Capítulo 3
Draco zapeou entediado pelos canais da tal televisão. Era um objeto estranho aquela caixa redonda com imagens. Os muggles realmente tinham ideias curiosas de diversão. Harry também havia dito que ele poderia usar o computador, e o loiro se perguntou que tara por caixas metálicas era essa.
Acabou parando no canal de notícias, uma em particular atraindo sua atenção.
"... E a recomendação é que todos os moradores da zona noroeste do país se preparem para a passagem de um ciclone, que se aproxima da costa e deve causar ventos fortes e mar revolto e perigoso a partir de amanhã. É altamente recomendável que as pessoas se mantenham em segurança dentro de suas casas..."
O loiro observou com curiosidade enquanto a mulher na caixa explicava os mecanismos de formação de um ciclone. Então ele e Harry teriam de ficar trancados dentro daquela casa até que o 'problema' passasse? Seria bom. Ao menos ele não ficaria ali naquela casa entediado sozinho, enquanto Harry ia trabalhar, como já acontecia havia alguns dias.
Draco bem que se candidatou a ir junto, mas Harry se negou, dizendo que ele iria tumultuar demais a redação do jornal com sua tal 'atração veela' – e o moreno fez questão de revirar os olhos ao dizer isso. O loiro acabou dando-se por vencido, apesar de nada satisfeito com a situação.
Levantou-se para ir buscar algo para beber na cozinha. O problema era que Harry só mantinha porcarias naquela geladeira. Sempre fizera mais o estilo natureba – Narcisa se certificara de acostumá-lo a isso.
No meio do caminho, porém, sentiu uma vibração estranha, que o fez parar, arregalando os olhos.
"Isso é..." Murmurou pasmado. Olhou para os lados, sentindo os estalos de magia vindos do... "Segundo andar."
Draco correu até as escadas e a vibração o levou até o quarto de Harry. Em questão de minutos, o lugar estava uma completa bagunça enquanto o loiro revirava tudo em busca da fonte de magia. Sentia que estava perto, muito perto, mas não conseguia encontrar nada!
E foi assim que Harry o encontrou: praticamente enfiado dentro de seu armário, jogando as roupas por cima dos ombros, diretamente para o chão, e resmungando palavras como 'Merlin! Salazar!" E ainda frases como "Harry não nasceu um aborto por detalhe!".
Harry se amaldiçoou por deixar um louco sozinho em sua casa.
"O que diabos você está fazendo?" O moreno rosnou, indo até Draco e praticamente o arrancando de dentro do armário.
Draco tomou um susto ao ser pego no flagra. Gaguejou um pouco antes de conseguir encontrar sua voz, solenemente empinando o nariz e se desvencilhando do moreno.
"Você não disse que iria chegar só depois das dezoito?" Perguntou acusatório. Harry bufou.
"Eles liberaram todo mundo por causa do ciclone que está por vir. As pessoas precisam passar no super e estocar comida. Esses ciclones podem durar alguns dias." Explicou o moreno. "E você não respondeu à minha pergunta."
Draco cogitou a hipótese de explicar que havia sentido as vibrações da varinha de Harry; porém, ele teve certeza de que o idiota iria maliciar a frase, então engoliu a explicação. Ademais, o moreno já o considerava um doido varrido. Era melhor não lhe dar mais um motivo para isso.
"Eu estava atrás de alguma roupa decente." Draco falou pomposamente, com um olhar superior. Harry olhou ao redor, exasperado.
"E para isso precisava revirar todo o meu quarto?" Perguntou abismado, antes de suspirar derrotado. "Que seja. É melhor eu me acostumar de uma vez com os seus rompantes de esquisitice." Draco abriu a boca, indignado, mas Harry não o deixou reclamar. "É bom que tudo esteja arrumado quando eu voltar." Avisou seriamente, antes de ir pegar algum dinheiro na gaveta do criado-mudo e deixar o quarto.
O loiro resmungou infeliz ao perceber que as vibrações de magia haviam parado. Olhou para a bagunça que havia feito e deixou os ombros caírem. Poderia arrumar aquilo com um único movimento se ainda tivesse sua varinha.
"Maldito Potter." Acusou, pondo-se a arrumar tudo.
XxX
Quando Harry voltou, o clima já havia virado. Os meteorologistas haviam dito que começaria a partir do dia seguinte, mas já ventava forte, com alguns pingos esparsos, que não eram chuva, mas gotas salgadas de água do mar que eram arrancadas das ondas e trazidas até a cidade.
O moreno chegou em casa úmido e trêmulo de frio. Foi até a cozinha e largou as compras em cima da mesa, antes de correr para fechar toda a casa. Draco apareceu enquanto ele se certificava de lacrar bem as janelas.
"Você pode ir fechando as janelas do segundo andar!" Harry gritou, já que o barulho do vento reverberava do lado de fora. "Vai cair um temporal daqueles em questão de minutos."
A expressão do loiro não parecia muito boa. Ele estava definitivamente mais pálido que o normal quando se virou e sumiu de vista. Harry teve a leve suspeita de que ele não gostava de temporais. Depois de fechar tudo em baixo, foi ao andar de cima e encontrou tudo fechado, à exceção de uma única janela pela qual Draco observava o mar revolto e furioso, tão diferente de apenas algumas horas atrás.
"Não tem perigo de tsunami, né?" Draco perguntou com os olhos fixos na praia. Harry se surpreendeu em como havia escurecido desde que chegara em casa.
"Você sabe o que é um tsunami? Incrível! Ao menos para alguém que não sabia o que era uma coca-cola até uns dias atrás." Troçou o moreno aproximando-se de Draco e passar os braços pela cintura dele, também se apoiando na janela e descansando o queixo no ombro dele.
Draco se enrijeceu por um momento e torceu os lábios.
"O grifinório santinho sendo irônico. Quanto progresso." Ele murmurou sarcástico, e o moreno se perguntou o que seria um 'grifinório'. Resolveu que preferia não saber, já que a palavra soara como um insulto, e no lugar de perguntar, acariciou os braços de Draco.
"Não se preocupe. Não tem perigo. É só uma chuvinha, você vai ver." Falou quase como se tentasse acalmar uma criança, só que o trovão que estalou pelo céu, parecendo tremer toda a casa, não ajudou a confirmar suas palavras.
Harry esticou os braços e fechou a janela, e depois fez com que Draco girasse ainda dentro de seu abraço.
"Então... você encontrou alguma roupa decente no meu armário?" Perguntou com um leve toque de deboche.
"Dificilmente." Draco bufou. "O que eu encontrei foi uma pilha de revistas com mulheres nuas embaixo da sua cama. Francamente, Potter, será que você não tem nada mais útil com o que gastar o seu dinheiro? As imagens nem ao menos se mexem! E aqueles seios e bundas falsificados não convencem- ugh."
Draco parou quando Harry começou a beijá-lo no pescoço e tentou escorregar a mão para dentro de sua calça. O loiro obviamente segurou o braço dele e o impediu de tamanho descaramento.
"O que está fazendo?" Rosnou irritado. Harry pareceu acordar de um transe bastante profundo e piscou, adquirindo um leve rubor nas maçãs do rosto bronzeadas de sol.
"Uh, te tocar...?" Sugeriu abobalhadamente.
"Você é um pervertido." Draco acusou, saindo do abraço do moreno e praticamente fugindo quarto afora.
Harry soltou um suspiro exaspero e pensou que era hora de um banho bem gelado. O loiro não deixava de estar certo. Draco havia aparecido em sua vida fazia apenas alguns dias, e ele já estava doido para entrar nas calças dele! O moreno genuinamente não entendia como podia perder o controle tão fácil quando estava com aquele doido.
Dirigindo-se ao próprio quarto, Harry escutou o barulho do chuveiro. Ao que parecia, Draco havia tido a mesma ideia. Inocentemente, ele tentou abrir a porta do banheiro, mas ela estava seguramente trancada. Harry resmungou e cogitou se deveria abri-la mesmo assim ou não.
Aquela porta tinha um defeito na fechadura que apenas Harry conhecia, que permitia que ele conseguisse destravá-la pelo lado de fora. O moreno sabia que era antiético, mas mesmo assim a destrancou e abriu apenas o suficiente para que pudesse deslumbrar o que se passava no box.
Engoliu em seco ao ver os contornos perfeitos no corpo nu do loiro. O vidro estava embaçado, então não era possível ver com nitidez, mas ainda assim, era mais do que suficiente para que Harry sentisse seu amigo lá de baixo despertar com a visão, a ponto de apertá-lo dentro da calça. Aquilo não era nada comparado com as garotas nuas nas revistas pornôs embaixo da sua cama.
Sentindo-se a pessoa mais pervertida e imoral do mundo, Harry desceu o zíper da calça e se tocou ainda com os olhos presos no loiro e nos movimentos que ele fazia enquanto lavava os cabelos, jogando a cabeça para trás e passando as mãos pelos cabelos platinados para tirar o xampu.
O moreno suprimiu um gemido e mordeu os lábios com força, experimentando um prazer intenso apenas com aquilo – tocar-se e observar o loiro de glúteos empinados. Harry estava fazendo de tudo para não entrar naquele banheiro e, mesmo sem consentimento, juntar-se ao abjeto de seu desejo naquele banho quente.
Harry se perdeu nas sensações, e quando deu por si, Draco estava saindo do box, com uma toalha enrolada na cintura. Por deus! Como aquelas gotas de água podiam ser tão sensuais escorrendo pelo peito e abdômen dele, enquanto os cabelos pareciam ligeiramente mais escuros molhados daquele jeito? Harry acabou gozando com visão, e o gemido abafado que soltou chamou a atenção do loiro.
Ele fechou a porta e correu para a cama, desajeitadamente fechando o zíper da calça em tempo recorde. Assim que se sentou e escondeu a mão suja de sêmen, a porta do banheiro se abriu, revelando um loiro gostoso e muito furioso. Harry colocou no rosto sua melhor expressão inocente.
"Você estava me espionando!" Não foi uma pergunta, mas uma acusação no pior dos tons raivosos. Harry deixou o queixo cair em ultraje.
"O quê? Eu?" Harry perguntou com o estômago revirando de culpa. Era o fim. Ele havia virado um tarado.
Harry engoliu em seco ao reparar na expressão assassinada e ameaçadora do loiro: os olhos cinzentos mais escuros, os lábios apertados em uma linha fina e os punhos bem cerrados ao lado do corpo. Harry soltou uma exclamação de susto quando a lâmpada do abajur do criado-mudo explodiu logo ao seu lado, e um caco do vidro afundou-se em sua bochecha.
"Harry!" Draco exclamou preocupado, perdendo toda a raiva e correndo até ele. Segurou-lhe o rosto e, cuidadosamente, retirou o vidro da carne. "Me desculpa."
O moreno grunhiu de dor.
"Não foi sua culpa. Você não fez nada..." Murmurou, o coração acelerado – porque Draco estava molhado e apenas de toalha na cintura, inclinado sobre seu corpo e com o rosto muito perto do seu. Merda – nem machucado esses pensamentos pervertidos o deixavam!
"Foi sim. Eu tive um descontrole de magia... Mas você não vai acreditar de qualquer jeito." O loiro o arrastou até o banheiro e lavou o ferimento.
Harry disse que não precisava fazer curativo porque já estava indo para o banho.
"Está doendo muito?" Draco perguntou com zelo.
Harry pareceu pensar na resposta mais adequada.
"Não vai estar se você disser que não está mais brabo comigo." Sorriu constrangido. Talvez não fosse uma boa ideia relembrar o loiro do que ele havia feito; porém, Harry tinha a impressão de que Draco se lembraria sozinho assim que percebesse que estava tudo bem com ele.
"Você é nojento, Potter! O que você estava fazendo enquanto me espiava? Não pense que não reparei nessa sua mão suja e gosmenta!" Draco acusou apontando para a mão de Harry, o qual imediatamente a escondeu atrás das costas.
"Erm... eu... eu apenas... é que eu você... e essa atração que você tem... eu não consigo pensar direito quando estou perto de você!" Harry falou engrolado e envergonhado.
"Vá tomar um banho." Draco ordenou irritado, e deixou o banheiro.
Harry respirou profundamente e agradeceu por ainda estar inteiro – ou parcialmente, já que o machucado em sua bochecha estava latejando.
XxX
"Você está com fome?" Harry perguntou para o loiro sentado no sofá, lendo um livro que deveria ter encontrado em algum canto da casa – Guerra dos Tronos.
"Esse livro fala sobre magia." Draco comentou, sem tirar os olhos do livro. "Como você pode ler sobre magia, gostar dela, e entretanto não acreditar nela?"
"E lá vamos nós de novo..." Harry murmurou. "Magia é fantasia. É legal imaginar que ela existe, mas é só isso: imaginação."
Draco grunhiu contrariado, mas não continuou o assunto.
"Não estou com muita fome." Falou, largando o livro e se acomodando melhor no sofá. "Estou entediado."
Já eram quase oito da noite, e Harry tinha certeza de que o loiro não comia nada desde o meio-dia – não era à toa que ele parecia ter emagrecido naqueles dias. Aproveitando que estava chovendo torrencialmente e que a noite estava bastante fria – motivo pelo qual Harry acendera a pequena lareira da sala –, o moreno decidiu preparar um fondue.
"Vou fazer algo para a gente comer, e depois podemos assistir um filme."
Draco não pareceu muito interessado, olhando para o teto com uma expressão mortalmente entediada.
Harry foi para cozinha e preparou os morangos, e o chocolate e tudo. Draco gostava de chocolate, então ele iria gostar daquilo. E o clima estava ótimo para um fondue. Pegou também um licor de amarula que sobrou e levou tudo para a sala. E o loiro ficou mesmo bastante interessado quando Harry colocou tudo sobre a mesa, o chocolate ainda derretendo sobre o fogo.
"Você está querendo me engordar?" Draco perguntou desconfiado. Harry sorriu de lado.
"Não mesmo. Gosto muito do seu corpo para querer engordá-lo."
Uma onda de rubor tomou as bochechas pálidas de Draco.
"Sabe, antes de te encontrar, eu ficava pensando como seria quando eu lhe contasse tudo. Eu imaginei que levaríamos alguns meses para sentir-nos confortáveis um com o outro, e só depois de nos conhecermos melhor, acabaríamos tendo algum tipo de contato mais... íntimo." Draco contou com certa irritação na voz. "Você me pegou desprevenido sendo um completo pervertido."
Harry teve a decência de parecer constrangido.
"Você está certo. Provavelmente com qualquer outro seria assim, ok? Eu já me envolvi com outras pessoas..." Falou cuidadosamente, enquanto ia até o DVD e colocava um filme para assistirem. Quando se sentou no tapete com as costas apoiadas no sofá, continuou: "Mas eu sempre fui bastante travado. Demorava vários encontros para tomar a primeira iniciativa."
Draco ficou em silêncio, escutando, a despeito de seu desgosto em saber que o moreno já havia se envolvido com outras pessoas. Harry pareceu perceber a contrariedade do loiro, e continuou:
"Olha, eu fiquei mesmo chocado quando você disse que era virgem, mas não é também como se eu fosse uma máquina do sexo. Já tive uns rolos, mas não sou a pessoa com a vida sexual mais ativa entre meus amigos, se eu for tomá-los como parâmetro." Admitiu fincando um garfinho em um morango e mergulhando-o no chocolate.
Percebeu quando Draco também escorregou para o chão. A sala estava iluminada apenas por um abajur e pela luz que vinha da cozinha, e o fogo na lareira crepitava tranquilamente enquanto a chuva açoitava as paredes do lado de fora.
"É difícil ser irresistível." Draco suspirou entre sério e zombeteiro após se acomodar ao lado de Harry, no chão.
Harry ignorou isso.
"Eu queria saber mais sobre você," Comentou suavemente, olhando para a televisão. "mas eu não consigo acredito no seu papo sobre magia. Desculpe."
Draco ficou surpreso ao ouvir o pedido de desculpas, e se virou para o moreno, mirando-o atentamente. Não havia nenhum traço de sarcasmo nos traços do rosto bonito dele.
"Então pergunte... pergunte coisas que não envolvam esse assunto." Falou, compreendendo que deveria ser mesmo difícil para alguém que se considerava um muggle acreditar em magia apenas porque algum desconhecido insistia que ela existia.
Harry soltou uma risada curta e segurou a mão do loiro, virando um pouco o rosto para ele a fim de fitá-lo.
"Não," Balançou a cabeça com um leve sorriso. "Porque magia faz parte de você, certo?"
Draco observou aqueles olhos extraordinariamente verdes e se viu preso neles por vários segundos. Seu coração bateu num ritmo doloroso, que o fez lembrar que todo seu ser queria ser de Harry. Queria ser tocado por ele, e fazer parte da vida dele, e envelhecer com ele.
Que, por mais bobo isso lhe soasse, suas almas haviam sido desenhadas para se completarem. Porque todos têm uma alma gêmea, mas justamente a magia dentro de si guiava-o para a sua de uma forma que nenhum bruxo ou muggle comum poderia sentir, ter ou experimentar.
O moreno desviou o olhar frente ao silêncio estranho que se abateu entre os dois. Serviu um pouco de licor em dois copos que havia trazido.
"Você quer?" Estendeu para Draco, que pegou o copo no modo automático. "O chocolate está no ponto." Harry avisou enquanto o loiro praticamente virava a bebida, parecendo perdido em seus próprios pensamentos.
"Eu quero estar com você." Draco falou ao abaixar o copo, atraindo a completa atenção de Harry, que não conseguiu suprimir uma expressão pasmada. O rosto do loiro ficou completamente vermelho quando ele percebeu o que havia dito.
Ele pegou a garrafa de licor e entornou-a, parecendo bastante alterado. Antes que ele acabasse bebendo tudo, Harry tirou-a das mãos dele.
"Hei, vá com calma! Você não comeu nada, vai acabar completamente bêbado." Avisou, rindo.
"Eu estou ótimo." Draco resmungou, pegou um garfo e fincou um morango.
Harry sabia que ele não estava tentando ser sexy, e muito menos seduzi-lo, mas a maneira como ele mergulhou o morango na calda e depois o envolveu com os lábios... Porcaria! Preparar um fondue não lhe pareceu mais uma ideia tão boa.
"Isso é bom." Draco ronronou, fechando os olhos e apreciando o morango e o chocolate derreterem-se em sua boca.
"Oh, merda..." Harry gemeu, pegando o licor e bebendo do bico também. Draco não percebeu o tormento do outro e pegou outro morango, e foi quando o estava levando à boca que as luzes da casa se apagaram.
"O que houve?" Draco perguntou abismado, agora apenas a luz do fogo iluminando-os.
"Acabou a energia. Algum raio deve ter atingido um poste." Explicou, mas Draco não pareceu entender. "Não tente entender. Nem eu entendo direito." Tentou ser solidário. Circuitos elétricos não eram algo fácil de compreender de qualquer maneira.
"Eu estava pensando... os muggles até sabem se virar, apesar de ainda serem muito inferiores." Draco comentou distraidamente, mais interessado em seu morango.
"Hum... Você sempre foi assim convencido?" Harry brincou, virando-se de lado já que agora a televisão não oferecia nenhuma diversão. Draco sorriu torto.
"Já fui pior. Acredite quando lhe digo que você me pegou em uma boa fase." Disse, e alcançou novamente o licor, bebendo mais um pouco diretamente do gargalo. "Uma guerra muda as pessoas."
"Guerra, você diz? A qual guerra você se refere?" Harry perguntou, dessa vez genuinamente curioso. Resolveu que estava a fim de ouvir e descobrir mais sobre o que aquele doidinho acreditava.
"Uma guerra entre bruxos, na Inglaterra. Nós estávamos de lados opostos, mas você me salvou mesmo assim. Eu e minha família. E você derrotou o homem que causou a guerra, para início de conversa. Por esse motivo todos te consideram um herói. Você está em livros, sabe? Mas muita gente acredita que você está morto."
Harry arregalou os olhos. Era uma história e tanto.
"Como nos conhecemos?" Perguntou. "Foi durante a guerra?"
"Não. Fomos colegas na escola. Mas você negou a minha amizade na primeira oportunidade." Draco sorriu amargo com a lembrança. "Depois disso eu me certifiquei de fazer da sua vida um inferno. Você obviamente me odiava, e eu... não entendia muito bem o que sentia por você, só sabia que era ótimo conseguir alguns minutos da sua atenção, mesmo que nesses minutos você quisesse me lançar um crucio." O loiro riu de si mesmo.
"Um crucio?" Harry se aproximou um pouquinho mais de Draco, que se virou e sorriu debochado.
"Uma maldição bastante dolorosa." Falou arrastado, e Harry não soube se de propósito, ou porque a bebida começava a afetá-lo.
"Por que eu recusei sua amizade?" Harry ergueu as sobrancelhas.
"Porque eu era um fedelho mimado e prepotente cujas crenças iam contra tudo que você acreditava." Draco respondeu sinceramente, e Harry acabou rindo. Ele nem sabia que crenças eram essas. Suas únicas crenças agora era levar uma vida amena, com um bom surfe, bons amigos e um bom emprego.
"Huum... E quais suas crenças agora?" Quis saber, esforçando-se para não olhar tão descaradamente para a boca do loiro envolvendo mais um morango – e falhando miseravelmente.
Draco mastigou lentamente o morango, e depois sorriu torto e não respondeu; em vez disso, subiu no colo do moreno, que quase teve um ataque cardíaco com o movimento inesperado. O loiro pegou outro morango, mergulhou-o inteiramente no chocolate e o levou até os lábios de Harry, lambuzando-os.
"Minha única crença agora," Draco sussurrou baixinho, dando uma mordida no morango. "é a certeza de que te amo."
As únicas certezas de Harry eram que a bebida havia subido a cabeça do loiro, e que sua calça havia ficado tremendamente apertada de novo.
Draco se inclinou e lambeu lenta e sedutoramente o chocolate dos lábios do moreno, que gemeu rendido abraçando-o com força em busca de mais contato. Pôde sentir a pele macia e quente do loiro, e o corpo firme, esguio e sensual quando escorregou as mãos para dentro da camiseta, subindo-as pelas costas bem delineadas.
Harry olhou diretamente nas íris acinzentadas e mordeu o lábio inferior dele, antes de trazê-lo para um beijo ansioso, cheio de libido e desejo. Poderia beijar aquele loiro gostoso quantas vezes fosse, e mesmo assim, iria sempre se surpreender com o quão delicioso e excitante era. Todo seu corpo estava em chamas com o toque entre lábios e línguas.
Draco gemeu baixinho, segurando o rosto de Harry, que desceu as mãos e apertou com vontade os glúteos durinhos do loiro, para depois pressioná-lo mais contra sua ereção. Os dois arfaram de prazer juntos, e Harry sentiu uma necessidade incrível de arrancar todas as roupas do caminho.
"Você acaba com a minha sanidade." O moreno admitiu contra os lábios do loiro.
"Estou ciente disso." Draco disse começando a desabotoar a camiseta de Harry, que não impôs nenhuma resistência. Assim que afastou um pouco o tecido, desceu olhar enquanto acariciava o peito e abdômen de Harry. "Você tem um corpo incrível." Murmurou, mordendo o lábio inferior.
Isso fez apenas incendiar mais o moreno, que tratou de tirar também a camiseta de Draco do caminho.
"Eu sei um modo de deixar você ainda mais delicioso." Harry sussurrou admirando o corpo ligeiramente pálido de Draco, que ergueu uma sobrancelha, confuso, mas então arregalou os olhos quando Harry alcançou a panela com chocolate derretido, enfiou a mão nela, e depois lambuzou lentamente seu pescoço e peito– um sorriso provocante nos lábios. Draco gemeu quando ele começou a lamber-lhe um dos mamilos, para depois prendê-lo entre os dentes.
"Harry..." Sussurrou extasiado, pela primeira vez experimentando aquele tipo de contato.
Harry o deitou no tapete e continuou lambendo cada pedacinho de pele coberto pelo chocolate, ao mesmo tempo em que friccionava sua ereção entre as pernas entreabertas de Draco, que arfou baixinho e mordeu os lábios com força.
Era vergonhoso para ele admitir, mas estava completamente à mercê do moreno.
Draco bem que havia tentado de tudo naquela semana para que Harry não ultrapassasse nenhum limite tão cedo. Queria que fosse mais do que apenas atração veela na sua primeira vez com o moreno. Mas enquanto ele o lambia tão provocantemente, como se nunca houvesse experimentado nada tão gostoso quanto sua pele coberta com chocolate, o loiro não conseguiu encontrar ânimo para resistir.
Ao menos não até ouvir um 'meeeeaw' perverso que o levou a empurrar Harry por reflexo e se sentar, olhando ao redor.
"O gato!" Draco exclamou, imediatamente pondo-se de pé. O moreno bem que tentou agarrá-lo e impedi-lo de se afastar, mas foi lento demais, e acabou caindo no tapete com um resmungo exasperado.
"Voooolte." Harry pediu com uma ereção dolorosa entre as pernas e uma grande frustração pelo clima perfeito destruído de maneira tão cruel. "Alfred, eu vou te matar. Como você entrou aqui?" Perguntou em um murmúrio.
Alfred estava empoleirado no sofá, observando-o com olhos estreitos e oblíquos, e Draco já se encontrava bem longe dali. Provavelmente fugira do gato. Harry levantou e se perguntou para onde o loiro havia corrido. Ainda estava escuro, e a chuva continuava tão intensa e furiosa como antes...
XxX
NA: *Mila foge das leitoras furiosas*. Erm... Antes de me matarem, lembrem-se de que vocês precisam de mim para escrever o final da história. Auhauahaua! E pela atualização rapidona, eu continuo merecendo as reviews de vocês, certo? uahauahu! xD
Beijos, chuchus, e obrigada!
FranRenata: A Ruby não fede nem cheira, não se preocupa, mas ela ainda aparece mais na fic sim, uahauhaua! E o Harry se assanhou total nesse capítulo né? Ele já tá no limite, e o Draco ainda fica fugindo, tsc... Será que as leitoras querem matar o pobre Arnold? xDD Ah, eu amo Harry morto de ciúmes todo possessivo. Teremos mais disso tb. :D Beijos, amada!
Isis: Muito obrigada, flor! Fica de olho que em breve tem mais! xD
Poke: Flooor! Ai, eu amo Draco fofo, ele sempre tende a isso nas minhas fics. auhauhau! E o Harry todo possessivo é o máximo, eu adoro! (A) A artilharia nesse cap. foi ainda mais pesada, né? Se não fosse pelo Arnold... Será que você ainda acha ele fofo? XD Beijos, linda! :*
DW03: Acho que o controle do Harry já sumiu há um bom tempo, falta só o Draco colaborar agora! uahauahuaau! Todo mundo fica abalado pelo Draco, mas ninguém mais do que o Harry, isso te garanto! xDD Gato foi malvado mesmo né? Acabou total com o clima! uahauhau! xD Beijão!
