Na hora combinada, Hiroshi apareceu na biblioteca. Ele sabia que Aki estaria lá, como ora das outras vezes. A garota passava um tempo realmente grande naquele lugar. Ryuuku, como devia fazer, acompanhava Hiroshi por todos os lados. Ninguém o via, o que reconfortava o rapaz. Mas e se Aki também não o visse? Aí só significaria uma coisa: ele estava delirando.

Quando ele se aproximou da mesa em que a garota estava, tudo que fez foi se sentar em uma cadeira livre. O barulho fez com que os olhos esmeralda de Aki se levantassem das páginas do livro que ela lia e o focassem. Por um breve momento, nada aconteceu, o que deixou Hiroshi um tanto decepcionado. Então Aki pareceu notar Ryuuku.

Seus olhos se arregalaram. Pouco, mas arregalaram. Seu lábio inferior tremeu de leve e sua mão se fechou com mais força em torno do livro. Hiroshi sorriu de canto. Ela conseguia enxergar Ryuuku, sinal de que não era uma ilusão, um delírio. Quando a garota tornou a fitar Hiroshi, ele começou a falar.

- Ele é o dono real do caderno. – Hiroshi estendeu o Death Note para Aki, como se quisesse que ela o folheasse.

- Isso é impossível. Que tipo de coisa é essa, Hiroshi? Se for uma de suas brincadeirinhas infantis, já aviso que não tem a menor graça. – ela tinha um tom sério e fuzilava o rapaz com o olhar.

- Como ela é cruel. – o comentário veio de Ryuuku e sua voz pareceu incomodar Aki.

- Eu sei… – Hiroshi suspirou – Mas você acostuma. Não é, Yagami-chan? – o rapaz sorriu.

- Hm? – o nome pareceu ter atraído a atenção de Ryuuku – Você disse… "Yagami"? – "Kkkk… Parece que eu tenho muita sorte mesmo…"

- Foi. – Hiroshi não entendeu a razão da pergunta nem da repentina animação do shinigami.

"Kkkkkk… Muita sorte, mesmo…!"

Ryuuku não disse nada, apenas continuou fitando a garota, que parecia incomodada com sua presença. Se fosse como o tio, Ryuuku teria muitos dias divertidos pela frente.

- Aqui não é um bom lugar, melhor irmos para meu quarto. – Hiroshi se levantou, colocando o caderno sob o braço e começando a se afastar.

- Eu não vou para seu quarto, Hiroshi. Não quero nem saber dessa história. Se isso aí for real, eu não vou me envolver. – Aki continuava sentada.

- Mas você se envolveu, Yagami-senpai. – ele tinha um ar de satisfação na voz e sorria de canto ao falar.

Aki não respondeu. Afinal, Hiroshi estava certo. Querendo ou não, ela já tinha se envolvido naquilo tudo.


Ryuu estava na quadra, jogando basquete com mais alguns alunos. Como não tinha muito que fazer e o tempo estava bom, ela decidira se exercitar um pouco. Estava cansada de passar seu tempo livre no quarto só porque os outros não gostavam muito dela. Querendo ou não, eles a aceitariam.

Quando viu Aki passando e acenando para ela, a loira se apressou em sair do jogo. Tinha algo errado com a amiga e ela podia perceber, mesmo à distância. Fosse o que fosse, ela ajudaria a resolver. Então correu até onde Aki se encontrava, apoiando as mãos nos joelhos ao alcançá-la. Precisava recuperar o fôlego.

- Você está um trapo, Ryuu-chan. – Aki parecia achar graça – E como foi o jogo?

- Foi bom. – uma vez que já respirava normalmente, Ryuu se pôs em pé – E o que aconteceu com você?

- Hm? Não aconteceu nada. Por que diz isso? – Aki se fez de desentendida.

- Não minta para mim. Eu te conheço bem demais para acreditar que não aconteceu nada. – Ryuu franziu uma sobrancelha e arqueou a outra.

Aki suspirou.

- Tem razão… É só que aqui não é um bom lugar para falarmos disso e… Você precisa de um banho.

Ryuu apenas concordou com a cabeça. Estava Sol e ela tinha suado bastante.


No quarto, Ryuu e Aki estavam sentadas lado a lado na cama da segunda, enquanto Hiroshi estava sentado na cama da loira. Ryuuku estava de costas para a janela, apoiado na escrivaninha, apenas o observando. Ryuu já tinha tomado banho e agora esperava por explicações. Respostas para perguntas como…

- O que raios ele está fazendo aqui?!

- Essa é uma história complicada… Vê aquele caderno? – Aki apontou para o caderno preto nas mãos de Hiroshi. Ryuu concordou com a cabeça – É tudo por causa dele.

- E o que é esse caderno? – Ryuu não conseguia entender.

- Um caderno assassino. – Hiroshi respondeu com naturalidade.

Ryuu riu alto.

- Bom, antes de mais nada, acho que teremos de provar. – Hiroshi se levantou enquanto falava, tocando o braço de Ryuu com a ponta do caderno.

Imediatamente a loira viu uma sombra se esticando no chão do quarto, vinda de onde Ryuuku estava. Seus orbes azuis se arregalaram e ela não conseguia acreditar no que via.

- Que droga é essa?!

- Eu andei pensando… Near é o maior detetive do mundo… Essa é uma arma que não deixa vestígios… Se juntarmos os dois… – Aki montava uma linha de raciocínio que Ryuu parecia entender.

- … Derrubaremos Near. – a loira completou a frase.

- O que vocês têm contra o maior detetive do mundo? – Hiroshi parecia confuso.

- Se não fosse ele, Mello ainda estaria aqui e nós poderíamos conhecê-lo. – Aki respondeu de prontidão.

- Como conheceriam… Quem mesmo? – Hiroshi ficava cada vez mais confuso.

- Não importa. – Ryuu não se importava com a confusão do rapaz – Se tivermos um bom plano, isso pode realmente acontecer.

- E então… Near irá cair. – Aki sorriu satisfeita.

Ryuu sorriu do mesmo jeito.

"Kkkkk… Isso será realmente divertido…" Ryuuku alargou o sorriso que tinha no rosto.