EXTRA

Luca não podia acreditar que havia beijado Benji. Ou melhor! Que o loiro havia aceitado beijá-lo tão naturalmente. Seria Benji gay? Porque, que cara hétero aceitar beijar outro homem como se já estivesse acostumado àquilo?

"Jesus, vou acabar enlouquecendo com essa dúvida." Luca murmurou, jogando um pouco de água no rosto e erguendo o olhar para o espelho do banheiro.

"Luca?"

Luca se sobressaltou ao ouvir o chamado hesitante vindo do quarto. E pior, era Benji que o chamava! Com o coração aos pulos, o rapaz saiu do banheiro e viu o loiro à porta.

Benji sorriu ao vê-lo e entrou no quarto, fechando a porta às suas costas. Luca engoliu em seco. Ficar sozinho com o garoto depois de ter experimentado os lábios dele não era uma boa ideia. Há tempos tentava suprimir o que sentia, e tinha certeza que estaria pronto para fingir que não amava o jeito meigo e alegre do rapaz mais novo na manhã seguinte. Porém naquele momento...

"Benji... oi." Falou estupidamente, entrando mais no quarto. "Algum problema?"

"Não, nenhum!" O loiro sorriu e foi até a cama, despretensiosamente sentando-se nela. "Eu só estou sem sono."

"Oh..." Luca soltou, erguendo as sobrancelhas. E por que diabos ele vinha ao seu quarto só por estar sem sono? Isso era algum tipo de tortura? "Mas já é bem tarde..."

"Eu sei... Mas com esse ciclone, nem vamos precisar acordar cedo amanhã, certo?" Benji se empurrou mais para o centro da cama e ajeitou os óculos no rosto. "O que você sente por mim?"

Luca ofegou como se houvesse levado um soco no estômago. Mas o quê...?

"Por que essa pergunta súbita?" Perguntou alterado, dando um passo para trás com a expressão em choque.

"Porque, quando nos beijamos-"

"Foi apenas parte do jogo." Luca falou de modo prático.

"Eu gostei." Benji retrucou, puxando os joelhos e os abraçando, com os olhos azuis grudados em Luca, que por pouco não caiu para trás. Talvez estivesse sonhando.

"O quê...?" Perguntou perplexo. Não podia ser verdade.

"Eu gosto de você. Eu entendi o que sentia depois de ver o Harry e o Draco juntos e, claro, depois que você me beijou. Eu gostei muito de te beijar." Benji repetiu, enquanto Luca se lembrava que a praticidade e objetividade do loiro era uma das coisas que adorava nele.

E Benji não parecia nada constrangido em se declarar tão abertamente. Ele não fazia do tipo tímido.

"Eu queria repetir aquilo." Benji falou, fazendo o pobre coração de Luca quase saltar pela garganta. O moreno tentou falar alguma coisa, mas tudo que saiu foi um som gaguejado e confuso. Luca sempre havia sido um fracasso com relacionamentos e sentimentos.

Benji riu do rosto feito pimentão do outro e tirou os óculos.

"Eu vou fechar os olhos, e aí você se aproxima. Quem sabe assim você não fica menos constrangido?" Sugeriu, e fechou os olhos, sentando-se com as pernas cruzadas na cama e o corpo inclinado para trás, sustentando pelos braços.

Luca olhou para o garoto de olhos fechados, esperando-o, e soube que havia sido transportado para uma realidade alternativa na qual seus mais secretos desejos tornavam-se realidade. Balançou a cabeça, atônito, e caminhou até a cama.

Subiu no colchão e parou ajoelhado bem à frente de Benji. Lentamente, segurou o rosto dele e se inclinou, capturando os lábios rosados. Benji suspirou baixo e deixou que a língua de Luca escorregasse para dentro de sua boca, e envolveu o pescoço dele com os braços.

"Humn... eu nunca transei com um cara antes." Benji murmurou contra a boca do outro, caindo de costas na cama e trazendo Luca com ele, de modo que o moreno cobriu seu corpo menor.

Luca abriu os olhos, pasmo, e sentiu que por pouco não tivera uma parada cardiorrespiratória.

"Você... você quer transar?" Perguntou em choque, cheio de nervosismo. Benji riu novamente.

"E o que mais há para fazer numa noite chuvosa e tediosa como essa?" Perguntou divertido.

"Não sei!" Luca exclamou. "Jogar cartas?"

Benji riu novamente e abraçou o mais velho.

"Adoro isso em você..." Murmurou. "É mandão, sério e estressado, mas mesmo assim consegue ser fofo."

Luca ergueu as sobrancelhas, incrédulo.

"Por que você não apaga a luz? Eu gosto mais de fazer no escuro..." Benji murmurou, erguendo um pouco o rosto e roçando os lábios nos de Luca.

E Luca soube que estava perdido. E isso o deixava mais do que feliz, é claro.

Apagou a luz do abajur antes de voltar a beijar o garoto por quem era há dois anos apaixonado.


Capítulo 5

"Draco, o que houve?" Thomas saiu do quarto depois de alguns minutos, após escutar o loiro chamando por Harry e batendo à porta, e se surpreendeu ao encontrá-lo sentado no chão, abraçando os joelhos com o rosto baixo. "Vocês... vocês brigaram?"

Draco ergueu o rosto, mas antes que pudesse dizer alguma coisa, a porta à suas costas se abriu e ele quase caiu para trás. O loiro apoiou a mão no chão e olhou para cima, vendo Harry parado com uma expressão bastante séria.

"Está tudo bem, Thomas. Foi apenas um pequeno desentendimento." Falou sem olhar para Draco, que se levantou, com o coração batendo descontrolado de nervosismo.

Thomas reparou nos olhos avermelhados de ambos, mas não discutiu. Apenas assentiu e voltou a se fechar no próprio quarto. Só então os olhos verdes de Harry se voltaram para Draco.

"Entra." O moreno pediu, e se afastou para deixar Draco entrar.

O loiro hesitou, mas acabou entrando no quarto, e escutou a porta sendo trancada às suas costas. Não teve coragem para se virar e encarar Harry. Sentia-se péssimo, egoísta, mimado, estúpido.

"Você nem ao menos vai me olhar nos olhos?" Harry perguntou, fazendo com que os ombros de Draco se tencionassem. "Eu lembro de tudo agora."

Draco arregalou as pálpebras, mas foi Harry quem o puxou pelo braço e fez com que seus olhos se encontrassem.

"Você não vai dizer nada? Esteve bem tagarela nessa última semana que passamos juntos." O moreno falou em um tom sério e um olhar de dar inveja a qualquer geleira. Se geleiras tivessem olhos, é claro.

O loiro mordeu o lábio inferior, incapaz de encontrar algo que falar. Pedir desculpas? Não achava que Harry as desejava.

"É isso?" Harry perguntou, irritado pelo silêncio de Draco. "Não vai me acusar por ter fugido, por ter deixado meus amigos para trás sem nenhuma explicação? Por ter escolhido viver numa mentira?"

"Eu gostaria de saber seus motivos." Draco conseguiu encontrar a própria voz, ainda que ela saísse alguns decibéis mais baixa que o normal. "Mas eu não quero te acusar de nada."

Harry soltou uma risadinha cínica e largou o braço do loiro.

"As minhas razões." Debochou. "Você nem deveria estar aqui para começar. O que você pensou? Que iríamos nos reencontrar e viver felizes para sempre, considerando o nosso histórico? Considerando que você não passa de um completo estranho para mim depois desses cinco anos?"

"Eu precisava tentar." Draco falou firme, mas internamente sentia-se sangrar. Harry não precisava ser tão cruel.

"Por quê?" Harry perguntou, se aproximando com uma postura rígida, que fez com que o loiro recuasse incerto, imaginando se não acabaria recebendo um soco a qualquer momento. "Porque sua única certeza é me amar?"

O queixo de Draco caiu um pouco, e ele se lembrou da declaração que havia feito quando estava afetado pelo licor. Não respondeu.

"Vai negar, agora?" Harry insistiu.

"Não." O loiro respondeu em tom baixo. "Eu já lhe expliquei: nós somos almas gêmeas."

"Como você descobriu isso? Como você pode saber?"

Draco suspirou e sentou-se na cama, apoiando os cotovelos nos joelhos e olhando para o chão.

"Você sumiu alguns meses depois da guerra. Nesses meses você se excluiu da sociedade, recebia apenas os amigos, não ia aos eventos realizados em seu nome. Você era o herói, e todos queriam te ver, mas você se negava a fazer parte dessa publicidade e fama. Sua estranha ausência já me deixou desconfortável. O tempo sem te ver sempre me deixava inquieto, mesmo que eu não compreendesse." Draco respirou fundo. "Aí então você simplesmente sumiu, sem deixar nenhum vestígio. Nem mesmo seus fieis amigos sabiam para onde você tinha ido, e não comentaram o caso. As autoridades te procuraram por alguns meses, até que a procura foi subitamente cancelada, e ninguém mais comentava sobre você, quase como se seu nome houvesse virado um tabu. Te colocaram em livros e começaram a agir como se você fosse uma herói morto."

Draco viu Harry caminhar e se sentar em uma poltrona do quarto, os olhos verdes mirando-o atentamente enquanto ele escutava em silêncio mórbido sua narrativa.

"Eu comecei a... definhar." Draco admitiu contrariado. Era difícil admitir tudo aquilo, mas ele sabia que era necessário. Harry precisava saber. "Fiquei deprimido, sem vontade de fazer nada, inquieto e chateado com tudo. Acabei procurando um médico, e foi só então que descobri sobre meus genes veelas. Nem mesmo minha mãe sabia. Pelo que o médico explicou, genes veelas podem ficar adormecidos por gerações, até que despertam quando algum portador recebe algum estímulo externo." Torceu as mãos nervosamente. "Meu estímulo, aparentemente, foi o seu sumiço, porque... parte de mim já sabia que devíamos ficar juntos. Depois de várias sessões de legilimência assistida, em que psicobruxos vasculharam minha mente em busca da razão da minha depressão, eles descobriram que você era minha alma gêmea, e não me pergunte como... Quando eu soube, eu apenas os chamei de mentirosos malucos. Mas daí era tarde, porque eu sabia que era verdade, e não adiantava mais fingir que não. Então eu comecei uma busca por minha conta por você, e nesse tempo todo, tudo que eu mais quis foi te encontrar. Eu sabia que você não estava morto."

"E demorou cerca de quatro anos procurando." Harry comentou.

"Depois da guerra meus recursos não eram dos melhores, Potter." Draco falou ácido com a mensagem implícita no tom do outro: que ele parecia ter-se esforçado pouco para achá-lo. "Há pouquíssimas fontes primárias de energia mágica na Austrália. Toda mágica daqui é proveniente de outros lugares. Não há nenhuma comunidade nem de médio nem de grande porte aqui. E eu nunca imaginei que você estaria vivendo como um muggle."

"Você conseguiu apenas meu número." Harry se lembrou da ligação.

"Sim. Encontrei um detetive que era especialista no mundo muggle. Depois de vasculhar quase todos os lugares mágicos do planeta, resolvi que teria de expandir meu raio de alcance... Mas o desgraçado cobrava preços absurdos. Eu só pude pagar por um número de telefone, apesar de nem saber direito o que era isso quando ele me disse para comprar um, discar e falar com você." Draco torceu o nariz.

Um silêncio pesado preencheu o quarto fechado, e a chuva lá fora parecia ainda mais forte, sacudindo a janela fechada como se quisesse arrancá-la com ajuda do vento.

"Eu fui completamente insensível." Draco completou com a voz apressada. "Eu não deveria ter jogado tudo na sua cara daquele jeito. Por favor-" O loiro se levantou. "Me desculpa."

Harry suspirou longamente e passou as mãos pelos cabelos, antes de apertar as têmporas.

"Não se desculpe." O moreno pediu, levantando-se também e indo até Draco. "Antes você perguntou por que eu fugi."

Draco assentiu, incerto.

"Mas você não precisa-"

"Não há nenhum motivo especial, intrigante ou incrível que justifique minha atitude e faça as pessoas compreendê-la. Eu estava cansado." Harry deixou os ombros caírem. "Eu tinha pesadelos toda noite, e não conseguia afastar a culpa ao lembrar todos que haviam morrido na guerra. É talvez arrogância pensar que eles morreram por minha culpa, mas era o que eu sentia, e estava me matando aos poucos. Não havia nada lá para mim." Harry segurou a mão do loiro, que abaixou o olhar com a afirmação, e o guiou até a cama. "Não me entenda mal... eu não sabia que minha alma gêmea estava por lá."

Harry sorriu suave quando Draco o encarou com os olhos arregalados.

"Eu encontrei Alfred por acaso, em um dia que saí disfarçado para tomar um ar. Ele estava em um bar, bêbado, e estranhamente viramos amigos. Ele perdeu a família na guerra. Duas filhas e a esposa muggle. Foram torturadas e assassinadas por Voldemort. Ele é um bruxo poderoso, puro-sangue, que foi castigado por não seguir os 'preceitos do sangue'." Harry sorriu amargo. "Ele me pediu para lançar uma Avada nele uma vez, inclusive." Riu tristemente. "Então um dia ele falou que iria deixar a Europa, que iria para um país sem magia e começaria de novo, porque era o que sua esposa iria xingá-lo para que fizesse. Foi aí que eu disse que queria fazer o mesmo, porque eu nunca pedi por nada do que me aconteceu, nunca pedi para eu ser um herói. Eu pensava que nunca viveria em paz se continuasse na Inglaterra. Ninguém nunca me deixaria esquecer."

"Planejamos tudo juntos. Eu contei aos meus amigos que iria apenas viajar e dar uma espairecida, o que eles acharam ótimo, mas deixei uma carta que eles encontrariam apenas mais tarde, dizendo que não iria voltar e que, por favor, não me procurassem. Era uma carta bem longa e explicativa, na qual eu também pedia desculpas. Talvez por isso as buscas tenham cessado, não sei. Mas suponho que um herói desaparecido não seja tão glamoroso quanto um herói morto."

"Aqui na Austrália nós conhecemos esse casal inglês, que também estava tentando um recomeço. Ficamos morando um tempo com eles. Alfred pareceu gostar da vida de gato e começou a se manter nessa forma a maior parte do tempo. Estava bom ali, eu realmente me afeiçoei à Tina e Bob, mas os pesadelos ainda me atormentavam. Então eu decidi recomeçar do zero. Pedi a Arnold que suprimisse minhas memórias e implantasse novas. Foi um ato impulsivo, eu não pensei muito antes de pedir..."

Draco viu as lágrimas contidas nos olhos verdes e acabou por abraçar o moreno, sentindo as mãos trêmulas ao fazê-lo. Harry não retribuiu, mas apoiou a testa no ombro do loiro.

"Desculpe. Eu estraguei tudo. Pensei apenas em mim e no que eu queria. Harry..." Abraçou-o com ainda mais força e deixou escorrer algumas lágrimas.

"Eu posso sentir sua sinceridade." Harry murmurou, ajeitando-se no abraço para retribuí-lo. "Não acho que eu teria deixado Londres se você tivesse aparecido antes. Desde a escola... você já despertava sentimentos estranhos em mim. Eu dizia para mim mesmo que te odiava, mas... isso era apenas uma forma de me justificar."

"Você me perdoa?" Draco pediu baixinho.

"A gente sempre perdoa quem a gente ama, ainda mais quando ela nos salva de uma vida de mentiras." Harry se afastou para poder olhar o loiro nos olhos, que o encarou incrédulo pela declaração. O moreno acariciou o rosto pálido e sorriu mais abertamente. "Você estava certo, eu não deveria fugir. Deveria ter encarado meus problemas, meus traumas, e meu futuro. Agora que eu tenho você... eu sinto que posso voltar e fazer tudo isso. Esses últimos anos me provaram que eu posso ser normal e feliz, sem preocupações. E agora eu sei que posso ter isso mesmo lembrando de tudo. Lembrando principalmente de você..."

"Harry..." Draco fechou os olhos e mordeu o lábio inferior, tentando refrear seu choro. Merlin! Não queria parecia uma manteiga derretida na frente do moreno, quando era ele que deveria estar consolando-o.

"Eu me apaixonei por você nessa última semana." Harry murmurou, segurando o rosto do loiro com ambas as mãos. "Ou melhor... eu me re-apaixonei por você nessa última semana."

Draco entreabriu os lábios quando o polegar do moreno passou gentilmente sobre eles. E depois vieram os lábios quentes e carnudos do moreno, cobrindo os seus, enquanto ele o deitava lentamente sobre a cama. Draco percebeu que a luz se apagou, e apenas o abajur ao lado da cama ficou ligado.

"Mesmo depois de tanto tempo sem fazer magia, você ainda consegue realizá-la sem varinha!" Draco reclamou, lembrando-se de seu sufoco para conseguir realizar um mísero feitiço sem sua varinha.

"Você quase encontrou minha varinha revirando todo meu quarto." Harry riu, rente aos lábios do loiro. "Estava em um fundo falso do meu armário."

"Eu deveria ter-te dado outro soco por ter quebrado a minha e-" Draco teve a fala abafada quando o moreno voltou a beijá-lo com ardor, posicionando-se entre suas pernas e o segurando como se ele fosse sua tábua de salvação.

Harry escorregou os lábios para perto do ouvido de Draco.

"Quando estou com você, sinto que reencontro uma parte ausente ou desaparecida de mim mesmo." Sussurrou, fazendo o loiro prontamente se esquecer do episódio da varinha. Harry ergueu o olhar. "Eu posso esperar se você não estiver pronto."

Draco engoliu em seco, entendendo muito bem a que o moreno se referia.

"Eu estou pronto." Murmurou vacilante. "Eu te quero em mim..."

Bem, isso foi o suficiente para acabar com o parco autocontrole do moreno. Agora que tinha consciência de quem era, de quem Draco era, e de toda a história dos dois, a atração, e o amor pareciam ainda mais intensos. Quase sufocantes naquele quarto fechado e iluminado apenas pela luz amarelada e trêmula do abajur.

Harry afundou os lábios nos de Draco, sentindo-o entregue e determinado a fazer as palavras valerem, por mais que pudesse sentir as mãos dele tremendo enquanto percorriam suas costas. O moreno se afastou e deixou Draco puxar sua camisa, e o loiro retribuiu erguendo um pouco o corpo para que Harry fizesse o mesmo.

Os lábios de Harry deslizaram pela garganta de Draco, que acariciava os cabelos negros e arqueava o corpo, sentindo necessidade de mais proximidade. Sua pele vibrava pelos caminhos que Harry tocava enquanto descia lentamente, percorrendo seu peito e abdômen com beijos úmidos.

O loiro ergueu o quadril enquanto Harry terminava de despi-lo, com aqueles olhos verdes escurecidos captando cada pedaço novo de pele que se desnudava à sua frente.

"Harry..." Draco gemeu jogando a cabeça para trás quando o moreno, ajoelhado entre suas pernas, acariciou sua ereção. E o loiro tomou um susto quando ele ergueu sua cintura, envolvendo-a com um braço. Sentiu-se completamente exposto e envergonhado, mas esqueceu-se disso ao sentir a língua de Harry deslizar por entre seus glúteos ao passo que a mão dele continuava a tocá-lo tão intimamente.

Harry queria que o loiro relaxasse e sentisse muito prazer. Era a primeira vez dele, e infelizmente sabia que seria doloroso em um primeiro momento. Tinha medo de machucá-lo, pois aquela atração veela o deixava mais descontrolado do que gostaria... Se não fosse tão egoísta, não o penetraria e apenas lhe daria prazer, mas a verdade é que já havia chegado ao seu limite.

Draco tapou a boca com uma mão impedindo-se de gritar alto de prazer. Pela primeira vez experimentava algo tão intenso, e soube que, se houvesse feito isso com qualquer outra pessoa que não Harry, não teria o mesmo efeito, impacto, sabor. Era perfeito e único porque era com ele, com a pessoa que mais desejava no mundo – não apenas fisicamente, mas também emocionalmente.

O loiro mordeu a mão com força quando a língua do moreno resolveu subir e lamber seu membro ritmadamente de cima para baixo, repetidas vezes. Harry largou gentilmente a cintura do loiro, de modo que ele se deitasse reto no colchão, e então colocou tudo na boca. Ouviu o loiro gemer abafando alguma lamúria incompreensível, para então, após alguns minutos, gozar em sua boca.

Ergueu o corpo, voltando a se ajoelhar e sentiu um puxão na boca do estômago, e uma onda de formigamento espalhando-se por todo corpo ao ver o loiro deitado, trêmulo pelo orgasmo, respirando ruidosamente com o rosto corado de quem não acredita no que acabou de experimentar. Harry aproveitou o momento para se livrar do resto de suas roupas.

Deitou-se ao lado do loiro, e começou a acariciar o abdômen magro até que ele abrisse os olhos e se voltasse para si. Draco sorriu preguiçosamente e se aproximou, abraçando Harry e o beijando.

O moreno puxou-o pela nuca e aprofundou o beijo, que aos poucos se tornou mais ávido e urgente. Harry girou e levou o loiro junto, fazendo-o ficar por cima de seu corpo, com os joelhos um de cada lado de sua cintura. Deslizou as mãos pelas costas macias e firmes dele, ainda sugando os lábios finos com um desejo impetuoso. Gemeu quando o loiro ondulou o corpo e friccionou suas ereções, e se surpreendeu quando ele as envolveu juntas com a mão.

"Ah, Draco..." Gemeu, com uma vontade irresistível de abraçá-lo e nunca mais soltá-lo. Há quanto tempo não sentia algo assim tão forte? Por mais que sua vida na Austrália tivesse sido boa e prazerosa, jamais fora tão intensa quanto aqueles poucos dias com Draco.

Antes que acabasse gozando e acabando com aquilo rápido demais, Harry girou e ficou por cima do loiro.

"Me avise caso eu for rápido demais." Murmurou para Draco, que assentiu fracamente, antes de gemer ao sentir-se lentamente penetrado. Harry o beijou recolhendo a respiração alterada do loiro, e parou ao sentir-se todo dentro dele. Abraçou-o e escondeu o rosto no pescoço dele, e esperou com um controle doloroso que ele se acostumasse com a invasão.

"Hmm... Harry... não fique aí parado sem fazer nada." Draco resmungou envolvendo a cintura de Harry com as pernas e instigando-o a se movimentar. O moreno riu abafado e depois gemeu com seu primeiro movimento de vaivém.

Draco sentiu uma pontada de prazer junto ao desconforto da primeira vez, mas a sensação de estar ali com Harry, fazendo amor com ele, deixava seu coração completamente desregulado, e o êxtase superava qualquer dor ínfima da penetração.

"Hmn... Eu te amo." Draco gemeu, segurando os cabelos negros com força e puxando Harry para um beijo possessivo, ansioso e quente. Harry se moveu indo cada vez mais fundo, forte e intenso, tomado pelo calor da declaração apaixonada do loiro. Todo seu corpo parecia tomado pelo ato, pelo ar erótico, sensual, inebriante e amoroso que os unia.

"Me leva com você." Harry murmurou perto do ouvido de Draco, quando estava perto de seu limite.

Os dois gozaram juntos, gemendo com os lábios roçando de leve, as íris verdes presas às cinzentas em um olhar que era apenas deles. De duas almas gêmeas que estavam enfim unidas, juntas e completas.

XxX

Harry respirou fundo ao ver o céu de Londres novamente. Era estranho voltar, depois de tanto tempo.

Ele e Draco ainda ficaram até o final do mês na Austrália, e Harry aproveitou o tempo para curtir os amigos, despedir-se, visitar seus supostos pais, e convencer Arnold de que estava tudo bem com ele. O bruxo acabou abraçando Draco calorosamente ao ver o bem que ele fazia ao moreno, e depois também sumiu, provavelmente indo caçar alguns ratos. Harry sabia que iria visitá-los sempre que possível, inclusive para matar a saudades de surfar.

Depois disso, eles encontraram uma pequena comunidade bruxa nos arredores de Sidney e voltaram com uma chave de portal. Harry queria reencontrar Hermione e Ron primeira, que deveriam estar casados e, quem sabe, com filhos. Quando parava para pensar, não acreditava que os havia deixado, junto com tantos outros que considerava como família.

Talvez tudo que ele precisasse, na época, era de um tempo. Verdade que num primeiro momento ficou brabo com o loiro por ele ter acabado com toda a farsa que criara, mas ao ouvi-lo falar, percebeu que fora exatamente o que seu subconsciente desejava. Ainda mais que agora tinha o loiro ao seu lado, completando-o.

Apertou a mão dele e sorriu, respirando fundo aquele ar de sua cidade. Draco havia dito que não morava mais na mansão Malfoy, e sim em uma pequena propriedade na periferia de Londres. Algo simples, mas sofisticado, perto da natureza, o loiro informara.

"Bem, aqui estamos." Draco falou, retribuindo o aperto em sua mão.

"Sim. Aqui estamos." Harry abriu um sorriso. "O que você acha que vão falar quando me verem vivo?" Brincou.

"Hum... acho que vão achar ruim. Sabe, alterar todos os livros de história da magia, sabe como é." Draco retrucou bem-humorado. "Talvez eles até tentem dar cabo de você." Zombou.

Harry riu e puxou o loiro para um abraço.

"Mas você não vai deixar, vai?" Perguntou com os lábios rentes aos dele.

"Nah. Se eles tentarem, vão descobrir do que um meio-veela furioso é capaz." Draco acariciou a nuca do moreno e inclinou mais o rosto para um beijo.

FIM

NA: Oi, gente! Sim, é o fim! Como eu falei, a história era curtinha, simples, leve e sem dramas. ;D Obrigada por todas as reviews, eu nem esperava tanto! Fiquei muito contente e estou feliz de ter terminado! Saiu rápido graças a todos os incentivos de vocês!

Bem, agora eu vou tentar terminar Androgyny, que finalmente ganhou um rumo na minha mente, e terminar 'Era uma vez em Veneza', que está sendo reescrita, e já está em seus capítulos finais. ;)

E, infelizmente para mim, que não consigo me livrar desse vício de escrever, já estou encaminhando outras três fanfics ainda não divulgadas ou postadas.

Então, fiquem de olho!

Beijos, e muito obrigada!

Mila B.