Aki terminou de ajeitar suas coisas no quarto na casa dos pais e foi ver como Ryuu estava se saindo no quarto de hóspedes. Para sua surpresa, estava tudo arrumado e guardado no devido lugar. A loirinha estava em pé próxima à janela, parecendo esperar por algo. Estava tão perdida em pensamentos que não reparou na aproximação de Aki.
- Aconteceu algo, Ryuu? – Aki entrou no cômodo ao perguntar, rindo do olhar arregalado que recebeu em resposta.
- Ah, é você, Aki. Não me assunte assim…! – Ryuu se sentou na cama antes de responder o que a amiga queria saber – Não, não aconteceu nada… E esse é justamente o problema. Pedi para Hiroshi me avisar de qualquer movimento da polícia, mas até agora…
Aki cortou a fala da amiga.
- Não precisamos que ele avise. Meu pai é policial. Ele trabalhou no caso que envolvia meu tio. – a garota estava séria ao responder.
A loira ficou em silêncio.
- Bom – a morena se dirigiu à porta –, vou ver se o jantar está pronto e venho te avisar. – e então saiu.
Ryuu ficou apenas com a sensação de desconforto, causada pela falta de senso que tivera pouco antes.
Hiroshi estava deitado em sua cama, aproveitando que naquele final de semana não tinham aula. Ryuuku estava olhando pela janela, como se pressentisse algo. Seu silêncio estranhamente profundo estava começando a preocupar o rapaz, que logo se levantou e foi até o shinigami.
- Ryuuku, por que você não está agitado como sempre?
- Acho que tem alguém te observando… E isso me incomoda, porque eu sinto como se estivessem ME observando junto.
- Ah, de repente o alvo é você mesmo. – Hiroshi deu os ombros, rindo da reação assustada do shinigami – Se só eu, Yagami-senpai e Ryuu-san podemos vê-lo, quem raio poderia estar observando logo VOCÊ, Ryuuku?
O shinigami não respondeu, o que fez Hiroshi dar os ombros mais uma vez e voltar para a cama. Então seu computador apitou, indicando que um e-mail tinha chegado. Sem pressa, o garoto se pôs sentado diante da máquina e foi conferir a mensagem. Era de Ryuu e pedia desculpa pelo pedido de atualização imediata caso a polícia se manifestasse. Ela também dizia que não seria mais necessário.
A resposta enviada à loira foi apenas uma pergunta. Por quê? Por que de repente ela não queria mais que ele prestasse aquele serviço tão… Simples? O outro e-mail chegou quase que de imediato. Hiroshi quase caiu da cadeira ao lê-lo. Saber que o pai de Aki fazia parte da polícia era um baque e tanto. Especialmente quando a garota estava caminhando por um tapete de sangue.
Ryuuku apenas riu.
- Cala a boca, shinigami idiota…! Você sabia, não sabia?
Ryuuku não respondeu, fazendo Hiroshi bufar. Então decidiu mandar uma resposta a Ryuu. Queria saber por que não ficara sabendo daquilo antes, de forma menos… Chocante. A garota não respondeu. A única conclusão a que o rapaz conseguiu chegar foi a de que, por qualquer razão, a amiga não estava mais diante do computador.
Aki e Ryuu estavam pondo a mesa do jantar imersas em um silêncio profundo, até que a loira decidiu quebra-lo. Respirou fundo e então começou a vomitar as palavras, sem saber direito o que dizer, muito menos parando para respirar. Aki parou o que fazia e olhou para a amiga, revirando os olhos em seguida.
- Deixa de besteira, Ryuu. Não tinha como você saber sem que eu contasse. Então não precisa pedir desculpa. – então a morena voltou a por a mesa.
A loira piscou algumas vezes, como se processasse o que escutara. Então sorriu e voltou a ajudar Aki com as tarefas. Os pais da garota estavam animados com a visita, então capricharam na refeição. A menor das meninas apenas agradecia mentalmente por isso. Sentia falta de comida caseira, especialmente pelo fato de ter passado toda sua vida no orfanato.
O jantar passou rápido, sem muita conversa. A noite passou de forma mais acelerada ainda e assim, os dias se foram. Logo as garotas estavam arrumando as malas de novo, dessa vez para voltarem à escola. Não sentiam qualquer vontade de voltar, mas tampouco queriam ficar lá. Então, quando Aki estava levando suas coisas para a sala, seu pai a chamou. Sem entender, a morena deixou a mala em um canto qualquer e foi para onde seu genitor a chamara.
- O que eu vou lhe dizer deve permanecer em segredo, ok? – Matsuda estava sério.
Aki confirmou com a cabeça.
- Lembra-se do caso de seu tio? Acho que ele está se repetindo.
- O que quer dizer com isso, papai? – Aki se controlava para não sorrir largamente.
- Alguns prisioneiros morreram de parada cardíaca quando não tinham nada que os levasse a isso, exatamente como foi para ele. Aki, tenha cuidado, por favor. Não se envolva com qualquer um… – Matsuda parecia ter um leve toque de desespero na voz.
A garota sorriu da forma mais inocente que conseguia naquele momento. Era o suficiente para acalmar o pai.
- Não se preocupe, eu não vou. Tomarei todo o cuidado, papai.
Matsuda sorriu e então deu um beijo na testa da filha, indicando que a conversa acabava ali. E de forma satisfatória. Assim que Aki se virou de costas para o pai e saiu, um sorriso largo e sombrio se desenhou em seu rosto. Faltava pouco para Near começar a interferir. Só a ideia já a satisfazia.
N/A: Quando eu consigo voltar a escrever, sai algo meio mixuruca como isso. Gomen!
