Link: Música do capítulo é ''Hook, Line & Sinker''-Jon Brion (http: /www. youtube. com/watch? v=5L3HDGB8iFM ).
CAPÍTULO 2: Jared
Um barulho na porta do apartamento alugado de Jared, que a atende. É Jensen. Está com os olhos vermelhos, inchados. Ele o abraça, sem dizer nada.
-É... Olá, Jen. - Jared cumprimenta.
Ficam assim por um bom tempo. Até que Jared o leva para dentro. Tira sua roupa, e a dele também. Transam, mas Jensen quase não geme. Por vezes, Jared pensa que ele está prestes a chorar. Resolve parar aquilo, as estocadas, sentindo que está fazendo a coisa certa. Saí de cima dele, arranca a camisinha do seu pênis e abraça Jensen, aninhando-se na sua cama de casal.
- Jay...? - Jensen chama, enquanto Jared está quase caindo no sono.
- Sim?
- Me promete uma coisa...?
Jared se inclina e o olha nos olhos, franzindo o cenho. Não está entendendo aonde ele quer chegar.
- Prometo. - Responde.
- Promete que nunca vai me deixar...?
Jared segura um riso. O deixar? Até parece que isso havia passado por sua cabeça. Bom, até havia, certa vez. Mas aquilo já fazia há um certo tempo.
- Porque pergunta isso? - Jared estranha. - Aconteceu alguma coisa?
Jensen não responde. Apenas fita um ponto qualquer do teto.
- Ok, se isso é sobre a Gen de novo... - Jared retoma. - Nós já falamos sobre isso.
- Você acha que é possível? - Jensen o olha intensamente. - Uma pessoa amar duas pessoas ao mesmo tempo?
Jared está literalmente perdido naquela conversa. Do que diabos Jensen estava falando?
- Não verdadeiramente. - Jared responde. - Digo, ele pode só achar que ama duas pessoas, mas uma delas é apenas uma paixão, uma grande queda, e não um amor verdadeiro.
Jensen desvia o olhar do seu rosto e volta a olhar para o teto.
- Era isso que você sentia quando estava com ela, Cortese? - Jensen pergunta. - Você a amava?
Jared sorri. Jensen está com ciúmes, de novo?
- Bom, eu achava que sim. - Jared responde, alisando o rosto de Jensen com uma mão e admirando sua beleza e meiguice. - Me casei com ela e tudo o mais. Mas, percebi, mesmo que tarde demais, que meu verdadeiro amor era você, Jen. Genevieve foi só uma paixão repentina, mas não duradoura. Eu já cansei de te explicar isso...
Jensen continua em silêncio por alguns minutos.
- Então, isso quer dizer que nós nunca terminaremos, apesar das nossas brigas, não é? - Jensen insiste.
Jared passa a mão na sua testa.
- Você está com febre, Jen? - Jared o olha com um olhar cauteloso. - Porque você está meio estranho hoje...
Jensen se levanta, bruscamente.
- Eu devia voltar pro meu Hotel. - Jensen diz, sem convicção.
- Mas já está de noite, Jen! – Jared argumenta. Jensen estava mesmo estranho e ele não seria louco de deixar o namorado sair dali daquele jeito aquela noite. - Você pode dormir aqui essa noite.
- Ela não iria gostar. - Jensen diz, frio. - Sabe que não...
Jared se cala. Sabia que Jensen estava certo. Genevieve não iria gostar, em um pouco, se descobrisse que os dois dormiram juntos. A mulher até dera um ultimato quando Jared contou que havia tido um caso com Jensen. Dissera-lhe que, se ele gostava mesmo dela e pretendesse se casar, que largasse Jensen, que o deixasse no passado. Jared, apaixonado que estava, fizera como mandado. Até pensou em se separar quando voltou com Jensen, mas Genevieve havia sido clara quanto a isso: se eles voltassem, se Jared lhe desse um pé na bunda, ela botaria a boca no trombone e gritaria para quem quisesse ouvir que seu marido era gay e tinha um caso com o melhor amigo. Desde então, eles se tornaram quase reféns da mulher. A única escapatória seria se eles mesmos anunciassem o romance.
Mas, apesar disso, Jared gostava de Genevieve. Sabia que gostava. Sabia que a mulher só estava fazendo aquilo por medo, por temer perder o homem que ela amava em troca de um relacionamento que ela chamava de "coisa do passado". Genevieve estava confusa, Jared sabia muito bem, e não a culpava por isso. Aprendera que o amor às vezes pode levar alguém ao extremo, e corromper a alma.
- Vou indo, então... - A voz de Jensen despertou Jared de seus pensamentos.
Jared se levantou e segurou no ombro de Jensen, antes que este alcançasse a porta.
- Jen, o que está acontecendo? - Jared olhou Jensen nos olhos. - Porque está tão estranho hoje?
Jensen o fitou-o.
- Quanto tempo isso vai durar? - Jensen perguntou, para o espanto de Jared. - Quanto tempo eu vou ter que ficar dividindo seu amor com outra pessoa?
Jared passou uma mão nos cabelos, em um típico gesto seu.
- Jen, você ouviu o que eu disse? Eu não amo a Gen! Eu só amo você!
- Então porque ainda está com ela?
- Você sabe muito bem o porque, Jensen!
- Porque ela te chantageou? Esse é o preço do nosso amor? - Jensen apertava os olhos e Jared soube que ele estava começando a se estressar. - Uma vadia maluca entra no nosso caminho e tudo de repente começa a ruir? Tudo o que construímos começa a desmoronar por uma cadela psicótica?
- Não fala assim dela! – Jared gritou. Genevieve podia ter seus defeitos, mas ainda assim era sua amiga, e Jared não tolerava quando alguém, mesmo Jensen, tentava destratar os seus amigos. - Ela só está confusa...
- Confusa? Jared, você parece que se recusa a enxergar...
- O que é, Jensen? - Jared grita com o outro, irritado. - Não sei se você percebeu, mas não são todas as melhores que são companheiras como Danneel Harris! Não são todas as esposas que entendem...
- Talvez seja esse o problema. - Jensen corta, a voz abaixando e ficando fria novamente. - Talvez esposas sejam o problema. Talvez se você não tivesse inventado de se casar com aquela mulher, nós não brigássemos tanto quanto ultimamente.
Jared se calou. Jensen estava certo. Os dois tinham algumas briguinhas antes do anúncio do casório, é verdade. Mas nunca elas eram tão grandes quanto as que estavam tendo. Nunca haviam chegado ao ponto de ficarem semanas sem trocarem sequer um beijo como já haviam feito certo tempo atrás.
A mente de Jared viajou, involuntariamente, para o estopim de tudo aquilo.
GB & GL
- É verdade? - Jensen perguntou, quando estava no apartamento de Jared.
Jared o fitou, em silêncio. Chamara o namorado (ou seria, ex-namorado?) ali, para uma conversa que alertara ser importante. Pelo jeito, Jensen já havia ouvido a notícia de outra boca.
- Sim. - Jared confirmou, já presumindo sobre o que Jensen perguntara.
Jensen passou as mãos pelos cabelos, desconfortado.
- Vocês... Você... - Ele tentou completar a frase, o nervosismo transpirando em sua voz. Andava de um lado para o outro do quarto.
- Desculpe, Jen. - Jared disse. Não sabia como tentar amenizar aquela bomba que jogava nas mãos de Jensen.
- Você... Você... A ama? - Jensen parou, os olhos lacrimejados.
Jared fitou-o. Esperava mil e umas perguntas de Jensen, mas com certeza essa não era uma delas.
- Sim. - Jared respondeu sincero. Estava apaixonado por Genevieve Cortese, e não havia como negar isso.
Jensen concordou com um aceno de cabeça, passando a mão pela boca e pela barba mal-feita, voltando a andar de um lado para o outro.
- Você a ama... Como me amou? - Jensen perguntou, fitando os olhos de Jared.
- Sim, Jen. - Jared suspirou. - Eu a amo e vou me casar com ela. Me desculpe.
Jensen parou.
- Me desculpe? - Jensen gritou, de repente. - Me desculpe? Acha que desculpas vão aliviar tudo, Jared?
- Jen, eu não... - Jared tentou argumentar, mas fora inútil. Sabia que Jensen soltaria toda a sua fúria nele, como fazia com outras pessoas quando estava irritado. Nessas ocasiões, o melhor era se calar e ignorar, se quisesse não abalar a amizade.
- Jared, você pensa que pode jogar toda a nossa história no lixo por uma paixãozinha adolescente? - Jensen vociferou, as veias começando a saltar do pescoço. - Acha que pode brincar, usar e abusar do meu coração e jogá-lo fora como um brinquedo velho quando outro aparece?
Jared fitou o chão, desejando que o sermão de Jensen durasse menos que uma eternidade e fosse menos dolorido que uma tortura.
- Olhe para mim, porra! – Gritou, Jensen. - Seja homem o suficiente e me olhe nos olhos quando eu lhe disser algumas verdades!
Jared voltou a olhar para os olhos esverdeados, e agora molhados, de Jensen. Procurou não demonstrar nem raiva e nem pena no olhar.
- Você... Você... Jared, você não sabe o quanto eu o odeio neste momento! – Gritou, Jensen. As lacrimas escorrendo do rosto como cachoeira. - Você não sabe o quanto eu odeio o fato de te amar e de, um dia, ter te namorado!
- Desculpe, Jen, ok? - Jared resolveu intervir. Se fosse para jogar as cartas na mesa, que ele abaixasse seu jogo também. - Eu te amei, sim. E eu não me arrependo nem um pouco disso, e se pudesse voltar atrás, teria feito tudo o que fiz e passado todos os momentos com você, sendo meu namorado, de novo! Mas eu não controlo meu coração, Jensen! Se ele diz que eu amo outra pessoa, eu não posso ficar me iludindo e levando nosso namoro pra frente!
Jensen fechou os punhos. Antes que Jared percebesse, Jensen o esmurrou no meio do nariz. Jared caiu estatelado com a bunda no chão, o nariz sangrando.
- Isso é por tudo o que você está fazendo comigo, Jared. - Jensen anunciou.
Por um momento, Jared achou que Jensen continuaria esmurrando-o. Mas Jensen nada fez, apenas se dirigiu para a porta.
- E faz um favor pra mim Padalecki? - Jensen parou na soleira da porta. - Esquece que um dia nós fomos namorados! Esquece que um dia nós fomos mais do que companheiros de trabalho!
- Jen, espere! Aonde você vai? - Jared perguntou com a voz fanha, o peito acelerado pelo ataque. Segurava o nariz ensangüentado com uma das mãos.
- Quer saber aonde eu vou? – Gritou, Jensen, já fora de vista. - Eu vou dar o meu amor a quem merece!
Jared ouviu o barulho da porta do apartamento sendo batida violentamente. Jensen se fora, e provavelmente nunca voltaria. E mesmo que voltasse, não seria o mesmo, sabia que não. Jamais as coisas voltariam a ser como eram antes.
GB & GL
- Jay, você vê o problema, não é? - Jensen disse seco. - Ela é o problema.
Jared fitou-o por um momento. Por um lado Jensen tinha razão, mas Jared não poderia jogar toda a culpa em Genevieve. Jared era culpado tanto quanto a mulher, ele tinha plena consciência.
- O que você quer que eu faça? - Jared perguntou confuso.
- Se você me ama como diz, deveria se separar dela. Eu a odeio, mas não concordo que você continue enganando-a e se passando pelo "marido perfeito" se não a ama verdadeiramente, como companheira.
- Eu não posso. - Jared insiste. - Sabe muito bem o que Gen seria capaz de fazer se me perdesse: ela espalharia pra Deus e o mundo sobre nosso caso.
Jensen fitou-o, desta vez, por um momento, nos olhos.
- Deixe que espalhe. - Disse, apenas.
Jared quase deu um pulo com a sentença.
- O quê? Jensen, você ficou maluco?
- Eu sou maluco. Maluco por você! - Jensen disse com o olhar apaixonado e ao mesmo tempo gélido e sem vida. - E se você sente o mesmo, não vai se importar com esse tipo de coisa que está mais do que na hora de ser revelada.
Jared se segurou para não rir, de nervosismo. Jensen só podia ter bebido umas, era a única explicação!
- Jen, e a nossa carreira? E a nossa imagem para com o público? Uma decisão dessas não pode ser tomada assim, sem mais nem menos, sendo levada pelas emoções e não pela razão!
- Esse é o problema, Jay! - Jensen já aumentava o tom de voz novamente. - Eu cansei de ficar me escondendo, me esgueirando por aí feito um bandido e ficar negando um sentimento tão forte quanto o que sinto por você!
- Jen, eu sei que às vezes é difícil, mas... - Jared tentou explicar, mas sabia que era inútil. Quando Jensen botava uma ideia na cabeça, era bom não contrariar. Mesmo que a ideia fosse tão absurda como essa.
- Para com isso Jared! - Jensen rosnou. - Pare de ficar sempre inventando uma desculpa aqui e outra ali pra nós não assumirmos de uma vez quem realmente somos!
- Jen, não é desculpa! - Jared tentava botar os pés de Jensen no chão. - Não podemos assumir que somos namorados, e ponto final. Já concordamos com isso anteriormente.
- Mas as coisas mudaram, Jared. - Jensen voltava a abaixar o tom de voz, para alívio de Jared. Talvez Jensen estivesse começando a acordar... - Nós mudamos.
Jared concordou com um aceno de cabeça, concordando, ao menos uma vez, com Jensen aquela noite.
-Então, o que você quer fazer? - Jared perguntou, temendo a resposta. - Porque eu acho inconcebível nós assumirmos uma relação.
Jensen fitou-o demoradamente.
- Então não vejo o porquê de continuarmos construindo esse castelo de farsas, Jay. Se não for pra assumir agora, não assumiremos nunca. E não é isso que eu quero. Eu quero que o mundo seja testemunha do nosso amor, é o que eu mais desejo: poder te beijar e dizer que te amo a qualquer hora que eu quiser.
Jared suspirou, cansado.
- Jen, desculpe, mas não podemos fazer isso. Eu lamento.
Jensen não respondeu. Apenas vestiu sua roupa, em silêncio.
- Aonde você vai? - Jared perguntou, por fim.
- Eu vou dar o meu amor a quem eu sei que não veria problema algum em assumir que dorme comigo, um dia. - Jensen disse, frio.
Saiu, batendo a porta estrondosamente. Deixou um Jared perplexo e sem palavras no apartamento. Um Jared que tentava entender como tudo aquilo acontecera, como tudo havia mudado do vinho pra água tão bruscamente.
Nota do Autor: Sim, é Jared's PoV, e sim, o cap. É Padackles. Eu nunca escrevi a shipper, então é provável que tenha saído uma porcaria. Sorry! Já escrevi o cap. 3, que espero, em breve, ser betado pela Dona Taxxti, né? *pega uma arma* É provável que eu atualize ''He is the devil'' lá pelo meio da semana só, então, paciência!
