Capítulo 2
Harry estava arrumando a cama do quarto de hóspedes, onde Draco iria dormir, quando ouviu um berro vindo do seu quarto. Draco estava lá porque a suíte era a única com um banheiro decente, segundo o loiro – que analisou os três banheiros da casa antes de se decidir, relutante, pelo de Harry.
O moreno apenas revirou os olhos enquanto Draco fazia a análise, jogou uma tolha em cima dele e empurrou uma muda de roupas suas, antes de sair de seu quarto e ir preparar o do loiro.
Harry cogitou deixar Draco berrando sozinho, mas uma força superior fez com que praticamente corresse até lá. Quando chegou, dobrou-se em dois de tanto rir. Draco segurava o abajur em direção ao gato do vizinho que sempre vinha em busca de algum carinho de Harry. O gato – Alfred – estava com o pelo eriçado e rosnando ameaçador.
Harry percebeu que havia sangue escorrendo pelo braço de Draco, onde três arranhões profundos haviam sido feitos por toda a extensão do antebraço.
"Não tem graça!" Draco exclamou, pulando para trás quando o gato deu um pulo para frente, arranhando o ar. "Tira esse monstro de perto de mim!"
O moreno balançou a cabeça e foi até o gato, pegando-o no colo. Alfred se aninhou e ronronou carinhosamente nos braços de Harry, e Draco revirou os olhos, com os lábios torcidos.
"Ele não é ladrão, Alfred. Há grandes chances de ser um maníaco psicótico, mas até que eu tenha provas concretas, ele é inocente." Harry explicou, passando a mão pela cabeça do gato.
"Você conversa com gatos, e eu sou o maluco." Draco resmungou, largando o abajur e seguindo até a cama, onde estava a muda de roupas. Harry ergueu uma sobrancelha, admirando Draco desfilar daquele jeito pelo quarto apenas com a toalha enrolada ao redor da cintura. "Eu sei que sou irresistível, Potter, mas por favor, babe lá fora."
Foi a vez de Harry torcer os lábios em desdém. Tudo bem que admirara as formas do traseiro empinado do loiro, mas estava longe de babar. Antes que fizesse alguma bobagem, porém, Harry saiu do quarto para largar Alfred na sala.
Quando Harry voltou ao quarto, porém, já imaginando que o loiro estaria completamente vestido, ainda pôde pegá-lo colocando a camisa, em um último deslumbre dos músculos delgados, mas firmes dele, e da pele pálida que parecia extremamente fácil de marcar das costas dele.
Harry se aproximou silenciosamente e segurou-o pela cintura, alcançando o antebraço ferido do loiro. Draco saltou de susto, e o moreno abriu um sorriso de canto.
"Está doendo muito?" Perguntou com os lábios próximos na nuca dele, esforçando-se para não passar a língua pelo local. Precisava ser mais forte do que essa atração estranha que sentia pelo loiro.
"É só um arranhão." Draco grunhiu tentando afastar-se de Harry, mas o moreno o segurou fortemente, não querendo deixá-lo ir.
"Ainda chateado porque quebrei sua varinha de condão?" Harry gracejou, apertando mais o corpo de Draco contra o seu e aspirando o cheiro que se desprendia do pescoço dele. Algo como flores do campo.
"Eu vou treinar magia sem varinha, e vou provar que estou falando a verdade e, Potter! O que você está fazendo?" Draco perguntou com a voz fraca, mas indignada quando a mão de Harry, que estava sobre o seu abdômen, escorregou para baixo. Harry aproveitou o momento para beijá-lo na curva do pescoço, e Draco soltou um gemido baixo e contorceu o corpo quando o moreno o acariciou sobre a calça.
"Eu gostaria de saber se você é mesmo doidinho, ou se está apenas tirando uma com a minha cara." Harry murmurou contra o ouvido de Draco, que apertou os olhos não conseguindo pensar direito.
Harry recebeu uma cotovela na boca do estômago e se afastou sem ar.
"Já disse que não pode sair me agarrando desse jeito!" Draco bufou saindo do quarto, visivelmente afetado pelos toques do moreno, e Harry o perseguiu até o quarto de hóspedes.
O loiro se virou e o fulminou com o olhar, o que fez Harry parar na porta.
"Sim, ainda estou irritado porque você quebrou a minha varinha. E eu não sou doido, nem estou tirando com a sua cara. Eu só estou... sem saber o que fazer! Mesmo se você ainda se lembrasse, eu não saberia como agir. Eu nunca pedi por essa de almas gêmeas, e muito menos pedi para que você fosse a minha, mas mesmo assim passei quase cinco anos atrás de você. O problema é que, agora que te encontrei, não sei como agir, não sei como lidar com que eu sinto quando estou perto de você. É fácil idealizar algo que parece distante e inatingível. Mas quando se torna real, é apenas... assustador." Draco se virou depois de despejar tudo aquilo e tapou a boca com a mão, como se não pudesse acreditar em tudo que havia dito.
Harry não sabia o que pensar. Ele quase podia sentir na pele a sinceridade nas palavras do loiro, mas os doidos sempre acreditam em suas próprias loucuras, certo?
"Olha, você claramente está precisando de uma boa noite de sono." Harry falou sentindo que pisava em ovos. "Você... pode ficar aqui por algum tempo, caso não tenha mesmo para onde ir."
"É claro que não tenho." Draco bufou. "A não ser que você tenha dinheiro muggle para irmos para Inglaterra pelo modo desses inúteis sem magia."
Harry revirou os olhos. O loiro não iria desistir, pelo jeito, da ideia de levá-lo para Inglaterra. Como se Harry fosse querer deixar sua vida boa de surfe, faculdade e periódicos no jornal, um ou outro luau algumas vezes por mês, por um país desconhecido e frio como aquele lá do norte.
"Não adianta tentar conversar." Harry deu-se por vencido. "Se estiver com fome, desça. Vou preparar algo para gente comer."
"Você sabe cozinhar?" Draco abafou uma risada, seguindo-o para fora do quarto. "Essa eu quero ver..."
"Sério, como você consegue?" Harry perguntou exasperado.
"Consigo o que, Potter?" Draco perguntou distraído.
"Ser tão irritante!" Harry desceu as escadas de madeira que levavam à sala e se dirigiu à cozinha. Draco fez um bico chateado, mas não parou de segui-lo.
"Não sei ser diferente com você." Admitiu. "Eu quero, mas não consigo."
Harry olhou para o loiro e viu que ele havia cruzado os braços sobre o peito e assemelhava-se a uma criança birrenta e contrariada. O moreno sentiu vontade de se dar uns tapas por achá-lo adorável dessa maneira. Era incrível como o loiro não precisava fazer qualquer esforço para seduzi-lo.
"Vem cá." Harry chamou em um tom que fez com que Draco se aproximasse de maneira desconfiada. "Deixa eu limpar esses arranhões." O moreno pegou um pano úmido e limpou o machucado com álcool.
Draco fez uma careta sofrida, mas não falou nada.
"Espero que você tenha colocado aquele gato selvagem na rua." O loiro murmurou contrariado. Harry deu de ombros, enquanto segurava gentilmente o braço dele, experimentando a textura macia e gostosa de pele em sua palma.
"Eu joguei ele na sala. Talvez ele não tenha se sentido acolhido e tenha ido embora." Harry largou o braço de Draco com relutância. "Pronto."
O loiro se sentou na cadeira mais próxima, com um ar distraído que fez Harry erguer as sobrancelhas depois de jogar o pano de qualquer jeito em direção ao balcão.
"Um obrigado seria bem-vindo, sabe?" Sugeriu apoiando uma mão sobre a mesa e inclinando um pouco o corpo para o lado. Draco o encarou com a expressão em branco, e o moreno revirou os olhos. "Esqueça. Vou fazer logo o jantar, que ganho mais."
"Você parece de mau-humor hoje." Draco falou calmamente.
"Você não me conhece para saber se eu estou ou não de mau-humor." Harry replicou secamente. Sim, ele estava de mau-humor, por causa da filha do seu chefe na redação onde escrevia seus periódicos. O moreno não queria nada com ela, mas se ela desconfiasse disso, ele muito provavelmente perderia o emprego. Um pouco antes de Draco ligar, ela havia aparecido na casa e praticamente dado um ultimato em Harry, que se viu em uma situação extremamente desagradável.
Um louco entrar logo depois em sua vida não ajudava em muita coisa, mas ao menos servira como uma distração de Ruby, que, por sinal, era o grande amor de Hugh, um de seus melhores amigos. Harry bufou irritado ao lembrar-se de tudo isso.
"Eu posso sentir. Nós temos uma conexão, sabe? Agora que estou perto de você, consigo captar alguns traços do seu humor. Você não sente porque sua magia está adormecida dentro de você. Eu não tinha reparado nisso antes... mas não há qualquer traço de magia em você, a não ser que eu me concentre muito em busca dela." Draco observou-o, inclinando a cabeça para o lado em uma análise minuciosa do moreno, que passou as mãos pelos cabelos e pediu por paciência.
"Eu vou ser bem sincero. Minha única conexão com você é minha vontade de ou te chutar daqui, ou te arrastar para uma cama. E falo sério, isso me assusta." Harry discorreu exasperado, mas se arrependeu assim que viu a expressão magoada que perpassou o rosto do loiro. Talvez estivesse agindo duro demais com ele. Seria mais fácil se entrasse na 'brincadeira'. "Você realmente acredita nesse papo de magia, não é?"
Draco ergueu o olhar e torceu os lábios.
"Magia não é algo a se acreditar, Potter. Não é uma crença, ou religião. Magia apenas é, e nós somos privilegiados por fazermos parte dela." Disse, levantando-se. "Eu estou sem fome. Vou ir dormir."
Harry balançou a cabeça, cansado, e preparou apenas uma massa prática e rápida. Comendo sozinho à mesa, desejou que o loiro o tivesse acompanhado, e o pensamento o surpreendeu o bastante para que, quando subisse ao segundo andar, espiasse Draco dormindo tranquilamente antes de ir para o próprio quarto.
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"Onde você está indo?" Draco perguntou ao chegar à sala, cedo pela manhã, e encontrar Harry já arrumado, com uma mochila a tiracolo, preparando-se para sair.
"Tenho aula, e de tarde eu trabalho. Provavelmente nos veremos apenas à noite." O moreno falou dirigindo-se à porta. Draco o alcançou rapidamente e segurou seu braço.
"Só à noite?" Perguntou chateado. "Que aulas você tem? E por que trabalha se é rico?"
Harry piscou confusamente.
"Não sou rico. O que ganho mal dá para me sustentar sozinho. É vergonhoso admitir, mas meus pais até me mandam uma grana mensal para que eu possa morar aqui, mais perto da universidade." O moreno explicou. Ele até já havia tentado morar na república, com os amigos, mas a bagunça e o barulho do lugar fizeram com que procurasse uma casa pequena e confortável apenas para si próprio. Harry gostava de tranquilidade.
Draco o soltou tão ou mais confuso.
"Sua herança ficou na Inglaterra então?" O loiro balançou a cabeça ao ver a expressão de Harry tornar-se estafada e irônica. "Esqueça. Posso ir com você?"
"O quê? Nem pensar! Você quer me seguir o dia inteiro, agora?" Harry indagou perplexo, arregalando os olhos.
"Espere cinco minutos. Eu já volto." Draco o ignorou e correu de volta para o quarto.
Harry não soube por que, mas o esperou por dez minutos, até que o loiro voltasse, usando um conjunto de roupas sóbrias 'roubadas' do guarda-roupa do moreno. Harry sentiu uma forte fisgada no abdômen ao ver Draco todo arrumado, e com roupas suas. Sentiu inveja daquelas roupas.
Quando ele se aproximou, Harry o puxou e aspirou o aroma do pescoço dele.
"Está usando meu perfume também!" Acusou, arrependendo-se de tê-lo puxado tão para perto, já que agora aquela vontade irresistível de agarrá-lo voltava com força total. Acabou passando um braço pela cintura dele e afundando mais o rosto no pescoço pálido.
"Potter!" Draco recriminou, mas sua voz saiu tremida enquanto ele segurava os ombros de Harry. "Será que você não tem o mínimo autocontrole?"
"Não." Harry resmungou, subindo os lábios suavemente e sentindo a pele de Draco se arrepiar pelo caminho.
Antes que o loiro pudesse se afastar, Harry o virou e prensou contra a parede, com os antebraços apoiados ao lado do corpo dele.
"Você está há um dia aqui e eu estou quase enlouquecendo. Esse tipo de coisa não acontece comigo. Mesmo. Eu sempre fui bastante controlado em relação aos meus... hormônios. Eu estou quase me sentindo como um tarado sexual e... não faça essa cara." Harry ordenou estreitando os olhos ao ver Draco abrir um sorriso torto. "Estou tentando ser sincero aqui!"
"Eu não estou te impedindo." Draco replicou tentando soar sério, mas acabou soltando uma risada rápida pelo nariz, e Harry o olhou cheio de acusação. "É só que... você fica engraçado assim tão desesperado."
"Não estou desesperado." Harry grunhiu escorregando os braços até que suas mãos se firmassem na cintura do loiro. "Só não entendo o que está acontecendo comigo."
"Eu já tentei explicar..."
"É, é. Almas gêmeas e tudo." Harry revirou os olhos. "Acho que vou ter que me contentar com isso."
Os dois se encararam por vários segundos. O moreno se perdeu nas íris azul-acinzentadas, e mal percebeu que estava diminuindo a distância entre seus lábios até que sentisse os seus roçarem suavemente contra os dele, fazendo o sangue retumbar em suas têmporas quando seu coração bateu acelerado.
Harry apertou a cintura de Draco com mais força, arrancando um gemido baixo do loiro; porém, antes que pudesse afundar a boca na dele, alguém bateu à porta, fazendo o moreno pular para trás de susto, e Draco se aprumar como se nada houvesse acontecido.
"Maldição..." Harry resmungou indo até a porta e a abrindo. "Olá, Ruby."
Draco ergueu as sobrancelhas ao ver a morena baixinha de cabelos encaracolados que entrou descaradamente casa adentro. Ela não era nenhuma modelo, mas possuía algo de gracioso em suas feições femininas.
"Quem é ele?" Ruby perguntou ao pôr os olhos castanho-escuros em Draco. Ela se aproximou como um cão farejador, e Draco a olhou desconfiado. "É seu amigo? Ele está morando aqui com você?" Ela olhou por cima do ombro na direção de Harry.
O moreno ficou sem saber exatamente o que responder.
"É apenas um conhecido." Disse com descaso, ao que recebeu um olhar cortante do loiro.
Ruby se voltou para Draco com uma expressão interessadíssima.
"Mesmo?" Os olhos dela brilharam enquanto ela estendia a mão para ele. "Olá, eu sou a Ruby, uma amiga de Harry. Você é novo na cidade, então? Vai ir até a universidade com a gente? E qual é mesmo seu nome? Eu acho que você tem cara de Emmett, como o loiro lindo e alto de Crepúsculo! Você poderia ser um vampiro. É bonito como um, e tem algo de hipnótico. Ai, isso é tão legal!" Ela exclamou ao final numa vozinha estridente e empolgada.
Draco olhou para Harry com os olhos arregalados, e o moreno deu um tapa na testa e balançou a cabeça. Ruby era... Ruby. Mimada, exagerada, patricinha e irritante, de um tipo que era impossível se livrar a menos que ela assim quisesse. Ela enlaçou o braço de Draco e começou a puxá-lo consigo em direção à saída.
"Eu vou te mostrar tudo por aqui! Você pode assistir às aulas com a gente, os professores não vão se importar. E da onde você é? Você também faz jornalismo? Meu pai é dono da redação local. O jornal dele é muito respeitado. Se te interessar, eu posso conseguir que você seja chamado para uma entrevista, mas óbvio que seria apenas uma formalidade..."
Harry suspirou, saindo também da casa e fechando a porta com força. Travou a mandíbula olhando para dupla que já estava um pouco distante. Ele só sabia que havia alguma coisa rugindo com raiva dentro de si, e tinha certeza que não era de Ruby que estava com ciúmes...
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O moreno grunhiu apoiando a mão sobre o balcão da sala da universidade. Os balcões eram contínuos e longos, três em cada degrau até que se chegasse ao nível onde o professor dava aula. Eles estavam no centro, e era intervalo. A sala toda parecia estar em cima de Draco, que tentava responder respeitosamente todas as perguntas, ainda que torcesse os lábios com certo desprezo em alguns momentos.
Ruby o apresentava para todos como se Draco fosse uma propriedade sua – seu novo brinquedo. Isso estava deixando Harry louco. Será que ninguém ali poderia ser um pouquinho mais discreto na hora de analisar o traseiro do loiro? E por que Draco não se sentava e parava de exibir aquele traseiro arrebitado e perfeito em primeiro lugar? Todo mundo parecia estar em profunda abstinência sexual, ao que parecia.
"Você parece prestes a matar alguém." Mikael se sentou no balcão perto de Harry, mas o moreno apenas voltou a grunhir qualquer palavrão. "Ele é mesmo uma grande atração. Sério, há algo nele-"
"Não termine essa frase. Já não chega ontem você quase ter tentado agarrá-lo depois de chamá-lo de gostoso." Harry dirigiu toda sua raiva para o amigo, que corou e abaixou o olhar.
"Não sei o que foi aquilo. Na verdade, essa vontade ainda continua. Eu só não me sinto tão mal ao ver que todo mundo parece querer fazer o mesmo e-"
"Ele é meu." Harry falou incisivo e sério. O moreno demorou alguns segundos para processar o que havia dito, e acabou completamente vermelho ao perceber o tom possessivo com que disse tais palavras.
"Harry, fala sério agora, vocês já se conheciam? Vocês são... namorados, ou algo do tipo?" Mikael perguntou amenamente. "Se Ruby descobre..."
"Nós não temos nada!" Harry interpelou rápido. "E eu não dou a mínima para Ruby."
"O que tem Ruby?" Hugh resolveu se aproximar bem naquele momento, interessado ao escutar o nome da morena. Harry deixou a cabeça cair entre os braços.
"Nada." Resmungou.
"Você deveria ir lá conter a sua garota. Ela parece empolgada demais com o namoradinho do Harry." Mikael avisou.
"Não somos namorados!" Harry exclamou ainda com o rosto entre os braços, sua voz saindo abafada.
"E ela não é minha garota..." Hugh observou infeliz. "Ela nunca me daria uma chance."
Mikael deu alguns tapinhas no ombro de Hugh, quase como se concordasse, e Harry ergueu a cabeça sentindo que Draco se desvencilhara do grupo que exigia sua atenção e agora se aproximava, com uma expressão cansada.
"Será que você poderia me ajudar? Eles parecem querer me cortar em pedaços e me dividir entre eles." Draco disse quase assustado. Sem pensar duas vezes, Harry segurou o pulso dele e o puxou para baixo, fazendo com que o loiro se sentasse ao seu lado.
"Foi sua ideia vir junto." Acusou o moreno, passando o braço pela cintura do loiro e mantendo-o perto.
"Não queria ficar o dia inteiro sozinho em casa." Draco resmungou, encolhendo-se quando a multidão quis se amontoar ao redor dos dois. "Se ao menos eu tivesse minha varinha, poderia dar uma refreada na minha atração veela e-"
"Fique quieto." Harry ordenou. "E vocês, dêem o fora! A aula já vai começar!" Falou ao grupo todo.
"Harry! Não aja como se o Draco fosse propriedade sua!" Ruby reclamou, ignorando por completo o cumprimento que Hugh lhe ofereceu.
"Claro, porque ele é sua propriedade." Retrucou debochado, torcendo os lábios.
"Você é tão chato!" Ruby choramingou irritada. "Draco, por que você está sentado tão perto dele? Vocês parecem namorados assim!"
As pessoas começaram a cochichar ao redor deles, o que fez a testa de Harry latejar. Num súbito de impulsividade, o moreno segurou o queixo de Draco e sorriu de canto para Ruby.
"Quem sabe porque nós somos?" Perguntou sugestivo.
"Ué, mas você recém havia dito que não eram-" Mikael começou a dizer, mas parou quando Harry desceu os lábios contra os de Draco na frente de todos.
E o resto do mundo pareceu insignificante para o moreno quando ele sentiu aos poucos sua boca se afundar à de Draco, que primeiro arregalou os olhos, pego completamente de surpresa, mas depois entreabriu os lábios, deixando que a língua de Harry buscasse a sua com uma ânsia surgida no momento no qual o toque aconteceu.
Deuses! Como era deliciosa a boca daquele loiro maluco! Harry até poderia acreditar que os dois eram almas gêmeas pela maneira perfeita com que sua boca pareceu se encaixar à dele, e o paraíso que foi senti-lo retribuir com uma entrega fácil e maleável, como se não pudesse resistir. Harry se arrepiou todo quando o loiro gemeu baixinho, e se afastou lentamente, abrindo os olhos e encontrando os de Draco ligeiramente escurecidos, a respiração escapando rápida e descompassada.
"Merda. Eu preciso ir ao banheiro." Alguém resmungou antes de sair correndo da sala, quase atropelando no caminho o professor que acabara de chegar.
Ruby soltou um gritinho insatisfeito e choroso e correu para fora da sala também, enquanto os alunos começavam a dispersar, cheio de risadinhas e conversas sussurradas.
"Droga. Será que vocês poderiam deixar para fazer isso em particular?" Mikael reclamou e se afastou também. Hugh havia corrido atrás de Ruby, e o professor gritava para que os alunos fizessem silêncio assim que chegou ao palanque inferior.
"Eu poderia te beijar pelo resto da minha vida." Harry murmurou com os olhos ainda pregados em Draco, que ruborizou de leve.
"Sua variação de humor me confunde." Draco resmungou afastando-se um pouco de Harry e parecendo extremamente constrangido. "E eu não me lembro de você ter-me pedido em namoro."
"Detalhes." Bufou Harry.
E passou a aula inteira com o braço ao redor da cintura do loiro.
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Harry só se tocou do que havia feito quando se dirigiram para o refeitório, e a faculdade inteira já parecia saber do beijo gay que rolara entre os dois. Os olhares eram descarados na direção dos dois, e o moreno quase mandou todos irem cuidar da própria vida.
"Vamos indo." Harry segurou o braço de Draco e começou a arrastá-lo para fora do complexo da faculdade.
"Mas suas aulas já acabaram?" O loiro perguntou, percebendo que eles eram os únicos a irem embora.
"Não importa. Não estou com cabeça para assistir mais aulas de qualquer forma." Falou carrancudo, e logo os dois eram agraciados pelo sol quente do meio dia. "Às quinze horas começa meu turno no jornal. Até lá, podemos fazer alguma coisa."
"Eu estou com fome..." Draco murmurou. "Eu não como nada desde que cheguei na república dos seus amigos."
"Certo. Vamos no bar do Gaivota." Harry disse, e eles se dirigiram até uma lancheria de frente para a praia, que mais parecia um quiosque gigante, mas que ao menos era limpa e organizada.
Os dois se sentaram em uma mesinha redonda, e não tardou para que Mathias aparecesse para anotar os pedidos.
"O que você vai querer?" Harry perguntou enquanto Draco analisava o cardápio com os lábios torcidos.
"Eu não sei. Eu não conheço nenhuma dessas comidas." O loiro falou com desprezo velado.
"Como assim? Você nunca comeu um xis-burguer? Batatas fritas? Nem ao menos sabe o que é isso?" Harry indagou exasperado e perplexo. "Ao menos coca-cola você sabe o que é?"
Quando Draco lhe lançou um olhar inexpressivo, o moreno bateu a mão contra a testa e tirou o cardápio das mãos dele.
"Dois xis-salada e duas cocas, Mathias." Falou ao dono do bar, que assentiu com um sorriso divertido e se afastou. "Ah, e depois traga dois milk-shakes de chocolate!"
Harry olhou para o loiro, que apenas observava sem dizer nada.
"Você está quieto." Disse, ao que Draco revirou os olhos.
"Quando eu falo, você reclama. Quando eu fico quieto, reclama também!" Jogou as mãos para o alto. "Certo, então me conte, quem é aquela Ruby?"
O moreno se arrependeu de ter reclamado, mas suspirou.
"Ela é uma amiga. Ou algo parecido. Até ontem estava a fim de mim, e praticamente exigindo que eu ficasse com ela. Hoje ela pareceu ter achado você um alvo mais interessante." Falou amargo.
"Está com ciúmes?" Draco perguntou ansioso. "Ciúmes dela?"
"Você é besta? Claro que não! Eu não quero nada com ela!" Harry retrucou, e não pôde reprimir o prazer que sentiu ao ver a breve expressão de alívio do loiro.
"Ótimo." Draco falou, sério. "E não me chame de besta. Besta é você por sumir e ainda deixar alguém alterar a sua memória. E não me olhe com essa cara! Ainda vou comprovar tudo o que eu digo." Avisou. Passara a noite praticando magia sem varinha. Não conseguira nenhum avanço, mas não iria desistir tão facilmente. Não depois de cinco anos naquele desespero de não saber onde Harry estava.
"Que seja. Não vou mais contrariar. Já vi que não adianta." Harry deu de ombros. "Mas então," deslizou a mão pelo braço do loiro, enquanto abria um sorriso malicioso. "Já que nós somos almas gêmeas, podíamos voltar para minha casa e aproveitar o tempo depois do almoço, para continuar do ponto em que paramos lá na faculdade."
Harry observou atentamente o rubor se espalhar novamente pelas bochechas do loiro.
"Por que você fica tão constrangido quando eu tento te tocar? Não foi você quem disse que me procurou por cinco anos?" Provocou.
Draco lançou-lhe um olhar mortal.
"Não estou constrangido." Rosnou. "Eu apenas... eu nunca... com outra pessoa..."
Harry piscou aturdido.
"Você nunca... se relacionou com alguém?" Perguntou, e Draco desviou o olhar, emburrado. "Você é virgem? Você tem mais de vinte anos e é virgem?"
Draco trincou o maxilar ainda sem olhar para Harry.
"Você é minha maldita alma gêmea. Eu não sentia desejo por mais ninguém." Falou irritado, envergonhado e prestes a lançar uma azaração no moreno – se ao menos tivesse sua varinha. Harry ficou olhando embasbacado para Draco.
"Você não pode estar falando sério."
"Foda-se o que você acredita." Draco falou tentando se levantar, mas Harry o impediu.
"Hei, não precisa ficar tão irritado! Eu só fiquei surpreso." Explicou em um tom suave, descendo o olhar pelo corpo de Draco e pensando que ele nunca havia sido... tocado. Merda, e mais essa para aumentar sua libido e desejo. "Ainda mais porque... todo mundo parece querer um pedaço de você."
"Só porque os outros querem, não quer dizer que eu vá ceder." Draco torceu o nariz, olhando para a praia. Harry puxou a cadeira do loiro para mais perto e esticou o braço no encosto dela, aproximando os lábios do ouvido do loiro.
"E para mim, você vai ceder?" Perguntou em seu tom mais rouco e insinuante, sentindo Draco estremecer e se arrepiar de leve.
Antes que o loiro pudesse responder, Mathias apareceu com a comida. Draco pareceu aliviado pela interrupção, enquanto Harry apenas se afastou com um sorriso pervertido moldando-lhe o rosto.
"Eu não vou comer isso." Draco disse prontamente ao analisar a comida. Ele pegou o copo e cheirou o conteúdo, como se desconfiasse existir algum veneno no refrigerante.
"Você vai acabar desmaiando se continuar em jejum. Apenas uma mordida. Se você não gostar..." Harry alargou o sorriso. "Bem, se você não gostar vai acabar desnutrido."
"No que depender dos seus dotes culinários, e dos seus amigos muggles, eu provavelmente irei." Draco replicou desdenhoso, mas sua fome era tão grande que acabou graciosamente segurando o xis e dando uma mordida.
Era a primeira vez que Harry via alguém morder um xis e não se sujar um milímetro no ato. Draco mastigou calmamente, enquanto o moreno o observava com os braços cruzados sobre o peito, inclinado na cadeira.
"Então?" Perguntou quando a expressão de Draco não se alterou em nada.
"É razoável." Draco observou antes de dar mais uma mordida calculada. Harry sinceramente esperava mais entusiasmo de alguém que nunca havia comido um xis, mas apenas suspirou e pegou o seu próprio, devorando-o em poucos minutos.
Quando acabou, Draco ainda estava na metade do dele.
"Você come feito uma mulherzinha." Caçoou. O loiro não parecia ser do tipo que falava enquanto comia, tão compenetrado no ato parecia. Ele engoliu calmamente antes de responder.
"E você como um trasgo. Mas tenho certeza que alguém já deve ter-lhe dito isso." Draco falou tranquilamente, pegando um guardanapo e passando sobre os lábios – que estavam absolutamente limpos.
Harry resolveu ignorar o comentário e apenas esperou que Draco terminasse de comer. Ao final, Draco viu um pouco de molho em seu dedo indicador e levou-o a boca, para limpar o molho e-
"Oh, merda," O moreno gemeu. "Será que você poderia não fazer esse tipo de coisa quando estamos em um lugar público?"
Draco ergueu as sobrancelhas ao ver Harry sentado de uma maneira desconfortável.
"Você está mesmo tendo uma ereção apenas ao me ver lambendo o dedo?" Perguntou em deboche, como vingança por antes. Harry fez uma careta e de novo não falou nada; em vez disso, ocupou sua boca com o milk-shake bem gelado que Mathias acabara de trazer.
O loiro analisou seu milk-shake, tão desconfiado quanto antes, mas imitou Harry, colocando o canudo entre os lábios. Assim que ele tomou o primeiro gole, os olhos dele se arregalaram em surpresa. O moreno começou a rir quando Draco tirou a tampa e o canudo e praticamente entornou o milk-shake de maneira afoita.
"Alguém perdeu toda a classe e se rendeu ao melhor milk-shake da cidade." Harry sorriu debochado, e só então Draco percebeu que estava parecendo um desesperado por doces bem na frente do moreno.
Abaixou o copo e pigarreou, constrangido.
"Isso é... muito bom." Admitiu, segurando o copo entre os dedos e olhando diretamente para a metade que restava do milk-shake. "Fazia muito tempo que eu não colocava algo doce na boca."
Harry se aproximou sem que o loiro percebesse e segurou o queixo dele, olhando diretamente para os lábios rosados, que estavam ligeiramente sujos de chocolate. Inclinou o rosto e lambeu lentamente a boca dele, recolhendo o chocolate. Quando se afastou, apenas o suficiente para encará-lo nos olhos, viu que Draco parecia estático, pego novamente de surpresa por sua atitude. Harry já nem sabia mais direito o que fazia.
"Fica ainda mais gostoso quando vem diretamente da sua boca." Falou, sem se importar se estava soando ou não piegas. Depois se afastou, com uma careta satisfeita, apesar de isso apenas ter-lhe dado vontade de lamber o corpo inteiro do loiro.
Draco piscou, parecendo recuperar os sentidos.
"Você está ficando impossível..." Ele murmurou, mas não parecia repreensivo.
Harry sabia que era verdade. E só tendia a piorar.
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NA: Gente, vinte reviews! NOSSA, eu nunca esperaria por tanto! Muito obrigada! Obrigada mesmo! Fiquei muito lufa que vocês gostaram! E esse segundo capítulo, o que acharam? Daqui a pouco o Harry não consegue mais se controlar, né? Huahuahauahauahua! E acho que é isso que todas nós queremos, certo? cof, cof. xD
Super beijo para vocês, amores! [][][]
Poke: Oi, amada! Ai, os dois são uns lindos nessa fic, não sei qual que eu gosto mais, mas como o Draco veela me seduz muito, voto nele! Uhauahauha! Acho que o Harry me entende, xD Ah, e pode apostar que esses dois querem muita coisa um com o outro. Daqui a pouco eles perdem o parco controle deles. UHAUAH! O que seria ótimo, hohoh! Beijos, Poke, e obrigada por sempre comentar!
Inu: Obrigada, querida. Vou tentar atualizar sem demorar taaaanto! Beijos!
Sakusasuke: Pode apostar que sim! *O*
FranRenata: Já vi que temos outra fangirl do Draco além de mim por aqui, auhauahau! Beijos na sua testa tb. xD
