- Preparado? – perguntou Clay
- Estou sim! E o senhor?
- Preparadíssimo!
- Conhecem as regras! – gritou o juiz ao megafone do Ginásio – Será uma batalha de dois contra dois, sem limite de tempo! O primeiro que tiver os dois Pokémons incapacitados de continuar, será o perdedor! Apenas o desafiante poderá trocar de Pokémons e se ele vencer levará a Insígnia do Terremoto do Ginásio de Driftveil!
- Certo! Krokorok começo com você! – gritou o líder do Ginásio, sacando sua Pokébola e a jogando em campo. Dela foi expelido um Pokémon parecido com um crocodilo, que rapidamente, fez sua costumeira pose de cruzar os braços.
- Yamask, conto contigo! – o desafiante anunciou, sacando outra das esferas vermelhas e brancas e a arremessando para o alto. Dela surgiu um Pokémon parecido com uma sombra, carregando uma máscara de ouro.
- Que seja uma batalha justa e correta! – continuou o juiz – Três, dois, um! Valendo!
- Use a Esfera de Energia! – gritou o desafiante no mesmo instante.
"Um movimento rápido... Rápido demais..." pensou Clay, enquanto observava Krokorok desviar do golpe, com apenas um pulo para a esquerda.
- Use o Mastigar! – ordenou o líder. Aproveitando que Yamask estava distraído com o último golpe que dera, Krokorok partiu para cima com uma velocidade impressionante e desferiu uma poderosa mordida no braço direito do Pokémon espírito, que sofreu com o golpe super efetivo!
- Tire-o daí com o Vento Sinistro! – o desafiante observou, enquanto o seu Pokémon disparava lufadas de vento roxo contra o Pokémon terrestre, porém, não conseguia muito efeito, já que Krokorok era resistente a golpes do tipo fantasma. Então, continuava com os dentes cravados em Yamask!
- Gire-o e arremesse-o na parede. – disse Clay, um pouco mais tranquilo. O adversário estava na desvantagem e ainda preso nas mandíbulas do seu Pokémon. O Pokémon crocodilo, rapidamente, começou a girar o oponente, já que estava o segurando pela boca. Girou bastante, até Yamask parecer que estava tonto. Então, soltou-o e, com o impulso já tomado, ele foi jogado contra a parede, criando assim, uma grande nuvem de poeira!
- YAMASK? YAMASK! – gritou o dono do Pokémon fantasma, enquanto já ia correndo até ele. O juiz tentou impedir que aquele garoto saísse da área de treinadores, mas Clay fez um sinal negativo com a cabeça. O desafiante tomou seu Pokémon nos braços – Você está bem, meu pequeno Yamask?
- Yaa... – disse o fantasminha, tonto.
Após dar uma analisada, o juiz levantou uma das bandeiras que carregava na mão.
- Yamask está fora de combate, então o vencedor é Krokorok!
- Tudo bem, Yamask! Você foi demais! – disse o desafiante, enquanto recolhia seu Pokémon na Pokébola – Merece um descanso! – e voltou para a área dos treinadores, respirando fundo e concentrando-se para o próximo embate.
- Eu continuo com meu Krokorok! E você? Vai com quem?
- Eu vou com o meu Dewott! – gritou o desafiante, sacando uma Pokébola e dela, liberando seu Pokémon aquático. Este fez uma reverência e sorriu, mexendo os bigodes.
- Então, a batalha será entre Krokorok e Dewott! Lutem! – gritou o juiz.
- Use a Arma de Água!
- Cave! – gritou Clay.
Krokorok, já entediado e confiante da vitória, fincou as garras no solo e abriu um grande buraco, para em seguida, mergulhar nele e por muito pouco, desviar do jato d'água que vinha em sua direção e que, certamente, causaria muito dano.
- Use novamente a Arma de Água no buraco!
- Saia daí usando o Mastigar!
O Pokémon aquático obedeceu e, ao chegar à beira do buraco por onde o adversário havia entrado, cuspiu seu jato d'água! Na hora em que ele pensava que a batalha já estava ganha, repentinamente, Krokorok saltou de outro buraco no campo e mordeu violentamente a cabeça de Dewott, prensando-a entre seus dentes e ao mesmo tempo, escapando do golpe que fora desferido inutilmente no buraco.
- Não cairei no mesmo truque duas vezes! Use o Raio de Gelo girando! – gritou o desafiante.
Clay nem teve tempo de assimilar o que o outro queria dizer, quando viu que Dewott se apoiou em uma das pernas e começou a rodopiar, com o Pokémon crocodilo ainda mordendo a sua cabeça. Então, o Pokémon disciplina começou também a disparar um raio azul bebê da sua boca, que atingiu fortemente Krokorok e o empurrou para longe, derrubando-o no chão também, com os danos super efetivos!
- Levante-se e use o Terremoto! – ordenou o líder.
Krokorok, assim que se pôs de pé, bateu os dois pés no chão com força, criando um grande tremor de terra que se espalhou pelo campo, criando rachaduras e destruindo as pedras que ali se encontravam. Porém, não contava com a reação rápida de Dewott. O Pokémon azul deu um salto no ar e virou duas cambalhotas, escapando do terremoto, que obviamente só acontecia no chão. E, ao chegar perto do Pokémon crocodilo, desferiu uma rápida sequencia da Lâmina de Concha, sacando suas duas conchas e usando-as como as espadas de um samurai, cortando, arranhando e raspando. Atacado de surpresa pelo golpe, Krokorok recuou um pouco, esfregando a face machucada.
Um sorriso brincou nos lábios de Clay:
- Continue com uma sequencia do Esmagamento de Rochas!
- Defenda com a Lâmina de Concha!
Com as mãos brilhando em vermelho-alaranjado, o Pokémon terrestre partiu para cima do oponente e começou a atacar com diversos golpes com a lateral das mãos. No entanto, as conchas de Dewott brilharam em azul e tomaram a forma de espada, enquanto que, com elas, o Pokémon aquático ia aparando os golpes que lhe eram desferidos. Continuaram assim por bastante tempo, e nenhum dos ataques de Krokorok atingia seu alvo. Passaram-se minutos e minutos, talvez meia hora... Os dois Pokémons já estavam se cansando, quando Clay decidiu mudar de estratégia:
- Vamos com a Rasteira!
Em um movimento veloz e ágil, Krokorok se abaixou e atingiu as pernas do oponente com a cauda, fazendo-o cair de costas no chão. Tonto e cansado, Dewott não conseguiu se levantar, mas continuava firme na batalha!
- Agora, use o Esmagamento de Rochas! – berrou Clay.
- Não desista! Raio de Gelo!
As mãos do Pokémon crocodilo já brilhavam em vermelho, enquanto ele corria na direção do Pokémon aquático. Este, sempre leal, não ousou se render e já começava a levantar. Então, abriu a boca e uma pequena esfera azulada brilhava lá dentro. Mas, antes que pudesse desferir o raio propriamente dito, levou o golpe de Krokorok bem na barriga! Ao ser arremessado na parede com o impacto, não resistiu. Na mesma hora, seus olhinhos se transformaram em duas espirais e o Pokémon disciplina não podia mais lutar!
- E Dewott está fora de combate! Os vencedores são Krokorok e Clay, o líder do Ginásio! – gritou o juiz ao megafone.
Uma lágrima escorreu pelos olhos do desafiante e ele correu para abraçar o seu Pokémon caído, com toda a compaixão que é possível sentir por um amigo. Então, o recolheu na Pokébola e se dirigiu a Clay:
- Foi uma boa batalha! Venceu-me com apenas um Pokémon.
- Você também lutou bem. Na próxima, quem sabe... Você vença...
- Obrigado. Eu vou indo! Recuperar meus Pokémons no Centro e depois, irei treinar na Rota 6! Voltarei aqui muito mais forte! – e dizendo isso, saiu pelas portas do Ginásio, com um sorriso no rosto!
- Parabéns, pai! Foi uma luta e tanto! - elogiou Carter, que até agora só havia visto a batalha da arquibancada, em silêncio. Hoje era o dia de sua grande luta contra o pai, mas aparecera aquele desafiante pedindo para batalhar no Ginásio... Que mal teria deixa-lo ir primeiro? Afinal de contas, Carter não estava nem um pouco ansioso. Quanto mais pudesse atrasar a sua humilhação, melhor seria!
- Obrigado, filho. – agradeceu Clay. Ele já havia pegado uma toalha branca e estava enxugando o suor de seu pescoço. – E então? Vai querer lutar agora? Ou prefere comer algo antes?
- O que tem de bom para comer?
- Vamos ver... Trouxe umas barras de cereal, caso cansasse durante a luta... Tenho uns pãezinhos também... E seis latas de refrigerante. – ele fuçava na mochila, derrubando algumas Poções e lanchinhos, até que sacou um grande engradado com cinco latas pretas – Ops... Parece que eu senti sede antes... Mas ainda temos cinco...
- Tudo bem. – bufou o filho – Me dê um sanduíche e uma latinha, por favor.
- Aqui está... – indicou Clay, abrindo o lacre da lata e vendo o doce refrigerante escorrer pelas bordas. Pegou também um pequeno pote da mochila e o entregou a Carter. Dentro havia sete pãezinhos, todos com mortadela e queijo.
- Valeu! – o garoto agradeceu e se pôs a comer. O homem fez o mesmo, sentando-se no chão de terra do seu Ginásio e devorando uma barra de cereais. Krokorok se aproximou e sentou-se junto, ofegante de sua última batalha. Não havia sido de fato difícil, mas dera uma canseira nele.
- Krooo – grunhiu o Pokémon, pegando um pão e o jogando garganta abaixo. Com uma boca daquele tamanho, quem precisaria mastigar?
Passaram-se alguns minutos de um silêncio constrangedor. Podia-se apenas ouvir o som das mordidas no pão macio, o som dos ventiladores do Ginásio. Uma leve brisa passou por ali, remoendo papéis e cartões postos na bancada da recepção. Até que Clay decidiu quebrar o gelo com uma pergunta.
- Nervoso?
- Bastante! E eu não quero ter o mesmo destino daquele garoto que saiu agora pouco... Quero sair por aquelas portas como um vencedor! – respondeu Carter, com entusiasmo.
- Olha... Filho... – começou o pai, pondo as mãos nos ombros do garoto e mordendo outro sanduíche – Você não pode garantir que vencerá. O pensamento positivo é sempre bom! Mas, se perder... Veja bem, você é apenas um novato. Eu já sou um veterano! Normalmente, os novatos começam no Ginásio de Striaton, que tem um nível menor... Mas, se você sair por aquelas portas como um perdedor, eu quero que volte e volte a entrar! Até poder sair com a Insígnia nas mãos!
- Bem... Ok! – Carter enxugou uma lágrima com a manga da camiseta. A ideia de sair dali humilhado, depois de tanto esforço para superar essa questão no dia anterior... Era inaceitável! – Mas, pai, eu prometo uma coisa ao senhor! A partir do momento em que o juiz ordenar que a batalha comece, eu não sairei por aquelas portas até ter certeza de que dei tudo do que eu tenho!
- Sei que dará, Carter! – Clay se levantou e olhou fundo nos olhos do garoto – Ou então... Você não seria meu filho! – e terminando essa frase, pôs-se a observar o campo da arena. A superfície de terra, que há tanto tempo era palco de suas estratégias, vitórias, derrotas... Palco de grande parte de sua vida. Seu filho crescera ali, observando suas lutas, seus comandos e seus sucessos! Havia dois grandes motivos para ele acreditar que Carter poderia vencê-lo. O primeiro era que o garoto já havia visto muitas de suas batalhas. Conhecia suas estratégias, suas esquivas, seus ataques... E o segundo motivo era que Carter não era como os demais desafiantes. Ele tinha espírito, mente e alma de um verdadeiro vencedor! Clay podia sentir isso ao fitar com bastante cuidado aqueles olhos verdes. E então, sentia um misto de alegria, tristeza, raiva e amor.
- Bem, o que acha de começarmos a batalha agora? – sugeriu o pai, esfregando as mãos – Já tomamos um lanche, conversamos... O que acha?
- Bem... Vamos nessa! – respondeu Carter, forçando um sorriso. Já tinha uma Pokébola na mão e observava o campo, pensando em qual seria sua estratégia. Precisaria de muitos truques, caso quisesse vencer o nível alto de Clay. Seus Pokémons sabiam poucos golpes e os que sabiam eram fracos. Teria de contar com a pouca experiência que Drilbur tinha e acreditar que Deino já se metera em brigas piores na floresta, onde vivia.
Clay já estava do outro lado da arena, observando seu filho com curiosidade. Carter se colocou na área de treinadores e esperava o juiz assumir seu posto. Até que a campainha soou.
- Um instante – pediu Clay, correndo até a porta – Deve ser a plateia...
Plateia? Carter já havia até se esquecido da multidão que o pai convidara para assistir a batalha. Agora sim ele se sentia inferior. Ter dezenas de olhos cravados em você enquanto tenta não perder para o próprio pai... Seria realmente horrível! Ele só queria que pudesse mostrar aquelas pessoas que ele era bom em batalhas!
- Entrem, entrem! – disse a voz de Clay – Sentem-se na arquibancada. Talvez alguns garçons ofereçam lanchinhos... – ele deu uma piscada discreta para o juiz, que arrumava as bandeiras. Ao notar o gesto de seu patrão, rapidamente ele largou as bandeiras e deu um grito para uma porta atrás do balcão da recepção. Quase no mesmo instante, umas quinze pessoas uniformizadas apareceram carregando bandejas, cheias de petiscos, cerveja, refrigerantes, sanduíches... Carter pode distinguir até mesmo um frango assado ali no meio! A plateia, nas arquibancadas, ia pegando e comendo, aproveitando.
Logo, após se certificar que os espectadores estivessem acomodados em seu Ginásio, Clay voltou ao seu lugar. Tinha suas quatro Pokébolas presas no cinto. Carter sabia muito bem que Pokémons estavam ali dentro e estava se perguntando qual deles seu pai iria escolher. Infelizmente, ele não podia contar com o elemento surpresa. Clay conhecia seus dois únicos Pokémons.
- Err... Bem... Isso está ligado? – dizia o juiz, testando o megafone. Ao notar que estava desligado, se virou para um homem gordo e suado que conectava alguns fios a sua esquerda e, então, praguejou – Imbecil! Liga logo isso! Não tenho o dia... – com um estridente som metálico, as luzes do megafone se acenderam e a voz do juiz se fez alta na arena inteira – Agora sim... Enfim, vamos começar mais uma batalha no Ginásio da incrível cidade de Driftveil! No nosso canto esquerdo temos o líder Clay, defendendo sua Insígnia a qualquer custo, com seus Pokémons do tipo Terra! E no lado direito, temos o próprio filho dele, Carter Clay, nativo aqui mesmo da cidade de Driftveil!
- Obrigado a todos! – acenou Clay para a multidão.
- É uma honra estar aqui! – disse Carter.
- Bem... Conhecem as regras! – continuou o juiz, levantando suas bandeiras vermelha e verde – Uma batalha de dois contra dois, conforme pediu o líder do Ginásio! Sem limite de tempo! Ela só acaba quando um dos dois lutadores estiver com dois Pokémons incapacitados de continuar a luta! As substituições poderão ser feitas apenas pelo desafiante! Podem escolher os seus Pokémons!
- Deino, vamos nessa! – gritou Carter, atirando a Pokébola na arena e vendo-a se abrir e liberar o seu Pokémon! Este soltou um urro de alegria e sorriu para a plateia.
- Eu vou de Krokorok! – declarou Clay, o que fez o coração de Carter parar de bater! O líder de Ginásio fez um gesto na direção de seu Pokémon crocodilo e este se encaminhou para a arena, confiante.
"Como?" pensou o garoto "O Krokorok está cansado da última batalha! O papai sabia que podia escolher um melhor! Será que ele vai me dar uma chance?"
Esse brilho de esperança acabou assim que o juiz ordenou que a batalha começasse. Krokorok partiu para cima com as mãos brilhando em branco, desferindo um Quebra Telha, do qual Deino se desviou com dificuldade. Quase em sequencia, o Pokémon crocodilo atacou com uma Rasteira, mas o dragão deu um salto e se esquivou! Era ótimo nas evasivas! Mas, na hora em que começou a atacar...
- Deino, use a Cabeçada! – gritou Carter. Porém, o seu Pokémon virou para o lado e atacou o nada com a sua cabeça, como se tivesse errado o golpe de propósito!
Clay sorriu:
- Use o Mastigar!
- Defenda-se com o Sopro do Dragão!
Krokorok já começava avançando, as enormes mandíbulas abertas e os dentes a mostra. Porém, antes que aquelas presas mortíferas alcançassem seu alvo, um sopro de energia vindo da boca de Deino atingiu-o na barriga, o jogando com força para trás!
- Agora, use a Cabeçada de novo! – ordenou Carter, nervoso. O seu dragão aparentava estar igualmente tenso... Mas saiu correndo com velocidade, a ponta da cabeça apontando para o adversário e... No último instante, acabou se desviando e atingiu a cabeça em uma pedra com tanta força que acabou ficando tonto.
- Não é possível! – reclamou o garoto, observando seu Pokémon andar cambaleante pelo campo. Como ele errara um golpe desses, com o oponente caído no chão?
- Isso confirmou as minhas suspeitas! – afirmou Clay, coçando o queixo.
- Suspeitas de que? – perguntou o filho
- Que a habilidade do Deino é Pressa! Essa habilidade faz com que o ataque dele suba consideravelmente, mas também diminui sua precisão! Fica mais difícil dele atingir golpes que fazem contato. Mas, se atinge... O poder é bem maior!
- Entendo... Bem, Deino, vamos usar dos golpes que ainda estão normais! Use a Vibração do Dragão!
- Defenda-se com o Cavar!
Dessa vez, Krokorok não conseguiu ser tão rápido. Antes que pudesse mergulhar no chão, uma esfera de energia turquesa o atingiu no rosto com a força necessária para derrubá-lo de costas! Assim que se levantou, estava tonto demais para executar seu movimento.
- Depressa! Sopro do Dragão!
- Terremoto! Vai! – gritou Clay
Deino, rapidamente, assoprou uma grande rajada de energia em Krokorok, que mesmo depois de atingido, limitou-se a recuar alguns passos e dar um grande salto! Ao voltar para o chão com força, causou um grande tremor de terra que se espalhou pelo campo, destruindo o chão, o teto e as paredes. Deino cambaleava de um lado para o outro, enquanto pedaços de ferro do teto caiam ao seu redor, alguns o atingindo e outros não. Um grito de excitação da plateia foi ouvido.
- Deino... Não! - berrou Carter, enquanto observava o seu Pokémon, lentamente, ir caindo no chão, desabando.
Lágrimas escorreram pela face do garoto, enquanto o juiz declarava:
- E Deino está fora de combate! O vencedor é Krokorok!
- Foi muito bom, garoto! – elogiou Clay, sorrindo e acariciando a cabeça de seu Pokémon, que voltara para perto.
- Obrigado... – agradeceu Carter, triste, enquanto recolhia o dragão para a Pokébola. Em seguida, um sorriso se estampou em seu rosto – Drilbur, conto com você!
Arremessou a Pokébola e o Pokémon terrestre surgiu em campo, animado e sedento por uma batalha!
- E a batalha a seguir será entre Krokorok e Drilbur! – afirmou o juiz – Lutem!
Mas não houve movimento na arena. Clay e Carter se observavam como se quisessem avaliar qual seria o próximo movimento de cada um e quem o daria primeiro. A plateia vibrava, alguns torcendo pelo líder do Ginásio e outros torcendo pelo desafiante.
Até que Carter ordenou:
- Use o Rasgar!
Clay esperou, querendo avaliar a velocidade do oponente. Mas, com uma exclamação de espanto, Drilbur atingira seu Pokémon com suas garras brilhantes com mais rapidez do que ele pudera imaginar!
- Hmm... Vai ser um bom adversário... Krokorok, o que acha de iniciarmos com o Esmagamento de Rochas?
- E que tal impedirmos ele com o Tapa de Lama?
O Pokémon crocodilo, tentando se equilibrar do golpe que recebera anteriormente, logo levantou as mãos e as fez brilhar em vermelho-alaranjado. Mas, antes que pudesse atingir o oponente, este enfiou as garras no chão e puxou dois blocos de lama! Em seguida, jogou os dois bem no rosto de Krokorok, fazendo-o cambalear para trás e não acertar o seu golpe!
- Depressa! Garra de Metal! – gritou Carter.
Tirando proveito da proximidade e do fato de Krokorok estar cambaleando com lama nos olhos, Drilbur rapidamente atingiu-o com um arranhão de suas garras cobertas de aço! O golpe empurrou o adversário para trás, mas não aparentava causar muitos danos. Mas o crocodilo continuava tentando tirar a lama dos olhos, o que estava ajudando a Carter.
- Vamos agora com o Rasgar! – gritou o garoto, enquanto, finalmente, Krokorok conseguia livrar seu rosto daquela lama infernal! Mas, assim que piscou os olhos para voltar a enxergar, viu Drilbur frente-a-frente com ele, as garras brilhando. Nem teve tempo de desviar, antes que a toupeira atingisse seu nariz com um poderoso arranhão, o que o fez cair de costas no chão.
- Vamos com o Mastigar! – ordenou Clay, observando que o seu Pokémon estava levando a pior. Mas, assim que notou, os dentes de Krokorok estavam fincados no braço direito de Drilbur com força, arrancando gritos de dor da toupeira.
Mas, como sempre, Carter tinha um plano:
- Use o Giro Rápido!
Drilbur, ainda urrando de dor, começou a girar velozmente, com Krokorok ainda agarrado em seu braço pela boca. Mas, com um giro tão veloz, o crocodilo acabou sendo arremessado longe e batendo com força na parede. Mas, infelizmente, não estava fora de combate.
- Krokorok! Vamos lá! – gritava Clay, tentando reanimar o seu Pokémon – Eu sei que você pode continuar...
Mas não conseguiu terminar a frase. Acompanhado de uma exclamação de espanto de todos ao redor, uma luz estranha tomou conta do corpo de Krokorok!
- Não pode ser... – disse alguém da plateia
- Será mesmo? – perguntou outro
- Impossível! – gritou mais outro.
- Só pode ser... – começou Carter, os olhos arregalados.
-... evolução! – completou Clay, igualmente surpreso.
E de fato era! Seu corpo aumentou de tamanho. As garras cresceram e a cauda também. As sobrancelhas ficaram pontiagudas e a boca alongou. Então, lentamente, o brilho foi desaparecendo... Até que um novo Pokémon aparecia no Ginásio...
- Kroooooooo - grunhiu o Krookodile.
- Krookodile? Agora eu tenho um Krookodile? Sim, isso é muito bom! Parabéns, amigão! – berrava Clay, cada vez mais alto. Óbvio que já presenciara outras evoluções, mas ver um de seus melhores amigos evoluindo... Era algo sem igual!
- Parabéns, pai! – cumprimentou Carter – Agora, vamos continuar?
- Claro!
A plateia continuava surpresa, mas logo voltou a se acomodar a esperar o término da partida, que já aparentava estar próximo. O líder do Ginásio estava com seu primeiro Pokémon recém-evoluído, enquanto Carter já tinha um fora de combate e outro bem cansado. As chances eram melhores para o lado de Clay!
- Vamos ver o quanto ele é poderoso, Drilbur! – gritou Carter – Use o Rasgar!
- Defenda-se com a Explosão Focalizada! – ordenou Clay
A toupeira não perdeu tempo e partiu correndo para cima do adversário, com as garras brilhando! Mas, Krookodile, agora completamente despreocupado, se concentrou bem e no mesmo instante, uma esfera de energia surgiu entre suas duas mãos, que ele jogou em Drilbur! Assim que foi atingido, a toupeira voou metros para trás, não conseguindo acertar seu movimento e se chocando contra uma grande pedra no campo, que se quebrou com o impacto!
Mas Clay não estava satisfeito! Logo, mandou:
- Use a Garra Sombria!
Carter nem teve tempo de ordenar alguma coisa, quando viu as garras de Krookodile serem envoltas em sombras escuras e aumentarem muito de tamanho! Drilbur, assim que conseguiu se levantar e se livrar da tontura que recebera pós o impacto com a pedra, recebeu um poderoso arranhão nas costelas, que o jogou com força para o lado, fazendo-o cair com o queixo na terra dura da arena. Mas, mesmo fazendo força com os braços para se levantar, ele não tinha sucesso.
- Use o Terremoto! – gritou Clay.
Drilbur ainda estava tentando se levantar, quando Krookodile deu um grande salto e voltou ao solo com bastante força! O impacto causou um grande tremor de terra, que destruiu ainda mais a arena e que fez Drilbur cair de novo no chão.
- Agora, o Quebra Telha! – ordenou o líder de Ginásio.
O Pokémon crocodilo nem deu chances ao adversário de se desviar. Correu até ele e com as mãos brilhando, desferiu um poderoso golpe delas nas costas de Drilbur! Isso levou Drilbur ao limite! Sem poder resistir, a toupeira fechou os olhos, inconsciente.
- E Drilbur está fora de combate! A vitória é de Krookodile e Clay! – anunciou o juiz, levantando a bandeira verde na direção do líder do Ginásio, que comemorava junto ao seu Pokémon. A plateia vibrava, alguns felizes e alguns tristes pelo resultado, mas ainda assim, faziam um grande barulho.
- DRILBUR! – gritou Carter, correndo para o meio da arena. Quando chegou até o seu Pokémon, o abraçou forte – Você... Você foi ótimo! Venha descansar... Depois iremos treinar mais! – e dizendo isso, o recolheu na Pokébola.
- Você foi bem, filho! – disse Clay, já do lado do garoto – Lutou muito bem.
- Obrigado...
- Mas, lembre-se da promessa que me fez! Você sairá por aquela porta, mas depois voltará! E quantas vezes for preciso! Entendeu bem?
- Sim, entendi! – respondeu Carter, ainda ajoelhado no chão.
- Eu vou acompanhar a plateia para fora e depois tomar um banho lá em casa. Se quiser ficar aqui... Pensar na sua estratégia, ver onde ela falhou... Ou talvez ter um tempo só para si... Não vou interferir. – ele foi indo até as portas, com a multidão de espectadores e o juiz o seguindo – E, antes de sair, apague as luzes!
Carter ficou lá, arrasado. Não havia se permitido chorar na presença do pai, mas agora... Ajoelhado sobre aquele chão de terra, onde vira dois de seus Pokémons perderem... Onde ele havia falhado? Por que havia falhado? Mas de uma coisa ele sabia: não iria desistir! E voltaria ali, mais e mais vezes, até levar a insígnia!
- Eu não irei perder da próxima vez! Isso é uma promessa! – afirmou ele para o vazio... E em seguida, chorou!
