- Ai, o que aconteceu? – gemeu Carter, baixo. Abriu os seus olhos. O garoto só se lembrava de que estava acompanhando o pai na Caverna da Pedra Carregada, quando, de repente, uma parede explodiu e ele levou um soco. Depois disso, desmaiou.
Agora, ele estava caído em um solo duro de pedra. A única iluminação do lugar provinha de frestas na parede cinzenta. O teto era alto e dele pendiam pequenas gotas de água, que caiam no chão e faziam um som que ecoava por toda a caverna.
- Lugar sinistro... – sussurrou Carter. Logo em seguida, sacou uma Pokébola do bolso e a abriu, fazendo com que esta disparasse um raio de energia azul, que logo tomou a forma de seu Pokémon, Drilbur.
- Olá, Drilbur! Eu te liberei porque estava com medo. Eu vim parar aqui no meio dessa caverna de algum jeito... Você vai me ajudar?
- Dril Dril! – concordou o Pokémon com a cabeça. Depois, olhou para frente do túnel onde estavam. Não conseguia ver o final. E a pouca iluminação não ajudava.
- Precisamos dar um jeito de sair daqui, meu amigo! E rápido! Antes que apareça algum Pokémon. – alertou Carter. Drilbur assentiu e colou o focinho no chão, farejando, enquanto andava de um lado para o outro, tentando identificar algum cheiro familiar. Após alguns minutos, apontou para a frente e fez uma expressão chorosa.
- Tudo bem, vamos por ali!
Pareceram longas horas, o tempo em que Carter e o seu Pokémon terrestre caminhavam para frente. A cada minuto, o caminho ficava mais íngreme e a luz mais escassa. As frestas na parede eram poucas e mais estreitas, criando assim finos e extraterrestres fachos de luz, que cortavam a escuridão total. Pareciam até sólidos.
Mais alguns metros e o túnel embicou para baixo. Uma longa descida, quase vertical. Descer seria um desafio.
- Você primeiro, Drilbur. – ofereceu o garoto. O seu Pokémon concordou e em uma facilidade imensa, cravou suas enormes garras no chão e foi deslizando, lentamente, para baixo. Até que foi mergulhado completamente na escuridão. Carter não podia mais vê-lo.
- Drilbur? – chamou. Nada se ouviu. – Drilbur? Você está aí?
- Driiil! – ele respondeu, finalmente. Foi um alívio para o treinador. Mas, descer aquilo ainda seria uma dificuldade. Com bastante cuidado, ele encaixou a mão em pequenas fendas que haviam naquela ladeira e começou a descer, como em uma parede de escalada. Procurou por fendas naturais e por fendas feitas pelas garras de Drilbur. Até que foi encoberto pela escuridão!
Minutos depois, enquanto procurava uma próxima fenda, percebeu o pé tocar algo duro. Tateou mais e percebeu que era rocha. Decidiu arriscar e soltou os dois pés. Então, fez força com eles na suposta rocha. Era sólida.
- Drilbur? – ele chamou, para ter certeza.
- Dril! – a resposta veio alta e próxima. Quando se virou para trás, se deparou com a cara sorridente de sua toupeira há centímetros de seu próprio rosto. O susto fez Carter soltar as mãos e ele caiu da ladeira, de costas no chão. Por sorte, já havia descido toda ela e a queda foi curta, talvez de 30 centímetros.
- Driiil? – Perguntou a toupeira, coçando a cabeça, enquanto observava, pateticamente, o treinador deitado no chão.
- Estou bem... Vamos continuar? – ele anunciou, se levantando. Suas calças, antes brancas, estavam sujas de terra. Ajeitou o casaco e prosseguiu caminhando. Drilbur seguiu atrás, quase correndo para acompanhar o passo de seu treinador.
Passaram por mais alguns metros de caverna, quase em escuridão total. A ingenuidade de Clay os impedira de trazer uma lanterna. Nem sequer uma mochila haviam levado. Pensando agora, aquilo parecia idiotice. Carter estava cansado e com muita fome. Não sabia quanto tempo tinha passado inconsciente ali, mas devia ser mais de horas, pois do café-da-manhã até o momento em que levou o tal soco, não havia passado muito tempo. Como estava tão esfomeado? Em um chute, ele deduziu que já havia passado da 1 hora da tarde.
O caminho agora fazia bastante curvas, hora para a esquerda, hora para a direita. A luz já começava a aumentar um pouco, mas esta vinha de pequenos orifícios alinhados perfeitamente no teto. Pareciam até lâmpadas naturais. A luz agora era mais clara, mais limpa. Parecia vir do Sol da floresta. Depois de mais alguns metros, os orifícios cessaram. Um pouco mais a frente eles continuavam. Carter sentiu um leve frescor de vento pelo túnel e ouviu o som de água fluindo acima dele. Devemos estar no subterrâneo. E lá em cima é um rio! Pensou. E, com sorte, vai ser o rio que passa pela Rota 6. Posso seguir em frente e logo estarei no subterrâneo de casa!
Com esse pensamento, continuaram andando, cada vez mais alegres. Por duas vezes o túnel se dividiu em pequenas cavernas, com outros túneis saindo pela esquerda e pela direita. Mas ele continuou em frente. Até que, por fim, o caminho acabou em uma grande câmara, alta e com um grande buraco no teto, por onde entrava uma forte luz solar.
- Ótimo! Como vamos chegar lá em cima? – indagou, olhando para o alto. Uma leve brisa entrou pelo buraco e se espalhou pela caverna. Pôde-se ouvir barulhos de Pokémons: o piar dos Pidoves, os grunhidos de Patrats e até mesmo um rugido... Espere aí! Um rugido? E não parecia vir de lá de cima. Parecia muito mais próximo. Assustado, Carter passou os olhos pela câmara. Não viu nada, além de...
- Ei, Drilbur! – ele chamou – Por que aquela pedra, ali, está se movendo...?
E, de fato, uma grande pedra azul, incrustada com cristais alaranjados estava se levantando, no canto. Ela virou uma cambalhota e se apoiou sobre três de seus cristais. Então, girou 180° e mostrou dois pequenos orifícios amarelados em sua superfície. Um segundo depois, a pedra estava correndo e se chocou com a barriga de Carter com uma enorme força, jogando-o de encontro à parede. Drilbur permaneceu no lugar, assustado.
- Ai, ai! – reclamou o garoto, se levantando e esfregando as costas doloridas – Isso não é uma pedra! É um Pokémon! Lembro-me de papai já ter me dito alguma coisa sobre esse. É um Boldore, se não me engano.
- Booooooool! – rugiu ele, em resposta. Logo em seguida, ele criou um círculo de rochas pontiagudas ao seu redor e disparou-as em cima de Carter, que estava distraído pela dor do impacto que recebera antes. Drilbur, no entanto, assistia a tudo e, em um impulso, entrou na frente do golpe, denominado Obelisco, e levou todo o dano. Por sorte, tinha a resistência de tipo.
- Drilbur! Obrigado, amigão! – agradeceu o treinador – Agora, se é o que o Boldore quer, o que acha de termos a nossa primeira batalha?
- Driiil! – o Pokémon terrestre acenou positivamente com a cabeça. Encarava friamente o adversário, que já estava se preparando para o próximo golpe. Em uma velocidade impressionante, correu para cima de Drilbur e desferiu uma poderosa Cabeçada bem na face da toupeira. Este foi jogado ao ar e caiu de costas no chão, apoiando-se pelos cotovelos. Boldore não deu chances dele se recuperar e já preparou um novo golpe. Dentro dos orifícios em seu "rosto", uma luz prateada surgiu cada vez mais forte. Em seguida, disparou esta energia em um poderoso raio luminoso, de coloração prateada. Carter mal teve tempo de ordenar uma evasiva, enquanto via Drilbur rolar para o lado e escapar, por pouco, do Canhão Luminoso.
- Vamos lá! Hora de contra-atacar com a Garra Furiosa!
A toupeira, ainda se equilibrando do movimento evasivo anterior, viu Boldore correr até ele, impetuoso, preparado para mais uma cabeçada. Esperou o Pokémon minério chegar mais perto e então saltou para cima, observando o adversário passar por baixo dele e se chocar com uma pedra. Drilbur, em seguida, correu até ele e atingiu-o com uma sucessão rápida de arranhões, pouco efetivos em um tipo Pedra. Boldore, vendo que sua estratégia ofensiva não estava muito boa, decidiu mudar de estratégia e realizou o Endurecer. Seu corpo foi tomado em uma luz esverdeada, aumentando a própria defesa.
- Agora, vamos atrapalhá-lo com uma sucessão do Tapa de Lama! – gritou Carter.
Mas as coisas não foram tão bem assim. Ao mesmo tempo que Drilbur arrancava terra do chão com as mãos e jogava em Boldore, o mesmo continuava a realizar o Endurecer, diminuindo, cada vez mais, o impacto do golpe que levava. Continuaram assim por bastante tempo, até Carter perceber que teria de mudar o ataque, antes que Drilbur se cansasse:
- Vamos agora com o Giro Rápido ao redor dele!
Sem entender direito o comando de seu treinador, a toupeira hesitou. Mas, finalmente concluiu que Carter devia saber o que estava fazendo. Abriu os braços e se jogou, girando para cima do Pokémon de pedra. Mas, antes de o atingir, mudou a rota e assumiu uma órbita ao redor de Boldore. Este, sem saber ao certo o que fazer, novamente começou a disparar pedras afiadas enquanto girava, o Obelisco, mas graças à incrível velocidade do golpe do Pokémon terrestre, não acertou uma sequer. Porém, continuou atirando e errando, até que ficou tonto de tanto girar para mirar. Em uma tentativa desesperada de parar o seu inimigo, partiu para cima em outra Cabeçada. Mas Carter tinha um plano:
- Perfeito! Fique parado, por enquanto. E quando ele chegar perto, revide com a Garra de Metal!
E assim Drilbur fez. Parou de girar e caiu no chão, um tanto zonzo. Mas, assim que chacoalhou a cabeça um pouco, voltou-se para a enorme pedra que vinha em sua direção. Quando estavam a poucos centímetros de distância, o Pokémon terrestre levantou as garras e elas assumiram uma textura metálica. No momento em que iria ser atingido pela cabeçada, ele atingiu a cabeça do oponente com estas, confrontando-o. Continuaram assim por alguns minutos, disputando forças. O problema com que Boldore não contava era que, agora, ele possuía desvantagem de tipo. Isso acabou contribuindo para que levasse mais danos. E, Drilbur, com a camada de metal protegendo suas garras, estava levando muito pouco dano daquele embate. Até que o Pokémon minério se rendeu. Rapidamente, deu um salto para trás, zonzo pelo golpe que levara na cabeça. Mas, levou a pior. A toupeira ainda estava bem e podia ter continuado aquilo por mais tempo ainda. Logo, avançou até o seu inimigo e desferiu um arranhão poderoso com suas garras metalizadas. Boldore cambaleou para o lado e tentou uma tentativa inútil para afastar Drilbur. Criou ao seu redor três anéis de rochas brilhantes, que formavam uma órbita perfeita, circulando o Pokémon de pedra, um golpe denominado Explosão de Rochas. Em seguida, disparou as pedras, anel após anel na direção do Pokémon terrestre, que facilmente desviou, saltando para o lado esquerdo.
Carter, então, finalizou o combate:
- Tapa de Lama, seguido de Garra de Metal!
Boldore nem teve tempo de absorver a tudo o que aconteceu a seguir. Em um momento, Drilbur formou em sua mão duas bolas de lama, que rapidamente disparou para cima do Pokémon minério, que recuou alguns passos para trás. Tentando se equilibrar novamente, apenas viu a toupeira correr até ele, com uma cobertura de ferro em suas garras. Desesperado, tentou disparar um último Canhão Luminoso, que Drilbur desviou facilmente, pulando para o lado, mas sem perder o ritmo da corrida. Chegando perto do Pokémon de pedra, atingiu-o com dois arranhões. Boldore não resistiu. No mesmo instante, recebendo o dano do golpe super efetivo, ele desabou no chão, causando um estrondo na caverna. E não se levantou mais. Estava inconsciente!
- Boa, Drilbur! Você foi demais! Demais mesmo! – gritou Carter, correndo até o seu amigo e abraçando-o. A toupeira retribuiu o gesto, alegre demais. Haviam vencido sua primeira batalha! Era demais! E em um sincronismo perfeito, não dando chances ao Pokémon adversário. Foram perfeitos! Mas a alegria não durou muito tempo...
- Geeeeeeeen! – um rugido ecoou pela caverna. Logo em seguida, um pequeno Pokémon pulou da parede, parecido com uma rocha azul e tinha um grande orifício na face. Parecia muito com o Boldore. Em questão de segundos, vários outros apareceram também, saindo de fendas ou de buracos na parede, caminhando na direção dos dois intrusos em seu território. Carter e Drilbur estavam cercados!
- São Roggenrolas! O Boldore é a forma evoluída deles! Devem ser os amigos dele! E, provavelmente querem vingança por ver o seu líder derrotado... – explicou o garoto. Sua toupeira se posicionou na sua frente, cerrando os punhos. Carter entendeu, mas não deixou – Não podemos batalhar com eles! São muitos! E estamos cercados...
Mas Drilbur não ia desistir! Os Roggenrolas já estavam preparando os Canhões Luminosos, quando, de repente, uma bola de energia de cor turquesa, vinda do túnel pelo qual Carter e Drilbur haviam entrado, atingiu um dos Pokémon de pedra, nocauteando-o. Antes que eles pudessem se voltar para identificar o que era, mais duas bolas de energia foram disparadas, nocauteando mais dois. Então, os Roggenrolas, que antes miravam seus golpes no treinador e em seu Pokémon, agora dispararam para a escuridão do túnel. Em seguida, o túnel silenciou. Satisfeitos, os Pokémons de pedra já estavam se virando para Carter, quando, inacreditavelmente, mais três bolas de energia foram disparadas, deixando mais três Roggenrolas fora de combate.
- O que é isso? – perguntou o garoto, confuso. Mas não antes de ver outros três inimigos desmaiarem, por causa de mais bolas de energia. Em sinal de alerta, os Roggenrolas correram na direção do túnel, para identificar e destruir o que quer que estivesse os atacando. Foi inútil! Toda vez que atacavam o escuro, recebiam em resposta outra esfera de energia turquesa, que sempre nocauteava um deles. Até que só sobraram dois! Mas, no mesmo instante, as esferas cessaram.
- Tudo bem! Damos conta desses dois, certo Drilbur? – perguntou Carter. Drilbur respondeu com um aceno positivo de cabeça. – Ótimo! Use o Tapa de Lama!
Aproveitando a distração dos Roggenrolas, que tentavam identificar no túnel algum sinal de vida, a toupeira rapidamente disparou duas bolas de lama, uma em cada um deles, fazendo-os recuar alguns passos. Enfurecidos, os dois Pokémons de pedra correram até o Pokémon terrestre, em uma Investida.
- Use agora a Garra de Metal!
Esperando os dois chegarem mais perto, Drilbur fez suas garras serem envoltas em puro metal, com as quais ele atingiu os dois oponentes e também os arremessou longe, cada um para um lado. O choque deles com as paredes da caverna provocou um som forte que ecoou pela caverna. Mas, pelo menos, estavam inconscientes.
- Legal! Você foi demais, de novo, Drilbur! – elogiou Carter, observando o seu Pokémon. Ele estava ofegante, ainda cansado da batalha contra o Boldore, mas sorriu.
- Agora só precisamos dar um jeito de sair daqui e... – não terminou a frase, pois um ruído foi ouvido da parede ao lado. E depois outro e outro.
- De novo, não! – reclamou e Drilbur se posicionou na sua frente, no exato momento em que a parede inteira ruía, levantando uma enorme nuvem de poeira.
Carter já estava preparado para a batalha, mas assim que a poeira abaixou, ele não acreditou no que viu. Do outro lado, completamente bem, estava o seu próprio pai, Clay!
