"We don't need anything or anyone"


E no ano seguinte, Draco Malfoy estava ali, disposto a nem se lembrar da menina de cabelos vermelhos do ano anterior, mas ela teimava em aparecer na sua frente o tempo todo e podia notar que, algumas poucas vezes, lhe lançava olhares como se apenas lembrasse do ano anterior e do que ele havia lhe dito.

Mais uma vez ela parecia consumida pelo cansaço, mas agora não havia nenhum diário, nenhum basilisco. E então Draco percebeu que a escola estava cheia de dementadores e aquela menina definitivamente não tinha muitas lembranças felizes dos últimos tempos.

Pensou que era melhor não pensar nisso.

Mas foi difícil não pensar enquanto ficava naquela cama da ala hospitalar depois de ser atacado por aquela galinha gigante.

Não porque só pensasse nisso, mas ela estava ali na cama ao lado. Ginny Weasley dormia e parecia ter pesadelos, parecia cansada, parecia doente.

- O que ela tem? – perguntou a Madame Pomfrey.

- São esses dementadores, meu querido. Logo depois de todas as coisas que a pobrezinha passou.

A pele clara e delicada dela estava pálida naquela tarde. A ala hospitalar estava vazia e as janelas abertas soprando uma brisa quente. Um dia lento e arrastado enquanto ele permanecia ali em repouso e ela dormia aquele sono agitado.

Quando ela acordou, Draco tratou de desviar os olhos, mas sua atenção foi chamada de volta quando ouviu o choro dela e mais uma vez aquelas lágrimas enormes descendo o rosto sardento. Queria dizer alguma coisa, sentia que precisava deixá-la mais calma, ela parecia tão triste, tão frágil, tão indefesa que subitamente quis abraçá-la e achou tal vontade a coisa mais estúpida que já lhe passou pela cabeça.

Então não disse nada. Os olhos vermelhos dela pareciam ainda mais cansados e não se importava em esconder o choro.

- Por que não está rindo, Malfoy?

- Não imagino o que poderia me fazer rir no momento, Weasley.

- O que houve com seu braço?

- Aquela galinha maldita que aquele gigante imbecil levou para a aula me atacou – respondeu com raiva – e por que está chorando?

- Estou cansada de pesadelos. De nunca dormir direito e desses dementadores.

- Pegue. Aquele professor vestido em trapos diz que ajuda bastante.

A brisa soprava quente naquela tarde enquanto o braço bom de Draco estava estendido na direção dela, uma barra de chocolate estava sendo oferecida enquanto a luz do sol entrava pelas janelas naquela enfermaria silenciosa.

Ela hesitou por um momento antes de estender a mão e pegar o chocolate.

E foi aquela barra de chocolate oferecida por Draco Malfoy que mudou o mundo de Ginny Weasley.