Nhaiiii, quem sentiu minha falta? He, he, demorei mas voltei.
Sei que quase quatro meses é muito tempo, e peço desculpas, como disse antes eu me mudei e não tenho computador. Durante esses meses eu tive que aproveitar boa parte do meu tempo livre para escrever mais da metade desse capitulo a mão e sempre que tive chance eu voei para cima de algum PC (bem, sempre que eu tive chance e inspiração).
Obrigada a todos que me enviaram review: Sasami-kun, Lilith Potter Malfoy, vrriacho, Lady T., Simca, Freya Jones, 2Dobbys, rohh, Natália, amdlara, . principalmente para Tainá, que foi a primeira a acertar o desafio, e como prometido você poderá escolher qualquer figurino que quiser para o moreno usar na primeira saída dele para Hogsmead. Tudo está valendo, até tatuagens, piercings, maquiagem... Ou se preferir um modelito simples... Sei lá, seja o que decidir eu procurarei uma explicação plausível para que nosso Potty-pooh esteja assim e de brinde farei um desenho...
Fenrir: Desenho?(olhar interessado) Quantas habilidades mais sua surpreendente pessoa guarda? – o lobisomem envolve a cintura da autora.
Luana: Qu... que... que nada... eu nem... nem desenho tão bem assim...
Fenrir: Hum – lambe a ponta da orelha da garota – Modéstia. Vem cá, você desenha nu artístico?
Luana: N... Nu? Claro... Quer dizer, eu já desenhei algumas cenas...
Fenrir: E se a leitora por acaso pedir que o Harry fosse a Hogsmead inteiramente pe...
Severus e Draco: LUANA!!! - Os dois slytherins puxam a autora para fora dos braços do albino.
Luana: Hã? O que? Como? – pisca varias vezes confusa, como se despertasse de um transe.
Draco: Esse lobo sarnento estava tentando influenciar você e a Tainá para fazer o Harry andar nu por aí.
Severus: Francamente, (olhar de desprezo) aposto que fez isso apenas para envergonhar o Potter.
Fenrir: Na verdade o que me motivava era a idéia de que já que somos "namorados" se o Harry ficar pelado, a pessoa mais provável de estar ao lado dele para apreciar a cena serei eu (sorriso safado). Mas esse lance de envergonhar o Chris... ou Harry... bem... seria um bônus legal, ele fica uma graça quando fica todo vermelhinho.
Severus: É mesmo (olhar sonhador)
Draco: É mesmo (olhar sonhador)
Luana: Ai ai, e o fã clube do Potty-pooh apenas aumeeeeenta.
Quero também fazer um hiper mega suuuuper agradecimento especial a minha doce priminha Lari the killer, em uma época em que eu estava super sem inspiração ela ficou me incentivando muito a continuar a escrever esse capitulo e entre ameaças a minha integridade física e moral boa parte do que eu criei nesse capitulo se deve a minha adorável (e muuuuitas vezes sombria) prima.
Não sei quando vou postar um novo capitulo, ainda não tenho um computador só meu, pode ser cedo, como pode ser tarde, mas podem confiar, NÃO VOU ABANDONAR ESSA FIC.
Se eu estiver demorando muito não se acanhem em me cutucar um pouco.
Sem mais delongas, tenham uma boa leitura
Disclaimers:Harry Potter e seus personagens não me pertencem, e eu não ganho nada com o que escrevo... hm... acho que já disse isso antes algumas vezes... nã', deve ser impressão minha.
Capítulo onze: Difíceis decisões.
Dói não dói? Eu sei que dói.
Por isso não consegue me entender.
Por isso não consegue ver o que eu vejo.
Não chore mais, não brigue mais.
Pois minha realidade também pode ser a sua.
Pois enquanto eu sorrir terei forças para estender-lhe a mão.
Logo, não chore mais
Não se machuque mais
7º dia
"O dia pertence a aqueles que agem.
A noite para aqueles que lamentam.
Mas a madrugada... ah... a madrugada...
É aonde acontece o nascimento das idéias mais sombrias."
Foram exatamente essas palavras que circularam na mente de Régulos Black quando terminou de ouvir o plano que seria executado daqui a algumas horas.
Ainda encobertos pela escuridão da madrugada, seis figuras conversavam na torre de astronomia.
Dumbledore, o aluno considerado: "o mais destacado daquele ano em Hogwarts" tinha em suas feições traços que geralmente prefere ocultar durante o dia.
Traços que fariam muitos terem calafrios.
- Espero que já tenham entendido muito bem os seus papeis em meus planos. – o tom gentil e até certo ponto adocicado do adolescente acompanhado da expressão fria de seu rosto fez mais de um dos presentes estremecer.
Mais de um... mas não todos.
- Dumb, querido – uma das garotas graceja enquanto escora o cotovelo no garoto moreno e truculento ao seu lado – Assim você até me insulta, parece até que você não conhece o meu "lado profissional".
- "Lado profissional"? – Régulos, definitivamente o mais novo daquele estranho grupo, pergunta com desdém – você ainda tem a empáfia de chamar aquilo que você faz de profissão? Um trasgo faria serviço mais limpo do que você.
- Oooh, o pequeno Black se sente enjoadinho por causa de algumas manchas de sangue? – a menina estende a mão tentando alcançar a bochecha do rapaz, mas ele a estapeia para longe antes de alcançar seu alvo.
- Calem a boca vocês dois – um taciturno rapaz baixinho resmunga – se eu tiver que ouvir mais uma vez vocês discutindo juro que ............
- Certo, certo... – Albus "Dou graças a Merlin que nenhuma parte desse plano envolve trabalho em grupo, ou meus próprios contratados acabariam se matando um ao outro" – façam o que façam, apenas peço descrição, espero que meu nome não seja associado a isso em nenhum momento.
Todos os presentes não ousaram deixar de demonstrar que compreenderam aquelas palavras.
Não quando qualquer ato contrario despertaria o desgosto daquele calmo rapaz que os havia convocado.
"Christopher Hardnet" Régulos volta a se perder em seus pensamentos "Está aí uma pele em que eu não gostaria muito de estar" sorri debochado "nem na de você nem na de seus amigos"
--- FVQP ---
Era estranho.
Estar lá e não ter como prioridade ir para o lado de Harry era estranho
No primeiro minuto de sua chegada Draco até mesmo pensou em ir observá-lo despertar, mas sabia que se o fizesse dificilmente teria forçar de se afastar dele.
Era cada vez mais difícil fazê-lo. Se afastar dele... era cada vez mais difícil.
Quando se é atormentado com a certeza que mais dia o menos dia...
Tudo acabará.
Mas voltando ao que no momento necessitava de seu foco, Draco estava em plena entrada da enfermaria do colégio.
Mas o que exatamente ele queria fazer?
Nem ele mesmo sabia.
A verdade era que a certeza de que mais alguém além de Harry conseguir lhe ver naquele mundo era pertubadora. Era a confirmação de que algo estava correndo mal.
"Sem falar que a simples identidade daquela mulher... brrr, eu tenho que estar errado"
Avançando um pouco mais dentro da instalação, ele passa pela sala de espera olhando ao redor. Nada em especial mudara muito, esperava algo menos organizado, já que, diga-se de passagem, a mulher que administrava o lugar atualmente não inspirava muita confiança.
Entrando por um corredor, ele olha por todas as portas por que passava, salas de descanso, atendimento, dispensas... Nada era muito diferente. Na porta que ficava no fundo, a última que olhou, tinha um quarto com cama, uma estante gigantesca com vários livros e próxima a janela uma escrivaninha.
Sentada na frente da escrivaninha estava ela.
A enfermeira.
Ela mantinha a janela aberta enquanto fumava.
"Será que essa mulher nunca para de fumar nem por um segundo?"
Se aproximando, Draco se perguntava se assim como ontem a mulher conseguiria o enxergar, mas por mais passos que dava em sua direção a loira não dava qualquer sinal de perceber sua presença.
"Talvez estivesse apenas distraída" calculou o loiro "ela parece um pouco preocupada"
Próximo o suficiente para tocar o escoro da cadeira em que a mulher estava sentada se assim o quisesse. Draco da um pulo quando Raven Hargreaves vira a cabeça da janela para onde olhava antes para agora o colocar em seu campo de visão
Mas mesmo assim ela não da nenhum sinal de que o via.
- Talvez tenha sido impressão minha – erguendo a mão e balançando na frente dos olhos da mulher faz uma careta de desgosto, apesar de que no fundo estava aliviado – pelo jeito apenas fiz gastar o meu tempo a toa.
Dando a volta, vendo que já tinha feito o que tinha que fazer, Draco estremece quando ouve a voz debochada da mulher dizer.
- Oras, então que tal não tornarmos a sua visita um desperdício total, gentil cavalheiro?
Antes que pudesse se virar, o loiro sente seu corpo ser paralisado por uma força desconhecida. Estático, tudo o que ele conseguiu mover foram seus olhos, que os abaixando nota um estranho circulo de magia formado por fumaça circulando ao seu redor na altura de sua cintura.
- Mas como...
- Circulos de magia são muito subestimados – caminhando lentamente para ficar frente a frente com Draco a mulher sorri ainda debochada – muitos acham que apenas a forma com que os escreve é diversificada, sabe? Giz, tinta, carvão, sangue... Mas o local aonde eles são feitos não precisa sempre ser uma superfície lisa – ela faz a mão atravessar a complicada mistura de símbolos de fumaça os desmanchando, mas assim que seus dedos pálidos passavam os riscos místicos voltavam ao seu antigo lugar – ou sólida.
Sem saber o que falar exatamente naquela situação patética, Draco, ainda atordoado, apenas a ouve enquanto ela caminha ao seu redor o olhando de cima a baixo.
- Se for sincera, eu no começo nem gostava muito de cigarro, era bem desagradável. Mas diferente da varinha, ninguém espera nada muito ofensivo de alguém que está segurando um cigarro, sem falar que como a fumaça se espalha com facilidade eu só preciso de um poucos movimentos de dedos e qualquer circulo de magia que eu tenha memorizado se forma ao redor de qual-quer-um
Draco tenta em vão se debater dentro daquela prisão, mas era em vão, ele mesmo era bem ciente disso.
Afinal, mesmo solto, quantas chances teria contra ela?
Quantas chances teria contra a própria Rowena Ravenclaw?
- Você... – Draco diz com certa dificuldade, era como se aquele feitiço espremesse seu corpo, comprimindo ate mesmo seu pulmão – é mesmo quem eu penso que é.
Parando na frente do rapaz, a enfermeira sorri de uma forma pouco agradável.
- Se todo o medo que acabo de sentir em sua voz for real – toca seu queixo e sussurra – sim, sou eu.
Sentindo todo o sangue de seu rosto sumir, Draco mal conseguiu juntar as próximas palavras para dizê-la, mas ainda sim com grande esforço, as gaguejou.
- Ma... mas... isso é im... impossível.
- O que é impossível nesse mundo, querido? – a loira abana a mão com impaciência e puxa uma cadeira para se sentar na frente do homem paralisado – por que as pessoas insistem em dizer que as coisas são impossíveis até mesmo quando as provas se sentam bem na sua frente?
Procurando toda a calma que poderia juntar naquele momento dentro de si, Draco tenta ignorar o fato de que estava diante de uma das figuras históricas mais poderosas do mundo e volta a falar, mas desta vez com mais controle sobre as palavras que saiam de sua boca.
- O que quero dizer – encara a mulher com uma coragem digna de um gryffindor – é que devido ao feitiço que realizei, a sua pessoa não deveria existir nesse espaço temporal.
- Bem colocado – se levantando e girando a cadeira ela volta sentar. Descansa os braços sobre o escoro e a cabeça sobre eles – mas isso não muda o fato de que estou aqui, não é?
"Ela está brincando descaradamente comigo" pensa o loiro com raiva.
- Você parece bem ciente de minha situação aqui, não está? E se sabe de mim, então também deve saber do...
- Se eu também sei sobre a situação do senhor Hardnet? Oh sim, eu sei.
"Interessante" pensa Draco consigo mesmo "Aparentemente ela não está ciente de que este não é o verdadeiro nome de ...oh, mas é claro, como eu não me lembrei disso" Draco acaba de se lembrar de um detalhe importante.
O livro de onde tirou o feitiço era um livro escrito por Rowena Ravenclaw, logo, ao ver o loiro incorpóreo deve ter juntado dois mais dois e... Mas como ela para principio de conversa conseguiu vê-lo se ainda não tinha um corpo solido?
A não ser...
- Você também está fora de seu universo de origem!!! – ele exclama.
- Bingo – Rowena solta uma alta gargalhada – Provavelmente viemos de um universo não muito diferente, o que explica por que você teve acesso a um de meus feitiços mais complexos – ela leva a mão ao queixo – executei a muitos milênios esse feitiço, vaguei por universos atrás de universos, e como estou fora de meu "espaço temporal natal" meu corpo não envelhece, assim como o seu, quando for corpóreo, é claro. Devo admitir que perdi a conta dos anos que passaram desde que abandonei meu universo de origem, já que a cada universo em que entro posso escolher o ano que quero viver, reviver ou – olha maliciosa para Draco – manipular.
Aquilo era maior do que esperava, aquela mulher não era apenas um dos fundadores que segundo a historia eram os magos de magia mais poderosa desde Merlin, mas também era alguém que teve séculos ... não, segundo ela, milênios para estudar e moldar a sua magia.
Ela era definitivamente perigosa.
Se levantando da cadeira em que estava a mulher solta um curto bocejo e se encaminha para a porta.
- Para onde vai? – Draco pergunta preocupado, será que ela planeja deixá-lo preso por lá?
- Tenho trabalho a fazer, muuuuito trabalho – ela cruza a porta e olhando através da brecha diz com seu irritante sorriso debochado – terei em alguns minutos vários visitantes, e tenho que arrumar as macas em que descansarão.
- Visitantes – o loiro suava frio.
- Sim, seis visitantes.
E fechando a porta a enfermeira caminha calmamente para a sala de tratamento intensivo.
Enquanto estendia os lençóis nas macas seu sorriso desaparecia a cada tecido branco que alisava e massageava, até sobrar em seu rosto uma expressão preocupada.
- Está prestes a começar Hardnet, seja forte, pois está prestes a começar – sentindo uma de suas mãos tremer, a segura com a outra para conte-la – por favor, mais uma vez, seja forte.
--- FVQP ---
Subindo as escadarias do castelo, um suado texugo estendia seus músculos doloridos. Os exercícios matinais estavam surtindo o efeito desejado, apesar de ainda não haver o mínimo sinal de músculos em seu corpo franzino, Harry quase podia explodir de tanta vitalidade que apenas o ato de realizar exercício físico lhe passava.
Era revigorante.
Para pessoas que tinham uma besta dentro de si a extravasão de energia era algo quase vital.
"Mas apenas isso não basta" o moreno teve que admitir " se eu quero formar músculos tenho que começar a me exercitar de maneira mais localizada, talvez algumas maquinas muggles venham a calhar... hm... e talvez se eu alterar minha alimentação... claro, sempre e quando a Luna me autorizar, he he, aquela loirinha ta começando a soar como nossa nutricionista particu..."
- Bom dia Hardnet. – Alguém que passava por Harry acenou timidamente.
- Hn? Ah... Bom dia? – Harry acena de volta para a pessoa que sorriu acanhada e foi embora – que estranho, já é a quinta vez que me cumprimentam hoje.
Desde o momento que voltou de seus exercícios Harry pode sentir o efeito que o duelo de ontem causou. A maioria das pessoas ainda o ignorava, um ou outro ainda torciam a boca quando o via, mas pelo menos não tentavam dar ombradas, mas para seu espanto um número considerável de pessoas começaram a tratá-lo de forma no mínimo simpática.
Entre acenos e cumprimentos, alguns pareciam realmente arrependidos dos insultos ou simplesmente por terem ignorado ele quando tantos o perseguiam.
Claro que nada disso comoveu muito Harry.
Sentimentos que mudam de maneira tão abrupta apenas diante de uma mísera demonstração de poder eram muito volúveis, e apesar de responder a cada cumprimento que lhe faziam, ele sabia que não podia confiar em todos os sorrisos que lhe davam.
"Não importa a onde esteja, existe apenas um sorriso em que eu posso confiar sem sombra de duvidas".
O moreno suspira, mais uma manhã em que Draco não estava a seu lado, ele se perguntava se seria igual a anteontem e não veria nem sombra do loiro.
"Pare com isso, pare de ficar sempre tão dependente do Draco, afinal... afinal..."
Harry aperta os punhos com decisão, na manhã passada, quando o viu novamente depois de um dia inteiro de ausência o moreno tinha decidido que não daria mais importância ao assunto do que o necessário.
"Afinal esse é o meu mundo agora, não o dele".
Havia decidido que iria se adaptar a todas as mudanças que esse estilo de vida traria e se a ausência de Draco era apenas mais uma delas, bem, paciência.
Ele sentia como se um pedaço de carne fosse arrancado de seu corpo, Draco havia penetrado por suas defesas bem mais do que gostaria de admitir.
Na hora em que estava nu no banheiro e sentiu os olhos do loiro sobre ele, por segundos sentiu um forte desejo de convidá-lo a provar de sua pele, quis sentir as mãos de Draco por suas curvas e mais do que nunca quis sentir o membro do loiro dentro de si.
O desejava.
O desejava com loucura.
Mas Draco não podia tocá-lo, não apenas fisicamente, aquilo o moreno viu nos olhos de seu ex-amante quando se encararam naquela situação constrangedora, não apenas pela ausência de corpo físico, mas por que algo travava Draco.
Algo o afastava, a cada dia esse algo parecia crescer.
"Algo te afasta de mim Draco, e aparentemente você não faz nada para impedir, é isso o que você quer?"
Esse seria por fim a destino dos dois?
Se separar?
Estava prestes a entrar em sua casa, quando a entrada se abre em sua frente e uma furiosa Hooch passa por ela.
A menina tinha os olhos injetados de fúria e quando passou como um relâmpago ao lado de Harry, o moreno ainda pode ouvir como ela murmurava algo como: "desgraçada... ela havia prometido... vou matá-la"
Com agora a entrada aberta a sua frente, o texugo podia ouvir vozes assustadas e impacientes discutindo.
Sabendo que se não entrasse de uma vez nunca saberia o que estava acontecendo, o moreno caminha até o pequeno tumulto que se formou no meio da sala comunal.
Antes mesmo de perguntar qualquer coisa Harry não pode deixar de sentir um frio na espinha.
"Sangue, novamente estou sentindo cheiro de sangue"
Abrindo caminho com mais impaciência, Harry chega no meio do tumulto. Sentado no chão, Neville mantinha uma desacordada Sibila entre seus braços, ambos cobertos de sangue.
- Mas o que... – pasmo, Harry mal podia acreditar no que via – Neville...
- Nenhuma gota desse sangue é meu Chris – o príncipe dos texugos tinha sua varinha firmemente voltada para os ferimentos da menina enquanto recitava vários feitiços para fechar ferimentos – antes fosse. – completou sombrio.
- O que houve aqui? Não me diga que ela...
As palavras da menina na noite passada ressoou em sua mente e um medo começou a crescer mais e mais em seu peito.
"Ela não poderia estar..."
- Ela está viva, ainda – o texugo começava a suar devido ao esforço que fazia – mas eu não sou medimago, e não posso dizer quanto tempo ela vai resistir, tudo o que posso fazer é fechar os ferimentos para que quando a leve para a enfermaria ela não sangre até a morte no caminho.
O rosto da pequenina nunca esteve tão pálido, e seus lábios começava a adotar um tom arroxeado.
- Ela não é uma vidente? – Harry ouviu alguém no meio dos assustados texugos murmurar – ela não deveria prever esses tipos de coisas?
Como podia haver tantos idiotas juntos em uma única casa? Se não se contivesse, o moreno de olhos verdes acabaria estrangulando alguém.
- Se sua cabeça fosse arrancada do pescoço, talvez ela pudesse ter prevido – Harry lança um olhar mortal na direção de que veio o comentário – mas o tipo de vidente que ela é, só pode ter um tipo de previsão sobre a própria pessoa, o de sua morte.
O medo foi aos poucos dando lugar a outro sentimento.
O de ódio.
Quem quer que tenha feito aquilo iria pagar muito caro.
- Quem fez isso? – Harry volta a falar com Neville.
- Chris, não é uma boa hora – Longbottom, mantinha sua varinha firme em meio ao feitiço – eu preciso me concentrar, sem falar que nesse momento ela precisa de...
- Quem fez isso.
- Por favor... já basta a Xion...
- QUEM DIABOS FEZ ISSO???
- EU NÃO SEI, TÁ BOM? – Neville ergue o rosto na direção de Harry pela primeira vez desde que o moreno entrou – eu não sei, eu acordei quando ouvi o grito de uma das quintanistas que a achou. Não sei quem fez isso... – sentindo toda sua impotência, Neville deixa cair algumas poucas lagrimas – droga...
Harry estava gritando com a pessoa errada, e sabia disso.
- Você talvez não... – murmura o novato – mas Xionara com certeza sim. O que aconteceu para que ela saísse daquele jeito e deixasse sua irmãzinha quase morta para trás?
- Eu não sei – Neville volta a prender seus olhos nos ferimentos da pequenina – ela estava possessa quando viu que a pessoa que estava ferida era a Sibila, ela quase atacou meia casa atrás do culpado, mas quando viu a teia...
- Teia? Que teia?
-Aquela teia – Neville apontou para o teto onde uma feia e mal feita teia, similar a uma teia de aranha foi armada com fio de aço. – foi de lá que tiramos a Siby – seu rosto se contorce com raiva – alguém a costurou lá em cima e a deixou sangrando. Se não tivessem visto ela antes, talvez...
Sem querer ouvir mais, Harry dá a volta e começa a correr na direção da saída.
- Termine o que está fazendo e vá o mais rápido possível para a enfermaria com ela – Harry gritou enquanto corria – eu vou atrás da Xionara, ela parecia saber quem fez isso, e do estado que estava talvez mate a pessoa – do lado de fora o moreno não pode deixar de murmurar para si mesmo – e eu não posso deixar que ela se divirta sozinha.
O sangue de Siby não apenas impregnava as roupas de Neville, assim como pode perceber, a essência vital da menina também havia entrado em contato com o corpo da irmã, e desse jeito Harry conseguiu seguir o rastro que aquele cheiro doentio lhe passava.
Ela podia ter morrido.
Morrido.
Aquela verdade batia em sua cabeça como um tambor a cada passo que dava, um corredor antes da escadaria, o moreno se detém ao entrever um outro tumulto, desta vez próximo a uma das janelas.
Mesmo sabendo que talvez não tivesse muito tempo, resolveu arriscar deixar de lado o rastro que seguia e ver do que se tratava a confusão.
Talvez Xionara já tivesse dado um jeito no agressor da irmã e deixado os restos mortais no meio do colégio.
Antes tivesse sido isso.
Próximo o suficiente, mais uma vez Harry pode sentir o cheiro inconfundível de sangue, mas não era o de Siby.
Acotovelando as pessoas ao seu redor, ele consegue chegar na janela, e debruçando nela estava um slytherin de no máximo onze ou doze anos que tentava puxa uma espécie de planta altamente espinhosa, e a cada puxão que dava mais os espinhos rasgavam sua pele.
Olhando pela janela, temeroso com o que encontraria, Harry quase perdeu a respiração com o que viu.
Suspensa apenas por um braço por aquela planta espinhosa estava Luna. A loirinha parecia estar desacordada e seu rosto estava salpicado do próprio sangue que caia dos ferimentos.
Sem pensar duas vezes Harry se une a única pessoa que tentava tira-la daquela possível queda de metros e mais metros, e graças a sua forçam com dois ou três puxões consegue resgatar a amiga.
A deitando contra a parede e conferindo se seu coração ainda batia, Harry olha para as pessoas ao seu redor com tanta raiva que quase voou para cima de cada uma para arremessar cada um deles por aquela mesma janela.
- Por que inferno ninguém mais a ajudou?
Vários se encolheram diante de seu tom e quase todos dispersaram.
Quase todos.
- Eles tem medo de desafiar quem fez isso – disse uma voz ao seu lado.
O menino que antes havia tentado salvar sua amiga estava ao seu lado. Sua expressão era meio neutra, mas era obvio que também estava indignado.
- E você não?
- Um Zabine sabe escolher suas prioridades.
"Zabine" Harry se assustou ao ouvir aquele sobrenome "Seria o mesmo Zabine que conheci ou algum parente? Pensando bem, esse não é o garoto que vi tomando café com a Luna ontem?"
- Ela vai ficar bem? – a serpente pergunta com preocupação.
- Talvez – Harry retorna sua atenção para a amiga – Zabine, você conseguiria levar a Luna para a enfermaria.
- Claro que sim – o rapaz responde como se acabasse de ouvir o maior dos insultos – Mas pensei que você iria querer fazê-lo.
- Tenho outro problema para resolver – Harry se levanta – e você parece o homem certo para essa missão.
E voltando a correr, Harry tinha certeza de que não poderia ter deixado ninguém melhor para cuidar da pequena Luna.
Não apenas pela preocupação que viu nos olhos castanhos.
Mas pelos profundos ferimentos que demarcavam aquelas delicadas e aristocráticas mãos.
Chegando finalmente nas escadarias, aonde retoma o rastro que havia deixado para trás, Harry desce degrau por degrau como se sua vida dependesse disso.
E parte disso era verdade.
Seus amigos eram grande parte de sua vida.
Ao menos a parte boa.
Chegando ao final das escadas moveis, qual não foi sua surpresa quando mais um grupinho de pessoas pareciam se amontoar próximas aos degraus.
"Não... por favor, não de novo"
Mais rápido que antes, ele termina de descer todos os degraus apenas para ver a bizarra cena de Hooch estatelada no chão, sua perna direita assim como seu braço direito estavam em uma posição estranha e uma pequena poça de sangue se formava debaixo dos rebeldes fios brancos que cobriam o rosto desacordado.
- XIONARA!!!
Harry se ajoelha ao lado da amiga sujando um pouco os joelhos com sangue e estava prestes a tocá-la quando se lembra de algumas poucas aulas que teve de medicina muggle.
- Eu não posso tocar nela sem saber exatamente o que ela pode ter quebrado. – murmura para si mesmo – o que aconteceu aqui? – perguntou para uma das pessoas ao seu redor.
- E... Eu ... Eu não sei... ela... beem ela...
- Alguém com alguma capacidade verbal poderia me responder como minha amiga acabou assim? – Harry esbraveja sem paciência.
- Ninguém viu – uma miúda ravenclaw respondeu entre as amigas – quando demos por nós, vimos ela rolando pelos degraus e... bem... Alguns tentaram deter a queda com magia, mas foi muito rápido. E...
- Ela deve ter tropeçado – alguém dizia entre os espectadores.
- Algumas pessoas disseram ter visto ela correndo pelos corredores bastante furiosa. – disse outro.
- É mesmo – concordou outro desconhecido – ela não deve ter prestado atenção e deve ter caído.
- As escadas sempre foram muito perigosas, se movendo de forma imprevisível. – complementou outro.
Acidente.
Acaso.
Distração.
Harry simplesmente não conseguia aceitar àquelas palavras de maneira tão simples como os demais.
Não com tudo o que estava acontecendo nos últimos minutos.
- Tanto faz, agora não importa – Harry tentava respira fundo – alguém poderia fazer o favor de levitar a Xionara até a enfermaria?
Se pudesse, ele mesmo faria isso.
Harry pela milésima vez desde que veio para esse mundo lamente internamente o fato de ainda não ser capaz de usar a sua magia.
E para sua surpresa a ajuda veio da pessoa menos esperada.
- Saiam do caminho, idiotas.
Com seu eterno "bom humor", abrindo caminho por entre os estudantes, apareceu Tom Riddle.
Desde o encontrão que teve com o professor no domingo Harry não teve novas oportunidades de topar com o professor. O homem parecia tão irritadiço quanto sempre, e seu humor não melhorou quando viu uma de suas estudantes estatelada no chão.
- O que? – o homem estreita seus olhos na direção da multidão inquieta – Agora vocês deram de se eliminar um por um? Pois se é o caso, façam isso longe da área de transição publica.
Antes que Harry pudesse reclamar das palavras ferinas do professor, o homem saca sua varinha e sem mais nenhuma palavra levita o corpo da adolescente.
Sem ter que dizer uma palavra o professor mais temido de Hogwarts teve seu caminho aberto por entre o pequeno grupo de alunos. Harry, ainda atordoado com o estranho ato de boa vontade, se levanta aos tropeços e tenta acompanhar o ritmo acelerado do professor.
- Torça para que sua amiga tenha tido apenas uma concussão e alguns membros quebrados senhor Hardnet, ou estarei sujando minha roupa nova de sangue a toa.
Harry se manteve calado, tanto tempo tendo Snape como professor e um de seus muitos mentores de guerra, ensinaram a ver a preocupação latente em palavras ferinas.
- Obrigado professor – o jovem murmura.
- Não agradeça ainda, senhor Hardnet – o homem olha para o adolescente de esgueira – até por que, não creio que nossa "amabilíssima diretora" – torce o rosto em uma careta ao dizer essa ultima parte – me manteria no cargo de professor se tivesse ignorado o fato de que uma de suas estudantes estava definhando no azulejo de nossa prestigiosa escola.
Mesmo diante de palavras tão duras o estudante não se deixou enganar, era obvia a real preocupação do professor. Mas preferiu guardar para si as próprias opiniões, em seu lugar resolveu expor as suas duvidas:
- Você disse lá atrás algo sobre os estudantes estarem se livrando um dos outro um a um. Acha que não foi um acidente?
- Alem de uma insignificante capacidade mental você também é acometido por uma deficiência visual tão abissal? – o professor bastou olhar para os óculos de Harry para bufar exasperado – Ok, esqueça o que eu disse, detesto dizer o obvio. Acontece, senhor Hardnet, que seja lá o que foi que levou a senhorita Hooch a cair das escadas, não foi fruto do acaso.
- Como pode ter certeza.
- Simples. É o que me diz as marcas em seus tornozelos.
Harry pisca algumas vezes confuso com aquelas palavras e lança um olhar especulativo aos pés da amiga. E lá estavam. Um pouco acima dos tornozelos pode ver claramente.
Marcas arroxeadas.
Como se tivessem sido feitas por fios.
Fios de aço.
Era agora mais do que obvio, a amiga caíra em uma armadilha.
Tudo aquilo estava ficando mais e mais desesperante.
Primeiro Sibila.
Depois Luna.
E agora Hooch.
Ele nunca havia sido muito adepto as coincidências, e não seria agora que começaria a ser.
Os dois magos e a adolescente inconsciente estavam ainda em meio a sua, agora silenciosa, jornada, quando o moreno capta uma conversa entre duas quintanista de Slytherin que havia visto em uma de suas aulas.
- E ele estava coberto de sangue, mas não era dele.
- Como não era dele? Ele não estava inconsciente também?
- Estava, mas o sangue que o cobria era da garota inconsciente ao seu lado, os dois foram achados próximos a entrada da casa dos texugos e...
A pressão na cabeça de Harry parecia crescer cada vez mais, e sem dizer uma palavra ao professor que continuou seu trajeto sem qualquer objeção, foi na direção das duas garotas e segurando o braço de uma com mais força do que realmente queria pergunto com a voz mais rude que conseguiu:
- O que você acabou de dizer?.
- Eu... eu ..eu... – a garota parecia estar entrando em pânico
- Hei – a amiga dá um passo a frente tentando soar intimidadora – larga ela, abor...
- Cale a boca – ele sibilou em um tom tão glacial que a menina quase congelou e se voltando para a garota que interrogava, pergunta novamente, desta vez mais calmo – o que foi que você acabou de dizer?
- É só que... Parece que encontraram o príncipe dos texugos desmaiado na porta da própria casa, ele estava estirado no chão, ao lado daquela pestezinha que também não parecia estar muito...
- A peste se chama Sibila – Harry estreita os olhos perigosamente fazendo a garota engolir seco – e se ouvi-la chamar ela por esse nome que você acabou de dizer novamente, farei você engolir cada dente de sua boca – a paciência de Harry estava por um fio – agora diga, o que houve com Neville?
- Não sei – a menina estava apavorada e quase caindo em lagrimas – eu só ouvi falar por alto. Parece que ele estava tremendo muito e tendo convulsões, falaram algo sobre veneno, mas eu não sei, eu juro que não sei...
Largando a menina, que escorrega tremula até o chão sendo acolhida por sua amiga, o primeiro impulso de Harry é se virar na direção em que havia ido o professor, já que todos os seus amigos feridos pareciam estar de alguma forma sendo encaminhados para lá.
Mas mudou de idéia.
"Isso está muito estranho" ele raciocina "um por um pessoas com quem eu ando estão sendo feridas, e com um espaço de tempo muito pequeno entre um atentado e outro. Se isso for alguma trama, mais de uma pessoa está envolvida". Seu peito se comprimia e a respiração era cada vez mais difícil.
"Siby, Hooch, Luna e Neville, se isso for verdade, eles se feriram por minha culpa."
Tal pensamento só o levou a uma assustadora conclusão.
"Se isso for verdade, então ainda não terminou"
- Fenrir... Severus... – murmura assuntado – Não!
Voltando a correr, o moreno desta vez toma o caminho para o grande salão.
"Por favor estejam lá" suplicava em sua mente enquanto desviava, esbarrava e empurrava as pessoas a sua frente, ignorando os olhares irritados e as perguntas devido ao seu comportamento.
Não podia permitir que mais pessoas importantes fossem feridas
"Por favor, estejam lá" suplicava em sua mente quando passando pelas portas do grande salão procurou em vão qualquer sinal de seus dois amigos
Não podia permitir que por sua culpa...
"Por favor, estejam lá" suplicava em sua mente quando ignorando os olhares curiosos se encaminhou ao centro do salão.
Que novamente por sua culpa...
"Por favor, estejam..." mas dessa vez sua suplica foi interrompida diante de uma simples visão.
... mais pessoas importantes para ele se firam.
O colar ensangüentado de Fenrir largado em meio ao piso do grande salão.
- Fen... rir... – se abaixando o rapaz ainda com as mãos tremulas pega o colar feito de argolas e as encara incrédulo – como...
Sentia-se tão tonto que por segundos quase perdeu os sentidos, a imagem de cada amigo ferido ainda rodavam em sua cabeça.
Tentando desesperadamente não perder a razão, ainda sentindo uma forte dor em sua cabeça. Harry se dirige a mesa das serpentes, que assim como todo o salão observava com expectativa a situação.
- O que... o que aconteceu – pergunta zonzo – o que aconteceu com Fenrir? – seus olhos ganhavam pequenos raios amarelados quando por fim grita – ONDE ESTÁ FENRIR??
- Antes de se preocupar com o seu namoradinho – uma voz irritada chama a atenção de Harry o fazendo olhar para uma menina de cabelo castanhos – não acha que deveria se preocupar com outra pessoa também?
Longe de acalmá-lo, uma onda de pânico engole Harry que sendo jogado de um lado para o outro por todos aqueles sentimentos conflitivos, ao entender a pergunta da garota, pergunta quase sem forças.
- Aonde – o pânico era latente em sua voz – aonde está Severus?
- Na enfermaria – uma Slythrin loira, sentada ao lado da morena responde com a expressão tão fechada quanto a outra – nós o levamos lá quando de manhã alguém o atacou enquanto ainda estava na cama.
- Como?
- Seja lá quem for o desgraçado – a menina morena tinha tanto ódio nos olhos que seria capaz de incinerar alguém apenas com o olhar – liquidificou os ossos dos braços de Severus, e os extraiu pelos poros esparramando por toda a cama.
- E ninguém... – Harry tremia de raiva – ninguém... OUVIU NADA???
- Severus mantém um feitiço que isola o som – a loira apesar de não parecer menos raivosa que sua irmã aprecia se manter mais equilibrada – só descobriram que algo estava mal quando perceberam um liquido branco caindo de sua cama.
Nesse ponto Harry não conseguia nem ao menos falar, suas duas mãos seguravam firme na mesa e todo seu corpo tremia.
Odio...
As palavras aos poucos foram perdendo o sentido, tudo era turvo e desconexo.
Odio
O sangue... A dor... Seus amigos... Tudo isso formava um caleidoscópio fervilhante que desintegrava cada fibra de sua razão.
Odio!
Os comentários temerosos e pequenas piadas insensíveis que ouvia uma ou outra pessoa soltar incrementava essa mistura explosiva, até que...
ODIO!!!
... tudo por fim fosse pelos ares.
As orbes verdes agora estavam completamente amarelas e os raios agora tinham a cor escarlate, era como estar diante de duas intensas labaredas de pura ira. Harry segurava com força com as duas mãos a mesa mantendo sua coluna inclinada e sua cabeça baixa a medida que sua respiração se tornava mais e mais difícil.
Doía... Deus como aquilo doía.
Era como se tivessem cravado um punhal em sua mesma alma.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH – E com um grito descomunal o moreno tenta botar toda aquela dor para fora.
Sua voz calou mais de uma pessoa naquele salão. Não só por sua tristeza, mas por que no mesmo instante que fez isso as velas apagadas dos castiçais nas paredes se ascenderam, e extremamente rápidas aumentaram com tamanha potencia que suas chamas formaram uma verdadeira parede de fogo que cobriu tudo até mesmo o teto que refletia um céu ensolarado.
O grande salão se transformara em um inferno incandescente.
Muitos alunos e refugiados começaram a se sentir mal. Era um calor mortal que os cercava. Histéricos, algumas pessoas chegaram até mesmo a desmaiar, o cheiro de carne queimada também indicava que varias e varias pessoas tiveram seus membros queimados.
Vendo que a possível fonte das chamas era o inconsolável texugo – mesmo que supostamente aborto – vários professores e adultos entre os refugiados apontaram suas varinhas para ele, mas sempre que se preparavam para soltar qualquer feitiço uma espécie de chicote chamejante se desprendia da parede ou do teto e golpeava a mão da pessoa.
Assistindo a aquilo tudo, a diretora simplesmente não despregava os olhos das costas encurvadas de seu aluno, e levando um cálice a sua boca diz serena.
- Hm... Então finalmente o nosso "aborto" explodiu.
- Diretora – a professora de transfiguração a olhava incrédula – a senhora não vai fazer nada?
- Fazer o que senhorita Spinett?
- Como fazer o que? A senhora não vai deter aquele...
- Aquele o que? – pergunta divertida – aquele aborto?
Se calando, a professora devolve sua atenção ao adolescente encurvado.
"Sem falar, que a própria Hogwarts não permitiria nada que suas próprias paredes não considerassem justiça"
A tristeza envolta naquela bolha de ódio e desespero entoava uma triste melodia nos ouvidos de Harry.
"Todos a quem me aproximo morrem"
Era como um triste réquiem que se repetia e repetia.
"Todos a quem me aproximo morrem"
Entoado por vozes tristes e dedilhado em cordas de fracasso.
"Todos a quem me aproximo morrem"
Nunca teria uma vida normal
"Todos a quem me aproximo morrem"
Nunca teria amigos ao seu redor
"Todos a quem me aproximo morrem"
Por que no fim... "Todos a quem me aproximo morrem"
Clinc clinc clinc...
Um quase inexistente som chama a atenção do moreno em meio a sua crise de auto piedade, olhando para uma de suas mãos que apertavam a mesa, viu o colar de argolas de Fenrir.
Clinc clinc clinc...
- Fenrir... – murmura um pouco perdido – você ainda não está morto, não é?
Uma fria razão parecia começar a refrescar sua cabeça e acalmar seus pensamentos.
- Ainda não, nenhum de vocês ainda morreu – seus olhos não despregaram do acessório mágico – então o que eu ainda estou fazendo aqui?
As labaredas diminuíam gradativamente à medida que seu tom se tornava mais e mais sereno, deixando para trás apenas as marcas de seu antigo percurso, as paredes chamuscadas, as molduras de quadro carbonizados e o teto mágico arruinado graças a fuligem.
Os olhos de Harry lentamente retornavam a cor normal, mas a respiração do moreno ainda estava acelerada, ignorando as pessoas ao seu redor, ele se desapoia da mesa em que estava e sem mais palavras corre em direção a saída.
Corre em direção a enfermaria.
- Diretora, vai deixá-lo ir embora depois de tudo o que fez? – um dos refugiados pergunta.
Muitos estavam feridos, queimados pelo fogo, entre esses feridos, a pessoa que falou tinha uma enorme queimadura no braço.
- Quem? Ele? – McGonagall pergunta passando calmamente as mãos pelos cabelos como se não tivesse quase virado churrasquinho segundos atrás. – Mas como você sabe que foi ele?
- Ora, você mesma viu que tudo começou apenas quando...
- Uma magia poderosa como a de a pouco poderia realmente ter sido feita por um aborto?
Varias pessoas abriram a boca para responder, mas logo se calaram.
Aparentemente não estavam ainda prontos para admitir que estavam errados ao julgar o texugo.
- Seja como for – a diretora por fim se levanta – chegou aos meus ouvidos que vários de meus amados estudantes sofreram atentados. Três texugos, uma águia e duas serpentes, assim como sempre foi feito nos últimos anos vocês sabem o que isso significa. Hufflepuff perde sessenta pontos, Ravenclaw perde vinte pontos e Slytherin perde quarenta pontos. Alguém tem algo a dizer quanto a isso?
Um longo silencio se estendeu quando a ultima pessoa esperada foi que o rompeu.
- Eu tenho – Lucius Malfoy se ergue de sua mesa com seu eterno semblante frio – se os boatos não me enganaram um dos texugos feridos foi Neville Longbottom, estou correto?
- Isso mesmo – a diretora responde.
- Era tudo o que precisava ouvir – se virando na direção da mesa das águias ele ergue a varinha e recita – Crucio.
A maldição ia impiedosamente na direção do príncipe das águias.
Albus Dumbledore.
Mas antes de chegar, o loiro não precisou fazer nenhum movimento para desviar, uma de suas águias simplesmente se jogou em sua frente, vendo que a maldição da dor havia pego em outra pessoa, Lucius a finaliza fazendo uma leve careta de desagrado.
- Pode me explicar o que esta acontecendo aqui, senhor Malfoy? – a diretora parecia tão confusa quanto muitos presentes. – eu sei que dois dos feridos são serpentes suas, mas isso não justifica atacar do nada outro de meus alu...
- Pouco me importa saber quem são os outros feridos, ou se são serpentes, águias ou leões... – seus olhos eram duas adagas gélidas apontadas para Dumbledore – apenas me basta ter a certeza de que ao cair do dia o corpo daquele verme estará tão frio quanto o de um cadáver.
- Senhor Malfoy – a diretora começava a perder a paciência – todos estamos abalados com os últimos acontecimentos, mas nem por isso posso tolerar que faça acusações injustificáveis, há algo que comprove que o senhor Dumbledore tem algo haver com isso?
Todos no grande salão acompanham com expectativa o desenrolar da discussão.
- Simples, o fato de Neville Longbottom ter sido atacado – disse calmamente sem abaixar a varinha – um aluno normal e corrente não atacaria por iniciativa própria qualquer um dos príncipes desse colégio, apenas se estivesse seguindo ordens de seu próprio príncipe. Eu não fiz isso, Potter não passa de um leão exibicionista que não atacaria ninguém sem ter certeza de que todo o colégio soubesse que foi ele quem fez isso. – estreitando os olhos na direção do setimanista Malfoy completa com a voz embebida de ódio – Adivinha quem sobra...
- Parece que você está tomando bastante as dores das pessoas atacadas Malfoy – Albus diz calmamente como se não tivesse uma varinha apontada para sua cabeça.
-Já disse que pouco me importa as outras pessoas atacadas. Mas aqui e agora, eu, Lucius Malfoy, desafio, você, Albus Dumbledore para um duelo de magos até a morte.
Varias vozes começam a falar uma com as outras praticamente histéricas.
Nunca antes um príncipe desafiara outro príncipe para um duelo em toda a história de Hogwarts.
- Se pouco lhe importa as pessoas atacadas – Dumbledore pergunta atordoado – posso saber por que disso tudo então?
- Eu disse que: "pouco me importa as outras pessoas atacadas". – sabendo que estava revelando algo importante, usa um tom mais solene – Eu imponho esse duelo para defender a honra de meu prometido e protegido da casa dos Malfoys. Neville Longbottom.
Um burburinho se estende por todo o salão, aquilo era uma bomba!!!
Ninguém suspeitava que os dois príncipes fossem comprometidos.
Albus por sua parte torce os lábios com desgosto, não era conveniente para seus planos entrar em um duelo até a morte com um dos nomes mais promissores de sua lista, como explicaria a Gellert que havia matado um dos possíveis pilares de seus planos.
Mas vendo a determinação nos olhos do outro loiro o setimanista não pode mais que suspirar resignado e aceitar.
- Tudo bem, terá o seu duelo, será aqui e agora?
- Não – Lucius por fim abaixa a varinha e se levanta de sua mesa – agora eu tenho outra coisa a fazer. Amanhã, antes do café da manhã, trataremos desse assunto.
Se retirando do refeitório Malfoy mal pode notar que seu melhor amigo caminhava ao seu lado com uma expressão tão seria quanto a sua.
"Ele anunciou" pensava Régulos com desgosto "então por fim ele anunciou, mas isso não muda nada, Longbottom, espero que você mantenha a sua palavra"
Albus tentava manter sua expressão mais neutra, abaixando os olhos para a mesa em que estava sentado perceba como vários o olhavam com expectativa.
- Não se preocupem, Malfoy está abalado por que seu prometido está ferido – sorri de forma reconfortante – assim que retomar o controle sobre si mesmo irá reconsiderar essa bobagem toda.
Aquilo pareceu acalmar a maioria deles, mas ao sentar, o loiro sente algo bater em seu ombro, virando a cabe na direção em que antes estava sentada Umbridge, vê que a menina tremia convulsivamente.
- A lista... a lista... muito poder... muito... – ela murmurava aflita.
Envolvendo seus ombros, Albus alega que a menina foi exposta a muito calor e que iria levá-la a enfermaria.
Passo ante passo, Dumbledore chegou a um ponto em que quase tinha que carregá-la. Quando não havia mais qualquer pessoa no corredor por onde passavam, ele escora a menina contra a parede e diz docemente.
- Agora, minha querida, escreva o ultimo nome que falta na lista.
- Dói muito Albus... meu braço... meu corpo.... dói muito...
- Escreva e tudo irá terminar.
Tirando o pergaminho de dentro de suas vestes, a menina pega logo em seguida, ao pegar na pena todo o tremor de seu corpo some e seus olhos perdem as pupilas e as iris, deixando os globos oculares brancos como duas bolinhas de ping-pong.
Não era mais Dolores Umbridge que estava lá
Era apenas a pena dos fundadores.
Sua mão escreve então de maneira rápida e cheia de floreios o ultimo nome daquela longa lista e assim que termina, o braço cai inerte ao lado do corpo frio de sua dona.
Umbridge não respirava mais.
O corpo na frente de Albus perdia todo o efeito do glamour que fora posto nele, não apenas o braço, aquele ferimento nojento pareceu ter se espalhado pela maior parte do corpo da Ravenclaw. Ela parecia um cadáver a muito tempo apodrecido.
- Um cadáver no meio da sala comum de Ravenclaw teria sido um problema – Dumbledore olha com frieza para o corpo inerte da menina – mas no meio de um corredor qualquer não terá tanto problema – afaga os cabelos da defunta – bom trabalho Dolores, tudo o que você fez não será em vão – se levanta para finalmente para ir embora – tudo o que você fez, foi para um bem maior.
Se afastando do local do crime, Dumbledore ergue a lista para ver finalmente aonde o nome de Hardnet havia se encaixado.
Mas não viu em parte alguma o nome "Christopher Hardnet".
Confuso ele procurou de cima a baixo por esse nome, mas não viu nem sombra dele.
Foi quando notou, no final da lista, havia, sim, um novo nome escrito, mas não era o de Hardnet.
O nome escrito era: Harry James Potter.
--- FVQP ---
Ele correu tudo o que pode, sentindo suas pernas, ao invés de fraquejarem se fortalecerem a cada passo que dava.
O sangue banhava sua memória.
O sangue de inocentes.
O sangue de seus amigos.
Mais sangue... Mais sangue derramado por sua causa.
Draco se estivesse ao seu lado diria que não era a forma certa de ver o quadro geral.
Diria que ao invés de se preocupar com pequenezas como: culpas, deveria se preocupar com outras coisas.
Diria... Diria tantas coisas...
"Mas ele não está aqui, está?" Pensa com certa amargura "demônios Harry" se censura "não é hora para auto-piedade"
Até por que em seu coração, naquele momento, cabia tudo, menos a piedade.
Isso seria mais que comprovado se colocasse as mãos nos desgraçados que fizeram aquilo.
Quase sem fôlego ele chega à enfermaria e como um furacão cruza a recepção sem ao menos parar para ver se tinha alguém lá.
Passando pelo corredor a sua frente, ignorando os quadros horrorizados pela mal-educação daquele jovenzinho que entrava naquele estabelecimento sem nem ao menos se anunciar, ele olha porta por porta.
Movimento desnecessário, diga-se de passagem, pois graças ao seu olfato privilegiado, se ele tivesse seguido seus instintos desde o começo teria ido diretamente a porta correta. Mas ele não pensava mais, confuso ele escancarava porta por porta surpreendendo alguns poucos estudantes convalescentes.
Finalmente na frente da porta que se tivesse seguido seu faro, teria minimizado muito esforço, ele estica a mão para abri-la, mas antes de sequer tocá-la, a enfermeira mal encarada sai dessa mesma porta e a fecha a suas costas.
- Senhor Hardnet – seu tom era sério, diferente das tantas outras vezes que se encontraram – já o esperava por essas bandas
- Onde estão? – pergunta em um fio de voz.
- Por aqui
Abrindo a porta por que tinha saído, a enfermeira o leva na direção de seis leitos colocados um ao lado do outro. Todos os seus ocupantes dormiam serenamente.
Ou ao menos Harry esperava que estivessem apenas dormindo
- Eles estão dormindo – murmura para si mesmo com esperança – apenas dormindo
- Eles ainda estão dormindo – a enfermeira atrai a atenção de Harry, a mulher caminha calmamente na direção da janela, a abre e acende um cigarro – a maior parte dos ferimentos deles foi tão profunda que todos chegaram aqui já sem consciência, principalmente aquela ali – aponta para Sibila – alguns dos fios de aço perfuraram seus ossos.
Harry sentia aquele ódio anterior ressurgir a cada palavra da enfermeira.
- E... o tratamento deles... Eles... Eles vão ficar bons? Não é? – tentou se apegar a essa esperança para se acalmar.
- Oh sim, com certeza – com um de seus dedos esticados a enfermeira começa fazer a fumaça rodopiar ao entorno dele e com um simples movimento de pulso a expulsa pela janela aberta – antes mesmo do jantar eles já vão ter se recomposto. – aponta com seu cigarro para a Luna – aquela ali, por exemplo, perdeu muito sangue, vai sentir fraqueza por um bom tempo enquanto se restitui, mas não acho que vá demorar tanto por essas bandas, em cerca de cinco ou seis horas já deve conseguir se colocar de pé. – o cigarro se move na direção de Severus – Já aquele ali, eu recomendaria que passasse a noite na enfermaria, mesmo já conseguindo se mover novamente. – Traga mais uma pouco de seu cigarro antes de continuar – seus osso foram liquefeitos e extraído através dos poros, devo dizer que a dor deve ter sido alucinante, deve ter perdido e recuperado a consciência varias vezes durante o processo, sem falar que...
- EU JÁ ENTENDI!!! – Harry grita pouco ligando que estivesse dentro de uma enfermaria – eu... já entendi – se ajoelha próximo a cama de Siby e acaricia o rostinho inconsciente – eles sofreram, sofreram muito.
- Muito – a mulher murmura – talvez fique até mesmo alguma seqüela psicológica em alguns deles. – a mulher fecha os olhos com pesar – em questão física seus corpos vão se restituir rapidamente devido aos feitiços e as poções, mas o que passaram durante os ataques.
Harry não respondeu a isso, apenas se encolheu o máximo que pode próximo a cama da menininha, como se implorasse que toda a dor que aquele corpinho sentiu migrasse para o dele.
- Vou deixá-lo com seus amigos, parece precisar de um tempo para absorver a idéia. – ela fecha os olhos enquanto diz as palavras seguintes – talvez um ou outro acorde nas próximas horas, mas agradeceria se não os forçassem a permanecer acordados.
Mas nem a isso a enfermeira teve resposta. Harry se encolheu mais próximo a cama.
Mesmo sabendo que ia contra as regras do colégio, a enfermeira não se importou de deixar aquele arrasado aluno ficar nas dependências da enfermaria sem estar doente ou dentro do horário de visita, na verdade a mulher nem ao menos considerava a hipótese de convidá-lo a se retirar em um momento próximo ou distante.
Não, não teria coragem de pedir que se afastasse de seus amigos, ao menos não quando visse naqueles olhos verdes o mesmo brilho que um dia viu nos olhos da pessoa em que mais amou.
"Eu estava certa" a mulher estremecia a cada passo que dava "Eles são tão diferentes, mas ao mesmo tempo tão parecidos."
Em sua memória estava gravada a maneira quase desesperada com que Christopher olhava par seus amigos.
"Tão parecido que chega a doer."
Chegando na ultima porta daquele corredor, a loira entra no aposento ainda contendo em suas feições traços neutros.
Assustado com a chegada repentina Draco observa calado sua captora, em duvida se deveria falar alguma coisa. Ela parecia diferente do que estava quando o tinha deixado sozinho.
Silenciosa, Rowena caminha até a mesma cadeira que havia sentado algumas horas atrás e depois de tragar novamente seu cigarro que estava próximo do fim. Ela abre a janela, ergue dois dedos de sua mão direita e com um movimento de pulso chama a fumaça que prendia Draco para se unir a que acabava de expelir e a expulsa pela janela aberta.
Draco sente com se seu pulmão fosse do nada preenchido por todo o oxigênio daquela sala, e seus pés fraquejam ao receber novamente todo o peso do corpo do loiro sobre eles.
- Vá – diz a enfermeira baixinho com a cabeça baixa, tendo seu rosto encoberto pelas madeixas loiras – seu amiguinho está aqui também, vá logo ao seu encontro.
Ao ouvir que Harry estava na enfermaria Draco arregala os olhos temeroso e se vira na direção da porta, mas se detêm diante das palavras que a mulher voltou a dizer.
- Vá assisti-lo chorar diante do sangue dos seus iguais.
Draco dá mais um passo para frente, mas logo o retrocede.
- Vá... – ela diz seca – vá e assista como a alma dele se liga ao de seus iguais.
Sentindo um nó na garganta o loiro se vira para encarar a figura patética da enfermeira, sentada na janela de cabeça baixa.
- Iguais... – erguendo apenas um pouco o rosto ela encara o rapaz – que você nunca poderá superar... ASSITA – ela ergue o tronco e socando a parede com a mão que segurava o cigarro ela deixa uma pequena mancha na parede e uma queimadura em sua mão – ASSIM COMO EU TIVE QUE ASSISTIR!!!
Bufando, ainda um pouco agitada, a mulher larga os restos de seu cigarro no chão e se vira completamente para a janela.
Draco, hipnotizado por aquelas palavras, se afasta da porta com verdadeiro medo do que teria que encarar e se aproxima cautelosamente da transtornada mulher.
- O que você, quis dizer com isso? – Draco arrisca perguntar. – o que aconteceu com Harry para ele...
- A ele? – ela vira apenas o rosto na direção de Malfoy – Oh, não, a ele nada, como disse antes: seis camas se preencheram, pense um pouco...
- Os amigos de Harry... Como... quem... Ele deve estar arrasado.
- Ah sim – ela murmura com amargura – ele está desolado, por que então não vai até ele para consolá-lo?
Draco não responde.
Rowena respira fundo, perder o controle naquela altura do campeonato não fazia parte do seu plano.
Precisava da confiança do loiro.
- Fique se quiser – diz a mulher com a voz fraca – acho que temos algumas coisas a discutir. – seus olhos negros fitaram o loiro com uma terrível intensidade que quase fez Draco andar alguns passos para trás – tenho uma proposta a fazer para você.
--- FVQP ---
Quanto tempo se passou desde que chegara?
Não se lembra
Quanto tempo se passou desde que ouvira outra voz alem da sua?
Não se lembra
Quanto tempo se passou desde que...
"Por favor, alguém, qualquer um..." Harry pensa em meio ao seu cansado e silencioso desespero "por favor, que alguém acorde".
As horas naquela enfermaria já estavam se tornando cada vez mais insuportáveis, Harry se encolhia cada vez mais na cadeira em que se sentara no meio das camas de seus amigos, perdido em imagens em sua mente das quais não sabia mais se eram lembranças, pesadelos ou paranóias.
A única coisa certa era de que não importava qual fosse a cena, ela sempre terminava em sangue.
Sangue daqueles que ama
Sangue daqueles que confiam nele
Sangue... sangue...
Imagens tingidas de sangue e embebidas de dor.
Foi apenas depois de um bom tempo que se lembrou do estranho episodio do grande salão, e isso apenas por que ouviu do lado de fora do quarto o burburinho dos alunos e refugiados que foram tratar de suas queimaduras.
"Minha magia voltou?"
A pergunta brotou na mente de Harry com certo estranhamento.
"Mas Draco disse que ia demorar uma semana para que ela voltasse" como se estivesse irritada pela descrença de seu dono, Harry sente sua magia se revolver em uma estranha onda dentro de seu peito.
Não teve duvidas, sua magia devia ter se libertado antes da hora devido ao grande stress que sofreu.
Querendo testas o seu controle, Harry tentou realizar um feitiço simples sem varinha, e com um movimento de pulso fez a esponja que estava sobre uma prateleira a metros dele voar diretamente para sua mão.
Controle perfeito.
Mais do que isso, o moreno sentia como sua magia quase transbordasse por seus poros, o período enclausurada não apenas a atiçou como a aumentou.
- Incrível – murmura olhando para a esponja em sua mão.
- Não duvido – uma voz diz da porta. Assustado, Harry levanta o rosto e vê a expressão impassível da enfermeira – também acho incrível o fato de você passar tantas horas aqui e só agora pensar em me dar uma ajudinha com os seus amigos.
Como um verdadeiro furacão a mulher começou a andar de cama em cama realizando feitiços de avaliação, aplicando poções anestésicas e realizando feitiços reconstituidores.
Tudo acompanhado pelo olhar assustado de Harry
"Ela me viu?"
- Como? – perplexo, o moreno pisca assustado.
- Eu estou até aqui de serviço hoje - a mulher leva a mão até a altura da testa enquanto bufa irritada, sem parar um segundo de cuidar de seus pacientes - já que algum espertinho achou que seria engraçado incendiar o grande salão – a enfermeira lança um olhar malvado para o moreno por sobre seu ombro – logo, vou precisar da ajudinha de certo alguém.
Finalmente dando por satisfeita, a enfermeira se vira com um sorriso maquiavélico e com um movimento de varinha faz aparecer na cabeça de Harry uma tiara negra de enfermeira e no corpo do pobre moreno um avental parecido com o dela própria, com o tecido negro, bordas vermelhas e cruzes enfeitando a parte de baixo.
- O que? - o moreno olha perplexo o que agora vestia.
- He he, eu não disse que precisava de ajuda? - a mulher acende um cigarro enquanto se aproxima do adolescente - como hoje a "casa" está cheia, estou recrutando algumas pessoas, na maioria delas refugiados, mas vou abrir uma brecha para você – com sua mão que segurava a varinha, ela faz uma representação bem burlesca de "rei Arthur" misturado com juiz de paz e batendo com ela nos ombros de Harry diz – Sir Hardnet, com o poder a mim investido eu o declaro "enfermeiro honorário".
- Ajuda? Sei - o moreno tosse devido a fumaça do cigarro - a única ajuda que você precisa é a para deixar de fumar.
Rowena faz ouvidos surdos para aquele comentário e com paciência explica para Harry o que ele tinha que fazer.
A mulher havia estado bastante preocupada com o rapaz desde que o havia deixado sozinho com seus amigos desacordados.
"Não devo ajudá-lo" repetiu essa frase durante toda a semana "por mais que esse rapaz pareça tanto com ELE não posso ajudá-lo"
Ajudar o rapaz naquele momento seria atrapalhar a adaptação dele naquele mundo.
"Mas nada me impede de ajudar ao loiro"
Já fazia algumas horas desde que havia se despedido de Draco, a conversa que tiveram foi longa e cansativa. Fizera sua proposta e como resposta o Malfoy não pareceu muito convencido, por isso disse que voltaria ao próprio mundo para pesquisar nos livros em que havia se baseado para realizar o conjuro.
Que insulto!!!
Não havia sido ela mesmo que havia escrito aquele livro?
Tanto faz, foi o que concluiu, sabia que ele voltaria ainda hoje, e mesmo relutante aceitaria sua proposta.
A loira olhou para as costas de Harry enquanto ele remexia no armário de poções atrás dos frascos que pediu que identificasse.
"Afinal" pensou com algo de tristeza e nostalgia "é uma proposta irrecusável"
- Aqui está - Harry volta com dois frascos, um com um liquido transparente e outro com um liquido azul - são esses, não são?
- Exatamente - a enfermeira acena com a cabeça pegando com uma mão os dois frascos por suas bocas longas e finas.
- Bem, agora você já sabe identificar as poções e eu já disse de quantas em quantas horas deve aplicá-las, mas apenas no senhor Snape, na senhorita Trelawney e na senhorita Hooch. Essas poções são para ajudar a recuperação dos ossos deslocados, perfurados e em crescimento.
- E os outros - Harry olha desolado para as outras camas – não há nada que possa fazer?
- Não há muito mais o que fazer além de esperar que se recuperem - a mulher dá entre ombros - a senhorita Lovegood precisa apenas reconstituir o sangue que perdeu e o senhor Greyback está se recuperando prodigiosamente dos ferimento e queimaduras, aparentemente nenhum de seus atacantes usou qualquer arma de prata contra ele, o que devo dizer que foi uma sorte.
- Sim - murmura Harry sentindo a raiva voltar aos pouquinhos - muita sorte. - seu olhar cai em Neville que tremia seu corpo em um sono inquieto. - E quanto ao Neville?
- O senhor Longbottom... - suspira um pouco frustrada - já deve ter notado que o senhor Longbottom é um dos nossos casos mais complicados.
Sim, Harry já havia notado. Como não notar? Mais cedo, quando tentou acariciar a face perturbada do amigo, um feitiço empurrou sua mão para longe, quase a arrancando do seu braço, sem falar de que há alguns minutos uma substancia esverdeada começava a aparecer na testa de seu amigo.
- Como deve ter percebido, o senhor Longbottom apresenta um ferimento no pescoço – aponta para a bandagens no pescoço do moreno - no começo eu pensei em ataque de vampiro, mas logo descartei a possibilidade, não existe vampiros nas terras de Hogwarts, nem aqui nem a quilômetros de distância, sem falar que o sangue dele não havia sido drenado. - faz uma pause dramática que arranca um olhar de desaprovação de Harry – mas sim, sinal de que havia sido contaminado.
- Veneno - Harry conclui.
- Veneno - concorda a mulher. Ela sacode a varinha e desfaz o feitiço de repulsão que havia colocado em Neville - Não sei ainda qual veneno é esse, por isso não pude elaborar um antídoto.
- Mas não existe uma poção que cura venenos em geral?
- Sim, mas não é algo muito bom para se arriscar quando não se sabe com qual veneno estamos lidando, não sabemos como algum dos ingredientes da poção vai reagir com o veneno desconhecido... – a enfermeira balança a cabeça com pesar – por Merlin, o que os professores de poções andam ensinado hoje em dia.
- Certo, certo – revira os olhos – deixando minha incompetência a parte, poderia então me dizer como você está tratando dele?
- Estou utilizando um feitiço ainda em fase experimental. Ele foi criado por um mago russo, esse feitiço faz o veneno ter seus efeitos sob o corpo do contaminado interrompidos e é expelido pelos poros da vitima. - Ela aponta para a gosma - por isso que não queria que ninguém mais tocasse nele, o veneno por agora está inofensivo, mas quando o feitiço cessar ele voltará a ser... hum... Possivelmente mortal, não sei. Seja como for, você terá que limpar seu amigo enquanto ele expele o veneno, e se não for pedir muito gostaria que juntasse o máximo possível dessa substancia em um frasco, gostaria de pedir ao professor Riddle que o examinasse.
- Mas, você disse no inicio que achou uma mordida no pescoço dele que parecia a de um vampiro. – Harry percebeu que a mulher não havia explicado tudo – Não me diga que você está achando que...
- Um humano tem a capacidade de ejetar veneno igual a uma serpente? No momento é a minha única teoria - apagando o resto do cigarro na sola de sua bota e fazendo os restos do cigarro desaparecer ela se vira para a porta - Bem, é isso, aplique algumas poções, limpe algumas testas suadas e realize alguns feitiços de limpeza. Acho que vai saber se virar.
- Claro, claro, poções, suor, feitiços... Feitiços? - Harry percebe o que a mulher disse e olha atordoado para as costas que se aproximavam da porta. - Mas eu... – Ainda tentando restaurar o pingo de disfarce que tinha, o texugo tenta argumentar – eu não posso...
- Pode – a mulher, parada na porta, sorri de maneira cúmplice – sei que pode.
Sem dizer mais nenhuma palavra ela se retira fechando a porta do quarto. Nem cinco segundos depois o moreno pode ouvir ela gritando de quarto em quarto lançando ordens a torto e a direito a deus e o mundo, pelo jeito ele não havia sido o único a ser escolhido como "enfermeiro honorário".
"Ela me viu?" Harry se perguntou enquanto se levantava e convocava uma tigela de água para usar na hora de limpar o suor.
"Bem, se ela viu ou não, não faz muita diferença agora, o fato é que ela sabe"
E isso era realmente importante? Quer dizer, faz alguma diferença? Agora que tinha seus poderes de volta ele não é necessariamente obrigado a escondê-lo, afinal, nem por um segundo havia dito que realmente era um aborto.
Mas mesmo assim quando realizou os feitiços de limpeza fez questão de manter a porta e as janelas fechadas.
Um a um, Harry foi cuidando de seus amigos com enorme cuidado e atenção, e sem notar seu próprio coração era serenado, a culpa e a preocupação sumia aos poucos de sua cabeça sendo substituídos pelo carinho e pelo zelo.
Diga-se de passagem, que o moreno agradeceu especialmente o fato de ter readquirido os seus poderes na hora em que teve de limpar o suor contaminado de Neville, já que no caso do outro texugo, o suor tinha que ser limpo de cada pedaço do corpo.
Cada pedaço.
Mesmo depois de todo o veneno ter sido expulso do corpo do texugo, Neville ainda manteve um tom meio esverdeado na pele, mas Harry supôs que aquilo seria temporário.
O veneno Reunido foi colocado em um frasco de tamanho médio e ele tinha um lindo tom esmeralda, fora isso Harry não teve muito tempo para analisar mais coisas da bela, porem mortal, substancia. Já que mal ele fechou o frasco a porta do quarto foi aberta.
E parado nela estava Tom Marvolo Riddle.
Os dois magos se encararam em um longo e tenso silêncio, antes que o mais velho entrasse no aposento.
- A enfermeira Hargreaves disse que eu encontraria aqui algo de meu interesse – Os olhos castanhos do homem fitam Harry com intensidade enquanto caminha em sua direção – Mas pelo visto se enganou - Seus olhos vagaram com um ar zombeteiro da tiara na cabeça de Harry para o excêntrico avental em seu corpo - Não sei por que as pessoas insistem em pensar que os Slytherins tem essas fantasias bizarras.
Ficando mais vermelho que um suco de tomate com beterraba, Harry abaixa a cabeça morrendo de vergonha.
"Aquela enfermeira maldita me paga"
- Creio que ela estava se referindo a isso – Harry tenta se recompor enquanto ergue o frasco de veneno "Por Merlin Harry, você pode parecer um adolescente de quinze anos mas já tem mais de vinte anos, se comporte como tal!!!" se recriminou mentalmente.
- Eu sei a que ela se referia - o adulto retoma seu ar seco enquanto toma o frasco da mão do estudante – Ela me pediu que desse uma analisada nesse veneno.
"Então dissesse logo antes de ficar tirando uma com a minha cara" o moreno teve que travar a mandíbula para não dizer isso alto.
Mesmo com o frasco na mão, Harry percebeu que o homem desviava os olhos do vidro rapidamente lançando olhares analíticos para as camas espalhadas na sala.
Sorrindo, o mais baixo se lembrou da preocupação e a agilidade que Riddle teve na hora de socorrer Hooch e graças a isso não se conteve em dizer:
- Não se preocupe, eles vão ficar bem.
Pego de surpresa, o homem quase deixa o frasco cair e encara o rapaz com certo rancor por ter sido "apanhado".
- E quem disse que eu estava preocupado? - estreitou os olhos ofendido e se virou para ir embora.
- Sei lá, talvez eu tenha lido sua mente. - diz maroto.
Ao ouvir aquelas palavras o homem congelou alguns segundos antes de se virar novamente para Harry, seu rosto estava ilegível e seus olhos mais agudos que nunca fitavam o texugo com uma hostil curiosidade.
- Senhor Hardnet, já faz tempo que eu gostaria de te perguntar algo. - voltando a caminhar na direção do rapaz, o professor apenas para quando está incomodamente próximo a sua "vitima" - Já faz tempo que tenho notado uma certa... hum... semelhança de seus traços físicos com os membros de uma das mais antigas famílias mágicas inglesas. Por acaso você tem algum laço com a família Potter?
- E... eu? - pego de surpresa, foi tudo que Harry conseguiu gaguejar como resposta.
- Sim, você - o professor estreita mais os olhos devido a reação do adolescente - já me dei a liberdade de pesquisar toda a arvore genealógica dessa antiga família, mas não consegui ver qualquer conexão com uma família Hardnet.
- Ta... talvez por que eu não tenha qualquer conexão com os Potters... eu...
O gaguejar do garoto apenas atiçava mais a curiosidade do professor.
"Essa semelhança" Riddle pensava "Ele tem que ter alguma ligação com AQUELE homem, aquele maldito homem" Mas apesar de suas suspeitas, tudo o que Tom disse foi:
- Ou talvez por que a parte da família Potter com quem você tem laços seja de uma "rama caída".
Aquilo não pareceu uma pergunta, pareceu uma total afirmação, desesperado com aquele estranho interrogatório, Harry estava juntando coragem para responder quando mais uma vez o professor se vira e volta a caminhar em direção a porta. O texugo não sabia se ficava aliviado ou preocupado.
Afinal, o interesse repentino daquele homem nele podia desencavar coisas que ele preferia esconder.
- Espero que não tenha esquecido da sua detenção comigo próxima sexta – o homem diz antes de deixar o quarto.
"Ótimo, como se não bastasse tudo o que está acontecendo, ainda tenho que me preocupar com uma detenção supervisionada pelo próprio Vol..." se lembrando de toda a preocupação que aquele homem teve com Hooch e seus outros amigos, Harry se corrigiu no ultimo segundo, sentindo um calorzinho no peito "com Tom Riddle"
- Chris?
Ainda sobressaltado com tudo que havia acabado de ocorrer, Harry dá um pulo ao ouvir seu novo nome ser murmurado tão próximo quanto baixinho. Na cama logo ao seu lado, Neville parecia ter acabado de despertar.
- Chris - repete o texugo convalescente.
- Neville - Harry sorri aliviado ao finalmente ouvir a voz de um de seus amigos - como você se sente?
- Bem... ugh - geme ao sentir uma pontada ao tentar se sentar – quase bem – ri baixinho – um pouco dolorido ainda.
- Deixe que eu te ajude – Harry se aproxima mais para ajeitar os travesseiros e ajudar o amigo a erguer o tronco.
Entre gemidos e caretas Neville conseguiu se ajeitar. Dizer que o corpo estava "um pouco dolorido" era um eufemismo, cada membro de Longbottom pulsava dolorosamente e sua visão ainda estava meio turva.
Mas não turva o suficiente para não notar certos detalhes.
- Er... Chris... - o texugo começou a dizer sem jeito - Eu estou tendo alucinações ou você está usando uma tiara de enfermeira e um avental.
"Claaaro, essa tinha que ser a primeira coisa que você tinha que notar depois de uma experiência de quase morte" o "enfermeiro honorário" resmunga mentalmente.
- Nada pessoal amigo - Harry desvia os olhos encabulado - mas se dependesse de mim eu preferiria que você estivesse alucinando.
- Uuuui, Hardnet, se você resolveu fazer meio expediente como "enfermeira" hoje deveria saber dividir mais as suas atenções com os de mais pacientes - uma voz de uma das camas fez Harry sentir um arrepio na espinha - ou eles podem começar a se sentir rejeitados.
Pego de surpresa por aquele familiar tom zombeteiro, Harry quase destronca o pescoço para virar a cabeça na direção em que vinha aquela voz.
Fenrir havia acordado
Sabendo o que iria vir pela frente, Harry se vira totalmente com relutância na direção do lobisomem, que quando viu o traje completo do quintanista arregalou os olhos e perdeu toda e qualquer palavra.
Para o azar de Harry, a perda não durou muito tempo.
- Uma câmera... - diz o albino com os olhos ainda arregalados, mas com um sorriso crescente nos lábios - Deus, meu reino por uma câmera!!! Ha ha ha ha ha ha...
- Fenrir... - Harry sussurra maligno enquanto eleva seu punho fechado.
- Ha ha ha ha ha ha... - o lobisomem quase se contorcia em sua cama de tanto rir.
- Fenrir!!!
- Ha ha ha ha ha ha... Não, sério, por favor, alguém diga que trouxe uma câmera.
- Em primeiro lugar - Outra voz deu o ar da graça com um tom bambeando entre o desdém e a irritação - dentro das dependências de Hogwarts nenhum aparelho muggle funciona - A voz, que pertencia a um recém desperto Severus Snape agora ganha um tom de zombaria – e em segundo, um reino governado por um lobo idiota não deve estar muito valorizado ao ponto de valer nem ao menos o preço de um pão.
Harry estava prestes a dizer que o que Fenrir havia dito era apenas uma expressão muggle quando outra voz se adiantou:
- Ah... Eu não apostaria muito nisso Sev, ao menos quanto a primeira parte - Hooch sorria descontraída de sua cama - eu ouvi falar de uma ravenclaw que conseguiu encantar um desses aparatos musicais dos muggles e que ele funcionou muito bem... bom, pelo menos até que ele começou a cuspir os cds na cabeça das pessoas a torto e a direito e... - a menina finalmente olha para Harry que estava ainda ao lado da cama de Neville - Cara, para trabalhar na enfermaria tem que usar essa tiarinha ridícula? Graças a Merlin eu nunca pedi bico por essas bandas. Mas até que o aventalzinho preto é legal, depois eu posso provar?
"Horas sem acordar, e quando o fazem é um atrás do outro. E pelo jeito APENAS PARA TIRAR UMA COM A MINHA CARA!!!" o pobre moreno estava a beira do desespero.
- Ok, já chega - Harry perde a paciência e tira a tiarianha, coisa que devia ter feito a mais tempo - acabou a sessão: "Vamos tirar onda com a cara do Chris"
- Eu gostei da tiara - uma voz fraquinha falou do outro lado de Harry - mas acho que não ficaria tão bem em mim quanto ficou bem em você.
Dando por certo que mais um estava tirando onda com a sua cara, Harry se vira na direção da cama de quem falou isso e se deparou com os olhinhos sonhadores de Luna, diferente de seus "maldosos" amigos a garotinha parecia realmente encantada com o acessório.
"Claro, como não?" Pensa Harry divertido "quem mais se não a garota com o gosto mais duvidoso para acessórios de toda Hogwarts"
- Bem, se vai ficar bom ou não só podemos descobrir de um jeito - o rapaz diz com falsa seriedade.
Sorrindo com carinho o moreno se aproxima da cama da primeiranista e ainda com a tiara nas mãos se abaixa e coloca o acessório por entre os desgrenhados fios loiros.
- Mas é a sua tiara!!! - a menininha leva as mãos a altura do enfeite - tem certeza que não vai querer?
- Pode apostar – Harry revira os olhos – sem falar que ficou bem melhor em você, não acha Nevy?
- Lindissima - Neville apoiou.
- Ficou ótimo - Hooch colaborou com entusiasmo.
- Garota - Fenrir pisca malicioso - se eu já não fosse um homem comprometido...
- Fenrir... - Harry lança um olhar mortal para o lobisomem.
- Viu só como ele está apaixonado por mim? - o lobo ri da expressão assassina de Harry – ele não consegue para de repetir o meu nome.
- Fenrir Greyback - o texugo sibila maldoso - como seu enfermeiro pelo resto do dia devo lembrá-lo que sou eu que cuido de suas bandagens. Deixar cair um pouco de extrato de erva venenosa nelas não me custaria muito.
Aquilo foi mais do que o suficiente para calá-lo.
Depois de revisar um por um, sem usar magia nem por um segundo, Harry os explicou mais ou menos os seus atuais estados.
Diferente do restante, a única que não acordou foi Sibila, ela tremia muito e volta e meia começava murmurar pedaços desconexos de suas previsões, mas como não estava consciente ela não usava a estranha musiquinha, deixando a coisa ainda mais mórbida, enquanto suas lagrimas caiam.
- Morte... estraçalhada... crânio perfurado... estupro... dor... dor... suicídio... ódio... perda...
Todos se perguntavam que tipo de sonhos uma pessoa como ela tinha.
- Ela vai ficar bem? - Hooch pergunta com o olhar desolado.
A albina havia tentado mais de uma vez levantar da própria cama para se deitar com a irmã, mas seus membros estavam paralisados por um feitiço para ajudar em sua reabilitação.
- A enfermeira diz que sim – Harry divide com a garota o olhar desolado na direção da desacordada primeiranista – Mas como ela foi um dos casos mais difíceis, quanto mais ela dormir melhor, menos dor ela tem que enfrentar.
Os punhos da setimanista se fecham sobre o lençol com impotência.
Raiva dividida por todos na sala.
- Não sei por quanto tempo mais vocês vão ficar evitando esse assunto, mas eu não agüento mais - Severus diz o que já devia ter passado na mente da maioria naquele quarto – Quem daqui é idiota o suficiente para achar que o que aconteceu com a gente foi uma mera coincidência?
Silêncio...
- Foi o que pensei – a serpente diz entre dentes – Alguém aqui tm alguma idéia do por que disso tudo?
- Eu não faço nem idéia nem mesmo de quem me atacou - Neville foi o primeiro a se manifestar com certa revolta – eu estava saindo tão apressado da sala comum que só notei que havia sido atacado quando senti uma for alucinante no pescoço – o moreno leva a mão a altura do próprio pescoço – depois da dor tudo ficou escuro e acabei desmaiando... – em meio a narrativa o quintanista arregala os olhos preocupado – Chris, quando eu cai eu não machuquei mais a Siby, machuquei?
- Não - Harry tenta acalmar o amigo apesar de não saber – você não a machucou.
- Que bom - suspira aliviado - de qualquer forma, eu não fazia a mínima idéia nem do que tinha me acontecido até Chris nos falar agora a pouco.
- Eu também não vi meus atacantes, mas sei que foi mais de um - Severus dizia com um ódio visível – me vendaram enquanto... enquanto - olha para o Braço mais fino que o normal - esvaziavam meu braço.
Diferente do que aconteceu no segundo ano de Harry, tudo o que foi tirado do braço de Snape foram os ossos, uma extração dolorosa que a serpente teve que suportar lentamente.
Tão humilhante, foi tudo que Severus conseguiu concluir.
Harry explicou com traço gerais como haviam encontrado a Siby para quem não havia presenciado a cena bizarra. Arrancando comentários revoltados de Fenrir e um olhar mortal de Severus. Assim como contou também como encontrou Luna e Hooch.
A loirinha também não tinha visto quem a atacou, ela havia sido deixada inconsciente. E durante todo o tempo em que esteve pendurada havia recobrado e perdido a consciência varias vezes.
Ela havia narrado isso com uma calma impressionante, e tudo o que pode concluir no final foi:
- Ora, acho que devo agradecer mais tarde ao Blaise. Foi muito gentil da parte dele tentar me salvar de uma morte iminente.
- Hã? – Harry pisca várias vezes perplexo diante da falta de rancor da menina. - Só isso que você tem a dizer?
- Há, claro - ela exclama envergonhada - como pude esquecer, também tenho que agradecer a você Chris - com seus grandes olhinhos azuis ela sorri - obrigada por me tirar de lá.
Foi diante daquele olhar que Harry sentiu uma grande culpa voltar ao seu peito.
"Não precisa me agradecer Luna, afinal fui eu que te coloquei nessa cama" ele olha para os outros amigos calado "todos vocês, por minha causa todos vocês estão nessas camas"
Como se pressentisse a linha de pensamente de Harry, Severus puxa o assunto para outro angulo.
- E você Greyback? – a serpente encara seu companheiro de casa – você ainda não disse o que aconteceu com você.
Fenrir fica mudo por algum tempo, como se pensasse no que deveria falar. Vendo que todos esperavam sua resposta ele deu de ombros e sorrindo despreocupado diz:
- O mesmo que com vocês, me atacaram, mas não me lembro quem me...
- Bobagem - Severus não desvia o olhar do lobisomem – não tem como você ter sido atacado de surpresa.
- Wooow, eu realmente tenho a bola cheia com você Sev, mas sinto te informar que...
- Você não poderia ter sido atacado por que segundo Harry seus ferimentos foram causados por magia - Snape ajeita alguns fios desgrenhados que nublavam sua visão - e a única forma de qualquer mago te ferir com magia é se você não estiver utilizando o colar que a diretora te deu.
Harry coloca a mão dentro de suas vestes e retira de seu bolso interno o colar de Fenrir que havia guardado. Olhando assombrado para o acessório mágico, Potter se surpreende de não ter se tocado daquele pequeno detalhe. Não havia como ninguém tirar aquele colar do pescoço de Fenrir a força, pois ele estava encantado para só poder ser retirado pelas mãos do usuário.
Apenas o próprio Fenrir poderia tirar aquele colar.
Apenas o próprio Fenrir poderia permitir que alguém o enfeitiçasse.
- Quem fez isso com você? - Harry interrompe o interrogatório de Snape com sua própria pergunta.
Fenrir se calou logo em seguida e olhou para Harry incomodo, enquanto o outro caminhava para o lado de sua cama.
Os outros adolescentes, sentindo o clima pesar, preferiram apenas assistir a aparente tempestade que se aproximava.
- Quem fez... - o quintanista tenta voltar a repetir, mas é interrompido
- Não posso dizer – desviando seus olhos amarelos, Fenrir murmurou.
- COMO NÃO PODE DIZER? – esquecendo que estava em uma enfermaria Harry perde o controle e jogando o colar no colo do outro adolescente ele continua visivelmente não querendo dar o pé atrás – alguém te feriu, alguém quase... Quase te matou. E você permitiu isso.
- Permiti? – Fenrir volta a olhar Harry fingindo confusão.
- Não se faça de idiota Greyback – Harry olhava o amigo de forma acusadora – você esteve por horas... – sua voz falha por alguns segundos – por horas sob efeito da maldição cruciatus e sabe-se lá quantos outro feitiços escuros mais, mas nenhum deles teria qualquer chance de surtir efeito sobre você enquanto estivesse usando o colar que a diretora te deu - repete irritado tudo aquilo que Severus acabara de expor, acrescentando um pequeno detalhe que ele havia concluído sozinho - E esse colar está enfeitiçado para apenas você conseguir tirar, ninguém mais alem de você poderia sequer tocar no trinco dessa droga!!!
- Chris - vendo que havia perdido o debate Fenrir encolhe os ombros e murmura cansado - deixe para lá.
- Não, você tirou essa droga de colar, você permitiu que te ferissem, mas você não é masoquista – o moreno olha o Slytherin de forma calculista – também não é estúpido, quem o fez tirar isso do pescoço não poderia te oferecer perigo.
- Chris... – Fenrir praticamente suplicava.
- Quem o fez tirar o colar teria que ser alguém de sua total confiança... Alguém que você am...
- NÃO FOI ELE!!! – Fenrir fuzilava Harry com os olhos e para a surpresa do moreno os olhos do lobisomem começavam a transbordar em lagrimas – Não foi... Sei que não foi... infelizmente não foi
- Fenrir – Harry se aproxima e coloca a mão no ombro do amigo. – O Remus...
- Não foi ele – Fenrir repete com convicção e encarando Harry tenta passar certeza – parecia com ele... Eu quis que fosse ele, mas... não, não era ele.
- Como pode saber?
- O cheiro – Fenrir murmura se acomodando na cama novamente devido ao cansaço – o cheiro era de outra pessoa.
Vendo nos olhos de Harry que o moreno não iria permitir que as explicações morressem por aí, Fenrir suspira novamente e de forma cansada tenta narrar o que se lembra
- Um pouco antes de o céu clarear, uma coruja me despertou, ela trazia uma mensagem do Remus... Mas não era do Remus, eu sabia apenas pelo cheiro ... Mas tinha o nome do Remus no final e eu quis tanto... – balbuciava com tristeza – eu fui assim mesmo ao encontro da pessoa, meio que sabendo que não encontraria ele lá, mas ainda assim... Quando cheguei e o vi... Idêntico... Sim... Idêntico, sabia quem era de verdade, não apenas pelo cheiro, mas por que só existe uma pessoa no castelo capaz de... Bem. Eu me deixei levar.... Por sua voz, por seu toque... Por sua face... Eu fui tão feliz – fecha os olhos com pesar – Chris... fazia tanto tempo que eu não era tão feliz, ele me queria, ele realmente me queria. E tudo o que pediu em troca foi que eu tirasse o colar...
Harry teve que conter sua magia que não se manifestasse de tanta raiva que sentiu.
Alguém havia sido capaz de usar todo aquele amor contra o seu amigo. Por mais malicioso e as vezes frio que pudesse ser, Greyback não podia lutar contra esse instinto que o atraia para Lupin.
E Fenrir continuou.
- A dor que senti logo após que tirei o colar... Essa dor – leva a mão ao peito – valeu a pena... Chris... Por alguns minutos meu amor me quis... Eu sabia que não era ele, mas permiti que me enganasse, por que era uma mentira tão doce... não era ele – sua voz se tornava mais e mais vaga– mas eu queria tanto que fosse...
Todos que ouviram aquela triste narrativa não souberam como reagir, nunca haviam visto o lobisomem tão vulnerável, apenas Harry havia presenciado antes essa faceta do amigo.
Por isso pode juntar um pouco de coragem para voltar a pressioná-lo
- Sei que não deve ter sido fácil, mas por isso mesmo você deveria nos dizer quem fez isso, não quero que isso volte a acontecer com uma amigo meu. – e tocando com mais força em uma das bandagens do albino arranca dele um gemido de dor – Você foi praticamente esfolado e ainda tem coragem de...
Fenrir pega a mão de Harry que pressionava sua ferida e a aperta mais forte contra seu peito fazendo o moreno sentir algo gosmento impregnar seus dedos
O sangue de Fenrir
- Eu já fui ferido antes – os olhos de Fenrir eram quase tão sérios quanto mortais – não tente me convencer que isso foi o mais "terrível" que já aconteceu comigo, pois acredite, não foi.
Ainda sentindo a viscosidade do sangue de Fenrir em seus dedos Harry fecha os olhos com pesar.
- E isso deveria me deixar mais aliviado?
- Não. Eu pelo menos não gostaria de te ver muito aliviado.– Greyback sorri de sua habitual forma malandra – que namorado gosta de ver sua "cara metade" rindo pelos cantos enquanto está na enfermaria? - voltando a adotar um tom sério, Fenrir larga a mão de Harry e diz - eu não posso falar quem me fez isso pessoal, eu tenho um divida muito grande com essa pessoa.
O assunto, por aquele momento morrera alí. Ninguém mais tinha animo para pensar muito naquilo.
Severus, por respeito também não perguntou o que diabos Remus Lupin tinha haver com tudo aquilo, fato que Harry agradeceu internamente. Já que ele mesmo também teve que se controlar para não fazer uma perguntinha para Hooch.
"Hoje mais cedo você parecia saber quem atacou a Siby, por que ainda não nos disse nada?"
Tudo o que pode supor era que a menina estava guardando para sí o direito de se vingar do agressor da irmã, afinal, essa era a sua área de trabalho, não era?
--- FVQP ---
Conversa vai, conversa vem, os estudantes só se deram conta de que estava no horário do almoço quando as visitas começara a aparecer.
-O que ele está fazendo aqui - Fenrir pergunta espantado ao ver a primeira pessoa a aparecer na porta do quarto deles.
Lucius Malfoy.
Pegando todos de surpresa, Lucius entra no aposento ignorando os olhares perplexos dos de mais e se encaminhou diretamente para a cama de Neville.
Neville se encolhe em seu leito como se rezasse baixinho para que aquele rapaz alto, loiro e lindo fosse apenas parte de uma bizarra alucinação.
Mas assim como o avental de Harry se provou bem real, Lucius desmentiu qualquer possibilidade de alucinação do texugo quando ao seu lado se abaixou e beijou a testa esverdeada e febril de Longbottom.
- Sinto não poder ter vindo antes, mas tinha vários assuntos a resolver.
"Ok Neville, se você queria manter esse noivado escondido por mais tempo, pode ir esquecendo" Harry pensou com pena do amigo.
- O que você está fazendo aqui? - Neville murmura como se ninguém mais alem de Lucius fosse conseguir ouvir... Iludido. - Eu já disse que não devemos ser vistos juntos, eu...
- Isso já não faz muita diferença - Lucius dá entre ombros com despreocupação.
- Co... como assim? – A pele de Neville começava agora a ganhar um tom verde bem clarinho.
- O que ele quer dizer - diz uma voz vinda da porta - É que na altura do campeonato não faz muito sentido esconder o noivado de vocês
Todos olham na direção em que estava um Regulos Black, escorado despreocupadamente no batente da porta, que acena divertido para os demais.
Neville empalidece, e Harry não sabe dizer e foi pelas palavras que ouviu ou se foi por ter visto o rapaz na porta.
O ex-gryffindor já havia notado como o amigo ficava estranho toda vez que cruzava olhos com o quartanista.
- Noivo? – Fenrir olha surpreso para Neville – Você está noivo do rei das serpentes e nem me diz? Não espere presente de casamento de minha parte
- Erva venenosa Fenrir – Harry sibila como se aquela fosse uma "palavra chave" para fazer o albino se calar – erva venenosa...
Não apenas o lobo, mas outras pessoas daquele quarto desconheciam o fato, mas aparentemente preferiram não demonstrar e deixar a confusa cena se desenrolar.
- O que ele... O que ele quis dizer com isso? - Neville encara Lucius com um pouco de desespero.
- Nada de mais – Lucius passa os dedos por entre seus longos cabelos loiros – apenas que devido a fatos recentes fui obrigado a antecipar o anuncio de nosso noivado.
- O QUE???
- Sei que deveríamos esperar o seu décimo sétimo aniversário - o setimanista finge não saber o porque do desespero do noivo - mas fazer o que? Foi o melhor. Pensei que por ser um dos reis de Hogwarts você não seria tão perseguido quanto os seus companheiros de casa. Mas parece que eu me enganei, não foi? – lança um olhar pesaroso ao texugo convalescente a sua frente – Ao te anunciar como meu noivo, você fica sob a proteção direta da família Malfoy e...
- Melhor? - Neville se exalta ignorando as dores em seu corpo - Melhor para quem? Eu não vou me casar com você!!! Eu já disse mil vezes, eu não vou me...
PAFHT
Foi surpreendendo a todos que do nada Lucius ergue a mão e estapeia a face de Neville, os olhos estavam tão frios quanto o gelo quando disse:
- Agora chega dessa besteira - Lucius sibila com raiva contida - já aturei o suficiente dessa sua súbita birra, não importa o que você quer ou deixa de querer, nós estávamos noivos antes mesmo de você sonhar em nascer e não vai ser por que do nada você decidiu bater o pé que isso vai mudar.
Harry por segundos quase foi ao socorro de seu amigo, mas se conteve, algo em Lucius o fazia pensar que apesar da bofetada, tudo o que aquele rapaz dizia, por mais frio que soasse era dito com muito carinho.
Como se comprovando aquela estranha teoria, a mesma mão que esbofeteou Neville cobre o machucado e obriga o texugo a encarar o slytherin que disse sério.
- Como disse antes, vamos nos encontrar no primeiro final de semana em Hogsmead, e lá você me dirá o que esta acontecendo – Lucius se abaixa e rouba um beijo que a duras penas Neville teve que se controlar para não corresponder – Mas não me importa qual vai ser o seu motivo, você será o meu noivo, e vou lutar contra quem for para que nunca mais você se fira assim, nem que essa pessoa seja você mesmo.
Se levantando, ele se vira e sem se despedir de ninguém sai por onde entrou.
Mas ao invés de seguir o amigo, Régulus continua onde estava e diz encarando maldosamente Neville.
- Logo depois de descobrir o que aconteceu com você Lucius não pensou muito em levantar a varinha contra quem acredita ser quem está por trás do ataque a você. - Com a face séria, conclui.
Com a voz fraca e sem olhar diretamente para o quartanista Neville tenta passar indiferença.
- Eu não pedi que fizesse isso por mim, nem mesmo pedi que assumisse nosso noivado.
- Oh, quanto a essa parte não se preocupe, talvez Lucius nem mesmo tenha a chance de tomar sua mão em casamento.
Neville ergue os olhos assustado temendo o sentido daquelas palavras.
- O que quer dizer com isso?
- Nada de mais, apenas que não muitos alunos sobreviveriam a um duelo até a morte contra Albus Dumbledore
Surpreso Neville não deixa de encara o sério Régulos.
- Dumbledore?
- Isso mesmo, Lucius o desafiou em meio ao grande salão, atitude muito gryffindor, se me perguntar – a serpente estreita os olhos e diz - espero que apesar dessa palhaçada toda de noivado você não tenha se esquecido da nossa conversinha.
- Eu...
Notando que o tom esverdeado de Neville clareava mais e mais ao decorrer daquela estranha conversa, o moreno resolve por fim intervir, e como um raio se coloca na frente de Black.
- Fora daqui – Harry segura o braço do mais baixo e o perfura com o olhar – acho que sua visita já foi mais do que longa.
- Não se preocupe - Régulos lança um olhar divertido para o avental que Harry havia esquecido de tirar - "enfermeira", já vou deixar seus paciente em paz.
Ao ter o braço liberado, Régulos se vira, como se não tivesse feito nada e se vai.
Depois daquilo Neville ficou tão para baixo que nem mesmo Fenrir teve coragem de soltar alguma de suas piadinhas maliciosas.
Pouco depois que os dois rapazes de Slytherin partiram, outras duas serpentes invadiram o quarto.
Bellatrix e Narcisa haviam passado o dia inteiro preocupadas com o amigo internado, mas não demonstraram nem um décimo da apreensão que sentiram durante a manhã, fazendo questão de soltar seus corriqueiros comentários maliciosos.
- Ora, agora entendi por que Severus se deixou ferir tão facilmente - Bella olhou de cima a baixo o texugo que aparentemente, mais do que esquecer de tirar o avental parecia estar começando a gostar de usá-lo – Vê como ele me trata irmã? - diz dramática para Narcisa – enquanto a futura esposa se mata de preocupação o noivo procura os cuidados do seu aman...
Antes de concluir suas sandices, Severus fez uma força sobre humana para se erguer da cama e ignorando a dor utilizou o braço bom para quase sufocar amiga.
- Bella, espero que aprenda logo a controlar sua língua, ou mais do que a um quarto de hospital, eu serei preso em Azkaban, POR ASSASSINATO!!!
Arrancando risadas de mais de um por lá, as meninas se adaptaram bem ao novo meio, apesar de boa parte do motivo ser para agradar a Severus.
Harry não se surpreendeu com a identidade das duas mulheres, já havia suspeitado a algum tempo devido as suas aparências, mas assim como foi o caso de Fenrir, Harry relevou o que as suas versões adultas fizeram a ele em seu mundo.
Principalmente Narcisa. Harry, mesmo em seu mundo ouviu mais de uma vez como Draco falava com saudades da mãe, relembrando os momentos privados em que a Socialite Malfoy se mostrou tão carinhosa e maternal quanto qualquer mãe. Em seu intimo, Harry imaginava que se sua mãe estivesse viva seria tão carinhosa quanto Narcisa era com Draco naqueles momentos.
Quando outras pessoas foram aparecendo as duas garotas decidiram que era hora de partir, elas nunca gostaram muito de aglomerações.
E o horário de almoço seguiu animado com as aparições de um tímido Blaise, uma preocupada Hanna Abboott, alguns amigos e seguidores de Neville, umas poucas amigas de Hooch, um amante ou outro do libidinoso Fenrir...
E para surpreender novamente a todos.
Fred e Jorge.
Os mais escandalosos professores de Hogwarts, foram para a enfermaria na verdade para visitar o Harry, e quando o morno perguntou por que eles responderam.
- Está brincando? – Jorge revolve os cabelos rebeldes do aparentemente mais novo com divertimento – Depois do show pirotécnico mais eletrizantes dos últimos tempos nós tínhamos que te felicitar.
- Show pirotécnico? – Severus pergunta confuso.
- É uma técnica muggle para... – Harry tenta disfarçar explicando o que é pirotecnia.
- Eu sei o que é pirotecnia Hardnet. Eu quero saber o que esses dois idiotas querem dizer.
- Cuidado Snape – Fred sorri maldoso – agora eu sou um professor, sua casa pode sofrer algumas perdas irreparáveis nos seus pontos se não souber conter a língua.
- Enquanto estiver nessa cama, posso alegar a hora que quiser que "as poções" estão falando por mim – retribui o sorriso maldoso com outro, para em seguida voltar a se virar para Harry – e então? A que eles se referem?
- Bem... Digamos que eu não contei tuuuudo o que aconteceu hoje de manhã.
Falando em linhas gerais sobre a cena no grande salão, Harry tenta provar de A mais B que não tinha nada haver com o incêndio.
"Algo me diz que tenho que escolher bem o momento para revelar que tenho magia"
- Tá bom, pode até ser que você não tenha incendiado aquele lugar com magia, mas tem que ter algum truque – Fred parecia determinado a não botar o pé para trás – Foi incrível!!!
- Pois é, pena que a coisa meio que saiu do controle e machucou a maior parte das pessoas. – Jorge encolhe os ombros mas ainda assim parecia excitado com o feito.
- Acidentes de trabalho – ambos disseram juntos como se queimar metade da população do castelo fosse algo muito comum para eles.
E pelo olhar desaprovador de Neville, aparentemente era mesmo algo comum para aqueles dois.
Arquivando aquilo como mais um feito misterioso do sempre surpreendente "texugo maravilha" os professores ficaram mais alguns minutos para conversar antes de ir embora.
Um pouco antes de partir, Fred disse baixinho para Harry.
- O motivo para termos vindo também é por que o King estava preocupado com você.
- Comigo? – Harry não pode deixar de estranhar, ainda mais levando em conta os últimos encontrões que o negro havia dado nele no meio dos corredores – Por que?
- Não sei – deu entre ombros – ele parece de uns tempos para cá bem interessado em você, ele vai ficar feliz em saber que você está bem.
E vai embora junto com o irmão.
"Estranho" foi tudo que pode concluir Harry, e também se lembrou que tinha que analisar aquele misterioso papel que Shaklebolt havia lhe entregado ontem.
Quando ninguém mais parecia vir visitá-los, a porta volta a se abrir e por ela aparece a mais do que cansada enfermeira, com sua varinha em punho ela fazia sete bandejas levitarem.
- Quanto tempo mais você vai ficar me encarando com essa cara de besta - a mulher diz com um tom maligno para Harry - PEGUE LOGO A DROGA DESSAS BANDEJAS!!!
A paciência daquela mulher estava por um fio, durante toda a manhã estava tratando de queimaduras atrás de queimaduras, ministrando remédios, acomodando pessoas e corrigindo os erros de seus enfermeiros honorários.
Para ser capaz de matar alguém faltava pouco.
Vendo que sua integridade física poderia começar a correr perigo em segundos, Harry correu na direção da mulher e um a um foi pegando as bandejas e colocando nas camas de cada amigo, até que apenas uma ficou em sua mão, sem um dono aparente.
- Ué, para quem é essa?
- Para quem você acha, gênio? – ainda ácida, ela tenta ajeitar os fios soltos de seu cabelo – Quem, além de mim, passou a manhã inteira sem comer ou beber?
Sem esperar uma resposta a mulher sai fechando a porta com força descontando toda a frustração de ter que voltar a mergulhar no corrido trabalho.
- Acho... - Harry murmura ainda impressionado com a saída abrupta da mulher - que posso chamar isso de gentileza, acho.
E se juntando aos seus amigos, ele se pôs a comer.
Todos estavam mais descontraídos graças as visitas, comentavam brevemente e sempre cheios de tatos sobre o ocorrido e vez ou outra se permitiam alguma brincadeira para descontrair o ambiente.
Tudo parecia tranqüilo.
Tudo, menos o coração de Harry.
A breve paz de espírito que teve ia abandonado sua mente pouco a pouco, sempre que um de seus amigos parecia ter dificuldade de levar um garfo a boca, ou quando entre um riso ou outro alguém se contraia de dor.
Mesmo tentando disfarçar, eles estavam feridos.
Feridos por sua causa.
"E isso vai se repetir mais e mais vezes se eu continuar ao lado deles".
- Se afastem de mim... – Harry ouviu a voz de Siby delirar em sua cama – Se afastem de mim... SINISTROS!!! SE AFASTEM DE MIM...afastem...
Aquilo foi o suficiente para seu coração.
Não havia outra opção.
Aquela seria a ultima refeição tranqüila que fariam juntos
--- FVQP ---
A busca havia sido longa.
Ele havia lido e relido as anotações no livro de Ravenclaw atrás de algo que comprovasse o que ela havia dito.
Não achou nada.
Teria que confiar apenas na palavra daquela estranha figura, caso aceitasse sua proposta.
Draco não era ingênuo, sabia que a enfermeira não havia contado nem metade de seu passado, os motivos de ter criado o feitiço, o porquê de se encontrar naquele mundo em especifico, ela fez questão de esconder muito bem varias respostas que sabia que Draco queria.
Mulher esperta.
E no fim fez uma proposta que a primeira vista era irrecusável.
Mas por mais tentador que parecesse, seus instintos de slytherin gritavam para pensar melhor, o que ela lhe oferecia era bom de mais para ser verdade, e não pedia nada em troca.
Muito suspeito.
Ela parecia sincera, mas Draco mesmo com duas ou três piscadelas e um olhar pidão conseguiria parecer.
Finalmente juntando coragem para encarar o seu provavelmente devastado amigo, Malfoy havia voltado em plena noite ao mundo de Harry e entrando no quarto em que ele deveria estar com seus feridos amigos, ele o busca com os olhos.
E lá estava ele.
A cadeira de Harry não estava mais entre as camas de seus amigos, ele a havia arrastado para a janela mais próxima e naquele segundo estava debruçado no batente daquela mesma janela.
Tentador...
Aquela visão tornou a proposta de Rowena cada vez mais tentadora. Mas será que era realmente possível? Será que se fizesse o que a mulher pediu ele poderia em fim...
- Eles não acordarão mais – Harry murmurou de seu posto, sem se virar para ver Draco.
- Estão muito fracos – Draco respondeu, ainda surpreso por Harry conseguir notar sua presença.
- Sim, estão. - Harry se vira para o loiro, revelando seus olhos vermelhos – E foi por minha culpa.
- Harry... – Draco se aproxima, mas ainda mantendo uma distancia entre eles
- Não diga que não é, por que é – Harry sorri – já aconteceu antes, não se lembra? "Oh, por Merlin, não conseguimos atingir ao menino que sobreviveu, o que podemos fazer?" "Ora, não seja por isso, atinjamos então os seus amigos, é tudo a mesma merda"
- Harry, não é assim...
- NÃO DIGA QUE NÃO É ASSIM!!! – Harry volta a gritar – não para mim, não depois de tudo o que eu passei, não depois de tudo o que passamos, por que é assim e você sabe.
Draco não teve coragem de responder, pois sabia que era verdade.
- Mas tudo bem – Harry respira fundo e se levanta – isso foi de certa forma bom.
O loiro olha confuso para Harry, não gostava de seu tom.
- Nenhum deles foi mortalmente ferido, na verdade eles já poderiam deixar as camas agora mesmo, só estariam doloridos nos próximos dois ou três dias – solta uma risada sem humor – na verdade já estariam de pé se eu não tivesse colocado poção do sono no jantar deles.
- Você fez o que? – um mal pressentimento fez Draco começar a se remexer incomodo.
- Eu tive essa idéia algumas horas atrás enquanto almoçávamos, coloquei um pouco de poção do sono na comida deles a... acho que uma hora atrás, não sei, depois que eles dormiram eu fiquei por aqui para pensar um pouco. Acho que até cochilei sem querer.
- Harry, o que diabos você está planejando fazer com tudo isso?
- Algo que eu deveria ter feito desde o inicio – Harry se levanta, retira o avental de seu corpo o deixando cair no chão e começa a caminhar em direção a porta, contornando Draco – vou me afastar deles de uma vez por todas.
- O QUE? - se virando apenas para ver as costas de Harry indo na direção da porta – NÃO PODE FAZER ISSO!!!
- Apenas observa – ele diz parando e olhando para o loiro por sobre o ombro.
- Não pode!!! – sem saber o que fazer ele simplesmente volta a se colocar entre Harry e a porta – a idéia principal dessa palhaçada toda não é você ter uma chance de viver com seus amigos? Não é a de que você deveria poder...
- Não – O morno o interrompe com o olhar decidido – a idéia era eu viver em um mundo onde meus amigos estejam vivos – ele abaixa a cabeça e conclui com pesar – coisa que não poderei realizar se ficar ao lado deles.
E sem pensar duas vezes Harry atravessa o incorpóreo loiro estremecendo pela sensação desagradável.
Draco ainda estica o braço por puro reflexo, mas apesar de alcançar o ombro de Harry, seus dedos atravessam o ombro do moreno, aumentando a sensação de impotência.
- DROGA!!! – Draco grita com sua voz que apenas Harry conseguia ouvir.
Apenas Harry e...
- Geralmente eu digo aos visitantes para não gritarem nas dependências da enfermaria para não incomodar os internos... fh... – a loira expulsa a fumaça que havia tragado – mas no seu caso acho que posso abrir uma exceção, não é?
Parada na mesma porta em que Harry havia saído, estava Rowena Ravenclaw, ela olhava para o loiro com bastante diversão.
- Droga, droga, droga... – Irritado Draco dava voltas em torno de si mesmo – Do que diabos serviu toda essa palhaçada se no final... se no final... ele vai acabar sozinho de novo? Maldito complexo de mártir.
- Hm... Tecnicamente não – a mulher entra de vez no quarto e se senta na mesma cadeira em que Harry tinha estado antes – mesmo que ele vá embora, mais e mais pessoas vão se encontrar com ele – ela cruza as pernas de baixo do longo vestido negro – faz parte do conjuro, lembra? Todas as pessoas que um dia ele conheceu...
- EU JÁ SEI NO QUE CONSITE ESSA PORCARIA DE CONJURO!!! – Draco responde irritado – Mas... Mas se ele abandonar tudo agora, o que vai impedir de abandonar os próximos que conhecer? E os próximos... E os próximos...
- E os próximos, e os próximos e os próximos... – ela cantarolou divertida – Sim, sim, quem faz uma vez conseqüentemente acaba fazendo de novo, mas vai ficar tudo bem, afinal – ela sorri maldosa e aponta o loiro com o seu cigarro – ele tem você.
- Desgraçada... – murmura o loiro abaixando a cabeça ao sentir aquela ferida ser tocada de forma tão descarada – você sabe muito bem que eu não...
- O que sente? – ela se levanta para se aproximar de Draco – O que acha da sensação de ser apenas uma voz para a pessoa que ama, apenas uma imagem inalcançável? – ela o rodeia sussurrando aquelas palavras que tanto o atormentavam – O que acha de dia a dia se tornar nada mais que uma miragem em meio aos delírios de quem você tanto deseja?
- Pare...
- Hu hu... – ela para de rodeá-lo e para bem a sua frente sem deixar de sussurrar com aquele tom mórbido deboche – Eu também passei por isso, e acredite, só piora, a medida que você vai se tornando cada vez mais real nesse mundo uma pequena ilusão cresce em seu peito, uma vozinha minúscula e repetitiva o atormenta a cada dia dizendo: "E se no final tudo der certo? E se no final eu não precise me afastar, e se no final ele não..."
- CALA A BOCA!!! – Draco ergue a cabeça para encará-la com raiva
- Mas acredite, eu já passei dessa fase e sei – seu tom se torna sério e uma certa imponência se distribuiu em seus traços – a vozinha estava errada, e a dor ... A dor é tanta que temos que nos afastar, por que se não...
- Você disse que havia um jeito... – Draco a interrompe derrotado, sabendo que era exatamente isso que a mulher procurava fazer ele dizer com todo aquele showzinho. – Um jeito de que tudo seja diferente.
- Para você? Sim, há um jeito, mas não será fácil, você vai precisar passar por um duro treinamento.
- Que você, bondosamente está disposta a me passar. – pergunta sarcástico.
- Exatamente – sorri maliciosa – que garoto de sorte você, não acha?
- Mas o que você ganha com isso.
"Isso só eu preciso saber" penas a mulher, mas o que diz é outra coisa.
- O prazer de executar uma boa ação? – dá entre ombros – pouco importa a minha motivação, o que realmente importa é que apenas eu posso te instruir para que alcance o que deseja.
- Eu... eu não sei – Draco ainda vacilava – agora não é um bom momento para pensar nisso, aquele idiota de coração mole deve estar nesse instante indo falar com a diretora para abandonar a escola e eu não posso fazer nada quanto a isso.
- Talvez você não – ela concorda com Draco – mas conheço seis pessoas que talvez possam.
Confuso Draco estranha o comentário da enfermeira, mas como todo bom slytherin logo entendeu nas entrelinhas.
Seus olhos caíram sobre os adormecidos amigos de Harry.
- Eles? – Draco bufa irritado – eles beberam poção do sono, não devem acordar pelo resto da noite, a menos que um deles seja sonâmbulo não imagino nenhum deles de pé agora.
- Não, sozinhos não. Mas com uma mãozinha sua, talvez – a mulher apaga mais um cigarro apesar de ele estar pela metade – como prova de boa vontade eu vou te ensinar algo que não é nem um décimo do que você será capaz de fazer se começar a me ouvir.
- O que? – pergunta desconfiado.
- Algo que você só poderá fazer enquanto estiver nessa fase "não física" – ela se aproxima da cama mais próxima, que era a da Trelawney – você já deve ter entrado na mente de alguém uma vez ou outra – a mulher pergunta arrancando um olhar constrangido de Draco – Bem, agora você vai fazer a mesma coisa, mas ao invés de ler, irá impor ao sistema nervoso deles que digam ao restante do organismo para que ignorem a poção até que o efeito passe, e claro, também ignorem as dores no corpo que deveriam sentir.
- Eu posso fazer isso? – Draco pergunta impressionado.
- Isso e mais.
- Mas eu não consigo ficar muito tempo na mente das pessoas. Bem, menos na mente de Ha... Chris.
- É normal – ela sorri ao perceber a tentativa de esconder o verdadeiro nome do viajante dimensional – ele e você estão conectados, graças a esse feitiço. Mas mesmo que não consiga ficar muito tempo na mente deles, você não vai precisar de muito tempo, apenas de muita concentração.
Não vendo alternativa, Draco se deixa instruir pela fundadora da casa das águias.
"E seja o que Merlin quiser"
--- FVQP ---
Havia sido o mais longo percurso de sua vida.
Da enfermaria ao refeitório, nunca um trajeto pareceu tão longo.
As portas estavam abertas quando o som convidativo das vozes alegres dos alunos quase o enganou. Por segundos Harry havia se transportado para a época de "sua Hogwarts".
Mas não era.
Nunca seria.
E essa certeza só fez com que desse os passo que faltavam para entrar no local.
Havia vários lugares vazios naquela noite, e entre os presentes um grande numero de pessoas enfaixadas.
Para sua surpresa não havia nenhum sinal do incêndio que provocara pela manhã. As paredes estavam limpas e pintadas como antes e os quadros pareciam estar com suas molduras intactas, apesar de mais de uma figura olhar para Harry com certo rancor.
As pessoas ao verem o moreno entrar aquietaram seus diálogos.
Sempre que aquele estranho garoto aparecia algo estranho acontecia.
- Senhor Hardnet! – A alegria da voz da diretora chamou sua atenção – tinha escutados boatos de que havia passado todo o dia na enfermaria. – erguendo seu cálice a mulher apóia o cotovelo na mesa e o queixo em sue punho fechado. – Espero que não tenha sido por nenhuma queimadura recente.
Aquele simples comentário fez um desconfiado borburinho se espalhar entre os alunos e os refugiados, mas ninguém fez qualquer comentário contra o rapaz. Não havia sido a própria diretora que havia deixado claro que ele não havia tido nada haver com aquilo?
"E afinal, ele não passa de um aborto?" Harry ouviu mais de um murmúrio parecido como esse.
Sentindo sua magia pulsar na ponta de seus dedos, Harry se sentiu tentado a demonstrar o quão aborto era para os idiotas que iniciaram aqueles comentários. Mas respirando fundo e se apossando o máximo possível de seu lado slytherin, simplesmente sorriu e respondeu a diretora:
- Não senhora McGonagall, não sofri nenhuma queimadura, faltei as aulas por que nossa amabilíssima enfermeira me convocou como "enfermeiro honorário". – diz essa ultima parte com um pouco de deboche.
- Ora, que garoto prestativo o senhor é – Minerva ignora o tom abusado de Harry – Mas creio que deveria ter...
- Neville Longbottom – Harry interrompe a possível reprimenda da diretora dizendo aquilo bem alto, olhando para a mesa dos texugos, e continuou ainda olhando na mesma direção – Sibila Trelawney, Xionara Hooch – Virando seu rosto na direção da mesa das águias continuou – Luna Lovegood. – move o rosto na direção da mesa das serpentes – Severus Snape e Fenrir Greyback – novamente respira fundo para tentar se acalmar, ou seria capaz de tacar fogo em metade daquele salão novamente. E desta vez diz para todas as mesas incluindo os leões e os refugiados – Nesse exato momento, por um motivo que ainda desconheço, essas seis pessoas foram extremamente feridas, talvez mais do que fisicamente – Harry treme ao lembrar dos lamentos de Siby em seu leito – e a pessoa ou pessoas, sei lá, responsável por isso, com certeza esta nesse momento no meio de vocês, por isso só vou dizer uma vez, eu não perdôo, As feridas, o sangue as lagrimas, tudo, eu não perdôo. Seja Lá quem estiver por trás disso espero que pague pelo que fez – desejou de todo o coração – mas infelizmente não será por minhas mãos.
Aquilo foi o mais doloroso que poderia dizer naquele momento, abrir mão de cobrar aquela vingança era quase insuportável, mas o que mais poderia fazer? Não podia ficar mais tempo naquele castelo, podia se proteger facilmente, ainda mais agora que tinha sua magia de volta, mas não poderia proteger eternamente as costas de seus amigos.
Tinha que partir.
- Diretora – ele volta a focar apenas a mesa dos professores – venho aqui especialmente no intuito de dizer que a partir de hoje não cursarei mais Hogwarts.
Se Harry achou que poderia dizer aquelas palavras e por seus amigos estarem presos a uma enfermaria não teria que ouvir qualquer coisa contra a sua decisão se enganou.
Se enganou grandemente.
Mais de uma pessoa se levantou para protestar contra aquele anuncio.
Os marotos, em Gryffindor, questionavam a sanidade do novato e diziam que não aceitariam que ele partisse. Diga-se de passagem Sirius e James eram os mais determinados.
Em Slytherin Narcisa a duras penas continha sua irmã para não ir dar uns tabefes em Harry por abandonar sem mais nem menos o seu amigo Severus.
Em Ravenclaw Kingsley fuzilava Harry com os olhos demonstrando plena contrariedade, enquanto em outro extremo da mesa Rondy se remexia incomodo ao saber que aquele cara legal que o ajudou na biblioteca iria embora.
E em Hufflepuff um número considerável de texugos perdia seus medos e deixava claro que não queriam a partida de um exemplo de coragem dentro de sua casa, entre eles Hanna Abboott que deixava claro que não deixaria o novato ir embora sem disputar uma partida contra ele.
Até mesmo entre os professores havia um ou outro contrariado com aquela decisão, especialmente se considerarmos Fred e Jorge que gritavam em um coro injuriado protestos sem sentido que alguns achavam que não tinham nada haver com o assunto.
Talvez a única mesa que não se manifestou foi a dos refugiados, mas isso não diminuiu o efeito que aquilo causou em Harry.
O moreno estava pasmo.
Todos aqueles que demonstravam seu apresso por Harry talvez não fosse nem um decimo de todo o colégio, mas mesmo assim foram capazes de o comover.
Mas já não havia volta atrás.
Pelo bem de seus amigos ele tinha que partir.
-Essa é uma decisão que eu tomei após pensar muito – disse tentando acalmar as pessoas que protestavam – ela é...
- A maior bobagem que você poderia ter inventado.
Aquela voz.
Guiado pela voz que só podia ser daquela atrevida garota de cabelos brancos, Harry se vira na direção da entrada a tempo de quase ser jogado para trás por dois corpinhos que correram ao seu encontro.
- Siby? Luna? – Harry diz atordoado ao sentir as duas garotas apertarem mais forte seu corpo. Uma atitude um pouca desconcertante, principalmente vindo de Sibila, que sempre havido sido a mais reservada.
Mais lentamente os outros amigos de Harry caminhavam na sua direção, Todos com o andar seguro e não demonstrando qualquer sinal de dor, o que era absurdo, principalmente se vissem o rosto inchado de Hooch e o peito nu, coberto de ataduras de Fenrir.
Mas mais do que isso, como eles conseguiram despertar depois de ingerir aquela poção para dormir que Harry colocou na comida deles?
- Como vocês... - tentou perguntar o que lhe perturbava, mas foi interrompido.
- Chris, você não falou sério? Falou? – Luna pergunta ainda abraçada a ele – você não vai, vai? – o olha com seus enormes olhos acinzentados cheios de suplica - se você está com medo que o que aconteceu com a gente acontecer com você, não precisa se preocupar, eu te defendo – a loira tentou soar confiável – Eu contrato dois Goluins negros grandões como guarda costas e... e...
Sem poder se conter diante do desespero da pequenina águia, Harry sorri e afaga os cabelos loiros.
- Não se trata disso, eu não estou com medo...
- Verdade? – Mais uma vez Hooch o interrompe, agora parada na frente dele flanqueada pelos outros três rapazes- Não é o que me parece. Não importa como eu olhe me parece que você está morto de medo.
- Hooch...
- Não nos use como desculpa Hardnet – Severus diz acido – não nos banalize ao ponto de nos usar para camuflar a sua própria covardia.
- Eu não sou covarde, eu apenas não quero que se machuquem por minha causa.
- Bem, já estamos machucados – Fenrir cantarola despreocupado – E daí? Ir embora vai fazer nossas feridas cicatrizarem mais rápido?
- Mas se eu ficar...
- Não sabemos o que vai acontecer se você ficar – Neville diz com seu eterno ar conciliador – mas sabemos o que vai acontece se você se for. Qualquer cicatriz que fique em nós terá um significado mais doloroso cada vez que olharmos para elas.
Absorvendo calmamente aquelas palavras, e sentindo ainda os dois corpinhos contra o seu, Harry lutava para não chorar. Ele detestava chorar. E substituindo suas lagrimas, as palavras cascatearam de sua boca.
- Foi minha culpa... – o moreno lamenta aquilo que tanto o carcomia por dentro – eu sei que foi...
- A gente te perdoa, se esse for o caso, é claro – Hooch golpeia o ombro de Harry – Você mesmo já não perdoou?
Harry encara confuso as palavras da amiga, o que arrancou o riso dos dois texugos, e das duas serpentes a sua frente.
- Cara, você é incrível! – Fenrir gargalhava – Você realmente já se esqueceu de metade desta semana?
- Hã? – o pobre moreno realmente não entendia o que eles queriam dizer
- Se por acaso esses ferimentos foram feitos por sua causa – Fenrir leva a mão ao peito coberto de faixas – todos os ferimentos que você sofreu essa semana foram por causa de quem?
E em rápidos flashs ele fez uma retrospectiva da semana que acabara de ter:
Ossos quebrados.
Queimaduras.
Perfurações.
Feitiços.
Espancamentos.
Harry se lembrou de cada ferida, duelo e osso que deslocou, e teve que admitir que muitas vezes não havia sido apenas por ele mesmo que havia se ferido, mas por seus novos amigos.
- Se você consegue se esquecer tão fácil o quanto se feriu por nós –Hooch pisca marota – que tal nos dar uma chance de retribuir o favor?
Ainda indeciso, olha para a Sibila agarrada a ele e murmura:
- Mesmo sabendo o que eu te farei? – Mesmo assim me quer aqui?
A menininha fala pela primeira vez naquele dia. Com a voz fraca e baixinha murmura:
- Fugir de seu destino é só adiar dolorosamente o inevitável – abraça mais forte o amigo – esperar que isso aconteça longe de você fará a dor dessa espera ainda pior. Afinal, você não é meu amigo?
Amigo?
Sim ele se considerava amigo dela, mas ouvir isso da boca da própria Sibila tinha uma proporção ainda mais diferente?
Sabendo que havia sido vencido, não pode mais que encolher os ombros em sinal de rendição e ceder.
- Ok, vocês venceram, eu fico.
Antes mesmo que aquele bizarro grupinho tivesse qualquer chance de comemorar, mais uma vez a voz da diretora recobrou a atenção do grande salão.
- Hã... garoto, eu sinto informar, mas acho que isso já não é mais uma opção.
Como se fossem tirados de sua breve bolha de felicidade, Sibila e Luna finalmente soltam seu amigo, e os setes olham confusos para a mulher.
Sabendo que era novamente a dona da atenção geral, Minerva prossegue com a voz séria:
- No momento em que você se colocou na minha frente e disse que desistia de cursar Hogwarts, você deixou instantaneamente de ser considerado um membro da casa de Hufflepuff.
Aquilo criou mais uma onda de protestos entre o diversificado grupo de apóio ao novato.
- Como assim? - Hooch, esquentadinha como sempre, pergunta indignada – Não deve nem ter dez minutos que ele DISSE que queria sair, os registros dele ainda devem estar intactos no...
- Poupe saliva meu bem – Minerva ergue a mão com cansaço calando não só ela como as outras pessoas que reclamavam – Nunca ouviu falar de um ditado muggle que diz: "As paredes tem ouvidos?" Bem, aqui em Hogwarts as coisas funcionam de uma forma um pouco mais literal, basta dar uma olhadinha na gravata de seu amigo.
Não só seus amigo, mas o próprio Harry olha para sua própria gravata, e ela estava completamente negra, as cores de sua nova casa haviam desaparecido.
- Eu... eu não pertenço mais a Hogwarts?
- Hn... Não exatamente, você não pertence mais a Hufflepuff – a diretora o corrige – seu registro, assim como a senhorita Hooch gentilmente nos lembrou ainda está tão valido como os dos demais alunos, mas como você PEDIU para deixar de cursar Hogwarts, o próprio castelo atendeu o seu pedido e o desvinculou com a casa de Hufflepuff,e sem uma casa, por mais que burocraticamente você esteja vinculado a Hogwarts, não poderá mais cursar as aulas do colégio. – vendo que mais uma onda de protestos teria inicio ela tenta argumentar, apesar de não pareceu muito preocupada – Claro, você poderia continuar no castelo como um refugiado, mas...
- Ainda há outra opção – Firenze interrompe a diretora a olhando de forma penetrante.
McGonagall retribui o olhar penetrante por alguns segundos e sorri com diversão.
- Sim, há outra opção.
Arrastando a cadeira para trás, a imponente mulher se afasta da mesa dos professores e caminha até o grupinho de Harry.
- E qual seria? – pergunta Harry um pouco apreensivo.
- O motivo de você não poder cursar Hogwarts esse ano é por que se retirou de sua casa e a seleção só poderá ocorrer novamente ano que vem – ela repete calmamente os fatos recentes como se Harry não os soubesse – Oras, se você não pode mais ser selecionado por casa alguma, crie uma.
- Criar uma? – Não havia condição física dos olhos de Harry ficarem maiores
- Criar uma, algo que no mínimo poderia ser considerado uma verdadeira revolução – Se virando para a mesa dos professores diz – reunião de ultima hora na minha sala.
- Diretora! – alguém da mesa dos refugiados exclama horrorizado – não pode estar falando sério!
E uma enxurrada de comentários, opiniões e conversas paralelas explodiram.
Alguns achavam aquilo ridículo, outros bizarro, e os poucos simpatizantes do surpreendente novato o defendiam e diziam que ele tinha uma chance de conseguir.
Seus amigos pareciam ser as únicas pessoas silenciosas no aposento, na expectativa da resolução de Harry.
Já Harry tudo o que tinha em sua mente era uma única palavra que a diretora havia acabado de dizer:
"Revolução"
Era essa a solução para os seus problemas, dessa forma poderia ficar na castelo, protegeria seus amigos, e com sorte poderia mudar muitas coisas que não aprovava naquele colégio.
Seus olhos que vagavam por toda aquela confusão, por puro acaso se encontraram com os de Dumbledore.
O setimanista estava mais sério que o normal, e fitava Harry com muito mais curiosidade que normalmente demonstrava.
Harry estreita os olhos com suspeita. Regulus havia dito que Lucius desconfiava de Dumbledore, e mesmo sem saber o motivo sentiu um frio na espinha que o fez considerar aquela suspeita.
"Se eu ficar, poderei ter as chances de por as mãos no infeliz que feriu os meus amigos."
Independente do preço que teria que pagar, decidiu ficar.
Ficar e lutar.
- Ele não passa de um aborto, quem entraria na casa criada por um aborto? – alguém entre o mar de vozes gritou injuriado
Ouvir aquilo foi a deixa que Harry achou para dar inicio ao seu plano
- Não sei quem entraria na casa de um aborto – Harry disse fazendo todos ao seu redor se calarem – Mas acho que em breve vamos descobrir, não?
- Isso é ridículo – outra vez ouviu alguém, que não reconheceu, gritar.
- Não, ridículo é aluno atacar aluno – Harry estreita os olhos com raiva – ridículo é companheiros de estudos se sentirem intimidados a defenderem o que acreditam. Bem, eu acredito que posso mudar isso, por mais ABORTO que eu seja, eu quero ver quem vai me intimidar o suficiente para mudar de idéia. – seus olhos fitam mais uma vez de relance Dumbledore – Diretora – Harry volta a encarar a mulher a sua frente com certo desafio – Eu quero criar minha própria casa.
- Haverá conseqüências – ela diz séria.
- E eu aceitarei cada uma delas. – respondeu solene.
- "Aceitarei" virgula – Hooch, tão folgada quanto sempre, se apóia no ombro de Harry e pisca para a diretora – acho que o que ele quis dizer foi: "aceitaremos".
--- FVQP ---
- Mas afinal, como vocês conseguiram acordar? - Harry finalmente teve a chance de perguntar - Eu enchi a comida de vocês de poção do sono.
Um grande grupo caminhava em direção a sala da diretora, formado por todos os professores, a própria diretora, Harry e seus amigos.
Antes de deixar o grande salão, Harry havia tentado convencê-los de todas as formas possíveis a desistir de acompanhá-lo.
Mas já era tarde de mais.
Quando seus amigos deixaram bem claro para a própria diretora que queriam entrar na nova casa de Harry, suas gravatas ficaram completamente pretas, igual a do moreno.
Não havia mais retorno.
- EU SABIA!!! - Hooch gritou indignada atraindo o olhar irritado de um ou outro professor
- eu sabia que você tinha nos dopado, Chris. Como teve coragem?
- Foi bem fácil na verdade, levando em conta como alguns de vocês são tão esganados - Harry brincou lançando um olhar par ela e para Fenrir - e o motivo não importa muito agora, mas sim como vocês conseguiram acordar.
- Eu não sei - Severus responde mostrando uma pontinha de rancor por ter sido enganado também - nós apenas acordamos, talvez você não tenha sabido aplicar corretamente a poção.
- Hei, nem vem com essa eu fiz direitinho, eu coloquei.
- Eu ouvi uma voz - Siby murmura baixinho chamando a atenção dos outros - uma voz que cobriu até mesmo as vozes malvadas em minha cabeça.
- Eu também ouvi - Luna apóia a amiga - era uma voz bonita, ela dizia que eu tinha que acordar, que eu tinha que ajudar uma amigo.
Os outros concordaram com as primeiranistas, também haviam ouvido a misteriosa voz, que não apenas falava com eles, mas que também os arrancou da inconsciência e abrandou as dores que sentiam.
Apesar de não dizer Harry tinha uma leve suspeita de quem seria a tal voz misteriosa.
"Draco" pensou o moreno já com um humor um pouco melhor "é só te deixar sozinho alguns segundos para você aprontar... obrigado"
A conversa foi tomando outros rumos, e Potter deixou aos poucos sua atenção se afastar das vozes de seus amigos.
Seus olhos se voltam para as costas da diretora que caminhava mais a frente conversando com dois professores.
"Acho que nunca vou entender essa mulher, tem vezes que consigo ver lampejos da McGonagall de meu mundo, restrita, atenciosa, preocupada com seus alunos. Em outras soa tão desleixada e despreocupada e tem vezes como essa em que tudo o mais parece perder a importância para ela e começar a agir de forma misteriosa, tomando atitudes que parecem querer medir os meus limites" estreita seus olhos sem desviá-los da diretora "Será que ela age assim com só comigo ou também faz isso com os outros alunos?"
Tirado de seus devaneios, Harry sente um arrepio na espinha quando um hálito quente percorre seu pescoço e pego de surpresa dá um pulo.
Ao olhar irritado para o motivo de sua perda de compostura, se deu de cara com a cara sorridente de Fenrir.
- Algum problema amoreco? – Diz baixinho para só eles dois ouvirem.
- Acho que vou criar uma nova regra para o nosso relacionamento – Harry diz tentando se acalmar – "Nada de apelidos amoroso de qualquer natureza"
- Quanto mal-humor – Ele envolve a cintura de Harry e finge que dividiam uma acaramelada conversa romântica enquanto andam um ao lado do outro – Vou ao ponto então – O lobisomem olha de forma intensa o amigo – Alguém nos visitou enquanto estava dormindo?
Sabendo a que o aparentemente mais velho queria dizer, Harry ergue o queixo inocentemente e para provocá-lo fingiu não ter ouvido a pergunta, enquanto se lembrava da suposta visita a que se referia Fenrir.
Flash Back
Após o ultimo de seus "pacientes" ceder a poção, Harry se permitiu observá-los.
Tão serenos...
O dia havia sido duro e corrido, seus músculos cansados exigiam descansar um pouco. Sentado na cadeira que havia puxado para próximo a janela, sentiu os olhos se fecharem pouco a pouco.
Não estava dormindo, não podia se permitir adormecer, mas apenas ficar daquele jeito era tão revigorante.
"Mais alguns minutos, apenas mais alguns minutos ao lado deles".
Foi beirando a inconsciência que escutou passos cruzando o quarto.
"Será que algum deles acordou?" Se perguntou sonolento.
Abrindo bem pouquinho os olhos para espiar a fonte daquele som, se surpreendeu com quem viu.
Em frente da cama de Fenrir estava Remus Lupin.
Não só isso!
Lupin estava inclinado sobre Fenrir e até onde pode ver o sextanista estava roubando um beijo do lobisomem inconsciente.
Harry se sentiu tentado a abrir os olhos e dizer que o amigo ficaria bem, ainda mais quando viu a expressão preocupada de Remus.
Mas mudou de idéia, abrir os olhos agora só iria constranger o lobisomem, sem falar que teoricamente Harry era o apaixonado namorado de Fenrir, e ele não estava com pique para encenar uma ceninha de ciúmes.
Logo o melhor foi continuar fingir que estava inconsciente.
Melhor para Lupin.
Melhor para Harry, que pode assistir de camarote dez minutos de uma comovente demonstração de amor de Remus Jonh Lupin.
Fim do Flash Back
Vendo o deboche na cara de Harry, Fenrir aperta mais a cintura do moreno, fazendo o quintanista voltar a olhar para ele.
- Eu sei que alguém esteve lá – disse sério – Eu sei que ele esteve lá.
- Como sabe? – pergunta Harry.
- O cheiro.
Com um sorriso de lado, Harry soube que não podia mais "fazer doce".
- Sim, você está certo, ELE esteve lá.
Bastou isso para um sorriso bobo se desenhar no rosto de Fenrir. Largando a cintura do moreno leva dois dedos a altura dos lábios, e Harry ainda pode ouvir quando sussurrou.
- Eu sabia.
--- FVQP ---
Com todos já dentro da sala da diretora, Harry olhou pela primeira vez a arrumação que a mulher havia feito.
Tudo parecia muito organizado, e não tinha nenhuma dos estranhos objetos que Dumbledore deixava expostos nas prateleiras e sobre a mesa em seu mundo. Na verdade nem prateleiras aquela sala tinha, mas armários, todos fechados, a única coisa amostra eram as penas e s pergaminhos sobre a mesa da diretora.
Mantendo o restante das pessoas próximas a porta, Minerva pediu que Harry a acompanhasse até um dos armários. Tirando de dentro de suas vestes um chaveiro abarrotado de chaves ela escolheu uma delas e abriu uma das portas do móvel. Atrás da alta porta estava um banquinho e sobre ele um chapéu esfiapado e sujo que roncava em alto e bom som.
- Vamos lá seu monte de remendos - a mulher o cutucou com o dedo - hora de trabalhar.
- Hum? Como? - o chapéu em sua posição se estica como se estivesse se espreguiçando - já está na hora de mais uma seleção? O ano correu rápido.
- Não, hoje é um caso especial.
Olhando sem muito interesse para o estudante a sua frente o chapéu boceja e diz com pouca vontade:
- Sim, creio que seja.
Minerva pega o chapéu com uma mão e o banco com a outra e o colocando no centro da sala ela diz.
- Esse chapéu é o portador das vontades das paredes desse castelo, ele irá analisar sua cabeça e responderá se você terá ou não a autorização de criar uma nova casa.
Nervoso, Harry pega o chapéu com as duas mãos, se senta no banco, e ele mesmo o coloca na cabeça.
"Ora, você novamente meu rapaz?" o chapéu falou dentro da mente de Harry "pelo que me lembre nunca fui colocado tantas vezes na cabeça de um único aluno." era difícil saber se o objeto animado estava irritado ou surpreso "o que o trás aqu... ah! Já vejo, por isso me despertaram antes da hora, você parece ter resolvido brincar com uma das tradições mais antigas e mais temidas de nosso colégio."
"Tradição?" Harry estranha, nunca tinha ouvido falar da possibilidade de se criar outra casa.
" Tradição." confirma com paciência " a muito tempo que uma pequena clausula foi criada para casos como o seu, como creio que já lhe foi explicado. Mas até hoje ninguém ousou ir até o fim, acredito que esse seja o seu desejo."
"Não, não é o meu desejo" Harry olha longamente para os seus amigos que aguardavam ansiosos por algumas respostas "é o 'nosso' desejo."
"Entendo. Então não vejo muito mais o que discutirmos em particular. Vejo em seu interior valor e ambição o suficiente para ser o merecedor de tentar essa proeza." e o chapéu completa de forma solene "Tem minha benção."
"Obrigado"
" Irei anunciar que..."
"Ah!!!" Harry o interrompe "Só uma coisinha, como tecnicamente eu sou o fundador dessa nova casa será que teria como..."
"Não colocar seu sobrenome real como nome? Sinto muito, é uma tradição inquebrável, o máximo que posso fazer por você é por enquanto usar seu nome falso, mas quando e se por acaso sua casa for concreta o seu sobrenome real terá que ser usado."
"Hum... acho que posso aceitar isso."
- Portanto – o chapéu agora diz em voz alta – FICA ENTÃO DECLARADO QUE A CASA HARDNET PASSARÁ POR UM ANO DE PROVAÇÃO, E NO FINAL DO ANO LETIVO SE POR ACASO NÃO TIVER O NÚMERO IDEAL DE PROTEGIDOS SEU FUNDADOR E TODOS OS DE MAIS ESTUDANTES QUE ADERIRAM A ELA SERÃO EXPULSOS DO TERRENO DE HOGWARTS E TODOS OS SEUS DESCENDENTES NAS PRÓXIMAS DEZ GERAÇÕES ESTARÃO BANIDOS.
Todos os presentes na sala ouviram aquelas palavras com o coração na mão. Aquilo era definitivamente algo que seria relembrado por gerações, e caso uma quinta casa fosse mesmo formada... Talvez a única pessoa que deixou transparecer levemente sua angustia foi a setimanista que apertava o ombro de sua irmã mais nova com um pouco mais de força que o normal.
"Vamos conseguir" pensou ela "não podemos deixar os terrenos de Hogwarts, não agora".
- PODENDO FAZER MÃO DE TODAS AS COMODIDADES DO COLÉGIO, ASSIM COMO O SEU ENSINO ESSES ESTUDANTES ESTÃO PROIBIDOS DE ENTRAR EM QUALQUER OUTRA CASA DURANTE ESTE PERIODO DE EXPERIENCIA, CORRENDO O RISCO DE SEREM EXPULSOS CASO SEJAM DESCOBERTOS. NÃO PODERÃO SENTAR EM QUALQUER UMA DAS QUATRO MESAS E TEM A PERMIÇÃO DE REORGANIZAR SEUS HORÁRIOS PARA ASSITIREM AS SUAS AULAS ASSIGNADAS COM AS CASAS QUE BEM ENTENDEREM. – com um longo suspiro cansado o chapéu se cala, mas não deixa de falar dentro da cabeça de Harry "
"A jornada que vai travar será longa e difícil. E os riscos serão tão grandes quanto a insegurança que muitas vezes dominará seu coração. Coragem em sua batalha eu lhe desejo e que a seu lado se juntem mais e mais companheiros confiáveis como os que hoje trouxe aqui, pequeno Potter."
Não ouvindo mais a voz em sua cabeça Harry se levanta do banco e ainda fazendo questão de segurar a peça de tecido antigo em suas mãos por mais algum tempo – como se esperasse ouvir mais algum conselho e dica – o moreno por fim acaba devolvendo para a diretora.
A mulher olhava o moreno da mesma forma especulativa como havia feito durante a ultima semana. Por segundos Harry pensou que a diretora não diria nada, mas antes que se retirasse ela fez um sinal para que ele se juntasse ao restante do grupo que os assistia.
Quando Harry estava novamente ao lado de seus amigos ela disse:
- Bem, minhas queridas crianças – Ao dizer isso ela arranca mais de um grunhido de desaprovação de alguns professores por serem incluídos ao "crianças" – As coisas durante o resto deste ano serão um pouco diferentes como deu para notar. Apesar de não ser algo oficial ainda, a casa Hardnet entrará na disputa das casas, logo, vocês poderão conceder e retirar pontos de seus integrantes – Minerva esperou alguns segundos como se esperasse que o que havia acabado de dizer fosse absorvido pelos presentes – Sr Hardnet – ela olha diretamente para Harry – As regras dessa... hm... tentativa são um pouco vagas, por isso deixam algumas brechas, entre elas está o fato de vocês serem livres para assistir as aulas que quiserem, o que por tabela os libera para assistir as aulas de cursos mais avançados. Isso só será valido durante o período de experiência de sua casa, no próximo ano, se forem aprovados os seus horários de estudos serão decididos pelo colégio assim como as de mais casas. E isso não lhe libera da prova que vou lhe aplicar em breve para definir o curso que deve oficialmente pertencer.
- Certo. – Harry concorda.
- E apesar de não ser dito claramente, o "numero ideal de protegidos" corresponde a 1/5 dos estudantes de Hogwarts, se ao final do ano letivo vocês não tiverem exatamente esse numero, ou mais terão que sofrer as conseqüências
Todos subentenderam "conseqüência" como: "expulsão"
- Diretora, eu tenho um dúvida – Xionara ergue a mão como se estivesse em uma sala de aula – Eu estou no sétimo ano, estou prestes a me formar. Quando o ano terminar e forem... bem... contar quantas pessoas entraram na casa do Chris, eu serei considerada?
- Boa pergunta – McGonagall diz antes de responder – Sim, você será considerada. Todas as pessoas que pertencem até o ultimo dia do ano letivo a casa Hardnet serão consideradas. – vendo que sua resposta satisfez a garota, Minerva resolveu abordar outro tema – Bom, agora vamos para a parte divertida – batendo as mãos descontraída ela se vira especialmente para os professores - ,esmo sendo uma casa experimental, e com temporariamente sete alunos, vamos precisar de um professor representante. Claro, os professores Sprout, Riddle, Flitwik e Firenze estão dispensados, por já serem responsáveis cada um por uma das quatro casa.
Aquilo pegou todos de surpresa, os professores restantes trocaram olhares desconfortáveis uns com os outros entre perguntas vagas para decidir quem poderia tomar a responsabilidade,
"Quanto amor" Harry pensa debochado revirando os olhos diante da hesitação dos professores "ora por favor, não briguem por mim... eu não mereço tanto"
Uma bufada irritada chama a atenção de todos.
- Eu poderrrr serr o rrresponsavel – Victor Krum ergue a mão ao dizer aquilo em seu estranho inglês para depois resmungar em russo, sendo entendido apenas por Harry "bando de covardes que não querem arriscar o próprio rabo. Não saberiam reconhecer o que é uma coragem genuína nem se ela mordesse as suas..." o final do que ele disse Harry preferiu não traduzir.
- Muito bom, as coisas estão correndo mais rápido do que esperava – Minerva parecia não perder seu bom humor – Para encerrar, eu autorizo que por essa noite entrem em suas respectivas antigas casas apenas para que peguem seus pertences. E também autorizo que escolham qualquer canto de Hogwarts para que seja seu novo lar, desde que ninguém já o esteja utilizando.
Assentindo com a cabeça, Harry se encaminha para a porta seguido por seus amigos. Um pouco depois de saírem, os professores também saíram um a um.
Alguns pareciam neutros.
Outros sorriam e desejavam boa sorte.
E outros...
- Um dia nunca é igual ao outro quando se tem por perto o nosso texugo maravilha – Harry sente seu corpo ser jogado para frente quando dois corpos mais altos se escoram sobre seus ombros. Fred a sua direta era o que falava – você parece uma caixinha de surpresa.
- Digo mais – do outro lado Jorge complementa o que o irmão diz – um engradado inteiro de surpresa.
- Sinto lembrá-los rapazes – Harry se livra dos "pesos extras e se vira para eles" e sorri de lado – mas eu não sou mais um texugo.
Sempre sendo acompanhados pelos outros seis integrantes da casa Hardnet, Harry e os profssores seguiram em direção as escadas.
- Não nos lembre – Jorge leva a mão a testa em meio a uma pose dramática – não sabe o dano emocional que a perda desse apelido nos causou.
- Por isso mesmo recomendo que escolha logo o animal que vai representar a sua casa e nos ajude a recompor os caquinhos de nossa felicidade.
- Acho que tenho bem mais com o que me preocupar.
- Nós... nós sentimos muito Chris – Fred diz sem jeito – na hora em que a diretora perguntou quem poderia ser o seu professor responsável nós nem nos oferecemos.
- Mas esse lance de professor é nova para nós – Jorge emenda – e temos algumas coisas para resolver, nossa vida está uma bagunça.
- Hey! – Harry ergue os braços os fazendo parar – calma, eu não me senti mal por vocês não se oferecerem como professores responsáveis, na verdade – o moreno simula uma expressão de alivio – eu me sinto até um pouco aliviado, ter professores como vocês atrás de mim seria um inferno, ouvi falar que vocês conhecem cada canto de Hogwarts.
- Pode apostar os dedos de sua mão nisso – respondem os dois inflando de orgulho.
- Certo, eu me livrei de uma boa.
Com um clima melhor entre eles, os gêmeos se afastam.
Antes que pudesse dizer qualquer outra coisa para seus amigos, Harry sente que novamente tocam em seu ombro.
Logo ao seu lado estava Firenze.
Aquilo no mínimo surpreendeu o moreno, já que durante toda a semana teve a impressão que o centauro o estava evitando.
- Noite longa, não acha Guerreiro de Marte?
- Nem me fala – Harry responde ainda um pouco confuso – Sinto que devo te agradecer, mais uma vez você salvou minha pele.
- Não fiz nada – Firenze responde com sinceridade.
- Se não tivesse intervindo esta noite, a essa hora já estaria arrumando minhas malas.
- Não fiz nada que as estrelas já não tivessem previsto que aconteceria. – retirando a mão do ombro de Harry, ele abaixa um pouco a cabeça e fala confidente – venha me encontrar em meus aposentos quando der onze horas, creio que tem muitas perguntas o assombrando.
- E você poderá responde-las? – Harry guardava em sua voz um tom de descrença
- Responderei tudo o que for conveniente. – fecha os olhos com pesar já medindo as palavras que teria que dizer mais tarde
- Conveniente? – estreita os olhos desconfiado - Para mim ou para você?
- Para o mundo em que vivemos.
Sem mais o que dizer o professor vai embora.
- O que foi isso exatamente? – Neville foi o primeiro a não conseguir se conter.
Harry olha para seus amigos que pareciam esperar uma explicação.
Não queria mais mentir
Não queria mais omitir.
Seus segredos estavam se tornado grandes de mais para serem só seus.
- Algo complicado, mas que com calma acho que posso explicar – sua expressão se suavizou e indicando com a cabeça diz silenciosamente para que seus amigos o seguissem. – Mas antes acho que já está na hora de irmos para nossa sala comunal.
- Ah... querido, eu não sei em que você reunião esteve recentemente – Hooch, apesar do deboche parecia tão tensa quanto os outros – mas na que EU estive foi deixado bem claro que não temos uma casa comunal.
- Legal – Fenrir ri entre dentes – ao menos experiência como sem teto eu já tenho.
- Que tipo de criatura é um sem teto? – Luna pergunta enquanto acompanha como os olhos o vôo de uma mosca próxima a ela.
- Uma que sente muito frio – Severus grunhi mal humorado diante da leviandade com que seus amigos levavam o assunto
- Não seremos sem tetos – Harry afirma ainda sereno – eu conheço o lugar perfeito para ser nossa "sala Comunal provisória"
- Aonde? – Mais uma vez Neville verbalizou a pergunta de todos
- Já disse, sigam-me, primeiro iremos por nossas coisas, logo depois os apresentarei ao seu novo lar.
Harry depois disso se calou
Estava se preparando para não apenas revelar mais um de seus tantos segredos, mas também organizando sua mente para o que seria uma longa e esclarecedora noite.
"Só espero não me arrepender".
Mas antes, havia algo que tinha que definir.
--- FVQP ---
A primeira parada deles iria ser em Slytherin, dando a entender de que os estava acompanhando, Harry aproveitou que seus amigos estavam distraídos conversando entre si para ficar para trás.
Não demoraria para eles notarem sua ausência, por isso tinha que ser rápido.
- Draco - murmurou - eu sei que você está por aqui. Eu sinto.
Como em resposta, Draco fica visível na frente de Harry.
- Desde quando sabia que eu estava por perto?
- Desde que deixamos o grande salão, você entrou juntos com os garotos, não foi?
- Foi. – o loiro franze o cenho – mas como soube?
-Recebi uma dica – Harry sorri de lado, erguendo uma de suas mãos e quando moveu seus dedos uma pequena descarga elétrica brilhou entre eles.
Tentando ser o mais resumido possível, o moreno explica que não apenas sua magia havia voltado, como parecia mais forte. Ela pulsava por todo o seu corpo, e que graças a ela também conseguia sentir a magia das pessoas ao seu redor, incluindo o loiro incorpóreo.
- E foi você que os acordou, não foi? – Harry perguntou ao terminar sua breve explicação.
- Apenas eles podiam impedir a loucura que estava prestes a fazer.
- Sim, como se criar uma nova casa fosse uma alternativa mais sã... – ri entre dentes – mas acho que devo agradecer.
- Pode apostar que sim! – Draco coloca as mãos na cintura irritado – E aproveite para me explicar que papo é esse de dizer para todo mundo que é um aborto? Caramba Harry, eu entenderia que dissesse isso quando não tinha podres, mas agora que os recuperou?
- O melhor ataque é aquele que pega seu adversário de surpresa - dá entre ombros - só pensei em deixar as coisas mais interessantes por algum tempo.
- Um dos magos vivos mais poderosos dos últimos tempos diz que é um aborto... Não sei o que você está planejando, mas eu já sinto pena deles.
Os dois riram, mas sabiam que as coisas entre eles não estava bem. E demonstrando isso Harry dá inicio a uma conversa que ambos estavam evitando nos últimos dias.
Aquele dia havia sido tão tenso e confuso, e o que principalmente piorou tudo foi a constante ausência de Draco.
E ele sabia que aquelas palavras poderiam...
Poderiam significar o fim.
Mas mesmo assim precisava saber...
- Você vai ficar ao meu lado, não vai?
Tell me how I'm supposed to breathe with no air (air)
Ooh..
Me diga como eu deveria respirar sem ar (ar)
Ooh...
Draco engole em seco, mas tenta soar seguro ao responder.
- Ora Harry, eu já não havia respondido? – abaixa os olhos inconscientemente – Claro que...
- Não responda apenas o que eu quero ouvir – Harry o interrompe com tristeza – nem responda apenas o que você gostaria de dizer. Apenas me diga a verdade, você vai ficar ao meu lado?
Aquilo não era um ultimato.
Harry rezava para que Draco não entendesse aquilo como um ultimato.
If I should die before I wake
It's 'cause you took my breath away
Losing you is like living in a world with no air
Oh..
Se eu devo morrer antes de acordar
Isso vai ser porque você levou minha respiração embora
Estar perdendo você é como estar vivendo em um mundo sem ar
Oh...
- Harry...
- Não apenas enquanto estou me adaptando a esse mundo – sabendo que talvez não conseguisse dizer o que tinha que ser dito, Harry o interrompe para poder tirar de seu peito aquilo que o feria tanto – mas depois, quando você criar um corpo físico, você vai ficar ao meu lado?
Mesmo que Draco dissesse que não QUERIA ficar com ele, não dispensaria o pouco tempo que pudesse desfrutar com ele.
Fossem dias...
Horas...
Minutos...
Todo o tempo que pudesse passar com Draco seria precioso.
Mas...
I'm here alone
Didn't want to leave
My heart won't move, it's incomplete
Wish there was a way that I can make you understand
Eu estou aqui sozinho
Não quero partir
Meu coração não se moverá, está incompleto
Desejo que haja um jeito para que eu possa fazer você entender
- Harry, eu...
- Por que eu quero, eu quero que fique do meu lado, mas não basta uma pessoa querer, as vezes não basta nem mesmo as duas pessoas quererem.
Mas Precisava saber.
Mesmo que a resposta não lhe agradasse, precisava saber se algum dia por mais que esperasse não veria a face do loiro.
But how do you expect me
To live alone with just me
'Cause my world revolves around you
It's so hard for me to breathe
Mas como você espera
Que eu viva sozinho?
Porque meu mundo gira ao seu redor
É tão difícil para eu respirar
- Entenda, eu...
- Você pode Draco? Pode dizer que haja o que haja você no final poderá ficar ao meu lado?
Tell me how I'm supposed to breathe with no air
Can't live, can't breathe with no air
Me diga como eu deveria respirar sem ar
Não posso viver, não posso respirar sem ar
Draco fecha os olhos com dor, e balança levemente a cabeça. Ao abri-los se viu ainda diante do rosto cheio de expectativa de Harry.
- Eu quero... – Draco diz baixinho em um triste murmuro – eu quero tanto...
That's how I feel whenever you ain't there
It's no air, no air
É assim como eu me sinto quando você não está aqui
Sem ar, sem ar
Erguendo seu braço ele tenta tocar o rosto do moreno com os dedos.
- Tanto... tanto que até dói. – Era como se ele sangrasse por suas palavras
Got me out here in the water, so deep
Tell me how you gon' be without me
Tenho vontade de me afogar, tão fundo
Me diga, como você vai ficar sem mim?
Mas como era de se esperar sua mão transpassa a cabeça de Harry.
- Mas não posso... e com a expressão mais desiludida, o loiro desaparece bem diante dos olhos de Harry.
If you ain't here, I just can't breathe
It's no air, no air
Se você não está aqui, eu apenas não posso respirar
Estou sem ar, sem ar...
- Era o que eu pensava... – Harry, ao sentir as lágrimas começando a cair de seus olhos os esfrega displicente. – Era o que eu... temia...
As suas costas, Severus que havia voltado ao perceber a ausência do moreno – e que não havia chegado a tempo de ouvir Harry falando sozinho – bota a mão no pulso do moreno.
- Como você havia sumido eu vim atrás de vo... você está chorando?
Harry olha para seu lado e tenta simular um sorriso, mas não consegue. E foi sentindo os dedos que prendiam seu pulso – tão quentes e acolhedores, bem diferentes do imenso vazio que atravessou seu rosto segundos atrás – que ele conseguiu por fim sorrir de forma mais autentica.
- Não se preocupe. – murmurou.
- Você está bem Chris? – apesar de não ser bom nesse tipo de coisa Severus tentou ao máximo soar preocupado, apesar de seu tom alentador soar mais como um grasnado.
- Nesse momento não – erguendo sua mão, Harry desliza o pulso por entre os dedos carinhosos de Severus e virando um pouco o punho segura a mão que tentava confortá-lo e a aperta forte – mas vou ficar.
--- FVQP ---
O dia havia sido longo.
Desde que se tornara enfermeira naquele castelo nunca havia trabalhado tanto.
Mas finalmente as coisas estavam se acalmando. Não apenas devido aos tantos e tantos feridos que já haviam sido tratados e encaminhados para suas casas (e no caso dos refugiados: abrigos). Mas por que o dia estava acabando e logo teria a tão esperada resposta do loiro.
"Você quer ter mais uma chance com ele?" Haviam sido essas as palavras que Rowena utilizara.
- Mais uma chance - Ela sussurra sentindo as palavras dançarem de forma amarga em sua língua - como eu adoraria ter tido uma segunda chance.
Mas era bobagem pensar nisso, pois diferente do loiro, mesmo que ela tivesse uma segunda chance nada mudaria.
"O meu caso e o dele são totalmente diferentes."
Sentada em sua cadeira na recepção a fundadora da casa das águias sentiu um deslocamento anômalo dentro do terreno do castelo.
"Aí vem ele" Sorri enquanto pensa debochada.
Logo em seguida o jovem Malfoy aparece em sua frente, ele estava mais pálido do que o normal, tão assustado, tão desolado...
- Eu senti como se minha garganta se fechasse - ele disse tão sério que até Rowena deixou de sorrir - Foi assustador, eu quis tanto responder, parecia simples, mas mesmo assim não consegui. Não consegui dizer que ficaria do lado dele.
- Compreendo - Foi tudo que ela pode responder.
- Mas eu quero!!! - Draco aperta os punhos - não consigo prometer, mas eu quero.
A face cheia de expectativa de Harry.
Aquele olhar que implorava por uma resposta.
Aquela pele que queria tocar.
Um amor que com loucura queria demonstrar de forma física.
Mas se fizesse...
Flash back
Cercado por livros e pergaminhos, Draco achava que nem mesmo quando havia sido estudante de Hogwarts tinha passado tanto tempo na biblioteca.
Com o fim da guerra, o mundo mágico havia se tornado um gigante salão de festas, mas ele, uma das duas ultimas duas pessoas sobreviventes responsáveis por toda aquela felicidade, não conseguia nem ao menos cogitar se deixar envolver por aquela alegria quase histérica.
- Hipócritas – resmunga o loiro enquanto folheava o milésimo... milionésimo... ou sabe-se lá que "ésimo" livro – Enquanto ficam pulando que nem pipocas na rua mal devem pensar no cara que sacrificou tudo por eles.
Tudo bem, concluiu a serpente, enquanto ele pensasse em Harry tudo ficaria bem.
"Não, acho que nem assim fica tudo bem"
Harry estava cada vez mais afundado em uma melancólica auto-piedade. Por isso faz três dias que Malfoy não deixava aquela biblioteca.
Apenas por aquele motivo.
Achar um jeito de "reviver" Harry.
Mas a sorte não estava do seu lado, nenhuma das opções que achara até agora parecia eficaz o suficiente.
Bem, quase todas.
A dois dias atrás ele havia encontrado um livro escrito pela própria Rowena Ravenclaw, dentro dele havia um conjuro que de longe parecia ser o melhor jeito de solucionar o problema de Harry.
Mas o preço que ele cobrava em troca...
Ainda com um dos tantos livros que folheava inutilmente nas mãos, Draco lança um olhar desolado para um livro que estava mais afastado dos outros que o rodeava.
O livro de Ravenclaw.
- Um preço tão justo quanto cruel – murmura enquanto estica para alcançá-lo – O que essa mulher tinha na cabeça quando criou algo assim?
Com ele novamente nas mãos, o slytherin o abre e volta a folheá-lo até a pagina que procurava. Re-lê pela quinta ou sexta vez o feitiço e principalmente as anotações da fundadora.
- Não sei o que ela tinha na cabeça – resmunga enquanto mais uma vez o fecha frustrado – mas com certeza sei o que ele tinha no peito: um coração partido.
Apenas um coração partido seria capaz de criar algo assim.
Criar algo em que como preço tomasse aquilo que era mais importante para uma pessoa apaixonada, sendo correspondida ou não.
Sua existência na vida de quem ama.
No momento que tocasse pela primeira vez Harry quando finalmente o moreno se vinculasse completamente com o novo mundo, toda e qualquer lembrança que o moreno tivesse de Draco seria modificada para que o loiro fosse completamente apagado.
Para Harry não seria um preço alto, nenhum preço é alto quando não se percebe que está pagando. Apenas Draco sentiria o peso de sua escolha ao fitar os olhos vazios de reconhecimento do moreno.
"Serei apagado" Draco remoe com pesar "Se fizer isso serei apagado da mente de Harry, tudo o que passamos... tudo"
Por isso o receio.
Por isso a hesitação.
Sabia que era a melhor escolha para Harry, ele sabia...
Quando todo aquele terror que foi a guerra contra Voldemort acabou, Draco pensou que ele poderia ser o suficiente para reerguer Harry.
Mas não era.
E era talvez aquilo o que mais doía.
"Não posso mais enrolar" pensa olhando dos tantos e tantos livros espalhados na mesa para o livro de Ravenclaw "sei que não acharei nada melhor do que isso, a decisão agora é se vou ou não usá-lo"
Decidido, o loiro nem se deu ao trabalho de organizar os livros que havia espalhado, pegou o livro de Ravenclaw e deixou a biblioteca de Hogwarts.
Iria passar em sua mansão, analisaria esse feitiço com mais cuidado, e depois que juntasse tudo que fosse necessário iria atrás de Harry.
Só então tomaria uma decisão definitiva.
Fim do Flash back
Duas noites depois, Draco foi ao encontro de Harry, em Largo Grimmauld. E mais uma vez ao ver que apenas sua presença não seria o suficiente para ajudar seu amado, não hesitou mais.
Fez sua escolha.
Mesmo sabendo das conseqüências, fez sua escolha.
Mas agora... Agora que parecia que tudo estava tão bem encaminhado, se arrependeu.
"Não quero que ele me esqueça"
Se agarrava a essas palavras como um verdadeiro naufrago.
"Não quero que me olhe como se fosse um estranho"
Seus desejos frustrados o sufocavam cada vez que tinha que presenciar a recém-adquirida felicidade de Harry.
"Não quero voltar a ser um estranho"
Cada vez que via seu moreno dividindo lagrimas e sorrisos com outras pessoas por dentro se sentia como um suicida, que ao cortar os próprios pulsos se arrepende no ultimo segundo e reza para que a sua ultima gota de seu sangue não caia.
"Não para você Harry, diga que nunca serei um estranho para você"
- Como disse antes, o preço que terá de pagar não poderá ser mudado, mas no seu caso, apenas no seu caso, ainda há uma esperança.
- Mas como?
Sorrindo de orelha a orelha a mulher responde.
- Aceite minha proposta e eu te mostro como.
Não precisou muito para Draco saber o que responder.
Bastou se lembrar das palavras ditas por seu amado minutos atrás.
" Você pode Draco? Pode dizer que haja o que houver você no final poderá ficar ao meu lado?"
- Eu aceito
--- FVQP ---
Depois de passar pela casa de cada um para pegar seus baús, Harry os guiou até aonde seria o novo lar temporário deles.
A sala precisa.
Com paciência eles esperaram enquanto o moreno andava três vezes na frente daquela misteriosa sala, enquanto ele mentalizava:
"Eu quero um grande quarto com acomodações para todos nós e que só possa entrar aqueles que de coração querem pertencer a minha nova casa."
Quando a porta se abriu, eles estavam diante deu um quarto que deveria ser três vezes maior do que qualquer um em Hogwarts. Ele era iluminado por vários candelabros e em um dos cantos havia uma lareira cercada por sete poltronas.
Tinha de tudo por lá, tapetes, uma mesa longa de madeira com sete cadeiras... Era uma espécie de mistura de quarto com sala comum.
Havia também duas portas que davam para dois banheiros, aparentemente um seria o masculino e o outro o feminino.
No caminho Harry havia explicado mais ou menos como funcionava aquela pratica sala, mas ainda assim um ou outro estava meio cético.
Por isso, foi com um pouco de expectativa que esperou a primeira reação de seus amigos.
E com certeza não se decepcionou.
- A CAMA PERTO DA JANELA É MINHA!!! – Hooch sai correndo antes que alguém pudesse falar qualquer coisa.
Pego de surpresa, Fenrir demorou um pouco para reagir, mas quando caiu a ficha saiu correndo logo atrás da garota.
- Nem em sonho, cabeça de esfregão, lupinos tem preferência a janela!!!
Um pouco descrentes os de mais assistem como dois dos estudantes mais velhos se engalfiavam em uma briga de mentirinha a uma curta distancia do macio troféu (a bendita cama próxima a janela).
- Aqui parece ser um bom lugar – Neville diz ao lado de Harry, enquanto ambos observam ainda da porta os outros se acomodarem em cada cama – mas se realmente pensa em formar uma casa vai precisar de mais espaço.
- Espaço não é problema – responde Harry contendo o riso ao assistir como Severus passa bem ao lado da "briga entre albinos" e colocando suas coisas em baixo da cama disputada senta nela e cruza os braços como se dissesse "quero ver quem vai ser a alma corajosa que vai me tirar daqui" – essa sala pode se modificar quantas vezes a gente quiser. Mas de fato não podemos ficar muito tempo por aqui, não é totalmente seguro.
Na mente do moreno veio a lembrança de seu quinto ano na antiga Hogwarts, e de como Draco e a Brigada inquisitorial invadiram sua reunião do AD.
"Outra vez Draco?" Harry franze o cenho frustrado e um pouco triste "Está na hora de mudar de disco."
- De qualquer forma – Harry continua – ficaremos por aqui até encontrarmos um lugar definitivo.
- Bem, você é o fundador – Graceja Neville indo na direção de uma das duas ultimas camas livres.
- É – concorda Harry baixinho com a garganta embargada – Eu sou.
Depois que cada um escolheu sua cama, Harry pediu que o acompanhassem até a lareira, ele precisava contar algo importante para eles.
Algo muito importante.
Olhando seus rostos, iluminados pela luz bruxuleante da lareira, Harry escolheu ficar de pé, andando de um lado para o outro na frente deles, buscando em seu interior as palavras certas, mas todas pareciam tão incompletas e falhas.
Como deveria começar?
Por onde?
Deveria falar sobre seu mundo?
O que era relevante?
O que não era?
Foi então que percebeu por onde devia começar, já havia contado tantas mentiras e meias verdades, então, antes de começar a tricotar uma explicação, o melhor era desenroscar o novelo.
- Eu sei que devem estar cansados – Harry encolhe os ombros com vergonha – tiveram um dia cansativo e bizarro, e peço desculpas por isso...
- Harry, nós já falamos…
-Deixe-me terminar Neville – Harry retoma a palavra – Talvez o que eu vou contar agora já devesse ter contado antes, mas eu ainda estava me adaptando a tudo e... – percebendo que estava perdendo o fio da meada ele respira fundo e continua – vocês fizeram uma escolha precipitada, e agora estão em uma situação no mínimo difícil, a escolha foi feita por vocês mesmos, e agradeço por escolherem me acompanha nessa empreitada maluca. – os lança um olhar carinhoso prontamente correspondido por todos – Vocês não são idiotas, sabem que estão arriscando seus futuros, e talvez até mesmos suas segurança. Para retribuir, vou dividir com vocês algumas coisas que talvez mais cedo ou mais tarde vocês ficariam sabendo, mas que para as suas seguranças é melhor que saibam agora – fechando os olhos Harry pensa "Ok, lá vai" – Eu contei muitas mentiras para vocês, e agora para poder começar contar a verdade tenho que desmentir algumas coisas que disse.
Nesse ponto mais ninguém tentou interromper Harry, não pareciam zangados pelas provaveis mentiras que o amigo diz ter dito, muitos deles também não estavam sendo totalmente sinceros.
Dando as costas para seus companheiros, temendo ver suas reações, Harry inspira, espira e depois de contar até cinco, solta tudo de uma vez:
- Meu nome verdadeiro não é Christopher Hardnet.
Seu nome... seu novo nome... era uma mentira
- Eu... eu não sou um aborto.
Seu potencial, tudo o que um dia aprendeu... o havia renegado em nome de uma mentira
- Eu não tenho 15 anos.
Uma mentira... ele era uma mentira.
- E... e eu não pertenço a essa dimensão.
Uma mentira que estava sendo aos poucos revelada.
E depois de juntar toda a coragem de seu corpo, ele se prepara psicologicamente para o que pudesse vir...
... E se vira.
FIM DA SEGUNDA FASE
--- FVQP ---
Caraca, que capitulo longo, esse teve mais de 80 páginas. Sei que muitos de vocês gostam, mas cansa. A próxima fase será formada por capítulos mais curtos, a passagem de tempo vai ser maior e terá um número bem maior de capítulos, isso vai ajudar na fluidez do enredo e também vai facilitar na hora da atualização.
Outra mudança será que não vai ter mais aquele pensamento de um personagem no inicio do capitulo, esse elemento foi usado apenas para ilustrar um pouco os sentimentos dos amigos do Harry. Esse último por exemplo foi o da Luna. Ai, eu amo essa loirinha, eu me sinto tão feliz de escrever as falas dela, por que ela é uma pessoa TÃO avoada e ao mesmo tempo madura, sem falar do estranho otimismo que ela esbanja. É estranho, geralmente quando eu gosto de um personagem eu costumo maltratá-lo até dizer chega, mas no caso da Luna ela é a única integrante do "clube do picnic" que não tem um passado trágico.
Quem sentiu pena do Harry levanta a mão. Pois é, o moreno não sofreu um cortizinho sequer nesse capitulo, mas mesmo assim comeu o pão que a Umbridge... quero dizer, o pão que o diabo pisou, tanto, que até mesmo despertou os seus poderes antes da hora. Essa era minha intenção nessa fase, mostrar que podem fazer o que for contra ele, que nosso ex-techugo maravilha pode suportar até certo ponto, mas basta tocar nos amigos dele... E acima de tudo, Harry tinha que ver que não estava sozinho, que as pessoas ao seu redor podem se ferir, mas a escolha de permanecer ao seu lado não pertence a ele, mas a elas.
Agora quem sentiu pena do Draco? Ai ai, esse loiro está me dando trabalho, eu tento de todas as formas afastá-lo pouco a pouco do Harry, mas quanto mais eu mino o relacionamento deles mais ele me soa determinado a abrir mão do moreno, sabem? Como se dentro de minha cabeça eu visse ele acorrentado ao Harry gritando "Daqui não saio, daqui ninguém me tira!"
Se alguém estiver se perguntando, a musica que coloquei na cena de Harry conversando com Draco é a "No air" de Chris Brown, eu ouvi ela pela primeira vez em Glee na Fox, e achei que encaixava tão bem para esse casal. T.T
Falando em Loiros... Quem tem medo do Dumbledore? Brrrr, é sério, eu que estou escrevendo a história e estou me borrando de medo desse cara. Esperem grandes coisas desse rapaz, terríveis, mas grandes (imitando o Olivander)
He He, quem gostou do Harry de "enfermeira"? Acho que vou até desenhar um chiby dele com esse modelito, o avental e a tiara foram tirados da imagem que fiz da enfermeira a algum tempo atrás.
Uma nova casa!!! E o Harry é o fundador!!! Esse novo desafio do Harry era uma das primeiras idéias que tive para esse universo alternativo, ele terá que convencer 1/5 dos alunos a se unir a ele, se não...
Claro, não podemos esquecer da "grande revelação", eu sei que foi sacanagem encerrar o capitulo naquela parte, mas queria deixar o suspense no ar . Qual reação vocês acham que ao amigos de Harry terão?
E...
Draco: Parou, parou, qual é a sua, escritora fajuta? Vai gastar todo o resto do capitulo comentando coisas que eles acabaram de ler?
Luana: Desculpa loiro, é que me empolguei, o capitulo foi tão longo que me deu muito o que comentar.
Severus: Admita, você não passa de uma tagarela.
Luana: ninguém me aprecia T.T
Fenrir: Eu sim – abraça.
Draco: Hey! Pode ir tirando a mão – puxa de novo para fora dos braços do lobo – você só quer influenciar essa cabeça de amendoim para aumentar sua participação na fic.
Severus: Não se preocupe Draco, antes de ser manipulada podemos tomar algumas providencias – ergue a varinha na direção da autora.
Luana: Será que haverá algum capitulo em que minha integridade física não seja ameaçada?
Draco: Mas afinal, o que você está fazendo por aqui? – pergunta para o lobo – Não me diga que essa autora fajuta o chamou?:
Luana: Quem? Eu? Eu não chamei ninguém, já sofro o bastante com as cobras que já tenho que aturar por aqui.
Fenrir: Ah, mas alguém me chamou sim.
Seveurs: Quem?
Fenrir: Uma leitora.
Seveurs: De novo?
Fenrir: Fazer o que? Bom gosto não se discute (pisca)
Draco: Ok, então vamos responder logo esses reviews e acabar com essa palhaçada.
Resposta dos reviews dos capítulos 12 e 13:
– Sim, aparentemente Potter ao retornar aos 15 anos regrediu também muita coisa de seu lado psicológico, ele pensa de forma adulta mas sofre como alguém daquela idade, algo bem confuso.
Hm... você TAMBEM é fã do Greyback? Nesse ritmo ele acabará virando o personagem principal ¬.¬
Espero que esteja satisfeita com esse capitulo, e que continue nos acompanhando.
Polidamente, Severus Snape.
Sasami-kun – Não precisa se angustiar mais, depois de uma longa espera essa escritora fajuta finalmente deu o ara da graça. Esperamos que esteja feliz, e que continue nos acompanhando
Um estranhamente simpático, Draco Malfoy
vrriacho - Infelizmente, apesar da resposta correta, devo dizer que alguém respondeu corretamente antes de você, mais sorte na próxima.
Er... Clima?(vermelhíssimo)
Creio não saber do que está falando, eu... bem...
Muitas coisas foram reveladas nesse capitulo, mas a verdadeira ambição de Dumbledore ainda vai demorar um pouco para ser respondida. Mas vendo a frieza com que ele agiu nesse capitulo, não podemos esperar nada de bom.
Desconfiadamente, Severus Snape
Amdlara - Nossa, que muggle curiosa, vejamos, vamos por partes: 1º - A fic será muuuito longa, por isso a autora preferiu colocar aos poucos os personagens da trama original em cena, Lily, Hermione e os de mais vão aparecer em seus devidos tempos. 2º Os poderes de Harry voltaram nesse mesmo capitulo que acabou de acabar 3º - Tanto quem é o pássaro, quanto o meu... er... aparente destino também foram revelados nesse capítulo. 4º - Se essa autora tiver um pingo de bom gosto E AMOR A VIDA o Harry terminará comigo.
Um a beira de um ataque de nervos, Draco Malfoy
Simca - Como pode ver, a animaga era Rowena que apesar de ser uma das fundadoras tem provado ser uma figura ligeiramente excêntrica. A autora agradece pela liberdade que deu a ela, apesar de que aquele cérebro desprivilegiado funcionar melhor sob pressão, mesmo assim ela promete fazer o seu melhor. E não se preocupe, contarei a meu afilhado sobre sua comparação independente do motivo, Draco adora ouvir que é adorado.
O que? Você espera que Draco termine junto com o Ha... Potter? Humpf, pode deixar, passarei seu recado para meu afilhado (cruza os braços contrariado).
Estranhamente fazendo birra, Severus Snape.
Taína - Hey! Segure seu coração mais um pouquinho, por que essa fase acabou, mas a próxima promete muuuito mais emoções. Respire fundo e vamos lá!
De fato, devo pedir que poupe suas belas unhas, não apenas por questão de higiene, mas Por que mulheres de unhas bem cuidadas sempre me pareceram muito atraentes (piscadela fatal)
Bom, tudo o que posso dizer é que de fato essa autora fajuta mais embola a própria história do que esclarece, apesar de que nesse capitulo houve algumas revelações bem razoáveis.
Luana sente que a derrota de Harry tenha te desagradado, mas era necessário, mas não se preocupe, nessa nova fase haverá novos duelos e batalhas, e como pode notar o MEU moreno está com tudo.
É, não sei como é sua mira no tal interclasse, mas desta vez não apenas você acertou em cheio como foi a primeira, parabéns.
Um orgulhosíssimo do moreno DELE, Draco Malfoy.
Lady T. - Cara leitora.
Saiba que a escritora desta fic ficou muito feliz que apesar das longas esperas que teve que aturar você não desistiu de acompanhar essa história. O maxilar da tola autora quase destroncou de tanto sorrir ao se inteirar do fato.
Quanto aos mistérios que pediu que fossem desvendados, espero que esteja contente que ao menos um foi solucionado. Já no que diz respeito a Voldemort, o lorde das trevas vai demorar a entrar em cena no momento, o vilão da vez é Dumbledore.
Hum... respeito sua opinião, e lhes adianto que nem a autora sabe com quem Harry irá terminar. E acrescento que talvez seja de seu desagrado, mas agarrarei todas as oportunidades de ter meu Happy End com o Potter (olhar desafiador)
Mais uma vez a autora agradece os elogios e devo dizer que ficou vermelha como um tomate, tsc, patético, ela até mesmo perdeu a compostura e começou a dançar no meio da lan-house.
Um muitíssimo envergonhado da autora que tem, Severus Snape.
Freya Jones - EU TE AMO – Fenrir agarra Freya Jones – Valeu valeu, valeu, valeu. Eu sei que você não me chamou especialmente em seu review, mas como deixou em aberto entre eu, Severus ou Draco eu me aproveitei da brecha (sorriso travesso) Bem, vamos ao seu review.
Os últimos reviews respondidos foram os dos capítulos 10 e 11, por isso o seu ainda não havia sido respondido. Logo, não se mate, por favor, se viver farei sua vida valer a pena (pisca sugestivamente)
Seja bem vinda, Srta Jones (fazendo reverencia) pelo que entendi você se sente atraída por um bom mistério, ótimo, essa é uma das poucas coisas boas que essa autora fajuta sabe fazer, então sinta-se livre para aproveitar e se quiser, tecer suas próprias teorias.
Veja bem, os únicos personagens que OBRIGATÓRIAMENTE vão aparecer na fic são os do quinto livro para baixo (a autora detestou os dois últimos livros) do sexto e do sétimo só vão aparecer quem ela achar conveniente. Mas já que você se deu ao trabalho de explicar quem é essa personagem, a Luana prometeu dar uma relida no sexto livro e colocar a Lianne na fic, só tenha um pouco de paciência(e fique ciente que ela poderá ser ligeiramente alterada para se encaixar no enredo)
Sim, sim, o duelo foi incrível, e quanto as suas sugestões, continue, continue (anotando em quanto sofre de hemorragia nasal também) acho que vou desafiar o Remus para um duelo qualquer dia desses(tenta deter a hemorragia com um lenço) apenas pelo prazer do esporte, saca?
A SIBY VAI MORRER??!! (olhos arregalados) Mesmo? (lê apressadamente o roteiro da fic) Wow, é verdade, ela previu que o Chris vai matá-la, cara, essa autora é má mesmo ò.ó
Infelizmente apesar da resposta estar correta, alguém já acertou antes, melhor sorte na próxima.
Hm... Esse lance do Sirius só vai ser revelado na próxima fase, mas se te faz feliz, tudo bem, eu digo: A PESSOA QUE SIRIUS BLACK AMA É VOCÊ!!!
Feliz por poder responder um review, Fenrir Greyback.
Natalia – Congratulações por conseguir nos brindar com seu review, a autora agradece pelos elogios e diz que como prêmio por ter fazer rir com suas fics, ela recebe um mar de felicidade ao ler reviews empolgados como o seu, pfth(bufa) definitivamente essa autora tem espírito de Hufflepuff.
Srta. Natália, eu sinto dizer que as atualizações da senhorita Rosette terão que ser mais lentas que o normal, e que até ela arranje um emprego e compre um computador a única fic que ela poderá atualizar é essa que você acaba de ler.
Não se preocupe, alguém tão bizarra como a Srta. Rosette dificilmente se assusta.
Atenciosamente Severus Snape.
Lilith Potter Malfoy - AAAAAH!!! Cruzes, você me assustou (com as mãos a altura do coração) não sabia que muggles tinham acesso a capas de invisibilidade (olhar de interesse)
Hei, hei, hei! Não vire a casaca tão fácil, continue torcendo por mim (fazendo biquinho)
Mais uma fã do lobo sarnento (fazendo birra) definitivamente vou ter uma conversinha com essa autora, ela está dando destaque de mais para esse pulguento.
Se tiver qualquer teoria sobre a identidade de Voldemort, pode dizer, apesar de já ter definido o novo lorde das trevas, a autora adora ouvir as opiniões dos outros e ver se estão quentes ou frios.
Não dê idéias, não dê idéias!!! Não basta virar a casaca, agora ainda incentiva essa autora fajuta a jogar o MEU Harry nos braços de meu padrinho, ou pior, nos braços daquele lobo libidinoso.
He He, no fim era a Ravenclaw mesmo, Luana sabia que chamá-la de Raven seria uma pista descarada, por isso tentou usar o menos possível o nome da enfermeira até o capitulo anterior ao que seria revelado a sua identidade.
Bom, Harry já conseguiu seus poderes de volta, apesar de ter em mente algumas vinganças, acho que ele vai preferir tomar caminhos mais sutis, apesar de que quase incinerar todo mundo não foi um dos momentos mais sutis do MEU Harry.
Realmente, se eu fosse você não confiaria nesse loiro oxigenado, e quanto ao probleminha que ele tinha ... Acho que ele nunca mais vai ter que se preocupar com a Dólares "cara de sapo" Umbridge.
Os dois leões estão tão envergonhados que ainda não sabem como "chegar" no Harry, e eu acho bem feito, mas como sei que Harry não vai querer ficar muito tempo longe do pai e do padrinho, logo, logo eles se reconciliam.
Um ligeiramente frustrado Draco Malfoy.
2Dobbys - Infelizmente, apesar de responder corretamente, alguém já acertou antes de você, mais sorte na próxima.
Não tive a chance de curá-lo, mas da próxima vez talvez se eu for mais rápido... digo... (tosse para disfarça) se for necessário nunca negaria assistência ao senhor Potter(vermelho)
Gostou do duelo? Eu não sei... eu ainda acho que não foi uma vitoria conclusiva, talvez tenhamos que tentar de novo e... (mais vermelho ainda)
O destino de Draco já foi revelado, e sim, ele vai sofrer muito ainda, mas quanto ais poderes de Potter, eles já voltaram e Draco continua incorpóreo, meu afilhado só vai ganhar corpo físico quando o ex-leão se vincular definitivamente no novo mundo.
Um vermelhíssimo Severus Snape
Rohh - Acredite, a folgada da autora fajuta se sentiu tentada a aceitar a oferta, nunca ela correu tanto na hora de digitar, sem falar dos papeis e mais papeis que gastou em rascunhos.
Eu não preciso de chocolates para cutucar a autora, faço isso de graça (sorri maligno enquanto transforma uma cadeira em uma lança muuuuito pontiaguda)
Quase que você consegue, mas alguém respondeu primeiro, melhor sorte na próxima.
O duelo realmente foi empolgante, mas bem que certo abraço podia ter sido cortado (fazendo bico)
Como foi dito antes , não existe um termo exato para definir o Harry, maio lincatropo é o mais próximo que se pode chegar (diz isso sério mas interiormente está fantasiando um chiby Harry com rabinho e orelhinhas peludas)
Um sorridentemente suspeito, Draco Malfoy
Fenrir: Wow, orelhinhas e rabinho peludo? – Fenrir ri depois de ler a ultima resposta – Acho que eu também gostaria de ver isso também.
Draco: O QUE ELE AINDA ESTÁ FAZENDO AQUI???
Severus: Pensei que depois de responder o review você iria embora.
Fenrir: Pois é, né? Acontece que eu gostei dessas bandas, e pensei: Por que não entrar para o grupo?
Draco Severus, Luana: NÃO!!!
Severus: Ué – olha para a garota – você não gostava dele?
Luana: Gostar eu gosto, mas já tem serpente o suficiente me atazanando por aqui.
Fenrir: Tecnicamente eu não tenho mais casa. Agradeça ao Chris, ou Harry como vocês parecem chamá-lo por aqui.
Luana: Você entendeu o que eu quis dizer.
Fenrir: Por favooooooooor (olhar mega ultra big fofolético de cachorrinho que caiu do caminhão da mudança)
Luan: Droga, esses olhinhos... Tudo bem, eu te darei uma chance, vamos fazer uma votação com os leitores, se a maioria quiser que você faça parte oficial da leitura dos reviews então você está dentro.
Fenri: Beleza – se vira para as leitoras – Ok, se vocês quiserem que eu responda os reviews junto com esses dois rabugentos...
Draco e Severus: HEEEY!!! Ò.Ó
Fenrir (os ignorando completamente) : ... iniciem suas reviews com "LOBINHO LINDO CADÊ VOCÊ? EU VIM AQUI SÓ PRA TE VER!" Quem não quiser (olhar tristonho) ou simplesmente não quiser participar só precisa não digitar a frase.
Draco: Quanta apelação.
Luana: Certo, certo, já gastamos tempo de mais com essa bobagem, agora vamos para o desafio da vez.
Bom, desta vez quem ganha será aquele que adivinhar qual vai ser o primeiro aluno que vai entrar na nova casa do Harry nesta nova fase. Como dica eu só posso dizer que essa pessoa desde que a fic começou já conversou cara a cara com o Harry.
O prêmio será: um misterio revelado. A pessoa poderá escolher entre os três segredos que eu vou listar abaixo e eu mandarei um e-mail o revelando de-ta-lha-da-men-te.
Os segredos são:
"Aonde estão Charle e Bill"
"Quem é o amor de Sirius"
"O que Régulos tem haver com a separação de Lucius e Neville"
Severus: Você realmente está caindo baixo, até revelando seus mistérios antes da hora está.
Luana: Ah! É só para quem ganhar, e será apenas um mistério. Sem falar que eu escolhi entre os mais inofensivos dos mais perguntados pelas leitores.
Fenri: Hn, mas você acha que alguém vai acertar?
Launa: Não sei, a lista de alunos de Hogwarts com quem Harry já falou diretamente durante toda a fic é considerável, vai depender da sorte (dá entre ombros)
Fenrir: Você é má.
Draco e Severus: Vá se acostumando.
Fenrir: Isso quer dizer que vocês me aceitam como companheiro de trabalho?
Draco e Seveurs: NÃO!!!
Ai ai, quem quiser algum personagem em especial respondendo o seu review pode dizer, não importa quem for. Ele virá especialmente para isso. Agora, como disse Fenrir, se vocês quiserem que ele participe da leitura oficial dos reviews junto com Draco e Severus é só iniciar a sua review com... bem...(vermelha) aquela frase.
No próximo capitulo: Um interlúdio onde novamente Dumbledore trocará cartas com seu amigo em Drumstang.
Obrigada por lerem esse capitulo, até o próximo.
