaduras ao mesmo tempo tornando suas armas pela primeira vez visíveis e saca de suas bainhas dois longos e afiado facões, se pondo em seguida em posição ofensiva.
- É, acho que posso acompanhar o seu passo.
Fenrir solta um longo assobio e por puro instinto lambe os lábios.
Talvez fosse apenas um pressentimento, mas algo lhe dizia que teria um farto almoço naquele fim de tarde.
FVQP
Teve um tempo em que Harry havia sido perseguido por várias e várias revistas femininas em seu mundo, todas querendo que ele respondesse alguns questionários para a as suas fãs.
Dentre as perguntas que havia sido convencido a responder, havia uma que sempre deixava sem uma resposta.
"Qual seria o lugar ideal que iria para comer junto com alguém em seu primeiro encontro?"
Na época ele não havia respondido, pois não acreditava que conseguiria sobreviver tempo o suficiente para um dia ter sequer um encontro.
E hoje não responderia a essa mesma pergunta por duas razões:
Primeira - Por que se negava terminantemente a aceitar que aquilo era um encontro.
E segunda - Por que mesmo que contasse a alguém de seu mundo que havia caçado porcos selvagens na Floresta Proibida com ninguém menos que o mercenário Fenrir Greyback, ninguém acreditaria.
- Hardnet, me passe mais gravetos.
E para ser sincero nem mesmo o próprio Harry acreditava muito.
Fenrir no momento batalhava para manter aceso o fogo da churrasqueira improvisada que havia feito com gravetos, pedras e os dois facões de Harry.
Com muito pesar, Harry havia cedido suas "preciosas meninas" para a preparação da comida. Tanta benevolência era meio por estar aliviado de não ter que ser ele a prepara a carne.
Não só por sua inaptidão no assunto.
Mas por toda a habilidade que Fenrir mostrou ter.
O lobisomem em poucas horas mostrou uma incrível perícia e força de pulso segurando aqueles facões. Tanta, que Harry por pura admiração deixou que o outro os utilizassem como parte da churrasqueira.
Por serem mágico, os presentes de seu filho dificilmente enferrujariam.
Enquanto Greyback trabalhava os dois estudantes se deixaram levar pelo clima agradável e começaram a conversar.
Não era desagradável. Harry havia se surpreendido quando percebeu. Conversar com Fenrir não era desagradável, e para aumentar a sua surpresa aquele que puxava a maioria dos assuntos era justamente o lobisomem. Nada que tentasse comprometer Harry ou que tivesse tom de investigação.
Greyback apenas queria conversar.
E bastou apenas alguns minutos falando com ele para Potter entender por que.
Fazia anos que ninguém nunca parou para falar normalmente com Fenrir Greyback.
Após alguns tópicos, uma pequena ficha sobre a vida de Greyback foi sendo criada no cérebro do moreno. Formada por coisas que o próprio lobisomem disse e outras que ele visivelmente omite.
Não sabia ainda o que aconteceu com os pais do lobisomem, mas pelo que descobriu ele vivia no castelo desde seus onze anos de idade, quando começou a freqüentar o colégio.
Por não saber usar magia a diretora havia dado aquele colar para ele que servia para anular qualquer magia ao redor de seu portador, e que só poderia ser retirado por aquele que o estivesse usando.
Ele era um lobisomem, sem poderes, e durante seus primeiros anos em Hogwarts bastante mirradinho: Um alvo perfeito para o preconceito.
Ou ao menos até quando ele começou a ter força o suficiente para torcer as mãos que tentavam esmurra-lo. Desde então todos começaram a temer aquele violento lobisomem e a manter distância.
Muita coisa Harry ainda não entendia: como o porquê de Greyback querer freqüentar um colégio de magia, quando nem ao menos mago era. E acima de tudo, não entendia aonde Remus entrava na historia de Fenrir, de como eles estabeleceram um elo como o que viu naquela manhã.
O céu estava começando a escurecer quando finalmente eles se serviram.
Usando folhas para segurar os pedaços quentes de carne, Harry só pode agradecer por dentro por Draco não estar ali naquele instante, ou aquele loiro iria passar horas e horas discorrendo sobre o quão anti-higiênico era aquela situação.
Com certo receio, Harry deu a primeira mordida na carne.
E se surpreendeu.
Qualquer outra pessoa que a provasse de certo a odiaria, era dura e sem o menor tempero, sem falar que havia sido deixada no fogo apenas tempo o suficiente para não ser acusada de crua, mas ainda sim guardava dentro da superfície ligeiramente amarronzada um centro profundamente vermelho e úmido.
E de alguma forma, apenas uma mordida daquela carne levou Harry ao paraíso.
O sabor puro da carne, livre de tempero ou condimentos que a abafasse, dançava em sua língua. A dureza do alimento exigia um novo e grande esforço de seu maxilar.
Comer aquela carne mexia não só com seus instintos, mas com todo o seu corpo.
Já Fenrir parecia simplesmente mais entretido em observar o moreno comer do que se preocupar com a própria carne.
- Sabia que iria gostar – o sextanista sorria de orelha a orelha.
- Dou o braço a torcer – Harry não iria negar – só o que faltava para acompanhar seria um bom uísque de fog... Digo uma boa cerveja amanteigada.
- Claro, claro, mas pessoalmente eu preferiria a primeira opção que você deu – o albino pisca para Harry – nada melhor para acompanhar uma boa carne do que um uísque de fogo descendo queimando por sua garganta.
Tudo bem, Harry sabia que os jovens de hoje em dia era tão "puros e inocentes" quanto os de seu mundo, mas ainda sim não se sentia bem em incentivar um visível menor de idade a beber álcool.
Mesmo se o menor de idade era o próprio demônio em pessoa.
"Mas ele não é um demônio" Harry pensou medindo tudo o que aconteceu naquela tarde.
"Diferente do que eu esperava encontrar eu não estou de frente a um demônio".
- Não me lembro da ultima vez que botei um copo de uísque na boca – Harry exagera em uma pose dramática – não me importaria de uma dose ou duas.
- Ah isso já depende se você conhece as pessoas certas – Fenrir sente que seu acompanhante estava mais descontraído – Se bem que você anda com duas das pessoas mais influentes do colégio... Não deveria ser tão difícil.
- Duas das mais influentes?
- Longbottom... nnnnh – Fenrir batalha contra um pedaço de nervo consideravelmente grande na carne que mastigava - e Hooch.
Harry conseguia entender a parte que implicava Longbottom, o cara era um dos príncipes e tudo o mais, mas nunca conseguiu entender a influencia que Hooch tinha sobre as pessoas.
Tomado pelo ambiente em que estavam fez a pergunta para Greyback, que para a sua surpresa tinha a resposta.
- Não me admira que você ou Longbottom não saibam. Os negócios de Hooch não são necessariamente encontrados nas "páginas amarelas"
- Negócios?
- Vinganças – vendo o rosto confuso de Harry o albino continuou – Pense um pouco, em um colégio em que a justiça se aplica na base do olho por olho dente por dente, não seria estranho imaginar que algumas pessoas prefiram que alguém mais... hum... Especializado tome as suas dores.
- E aí entra Hooch? – Harry diz ainda não muito convencido.
- Não me olha assim, você nunca viu a garota em ação – Fenrir sorri diante da ignorância do aparentemente mais novo – Não acredito que ela seja uma maga acima da media ou coisa do estilo, mas sempre ouvi historias funestas de seus "trabalhos". A garota é profissional na área de emboscadas. Você deve ter ouvido o boato dos Ravenclaws grudados no teto.
- Por isso todo mundo parece não querer aborrecê-la. – diz pensativo
- Apenas os peixes pequenos – Greyback dá entre ombros com desprezo – os "grandões" não parecem ligar muito para a fama que ela vem acumulando, e ela mesma não puxa briga com eles. Sem falar que existem boatos que um ou outro deles tem dívidas com danada. Entre eles o próprio Dumbledore parece ter o rabo meio preso com ela.
"Uma especialista em vinganças". Harry matutou consigo mesmo. "Uma mercenária. Neville me disse algo sobre ela trabalhar para sustentar a irmã, talvez esse seja mais um dos serviços dela".
Fenrir se provou uma fonte quase tão confiável de conhecimento quanto Hooch, ele era um rapaz bastante observador, e o fato de não poder ser afetado por magia era o suficiente para ganhar certo temor dos outros alunos, e junto com o medo, vinha a informação.
Ora vamos! Quem gostaria de enfrentar a força de um lobisomem estando completamente desarmado?
A conversa às vezes tomava um lado pessoal, o qual Harry várias vezes inventava para disfarçar a sua real idade e formação acadêmica. Mas foi no meio desse tema que o moreno deu uma pequena bola fora.
- Me surpreende que esse colégio esteja de pé até hoje...
Disse Harry enquanto se esticava para pegar outro pedaço de carne.
- Por quê? – Fenrir o olha interrogativo.
- Por favor – o moreno revira os olhos – quantos foram os dias que você andou por esse colégio sem topar com alguém intimidando alguém ou um linchamentozinho básico? Nesse ritmo não vai ser nem o governo nem os comensais da morte que vão botar as paredes do colégio a baixo, mas os próprios alunos.
- Há há há – o lobisomem engasga em meio a uma crise de riso para depois tomar um tom mais sério, apesar de não perder a expressão de riso – Hogwarts nunca cairá. – seu sorriso se torna meio nostálgico – "As paredes de Hogwarts se tornariam mais fortes se com isso pudessem abrigar as escolhas e convicções de seus alunos, Enquanto aquele colégio for tratado como um colégio ele não cairá."
As palavras que Harry ouviu de Greyback realmente o surpreenderam, eram as de alguém que sabia mais do que aparentava.
- De onde você ouviu isso.
- De uma mulher irritante – o lobisomem dá entre ombros e volta a abocanhar a própria carne para em seguida falar de boca cheia – há muitos e muitos anos atrás, era uma mulher tão irritante quanto convincente.
- E quais seriam as suas escolhas e convicções? – Harry pergunta como quem não quer nada.
- Se refere a "lados"?
Harry apenas acena positivamente com a cabeça.
- E eu preciso escolher? – disse aquilo com certa hesitação, para em seguida sorrir de forma marota – prefiro deixar essa tarefa para os imbecis que ficam se matando todo o dia pelos corredores de nosso amado colégio.
- Vai dizer que nunca passou pela sua cabeça que lado é mais tentador no momento que você deixar o colégio?
- Todos pensam mais cedo ou mais tarde – o albino concorda – Mas... eu... Não acho que no final realmente tenhamos que escolher um lado.
- Aaaah que posição cômoda, não? – Harry dizia aquilo com deboche, mas ele mesmo não estava necessariamente interessado em escolher um lado, Merlin o livre – ficar em cima do muro...
Sabia que estava sendo injusto.
O texugo era mais que consciente que exigir que Fenrir adotasse um lado era hipocrisia de sua parte.
Mas o moreno tinha seus motivos.
Lado das trevas ou lado da luz, tanto faz, ele só queria saber o quão mudado estava o lobisomem a sua frente.
Não importa o lado que Fenrir escolhesse no final, tudo o que Harry queria saber era as suas motivações para estar nesse lado.
Se o lobisomem desse mundo ainda era uma maquina mercenária com sede de sangue.
Mas tão frio foi seu raciocínio, que Harry não pode esperar a resposta que veio a seguir.
Não pode esperar as palavras que saíram da boca de Greyback.
A raiva contida em seus olhos.
E a tristeza de sua voz.
-Tem razão – sua voz era profundamente mordaz, e quando o texugo ergueu os olhos de sua carne para encará-lo viu um certo brilho furioso naquelas duas esferas amareladas – Não ter que escolher entre os comensais que mataram os meus pais e o governo que massacrou a matilha que me acolheu é uma posição bastante cômoda.
As palavras foram esculpidas com o mais profundo veneno, e uma inegável dor.
- Eu não sabia...
- E não tinha como saber – Fenrir interrompe a visíveis desculpa do moreno, dessa vez com um tom mais leve, como se o assunto não fosse realmente importante – Ninguém tinha que saber, então acho que no fim podemos enterrar isso como algo que nem sequer foi mencionado, certo?
- Mas...
- Sem falar que – seu tom era mais cortante novamente – Eu percebi, no momento em que tive que sentir o peso do corpo morto de minha mãe sobre o meu, sem falar de quando o cheiro do sangue dos meus iguais correrem por minhas narinas, que eu sou uma pessoa muito gananciosa – seus olhos tomam um brilho sádico – que eu não conseguiria me contentar em simplesmente escolher lados para vingar esses "infortúnios" que eu estou pouco me lixando para quem ganha ou perde nessa guerra, o único sangue que meu "egoísmo" quer derramar é o dos dois idiotas que me soterraram por cinco horas tendo como companhia os corpos de meus pais.
Fenrir desafiou Harry com o olhar para que ousasse estender o desconfortável assunto, mas tudo o que Harry fez foi abaixar os seus olhos para sua carne e fingir que nada daquilo foi dito.
Fenrir não entendia por que havia dito aquilo tudo, apenas sentiu raiva da insistência de Hardnet, o tema "lados" era algo que tentava ignorar.
Dentro daquele castelo, tudo em que ele tentava pensar era em sobreviver, e faria isso enfrentando quem tivesse que enfrentar.
Ele só pensava em sobreviver, e em Remus.
"Remus..."
O dono do ultimo sorriso que um dia lhe foi dado.
"Tantos anos... e ainda me lembro... tantos anos... mas não importa, pois dentro de minhas memórias aquele sorriso será eternamente meu."
Fenrir rasga um pedaço da carne que tinha na mão mastiga uma das bandas, e murmura baixinho para si mesmo:
- Ma ainda sim... já faz tantos anos...
FVQP
Os dois mantiveram silêncio por mais algum tempo, ao menos até que a voz tranqüila de Greyback o quebra.
- Você nunca esteve em um ambiente como esse antes, não é?
Harry, ainda mastigando, olha para o outro rapaz que estava sentado a sua frente.
- Mesmo assim você parece ter se adaptado bastante bem – Fenrir conclui com certa melancolia.
Sem entender o porquê daquele tom, mas querendo aproveitar que o lobisomem parecia mais calmo, Harry termina de engolir a carne que tinha na boca e responde:
- Realmente eu nunca pude entrar em uma floresta tempo o suficiente, ou ao menos com calma o suficiente para sentir tudo o que eu senti até agora. Apesar de sempre ter respeitado esse meu "outro lado", nunca havia entrado em um território que pertence tão claramente a minha besta, não ainda em minha forma humana pelo menos.
- Wooou, péra aí – Fenrir pareceu estar surpreso – você pode se transformar? Quero dizer, por mais que você tenha uma besta em seu interior, eu pensei que os mestiços não conseguissem se transformar.
"Grande Harry" o moreno sentiu vontade de se chutar "Isso mesmo, se deixe levar pelo momento. Mas acho que a essa altura do campeonato não vai me matar se eu revelar algumas coisinhas não muito comprometedoras, talvez eu consiga até mesmo tirar algum proveito nisso".
- E normalmente não podem – dá entre ombros tentando demonstrar desdém pelo assunto – mas meu caso é um pouco especial, não sei nem mesmo se me chamar de mestiço seria correto. Não sei nem se existe uma termologia para o que eu sou.
Os olhos de Fenrir brilharam com interesse infantil mais uma vez, Harry sabia que aquelas palavras despertariam o interesse do lobisomem.
E era o que queria.
Para conseguir algumas respostas para suas perguntas, primeiro o moreno teria que jogar uma isca bem atraente.
- Especial? – o lobisomem inclinou a cabeça de lado – por que especial?
- Isso é meio pessoal – o moreno responde voltando a morder o pedaço de carne em sua mão. E após alguns minutos mastigando sob o olhar curioso de Fenrir, continua – Não costumo comentar muito por aí sobre o dia em que me morderam.
- O dia em que te morderam? – seu tom havia se tornado mais ansioso, se era possível. – fala com se tivesse sido mais de um.
- Eu... – Harry fingiu que vacilava – Eu não quero falar sobre isso, está bem? Apenas, sei lá, esqueça o que eu falei, tudo bem? Já disse que isso é pessoal.
- Vamos, o que pode ser tão diferente em uma transformação?
- Eu não quero ouvir isso de um lobisomem puro sangue.
Oh sim, também tinha isso, Fenrir havia dito antes que era um lobisomem puro sangue. Licantropos que não era transformados, mas que nasceram com a maldição. De geração em geração cada membro de sua família por séculos nasceu já sendo lobisomem.
Não precisa dizer que um lobisomem dessa linhagem tem certo status entre os seus. Não é?
- Certo, certo. – Fenrir abana a mão com desinteresse. – Então por que não fazemos um trato? Você responde a minha pergunta e eu deixo que você me faça uma pergunta pessoal. Assim ambos ficamos quites.
"Bingo" Harry dava pulinhos por dentro.
- Ok – o moreno vasculha sua mente atrás de palavras que pudesse usar para explicar sua situação sem revelar seu passado em outro mundo ou sua idade verdadeira. – Foram duas pessoas as que me transformaram, mas a culpa de meu estado é de três. Essas duas pessoas moravam comigo na época, elas estavam escondidas, pois eram caçadas. – vendo a confusão no rosto do albino tentou explicar a ultima informação em linhas gerais – Eles haviam sido contrabandeados de Angola e depois de alguns percalços nos encontramos, mas isso não vem ao caso. Depois de um tempo morando juntos nós nos apegamos bastante, mas devido às pessoas que os haviam tirado de seu lar original, e que ainda o procuravam, eu fiquei a beira da morte. Sozinhos e não podendo pedir ajuda a ninguém, pois ninguém deveria saber que estavam comigo, eles iniciaram o ritual de transformação. Estavam tão afobados que nem ao menos decidiram quem me transformaria, então ambos me morderam.
- Apesar do tom de novela mexicana até aí a sua transformação pareceu bem normal. – Sim, mesmo com o deboche em sua voz, Fenrir parecia estar gostando da complicada historia.
- Se tudo parasse por aí eu teria me transformado em um licantropo completo – Harry suspira – mas antes que minha transformação chegasse ao fim, uma terceira pessoa interferiu. Ele sempre havia implicado um pouco com meus "convidados", mas não era como se não gostasse realmente deles. Porem, quando viu o que eles estavam fazendo, ele quase os matou ali mesmo. Acho que só não o fez, por que na hora preferiu correr até mim e usando magia tentou reverter o processo.
- Idiota – Fenrir solta uma alta gargalhada – como se alguém pudesse reverter licantropia com magia.
- Na realidade se o ritual estiver apenas iniciado ainda se pode reverter – Harry diz de uma maneira didática – o problema era que o meu processo já estava muito avançado e quando Draco utilizou o seu conjuro já era tarde de mais e tudo o que ele conseguiu foi me prender em um meio termo entre as duas raças.
- Ah... – o nome "Draco" que o texugo deixou escapar sem perceber foi devidamente arquivado na mente de Fenrir – Por isso que você ainda precisa usar óculos?
- Pois é.
Não só a presença da sua miopia, mas muitos outros fatores também tornam Harry diferente de um amaldiçoado normal, mas isso o ex-leão preferiu guardar para si.
-Agora eu pergunto. Qual a sua relação com Remus Lupin.
A resposta veio mais rápida e segura do que Harry pode esperar.
- Eu o amo.
Simples assim, sem rodeios, ou meias palavras, apenas uma firme convicção.
O que surpreendeu muito ao moreno foi a simplicidade e a clareza com que aquelas palavras foram ditas, não as desmerecendo, pelo contrario, como se fosse um fato mais que obvio.
- Então por que você chantageia ele se...
- Há ha há – Fenrir balança negativamente o dedo indicador – você já fez a sua pergunta – olha para o céu e continua à medida que se levanta – fora que já está mais do que na hora de voltarmos para o colégio, não acha?
"Ah não, não mesmo".
Harry agora realmente queria entender aquela estranha situação.
Seus instintos Slytherins mesclados com os seus impulsos Gryffindors sabiam bem o que deveria ser feito, mas... depois de toda aquela tarde inusitada, não tinha bem certeza se o albino merecia ouvir aquilo o que iria dizer.
Sua "besta" se removia incomoda em seu interior, sabendo que Harry feriria profundamente o outro garoto, mas o moreno tentou ignorar a incomoda sensação.
Mesmo com todos os seus instintos lhe gritando que iria se arrepender, Harry baixou sua ultima "mão" nesse estranho jogo que havia iniciado.
- Não precisa se apressar Greyback – se levantando também, Harry usa um tom de voz tão arrastado que daria inveja até mesmo ao próprio Draco – ainda faltam algumas horas para o jantar. Sei que dará tempo de você conseguir achar o Lupin para forçá-lo a tolerar a sua adorável presença antes que entre no grande salão.
Fenrir, estranhando o tom usado pelo garoto mais baixo, o encara confuso, não entendendo o rumo que as coisas estavam tomando.
- O que eu faço ou deixo de fazer com Lupin é problema meu, Hardnet. – para que soasse mais ameaçador Fenrir só faltou arreganhar os dentes.
- Oh, mas é meu problema sim – Harry sorri de forma enviesada – é meu problema se graças a isso eu tenha que passar o resto do ano tendo que topar com essas suas ceninhas patéticas. Vem cá Greyback, você realmente o intercepta no primeiro corredor que encontra, ou marca com ele adiantado em alguns lugares específicos? Eu gostaria realmente de saber, assim posso evitar essas situações degradantes ou ao menos me preparar psicologicamente para o que possa chegar a ver, por mais patético que seja.
Era um jogo arriscado, quantas pessoas têm peito de cutucar um lobisomem com vara curta em meio a uma floresta?
Fenrir estava começando a ver tudo vermelho. Não entendia o porquê de o texugo estar falando de repente daquele jeito, mas a maneira com que Harry usava o nome de Lupin não o agradava nem um pouco.
- Oh, então quer dizer que estou ferindo seus olhos virginais? – Greyback adotou de vez um tom venenoso – mesmo que Lupin pareça patético eu prometo que o faço desfrutar bastante.
- Desculpe, acho que não me fiz entender, não é a ele que chamei de patético.
Fenrir fuzilou Harry com seus olhos amarelos como se o desafiasse a terminar a frase.
Desafio que Harry aceitou com gosto.
- Mas de você.
Em um único salto Greyback empurrou o corpo de Harry contra uma árvore e dolorosamente o espremeu contra a casca até que estivessem ambos esparramados no chão, com o corpo de Greyback por cima.
- Patético, vamos ver quem é patético.
Com as mãos prendendo um arisco Harry que se debatia abaixo de seu corpo, Fenrir só contava com sua boca para acariciar aquela pele morena abaixo da sua.
- Patético, patético! – Harry gritava erguendo a cabeça o máximo possível para afastá-la dos lábios de Greyback – Não consigo pensar em mais nenhuma palavra que descreva você que não consegue nada de seu próprio companheiro de alma sem que esse seja ameaçado.
Fenrir ao ouvir aquelas palavras crava seus dentes no ombro de Harry com força arrancando do moreno não apenas sangue, mas um grito estrangulado. O lobisomem lambe aquele sangue aproveitando para poder chupar aquela pele quente.
"Pare de falar" era o que o albino pensava com desespero "pare de falar desgraçado."
Mas em meio aos gemidos de dor, um baixo e doentio riso foi nascendo.
- Há... há há... paté...tico... – Harry murmurava entre dentes – você... é patético... Você sabe por que naquela hora eu não consegui nem ao menos tocar no ombro de Remus? Por que eu sou uma ameaça em potencial. Por que minha simples presença poderia afastá-lo definitivamente de você, o vinculo de vocês não me deixa toca-lo mais que o necessário por que eu, se quisesse, poderia afastá-lo de você. AAAAH – Greyback crava seus dentes na mesma ferida, mas nem assim Harry se detêm – Não consegui naquela hora nem tocá-lo no ombro... Mas posso deixar que você faça tudo isso o que faz comigo, sem sentir o mínimo enjôo... Sabe por quê?
- Cala a boca – o lobisomem murmura sem deixar de se esfregar contra o moreno.
- Há há... claro que sabe – Harry percebe que as mãos que o seguram começava a fraquejar – Você pode fazer isso comigo, ou com qualquer outro, você poderia me partir em dois aqui mesmo se quisesse, por que não importa com quantos transe, nada poderia te fazer deixar de pensar em Lupin.
- Idiota...
- Por que nenhuma outra pele poderia substituir o prazer que você sente ao tocar a de Lupin.
- Bobagens...
- Por que nenhum beijo cala o seu desejo como os de Lupin.
- Nada haver...
- Admita – os olhos de Harry destilavam pura malicia - diferente de Remus, seu desejo de tê-lo é tão forte, que não importa quantos corpos "prove" no final sempre acaba pensando no do dele. Por que o ama.
A boca de Fenrir parou a poucos centímetros do queixo de Harry. Suas mãos se cravavam fortes nos braços do moreno até o ponto de arrancar sangue, seu corpo havia parado de reagir e deixando cair sua cabeça um pouco abaixo do pescoço de Harry o albino respirava fundo como se buscasse calma.
- Você diz que o ama – o tom de Harry era o de acusação – mas se impõe a ele.
- Cala a boca – murmurou de maneira estrangulada o rapaz de cabelos acinzentados.
- Diz que ama, mas o atormenta com ameaças.
- Cala a boca – desta vez seus murmúrio se assemelhavam a um rosnado.
- Talvez por que você não o ame tanto assim.
- Cala...
- Talvez por que tem medo de que ele não o ame mai...
- CALA A DROGA DA SUA BOCA!!!
Fenrir empurra Harry de lado, caindo ele mesmo no chão, não muito longe.
Harry, que não era burro, levanta o mais rápido que pode e toma uma pequena distancia.
Ato um pouco inútil.
Pois o próprio Greyback não havia se levantado.
Ainda no chão o Slytherin não parecia ter forças para se pôr de pé. Sem entender de onde vinha toda aquela fadiga, Harry se aproxima lentamente e percebe que o outro não estava inconsciente, pois ainda murmurava.
- Cala a boca, cala a boca, cala a boca... O que você sabe? Você não sabe nada... Não tem como saber... Nada...
O moreno passa a mão pelos cabelos, indeciso do que fazer. Coisas suficientes acontecerem para que agora ele pudesse dizer que não tinha nada muito grave contra Fenrir, ao menos nada para que o deixasse sozinho, em uma floresta, naquele estado.
Poderia até mesmo arriscar dizer que mais do que sua "besta" ele mesmo havia aprendido a simpatizar com o lobisomem.
Sem falar que foi o próprio Harry que havia provocado o outro.
O ajudando a se escorar contra uma árvore próxima, a mesma em que fora encurralado por Fenrir, Harry observa o lobisomem arfar pesadamente.
Não entendia o porquê de do nada o outro se sentir tão fraco, era ele que tinha uma mordida imensa no ombro.
- Nada... Você não entende nada... – continuava a murmurar.
- O que eu não entendo? – Harry pergunta meio que se aproveitando do estado semi-consciente do outro, era um golpe baixo, mas já que a oportunidade se mostrava...
- Você não entende... Não poderia entender... Não poderia entender o que é ter que ver aquele que ama todo o dia te renegar em plenos pulmões, quando sua alma grita ao mesmo tempo que na verdade ele o deseja... Não entende o que é sentir a pele dele de baixo da sua clamando por seus beijos, quando os lábios dizem que se afaste... Não sabe... Não sabe o que é saber que é amado, mas o dono do amor que lhe é dedicado o repudia com os olhos cada vez que os cruza com os seus... Não sabe... Não sabe...
E entre murmúrios adormeceu.
O coração de Harry se apertou quando compreendeu finalmente a situação de tudo aquilo.
E por Merlin como se sentiu mal.
Por mais ameaçado e perseguido que Remus fosse, não era ele o que mais sofria naquela situação.
Mas sim Greyback.
Parte de suas conclusões vieram de especulações, mas de certo, essa seria a versão que deve mais se aproximar da verdade.
O pacto de almas deve ter sido feito quando ainda era muitos jovens, com menos de onze anos pelo menos, e para poder estar junto de Remus, Greyback entrou em Hogwarts. Mesmo não sendo mago, mesmo se expondo a uma sociedade que repudia a sua raça. E dentro desse ambiente o único que realmente importava para ele, de quem a opinião era a única valida, o repudiava.
Remus John Lupin a quem Harry conheceu havia sido um bom homem, e o rapaz que pode conhecer nesse mundo não era muito diferente em todos os sentidos, tanto que assim como o outro, renegava com todas as forças o seu lado licantropo.
Mas nesse mundo renegar esse seu lado não afetava apenas a ele mesmo, mas também a Fenrir, pois isso significava que Remus o renegava, que nunca o aceitaria.
E Fenrir sentia isso diretamente em sua alma.
"Ao estarem presos por essa ligação, Fenrir não deve ter achado outra solução para conseguir prender Remus a ele a não ser..."
- ... o chantageando – Harry murmura frustrado pelos sentimentos feridos do lobisomem e por sua própria insensibilidade – a única companhia que teve nos últimos seis anos foi a de alguém que tinha que chantagear para demonstrar um pouco de carinho. – Harry se sentou ao lado do corpo adormecido de Fenrir e sem notar começou a acariciar os cabelos acinzentados – e ao sentir o mesmo cheiro que o seu em mim tentou se aproximar de mim da mesma forma, por isso estava tão feliz de correr comigo pela floresta, de caçar, conversar e me observar comer porco selvagem assado... Por isso me trouxe aqui, simplesmente não queria ficar sozinho. Queria compartir algo que apenas eu poderia sentir da mesma forma.
Não houve resposta. Não que Harry esperasse alguma, o outro rapaz parecia mesmo inconsciente. E esse era o problema, ele teria que carregar Greyback se quisesse sair da floresta antes que escurecesse de vez e a essência de prata fosse liberada.
Só tinha um pequeno problema.
Onde exatamente eles estavam?
Havia andado tanto tempo sem rumo, entre a brincadeira de pega-pega e a caça, que já não fazia a mínima idéia de onde estavam, havia estado contando que Greyback o tirasse de lá.
Mas esse não era mais o caso.
- Ótimo – Harry olha para o céu que escurecia cada vez mais – estou perdido, sangrando, e com um lobisomem adolescente inconsciente que deve pesar certa de oitenta quilos. O que poderia tornar isso ainda pior?
Um movimento por entre uns discretos arbustos a sua frente chamaram sua atenção.
E sentindo certo deja-vu naquela situação, arrisca um palpite.
- Devo tomar issso como uma felissssz conhesssscidencia ou devo sssupor que anda me ssssseguindo?
Insultada, uma serpente conhecida se arrasta na direção de Harry.
- Ora sssseu humano imundo, como ousssssa asssschar que eu perderia meu tempo lhe ssssseguindo?
- Bom, então eu devo agradesssscer ao céussss por minha boa sssorte – Harry revira os olhos – não bassstasssse me desssangrar até a morte em meio a floressssta, agora poderei fasssszê-lo na sssua frente.
- Oh, não sssse preocupe – a serpente diz com um brilho de maldade nos olhos – antessss de morrer sssem sssangue, algum animal deve cccchegar aqui atraído pelo ccccheiro de sangue e devora-lo. Issssso sssse não vier apenassss pela fogueira que accccenderam.
Harry não pode desmentir a cobra.
Mas também, mesmo com aquelas palavras venenosas, não conseguia se sentir muito culpado por ter acendido aquela fogueira.
As criatura que realmente poderiam amedrontar Harry naquela floresta não precisariam de uma fogueira para conseguir achá-lo, bastava simplesmente ele ter colocado o pé no território delas.
O que fez Harry considerar que o fato dele e de Greyback ainda estarem vivos era apenas parte da milagrosa sorte do moreno.
- Tsssc – Harry estala a língua irritado – não assscho que presssciso essssperar tanto para te presssentiar com minha morte – o moreno fecha os olhos com pesar – não assscho que vá demorar muito para asssss defesassss de prata ssserem ligadassss.
- Defessssas de prata? – a serpente se enrola no braço ferido de Harry e o encara mais de perto – disssz a essstranha ssssubstancia que ossss humanossss impregnam diariamente na minha floresssta? Masss sssse ela nunca esssteve desssligada.
- Como? – Harry abre os olhos e encara a serpente com assombro. – Como asssssim nunca essstiveram desssligadas? Sssse fossse o cassso eu já deveria essstar maissss do que morto.
- Poisss não essstão – a serpente parecia se irritar por ser contradita – elassss nunca ssssão dessssligadas. Ao menosss não nossss ultimosss anosss
Harry não conseguia ver motivo para a serpente mentir, mas também não conseguia ver lógica naquilo tudo.
Ele e Greyback estiveram correndo por aquela floresta por horas, como poderiam fazer isso dentro de uma floresta impregnada de prata sem com isso sentir o mínimo efeito...
- Cof cof – Greyback tosse em meio ao seu sono doloroso e inquieto.
... colateral.
"Mas mesmo assim" Harry pensou consigo mesmo "um lobisomem completo como Fenrir deveria ter caído morto no exato momento em que pisou dentro da floresta se ela estivesse mesmo empestada de prata. Sem falar que eu mesmo não sinto nada, nem mesmo uma pequena tontura".
Se bem que isso não era algo para se perder tempo pensando no momento. Greyback havia começado a demonstrar cada vez mais dor em meio ao seu inquieto sono.
Com prata ou sem prata eles tinham que sair de lá.
E talvez houvesse uma maneira.
- Devo ssssupor que sssseu ninho não deve essstar muito longe. – Harry diz de maneira calculista.
- Fique longe de meu ninho, humano – a serpente aperta o braço ferido do moreno arrancando dele um gemido de dor.
- Hm... não... não pretendo chegar perto de sssseu ninho, ssserpente – Harry lança um olhar perspicaz para ela – masss acredita messsmo que os outrosss humanossss do casssstelo vão ssse manter dissstantesss?
- Esssssa... essssa não é uma área muito freqüentada – sibila a cobra de maneira vacilante – não aparessscem humanos por aqui a anosss.
- Talvezsss por que não tinham motivossss, masss com doissss adolescentesss perdidosss, você acha messssmo que elesss não acabarão aparessscendo por aqui maissss cedo ou maisss tarde? Exisssstem feitiçossss de localização para issso.
- O QUE VOSSSCÊ ESSSTÁ QUERENDO INSSSSINUAR, HUMANO IMUNDO?
- Nada de maissss, apenassss que ao baterem aqui, nada ossss impedem de vassssculhar maissss a fundo a floresssta. dessse modo, asschar o sssseu ninho sssseria apenassss um pulo.
Nesse ponto Harry sorria de orelha a orelha, se fosse possível a serpente a sua frente estaria pálida.
- Sssscerto, humano dessssprezivel, tem um trato, eu o guiarei pela floressssta, e garantirei que você e seu amigo... – alfateia o ar com desagrado – seu amigo lobo saiam ilesos.
A serpente não havia parecido lembrar de um pequeno detalhe, talvez por seu desespero em defender o lar de seus futuros ovinhos, mas ajudá-lo a sair da floresta seria o pagamento perfeito para a divida que tinha com o moreno.
Exatamente por isso que Harry não fez a mínima questão de lembrá-la, ou se não, no momento em que pisasse para fora da floresta, a serpente o morderia até a morte.
Não, o melhor que o texugo faria era simplesmente medir suas palavras e manter a serpente presa a sua divida.
Mas aparentemente os problemas de Harry não se resumiam a sua amiga viperina.
A serpente alfateia o ar novamente, e com certa morbidez fala:
- Possso guiá-lo, mas issso sssse ainda tiver uma cabesssça ssssobre ossss ombrossss.
- O que quer dissszer com isssso? – pergunta com certo medo da resposta.
Mas precisou de apenas uma palavra da serpente para perceber a extensão de sua má sorte.
- Centaurossss.
FVQP
O céu finalmente estava completamente escuro.
E com seu tom sombrio, apenas duas coisas poderiam significar. Ou as defesas a base de essência de prata não havia sido liberadas naquela noite.
Ou a serpente havia dito a verdade e elas nunca haviam sido detidas.
Levando em conta que a segunda alternativa não explica o porquê de Harry não ter ainda caído morto.
Mas de certo isso era o menor dos problemas no momento.
- Já o encontraram? – um centauro pergunta a outro enquanto remexia a fogueira próxima a suas patas.
- Ainda não – o outro responde – mas Bone e os outros estão chegando aqui a qualquer segundo.
Assistindo os dois centauros, Harry estava sentado a vários metros de altura, escondido por entre os ramos, não apenas ele, mas uma indiferente serpente e um inconsciente Greyback.
- Não demoraram muito para me encontrar. – murmura o moreno.
- O que disssse? – pergunta a serpente.
- Que não demoraram muito para me encontrar – Harry se recosta contra o tronco atrás de si – aqui o vento não delata minha posisssção, e eu esssscalei a arvore de maneira que não deixasse pisssstas, massss messsmo asssssim, Centaurossss ssssão expertssss em casssça, não vão demorar muito para me encontrar.
Como se concordando com seu ponto de vista outros centauros foram se juntando a dupla anterior, e entre eles estava o famigerado Bone.
"Agora sim estou morto" o moreno podia sentir sua cabeça caindo de seu pescoço.
- Não possssso deixar que ssssimplessssmente me assschem. Tenho que fugir.
- Sssse fossssse tão fássscil, não teria sssse entocado nessssta arvore para prinssscipio de conversssssa – a serpente acomoda a cabeça no ombro ferido – ssssabe que sssssimplesmente ssssair correndo não vai ajudar em nada.
- Eu ssssei, eu sssssei
As pernas de um humano, por mais meio licantropo que fosse, não se comparavam com as patas de um centauro, ainda mais a de vários deles, sedentos de sangue.
Harry olhou para o inconsciente Fenrir e suspira, mesmo se não tivesse que carrega-lo, sua fuga não seria mais fácil.
Apesar de que naquele momento não reclamaria se o lobisomem estivesse acordado, era melhor do que ter que passar por tudo aquilo sozinho.
Sentindo seu ombro machucado fisgar, Harry olha para ele e vê a cabeça relaxada da serpente o encarando.
E não pode evitar sorrir ligeiramente vitorioso.
Talvez não tivesse que enfrentar isso sozinho.
- Assscho que tenho um plano.
- Apenassss assscha? Genial!!! – Harry podia ver novamente o brilho mórbido nos olhos viperinos – o humano esssstupido vai bater de frente com um grupo de casssça centauriana apenassss assschando que tem um plano. Não pensssei que me veria livre de minha divida tão ccccedo.
- Oh, mas essse é o plano – Harry sorri, se isso é possível, de maneira mais maliciosa que a serpente – essstá na hora de você quitar a ssssua divida.
FVQP
Bone e seus protegidos haviam a algumas horas sentido a presença de humanos na Floresta Proibida, e não eram humanos quaisquer, era uma cria de lobisomem, e o falso potro, desgraçado, que junto com Firenze havia levado a destruição metade de seu grupo de caça.
Esta noite Bone brindaria as estrelas com sangue.
Chegando no local que dois de seus homens disseram achar os rastros mais recentes do paradeiro do falso potro, Bone se juntou ao resto do grupo na busca de pistas.
Havia restos de uma fogueira e vários osso."O desgraçado tem coragem, caçar no território das Tetanineas azuis não é para qualquer um" o centaruro acaricia a casca de árvore mais próxima "Mas aparentemente elas estão hibernando, ou ele realmente é muito valente, ou simplesmente muito sortudo".
Ainda entretido tentando medir a capacidade mental de seu oponente, Bone não pode prever o que aconteceu a seguir.
Tudo aconteceu muito rápido.
Seus aguçados instintos de caçador, e os de mais cinco dos presentes, foram ativados pela ruído de folhas se movimentando, tensando seu arco ao maximo, ele vira seu corpo quase noventa graus para tentar atingir algo que caia de cima de uma das arvores.
Ziiim
Sua flecha cortou o ar nem tão bem o líder dos caçadores a disparou, e cravado contra uma arvore, o alvo havia sido atingido bem no meio.
Teria sido uma façanha espetacular.
Se o alvo em questão não passasse de um simples galho.
O barulho de folhas sendo movimentadas voltou a uma pequena distancia do anterior, e mais uma vez os arcos, agora de todos os presentes, se voltaram para a posição, e mais uma vez algo caiu de cima das arvores, e uma flecha atirada por puro instinto por um dos centauros subordinados a Bone...
Ziiim
...tentou interceptar o seu percurso, mas não a atingiu.
O que não foi uma grande perda.
Pois ao chegar no chão o alvo provou ser apenas outro galho.
O movimento de folhas recomeçou, mas dessa vez não havia mais pausa muito longas dos lugares a que ele se movimentava, sempre deixando cair longos e grossos galhos caírem.
Os centauros seguiam o barulho que vinha das arvores com seus arcos armados e tensos, e depois que umas poucas flechas haviam sido desperdiçadas Bone se viu obrigado a dizer o obvio.
- Não gastem suas flechas com os galhos, se concentrem no barulho e mirem aonde acharem que e sua origem.
Algumas flechas haviam tentativamente cruzado as folhas, mas a origem do ruído se movia rapidamente de arvore em arvore, nunca se deixando ver.
Foi quando todos os olhos estavam grudados nas copas das arvores quando aconteceu.
- AAARGHH
Um dos centauros soltou um brado de dor, e caiu no chão.
Os outros, ainda um pouco confusos com o que estava acontecendo, ficaram em duvida entre atender o companheiro caído no chão ou voltar a olhar para as copas, pois achavam que o amigo havia sido atacado por algum projétil à distância, e que podiam ser pegos de surpresa como ele.
Todos menos Bone, ele, diferente dos outros, havia acompanhado friamente a queda de seu subordinado com os olhos, e sabia que o suposto ataque não havia sido a distancia, mas sim rasteiro.
O centauro, não cedendo ao alvoroço de seus companheiros e com seus olhos negros procurou um dos malditos gravetos que havia caído, em especial, um que havia caído perto do seu centauro.
E la estava ele.
Tentando se camuflar por entre a vegetação rasteira próxima ao corpo.
O "graveto"
Uma serpente
Ainda amaldiçoando sua ingenuidade, Bone preparou o mais rápido que pode uma de suas flechas e travou sua mira na cabeça da serpente, talvez se conseguisse pôr as mãos no seu veneno pudesse improvisar um soro para o ferido.
Sem pensar duas vezes, o centauro:
Mira.
Dispara a flecha.
Mas...
...não atinge a serpente.
Poucos instantes antes de atingir seu alvo, um vulto negro se pôs em seu caminho.
.Tão rápido quanto chega, pega em seus braços a serpente e parte.
Bone não espera muito para armar e disparar varias flechas mais, uma atrás da outra, desta vez tendo um alvo bem maior.
Mas a agilidade do vulto era suficiente para escapar de sua mira.
Se bem que o ego do líder dos centauros não poderia ser totalmente ferido, já que seu alvo desviou não só dele, mas de três outros centauros que se intrometeram em sua "batalha pessoal".
Antes que o numero de oponentes aumentasse, o vulto consegue escapulir com um pulo para cima das árvores.
Carregando com ele a serpente.
Preparando mais uma flecha, Bone reconheceu a "presença" do vulto misterioso.
E precisou apenas de uma rápida vistoria por sobre os galhos das árvores mais próximas para achá-lo.
E lá estava ele!
Sorrindo de maneira desafiante.
O desgraçado falso potro.
Harry estava de pé, em cima de um robusto galho de árvore, segurando com uma mão a serpente e com a outra um graveto, que em seu plano deveria parecer com uma varinha.
- Como ousa voltar a pisar em minha floresta, falso potro. – Bone solta um forte relincho insultado.
- Não tive a chance de me despedir da ultima vez que nos encontramos Bone – Harry curva levemente para frente em uma debochada reverencia – Não poderia viver tendo isso na consciência.
- Não poderia viver? – o centauro estica o máximo possível a corda de seu arco – se acaso esse é o seu dilema, creio que posso dar um fim ao seus problemas.
- Também acho – Harry sorri, mesmo estando na mira de todo um grupo de caça centauriano – e como primeira solução para os "meus problemas" vocês vão abaixar os seus arcos, suas espadas e me deixar ir embora junto com meu colega.
Tais palavras tiveram como respostas um coro de risos por parte dos centauros.
Quem disse que centauros não são bem humorados?
- Muita coragem ou muita burrice – Bone mira sua flecha bem no coração de Harry – No fim não terei a chance de descobrir qual dessas características regem seus atos, falso potro.
- Nem você, e nem o seu subordinado terá a chance se você disparar essa flecha.
- Do está falando? – o centauro pergunta com impaciência.
- Simples – Harry ergue o graveto/varinha a altura da cabeça da cobra – se você me matar, antes de morrer, faço questão de liquidar com a cobra e junto com ela todas as chances de você salvar o centauro ferido.
O líder dos centauros da Floresta Proibida estava em um impasse, era contra os seus princípios negociar com humanos, mas também não lhe agradava a idéia de ter mais centauros morrendo sob o seu comando.
E aquela cobra poderia ser a única fonte de salvação para o seu subordinado.
Fato que não o impedia de uma ultima tentativa.
- O que acha que me impede de perfurar sua cabeça antes mesmo de proferir uma única palavra? – grunhe com puro desgosto
- Talvez o fato de que para realizar magia não verbal eu não precise de nem sequer uma palavra.
Harry estreita os olhos apostando tudo em seu blefe.
E a resposta a sua tentativa desesperada de salvação veio logo.
- Tudo bem humano – o líder relincha mais uma vez com desgosto – e o que você sugere?
- O seu subordinado tem um corpo grande, talvez isso tenha o salvado, o veneno parece estar demorando a fazer efeito nele, se vocês tiverem o veneno da cobra e voltarem para sua aldeia, onde devem guardar uma boa provisão de ingredientes, devem conseguir salva-lo – Harry enrolava de propósito, a essa altura todos os arcos apontavam para ele, e seu único escudo era a serpente que segurava firmemente – me dêem as suas palavras que se eu lhes ceder o veneno, vocês deixarão eu e meu amigo partirmos dessa floresta sem um único arranhão.
Sentindo uma fisgada em seu ombro, Harry reprime um gemido.
"Como... hm... se eu precisasse de mais um arranhão".
Sabendo que não podia se dar ao luxo de perder tempo, ao menos não se queria salvar a vida de seu subordinado, Bone bufa de modo irritado e pateia o chão.
- Certo humano – o líder ergue um dos braços, sinalando para seus centauros abaixassem seus arcos – Você venceu. Nos entregue a serpente e deixaremos você e seu amigo partirem.
- Me entregar??? – a serpente começa a se debater na mão de Harry – Vossscê não dissssse nada ssssobre me entregar!!! Traidor!!! Maldito humano traidor!!! Verme bípede de duassss carassss!!!
"Aaaah que tentador" pensou Harry, mas por mais que estivesse tentado a entregar a escandalosa serpente aos furiosos centauros, sentiu que não seria justo para com a sua parceira de fuga.
Maldita honra Gryffindor.
- Não tão rápido – nem bem acabou dizer essas palavras e os tensos centauros já estavam, mais uma vez, apontando suas flechas ao falso adolescente. – prometi ceder-lhes o veneno, a cobra fica.
Antes que ouvisse qualquer replica, Harry dá um salto de costas e cai graciosamente de pé no chão, assombrando os seus perseguidores.
Sob o olhar desconfiado deles, Harry agiu o mais rápido que pode: revestindo um pedaço do couro do porco selvagem com duas ou três folhas que acabara de arrancar, ele improvisou uma bolsa bem segura, onde fez a serpente despejar o veneno e a qual amarrou com uma tira do mesmo couro.
Era anti-higienico, e nojento. Mas, hei!!! Ao menos o veneno estava devidamente embalado.
Com uma careta de desagrado Bone ficou frente a frente com o humano e com muita frustração não decepou a cabeça daquela criatura desagradável.
Por mais tentado que estivesse.
Tinha coisas mais importantes com o que se preocupar no momento.
Sem olhar duas vezes na direção de Harry, o líder do grupo ordenou que colocassem o ferido em seu lombo, pois do grupo ele era o mais forte e veloz. E antes de partir, não pode deixar de deixar escapar alguma palavras cobertas de rancor.
- Recomendo que parta humano. Antes que o sol reapareça no céu, eu lhe recomendo que parta. Pois se por sorte minha eu encontra-lo novamente vagando por essa floresta, voltarei para casa portando sua cabeça como troféu.
Deixando aquelas "simpáticas" palavras como presente de despedida, o grupo de centauros cavalga o mais rápido possível na direção que Harry supôs ser o da aldeia deles.
Quando o som de cascos amassando as folhas estava a uma boa distancia, Harry deixa que seus joelhos fraquejem e caindo lentamente se escora contra uma árvore.
O moreno fecha os olhos com cansaço, e se recusa a abri-los, ao menos até começar a sentir algo áspero se esfregar contra sua perna. Meio a contra gosto, volta a abri-los e olhando para baixo vê a serpente não muito longe do seu mais novo ferimento.
Uma das flechas, no final das contas, havia o atingido na perna.
- Essstá ferido – sua palavras parecia mais uma simples constatação do que preocupação realmente, apesar de que soassem ligeiramente aflitas – ssse ferissste quando atiraram contra nóssss .
- Sssssim, creio – o moreno havia pensado em uma resposta sarcástica, mas a falta de ofensiva era tão evidente da outra parte que o havia desarmado ao ponto de só ter conseguido articular aquilo – A flecha de Bone deve ter me atingido de rasssspão – dá entre ombros – já passsssei por coissssa pior.
- Ssssangue, ssssinto o cheiro de maisss ssssangue sssaindo de vossscê.
- Preocupada? – Harry teve que se conter para não rir diante da expressão que arrancou da cobra com apenas aquela palavra.
- Humpf... Para nada, apenasssss penssso em pagar minha divida.
- Eu não havia dito que sssse mordesssse um dos centaurosss ssssua divida essssstaria paga?
- Humanossss sssão volúveissss, mudam de idéia fassscilmente. Para nósss ssserpentessss a primeira palavra que empenhamossss é a que conta, e maissss cedo havia prometido que guiaria vossscê e sssseu amigo lobo para fora desssssa floresta vivossss, issssso que fisssz agora não faz nada mais que apenassss parte de nossssso acordo.
O olhar viperino parecia desafiar Harry a replicar, mas esse apenas deu entre ombros novamente e não discutiu, não seria ele a tentar convencer uma cobra que agora ela tinha total liberdade de mordê-lo até a morte.
Seja como for, estava mais do que na hora de começar a agir.
O moreno respira varias vezes fundo e se põem de pé. Tropeça levemente entre um passo e outro, mas sem precisar se escorar em nada recobra o equilíbrio, com dificuldade ele consegue apoiar o adolescente mais alto em seus ombros, e com a serpente enroscada em seu braço ferido segue na direção que os siseios de sua guia o indicava.
A respiração de Harry era cada vez mais irregular, e cada passo que dava parecia mais pesado que o anterior, não apenas seu ombro, mas seus pulsos e sua perna doíam. Sem escolha ele se deixava escorar por alguns segundos em algumas arvores para recuperar o fôlego, paradas que se tornavam cada vez mais e mais repetitivas.
Foi quando pensou que não conseguiria mais se afastar de uma das arvores que ouviu.
Um doce trinar reverberou ao seu redor.
Não.
Dois doces trinares.
Erguendo sua visão nublada para onde vinham os adoráveis sons, Harry viu duas pequenas aves de plumagem discreta empoleiradas em um galho baixo, próximo a ele.
Suas penas eram amarronzadas, com exceção do topo da cabeça e da ponta das caldas que eram avermelhadas.
"Que aves são essas?"
Mal Harry se fez essa pergunta e pode notar que toda a dor e cansaço haviam desaparecido.
- Como...
- Nosssssa, vosssce deve ter um bom anjo da guarda – a serpente também parecia estar admirando as aves, mas no caso dela com um olhar mais faminto – não é muito comum ouvir rouxinoussss por essasss bandassss.
- Rouxinoussss? – Harry estranha – mas rouxinousss não ssssão criaturasss mágicas, ate onde sssei elessss não podem curar ferimentossss.
- Ah, e não podem messssmo, olhe o ssseu ombro.
Harry olhou para seu ombro e pode ver sua ferida tão aberta quanto antes, mas estranhamente não conseguia sentir nenhuma dor nela ou em qualquer ferimento em seu corpo, se fosse ser sincero, ele nem ao menos poderia dizer que se sentia cansado.
- Rouxinousss ssssão aves magicasss sssim, apenassss ssssão mais discretasss do que as fênixsss. – a cobra sobe mais no braço de Harry, passa pelo ombro machucado e descansa no pescoço do moreno – ssssem falar que sssseu canto é uma faca de doisss gumesss. Ele faz que asss pessssoas sssse ssssintam maissss sssaudáveissss, masss sssó por que elasss sssse ssssintam, não quer dissszer que elassss esssstejam de verdade bem, alguém que estiver ferido gravemente, mesmo não podendo ssssentir a dor de seu ferimento ainda morreria. Masss em geral o canto dosss rouxinóis não anesssstesia ninguém a não ssser que a ave queira messsmo que acontessça – a serpente encara Harry com curiosidade – elasss não cosssstumam ajudar dessconhecidoss.
- Entendo – Harry volta a olhar para as duas aves e fala ainda em parcel, pois seja qual fosse a língua que usasse as aves dificilmente entenderiam – Paresssce então que vocêssss me confundiram com alguém. De qualquer forma, muito obrigado.
Os rouxinóis cessam o seu canto e como se entendessem acenam de leve a cabeça.
Levantando vôo as duas aves voam ate Harry, bicam carinhosamente as bochechas do garoto e somem por entre as arvores.
- Pelo visssto elessss não compartilham de sssua opinião – a serpente diz ainda muito bem acomodada no pescoço do moreno – tem certesssza de que não osss conhessssce?
- Acredite – Harry olha de maneira sonhadora para o lugar por aonde a pequenina dupla sumiu – sssse eu já tivesssse ouvido um canto como aquele eu nunca teria me esssquecido.
FVQP
Assim, como a serpente havia dito: o ferimento de Harry não havia parado de sangrar, mas ao menos o texugo conseguia se mover como se estivesse completamente curado.
Retomando o seu caminho, agora com bem mais velocidade, Harry finalmente podia ver al luzes de Hogwarts mais a frente.
- Ainda não entendo por que Greyback de repente começou a se sentir tão mal – murmura Harry para si mesmo.
- Prata... – a voz fraca de Greyback respondeu ao ouvido do moreno.
Harry tropeça com o susto e os três caem desastrosamente no chão, entre dolorosas cambalhotas em meios a folhas, terra e galhos.
A serpente sibilou furiosa, mas se calou ao se lembrar que supostamente, Greyback não deveria saber de sua presença.
Harry, agradecendo internamente o senso de conveniência da serpente, deixou ela se esconder de baixo de suas roupas, para em seguida acudir Greyback.
O albino estava estatelado no chão, arfando pesadamente, com seus olhos entrecerrados.
- Prata... – murmura novamente ao perceber aproximação de Harry – estou assim por causa da essência de prata.
Harry ajuda ele a se acomodar novamente em seus ombros, e volta a caminhar, mas sem cortar o assunto.
-Mas você está assim desde um pouco antes de escurecer completamente. – Harry fala confuso – Você havia me dito que...
- Menti.
- Mentiu?
- Menti – o lobisomem riu de maneira fraca antes de tossir ruidosamente e continuar a falar mais baixo que antes – é tão difícil imaginar que eu possa enganar alguém?
- Mas não tem sentido, se fosse o caso, você já deveria estar morto, EU já deveria estar morto, como eu não posso nem ao menos me sentir afetado pela prata?
O albino move com dificuldade o braço e com dois dedos tilintou uma corrente do colar que Harry carregava no pescoço contra a outra da mesma maneira que havia feito antes de entrar na floresta.
- A essência de prata, forma parte da substancia mágica espalhada pela floresta, não apenas feitiços, mas QUALQUER coisa mágica é repelida pelo colar. – Greyback falava com o seu fio de voz – A diretora, aquela mulher irritante, me deu esse colar não apenas para me defender dos outros alunos, mas para que eu pudesse andar pela floresta proibida durante minha transformação.
Greyback estava bem falante, e por segundos Harry suspeitou que ele houvesse melhorado. Mas a respiração do albino ainda era ofegante, e ele ainda não parecia capaz de se sustentar sobre as próprias pernas, talvez o canto de rouxinóis não funcionassem com criaturas das trevas completas.
Ou não fosse forte o suficiente para anular os efeitos da prata.
- Por isso você me fez colocar... – Harry raciocina – Mas mesmo assim, como você ainda consegue estar vivo?
- Eu passei mais de cinco anos com essa coisa presa em meu pescoço. Algo de suas defesas meio que se impregnaram em minha pele, cof cof... – Harry sente algo úmido se mesclar com o seu próprio sangue que descia pelo ombro – Eu apenas esperava que pudesse resistir por mais tempo.
- Droga... Que droga... – Harry apressava o passo – Por que diabos você foi fazer uma idiotice dessas para começo de conversa? Por que você me trouxe aqui?
- Por que eu não queria mais vir aqui sozinho – os braços ao redor de seus ombros apertam Harry mais forte – Por que eu não tinha coragem de trazer Remus ate aqui.
O lobisomem estava visivelmente grogue as costas de Harry, mas ainda assim, aparentemente, seus únicos pensamentos pertencem apenas a Lupin.
E Harry meio que entendeu o lado do lobisomem, se ele o forçasse, com certeza Remus o teria acompanhado, mas só iria fazer por pura obrigação. Fenrir tinha medo de ver nos olhos de Lupin mais uma rejeição ao mundo em que ambos vivem, mais uma rejeição a ele.
- É tão fácil assim sorrir? – Fenrir pergunta pegando Harry de surpresa.
- Como?
O lobisomem que o texugo carregava agora tinha a voz ligeiramente pastosa, como se estivesse prestes a dormir, mas que insistisse em se manter acordado.
- Eu me pergunto se e tão fácil assim sorrir. Eu sempre o vejo sorrindo ao lado dos idiotas que chama de amigos, mas... Qual e o sentido daqueles sorrisos? Ele mente para si mesmo, mente aos idiotas, mente para a besta... Suas mentiras se acumulam e acumulam, de dia a consciência lhe persegue e a noite deve ter pesadelos em que seu delito, o "delito de nascer", é descoberto. Como alguém pode sorrir assim? Como alguém pode... Como você pode também sorrir assim?
- Por que eu não minto.
-Você é uma "besta".
- Mas também sou humano;
- Você gosta de sangue.
- Mas também gosto de poupá-lo.
- Você cheira a sangue.
- Por que sem o sangue proteger se torna impossível.
- Por que você sorri...
- Por que minhas lagrimas podem ser a conseqüência de minha tristeza, mas se não as contenho nos momentos adequados elas se tornariam a causa da mesma para aqueles que me amam.
- Lupin... – Fenrir delirava lutando contra o sono – Por que você sorri... para todos... e não sorri para mim...
- Por que às vezes – Harry murmura para o agora adormecido adolescente – o sorriso que mais queremos dar é o que mais nos custa compartir.
-Lupin... você... por... que...
FVQP
- Assscho que podemossss nossss ssssepara por aqui, não?
Deixando finalmente a Floresta Proibida para trás, Harry havia deitado Fenrir na grama, um pouco mais afastado, e agora se despedia da sua guia honorária.
- Sssssim – responde a serpente – finalmente quitamosss todassss asss nosssasss dividassss.
Harry temia por aquelas palavras, mas diferente do que esperava a serpente simplesmente lhe deu as costas e disse enquanto partia.
- Você é humano interessssante, fala com cobrassss, passssseia com lobosss pelassss floressssta, e messssmo sssendo jovem dessssperta um ssssanha asssssassssina nossss centaurossss, ao messssmo tempo que dessssperta as boassss graçassss de rouxinóissss.É, definitivamente vossscê é um humano interesssssante, assscho que vou te obssservar por maissss algum tempo. Apenassss te ssssugiro que volte logo para o sssseu ninho, humano, o efeito do canto dos rouxinóissss não dura para ssssempre, e em condissções normaissss eu não assscho que ossss de ssssua esssspécie ressssistiria a toda esssssa perda de ssssangue.
Harry não respondeu nada, preferiu simplesmente a assistir-la partir.
Talvez acabasse de fazer mais um estranha aliada.
Vai entender.
Se sentando ao lado do desacordado Fenrir, Harry suspira fundo, finalmente tudo terminou.
O pior de tudo, ignorando as feridas e o ódio que cultivou no coração dos centauros entre outras criaturas mágicas, era que naquela confusão toda havia esquecido o presente de seu "filho" Pedro no acampamento improvisado que havia feito com Greyback.
De alguma forma ele tinha que pensar em um meio de voltar.
Mas com certeza não naquele dia.
Tudo o que ele quer no momento é voltar para dentro do colégio.
- Não sabia que você conseguia falar com cobras – a voz entrecortada de Fenrir pega Harry de surpresa – você definitivamente é uma caixinha de surpresas.
- Você... pensei que estava dormindo.
- Apenas descansava os olhos – diz ainda sonolento – parece que acabo de descobrir mais um segredo seu.
- Greyba...
- Tanto faz – o albino cobre o rosto com um de seus braços e suspira fundo – você já cumpriu a sua parte no acordo, agora eu cumpro a minha, não vou dizer nada sobre você a ninguém, e nem ferirei a ninguém.
- Não contará nada a ninguém, nem ferirá a ninguém – Harry murmura com cansaço as palavras que deram inicio a tudo isso.
E não se sentiu tão bem por fazê-lo.
Dizendo elas agora, passava um sentimento de conclusão.
De que tudo chegara a um final.
O moreno olha para a figura esparramada no chão.
"O que será que acontecera se cada um for para o seu lado agora?"
Sentindo uma fisgada em seu ombro, Harry se lembra de seus ferimentos que ainda sangravam, o efeito do canto do rouxinol estava começando a acabar, o melhor a se fazer é voltar logo para o castelo, antes que a dor e as tonturas dificultem o trajeto.
Sabendo que estava afastado de mais da floresta para ser afetado pela prata, Harry tira de seu pescoço o colar, pensando que era mais do que hora para devolvê-lo ao seu dono.
Mesmo que isso não fosse curar os danos internos que a prata causou em Greyback, talvez com o colar posto o efeito destrutivo da prata se detivesse. Não agravando mais o caso.
Mas mal o moreno tira o colar do próprio pescoço para levá-lo ao de Fenrir...
- Uediósi!!! – grita a voz de alguém que se aproximava.
Graças ao feitiço lançado o colar sai voando da mão de Harry e chicoteando no ar ele avança sem controle no céu noturno, até sumir completamente de vista.
Antes que Harry pudesse reagir, outro feitiço foi lançado.
- Everte Statum. – uma segunda voz gritou ao ver Harry se mover, e o moreno é arremessado em meio a piruetas no ar e cai apenas um pouco longe do lobisomem.
Caminhando na direção dos dois adolescentes feridos, iluminados apenas pelas luzes do castelo e pela lua no céu, apareceram dois estudantes de Slytherin, os quais Harry não fazia nem idéia de quem eram, mas que Fenrir só precisou olhar uma vez para reconhecer como os dois quintanistas que atacou antes que fizessem alguma coisa com Chris (Harry) na sexta-feira.
- Veja só o que temos aqui – um dos garotos girava sua varinha entre os dedos.
- O novato aborto e o cachorro sarnento. E olha só Thiago, o cachorro está sem a "coleira".
- Aaah, mas não pode – Thiago detêm o movimento de sua varinha e a mira com maldade na direção de Fenrir – Cachorros que saem sem coleira devem ser punidos.
Antes que pudesse ver que os outros adolescentes estavam fazendo, Harry descobriu que tinha seus próprios problemas.
-UNNNNGH!!!
O efeito do canto dos rouxinóis havia passado.
Todos os seus ferimentos começaram a doer de uma vez. Se contorceu, esquecido pelos de mais, por apenas alguns segundos antes de retomar o controle.
Uma febre alta começou a ferver em seu corpo e sua respiração voltou a ficar falha.
Respirando fundo, o moreno tenta se acalmar.
Assim que se recobra do choque inicial, tenta focar sua visão nos outros adolescentes.
E a primeira coisa que capta foram os gritos de Greyback.
FVQP
Mantendo uma distancia de alguns metros de seus alvos, um dos Slytherin, aparentemente Thiago, havia feito sair de sua varinha um chicote de fogo – Harry tinha que dar o braço a torcer, os adolescentes daquele mundo eram originais – e golpeava o corpo já fragilizado do lobisomem.
Fenrir mordia os lábios na tentativa de se conter, mas era impossível, vários gritos foram arrancados de sua garganta.
Nenhum pedido de misericórdia.
Apenas gritos desgarradores.
O lobisomem mantinha seus olhos bem fechados, tentava fugir da dor, mas era impossível. Seus sentidos estavam à flor da pele, não apenas pelo período pré-lua cheia, mas agora graças a prata em seu sangue.
Cada golpe.
FLAPT.
O fazia...
FLAPT
Desejar...
FLAPT
A morte.
FLAPT.
- Hei Thiago, deixa um pouco para mim – o garoto que apenas assistia entreviu – desse jeito eu não vou poder usar o presentinho que meu pai me enviou.
Greyback abriu apenas um dos olhos e com certo pânico viu o que o garoto empunhava.
Podia sentir sua pele formigar apenas em vê-la.
Uma adaga de prata.
- Meu pai ficou muito interessado ao saber que eu dividia minha sala comunal com um lobisomem, por isso nesse final de semana me enviou esse brinquedinho.
- Ah, assim não vale – o garoto do chicote recolhe a arma incandescente – se você arremessar isso ele vai morrer na hora, eu quero brincar mais.
- Você já brincou o suficiente, agora e a minha vez.
Fechando os olhos com certo pesar, o lobisomem sabia que não tinha muita salvação.
O jeito era esperar o pior.
- Aí vai – gritou com maldade o dono da adaga.
Ziiiim
- Aaaargh
Um grito que não era o seu corto a noite, e abrindo os olhos assustado não apenas pela ausência da dor, mas por reconhecer o dono do grito, Fenrir se viu cara a cara com o estranho novato.
Christopher Hardnet estava em cima de seu corpo, apoiando suas mãos, próximas as orelhas do lobisomem e com uma expressão tão moribunda quanto supostamente a sua própria.
E com um punhal de prata cravado em suas costas.
- Louco... – murmura Greyback.
- Shhhh – Harry pisca um olho tentando disfarçar a sua dor – eu sou só... ungh... meio licano, lembra? Unngh... a prata me mata de maneira mais lenta que a você.
- Mais...arfh... mais lenta ou mais rápida... arfh... não faz muita diferença nesse momento não acha?
- Se algo eu... unnngh... aprendi na vida... unfgh... foi que o segredo para realizar um milagre... ungh.... é conseguir enrolar.... unnngh, o máximo possível... para... para que ele chegue a acontecer.
- Ora, parece que o aborto não quer esperar para entrar na brincadeira – o dono do punhal não pareceu tão decepcionado por desperdiçar sua arma – o que acha Thiago? Quanto tempo ele agüenta contra o seu chicote?
- Um aborto? – o rapaz do chicote, Thiago, diz com um divertido desdém – aposto cinco galeões que ele se afasta na primeira chicotada.
- Saia... – Fenrir murmura.
Harry sorri de maneira fraca
- E deixar esse idiota ganhar a aposta? – estira a língua – nem morto... AAAARGH.
O golpe não demorou a vir.
Harry se desequilibra e apóia uma dos braços com o cotovelo, respira fundo, erguer novamente o braço que cedeu e volta a apoiar o corpo com as duas mãos.
- Ufhh... – Harry ainda forçava seu sorriso – essa foi por pouco.
- Por que... me ajuda? – Fenrir mal conseguia manter sua voz firme seja pela dor física, psicológica, ou emocional – atingido.... em meu lugar... prata.
- Ouuu merda – Harry geme sentindo seus braços fraquejarem novamente, mas desta vez se mantendo firme diante do golpe – se você vai... perder tempo murmurando aaaaaaargh... – o moreno arqueia seu corpo para trás ao sentir novamente algo queimar suas costas. – que ao menos... Não seja algo tão obvio... aaaaaargh...
Harry não queria abandoná-lo.
Fenrir já havia sido abandonado demais em sua vida para ter que passar por isso de novo.
Queria ficar.
Queria protegê-lo
O lobisomem, naquele mundo era uma pagina em branco que ninguém havia preenchido ainda.
Ele não era bom, nem mau.
Era como se apenas existisse.
"Uma existência odiada, ou ignorada." Pensa Harry com pesar
- Vá... embora... – Fenrir insistia.
- Mas você está aqui Greyback – Harry murmura com carinho – eu não vou te ignorar, sua presença, sua dor... Seus sentimentos... Eu não vou te ignorar... AAAARGH!!!
Os golpes de seus agressores se repetiam e repetiam arrancando gritos de dor do moreno.
- Saia.... daqui – o lobisomem apenas murmurava repetidamente enquanto encara a face distorcida de dor de Harry - saia... Não tem para que ser meu escudo... eu...
- Diga isso mais alto – murmura Harry em resposta.
- Como – pergunta o outro desconcertado.
- DIGA ISSO MAIS ALTO, PORRA!!! Cof cof – de sua boca sai uma pequena quantidade de sangue. Seus órgãos internos haviam começado a sofrer os efeitos da prata – Diga mais alto para que meu corpo possa ouvir – pisca tentando forçar um sorriso – e quem sabe ele possa te obedecer, quem sabe... ele possa absorver um pouco da lógica dessas palavras e se mandar daqui, mas até lá...aaaaargh... se não for capaz disso... aaarrrgh... não perca tempo pensando ou se preocupando com mais nenhuma bobagem... aaargh uunfh uunfh – respirando fundo com a cabeça baixa, Harry escondeu seu rosto com seus desgrenhados cabelos pretos. E daquela posição, Fenrir pode ver em um pedaço daquela expressão dolorida, apenas um semi-coberto sorriso, algo vacilante, sim, de uma essência totalmente efêmera ao seu redor, mas ainda sim um sorriso – Eu vou proteger você.
Um sorriso apenas para ele.
- Saia daqui... – murmura Fenrir sentindo uma sensação estranha nos olhos, algo que não sentia há muitos anos.
- AAAAGH.
- Saia daqui... – repete quando aquele estranho calor desce por suas bochechas se misturando com o sangue que Harry espirrava sobre sua face.
- AAAAGH.
- Saia daqui DROGA!!! – o lobisomem começava a se desesperar.
Não sabia de onde tirava forças para continuar falando, mas mesmo assim o fazia, a cada grito de dor do moreno ele desgarrava sua própria garganta o mandando embora, era tudo o que podia fazer para expulsar aquele mestiço idiota de lá.
Era tudo o que podia fazer para salvar o único sorriso verdadeiro que lhe brindaram desde...
- AAAAGH.
... desde aquela tarde em que conhecera Lupin
- Saia... – suas forças se esvaiam junto com sua consciência, e antes de adormecer só teve forças para um ultimo apelo – por favor... Apenas saia...
- Acho que é a hora de acabar com a brincadeira – um dos garotos disse – Crucio!!!
- Protego Horribilis!!!
Uma maciça barreira se formou ao redor dos dois jovens feridos quando as palavras foram pronunciadas pelo "novo jogador".
Severus Snape, com seus olhos brilhando de determinação, havia se posto na frente dos dois feridos.
Após o bolo do texugo na hora do almoço, Severus havia passado toda a sua tarde lendo próximo ao lago, quando estava prestes a entrar no colégio, pois não queria mais forçar a sua vista com o Lumus que havia conjurado, ouviu os gritos de Hardnet vindo da direção de onde ficava a entrada da Floresta Proibida.
Não pensou duas vezes.
Largou seus livros para trás e correu na direção que vinha a voz do novato.
Depois de ver o estado que Hardnet estava, esqueceu o furo no compromisso deles e deu graças a Merlin por estar por perto.
- Eu sei que pode parecer meio injusto – o Slytherin recém chegado diz de maneira sarcástica – mas será que posso tornar esse jogo um "três contra dois"?
- Saia daqui mestiço nojento – Thiago estreitou os olhos com raiva – podemos brincar com você mais tarde.
- Desculpe – Severus mantêm sua varinha erguida e se coloca em posição ofensiva – mas não sou tão desocupado como vocês, tenho uma agenda cheia. Temo que tenham de brincar comigo agora.
Fazia tempo que Harry não via um mago da estirpe de Severus Snape duelando, e mesmo que sua técnica não fosse tão refinada como nos anos em que compartiram campos de batalha, seus movimentos ainda destilavam uma elegância impar.
A luta era, diferente do inicialmente proposto, um "dois contra um", mas mesmo assim o moreno do sexto ano guiava aquela luta brindando seus opositores com uma fiel desvantagem.
Todos – talvez por Snape nunca ter ousado levantar a varinha contra ninguém de sua própria casa – pensavam que ele era um zero a esquerda graças a seu sangue. Mas a cada feitiço bem empregado, e novas barreiras maciças que levantava ao redor dos feridos, faziam os dois rapazes com quem duelava engolirem seus preconceitos.
E acreditem
O sabor que descia por suas gargantas era bem amargo.
Mas é como se diz; "se você não sabe o que fazer, volte para os velhos truques."
Em meio ao duelo, os dois quintanistas da casa da serpente pareciam ter pensado a mesma coisa ao olharem para certa parte do terreno onde estavam.
Os dois corpos semi-concientes estirados no chão.
Como era mais do que obvio o objetivo de Snape ao comprar aquela briga, ao invés de mirarem o próximo feitiço nele, os dois adolescentes miraram suas varinhas na direção dos adolescentes feridos, e assim desestabilizar a serpente que enfrentava,.
O raio vermelho de crucio atingiu em cheio as costas de Harry, o fazendo gritar mais uma vez de dor, mas ao contrario do esperado, Severus não se moveu um milímetro de onde estava.
Os olhos do sextanista destilavam uma frieza calculista, mas com pequenos destelhos de ódio.
- Você está bem Hardnet? – pergunta sem abaixar a varinha ou tirar os olhos de seus oponentes, os olhos de um verdadeiro duelista.
- Melhor... cof... cof... impossível – responde Harry o mais audível possível escondendo contra o peito de Fenrir um sorriso deliciado.
Aquele era uma pequena parte do Severus Snape que um dia conheceu.
- Ótimo – Severus desliza suas pernas com suavidade e posiciona sua varinha de maneira mais ameaçadora – eu odiaria que você desmaiasse antes de ver a cor do sangue desses desgraçados.
Isso era algo que os dois adolescentes idiotas não entendiam, mas que Harry conhecia e apreciava.
Severus Snape não era um Gryffindor.
Severus Snape não pula na frente de inocentes indefesos para defendê-los de toda a dor do mundo.
Severus Snape era um Slytherin.
E Slytherins não defendem.
Slytherins se vingam.
- Langlock. – com esse feitiço as línguas de seus oponentes se prenderam no céu das próprias bocas, os impedindo de conjurar qualquer feitiço mais.
Quando o moreno mais velho entrou naquele campo de batalha não foi para deter os gritos de dor de Harry.
- Expeliarmus – com esse, Severus desarmou os dois adolescentes ainda abobalhados com o ultimo feitiço.
Mas para que aqueles que o causaram gritassem mais alto que o moreno.
-Locomotor Morbs – já esse fez com que seus, já inúteis adversários, grudassem seus membros contra o corpo os imobilizando.
Gritos que cobririam os de Harry.
-Septasumpra – cortes por todo o corpo fizeram gemer e grunhir os adolescentes de língua e corpo em geral presos.
Gritos, tão altos e dolorosos, que embalariam o mais novo e o fariam esquecer toda a dor que o causaram.
-Cruci... – e antes que finalizasse sua "obra prima"....
-Expeliarmus!!!
Alguém interveio
Atingido pelas costas. Severus foi obrigado a parar de recitar os seus feitiços.
Sua varinha voou de sua mão, e na tentativa de desviar de mais dois feitiços que vieram logo atrás desse a distancia entre ele e sua arma apenas aumentou.
Se unindo aos que já estavam lá, mais três Slytherins apareceram atraídos pelos gritos dos amigos.
Eles não perguntaram, nem ao menos falaram nada, apenas tentavam acertar Severus – o único alvo móvel a vista – com todos os feitiços que lhe viam a cabeça. Severus teve que suportar um ou outro malefício, mas mesmo com as dificuldades conseguiu reaver sua varinha.
O problema era que os dois Slytherins que havia deixado com os corpos colados já havia recobrado o controle de seus membros e se uniram aos outros três.
Agora eram cinco contra um.
A batalha estava ficando acirrada, e Severus não conseguia mais se mover como antes, era praticamente impossível se defender.
Harry perdia cada vez mais a consciência, tendo como resposta de seu corpo apenas o apertar de seus os punhos diante da própria impotência.
Quando tudo começava a ser devorado pela escuridão, uma segunda pessoa havia se unido a Severus em sua batalha quase perdida.
Tudo o que pode identificar da misteriosa pessoa antes de adormecer, foram os esvoaçantes cabelos curtos e castanhos, e um par de olhos dourados.
FVQP
- Enervate
Guiado pela palavra mágica do feitiço de despertar, Harry abre os olhos, e a primeira coisa que vê é Severus inclinado sobre seu corpo.
Sem a adaga em suas costas, o moreno mais novo estava deitado de barriga para cima com a cabeça descansada no colo da serpente.
Ao acordar naquela posição estranha, Harry tenta se mover.
Mas...
- Ai... – Tudo que Harry pode fazer foi gemer quando voltou a sentir as dores de seu corpo.
- "Ai" mesmo – Severus suspira aliviado pelo texugo ter despertado bem – não conseguiria achar expressão melhor para descrever o seu estado.
Harry estava sem sua retalhada camisa, com o corpo coberto de bandagens.
- Estou parecendo uma múmia – sorri resignado e se acomodando melhor no colo do mais alto – foi você quem fez as bandagens?
- Nada de mais – diz dando entre ombros, e sem perceber começa a alisar os cabelos negros com seus dedos longos - Um simples "Ferula" e pronto. Só que o ferimento da adaga não se fechou como os outros quando eu apliquei o "Episkei".
Os dois pares de olhos se encararam, ambos sérios.
- Ferimentos com prata não podem ser considerados leves, para serem curados com um simples "Episkei", Snape. – Harry diz de maneira lenta.
- Apenas para algumas raças eles não são considerados leves. – Severus estreita os olhos tentando indicar que não era tolo
- Apenas para algumas raças eles não são considerados leves – repete Harry, relaxando os ombros tensos, em sinal de rendição. O rumo que a conversa ia era bem obvio.
- E esse ferimento no ombro...
- Se possível – Harry o interrompe – gostaria de conversar sobre isso mais tarde. – Harry ganha um olhar pensativo do aparentemente mais velho e decide mudar de assunto – Onde esta Fenrir?
- Greyback? – Severus acena com a cabeça – ali.
Um pouco mais afastado um silencioso Remus curava superiormente os ferimentos de um tão calado quanto, Fenrir Greyback.
Harry suspira aliviado ao ver que o albino já carregava de novo o colar de proteção.
- O que Lupin faz aqui? – Harry pergunta com certa surpresa
- Também me surpreendi – Severus volta a passar a mão nos cabelos do ferido. Aquilo era realmente relaxante, para ambos – quando me dei conta ele apareceu do nada e me ajudou a derrotar os outros Slytherins – Harry encarou surpreso o outro moreno dar o devido credito a Lupin, e meio insultado Severus complementa – Poderia dizer muitas coisas do frouxo do Lupin, mas uma das que nunca poderia dizer é que não é bom em um duelo.
Harry olha mais uma vez para o casal afastado.
Não trocavam uma palavra entre si, nem ao menos se olhavam nos olhos..
- Como você soube que precisávamos de ajuda? – o texugo volta a se concentrar em seu "escoro".
- Sorte, eu acho. A essa hora da noite não tem mais ninguém por essas bandas, eu meio que perdi a hora lendo, e pude ouvir você gritando.
- Ah... e Lupin? Ele disse como soube que estávamos aqui? Também nos ouviu gritar?
- Hn... não sei, quando eu perguntei ele não me respondeu, o idiota apenas ficou vermelho e falou um monte de coisas inteligíveis.
- Sei... e os idiotas dos seus companheiros de casa?
- Entraram, depois da surra que eu e Lupin demos neles...
Após alguns minutos de conversa a mais, Remus finalmente avisou que havia acabado de desinfetar e cobrir os ferimentos mais graves de Greyback.
Decidindo que era a hora de voltar para dentro do colégio, Severus fez cada um dos feridos se apoiarem em seus ombros.
Verdade seja dita, o Slytherin não era necessariamente um atleta, e apoiar os dois adolescentes não era nada fácil.
Harry passou a mão pela cintura do moreno mais velho, o que o fez estremecer imperceptivelmente, enquanto Fenrir apenas se deixou acomodar no ombro do seu companheiro de casa e ano.
Remus não disse nada, nem pareceu fazer questão de ajudar os dois feridos a entrar no castelo.
Fez até mesmo questão de dizer que tomaria outro caminho.
Severus não se importou muito de entender os motivos de Lupin
Greyback não fez questão de nem mesmo olhar para o leão.
E Harry leu aquela ação claramente como: "Não quero ser visto andando no castelo com Fenrir Greyback"
Quando os três já haviam avançado um pouco, Harry olhou de relance para trás, ainda um pouco indignado com a atitude de Lupin.
E o que viu fez um pequeno sorriso nascer em seu rosto.
Se virando rapidamente para o semi-consciente Greyback, murmurou, mesmo sabendo que por mais baixo que falasse Severus ainda seria capaz de ouvi-lo.
- Depois de tudo o que você me mostrou hoje sinto que devo te agradecer. Ninguém até o momento teve a oportunidade ou a coragem de compartilhar isso comigo. Esse lado meu que apesar de tudo não estou disposto a sacrificar.
"Não pense em bobagens Severus" o 'reboque' dos dois adolescentes tentava não mal interpretar as palavras que era forçado a ouvir "apenas não pense em bobagens"
O lobisomem ergue os olhos cansados na direção de Harry um pouco confuso sem saber aonde o moreno queria chegar.
- Como pagamento – Harry continuou – vou compartilhar com você um pequeno segredo. – Harry aproxima o rosto o mais próximo possível do outro adolescente, dificultando mais o equilíbrio de Severus – nunca fui muito bom em ler os sentimentos das pessoas ao meu redor. Nunca consegui ver alem das expressões que os de mais me mostravam, e aparentemente você não é muito diferente de mim. Mas eu não sei você, mas por mais leigo que seja, eu não acho...
Harry detêm seu pequeno monologo em uma pausa dramática e aponta levemente com a cabeça para um determinado ponto atrás do trio.
Fenrir se mexe desconfortavelmente para olhar o que era, e viu algo que aqueceu seu coração de uma maneira que a muito tempo não se aquecia.
Remus olhava fixamente os três se afastando, com uma das mãos ligeiramente erguida de maneira indecisa, e em seu rosto traços que o lobisomem nunca pensou que um dia se dirigiriam para ele.
Os de preocupação.
- Eu realmente – Harry atrai a atenção novamente de Fenrir o fazendo se virar – realmente, não acho que aquele rosto desprende qualquer indiferença.
Sorrindo francamente, sem seu costumeiro ar sarcástico, Fenrir finalmente se deixa adormecer, fazendo Severus fraquejar ao ter todo o peso do lobisomem sobre seu pobre ombro esquerdo.
- Tsc – resmunga o Slytherin consciente – nesse ritmo, daqui a poucos passos, vamos ter que procurar alguém que mecarregue.
- Foi mal Severus – Harry murmura envergonhado, lutando para manter a consciência e não dar mais trabalho a versão mais nova do padrinho de Draco – como se não bastasse você ter se metido na nossa briga, você ainda tem que nos carregar.
- Briga? – Severus ergue uma sobrancelha de modo cético – eu chamaria mais de linchamento.
- Como seja, se bem que não seria mais fácil se nos fizesse levitar ao invés de nos carregar?
- Faria se pudesse Hardnet – ao ver o olhar confuso que Harry lhe lançou, a serpente suspira e responde a muda pergunta – Greyback está com o colar que a diretora lhe deu, nenhum feitiço o afeta novamente, e quanto a você, seu corpo está infectado com a prata mágica da adaga. E prata mágica pode alterar qualquer magia que eu lance sobre você, e os resultados poderiam ser perigosos. Seja como for, quando chegarmos à enfermaria, a srta. Hargreaves deverá saber a melhor maneira de te desintoxicar.
- NÃO!!!
Harry se exaltou tanto que os três corpos foram parar no chão.
Fenrir caiu de bruços ao lado dos outros dois que caíram um em cima do outro.
Ou seria melhor dizer Harry caiu em cima de Severus?
Incomodado com tamanha proximidade Harry gira para o lado para sair de cima do maior e com certa dificuldade volta a encará-lo, dando-se de cara com uma expressão que banbava entre a raiva e a confusão.
- O que diabos você pensa que está fazendo?
- Bem... digo... – Harry pensava o mais rápido possível em uma resposta pouco comprometedora – eu não acho que é uma boa idéia ir para a enfermaria.
- E isso por que...
- Por que... Quando chegarmos à enfermaria, ao nos examinar, a enfermeira vai perceber que não só eu, mas Greyback está com resíduas de prata no organismo.
- E por que Greyback teria resíduos de prata no... A Floresta Proibida. – os olhos negros se arregalaram com compreensão - Vocês estiveram dentro da Floresta Proibida? O que foram fazer lá? E como Greyback se contaminou? Não era de se esperar que usando o colar ele seria imune a qualquer feitiço ou substancia mágica?
- Longa historia, que por acaso faz parte da nossa conversinha que teremos mais tarde – Harry suspira ao saber que não poderá esconder seu segredo por mais tempo do Slytherin – o caso é que se formos para lá, os pontos que nossas casa perderiam seriam enormes, não que eu me importe muito com isso – Harry diz isso com mais sinceridade que nunca – mas quanto a vocês...
- Entendo – Severus se põe pensativo, e não pode esconder certo grau de preocupação ao olhar para o lobisomem inconsciente – mas mesmo assim não podemos deixá-lo assim. Nem a ele nem a você.
- Eu sei, eu sei – Harry remexe seus cabelos de maneira nervosa – Talvez eu me arrependa, mas acho que sei aonde podemos ir.
FVQP
Com certo assombro, Severus observou o estoque secreto de poções que o misterioso novato escondia.
Dentro da pequena câmara, os três adolescentes se acomodaram nas cadeiras que Severus transfigurou próximas a extensa mesa no centro, e apesar de dois deles terem varias perguntas estampadas em seus rostos, Harry simplesmente disse:
- Apenas tive sorte de tropeçar nesse lugar dois dias atrás.
Aquilo calou os dois Slytherins, ao menos o suficiente para que Severus se concentrasse em ministrar as poções necessárias para os dois feridos.
Harry foi o primeiro a ser tratado, não apenas pela preferência do "doutor", mas por seu estado conseguir ser mais grave do que o de um lobisomem intoxicado com altas quantidades de prata.
Teve que tomar várias poções cicatrizantes para combater os efeitos da prata e só assim fechar o ferimento da adaga que não paravam de sangrar. Um restituidor sanguíneo, que serve para substituir o sangue enquanto seu corpo repõe naturalmente o liquido vital perdido. Já seu ombro, apesar de conseguirem fazer com que fechasse, ainda não poderiam dizer que estava completamente curado.
Fenrir, não precisou de nada muito diferente do que Harry, com exceção dos cicatrizantes.
E no fim, para restabelecer as forças, ambos beberam um concentrado de favos de dandrís e raiz de Mandrágora pulverizada.
Uma bebida que Severus sabia tanto quanto qualquer pocionista não poderia ser ingerida por seres humanos normais.
"Hardnet... será que você também é um lobisomem como Greyback?"
Mas Severus não fez essa pergunta.
Ele apenas revisou seus "pacientes", e vendo que ambos estavam saudáveis o suficiente para volta a circular pelo colégio – mas sem muita estripulia – os libera para ir jantar.
Assim que os três saíram da sala secreta – com Fenrir e Severus jurando que não contariam de sua existência para ninguém – o lobisomem agradece o tratamento medico gratuito e com um aceno de cabeça se afasta dos outros dois.
Vendo que pela direção que ia, Greyback não pretendia ir para o refeitório, Harry não se contem.
- Fenrir – Harry o chama antes que se afastasse de mais.
O lobisomem se vira.
- Fenrir – Harry diz novamente – nós... Estamos indo jantar, se quiser...
O lobisomem apenas sorri de canto de boca e acena novamente com a cabeça seguindo pelo mesmo caminho de antes
- Você acha que ele não vai contar desse lugar para ninguém? – Severus não pode deter sua desconfiança. Nunca ouvira nada de bom do lobisomem.
- Hn... – "Se algo que eu aprendi hoje é que eu posso confiar nele" – talvez. Sabe? Fenrir não é um cara de todo ruim quando se passa tempo o suficiente com ele para perceber.
Mas aquela não era toda a duvida do sextanista, Severus ainda queira perguntar sobre a mordida no ombro de Harry e a estranha fraqueza com a prata que o moreno aparentemente tinha.
Tudo apontava apenas para uma coisa.
Mas mudou de idéia, seja o que tivesse que falar, Chris falaria mais cedo ou mais tarde.
Para isso eram amigos.
Então, com a consciência mais leve, passou para o próximo dilema.
Se removendo incomodo ao lado de Harry, Severus travou uma pequena luta interna antes de se convencer de tirar um micro pote de dentro de suas vestes.
- Engordo – o minúsculo pote cresceu ao tamanho real - Eu... – a serpente começa a dizer sem jeito – bem... Você havia dito que queria... e bem... você não apareceu... Mas eu pensei que talvez... Aaaaah, toma.
Recebendo o pote tão desajeitadamente quanto foi entregue, Harry o abre e vê uma pequena piscininha de chocolate, creme e pedacinhos de biscoito mole.
- Está totalmente derretido, eu não pensei que demoraria tanto para te encontrar. – severus não parecia querer encara Harry – Então eu vou entender se você não quiser.
Harry sorriu diante do gesto, o que não impediu que se sentisse um pouco culpado.
Aquele era o pavê que fez Severus prometer levar para ele no almoço.
Almoço que não compareceu.
- Está brincando? Acha mesmo que vou recusar? – o moreno mergulha dois dedos no pote e pescando um dos biscoitos moles sobe os dedos com uma grande quantidade de chocolate e creme. – eu adoro pavê.
Talvez tenha sido o cheiro de chocolate que se espalhou quando o texugo abriu o pote.
Talvez tenha sido a expressão de pura felicidade nos rosto de Harry quando levou o doce a boca.
Talvez tenha sido mesmo até pela maneira com que o novato lambeu os lábios depois da primeira "provada" ao mesmo tempo que seus dedos desciam para preparar uma segunda.
Severus não sabia dizer.
Mas por algum motivo a serpente havia sentido a estranha vontade de provar daquele pavê quente e disforme.
Os olhos do Slytherin olharam de relance a boca do companheiro de colégio se encher novamente daquela saborosa sobremesa.
Aaah... Como ele gostaria de provar daquele pavê.
FVQP
Ok... Não era como se antes a palavra normal poderia ter sido ligeiramente considerada antes, mas agora, diante da nova "aquisição", era impossível sequer pensar na possibilidade de sequer cogitá-la...
- Oye!!! – Hooch sinala para o novo membro que estava do outro lado da rodinha do "picnic" – Greyback!!! Passa o molho!!!
- Hn – o garoto lança o recipiente de molho em um passe perfeito para a texuga, arrancando dela um assobio.
-Wou – a adolescente sorri ao pegar o recipiente que lhe foi arremessado com precisão – graças a Helga Hufflepuff você não joga no time de Slytherin.
Chegando na metade da refeição, carregando apenas um cálice de suco de abóbora e um prato de carne, o lobisomem havia se sentado sem maiores cerimônias ao lado de Neville e Luna, já que os lados de Harry já estavam ocupados.
Cada um dos amigos de Harry, por seu próprio motivo, pareceu aceitar bem a entrada do lobo no grupo:
Desde que tenha molho em seu purê de batatas e que nada nem ninguém tocassem em sua irmãzinha, poucas coisas conseguiriam irritar Hooch.
Neville era um bom moço por natureza, se alguém estava disposta a interagir com ele de maneira civilizada ele aceitaria sua presença seja ele quem for.
Siby nunca parece perceber muito bem quem está ao seu redor. Uma pessoa a mais ou uma pessoa a menos no grupo não faz muita diferença para ela.
Severus se considerava tão novato nessa rodinha quanto o lobisomem, logo não se sentia muito no direito de dar pitaco.
E Luna... bem, Luna era a Luna
- Você não pretende comer isso, pretende?
A menininha de olhos arregalados olhava diretamente para o prato do albino que tinha um enorme pedaço de carne.
O lobisomem apenas ergue uma sobrancelha.
- Por que eu não acho que deveria – a meninha afirma com muita convicção – realmente não acho.
Metade da mesa Ravenclaw vibrou por dentro ao imaginar que a vergonha de sua casa seria devorada pelo "lobisomem honorário" de Hogwarts, graças a sua ousadia.
- E por que não deveria? –a voz de Fenrir era arrastada.
- Ora, por que não faria bem. – a loirinha tira das mãos do mais velho o prato dele e entrega o dela que era repleto de coloridos legumes. – eu sempre percebi que você apenas come isso, assim você vai ficar fraco. Meu papai sempre diz que eu devo comer minhas verduras para não morrer como minha mãe.
- Sua mãe morreu por não comer todas as verduras? – Fenrir só pode se surpreender com tamanho disparate.
- Claro que sim – a garotinha sacode a cabeça com bastante veemência – os tentalibufs que moram em nossa horta viam de tempos e tempos se nós comíamos todos os presentes da terra que nos era brindado. Um dia mamãe afastou suas rodelas de cenoura para um canto do prato e as esqueceu lá, e depois, pimba, como castigo os tentalibufs afastaram minha mamãe de nós.
O albino ouvia tudo com certo desconcerto, tanto que não interrompeu nem um pedacinho da estranha narrativa que a loirinha apenas continuou.
- Por isso eu deixo que você coma um pouquinho do meu prato – ela se abaixou e disse como se fosse um grande segredo – depois se os tentalibufs vierem me perguntar eu digo que dividi com você por que desde o começo era uma porção dupla.
Não podendo agüentar mais, Greyback solta uma estrondosa gargalhada atraindo a atenção de todas as mesas, e despertando um sorriso discreto de cada membro de sua nova rodinha de amigos, bem, de todos menos de Siby que apenas cantava sua musiquinha fúnebre.
Fenrir aceita a proposta de Luna com um sorriso e quando capta o olhar de Harry da entre ombros como se dissesse "não e como se eu já não tivesse comido carne hoje".
Vendo a estranha interação de Fenrir e Luna dar certo – nem parecia que a menos de doze horas o garoto estava fazendo ameaças de desmembra-la ou coisas do gênero – Harry se vira para a outra serpente do grupo.
- Tudo bem com você mesmo Snape?
O Slytherin acena com a cabeça e suspira.
- Eu não podia esperar nada diferente, poderia?
Quando entrou no grande salão no começo da refeição, Severus foi recebido por olhares gelados da mesa das serpentes, a historia que ele enfrentou companheiros de casa lado a lado com um Gryffindor para defender um texugo não foi muito bem aceita pelas outras serpentes.
Houve até mesmo um ou outro engraçadinho que tentou lançar um malefício no sextanista, mas esses enfrentaram a ira das super protetoras irmãs Black.
O fato era que depois daquela noite, Severus tinha cadeira cativa no grupo do picnic, não que se importasse muito.
Ele agora podia se sentar sempre ao lado de Chris.
- Mas fala ai – Fenrir que havia se levantado de seu lugar se ajoelha atrás de Harry e se apóia contra seu corpo passando um de seus braços por sobre o ombro do moreno e com o outro coloca um cálice com suco de abóbora na frente do texugo – você não vai mesmo a enfermaria ver esse ombro?
- Eu estou bem – Harry responde com cansaço.
- Hun-run – Greyback bate com força a base do cálice no suposto ombro ferido arrancando do moreno uma careta de dor – claro que está.
- Harry parece ter uma fobia de enfermarias – Hooch se mete na conversa mesmo sem saber de onde vinha a nova ferida do garoto – ele podia ter um olho caindo e ainda sim ser capaz de tentar enfiar ele de volta no lugar sozinho e botar um band-aid em cima só para evitar de ir na enfermaria.
- Não exagera – Harry resmunga.
- Você está ferido de novo? – Neville lança um olhar reprovatorio para Harry – em que você se meteu dessa vez.
Neville havia saído do dormitório algumas horas depois que Harry havia entrado na floresta proibida.
A ausência do amigo foi evidente, mas assim como Harry não comentou nada sobre o estranho complexo eremita do amigo quando voltaram a se encontrar, Neville não havia perguntado aonde Harry havia se metido a tarde toda.
Ao menos não até o momento.
- Nada, eu não me meti em nada – Harry tenta encerrar o assunto.
- Eu não chamaria essa ferida de nada – Fenrir cochicha ligeiramente culpado em seu ouvido – eu conheço bastante bem a força de minha mandíbula.
- E eu da minha língua – Harry cochicha no mesmo nível que o lobisomem – eu procurei por isso, então estamos quites.
- Não, prove de meu cálice e estaremos quites.
Harry encara com certa desconfiança o cálice, mas mesmo assim deixa que o outro o entorne em sua boca.
E quase não deixou que o retirasse de lá.
NECTAR DOS DEUSES!!!
Depois de tanto tempo finalmente pode voltar a provar uísque de fogo.
- Você sabe que eu te amo, não sabe? – Harry pergunta com humor.
- Desde o momento que nossos olhos se cruzaram – Fenrir responde no mesmo tom e cola seu rosto bochecha contra bochecha ao do moreno, para em seguida dividirem uma longa gargalhada.
Tal reação atraiu vários tipos de olhares.
O olhar divertido de uma certa texuga de cabelos brancos – "Aposto que dentro desse cálice tem bem mais de suco de abóbora, próxima rodada eu quero provar"
O olhar indignado de uma serpente de cabelos negros – "Isso é anti-higiênico, qual o problema de cada um tomar sua bebida em seu próprio copo?"
O olhar aprobatório de uma pequena Ravenclaw – "Abóbora é legume... hn... é, acho que os tentalibufs podem se contentar se ele beber isso ao invés de terminar o prato que eu lhe dei"
O olhar indiferente de um texuguinha semi-ausente - "tec tec tec tec tec..."
Os olhares compreensivos de um texugo de cabelos castanhos – "Parece que Harry fez mais um novo amigo, fico feliz"
E mais distante, na mesa dos leões, um olhar em especial.
O de receio.
"Desde quando? Desde quando Fenrir é tão intimo com o aluno novo?"
Mas esse olhar ninguém percebeu.
FVQP
Se alongando, Draco vira de lado na cama e se afasta da esfera brilhante que ficara observando por horas.
Agora que Harry tinha ido dormir – mais uma vez dividindo a cama com Longbottom – o loiro poderia ter a noite de sono dele em paz.
Ou quase.
- Já terminou sua sessão de tortura diária?
Olhando para a cabeceira próxima a sua cama, Draco viu a pequena imagem de Blaise o observando com reprovação.
- Não me venha passar sermão – Draco resmunga.
- Não quer ouvir sobre isso? Tudo bem, então ouça sobre como você faltou a uma reunião importante hoje com um grupo francês. Draco, você agora é o cabeça das organizações Malfoy, pensei que fosse para tocar o império para frente que você ficou por aqui.
- Não, isso foi a desculpa que eu dei para Harry para explicar por que eu não o acompanhei. – Draco se senta em sua cama – e seja qual fosse o motivo que me motivasse a ficar aqui, não seria o de ficar ouvindo sermões de um objeto animado de quinze centímetro.
- Então talvez ouça dois – aparece na porta a pequenina Pansy. – você sabe que só queremos o seu bem.
- Fique nesse mundo – Blaise disse sério.
- Tudo bem, tudo bem – Draco ergue os braços vencido – amanhã eu fico e marco uma reunião com os franceses para compensar o bolo, não precisa fazer disso uma tragédia grega.
- Não Draco – Blaise falava em um tom sério – fique nesse mundo mais do que apenas o dia de amanhã.
- Olha aqui, não começa de novo com esse papo de esperar até que eu consiga passar o dia inteiro por lá, eu posso ficar um pouco cansado quando eu volto, mas...
- Não Draki-pooh – Pansy, que já havia subido no criado-mudo, diz – o que Blaise quer dizer é que você não deve voltar nunca mais naquele mundo.
Draco nem sequer respondeu a aquilo, apenas olhou indignado para as duas estatuetas.
Blaise olha para sua companheira de bronze e viu certa tristeza em seus traços "então ela finalmente descobriu onde estava o livro que guarda o conjuro. Bem, mais cedo ou mais tarde ela descobriria."
- Eu não preciso ouvir isso – Draco sibila com raiva – não de vocês.
- Não, não precisa – Blaise sorri de maneira malvada – mas ambos sabemos que se você não me ouvir eu tenho uma maneira de impedir terminantemente de você entrar naquele mundo de novo.
- Como...
- Basta eu quebrar a esfera que você usa para ver o Potter. Mesmo se você estiver do outro lado na hora que a esfera se rompa você seria expelido para o nosso mundo, dessa forma você nem ao menos poderia vê-lo de longe.
- Você... – Draco pega o pequeno Blaise e o ergue a altura de seus olhos – seu pequeno pedaço de bronze defeituoso, o que acha que me impede de te derreter até que sobre apenas uma poça de bronze disforme?
- Talvez o fato – respondeu com o mesmo tom maldoso – que enquanto eu tiver esse rostinho, suas lembranças jamais lhe deixaram encostar um único dedo em mim.
Encarando com ódio o rosto que um dia pertenceu ao seu melhor amigo, Draco o arremessa de qualquer jeito sobre o criado mudo e se jogou na cama contrariado.
Não podia acreditar.
Não queria acreditar.
Não podia mais voltar ao mundo de Harry?
Era assim que todo terminaria?
- Blaise – Pansy ajuda o amigo a se levantar – você não acha que foi longe de mais?
- Foi preciso, temos que afastá-lo de Potter o antes possível, você leu o que vai acontecer, não leu?
- Sim, li – diz desanimada – mas... talvez se...
- Não existe talvez, você sabe que isso é o melhor.
- Sim... Eu sei, mas talvez, apenas talvez...
FVQP
Outro capitulo looooooongo, afh, estou louca para que essa fase acabe e eu possa finalmente escrever capítulos que não englobem um dia inteiro, assim eu posso fazê-los mais curtinhos. Esse capitulo em especial teve 72 paginas ToT
Como eu não disse antes, digo agora, o pensamento do capítulo anterior pertence a Irma Pince, que por acaso agora e a imagem do meu avatar, he he. E o pensamento deste capítulo é o de Fenrir.
Nhaaaaaai, eu estava doida para que o meu lobinho entrasse para o grupo do Harry, ele vai continuar tão tarado e sádico como sempre, afinal, o papel dele é ser justamente a "má influencia" dentro do pacato grupinho do picnic. E não, ele não é o terceiro oponente pelo amor de Harry, apesar de safado, o coração dele pertence APENAS a Remus, e isso é o que me irrita, todo o sofrimento dele vem desse amor que o prende a alguém que mesmo não querendo o machuca.
Bem, bem, mudando de assunto, já perceberam que eu me amarro em fazer o Harry interagir com animais né? O capítulo pode ter sido meio chato por não ter saído da floresta, mas foi um percalço importante da estória, na próxima fase, a da "lua cheia" vou abordar muito o lado licantropo de Harry, esse capítulo pode ser visto como uma introdução.
Quando disse antes que esse capítulo seria meio violento, eu me referia justamente a cena da tortura, mas juro que era necessário, por três motivos.
1º - eu queria mostrar meu amado Sevy em modo "ninguém pode comigo" e para isso eu precisava dar m empurrãozinho.
2º - eu queria que Fenrir percebesse que não estava sozinho, que Harry estava disposta a ficar do seu lado, COMO AMIGO, no que desse e viesse.
3º queria que Remus demonstrasse um certo grau de preocupação Poe Fenrir, vamos que o nosso Fenrir-pooh merece um agradinho ^o^
Espero que ao tenha sido muito desagradável.
Nhaaai eu tive que "morder a língua" para não falar de mais sobre os "filhos de Harry", eu não pretendo estender o passado deles no mundo de origem de Harry, talvez eu faça uma one-shot, mas nem isso é garantido, só posso dizer que os pequenos só farão sua aparição daqui a três fases, e garanto, vai ser inusitado.
E...
Draco: Desmaius.
CATAPOF
Severus: Draco!!! Você enlouqueceu? Por que você desacordou a escritora? – cutucando a escritora adormecida com a ponta do pé.
Draco: Ela estava enrolado de mais – dá entre ombros sem o mínimo sinal de culpa – nesse ritmo eu não poderia completar o meu projeto.
Severus; Projeto?
Draco: A idiota já recebeu cerca de 70 reviews desde começou a fic não conseguiu respondeu nenhum deles, tudo graças a sua incompetência, por isso resolvi responder ao menos os reviews do capítulo 6 aqui.
Severus: Não é má idéia.
Draco: Que bom que achou, pois eu vou precisar da sua ajuda. – Olhar de cachorrinho pidão
Severus: Folgado – revira os olhos
Resposta para os reviews do capitulo 6: Confrontos Venenosos
Lilavate – Senhorita Lilavate, creio que você mal-interpretou os recentes acontecimentos, temo que a pessoa que pregou os Ravenclaws no teto não tenha sido eu, se considerar com calma os fatos recentes, perceberá que quem estava "brincando" com uma substancia cinza e mal-cheirosa era uma certa Hufflepuff que tinha mais motivos para executar uma vingança do que a minha humilde pessoa.
O senhor Weasley, como foi revelado recentemente, se transforma em um leão, humpf, que original... se bem que talvez você não esteja tão errada, com uma personalidade patética como a do jovem Weasley, até mesmo um leão se transformaria em um gatinho.
Hermione terá sua devida aparição em uma das fases seguintes da fic. E quanto ao destino do jovem Malfoy realmente ele pagará o preço correspondente ao conjuro, mas não se preocupe, não será nada que envolverá morte, mas talvez algo que o fará preferi-la.
Terça deveras é um dia agradável, não me lembro de um único dia meu em Hogwarts que tenha tido que impartir aulas para qualquer inepto Gryffindor nesse dia... hum... não, realmente, não cheguei a dar aulas para os leões nesse dia.
Atenciosamente, Severus Snape
Ninguem - É... acho que posso concordar com você nesse ponto, apesar de que graças ao tamanho dos capítulos a autora tem se sentido meio intimidada a avançar com o enredo, mas não se pode esperar menos de uma escritora como ela, muita imaginação e pouca competência. Agradeço o comentário e espero que continue acompanhando a MINHA fic, pois com o tempo logo ficara mais que claro que EU sou o protagonista.
Agradecendo o adorável gesto, Draco Malfoy
Angel of Death – Creio que a senhorita Rosette está bem, um pouco estressada e meio atarefada, mas bem. O Jovem senhor Malfoy terá, para a felicidade de suas fãs, a presença , mais e mais solida na seguinte fase.
Me desculpo pela incompetência da autora dessa fic, mas suas atualizações sempre foram inconstantes, a única garantia que ela pode dar a você é que por mais que demore, essa estória terá um fim.
E... hum... (desconfortável) creio que a senhorita é livre para torcer por qualquer final que for de sua preferência... mesmo que seja um em que o meu afilhado termine junto com o ... Harry... DI... DIGO POTTER!!! UM FINAL EM QUE MEU AFILHADO TERMINE JUNTO COM O POTTER (vermelho como um tomate)
Ligeiramente desconfortável, Severus Snape
m-chan – QUE CASQUINHA O QUE!!!??? Ninguém tem que tirar casquinha nenhuma do MEEEEU Harry, quem tem casquinha é sorvete!!!!
As atualizações podem ser rápidas ou lentas, depende da capacidade (ou no caso a falta de capacidade) da autora.
Péeeeee errado, o domingo foi o dia desse capitulo e o MEU Harry foi completamente monopolizado por aquele cachorro sarnento no cio.
Ligeiramente irritado Draco Malfoy
Anne Malfoy-Potter – Sim a senhorita Rosette tem tido o cuidado de atormentar Potter o máximo que pode durante essa semana em que ele está sem os poderes, e promete que as coisas só vão piorar a medida que esse período "sem poderes" chega ao seu fim.
Como pode ver nesse capitulo Lupin está mais do que bem amarrado em uma confusa relação, e quanto a Black (estala a língua com desagrado) seu passado e presente amoroso será revelado no próximo capitulo.
Por alguma razão a maioria das apostas no novo lorde das trevas recai sobre a senhorita Granger, bem, só o tempo dirá
Posso lhe adiantar que parte de suas suposições estão corretas, não digo quais, pois isso adiantará fatos que se explicarão com o tempo.
E não se preocupe senhorita Malfoy-Potter, eu entregarei pessoalmente o recado para o jovem Malfoy, apesar de que, hunf hunf, eu não faço a mínima idéia de quem poderia tentar tirar o Harry... digo, o Potter dele. (desvia o olhar um pouco desconfortavel)
Sinto dizer, mas infelizmente sua aposta está errada.
Com sincero pesar, Severus Snape
Lis – Agradeço por essa autora fajuta o elogio, e acredite, eu também me pergunto quem será o outro candidato (segurando com mais força do que necessário um livro sobre maldiçoes irreversíveis).
Repentinamente assíduo aos estudos, Draco Malfoy
St. Lu – Sinto dizer, mas não, não é em uma sexta feira, esse dia Harry tem outra coisa com o que se preocupar, uma certa detenção... com certo professor de poções, que infelizmente não sou eu... digo... bem... hum... você entendeu.
Realmente foi tudo... digo... não... ou sim... aaaah estou confuso agora, do que falávamos mesmo?
Os marotos (torce o rosto em uma careta) nunca foram boas peças, mas não creio que Potter tenha muito valor de desafiar abertamente seu pai e os outros sem um grande motivo... Bem, talvez esse motivo não tarde muito a aparecer, não se os marotos ( outra careta) continuarem a agir da maneira estúpida com que tem agido.
Os casais dessa fic vão ficar cada vez mais estranhos, e quanto a Hooch e a lamuriante... digo Trelawney, essas duas tem toda uma historia que será contada aos poucos, apesar de concordar que a lamuri... Trelawney formaria um bom par com a senhorita Lovegood, as duas irmãs tem não apenas um passado mas uma longa historia de tristes encarnações mal encontradas... algo que se explicara com o tempo.
O corvo voltara, só digo que ele é um personagem importante, será que alguém já percebeu?
Com todo o respeito, Severus Snape
TONKS BLACK2 – eu também eu também (ergue as mãos de maneira afobada) eu também mal posso esperar 40 capitulos para ver o meu final feliz juntinho e vivinho com o Harry depois de muitos percalços (olhar esperançoso e otimista).
O que vai acontecer comigo é algo que, pelo menos eu espero, causará uma grande revolta com a maioria das leitoras, depois de tanta luta e tanto sofrimento... logo isso tem que acontecer... logo algo tão... irreversível... buaaaaaa HARRYYYYYY!!!!!
A quem pertence o corvo só vai ser revelado maaaais a frente, até lá pode chutar a vontade, e sim, essa autora f**** da p*** realmente gosta de fazer o meu Harry sofrer e a coisa só vai piorar.
E não, não vai ser na sexta que Harry encontra Firenze, mas não sei se você se lembra, mas sexta-feira é o dia que Harry vai se encontrar com outra pessoa.
Infelizmente a única coisa que você acertou foi na frase "já vi que você é perversa e gosta de ver Harry sofrer... DEMAIS". Continue tentando, vou te dar uma diga para uma das questões: o corvo está diretamente ligado a um dos personagens que JÁ apareceram.
Sendo repreendido por ter dado uma dica sem o consentimento do autora, Draco Malfoy
Lucy Black – Infelizmente senhorita Black, sua aposta está errada.
Agradeço por sua primeira review a essa obra e não se preocupe, a senhorita Rosette esta tendo o cuidado de desenvolver bem a trama para não se enrolar, pois apesar de ter muitos personagens, apenas alguns ganharão destaque, e outros irão fazer aparições periódicas.
Sim... Nós personagens adoramos ajudar aos autores (empurrado o corpo desacordado de Luana para longe dos olhos alheios). O jovem Potter teve sua presença evitada pela autora exatamente para provocar o jovem Malfoy, mas se alguém quiser o seu review respondido por ele a senhorita Rosette não terá escolha a não ser faze-lo aparecer. Não que eu me queixe (desvia os olhos acanhado) não é como se ele aparecer ou não faça alguma diferença para mim...
Potter é um adulto experiente nessa fic, ainda vai ceder a algumas "criquices", mas de uma maneira geral ele vai tentar resolver as coisas de maneira bem racional.
Vinganças a parte, os poderes do senhor Potter voltaram em cerca de três dias, acho que isso lhe dá tempo o suficiente para pensar em suas vinganças com requintes de crueldade. Ah é, e acredite, a autora dessa fic também adorou esse apelido "texugo maravilha", e espera ansiosamente para que os gêmeos entrem em cena para poder usa-lo devidamente.
Não posso te revelar muito sobre os seus chutes, mas como você viu hoje, realmente Remus tem seu destino entrelaçado com Greyback.
Quanto aos demais casais... os próximos capítulos serão bem instrutivos.
Tremi de medo ao imaginar um lorde das trevas com o QI de Granger, e aparentemente a maior aposta recentemente e que ela e o novo Vodemort, será?
O mistérios dos Weasleys ainda vai se estender por muuuuuito tempo, dizer o que aconteceu com a pequena Giny tiraria a graça da estória, sinto muito senhorita. Mas gostei de seu chute, os leitores tem provado ter um bom raciocínio.
Mais um tiro certeiro, apenas dois detalhezinhos estão errados, quais? Vai descobrir na próxima fase.
Sim, todos, todos, todos os personagens apareceram, uns só vão dizer "oi e tchau", outros nem isso, mas tooooodos vão aparecer, exatamente por ter essa superlotação de personagens (personagens de sete livros não e pouca coisa não) que a senhorita Rosette decidiu por não criar muitos personagens originais e apenas alterar algumas personalidades e passados de personagens que já existem.
Quadribol é simplesmente sagrado em uma fic de Harry Potter, mocinha, lógico que Harry vai jogar, e como todos sabem, a primeira partida da temporada sempre é Gryffindor x Hufflepuff. Hu hu hu.
Humpf eu...(ficando vermelho) não ganhei o beijo, mas isso não quer dizer que desisti e... bem... aaah eu te vejo no próximo capitulo.
Encabuladamente, Severus Snape.
– ARRE padrinho, a resposta anterior não foi uma resposta, foi um livro!!! Por isso também vou caprichar nessa
QUE MANÉ CONSCIENTE O QUE??? A boca de Harry agora tem doooono, e aí de meu padrinho ou de qualquer outro se aproximar dele sem a minha autorização, humpf.
Também estou amando ele... digo... cof cof, eu admiro Potter e sua atual inteligência, o único problema é vê-lo em meio a tanta confusão e não poder fazer nada. Fala sério
O caso das irmãs Hooch-Trelawney não é para ser muito evidente mesmo, apesar dos pesares, a autora fajuta não gosta da idéia de uma criança de onze anos tendo um relacionamento carnal com uma garota de dezessete, ela prefere fazer com que Hooch espere Trelawney crescer.
A interação entre eles aumentar???? Não se eu não permitir!!!! E quanto ao que vai acontecer comigo... bem... como a autora disse na primeira parte do capitulo sete, a palavra "morte" não vai recair sobre mim, Harry ou Severus, quanto a isso pode respirar sossegada.
Heeeeei!!!! Eu perdi uma fã??? Nãaao!!!! Torça por mim, por mim!!! Se essa autora fajuta ouvir que as leitoras querem que o Harry termine com o meu padrinho ela pode manipular a estória para que isso aconteça!!!
Meu pai realmente está apaixonado, e adianto que no último capítulo dessa fase vai protagonizar uma cena que até agora não foi nem digitada, mas já arrepia os pelos da autora fajuta, Malfoys podem ser bastante... "apaixonados" se quiserem.
Peeeee, errado, mas tudo bem, a autora já disponibilizou boa parte das imagens para todo mundo. Ela espera que vocês as vejam, mas por mim... não tem para que, não estou em nenhuma delas mesmo.
Rancorosamente Draco Malfoy
Tainá – Cara senhorita, meus parabéns pela vitória anterior, e sua felicidade é a felicidade da nossa humilde escritora.
Realmente o capítulo seis foi bem... Hum hum (vermelho por se lembrar da respiração boca a boca) ... inspirador.
Infelizmente seu palpite não funcionou, mas não desanime, outra aposta vai ser feita no final do capítulo, talvez você tenha mais sorte
Meus votos de Boa sorte, Severus Snape.
...Makie... – Também acho que o pai de Harry está muito saidinho pro meu gosto (bufa ao lembrar da maneira com que trata o padrinho dele), mas Harry vai coloca-lo em seu devido lugar, aaah se vai. E eu também tenho arrepios com a Trelawney, essa garota tem sérios problemas (careta de desagrado)
E não suspire por meu padrinho, não quando pode suspirar por mim (pose de gala) hn? Ah, você suspira por que ele sofre? Tsc, tudo bem, ele mostrou nesse capítulo que também tem seus ases na manga, ele não é tão desprotegido, apesar de que minha mãe e minha tia também não são de se jogar fora. DA-LHE MAMÃE!!!
A autora fajuta também gosta de ver o Harry sofrer, nesse ultimo capítulo ela quase fez o pobre regar meia Floresta Proibida com o todo o sangue do seu corpo.
Isso mesmo garota, mostre seu bom gosto!!! Potter x Malfoy for ever!!!
Romanticamente abobalhado, Draco Malfoy
Amdlara – senhorita, a autora fica feliz em saber que esta apreciando a fic, e os poderes do jovem Potter volta em cerca de três dias. Com uma trama tãaao cheia de personagens, alguns não vão poder aparecer com muita freqüência. Dumbledore é um personagem silencioso, por isso não vai aparecer mais que o necessário nessas primeiras fases em que não influencia muito na estória. Eu também gostaria de saber quem será meu outro rival ( a ponta da varinha do mago começa a soltar faíscas) E a senhorita Granger.... nossa, onde estará senhorita Granger?
Beijos recebidos beijos, encaminhados a autora, e a autora envia beijos como retribuição.
Cansado de tento intercambio, Severus Snape.
Gika Black – Sim... sim... o capitulo 6 foi bem movimentado, mas poderia ter tido mais de mim e... AI (leva um chute de Severus na canela) certo, certo, eu vou me focar na resposta.
Harry vai saber bem a hora que usar essa divida a seu favor, ele não é estúpido. Ter um dos príncipes do colégio em suas mãos não é uma "carta" a se jogar facilmente fora.
Realmente, Severus e Harry ficam bem juntos na posição de AMIGOS, pois isso é o que ambos precisam, um bom AMIGO que lhe de apoio nas piores horas, pois tendo um AMIGO, ao seu lado ambos podem se fazer mais fortes, diga padrinho, você não adora ser AMIGO do Potter? AI!!! (recebe outro chute mais que merecido) PARA DE CHUTAR A MINHA CANELA!!!
Não, infelizmente você errou, mas de qualquer forma as imagens estão disponíveis a todos.
Doloridamente na canela, Draco Malfoy.
Draco: Ufa, essa foi longa.
Severus: Não sei do que reclama, as maiores respostas foram minhas.
Draco: De qual quer forma, é muito trabalho para apenas nós dois – faz biquinho.
Severus: Foi você quem desacordou a escritora.
Draco: De qual quer forma... – repete sem jeito pela bola fora – tive outra idéia
Severus: Outra? – pergunta com certo temor
Draco: Outra. Os leitores podem pedir para a autora nas reviews qualquer personagem da fic para responder o seu review, desde o Harry até o misterioso novo Voldemort, qualquer um, e as que não pedirem por ninguém nós dois dividimos os seus reviews.
Severus: Continua me parecendo muito trabalho para o meu gosto
Draco:Tanto faz, sua opinião não importa. Agora vamos a aposta da vez.
Severus: não acha que deveríamos acordar a senhorita Rosette para isso?
Draco: Nãaaa, ela e uma inútil, melhor continuar dormindo, dessa vez o número de reviews não conta, pois o capítulo sete foi dividido em duas partes, por isso, nessa aposta só os leitores tem a ganhar. E vai ser um premio duplo.
Severus: Premio duplo?
Draco: É, existe duas imagens que a autora não pôs no ar, pois se colocasse seria o mesmo que adiantar partes da trama. Uma é a imagem da forma lincana do Harry, está em preto e branco, em um papel de caderno, mas ao menos dá para ter uma idéia da aparência do Potter, e a segunda é a primeira imagem oficial dos filhos do Potter, com a idade que vão aparecer no mundo alternativo.
Severus: E como você vai aposta-las?
Draco: Simples, vou fazer duas perguntas, cada uma tem como prêmio uma das imagens, dependendo da pergunta que você acertar você ganha uma das imagens mandadas diretamente para o seu e-mail.
Severus: Sei... e como antes só quem acertar primeiro ganha, certo?
Draco: Certo.
Severus: E quais são as perguntas.
Draco: Assim como foi levantado por Lucy Black, essa fic vai ter partidas de quadribol, a pergunta que vale a imagem da transformação de Harry é: em qual das posições o Harry vai jogar nas partidas que vão vir. E a segunda pergunta, que vale a imagem de Pedro e Mario, os filhos de Harry com a idade que estão no mundo alternativo é: em qual posição joga a capitã Hooch nas partidas que estão por vir?
Severus: Só isso? Mas para acertar eles só tem que chutar entre quatro alternativas!!!
Draco: Sim, mas como você disse, só ganha o prêmio quem acertar primeiro. Boa sorte a todos!!!
Severus: Boa sorte
Luana: Boa... nham nham... sorte – falando enquanto dorme.
No próximo capítulo: Harry já bateu de frente com águias, serpentes, e até mesmo texugos, mas tirando um bate boca ou outro, nunca bateu de frente de verdade com um leão... Bem, sempre há uma primeira vez para tudo. Vassouras, Potter x Potter, veritasserun, um Black bastante misterioso e o primeiro passo para o plano de Lucius posto em pratica... não percam.
