Hiroshi estava sentado em sua cama, enquanto Aki estava na outra. Apesar de ter sido ela quem o procurara, ainda queria ficar o mais longe que pudesse do rapaz. Hiroshi estava visivelmente nervoso, folheando o caderno de um jeito inquieto. Não sabia como falar o que Aki queria saber de forma que parecesse normal. Ou pelo menos, natural.

- Isso aqui é… Bom, você já deve ter visto o nome na capa, não é…? – ele desviou o olhar para Aki ao começar a falar.

- Sim. Traduzindo do inglês, o nome disso é "Caderno da Morte". Que brinquedinho mais macabro esse que você foi arranjar, hein? – Aki parecia estar se divertindo.

- É…

Hiroshi ia continuar a falar, quando uma voz masculina soou do corredor. Logo o dono apareceu na porta. Era um dos amigos de Hiroshi e provavelmente o chamaria para jogar alguma coisa ou sair para algum lugar. Outros dois garotos apareceram pouco depois do primeiro e os três fizeram a mesma expressão surpresa com um sorriso murcho no rosto ao ver a expressão séria de Aki.

- Ah… Você tem companhia já… Foi mal aí, Hiroshi! – dito isso, o primeiro garoto deu um breve aceno com a mão e saiu. Os outros dois ainda olhavam incrédulos para o "casal".

- Pô, Hiroshi… Que mancada… Nem apresentou para gente e já ta nesse clima todo com ela… – um dos garotos que ainda estava na porta parecia sem graça, mas ainda tentava tirar uma com a cara de Hiroshi.

- Que desgastante. – a voz de Aki saía fria e atraiu os três olhares – Eu ganharia muito mais ficando em meu quarto. – ao terminar de falar, a garota se levantou e saiu, lançando um olhar cortante aos dois garotos parados na porta.

- Ela é medonha… Como você consegue ficar com alguém assim, Hiroshi…? – o mesmo garoto que falara antes tinha feito a pergunta.

Hiroshi não respondeu. Apenas se levantou rapidamente da cama e, segurando o caderno com força na mão, foi atrás de Aki. Ele sentia que alguma coisa não estava certa e iria descobrir o que era, não importando como. Quando alcançou a garota, ela já estava entrando em seu quarto.

- Yagami-senpai, espere…! – ele estava um pouco ofegante, o que fez Aki franzir as sobrancelhas.

- Você não correu a maratona, não precisa respirar desse jeito. E diga logo o que quer comigo. – ela entrava no quarto ao falar.

Hiroshi achou melhor ficar na porta.

- Temos que terminar a conversa… Não é…? – ele pareceu hesitante ao falar.

Aki riu.

- Tudo o que você quer é continuar na minha presença. – ela tinha um tom desafiador – Ou estou enganada?

- N-não… Não é isso…! – Hiroshi tentou falar com firmeza, mas não estava muito em condições de fazê-lo. Por alguma razão, a presença de Aki era gratificante para ele – É só que… Você se deu ao trabalho de ir até meu quarto para devolver o caderno, então acho que é o mínimo que posso fazer em troca…

Aki revirou os olhos.

- Se quer tanto assim terminar de contar o que é isso aí, me procure amanhã no horário em que eu lhe dava aulas.

Hiroshi se surpreendeu com a resposta.

- Sim, Yagami-senpai…! – e então ele se retirou, parecendo estranhamente alegre.

Ryuu chegou quando Hiroshi estava saindo, mas não a tempo de ouvir alguma coisa da conversa. Quando viu o rapaz quase saltitante no corredor, franziu o cenho e se apressou em saber o que estava se passando.

- Eu saio por dez minutos e vocês se resolvem? – a loirinha tinha um ar zombeteiro.

- Não nos resolvemos. E também não sei porque ele ficou tão alegre de repente. Eu não disse nada que poderia causar esse efeito. – Aki agora estava deitada na cama, folheando um livro qualquer.

- Você já deve ter percebido, mas… Ele gosta de você, Mochi. – Ryuu ainda a chamava assim, mas tomava cuidado para não fazer isso na presença de outras pessoas. Seria estranho e Aki se sentiria desconfortável, como já tinha dito.

- Gosta, é…? – Aki não parecia prestar muita atenção na conversa.

Ryuu revirou os olhos.


Hiroshi estava em seu quarto, deitado na cama estático. Tinha o caderno aberto cobrindo seu rosto e sua respiração um tanto pesada fazia barulho ao alcançar as folhas. Então alguma coisa apareceu silenciosamente no cômodo. O rapaz não a notou de imediato, mas o barulho de alguém sentando na cama o fez se sentar, assustado.

Quando seus olhos focaram um ser estranho e grotesco, Hiroshi sentiu o coração parar por uns poucos segundos. Não tinha ideia do que ou quem era na outra cama de seu quarto, mas também não sabia se estava disposto a descobrir.

- Ora, ora… Então veio parar com um humano vivo mesmo… E eu achando que tinha errado dessa vez.

Hiroshi ficou encarando o ser na outra cama, sem acreditar que ele podia falar.

- O que foi? Ah, é. Eu não me apresentei… Ryuuku, prazer.

- O que é… Você? – Hiroshi não conseguia acreditar no que estava vendo.

- Eu? Um shinigami, oras. E esse aí é meu caderno. – Ryuuku apontou para o caderno agora caído sobre o colo de Hiroshi.

- Shinigami… Então… Isso é mesmo um caderno assassino. – o garoto parecia surpreso ainda, mas algo nele mostrava que estava achando a situação engraçada.

- E você duvidava? – foi a vez de Ryuuku parecer surpreso – Ah, entendi… Você não testou, não é?

- E quem testaria uma coisa dessas?! – Hiroshi estava incrédulo.

- O último proprietário testou… E foi a melhor pessoa que eu já acompanhei. – Ryuuku riu – Matou meu tédio por um longo tempo…

- Então é por isso que você está aqui? Por que estava entediado? – o rapaz não conseguia acreditar e conforme a conversa fluía, menos ele acreditava.

- É claro. Deuses da Morte também se entediam, sabia? – Ryuuku pareceu ofendido.

- Ta…

- Tudo bem, eu vou te dizer uma coisinha que talvez te interesse. Todos que tocarem nesse caderno podem me ver. Se mais alguém já tocou nele, basta que ela me veja e você saberá que tudo isso está mesmo acontecendo. – Ryuuku não parecia muito animado agora.

"Com o Raito foi bem mais legal…"

- Todos que tocarem, hm…? – Hiroshi pareceu gostar de saber.