"Near… Você vai perder…"

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Ela estava em pé diante da porta da sala de Roger. De dentro do cômodo vinham duas vozes, que ela já estava cansada de ouvir. E o dono de uma delas a irritava. Logo a raiva o consumia tanto que por algum tempo ela não ouvia nada. Por isso se assustou ao ouvir uma terceira voz falando de L.

- L, infelizmente, não está mais conosco. O mundo agora acredita em você, Near. – a voz estava calma.

A garota baixou a cabeça, tomando cuidado para não fazer barulho.

- Near. – Roger fez uma pausa antes de dizer o que queria – Por favor, deixe que ela o acompanhe.

Houve um momento de silêncio e pouco depois a porta foi aberta, fazendo com que a garota prendesse a respiração. Quando o susto passou, ela viu Near saindo e uma garota indo logo atrás. Tão logo eles estavam longe o suficiente, ela entrou na sala.

- Ah, Mochi. O que a traz aqui? – Roger tinha os olhos fixos na garota.

- O que aconteceu a L? Por que disseram que ele "não está mais conosco"? – ela tinha os olhos cheios d'água.

- Ah, Mochi… Por que você não perde o hábito de ouvir atrás da porta? – Roger suspirou.

- Eu queria falar com você, Roger… – ela baixou o olhar, parecendo encabulada talvez incomodada com algo.

- Pois diga. Não vou repreender você. – ele a incentivou, o olhar com um pequeno brilho de curiosidade.

Ela levantou a cabeça, olhando para ele. Agora estava bastante destemida.

- Mas antes quero saber o que houve com L!

Roger suspirou antes de responder.

- Foi há alguns anos, em um caso bastante diferente. Alguém estava matando prisioneiros de parada cardíaca de alguma forma e L se envolveu no caso…

- E daí? Ele já se envolveu em muitos casos! E eles não tinham nada de comum!

- Ele foi obrigado a se expor e isso levou a sua morte… Era um caso complicado, você não entenderia.

- Então tente me explicar! O melhor detetive do mundo morre e vocês colocam… Colocam… O Near como substituto?!

Roger entendeu o que se passava.

- Você, Mochi, queria estar no lugar dele, não é?

- Claro que queria! Qualquer um seria melhor do que aquele albino no cargo de L!

Mochi queria ter dito outro coisa, mas lhe doía o peito só de pensar. Ela queria dizer que até mesmo Mello seria melhor substituto do que Near, mas o loiro não estava mais lá. Se L havia tido um fim trágico, então Mello e Matt também tiveram, como ela concluiu logo. Sentiu uma lágrima escorrendo e logo a secou, respirando fundo.

- Bom… – Roger percebeu o estado de alma da jovem – Sobre o que queria falar, Mochi?

- Eu queria saber… Se é verdade o que estão dizendo…

- Dizem muita coisa por aí, Mochi. O que exatamente está lhe incomodando?

- Estão dizendo… Que eu não sou órfã. E que minha mãe está vindo para me buscar logo.

Roger ficou em silêncio.

- É verdade, não é?! – Mochi quis chorar.

Ele não respondeu.

- É, não é?! Roger, por favor, me responda!

- Sim, Mochi… É.

Mochi empalideceu. Não que tivesse ficado muito aparente, mas ela sentiu que seu sangue começou a parar de circular.

- Então… Por que eu estou aqui…?

- Porque você tem potencial, sua mãe reconheceu isso. E por isso ela a deixou aqui. Para que não fosse desperdiçado.

- Mas agora ela quer que eu volte para casa… Por que?

- Essa é uma boa pergunta. Ela não nos deixou claro o motivo em seu telefonema.

Nesse momento, a porta foi aberta e uma mulher morena em cadeira de rodas entrou, empurrada por um homem moreno e bonito. Mochi sentiu um arrepio correndo por suas costas ao pousar os olhos neles e recuou um passo.

- Senhora Yagami, não achei que fosse chegar tão cedo. – Roger se levantou e foi cumprimentá-la.

Ela sorriu e então olhou para Mochi, que estava assustada.

- Ela seria…?

- Ela é a sua filha. – Roger fez um sinal para que Mochi se aproximasse.

- Oh, meu Deus! Como ficou bonita! Venha cá, querida. – ela fez sinal para que Mochi fosse até ela.

A garota obedeceu. Apesar de ter 13 anos, conseguia reconhecer que aquilo era o fim da vida como conhecia. Aquela com certeza seria sua mãe e, se aquele não fosse seu pai, seria seu irmão mais velho. Ela preferiu acreditar na primeira opção.

- Ah, minha filhinha… Como é bom vê-la assim. Tão saudável. – a senhora Yagami tinha os olhos cheios d'água.

- Bom, creio que é melhor você ir arrumar suas coisas, Mochi. – Roger se dirigiu a sua mesa ao acabar de falar.

Mochi concordou com a cabeça e se retirou.