Hmmm... Acho que como de praxe eu devo começar me desculpando: (se ajoelhando e baixando a cabeça) sinto muito pela demora da atualização. Esse capítulo em especial está sendo bastante complicado de se terminar, alguns mistérios são desvendados, e isso requer certo tato. Sem falar do duelo entre Harry e Severus, que antes de ser decidido teve três finais diferentes idealizados... Mas isso eu explico no final da segunda parte do capitulo (sim, esse é mais capitulo dividido em duas partes), não quero estragar a surpresa.

Agradeço pelos adoráveis reviews do capitulo passado, muito obrigada: , vrriacho, Fabianadat, Rafaella Potter Malfoy, rohh, naty_Lupin, Lady T, Lucy Black, thanatos, ...Makie..., Tainá, Angelina Corelli, , 2Dobbys, Zia Black, , em especial a Simca, cara... k k k... o seu review me fez rir horrores, e acho que ninguém até o momento fez uma comparação que se aproximasse tanto ao meu Harry como a sua, realmente ele parece com o Coragem do Cartoon Network, tudo o que o bichinho quer é um trocinho de paz... E para compensar sua noite mal dormida eu tenho o prazer de informar que a sua resposta foi a correta, apesar de que a GRANDE DESCOBERTA que Hooch fará será apenas na segunda parte do capitulo, por isso por favor tenha um pouco mais de paciência. Bem, como prometido, você só precisa me dizer o nome do personagem que você quer conhecer mais, e em que linha dimencional ele pertence, se é a nova ou a velha, farei então uma one-shot com esse personagem, você pode escolher quem quiser, mas já vou avisando, não pretendo revelar nenhum dos mistérios da fic, talvez uma ou duas coisinhas pequenas, mas nada realmente grandioso.

Não tenho me sentido muito bem ultimamente, e sinceramente sei que isso não é problema de vocês, mas não consigo manter minha cabeça fria o suficiente para digitar, o que, diga-se de passagem, é desesperante por que todo o dia nesses últimos meses eu tenho tido idéias e mais idéias incríveis para novas fics e atualizações, mas não consigo colocar no pc, o que torna tudo mais frustrante.

Não pretendo chorar minhas magoas, já fiz isso ano passado em uma de minhas fics e hoje morro de vergonha, mas peço compreensão, tive recentemente algumas perdas e desilusões (seja com pessoas ou desejos), mas assim é a vida e sei que vou superar, esperem apenas mais um pouco e prometo retomar minha antiga forma, sempre consigo no final.

Draco: Claro, claro, jogue a culpa de sua clara incompetência para os seus problemas pessoais – massageia a testa com irritação – Não é como se você já não tivesse feito isso antes...

Luana: Credo loiro – a escritora olha indignada para o loiro – pra que toda essa grosseria?

Severus: É que ele ainda está um pouco despeitado por não ter quase aparecido no capitulo anterior.

Luana: Sei, sei, bem, não precisa baixar o nível, pobre criatura oxigenada – dá entre ombros – você vai ter um papel importante nesse capitulo, afinal, esse vai ser o penúltimo...

Draco e Severus: O QUE??? – olhos esbugalhados

Luana: Calma, eu quis dizer, o penúltimo capitulo dessa fase, e como tal, ele vai prepara o terreno para as emoções do ultimo capitulo DESSA FASE.

Severus: Gra... grandes emoções? – o mestre em poções sente um calafrio percorrer sua espinha – tenho um mal pressentimento.

Draco: Só você? Acredite, eu também tenho, e olha que até o momento eu não tenho nem um corpo material.

Luana: Tsc, pessoas de pouca fé – bufa exasperada – aguardem e confiem.

Disclaimers:Harry Potter e seus personagens não me pertencem, e eu não ganho nada com o que escrevo... hm... acho que já disse isso antes algumas vezes... nã', deve ser impressão minha.

Capítulo nove: Motivos para um duelo. – Parte 1

Diga que me entende.

Por mais confusa que eu pareça.

Diga que me entende.

Mesmo que para você só pareça que de minha boca saiam palavra desconexas.

Diga que me entende.

E assim, por maiores que sejam as dores que chegue a sentir, a certeza que existe uma mão que me apóia me fará seguir à diante.

Por isso, mesmo que seja mentira, mesmo que amanhã mude de idéia, por hoje, por favor, diga que me entende.

6º dia

Foi com verdadeiro cansaço que Albus ouviu pela milésima vez os lamentos de sua companheira de casa.

- Albus – a voz da menina era embargada pela dor – por favor, Albus... Por favor...

Sentados na escuridão da sala comum, apenas um leve lumus saído da ponta da varinha do garoto iluminava o aposento. Umbridge abraçava tremula o braço direito e seus olhos visivelmente cairiam em choro a qualquer momento.

A menina estava definhando.

"Mulher fraca" o rapaz, evitando que o desprezo dessas palavras transparecesse em seu rosto, pensou "menos de uma semana e já está neste estado deplorável".

- Deixe-me ver seu braço – pede com falsa candura – talvez possa fazer algo.

Ligeiramente ruborizada (não era segredo para ninguém, nem para o rapaz presente, a pequena paixão que a garota alimentava por Albus.) ela estende seu braço direito.

Subindo a manga da garota com sua única mão livre, Albus se depara com um braço que poderia ser facilmente confundido com o de um cadáver, nele havia vários ferimentos, dolorosas bolhas que soltavam esbranquiçadas secreções, e a cor daquele membro era de um doentio violeta.

Diante daqueles olhos suplicantes por piedade, Dumbledore só pode suspirar e pensar:

"Garota estúpida, está apenas pagando por ter se metido aonde não foi chamada, se não tivesse tocado no que não lhe pertence agora não estaria me vendo obrigado a aturá-la".

Com sua pose mais galante o belo garoto de longos cabelos loiros personificou a imagem de todos os príncipes encantados das fantasias adolescentes, e com olhos faiscando de preocupação acaricia a face chorosa da menina.

- Merlin... Como pude deixar uma carga tão pesada nas mãos de uma delicada dama como você? De certo deve ser um incomodo se expor por todo o castelo com tamanha chaga.

- Na... não se preocupe – a menina parecia um pimentão – Eu.. Eu usei um forte glamour durante o dia – "Menos mal" pensou o rapaz "Ao menos sua conveniência tem picos razoavelmente aceitáveis de vez em quando" – Mas Albus... Por favor Albus... Eu não sei quanto tempo mais vou agüentar, eu mal consigo segurar a minha varinha, deixe-me fechar a lista de uma vez, ela deveria ter sido finalizada desde o jantar de boas vindas.

Os olhos do rapaz caem novamente naquele repugnante braço, e não pode deixar de pensar se por acaso aquele teria sido o seu destino caso a menina não tivesse se intrometido em seus planos. "Argh... Talvez ela ter mexido em minhas coisas enquanto estávamos no trem não tenha sido de todo o mal".

- Entendo – ele suspira novamente – creio que não seria conveniente estender sua dor apenas por um capricho meu.

Virando o rosto de lado, com um ar de culpa de cortar o coração, ele poderia atémesmo adivinhar o que se passava na cabeça avoada daquela tola estudante.

"Não... Eu não posso decepcionar o Albus, não quero que ele ache que eu não faria tudo por ele, eu não posso..."

- Ta...talvez um pouco mais. – a maga se remexe incomoda em sua poltrona

- Mas o seu braço... – a expressão de preocupação em seu rosto era tão similar à verdadeira que a menina não pode conter um suspiro apaixonado.

- Apenas um pouco mais... O quanto você achar necessário.

- Quanta nobreza – mais uma vez Albus acaricia a face apaixonada a sua frente.

"Mesmo se quisesse não poderia prolongar mais isso, por hora é apenas um braço, em dois dias talvez as chagas alcancem metade do tronco, mas se isso se estender até o final de semana... Merlin, como poderei explicar aos demais se de repente aparecesse um cadáver dilacerado no meio da sala comum de Ravenclaw?"

- Mais dois dias – foi o veredicto do rapaz arrancando m gemido lastimoso da garota – suporte essa dor por mais dois dias, as serpentes finalmente começaram a se mover. Se mesmo hoje, até o final do dia, Hardnet não mostrar seu potencial...

- Se ele não mostrar seu potencial...

- Já havia dito antes, não? – pela primeira vez naquela fria madrugada de terça feira Albus deixa transparecer em seus olhos a verdadeira natureza de seus atuais pensamentos, e isso fez a menina mais uma vez se estremecer e dessa vez de medo – serei obrigado a eu mesmo me mover.

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- Devo dizer que isso soa até como uma piada de mal gosto – Lucius cruzava usas longas pernas de maneira elegante na cadeira de uma das tantas salas vazias daquele imponente castelo – tudo se deu inicio graças a um leão e no final quem acaba se enfrentando em um duelo é uma serpente e um texugo. As peças que o destino prega...

- Não tenho bem certeza se posso dizer que tudo realmente teve inicio com um leão – Neville lança um olhar severo para o loiro sentado a sua frente – você tem?

Era pelo menos meia hora antes do café da manhã, os dois príncipes haviam marcado de se encontrar na noite passada através de mensagens por coruja, pois é dever dos responsáveis pelos combatentes acertar os detalhes finais antes do duelo.

- Cuidado com as palavras Longbottom – o sorriso em seu rosto se estendia cada vez mais e mais e inclinando o corpo para frente mantém sua voz em um tom veludamente sedutor – quem o escutasse poderia imaginar que está insinuando alguma coisa.

- Longe de mim – murmura com menos classe, mas igualmente consciente da situação em que estavam.

Claro que Neville suspeitava de Lucius, ele havia visto a naturalidade com que o loiro aceitou a afronta de ter uma de suas serpentes envolvida no escândalo dos leões. O texugo conhecia muito bem seu orgulhoso prometido.

"Ex prometido..." durante toda a manhã o jovem Hufflepuff teve que ficar se corrigindo "...meu ex-prometido"

Lucius não é do tipo que se mete em escândalos alheios sem ter um bom motivo por trás... Ou sem ter o dedo metido no escândalo em si.

Mas não havia muito o que fazer quanto a esse ponto, ao menos não por hora, já havia dito para Chris sobre suas suspeitas, e apesar de se surpreender com os plausíveis suspeita do amigo, Hardnet manteve a mente bem fria ao dizer:

"Não faça nenhum movimento ainda Neville" os olhos de Chris mostraram um brilho estranho que até mesmo a Neville deu um pouco de medo "não apenas pela falta de maiores provas, mas por sua posição no castelo. Se no final as suas suspeitas forem corretas o 'troco' vai ser mais rápido do que ele espera".

Tentando acreditar que seu amigo sabia o que estava fazendo, Longbottom morde a língua para calar suas acusações.

- Bem, então acho que tudo já foi discutido – o Hufflepuff se levanta com pressa para sair daquele lugar – eles se enfrentarão ao final da última aula do dia, antes do jantar ser servido, não haverá tempo limite e terão como área restrita um tablado formado por varias mesas no meio do grande salão. – Longbottom se vira e caminha na direção da porta – E a diretora já aceitou exercer o papel de juíza. Com isso, tudo já está discutido e decidido.

Quando toca a maçaneta para abrir a porta uma forte mão bate com tudo na madeira, passando a poucos centímetros de seu rosto. Ainda de costas, Neville não faz o menor esforço para abrir a porta, sabia que seria inútil.

- Afaste-se – diz Longbottom de maneira seca para a serpente que estava quase colada ao seu corpo.

- Você pode até crer que tudo foi discutido – disse uma voz fria e de forma arrastada as suas costas – mas eu não creio.

"Por favor Lucius, não torne tudo mais difícil".

- Tudo foi discutido Malfoy – sua voz não poderia ter soado mais entediada – horário, local, juiz, re...

- Por que está fazendo isso? – uma pitada de dor se podia ouvir na voz do loiro – por que me chama de Malfoy? Por que me evita? Por que... Por que não sorri mais para mim.

Por onde quer que eu vá vou te levar pra sempre...

A culpa não foi sua

Os caminhos não são tão simples, mais eu vou seguir

Viajem em pensamento

Uma estrada de ilusões que eu procuro dentro do meu coração

Um sorriso tão precioso... perdido...

Uma voz tão doce... calada...

Um olhar tão terno... coberto...

Lucius Malfoy sempre foi alguém que tentou manter uma imagem fria para a sociedade em geral, e simular tal posicionamento era fácil... Ou ao menos era antes, pois mesmo em meio a aquele mundo de gelo e sombras em que nascera, ainda conseguira alcançar um pequeno foco de luz e calor.

Um pequeno foco, que por conta própria, da noite pro dia, queria se apagar de sua vida.

Toda vez que eu fecho os olhos é pra te encontrar

A distância entre nós não pode separar

O que sinto por você não vai passar

- Neville... meu Neville – sem poder se conter mais o rapaz mais velho envolve o quintanista em um possessivo abraço e leva seus lábios a nuca do outro rapaz, os movendo lentamente, arrancando um baixo suspiro de Longbottom, enquanto sussurra – por que você se afastou de mim?

Esfregando seu nariz contra os fios de cabelo castanho, Lucius aspira o perfuma com certa reverencia, se lembrando de quantas vezes já havia os massageado, cheirado e beijado nos últimos anos.

Nunca fora adepto ao sentimentalismo, mas algo nele havia mudado cinco anos atrás quando havia visto pela primeira vez o seu prometido.

O seu texugo.

O seu amado

Sentindo o corpo a sua frente perder aos poucos a resistência, Lucius desfaz o abraço e sem afastar totalmente de Neville desliza um de seus braços até a altura do ventre do mais novo, pressionando ainda seu corpo contra o dele, enquanto sua outra mão subia a altura do pescoço de Longbottom.

Um minuto é muito pouco pra poder falar

A distância entre nós não pode separar.

E no final, eu sei que vai voltar.

- Lucius... você não entende... – com a voz entrecortada Neville diz com bastante incerteza essas palavras, sem saber que isso apenas excitava mais o outro garoto – isso tem que parar agora.

- O que aconteceu Neville? – sussurra Lucius enquanto seus dedos brincavam entre o pescoço e os cabelos do mais novo – Por que você não me conta?

- Luci... – a imagem de Regulus se apoiando no ombro do loiro na noite passada voltou a sua mente o fazendo se conter – Malfoy... afaste-se.

- Nunca me afastarei de você Neville – Lucius beija com ternura a nuca eriçada pelos recentes arrepios que aquela voz profunda e os toques sedutores causavam – você sabe que nunca fico muito longe daquilo que me pertence.

Por onde quer que eu vá vou te levar pra sempre

A vida continua

Os caminhos não são tão simples, temos que seguir.

Viajem e pensamento

Uma estrada de ilusões que eu procuro dentro do meu coração

A mão no ventre de Longbottom, que desde o inicio não estava mais do que o massageando levemente sobre tecido grosso do uniforme escolar, agora se movia com mais intensidade, seus dedos pareciam que iam perfurar aquele tecido a qualquer instante, e quando eles desceram o suficiente até alcançarem o membro do moreno

O pobre texugo não pode mais do que gemer entre as prezas daquela astuta serpente.

- Diz que me quer longe, mas treme ao um simples toque meu – o loiro ri baixinho se recusando a afastar seus lábios daquela doce pele e entre pequeno beijos continuou a recitar as palavras gravadas em seu coração – Treme por mim... Chame de medo e eu direi que é tolice. Chame de ato reflexo e eu direi que é bobagem. Chame de instinto e eu rirei e direi que é besteira. – deixando seu rosto descansar entre os fios castanhos, Lucius fecha os olhos com certo cansaço e conclui – Apenas chame de amor meu querido, pois aí sim verei que és sincero e poderei dizer que te amo tanto quanto me amas.

Sem poder se conter mais, desejando não ter que se preocupar com mais nada, Neville se vira e sem dar brecha para qualquer iniciativa por parte de Lucius, toma aquela boca que tanto o tentava em um beijo possessivo.

Toda vez que fecho os olhos é pra te encontrar

A distância entre nós não pode separar

O que sinto por você não vai passar

Um minuto é muito pouco pra poder falar

A distância entre nos não pode separar

No final... eu sei

"Eu o amo". Neville ergue seus braços para envolver o pescoço de Lucius

"Merlin como eu o amo" O moreno cola seu corpo contra o do loiro quase se fundindo com seu amado

"E sim, o desejo com loucura." Suas bocas dançava naquela conhecida e prazerosa dança de gemidos entrecortados e caricias

E no meu coração, aonde quer que eu vá

Sempre levarei o teu sorriso em meu olhar

"Mas..." Suas mãos desceram do pescoço de Lucius e acariciaram o rosto do Slytherin, apenas o puxando mais contra o dele.

"Mas..." Ele ruboriza quando ouve Lucius rir de sua ansiedade.

" Mas... isso não pode continuar..." as mãos de Neville afastam o rosto de Lucius de dele, cortando o beijo na metade.

"... não mais." O encarando de forma fria, Neville aproveita a surpresa do loiro e consegue empurra-lo para longe dele.

Toda vez que eu fecho os olhos é pra te encontrar

A distância entre nós não pode separar

O que sinto por você não vai passar

Pego de guarda baixa, Lucius só percebeu o que estava acontecendo, quando tropeçando sobre os próprios pés, graças ao empurrão, caiu dolorosamente sobre varias mesas levando algumas delas junto ao chão.

Um pouco surpreendido, e talvez mesmo até um pouco insultado, Lucius ergue a cabeça apenas para se deparar com os olhos de Neville o encararem com frieza, o texugo já havia aberto a porta e estava com metade do corpo para fora.

- Que isso não se repita Malfoy, os negócios entre nossas famílias estão oficialmente encerrados.

- Apenas por que você quer, pequeno – Lucius sorri vitorioso, não tem como Neville dar fim ao seu noivado apenas dizendo "não quero mais", e pela cara que o texugo fez ele sabe muito bem disso – como eu disse antes, precisamos conversar. No próximo fim de semana em Hogsmeade venha me encontrar no lugar de sempre.

- DROGA MALFOY!!! – o moreno perde enfim a paciência e quase puxando os cabelos de frustração grita – EU JÁ DISSE QUE NÃO VOU ME ENCONTRAR COM VOCE!!!

Com mais dramaticidade que a necessária - do ponto de vista de Lucius - Neville bate a porta com violência, deixando o loiro sozinho.

O herdeiro Malfoy suspira com cansaço e sem se levantar relaxa suas costas sobre as mesas derrubadas.

"E mais uma vez você saiu correndo" Lucius leva dois dedos a altura dos lábios e tentou reter o máximo passível da imagem daquele beijo em sua mente "de todas as pessoas desse castelo, logo você resolveu fugir de mim"

Um minuto é muito pouco pra poder falar

A distância entre nós não pode separar

- Não adianta fugir Neville – abrindo seus olhos "cor de tempestade" o loiro sorri mordaz – você mesmo fechou os grilhões que o prendem a mim na primeira vez que me disse "eu te amo".

E no final eu sei que vai voltar

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Mais um calmo café da manhã se havia dado inicio no milenar colégio Hogwarts, e apesar de que a primeira vista tudo estivesse em uma paz facilmente comparada ao céu retratado ensolaradamente em seu teto, o coração de muitos de seus estudantes estavam mais revoltos que verdadeiras tormentas.

- É impressão minha ou o número de amigos daquele aborto diminuiu?

- Não sei por que a surpresa, quem iria querer ser amigo de um aborto por tanto tempo?

De onde estava sentado Harry podia ouvir diversos comentários similares a esses, e apesar dos pesares não podia fazer muita coisa quanto a isso, não quando realmente as únicas pessoas sentadas no centro do salão seriam ele e Draco, e a segunda pessoa em questão ninguém mais alem dele podia ver.

- Para uma coisa você tem que dar o braço a torcer – o moreno diz baixinho tentando mover o mínimo possível os lábios enquanto leva um pedaço de bacon a boca – nesse colégio os estudantes sabem como manter o seu ponto de vista – com a voz embebida de sarcasmo o moreno continua, depois de mastigar e engolir o pedaço de carne – eu fui acusado de profanar um dos brasões mais conceituados das famílias da luz, esfregaram minha varinha na minha fuça na frente de todo mundo, e eu aceitei participar de um duelo subentendendo-se que foi por eu ter realizado um feitiço e mesmo assim eles insistem em me chamarem de aborto – ele solta uma curta risada desprovida de humor – eu realmente não sei se eu riu ou choro.

- Ora Potter, depois de anos na "nossa Hogwarts" era de se esperar que você entendesse que as pessoas só assimilam o que realmente querem.

- Certo, certo, hipocrisia antes da razão – Harry revira os olhos enquanto captar mais alguns comentários maldoso a sua pessoa vindo de Merlin sabe que mesa – eu sempre me esqueço da premissa básica da sociedade.

- Antes com se preocupar com etiquetas sociais, não acha que deveria pensar um pouquinho mais no suposto duelo que terá que enfrentar hoje?

Antes de seu costumeiro exercício matinal, Harry havia contado sobre a dramática noite que havia tido.

O loiro não pode deixar de pensar que mal ficara longe um dia e Potter já conseguia virar aquele colégio de cabeça para baixo.

- Acho que já pensei o bastante nisso, obrigado – Harry da entre ombros preferindo dar mais atenção a sua refeição do que ao seu preocupado acompanhante – tenho uma idéia em mente, talvez as coisas não fiquem tão feias no final das contas.

- Não fiquem tão feias? – desdenhou Draco – nem todo o otimismo Hufflepuff misturado com chocolate dentro de um sonho açucarado poderia deixar essa situação menos feia, que solução milagrosa foi essa que você achou?

- Algo que em um duelo um mago normal e corrente normalmente não imaginaria.

- Implorar clemência?

- Não, homem de pouca imaginação – Harry ri entre dentes - e como castigo você vai ter que esperar para ver. Mas garanto que darei um bom espetáculo pelo qual esperar.

- Vindo de você tenho até medo.

Sendo aquele que sempre tornava possível o impossível, Harry sabia que tinha a total confianças de Draco, e ele mesmo não duvidava de sua possível vitória,

Já o resto do colégio...

Onde quer que você fosse ouvir em uma das mesas tinha alguém comentando como o pobre texugo aborto seria massacrado pela serpente maligna.

O loiro, que também não deixava de ouvir um ou outro comentário sobre seu amigo, revira os olhos e pergunta algo que estava entalado em sua garganta desde que sentaram naquele chão pela manhã.

- Isso é ridículo, por que você tem que se expor assim? – o loiro bufa diante da burrice do próprio amigo – Por que tem que sentar aqui sozinho? Tudo seria bem mais tranqüilo se você simplesmente fosse comer nas cozinhas.

- Teria sido a minha primeira opção – Harry teve que admitir – se não fosse o fato de que eu não esperava que todos os outros fossem sentar em mesas diferentes.

Quando Harry entrou no grande salão, minutos atrás, estranhou não ver nenhum de seus amigos sentados no centro do local.

Foi apenas depois de montar um prato simples para sua refeição, sentar no seu lugar de costume e lançar uma rápida olhadela pelo local que percebeu que seus amigos sim, haviam chagado, mas diferente dos outros dias eles haviam se sentado em alguma das varias mesas do grande salão.

Os únicos que não tinha conseguido identificar em lugar nenhum eram Neville e Fenrir.

Sozinho... Essa sempre foi a palavra chave durante toda a sua vida, não foi?

Draco lança um olhar preocupado para Harry, enquanto o moreno tenta disfarçar o quão sentido estava pela ausência dos "recentes amigos".

Sabia que apesar de ter se tornado um adulto forte, o coração de seu amado era e sempre seria tão inseguro e frágil quanto o de um adolescente, que a sua enorme fobia de solidão apenas aumentou quando teve que testemunhar de primeira fila a morte de uma a uma das pessoas que juraram estar sempre ao seu lado.

"E ironicamente eu fui o único a manter essa promessa" mais uma vez se prendendo ao passado Drago se deixa levar "apesar de que daqui a alguns meses... droga, melhor não pensar nisso".

Não era o momento de dramatizar demais a situação, sem falar que era muito cedo para tirar qualquer conclusão, um dos dois teria que manter a cabeça fria, e levando em conta os entristecidos olhos verdes ao seu lado, esse alguém acabaria sendo Draco.

E de certa forma o loiro achou que dos males o menor, era melhor que por hora seu companheiro se ocupasse com esses "probleminhas adolescentes" do que com o que vinha atormentando o herdeiro Malfoy desde o começo da manhã.

---FVQP---

(Flash Back - POV Draco)

Não houve perguntas.

Não houve lamentos

Nem sequer houve qualquer palavra sobre minha inesperada ausência no dia passado.

Quando Harry despertou, comigo ainda sentado ao seu lado, tudo o que fez foi sorrir para mim com um caloroso "bom dia" desenhado em suas feições, e agir como sempre agia.

Maldito Gryffindor com complexos de serpente! Não era de se esperar que leões fossem mais impetuosos e sinceros com seus sentimentos?

Foi o que pensei por um bom tempo enquanto o via se espreguiçar daquela maneira felina que sempre me deixou doido, ao mesmo tempo que me lembrava da face chorosa da criancinha que abracei em seus sonhos.

Sem nem ao menos tocar no assunto do sonho, Harry, com bastante naturalidade, apontou com a cabeça para a porta do banheiro aparentemente querendo dizer que iria se trocar para os seus exercícios matinais e já voltava.

Sim, eu aquilo com apenas uma acenadinha de cabeça. Definitivamente estou passando muito tempo com ex-leão.

Sozinho, tendo apenas como companhia uma penca de adolescentes adormecidos, deixei meus olhos caírem no Longbottom adormecido.

Ate que ele não era feio.

Na verdade tinha um certo a der... urgh, definitivamente esse novo mundo não esta me fazendo bem, eu acabo de QUASE elogiar Longbottom?

E o pior era que eu não conseguia deixar de observa-lo, me intrigava esse suposto noivado em que ele estava amarrado com meu pai.

Era bizarro.

Apenas a idéia geral desse quadro era bizarra.

Me pergunto como eles se dão, pelo pouco que vi, não muito bem

Curioso, e sem a mínima dor na consciência, eu estava pronto para deslizar meus dedos para dentro de sua cabeça e "desvendar alguns mistérios" quando senti algo chacoalhar dentro do bolso interno de minhas vestes.

Que idiota!!! Como eu pude me esquecer?

Com todo o lance do sonho e tudo o mais eu havia me esquecido de falar dos objetos que havia trazido para Harry.

Tendo como companhia naquele quarto apenas um bando de adolescentes adormecidos, eu tirei cada um dos objetos que eu havia encolhido e guardado no bolso interno de minhas vestes e com alguns poucos movimentos de varinhas e as palavras certas todos recuperaram seu tamanho original novamente.

Um a um eu ou revisei, e pareciam estar completamente intactos, e como provinham do nosso mundo de origem eu conseguia toca-los sem problemas.

Estava a ponto de ir atrás de Harry para mostrar o que eu havia trazido quando meus olhos caíram em um dos pergaminhos.

O mapa do maroto.

Estava inseguro se deveria ou não deixar esse mapa nas mãos de Harry no momento, apesar de que esse seria uma mão na roda para o meu moreno, também era certo que era muito arriscado deixa-lo andar por ai correndo o risco de haver outro igualzinho nas mãos de certos leões.

Se bem que se nesse universo Peter Pettigrew não fazia parte dos marotos, ainda havia a possibilidade que o mapa não tivesse sido feito, ou será que o fato de Weasley estar em seu lugar não impediu de a idéia ser idealizada nesse mundo?

Minha mente logo se perdeu em varias possíveis teorias, uma coisa levou a outra e sem nem eu mesmo sabendo bem o porque, minutos depois eu estava com o mapa aberto e ativo procurando rastros da ratazana nojenta.

Ignorando o mapa em si meus olhos foram direto para a legenda ao lado.

Depois de uma rápida vistoria foi com certa decepção que não vi o nome dele escrito, mas em compensação achei outros nomes bem interessantes, enquanto uns eram de alguns de meus companheiros de ensino no nosso mundo, outros eram de pessoas de gerações totalmente diferentes a minha.

Mas longe de interessante, um deles foi completamente desconcertante. Senti como se algo gelado atravessasse minhas veias a mediada que eu relia aquele nome.

- Isso é simplesmente impossível – não pude me conter de dizer em voz alta.

Aquela pessoa simplesmente não deveria existir, não nesse mundo.

Ainda com o medo sussurrando palavras agourentas em meus ouvidos eu procurei desesperado o pontinho que representava aquele nome, e o que vi só piorou a situação.

O pontinho daquela pessoa estava naquele exato instante no mesmo banheiro que Harry, e se o mapa não estiver errado, aquela pessoa deveria estar praticamente em cima dele.

Sem maiores considerações eu larguei todos os objetos em cima da cama de Longbottom, e corri na direção do banheiro, atravessando a porta graças ao meu corpo imaterial, o que vi me petrificou por segundos.

Nada em minha vida poderia ter me parecido mais erótico.

De costas para mim, virado para uma das janelas abertas, estava Harry completamente nu, com seu corpo rejuvenescido e sem os seus tão definidos – e familiares para mim – músculos. Sua pele, agora levemente bronzeada, era dona de uma maciez que parecia provocativamente tentadora para o meu toque.

Suas nádegas, empinadas, nunca me pareceram tão indefesas, assim como convidativas.

Merlin amado... Eu estava diante da personificação perfeita do sonho de consumo de qualquer gay.

Mas o que dava um ar mais selvagem a tudo aquilo era o modo despreocupado como ele mantinha um dos seus braços erguido a altura dos ombros onde empoleirado nele estava uma imponente ave de penas negras, que grasnava divertida enquanto o adolescente bufava de algo que aparentemente apenas ele e ave entendiam.

Tentando recobrar um pouco de meu controle sobre meus instintos mais baixos, eu tusso polidamente para chamar a atenção.

Quando finalmente minha presença no recinto foi descoberta tanto Harry quanto a ave viram seus rostos na minha direção:

- Olha só quem resolveu me visitar novamente – Harry acaricia a cabeça da ave com sua mão livre – dessa vez ele não trouxe nenhuma mensagem de seu dono, aposto que só queria ver como eu estava – tal comentário teve como resposta uma rápida e impertinente bicada no queixo de Harry – Ai... E não adianta negar, seu espanador voador. – dessa vez quando outro ataque veio o leão pode desviar.

Ignorando a pequena batalha que se seguiu eu não pude tirar os olhos da ave que agora batia freneticamente as longas asas enquanto tentava acertar seu alvo, sem muita sorte.

Não havia mais ninguém naquele banheiro.

Apenas ele, Harry e a ave.

Ou melhor, ele, Harry... e a animaga.

(Fim do Flash Back - POV Draco)

---FVQP---

Definitivamente outro mistério havia tido inicio.

Draco sabia que Potter já tinha muito com o que se preocupar, por isso mesmo preferiu manter a informação para si mesmo.

Depois que a ave foi embora Harry pareceu cair em si e notar que estava completamente pelado na frente de seu ex-amante, mas longe de se abalar ele simplesmente fitou silencioso Draco nos olhos e ficaram alguns segundos se encarando.

Não havia confusão ou vergonha naqueles olhos, foi a primeira coisa que Draco constatou, apenas uma muda análise.

No final foi Draco quem desviou os olhos primeiro e sem qualquer palavra saiu do banheiro.

"O que diabos ele estava pensando" era o que atormentou Draco por segundos.

Tormento não grande o suficiente para turvar sua noção de dever.

Assim que se viu longe dos olhos do moreno, Draco voltou a encolher o mapa do maroto e o escondeu dentro de suas vestes e quando o moreno saiu do banheiro, devidamente vestido, entregou o restante dos objetos explicando que o mapa não estava entre eles por que não achou, mas que continuaria procurando.

Não era como se fosse a primeira vez que mentia ou ocultava alguma coisa de Harry desde que esse balaio de gato de "viajem dimensional" começou.

Antes de trazer o moreno para mais esse problema - pois o loiro não conseguia ver essa situação como nada menos que um problema - ele iria tentar descobrir se o mapa estava correto e aquele nome pertencia a quem imaginava que pertencia.

E se pertencesse, algo muito errado deveria ter acontecido.

Voltando a se concentrar na expressão preocupada de seu amado, Draco gira novamente os olhos com contrariedade e diz de maneira mais ríspida do que pretendia:

- Tudo bem, agora que você já pagou o seu mico matinal, por que não recolhe o pouco de dignidade que lhe resta e vai terminar de comer nas cozinhas?

Harry não respondeu a isso levando uma larga caneca de café com leite aos lábios, mas o loiro pode ler claramente a resposta a sua pergunta nos olhos tristes do moreno.

"Não posso sair daqui... não quero sair daqui... Por que algum deles ainda pode vir... de alguma forma, algum deles ainda pode vir a mim."

---FVQP---

Xionara ouvia os baixos murmúrios ao seu redor, muitos haviam se surpreendido ao vê-la se sentar junto com sua irmã na mesa dos texugos.

Mas ninguém a questionou.

Ninguém era louco.

A menina guardava em seu rosto uma seriedade e frieza diferente da falsa alegria que sempre fazia questão de gastar com seus companheiros de estudo.

Dava medo.

Parecia que ela mataria alguém que sequer olhasse para ela mais tempo que o conveniente.

A menina guardava em sua mente a memória da noite anterior e com certa raiva por não ter sido prevenida o suficiente fecha os olhos sentindo uma aguda dor de cabeça despertando:

"Não era como se ele já não suspeitasse, mas mesmo assim... mesmo assim, eu não queria que ele tivesse visto esse 'face' minha. Queria que como com Neville pudesse cultivar essa inocente amizade, mas agora é tarde, o melhor que eu posso fazer é me afastar"

- Tec, tec, tec, tec...

Olhando para o lado, Hooch percebe que sua irmã olhava de rabo de olho para o centro do salão.

- Você tem feito muito esse ruído esses dias – sorri com carinho – o que significa?

Sibila ergue seus olhos para sua irmã e encolhe os ombros com pesar, para em seguida voltar a comer.

Olhando para onde os olhos de sua irmã estavam voltados a instante, a jovem mercenária vê o solitário texugo.

Sente um peso indescritível no peito, mas afasta todas as duvidas que aquela visão trazia apenas com apenas três palavras.

- É melhor assim.

E volta a comer.

---FVQP---

Nunca havia sido do tipo que comia mais do que o estritamente necessário em uma refeição, mas naquela manhã Severus nem ao menos uma torrada conseguia levar a boca.

Nada lhe descia pela garganta.

- Cissiiii – Bellatrix, com sua voz infantilmente irritante, diz com falso ar de tristeza – Diga se não é o cumulo, meu prometido briga com seu amante e vem correndo atrás de consolo em meus braços, não é muita ousadia?

- Quem veio correndo para onde? – Severus lança um olhar incrédulo para a escandalosa garota.

- Concordo plenamente, cara irmã – Narcisa com elegância levava uma pequena porção de ovos mexidos com o garfo a boca – a desfaçatez de seu prometido chega a me assombrar.

- Desfaçatez? Eu nem mesmo pedi para que sentassem comigo – o rapaz não acreditava no que tinha que ouvir – forma vocês que quase amaldiçoaram as duas pessoas que estavam antes do meu lado.

As duas irmãs trocam um olhar sério entre elas.

A coisa era grave.

Quando se aproximaram de Snape para perguntar o porquê de sentar-se à mesa de Slytherin naquele dia haviam percebido que dois idiotas estavam prestes a jogar alguma coisa no prato do prometido da irmã mais nova.

Depois de uma pequena confusão - uma confusão elegante, é claro - elas se livraram dos estrupícios.

Mas agora Severus diz que não havia notado que haviam atentado contra ele?

Logo ele que sempre foi tão observador?

Algo ia muito, mas muito mal.

- Beeem... Mas já que meu querido prometido nos brinda insistentemente com sua presença, creio que não podemos fazer a desfeita de não agradece-lo devidamente.

- Quando foi que eu.. hummpf – o menino é calado quando Bella enfia uma garfada de ovo em sua boca o forçando a engolir. – o que diabos você pensa que está... hummmpf

Mais uma vez ele é calado quando Narcisa por sua vez leva o garfo de ovo de seu prato a boca do rapaz.

- Agora ouça – a loira diz com sua já costumeira serenidade – como protegido da casa dos Black você tem o dever de honrar os laços que nos une e não nos envergonhar no evento que se aproxima. Seja lá quem você enfrente.

- Eu sei di.... hummpf – é calado por uma nova garfada de Bella.

- Mas como nosso amigo você tem o dever de sempre ser feliz, esteja essa felicidade onde estiver – a menina sorri ainda segurando o garfo dentro da boca do garoto – por isso continue quebrando a cabeça meu querido futuro esposo, pois não permitirei que nos envergonhe tanto quanto não permitirei que seja infeliz.

Narcisa assente com a cabeça.

- Um futuro Black não pode ser menos ambicioso do que isso.

Sorrindo, Severus segura o garfo que a menina tinha levado a sua boca e dissimuladamente olha na direção de Chris.

Suspira.

- Se desde o começo eu não fosse ambicioso – o rapaz sente o apetite voltar aos poucos – como você acham que eu entraria em Slytherin?

---FVQP---

- E depois de acrescentar uma gota de sangue de taturana marinha acrescente raspas de casco de unicórnio – Luna dizia distraidamente antes de morder seu sanduíche natural.

Diferente de qualquer outro representante de qualquer casa daquele colégio, principalmente se fosse um primeiroanista, Luna Lovegood não parecia estar nem ligeiramente intimidada de estar sentada na mesa das serpentes.

A loirinha só mostrava incomodidade quando vez ou outra lançava um olhar de soslaio a sua amiga Siby sentada na mesa das águias junto a irmã, e ao novato solitário abandonado no centro do grande salão.

Ela queria ir para junto dele, mas tinha uma promessa a cumprir.

Muitos quando viram pela primeira vez Luna não deram nada pela pequenina, mesmo os de sua casa a menosprezavam, mas indo contra todo o precedente, a jovem tinha, segundo a maioria de sues professores, um potencial altíssimo, pois tinha uma memória fotográfica. Sua memória por si só já era algo sobrenatural, e unida ao seu grande prazer em ler, tornou-a praticamente uma enciclopédia ambulante, e apesar de estar sempre falando de fatos inúteis ou simplesmente inverossímeis, havia muita coisa que a menininha lia que poderia ser considerada útil.

E esse potencia foi principalmente percebido e aproveitado por certa serpente primeiroanista.

- Com isso acho que já da para você adiantar a sua parte no trabalho de poções – a loirinha diz pacientemente – posso ir?

O Slytherin primeiroanista a quem ela falava se remexeu incomodo em seu lugar na mesa, não apenas pela falta de educação que aquele comentário tão direto passava...

... mas também por que estranhamente não queria que a menina fosse.

- Ainda temos o dever de Historia da magia. – ele diz monotonamente arrancando um suspiro exasperado da Ravenclaw e da outra menina sentada ao lado dele.

Diferente de Lovegood, a outra menina deixou bem claro o que pensava.

- Por tudo o que é sagrado, tudo bem que você queira adiantar os nossos trabalhos, mas tem que ser no meio do café da manha? – ela quase bufa. Quase, pois bufar seria uma atitude muito pouco digna para uma representante de uma família puro sangue.

- Se não quiser fazer sua parte agora eu entenderei, mas não queira que o resto de nos queira deixar tudo para a ultima hora.

- Mas eu...

- A Revolução dos gnomos calvos começou em 167 DC... – começou a ditar de maneira monótona a pobre loirinha, propositalmente pondo fim a aquela discussão infantil.

Se ela queria ir para o lado de se amigo antes que o café da manha terminasse aquele aparentemente era o único jeito.

---FVQP---

Já na mesa dos leões, outro estudante estava tendo sua paciência seriamente testada.

- Vocês sabem que ficar suspirando aqui não adianta de nada, não é? – o representante masculino mais novo da família Weasley resmunga entre dentes, recebendo como resposta...

- Aaah...

- Aaah...

- Aaah...

Três desconsolados suspiros.

Atacando com brutalidade sua pobre porção de ovos mexidos o ruivo tenta ignorar a letárgica reação de seus amigos.

Aquilo já estava ficando irritante.

Desde ontem Tanto Sirius como James estavam envoltos nessa aura depressiva.

O motivo?

Qual outro senão o misterioso novato?

Seus olhos azuis se voltam curiosos para a solitária figura sentada no chão do grande salão.

Desde o começo do ano letivo era obvio como aquele magricelo texugo parecia afetar seu amigo James, e de ontem para hoje o mesmo interesse parecia começar a afetar Sirius.

E de certa forma tanto ele como Remus também não eram totalmente indiferentes ao pequeno moreno, apesar de que em menor escala que os dois primeiros.

Sirius havia contado ontem a noite as peripécias que obrigou ao novato a passar, e depois de suportar as repreensões de cada maroto, tanto ele quanto James pareciam ter caído em uma forte onda de remorso.

Mas nada poderia ser feito, o duelo já havia sido armado, e mesmo na hora em que tudo aconteceu nada diferente poderia ter acontecido, era obvio que o texugo estava na mira de alguma armadilha.

De mãos atadas Potter e Black parecia ter se conformado em apenas suspirar a distancia, remoendo seus pesares.

Já Remus... bem, Rony não entendi bem por que Remus suspirava, seu olhar parecia estar sempre pregado a mesa, apesar de vez em quando o ruivo notar que as íris douradas se deslizavam dissimuladamente em duas direções: ora do novato ora da mesa das serpentes.

"Nã... bobagem"

- Aaah...

- Aaah...

- Aaah...

Outro trio de suspiros se fez ouvir.

E perdendo a paciência que por natureza própria não tinha, Weasley joga seu garfo dentro do prato e se levantando diz.

- Vocês não conseguem comer? Ok, mas antes que meu estomago embrulhe eu vou tentar terminar o que me resta do café da manhã, mesmo que seja em outro lugar. – segurando o prato meio cheio começa a se afastar da mesa dos leões – Vocês definitivamente não me deixam outra escolha.

---FVQP---

Ok... ele realmente esperava que alguém fosse até ele.

Certo... Não era como se nunca tivesse tomado café da manhã com aquela pessoas.

E tudo bem... ter alguém sentado ao seu lado o fazia se sentir menos idiota.

MAS DEFINITIVAMENTE TER UM DOS FAMOSOS MAROTOS SENTADO AO SEU LADO NO MEIO DO GRANDE SALÃO NÃO FEZ COM QUE O NUMERO DE OLHOS SOBRE ELE DIMINUISSE!!!

Na verdade aumentou consideravelmente.

A chegada de Rony ao seu lado foi tão inesperada que quando o ruivo perguntou "Posso sentar aqui?" Harry teve dificuldade de responder mais do que com alguns poucos grunhidos inteligíveis.

O silencio entre eles se estendeu pelo que ambos imaginaram ser uma eternidade, onde cada um se concentrou em seu prato.

Draco por sua parte volta e meia fazia alguma comentário acido ou depreciativo referente ao ruivo, sabendo que Harry não poderia replicar sem parecer um completo maluco.

Quase entrando em pânico devido ao irritante silencio, Harry estava pronto para puxar um assunto qualquer, quando seus olhos se dirigiram para Rony, e o que viu o fez perder a fala.

Ela havia voltado.

Sentada ao lado de Rony, vestida de branco e com uma pele translucidamente fantasmagórica, Giny murmurava lamentos atrás de lamentos enquanto acariciava a face do irmão, fazendo seus dedos deslizarem especialmente embaixo de seus olhos, como se secassem lagrimas invisíveis.

- Ele sempre está chorando por dentro, de onde eu estou eu sempre o ouço chorar por dentro, por que chora meu irmão? Por essa ferida que lhe fizemos? Não chore meu amado, não querido...

Harry abre a boca para dizer algo, mas se cala, assim como Draco, Rony também não parecia ser capaz de ver Giny.

A menina incorpórea, pela primeira vez desde que chegara, pareceu perceber a presença de Harry ao sentir seus olhos sobre ela.

- Você pode me ver?

Harry não respondeu, mas ela pareceu tomar aquilo por um sim, pois continuou.

- É a primeira vez desde... Desde muito tempo, que alguém me vêem. – ela o encara com curiosidade – nenhum de meus irmãos parece nem me ver nem me ouvir, você me ouve?

Dessa vez Harry acenou afirmativamente com a cabeça, mas sem abrir a boca.

- Que bom – seu rosto pela primeira vez se iluminou com um sorriso e com ternura volta a afagar o rosto do irmão – então diga a ele, dia a ele que não sofra mais, diga que não chore. Ele ficou sozinho... Mas não deveria... Não deveria... Foi um erro, eu sei que foi, pois agora ele sempre está chorando, chorando por dentro. Fale com Percy, ele poderá fazer Rony parar de chorar, fale com Percy.

E se desmaterializando a menina se vai deixando para trás um curioso texugo com a pulga atrás da orelha.

"'Fale com Percy'? O que ela quis dizer com isso?" Harry se perguntou "Por que eu tenho que falar logo com o Percy? Se o caso era falar com um dos irmãos para ajudar o Rony não seria mais fácil falar com os gêmeos que são mais acessíveis?"

Como quem não quer nada, o moreno olha na direção de Draco, que continuava a tagarelar seus comentários maldosos, mas o loiro não parecia ter percebido o que havia acabado de acontecer.

Parece que o ex-Gryffindor estava sozinho nessa.

- Até que aqui não é ruim – o ruivo comenta, chamando a atenção de Harry e finalmente dando brecha para um dialogo – o piso, quero dizer, até que comer aqui não é tão ruim.

Harry sorri com o comentário de aproximação "Tão simplista como sempre".

- Não, realmente não é, os elfos domésticos são tão eficientes na limpeza que se pode sentar sem medo de se levantar vinte minutos depois com alguma mancha verde de procedência suspeita. – Harry diz se desfazendo em um sorriso.

- Oh eu sei como é isso. Passe onze anos seguidos dividindo a mesa com os gêmeos e você logo se acostuma a volta e meia ter que se livrar das substancias mais bizarras da sua roupa, e... – dando-se conta de quem falava, o rosto de Rony fica um pouco pálido, e um pouco melancólico detém a própria língua.

Mas Harry não deixaria que o assunto morresse, ao menos não tendo como "ponto final" uma expressão tão triste no rosto de Rony.

- Hei, acredite, eu sei! – fala de modo descontraído, como se não percebesse o desanimo do outro rapaz – eu conheço uma dupla que era expert em manchar sem falar de criar bolinhas, listras e salpicos, e isso se estende não apenas as roupas mas também a pele e cabelo. – propositalmente Harry falava das mesmas pessoas que Rony, só que de um universo diferente. – eles eram uma fonte quase constante de caos, mas também de riso.

- É – Rony pareceu precisar absorver aquelas palavras com calma – os gêmeos... os gêmeos também, aonde eles fossem sempre havia risada.

- E quando as pessoas que eu conheço achavam o ponto fraco de alguém, Merlin nos salve, nunca vi mentes mais diabólicas.

- Diabólicas...

- Assim como amigas.

- Sim... uma vez foi assim – Rony balbuciava de forma confusa, como se tivesse fusionado as pessoas de quem o novato falava e as de quem ele falava – uma vez... mas não mais.

- Será? – Harry pergunta sério.

Os dois se encaram por segundos, e Draco entendendo o jogo do leão se manteve calado todo o tempo.

Percebendo que para alguém que supostamente não deveria conhecer nada da vida do ruivo Harry estava falando de mais, o moreno retoma seu ar descontraído e tenta dissipar aquele clima tenso.

- Mas no fim minha irmãzinha sempre será a minha maior fontes de manchas.

- Você tem uma irmã? – pergunta Rony, também parecendo querer sair daquele clima estranho.

- Tenho, vez ou outra ela me manda uma carta, ela é uma pestinha...

E assim os dois começaram a dividir pequenas lembranças – apesar de as do Harry serem inventadas pelo moreno ou simplesmente um pouco alteradas – finalmente teceram uma conversa amena e descontraída. Rony parecia pescar alguns dos momentos mais felizes de sua infância, e alguns dos seus anos em Hogwarts, mas sempre evitando citar o nome dos irmãos, mas em compensação falava muito dos seus melhores amigos, principalmente James, já que era na casa dos Potters que agora morava.

O texugo não poderia estar mais feliz.

Ele estava conversando com o Rony!!!

Ele estava rindo com o Rony!!!

E o melhor de tudo o ruivo parecia agir de maneira bastante natural ao seu lado.

Já o leão, apesar de bastante descontraído, estava um pouco assustado. Por que se sentia tão bem ao lado do novato? Era igual a sensação que seus dois amigos haviam descrito na noite passada.

"Não sei como explicar, a menos de uma semana atrás eu não fazia a mínima idéia de quem ele era, mas quando estou ao seu lado as palavras me saem da boca com uma grande facilidade, e consigo sorrir mais facilmente da que com muita gente que conheço a anos" foi o que disse Sirius para ser logo em seguida complementado com James "Como se simplesmente estar ao seu lado fosse a coisa certa a se fazer... não, como se fosse a coisa mais agradável a se fazer".

A principio Rony suspeitou que um dos dois ou até mesmo os dois tivessem uma quedo pelo moreno de olhos verdes, mas logo descartou tal idéia, o que via nos olhos de seus amigos quando olhavam para Hardnet não era nada muito diferente a uma amor fraternal.

Mas um amor fraternal construído em apenas alguns poucos dias?

Absurdo.

Rony olha para o sorridente moreno que remexendo as mãos respondia a pergunta que fizera sobre quadribol com mais entusiasmo do que esperava, não pode conter nele mesmo um sorriso sincero.

Talvez... talvez não fosse tão absurdo.

- Qual é? Não vai me dizer que você é outro pobre idiota que não vê as grandes chances do Chudley Canonns no campeonato.

Fazendo mão de seu pouco conhecimento dos times de quadribol daquele universo tirado das conversas que teve com Hooch, misturando com o muito que conhecia do seu próprio mundo, Harry responde com a malicia digna de uma serpente.

- Oh sim reconheço que Chudley Canonns tem grandes chances no campeonato, grandes chances de quebrar o recorde de pernas quebradas, gols contra e ombros deslocados da temporada.

Pela maneira incomoda como Rony se remexeu ao seu lado, Harry viu que a sorte do time preferido do ruivo não será muito diferente da do de seu mundo.

Era verdade que Chudley Canonns era um time com grandes jogadores, mas sempre teve um grande histórico de acidentes em campo, comprovando talvez o boato que o time havia sido amaldiçoado.

Quando ambos terminaram de comer, o motivo que levou Rony até Harry ainda não havia sido abordado, mas ambos sabiam que de uma forma ou de outra a questão iria ser levantada.

Logo, o ruivo preferiu dar o primeiro passo:

- Eles... Eles não fizeram por mal – o ruivo sussurrou mantendo seus olhos presos no prato vazio – James e Sirius, o de ontem... bem... eles não fizeram por mal.

Apesar de pegar Harry de surpresa, o moreno conseguiu pensar um pouco antes de responder.

- Nem por um segundo eu achei isso.

Rony ergue os olhos e vê a sinceridades nos olhos do novato. Uma onde de familiaridade o inundou, aqueles olhos eram idênticos aos "daquela pessoa", e não só os olhos, olhando bem seu rosto era idêntico ao "daquela pessoa". A pessoa que volta e meia via emoldurada em um dos cômodos da mansão Potter.

"Impossível, James me disse que ele foi assassinado a muitos anos atrás"

Afastando de sua cabeça aquela perturbadora semelhança, não sem antes compreender por que dos quatro James foi o primeiro a se sentir tão atraído pelo texugo, Rony continua a conversa:

- Esses idiotas – aponta com a cabeça para a mesa dos leões – se sentem inseguros de chegar perto de você, por isso eu vim, eu queria.. bem, queria ver se estava tudo bem, perguntar como você está, e ver se com isso eles se animam um pouco.

- Ah, eu estou bem – "só terei que lutar contra um dos poucos amigos que fiz nesse colégio na frente de uma grande platéia hostil e sem nem um pingo de magia para me apoiar" – não se preocupem, eu sei que posso dar um jeito de me virar. – vendo o olhar descrente do ruivo Harry riu e emendou – realmente não tem com o que se preocupar, já saí de situações piores.

Mesmo assim Rony não parecia muito convencido, e para Harry era difícil explicar que de verdade não sentia qualquer rancor por Sirius e James.

Sirius, até onde Harry sabia, o distraiu durante aquela tarde por motivos próprios, e o fato de não ter intercedido a seu favor enquanto era acusado era algo que agradecia muito, pois com seu organismo infestado de veritasserun poderia dizer bem mais do que devia e complicando ainda mais algo que por si só já era um balão de encrencas prestes a explodir.

E quanto a James... Harry compreendia um pouco do por que do posicionamento de seu pai na noite de ontem, em seu mundo ele teve a chance de estudar mais sobres a tradições puro sangue e tudo o mais, já que tendo que tratar e as vezes lutar contra vários deles. Sempre é bom saber o passos de uma dança antes de entrar em um salão.

Ou seja, com relação a eles dois, tudo estava bem do ponto de vista de Harry, na verdade era outra coisa que começava a lhe perturbar.

- Então foi só por isso que veio sentar comigo? – pergunta hesitante – apenas para saber se estou bravo com seus amigos? – não queria soar carente, mas foi impossível depois da ultima frase que disse – apenas... por isso?

A pequena pontada de magoa não passou despercebida por Rony, e um pouco atrapalhado tentou responder com sinceridade:

- Realmente... não sei o que pensar, talvez simplesmente não queira pensar... – Rony revolve confuso seus cabelos ruivos com certa frustração – Não é como se eu já não tivesse muito com o que me preocupar e... bem... você não me desagrada, apesar da suas estranhas companhias. Aquela vez que conversamos na biblioteca você me pareceu um cara legal, fora essa estranha sensação – o ruivo encara compenetrado nos olhos verdes de Harry – essa estranha sensação... De que eu te conheço de algum lugar, de que posso confiar em você.

Harry sentia seu coração se apertar a cada palavra que Rony dizia, já Draco estava a ponto de vomitar diante de tanto sentimentalismo leonino, e quis por um pouco de lógica na situação em geral.

- Cada pessoa nesse mundo que você chegou a conhecer no nosso mundo tem uma espécie de vinculo com você que o atrai a sua pessoa, é dessa forma que de um jeito ou de outro você vai ser forçado a se encontrar com cada um deles. – o loiro revira os olhos com a lógico da situação – ou como você acha que ficou amigo tão facilmente de pessoas como Severus Snape e Fenrir Greyback?

Harry lançou um olhar de lado de maneira dissimulada como se dissesse "Como se Fenrir não fosse querer ser meu amigo depois de perceber minha licantropia".

Mensagem prontamente recebida. Indubitavelmente Draco estava passando muuuito tempo com Harry.

- Bem... Em nosso mundo tanto Remus quanto Greyback eram lobisomens e nem por isso víamos eles andando de mãozinhas dadas pelo bosque proibido ou fazendo tranças no cabelo um do outro enquanto comiam biscoitinhos. Não digo que as amizades que você fez foram forjadas pelo feitiço, apenas que o encanto acelera a familiaridade e a aceitação deles para com você.

- Sei que Remus, James e Sirius não se sentem muito diferentes – Rony continuou sem perceber a discussão unilateral que se passava a sua frente, e se levantando após ver seus pratos sumirem graças a magia dos elfos domésticos ele estira a mão na direção do moreno sentado – por isso, independente de como isso tudo termine, espero que puxe aqueles dois idiotas pelas orelhas para algum canto, conversem e se entendam, mais um café da manhã acompanhado por aquele trio de mortos vivos e seu coral de suspiros e eu me mudo para Drumstang.- o ruivo finaliza exasperado.

- Não se preocupe – Harry segura a mão do leão se colocando de pé – sou especialista em puxar orelhas de pessoa que se comportam como idiotas – diz isso lançando um sorriso zombeteiro para Draco – mas você disse três zumbis? O que tem Remus?

- Nem eu sei – Rony bate as mãos nas vestes as desamassando – mas vou descobrir, foi legal comer com você, talvez eu repita a dose.

Acenando ele corre em direção aos seus amigos que iam na direção da saída do salão.

- Tomara que sim – murmura Harry para si mesmo vendo a figura daquele que um dia foi quase um irmão se afastando.

---FVQP---

(Flash Back de Harry)

- Companheiro, como pode um professor conseguir transformar uma aula pratica de invasão tão chata?!! – Rony joga seu corpo para trás na cadeira do refeitório – e eu ainda vou ter que aturar mais duas aulas dessa matéria nas próximas semanas.

O trio dourado, naquela tarde, aproveitava os poucos minutos que seus horários distintos lhe proporcionavam, ou pelo menos dois ângulos daquele triangulo aproveitavam, já que Hermione estava mais do que adormecida sobre uma pilha de livros.

A morena, como sempre, optou por entupir o seu horário de estudante de medmagia com mais matérias que os estudantes normais optariam, logo não era raro vê-la vagando pelos corredores da faculdade com grandes olheiras e um péssimo humor. No inicio os seus amigos acharam engraçado, mas nesse terceiro ano de curso, Rony e Harry, tomavam muito cuidado com o que falavam perto da garota, nunca se sabia se ela iria explodir em lagrimas ou em gritos.

- É incrível quantas bocas bocejando e quantos olhares dês-focados e perdidos um simples tom mais lento e comentários redundantes conseguem obter – Harry sorri diante do desespero do amigo enquanto mergulhava uma colher de plástico em seu delicioso pudim de chocolate – se você quer colocar uma criança para dormir ou transformar a vida de pobres universitários em um verdadeiro inferno de pura monotonia, acredite – ele leva uma colherada da sobremesa a boca e depois de engolir a aponta para o ruivo ainda com tom de zombaria – o professor Andrius é o seu cara.

Mesmo ambos estando estudando para aurologia, suas áreas eram diferentes. Devido a guerra, esse curso havia sido esmigalhado em vários sub-grupos. Graças a isso, Harry e Rony tinham muitas poucas aulas em comum, e algumas delas, como as do professor Andrius, só poderiam ser cursadas depois de algum tempo de faculdade no caso do curso de Rony, já Harry...

- É mesmo, você teve aula com ele logo no seu primeiro semestre – os olhos de Rony brilharam diante do fio de esperança – por favor, diga que ainda tem as suas anotações, eu acho que desmaiei nos vinte primeiros minutos de tanto tédio – suspira – ao menos nas aulas do professor Binns eu ainda tinha picos de consciência suficientes para anotar a matéria.

Vendo que o desespero do ruivo ia ate o ponto de fazê-lo sentir falta das aulas do professor fantasma, Harry não pode mais que dar o braço a torcer.

- Ter eu até tenho – admite envergonhado – mas talvez as de Draco sejam mais... hum... legíveis, eu posso pedir para...

- Não obrigado. – Rony o corta antes de Harry nem sequer terminar de falar – Olha Harry, eu até entendo que você tenha acabado virando amigo de Malfoy, mas isso não quer dizer que eu esteja disposta a dever favores a doninha albina.

- Draco não é tão ruim assim – vendo o ar de descrença de seu amigo, ele não pode mais que admitir – tá bom, ele é, mas se você aprendesse a lidar com ele... – "cara, isso não vai dar certo" Harry se lamentava por dentro – bem... – "mas eu tenho que contar logo para ele, afinal Rony é o meu melhor amigo" – as coisas se tornam mais fáceis e...

- Harry, você esta querendo me dizer alguma coisa? – O ruivo pescou rapidamente a inquietude do amigo

- Bem... é que eu e Draco – Harry enrolava nervosamente – você sabe... não somos mais apenas amigos...

- Não são mais apenas ami...- e infelizmente, para Harry, a ficha do ruivo caiu da pior maneira possível, e ficando em pé ele grita – NÃO ME DIGA QUE VOCE ESTA NAMORANDO AQUELA DONINHA?!!

- SHHHH!!! – Harry o puxa para voltar a sentar na mesa, diga-se de passagem surpreso por Hermione não ter acordado com toda aquela gritaria – Não! quero dizer, não é como se nos estivéssemos realmente, realmente, realmeeeente namorando, digamos que é uma... amizade carinhosa.

- Pouca vergonha carinhosa você quer dizer, Sr. Harry "divido meu quarto com meu amante" Potter. – o ruivo estreitou os olhos perigosamente, de uma forma que apenas poderia ser superado apenas pela matriarca Weasley.

- Certo, talvez não seja a mais inocentes das relações – teve que admitir – mas... Rony, eu acho que gosto dele.

Os olhinhos verdes suplicantes, a expressão desconsolada, o ar de "por favor aceite aquilo que me deixa feliz" foram uma combinação forte de mais, ate mesmo contar a cabeçadurisse de Rony, e soltando um suspiro derrotado o ruivo diz em tom monótono:

- Você se sente feliz com ele?

- Heeey!!! – o moreno soa ofendido – não fale como se eu estivesse pedindo o Draco em casamento – e pensando nos momentos que havia dividido com o loiro não pode conter um sorriso abobalhado quando respondeu – mas... sim, eu me sinto feliz quando estou com ele.

- Se você está feliz, eu estou feliz – Rony preferiu não encarar o amigo naquele momento, dando bastante atenção aos restos quase inexistentes de seu almoço – e sei que Hermione – olha para a garota com o mesmo ar de adoração que ultimamente vem cultivando nos olhos toda vez que olha para ela – depois de acordar e encher a cara com mais algumas dessas bebidas cheias de cafeína muggle também vai estar feliz.

Diante de mais do que esperava encontrar em uma conversa como aquela, Harry não poderia ter ficado mais orgulhoso de ter o ruivo como amigo.

- Obrigado Rony. – o moreno diz com a voz fraca pela felicidade – Obrigado por provar mais uma vez o quanto eu tenho sorte de te ter como melhor amigo.

- Apenas... – sem jeito com as ultimas palavras do outro garoto, Rony se remexe incomodo em sua cadeira sentindo suas orelhas esquentarem – apenas não force a barra comigo e com o Malfoy, tudo bem? Eu ainda não vou com a cara dele, mas tentarei traga-lo o máximo possível.

- Não poderia pedir mais que isso.

- Por hora – tentando mudar de assunto Rony volta a levantar a cabeça e diz com um ar sacana – a sua missão é me trazer aqueles seus garranchos horrorosos para ver se eu consigo traduzir alguma coisa, e quem sabe me dar um pouco bem na aula daquele ...

- Ronald Abílio Weasley, deixe de falar mal dos professores e comece a estudar – a menina murmura de olhos fechados em um tom rabugento ISSO, talvez, faça você começar a se dar bem nas suas aulas.

Os dois rapazes olham assustados para ela, mas aparentemente ela continuava dormindo.

- Eu não sabia que a Herms' falava dormindo. – Harry diz espantado

- Às vezes. – admite Rony – Teve uma noite que eu passei não sei quantas horas em claro por que ela ficou recitando a constituição gnomica.

- E desde quando vocês dividem a noite juntos. – pergunta Harry com um tom pícaro na voz.

- Eu... er... – gaguejou sabendo que havia

- Certo, certo, garanhão, sem detalhes por favor. – Harry alivia o lado do amigo – Mas vem cá, se ela fala dormindo, será que se fizermos uma pergunta ela responde também?

- Nunca tentei.

Ambos dividem um olhar divertido, e se aproximando de sua vitima adormecida dão inicio ao jogo.

- Vamos começar com um teste – Harry leva um dedo à boca com um ar pensativo antes de perguntar – qual o nome do seu bichinho de estimação?

- Bichento – a menina diz mecanicamente

- Onde você escondeu as gomas de fazer crescer unha do pé que os gêmeos produziram em nosso terceiro ano? – Rony perguntou dessa vez

- Atrás da estatua de trasgo no terceiro andar

- Eles passaram meses procurando antes de desistir. – Harry diz com os olhos arregalados – e Herms nunca admitiu que havia sido ela quem as confiscou.

- Eu sei, eles atormentaram todo mundo atrás de pistas das gomas – Rony estremece ao se lembrar daqueles "tempos sombrios" – cara, isso é melhor que veritasserum

- Eu sei – ri, dividindo o entusiasmo do amigo – o que mais deveríamos perguntar para ela?

- Hum...- sorrindo macabramente, Rony faz uma nova pergunta – o que você realmente acha dos óculos do Harry?

Pego de surpresa Harry só teve tempo de olhar indignado para o amigo antes de ouvir a resposta da garota.

- Eu desejo fervorosamente que ele termine de desenvolver o feitiço para curar a sua vista – ainda de olhos fechados ela faz uma careta – por que aquelas coisas não favorecem nada o seu rosto.

Soltando uma alta gargalhada Rony apenas irritou mais a Harry, que como vingança, resolveu encabular também o seu amigo.

- Quem é o garoto que você mais gosta em toooodo o mundo. – perguntou o moreno em uma voz excessivamente melosa.

A resposta era obvia, Rony e Hermione formavam o casal mais briguento e apaixonado que Harry conhecera, mas o moreno sabia que ouvir uma declaração de amor de sua namorada, assim, tão abertamente na frente dele, faria Rony ficar tão vermelho quanto um pimentão.

Mas a resposta não foi tão obvia quanto ambos esperavam.

- Harry Potter. – foi o que disse a voz sonolenta

Duas palavras...

Um nome e um sobrenome...

Nunca um conjunto de letras abalara tanto aqueles dois jovens.

Ambos, estáticos, não sabiam como reagir, e diferente do que esperava, Rony não ficou vermelho como era o planejado, ele foi ficando branco, e cada vez mais branco.

- E.. eu... Rony – Harry tentou explicar, mas... Como explicar aquilo? – Rony... eu não...

- Harry Potter – Hermione voltou a falar com o mesmo tom sonolento – seu grande idiota, comece a agir como o herói que todo mundo espera que seja e pare de se aproveitar de pobres adolescente inconscientes. – abrindo os olhos vermelhos de sono a menina encara irritada aos dois amigos abobalhados – ou alem de suas matérias eu terei que enfiar bons modos em suas cabeças ocas?

- Você... – ainda assustado, Harry diz o obvio – estava acordada todo esse tempo?

- Era meio difícil dormir com tanta gritaria – lança um olhar maligno para seu namorado, para em seguida sorrir carinhosamente. – foi muito doce o que você disse, estou muito orgulhosa.

Mais vermelho que nunca Rony não sabia aonde esconder a cara.

- E agora, vamos para as nossas aulas – Hermione olha irritada o seu relógio – eu já deveria estar do outro lado do campus há cinco minutos atrás.

Se levantando da mesa a menina estava para partir quando uma mão a detém.

- A ultima pergunta – Rony, ainda vermelho, pergunta de cabeça baixa – você ainda não respondeu a ultima pergunta.

Hermione o olhou confusa, e quando entendeu a que se referia, ela sorriu novamente e se abaixando o beija rapidamente nos lábios para em seguida dizer:

- Existem perguntas que não precisam de palavras para serem respondidas.

E se afastando deixa para trás um estático ruivo e um moreno sorridente.

"Esses dois são tal para qual"

(Fim do Flash Back de Harry)

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Era difícil não deixar um sorriso bobo adornar seu rosto, foi tudo tão natural, a presença de Rony ao seu lado, era com nos velhos tempos da sua Hogwarts, ou ao menos seria se alem dele estivesse Hermione sentada com eles.

Draco não pode evitar de virar o rosto diante da felicidade de Harry, era irritante ver como aquele idiota do Weasley havia conseguido distrair Harry ao ponte de afastar a tristeza e a sensação de abandono de seu peito.

Algo que ele mesmo queria ter conseguido.

Sem falar nada sobre o desconforto que sentia, Draco já estava preparado para tirar Harry do transe de felicidade em que o moreno havia se colocado quando se tornou praticamente impossível permanecer ao lado do moreno devido ao numero de pessoas que simplesmente o atravessava, o impedindo de manter a sua forma por muito tempo.

- Harry... – tentava dizer a medida que as pessoas simplesmente o atravessavam – eu... vou... para... a... nossa... dimen... volto... depo... preocupe...

Foi difícil, mas Harry conseguiu se manter sério diante da cena, Draco se desfazia e refazia a cada pessoa que o atravessava, e ver o loiro tão irritado e descomposto era algo para se guardar na memória.

E assim que Draco retorna para a dimensão natal deles, mais uma vez Harry se viu sozinho.

Enquanto seguia em frente com a "maré adolescente" o moreno foi sentindo aos pouquinhos a melancolia que sentiu no inicio do café da manhã voltar.

Nenhum dos seus amigos falou com ele até agora, compreendia se um ou outro não pudesse sentar com ele naquela manha, mas todos?

Talvez tivesse superestimado a química que achava que tinha com aquele grupo.

Talvez diante de tantos rostos conhecidos havia se deixado levar e acreditou em algo que ainda não existia.

Talvez...

- Caraca, para alguém de pernas tão curtas até que você anda rápido – uma conhecida e descontraída voz fala ao pé de seu ouvido enquanto sua cintura é fortemente agarrada, e agora um segundo corpo grudado ao de Harry caminhava junto a ele – Me pergunto se do casal sou apenas eu que precisa andar com coleira.

- Fenrir? – algo um pouco mais alto que um suspiro saiu dos lábios de Harry mostrando o quanto estava atordoado.

- Ora se não outro? – ri com malicia – Por que a surpresa? Se tivesse mais alguém por essas bandas que te agarrasse por trás eu diria que nosso relacionamento está muito aberto pro meu gosto.

Potter preferiu não responder a gracinha, apenas se deixou apoiar, não era de sua natureza algo tão passivo, mas depois de toda a insegurança que sentiu mais cedo era exatamente o que precisava.

Sem falar que teoricamente, para todo o colégio, eles eram um casal, se não ficassem de vez em quando com um chamego iria despertar duvidas.

- Minhas pernas não são curtas – resmungou mal humorado arrancando uma risadinha maliciosa do rapaz as suas costas – elas são completamente proporcionas com o meu corpo.

- O que simplesmente significa que você é um anão

- Cala a boca, ou melhor, use ela para algo mais produtivo – pressentindo uma resposta atrevida Harry se apressou a complementar – me diga a onde você estava.

- Apenas estava conferindo algumas coisas – sabendo que aquilo não satisfaria a curiosidade do texugo o lobisomem suspira e continua - Aquilo tudo que aconteceu ontem me deixou inquieto, e achei muita coincidência tudo aquilo acontecer no mesmo dia em que esbarrou com o idiota do Mundongos, por isso como ontem de noite eu não vi nem rastro dele na sala comum eu resolvi procurar por ele antes do café da manhã, mas no final acabei perdendo a hora.

- Você está fedendo a sangue...

- Pensei que já havíamos passado dessa fase do nosso relacionamento, amor.

- Estou falando sério Greyback – Harry sibila irritado – você está fedendo a sangue fresco. O que você andou aprontando?

- Tanta confiança me comove, acontece que depois de horas procurando eu o encontrei jogado em um dos corredores do segundo piso, como não sabia o estado dele, e precisava dele vivo para conseguir qualquer resposta, eu o levei para a enfermaria. A enfermeira não sabe o que o deixou assim, mas seja lá o que aconteceu com ele, o fez gritar muito, suas cordas vocais estão um farrapo.

Se lembrando do estado em que viu Hooch na noite passada, um calafrio passou pela espinha do moreno.

- E ele... estava muito ferido?

- Huuum... nada muito profundo, quem o torturou parecia que queria fazer um trabalho limpo.

Mentalmente Harry descartou Hooch, a menina ontem parecia ter mergulha do em uma piscina de sangue.

Depois de uma incomoda caminhada, os dois logo alcançam o lado de fora do salão, Harry, aproveitando o espaço pessoal mais avantajado se separou do licantropo, que não querendo perder a chance, beijou a nuca do moreno antes dele se afastar totalmente.

- Fenrir! – reclama Harry.

- Esse foi o meu beijinho de bom dia – sorri mordaz.

- Eu disse para ele esperar você sair ao invés de ir te buscar – disse Neville parado na frente do "casal" – pelo visto só complicou a sua saída.

O texugo mais alto sorriu carinhosamente para o outro quintanista, recebendo como resposta um sorriso da mesma natureza.

- Oi Nev – Harry cumprimenta o amigo – como foram as negociações?

- Normais – o rapaz não parecia muito a fim de tocar no assunto – já foi tudo decidido, depois eu lhe explico com calma.

- E a reunião entre você e Malfoy demorou tudo isso? – perguntou Harry desconfiado

- Eu... bem... eu esqueci um livro no dormitório, como não achava acabei chegando tarde. Quando estava para entrar os alunos começaram a sair, e quase na mesma hora Fenrir apareceu.

Aquela era a pior mentira que Harry já havia ouvido, bastava apenas olhar para os pertences de Neville para saber que em meio a especo tão organizado, não havia como alguém perder alguma coisa.

Mas por que ele mentiria?

A verdade era que depois da reunião com Lucius uma pessoa desagradável o abordou.

Alguém que Longbottom definitivamente preferia evitar.

Respeitando a privacidade do amigo, Harry não estendeu mais o assunto, se Neville tinha coisas que queria guardar só para si, era seu direito.

Foi ainda naquela situação estranha que o novato sente alguém dar algumas puxadinhas tímidas em sue manga, mal ele virou a cabeça e sua boca foi invadida por uma fatia de maçã.

- Não consegui chegar aqui antes do final do café da manhã, mas ainda bem que consegui te entregar essa maça, sabia que as maças são boas para afastar os...

- Luna – uma voz masculina e ligeiramente conhecida para Harry chama a menina de longe – vamos logo para a nossa primeira aula

- Certo, certo – a menina resmunga um pouco irritada por ter sua longa explicação interrompida – de qualquer forma coma a maçã – se afasta dos amigos, não sem antes completar – nos vemos no almoço.

Como um furacão loiro ela havia chegado, e como um furacão loiro ela havia partido, e os três garotos não haviam conseguido por alguns segundos demonstrar qualquer reação, de tão pasmos que estavam.

É impressão minha ou ela saiu daqui com dois slytherins? – foi Neville que quebrou primeiro o silencio.

- Não sei – Harry responde – eu não pude ver daqui, mas talvez tenha sido, no café da manhã ela estava na mesa das serpentes.

- Eu pensei que a única amiga da Luna entre os primeiroanistas era a Trelawney – Fenrir estranha – por que eu tenho certeza que aqueles dois eram primeiroanistas.

- Ba bum, ba bum, bate o relógio...

Pegos de surpresa novamente os três garotos quase pulam de susto quando de repente ouvem a lúgubre musiquinha.

- Siby – ainda apertando o peito Neville sorri para a menininha – não devia chegar assim, de repente.

Sem deter sua musiquinha a menina olha compenetradamente para Harry e sem dizer nada diretamente para ele manteve o olhar.

- Estava preocupada comigo – Harry arrisca um palpite, e como resposta a meninha acena positivamente a cabeça – obrigado, veio para ver como eu estava? – mais uma vez ela acena com a cabeça – fico feliz, e sua... bem... e sua irmã, ela está bem. – Siby hesita por segundos, fecha os olhos ainda murmurando a musiquinha e sem responder ela se despede com um movimento de mão e corre na direção da saída.

- Estranho? – Fenrir pergunta para Neville

- Estranho – suspira o texugo.

Tendo os dois últimos a chegar se conformar em enfrentar o resto da manha de barriga vazia, os três estudantes já iam se dirigir para suas respectivas aulas quando mais uma vez Harry sente alguém o deter, mas dessa vez apenas o seguravam pelo ombro.

Virando a cabeça levemente de lado, Harry não entendeu por que subitamente seu coração deu um pequeno pulo ao ver a pessoa que o segurava. Severus estava ao seu lado, e sem olhar diretamente para Harry ele diz:

- Não pretendo perder. – Envergonhado, o slytherin tentava manter a cara de "Pocker".

- Nem eu – responde Harry seriamente.

- Muito menos te deixar ganhar.

- Isso nem me passou pela cabeça.

- Espero... – a serpente hesitou, sendo esse o seu único sinal de fraqueza – espero que dê tudo o que puder hoje à noite, por que eu não farei nada menos que isso.

- Não se preocupe – espantando a mão de Severus de seu ombro, fazendo o rapaz mais velho ofegar com receio, vendo que foi mal interpretado Harry sorri para o mais velho para acalma-lo – como seu amigo eu não poderia prometer nem mais nem menos.

Com Neville ao seu lado Harry, se afasta dos outros dois Slytherins.

Severus lança um olhar para Fenrir como se perguntasse "E você? Não vai atrás dele?".

Fenrir da entre ombros com seu jeito despreocupado como se respondesse da mesma forma muda "Não é apenas ele que precisa de alguém ao seu lado hoje"

- Qual é a nossa primeira aula – foi o que Ferir falou em voz alta.

- Poções – Severus respondeu com o mesmo tom indiferente.

- Droga, odeio poções.

Severus revirou os olhos e enquanto se dirigiam para sua primeira aula resmungou algo sobre cães sarnentos e seu pouco bom gosto.

Mas mesmo assim nem por um segundo saiu do lado do outro rapaz

Como também nem por um instante tirou de sua mente aquele terno sorriso oferecido pelo texugo.

Afinal, talvez aquele não venha a ser um dia tão ruim.

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E lá estava ele de volta.

Draco, quando voltou para sua dimensão, fechou os olhos com força e processou toda a informação que havia coletado horas atrás. Diferente de antes, agora, aonde estava, ele poderia fazer alguma coisa com relação ao novo mistério que o incomodava.

Abrindo os olhos ele virou a cabeça na direção do lugar onde normalmente as duas estatuetazinha ficavam

- Pansy – diz tentando se controlar – você foi a ultima a mexer nos livros da área restrita da biblioteca Malfoy, não foi?

- Sim – a menina de bronze responde confusa.

- O livro referente ao conjuro que realizei ainda esta lá?

- Sim, deve estar ainda aonde o deixei.

- Ótimo.

O loiro se vira em direção a porta e com passos rápidos vai na direção da ela.

- O que houve ?– o menino de bronze pergunta antes que seu dono deixe o aposento – para que a pressa?

- Algo saiu muito errado Blaise – Draco se escora contra a parede próxima a porta – algo saiu muito errado, e eu tenho que saber como, e se há alguma outra conseqüência.

- Conseqüência? – Pansy parecia ficar cada vez mais assustada com o tom sombrio de Draco – como assim conseqüência?

- Quando eu estive na outra dimensão, eu vi o nome de alguém no mapa do maroto – o loiro revolve os cabelos de forma nervosa – alguém que não deveria estar lá.

- Draco, se acalme- Blaise tentava ser racional – eu sei que deve ser um choque ver tantas pessoas que em nosso mundo estão mortas, mas...

- NÃO!!! – Draco ficava cada vez mais nervoso à medida que a compreensão do quão aquilo poderia ser perigoso para Harry. – Você não entende. Aquela pessoa nem mesmo deveria existir naquele mundo.

Vendo o estado de nervos do humano, as estatuetas concluem que o melhor era com calma deixa-lo falar o que o atormentava.

- Como assim "não deveria existir"? – o rapaz de bronze diz com sua voz mais macia.

- Aquele mundo, em teoria, deveria ser igual ao nosso. As pessoas que nele vivem só deveriam ter suas vidas alteradas, ou suas datas de nascimento adiantados ou atrasadas se nesse mundo elas tivessem algum contato com Harry, as de mais pessoa que nunca conheceram Harry deveriam ter suas vidas normais, sem qualquer alteração, a não ser que tivessem contato com as outras pessoas que conhecem o Harry.

- Certo, até ai nos já entendíamos.

- Mas essa pessoa... Essa pessoa nunca conheceu o Harry.

- Como você sabe? – Pansy tentava ser racional – Pode ser que eles se conheceram e você nunca ficou sabendo.

- Porque, essa pessoa morreu muito antes que Harry nascesse – seu olhar era desafiante – morreu muito antes até mesmo que o pais de Harry nascessem, muito antes que os avos dele sonhassem em nascer.

As duas estatuetas se calaram.

Definitivamente, aquele era um problema.

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Nhaaai, o que acharam até agora?

Eu estou ainda trabalhando na segunda parte do capitulo, e como posso demorar achei que não custava nada diminuir a espera de vocês e postar essa metade que já estava pronta.

Na próxima parte, finalmente acontecera o duelo entre Harry e Severus, parte dessa cena já foi escrita, e mesmo não terminada o final já foi decidido.

A musica da cena de Neville e Lucius, caso alguém não tenha reconhecido é a "1 minuto" de D'Black, eu a acho muito linda, e achei que se encaixaria perfeitamente com os sentimentos de Lucius e Neville.

O pensamento inicial desse capitulo pertence a Hooch, mas acho que só vai ser devidamente explicado na próxima parte. Eu gosto muito dessa personagem na minha fic, principalmente por, apesar de parecer forte, na minha opinião ela é a psicologicamente mais frágil de todos, mais frágil até do que a traumatizada Trelawney.

As "irmãs arraso" (Bella e Cissi) salvaram o dia, estou considerando fortemente manda-las para o elenco fixo da fic, elas são bastante engraçadas, e criar diálogos entre elas é fácil, e vamos e convenhamos, elas formam o único casal ativo que não está brigando/ se ignorando/sofrendo nessa fic. Estou começando a achar que a minha veia romântica é meio Shaksperiana.

Eu gostei muito de fazer o flash back do Harry, mostrar uma relação feliz e calma entre o trio dourado deu uma amenizada no ambiente, sem falar que eu queria deixar claro que o Rony da minha fic não é um "desgraçado filho da mãe" como em muitas outras fics..

Luna tem amigos! Luna tem amigos! Luna tem amigos!(chorando como uma mãe emocionada) essas duas figuras só terão suas identidades reveladas na próxima fase, só digo que eu pessoalmente gosto muito do quarteto que vou formar com as duas serpentes, Luna e Trelawney, realmente eu tenho uma queda por combinações estranhas.

Aaaaa sim, mais um mistério está no ar, mas esse vai ser solucionado em um ou dois capítulos, afinal, Draco está no caso (k k k ), apenas deixo claro que soltei varias pistas na fic para indicar quem na verdade é essa pessoa. Quem quiser já ir pensando fique a vontade, já que isso será o tema da próxima aposta.

A resposta aos reviews do capitulo passado e o novo desafio serão colocados no final da próxima parte, peço por favor um pouco mais de paciência, eu ainda não sei quando postarei a segunda metade, só posso dizer que estou trabalhando nela.

Por hoje é só, por favor, me mandem sua opinião, estou precisando de um pouquinho de apoio, quem sabe isso me inspire a terminar logo essa parte que falta.

bjs e nos vemos na próxima parte do capitulo.