"Que assim seja. Já cansei de você."


Aki estava sentada sob a sombra de uma árvore no jardim da escola, desenhando algo em um caderno já gasto pelo tempo. Era um caderno que a garota usava desde pequena e estava sempre com ele, aonde quer que ela fosse. Aki estava tão distraída que não notou a aproximação de Ryuuku.

- Hei. – a voz do shinigami assustou Aki por um breve momento, mas a garota logo se recuperou.

- Diga, Ryuuku. – ela mantinha os olhos voltados para o papel enquanto falava – O que o traz aqui sem o Hiroshi?

- Ele me pediu para chamá-la. – o shinigami não parecia feliz com a tarefa.

- E para que? – Aki tinha um indiferente, mas sentia que algo não estava certo.

- Ele não disse. – Ryuuku começava a ficar impaciente e isso estava claro em sua voz.

Aki suspirou. A única coisa a se fazer então era mesmo ir até Hiroshi? Ela desviou o olhar para o shinigami, constatando que sim. Sem muita vontade, a garota arrumou suas coisas e se levantou. Calmamente foi para dentro do prédio da escola, sendo seguida pelo shinigami. O trio tinha começado a se mover, o que deixava Ryuuku mais ansioso do que o normal. Talvez por isso Hiroshi o tivesse feito sair e andar um pouco.

Quando Aki chegou ao quarto do rapaz, parou diante da porta fechada e nela bateu três vezes. Enquanto esperava, a garota começou a falar com o shinigami.

- Diga-me, Ruuku. Hiroshi já escreveu algo no caderno?

- Duas ou três vezes… Ele disse algo sobre "ter certeza sobre o funcionamento do caderno".

- Até que ele fez um bom trabalho… Não achei que ele fosse ter coragem suficiente para as… – antes que Aki pudesse terminar a frase, a porta foi aberta.

- Hm? Yagami-senpai apenas…? E a Ryuu-san? Achei que estariam juntas. – o garoto parecia um pouco confuso.

- Ela está no treino de karatê. – Aki falava como se fosse algo óbvio.

- Ah, sim. Ela continua se dedicando ao clube então. – o rapaz deu espaço para Aki passar.

A garota entrou no quarto sem cerimônia.

- Bagunçado como sempre. – ela tinha um tom de deboche.

Hiroshi não respondeu. Não por ter se irritado, mas porque ficara sem graça. Aki era extremamente organizada, enquanto ele era o completo oposto. Apesar disso, conseguiam se dar bem. Ele até entendia a razão, mas as garotas e o shinigami pareciam não saber direito. Também não ligavam muito.

- E por que me chamou, Hiroshi? – Aki se virou para o rapaz.

- Os testes deram certo. – ele ficou sério ao começar a falar – Qual será o próximo passo?

Aki sorriu de canto, satisfeita.

- Temos que ver se Near vai fazer algo a respeito. Senão nós vamos ter de provocá-lo mais.

Hiroshi ia responder, mas a risada de Ryuuku o fez ficar quieto por um instante, com uma expressão confusa. Quem se manifestou foi Aki, com um tom de voz que nem o rapaz nem o shinigami souberam definir.

- Algum problema, Ryuuku?

O deus da morte parou de rir e olhou para a garota, sem responder. Nem era preciso. Seu olhar delatava a empolgação que sentia. Aki sorriu de canto com um ar zombeteiro. Ryuuku pareceu não se incomodar, mas Hiroshi achou estranho.

- Yagami-senpai… Tudo bem…?

- Não se preocupe, Hiroshi… Mostre-me como você fez os testes. – enquanto falava, Aki se dirigia à cama do rapaz e tinha se sentado ao acabar de falar.

Hiroshi concordou com um breve aceno de cabeça e pegou o caderno, que estendeu para Aki. Logo ela folheava o Death Note, procurando pelas páginas usadas pelo rapaz. Quando encontrou o que queria parou para ler. Eram apenas três linhas, cada uma ocupada por um nome. Três assassinos assassinados. Pensar nisso fez Aki sorrir de canto.

- Diga, Ryuuku… – a voz dela saía calma ao falar – Você não sabe todas as regras, não é…?

Ryuuku estranhou a pergunta, mas confirmou a informação.

- Então temos que fazer mais testes… Não haverá melhor oportunidade do que o movimento de Near. Eu sei que aquele albino irá fazer algo a respeito… – Aki tinha um tom de voz estranho e Hiroshi podia jurar que tinha escutado uma risadinha ao final, embora não pudesse afirmar com tanta certeza quanto gostaria.

- E quando os faremos? – Hiroshi soou mais ansioso do que gostaria ao perguntar.

- Passado o final de semana, nós veremos isso. Vou visitar meus pais. – dito isso, Aki devolveu o caderno para o rapaz – Não me procure mesmo quando eu estiver de volta. Quando for hora de fazermos algo, eu virei falar com você. – e então a garota se retirou.

Hiroshi apenas ficou em silêncio, parecendo incomodado com a última frase da garota.


Ryuu estava no quarto já quando Aki chegou, o que causou certo estranhamento.

- Achei que estava no clube. – Aki franziu o cenho e foi se sentar na própria cama.

Ryuu, até então deitada na própria, também se sentou, fitando a amiga com um ar que a outra não soube definir.

- Fomos liberados mais cedo hoje… Muito alunos querem visitar os pais nesse fim de semana. Foi ver Hiroshi? – Aki concordou com a cabeça, então a loira continuou – Disse a ele para parar de procurá-la, também? – uma nova concordância – Isso é cruel, você sabe, não? O garoto realmente gosta de você…

Aki deu os ombros.

- Deixando isso de lado… Eu estava pensando hoje… Quer ir comigo? Meus pais devem gostar de conhecer você. – Aki sorriu de canto.

Ryuu suspirou.

- E quem vai ficar de olho no garoto? – ela sabia a resposta, mas achou melhor perguntar assim mesmo.

- Ele não ousaria me desobedecer. Até que é bom que ele seja o dono do caderno. – Aki desviou o olhar para a janela e se levantou ao continuar – Então, vai comigo?

Ryuu suspirou mais uma vez. Então fitou a amiga, sorrindo, e concordou com a cabeça. Logo as duas estavam arrumando as malas. Iriam viajar naquele final de semana, não para longe, mas também não para perto. Não sabiam como as coisas seriam, tinham de estar preparadas.