"I don't quite know how to say how I feel."


Ela entrou pela biblioteca e começou a andar entre as estantes altas e cheias de livros.

- Não tenho certeza se você sabe ler, Weasley.

- Se você aprendeu, qualquer um consegue, Malfoy, não se importe com isso.

- Acha que não te vejo me olhando o dia inteiro pelos cantos?

- Estou tentando me certificar que não está me perseguindo e vigiando minha vida. Acha que nunca te vi me olhando também?

- Fico me perguntando como deixaram você entrar na escola.

- Já disse para não se importar com essas coisas.

- Não pretendo te obedecer – ele disse, sorrindo.

- E o que você quer me perturbando no meio da biblioteca? – os olhos dela brilhavam. Diferente das lágrimas, diferente de antes. Ela brilhava, Ginny Weasley parecia luminosa e bela, o sorrisinho desafiador nos lábios. Sentiu um impulso para beijá-la e deixou que sua mão descansasse no rosto dela por um momento. Ela pareceu genuinamente assustada e surpresa por um momento.

Draco quase podia ouvir o próprio coração no silêncio da biblioteca. Lembrou-se daquele dia, enquanto ela chorava de exaustão dos dementadores, enquanto seu braço formigava pelo ataque do hipogrifo, ficavam calados ali, apenas o silêncio. Lembrou-se dela agradecendo e da vontade de abraçá-la. Inclinou-se lentamente e deixou que seus lábios tocassem os dela.

Delicadamente sentiu-se pressionar a boca dela com a própria, a sensação que aquilo proporcionava, a vontade de puxá-la para perto e então se afastou, assustado com a própria ação.

Ela parecia absolutamente chocada. Nem mesmo disse alguma coisa antes de empurrá-lo e sair da biblioteca. E se não fosse quem era, se não fosse Ginevra Weasley, uma traidora do sangue ruiva e pobre como todos os Weasley, se não fosse exatamente isso, teria ido atrás dela. Um convite para o Baile de Inverno.

Então pensou que talvez se não fosse exatamente isso jamais teria prestado atenção nela e percebeu que era a maior besteira que poderia fazer.