No capítulo anterior…

"Hiroshi bufou e se afastou. Poucos segundos depois, Aki percebeu que alguma coisa havia caído atrás do rapaz. Pegou seu livro e foi ver o que era, dando de cara com um caderno fino e preto, com letras brancas na capa indicando o que era."


Aki tinha o caderno preto em mãos, olhando-o com curiosidade apesar de não abri-lo. Quando estivesse em seu quarto, sem algo importante para fazer, daria uma olhada descente no objeto, mas não naquele momento. As aulas da tarde estavam para começar e ela havia prometido a Ryuu que a veria nos treinos de karatê.

A morena caminhou calmamente, com o caderno preto escondido no meio do livro, até o dojo usado pelo clube de karatê. Não demorou muito até Aki avistar um grupo histérico de garotas que viam o treino do clube freqüentemente, indo se juntar a elas.

- O que está acontecendo aqui? – a pergunta de Aki pareceu atrair a atenção das alunas.

- Ah, Yagami-senpai! – uma garota de cabelos ruivos olhava para Aki como se estivesse encantada em vê-la – Tem um aluno novo no clube de karatê…!

- E o nome dele é…? – Aki estranhou. "Por favor que não seja quem eu acho que é…"

- Olhem! Apareceu outro! – uma outra garota chamou a atenção das duas, apontando freneticamente para o dojo.

Aki se infiltrou no grupo e foi para frente, podendo ver o dojo sem qualquer dificuldade. Um dos alunos novos era, como ela suspeitou, Hiroshi. A raiva do momento devia tê-lo levado àquilo. Aki suspirou. Ele seria massacrado e ela apenas acharia graça. Muita graça, diga-se de passagem.

O outro era, estranhamente, Ryuu. Não era bem um garoto, mas muitos não conseguiam ver isso. Talvez essa fosse a razão para que a loira fosse tão facilmente aceita no clube. Aki franziu a sobrancelha, mas não comentou nada. Apenas ficou onde estava, assistindo aos treinos do clube. Sorriu por dentro ao ver Ryuu dar uma surra, ao maior estilo karatê possível, em Hiroshi.


Já final da tarde, o céu estava tingido dos mais diferentes tons de laranja. Aki estava em seu quarto, deitada sobre sua cama, enquanto Ryuu se encontrava no banheiro tomando banho. A loira era sempre a segunda a fazê-lo, já que demorava a dar um jeito em seu cabelo enrolado. Não que aquilo incomodasse alguma das duas.

A morena olhava distraída o caderno negro que achara mais cedo naquele dia, quando alguém bateu três vezes na porta do quarto. Sem muita vontade, Aki levantou-se e escondeu o caderno sob o travesseiro, indo receber o visitante em seguida. Não se encontrava em trajes impróprios para conversar com alguém na porta do quarto, então achou que não teria problemas.

Não que tenha sido exatamente isso que ela imaginou que aconteceria ao abrir a porta. Na realidade, passou longe de ter problemas. Sentiu-se mais surpresa do que gostaria ao ver qual era a razão das batidas na porta. No chão, perfeitamente embrulhado, estava um pequeno pacote prateado com um bilhete preso.

Aki o pegou com certa curiosidade e fechou a porta. Não havia ninguém no corredor para lhe dar explicações, então ela teria de encontrá-las. Voltou para a própria cama, sentando-se com o pacote em mãos. Nesse mesmo momento, Ryuu saiu do banheiro, vendo o pacote prateado segurado por Aki.

- De quem recebeu isso? – a loirinha franziu o cenho. Não era normal Aki receber alguma coisa e ambas sabiam o quanto aquela era uma situação estranha.

- Não sei. Acabaram de deixar na porta. Quer abrir? – Aki estendeu o pacote a Ryuu, aparentemente sem interesse no presente.

- Eu não. Se for uma brincadeirinha de mau gosto para você, então que atinja a pessoa certa. – Ryuu falou com um tom zombeteiro na voz.

Aki soltou uma breve risada, abrindo o pacote em seguida.

- Acho que a única brincadeirinha de mau gosto é o fato de eu me sentir ofendida por me mandarem um monte de açúcar em forma de barra. – a morena estendeu a caixinha que vinha para a loira, expondo o doce mais calórico que ela conhecia. Infelizmente, era um de seus doces favoritos.

- Alguém por aqui conhece você muito bem. – Ryuu se sentou na cama – E o que diz no bilhete? – ao terminar a pergunta, a loira pegou o papelzinho e o leu – "Desculpe". Reconhece esse garrancho? – ela o estendeu de volta a Aki ao acabar de ler.

A morena pegou o bilhete e deu uma breve olhada, rindo de leve em seguida.

- Como ele descobriu isso? – Aki parecia estranhar, mas não demonstrava estar incomodada – Você andou espalhando minha ficha por aí, Last?

- Eu não fiz nada. Aliás, nem sei quem é o autor disso tudo. – Ryuu deitou em sua cama enquanto falava, mas manteve os olhos na amiga.

- Hiroshi.

Os orbes azuis da loira se arregalaram, o que pareceu divertir a outra.

- Quem diria, não é? – e então ela deixou o pequeno presente sobre a cômoda e tornou a se deitar. Provavelmente as duas conversariam mais do que o normal naquela noite até finalmente pegarem no sono.