Cá estou eu novamente ;) resolvi postar outro capítulo logo.

Ahaa! E é bom saber que não estou sozinha por aqui. Uma leitoraa, que emoção ;)

Sassah Potter: Seja bem vinda ;) Que bom que vc tá gostando. Quer mais Lily e James? Outro encontro bombástico do casal nesse capítulo... Tb fico com peninha do Harry, pobrezinho, mas a Lily vai lutar com unhas dentes pelo bem estar dele ;) Vamos vê a reação do James com a revelaçãozinha que a Lily vai fazer (hahaha). Espero que vc continue acompanhando.

Sem mais, vamos ao capítulo...

CAPÍTULO 2

Lily teve uma noite péssima, cheia de sonhos con fusos e aterradores, que a despertavam sobressaltada. Quando os primeiros raios de sol surgiram no horizonte, pulou da cama, aliviada. Tinha esperanças de que o corre-corre do seu cotidiano não lhe desse tempo de pensar naquele oceano de problemas em que se transformara sua vida.

Após uma boa ducha, vestiu-se como de costume para o escritório, com os cabelos presos e um clássico tailleur cinza. Teve, porém, um trabalho enorme para esconder, sob a maquiagem, as marcas incontestáveis daquela noite mal dormida.

Depois, despertou Harry com um beijo e juntos foram tomar um delicioso café matinal e levou-o para a escola. Chegou à sede da Dumbledore e Associados um pouco antes das nove.

Quando o relógio já anunciava a hora do almoço, pôs o serviço de lado e, com gestos firmes, ligou para o consultório do neuropediatra de Harry.

A recepcionista foi extremamente educada, porém deixou bem claro que não poderia passar os resultados dos exames por telefone. Por isso, Lily acabou marcando uma consulta para o final da tarde.

Durante o resto do dia, não conseguiu concentrar-se em mais nada, cheia de ansiedade e aflição. Quando finalmente encontrou-se sentada no consultório, parecia uma sombra, abatida e com enormes olheiras.

— Harry tem um tumor na base do cérebro — o médico anunciou. — Tudo indica que seja benigno, mas esse tipo de problema varia muito em tamanho e velocidade de desenvolvimento. Portanto, uma cirurgia é essencial e deve ser feita o mais rápido possível.

Perplexa com aquela notícia, Lily ficou alguns minutos quieta, sem conseguir ordenar os próprios pensamentos. Sua mente trans formara-se num turbilhão de idéias e imagens desconexas, onde o que mais se destacava era a necessidade de conseguir dinheiro.

— Posso indicar-lhe um bom neurocirurgião para esse caso, aliás é um dos melhores do país — o médico prosseguiu, tentando des pertá-la do choque inicial.

Quando estacionou em frente de sua casa, tentou sorrir para o filho, que o olhava da janela, em companhia de Sarah. Tinha de afastar a angústia que a atormentava, para não preocupar Harry. Depois de abraçar e beijar o filho, agradeceu à amiga e foi para seu Harry adormeceu, Lily ligou para o serviço de informações telefônicas, torcendo para conseguir o número que precisava.

Minutos depois, desligou o aparelho, decepcionada, descobrindo que o telefone particular de James Potter não estava na lista. Só obteve dois números da Inter-Kromell, mas, àquela hora, nenhum deles respondia. Tudo indicava que teria de aguardar até o dia se guinte para resolver aquele problema.

Na manhã seguinte, Lily deixou o filho na escola e foi para o escritório, como de hábito. Assim que encontrou-se em sua sala, fechou a porta, disposta a fazer aquele fatídico telefonema longe dos olhares curiosos dos colegas.

Após várias tentativas inúteis, Lily compreendeu que poucas pessoas gozavam do privilégio de falar diretamente com James Potter.

A hipótese de ficar esperando o dia inteiro até que James entrasse em contato agiu como um balde de água fria no ânimo de Lily. Por um momento, teve vontade de desistir de tudo e pensar em outra alternativa para o caso de Harry. O problema é que não havia outra solução... Por isso, após o desalento inicial, reuniu toda sua fibra e ligou de novo para a Inter-Kromell.

Conhecia uma outra maneira, aliás muito eficiente, para burlar aquelas muralhas de assessores e não teria escrúpulos em utilizá-la.

— James Potter — pediu, com voz pausada, assim que a recepcionista atendeu. E, antes que a garota viesse com as perguntas de costume, prosseguiu: — Diga à secretária dele que a sra. Potter deseja falar com seu marido.

Como previa, aquela frase surtiu o efeito desejado e, em poucos segundos, a chamada foi transferida.

— No momento, o sr. Potter não se encontra no escritório — outra voz feminina anunciou. — Gostaria que ele lhe telefonasse quando chegar?

"Droga!", Lily pensou, tentando encontrar uma saída rápida para aquele problema. Não podia simplesmente pedir-lhe o celular do ex-marido, sob pena de ser desmascarada.

— A que horas ele deverá chegar? — indagou, mantendo a calma.

— Na parte da tarde. O sr. Potter tem uma reunião às três, seguida por outra às quatro.

Sem hesitar, Lily anunciou:

— Obrigada. Estarei aí às quatro e meia. — Então pôs o fone no gancho, surpresa com a própria audácia. Em seguida, deu mais dois telefonemas, uma para Sarah, pedindo-lhe que apanhasse Harry na escola, e outro para a professora do filho, comunicando-lhe aquela mudança.

Mais uma vez, contou os minutos para o final do expediente, desprezando a hora do almoço para poder sair mais cedo.

Quando seu relógio de pulso marcava quatro e quinze, Lily já atravessava o imponente lobby de mármore do edifício-sede da Inter-Kromell, agindo como se tivesse feito o mesmo trajeto milhares de outras vezes. Contudo, por detrás daquela postura tranqüila e decidida, havia uma mulher insegura e com os nervos à flor da pele.

Assim que o elevador a deixou no andar da presidência, um ca lafrio percorreu sua espinha, pois havia chegado o momento de iden tificar-se para a secretária.

À essa altura, James já devia ter sido informado sobre sua li gação. E se ele se recusasse a recebê-la?

"Seja otimista! Não pode desistir agora!", uma voz interior tentou animá-la.

Lily dirigiu-se à mesa da recepcionista e, com um sorriso estu dado nos lábios, apresentou-se como a sra. Potter.

Após uma rápida e discreta conversa pelo interfone, a moça co municou-lhe:

— O sr. Potter ainda está em reunião, mas sua secretária irá levá-la para uma sala privativa, onde poderá aguardar com mais conforto.

"Pelo menos, passei pelo primeiro obstáculo", admitiu, aliviada.

Logo foi conduzida até o escritório de James, que, aliás, era muito bem-decorado em tons de bege e manteiga, contrastando com os sofás de couro marrom-escuro.

Para distraí-la, havia uma infinidades de revistas, sobre uma das mesas de canto, e uma televisão. Entretanto o que mais a impressionou foi a vista privilegiada da cidade, através das gigan tescas janelas de vidro blindado.

De repente, seus olhos brilharam ao vislumbrar um console repleto de bebidas caras e tentadoras.

"Talvez um drinque seja o que estou precisando para ganhar mais coragem e confiança", pensou, já decidindo o que iria beber. Porém, antes de abrir alguma garrafa, lembrou-se de que estava com o es tômago vazio e voltou atrás em sua decisão. Pois, no seu estado, o álcool poderia deixá-la ainda mais nervosa, pondo tudo a perder. Então sentou-se numa das poltronas, aguardando, impaciente, pela chegada do ex-marido.

Dez minutos mais tarde, Lily continuava a esperar, temendo que James estivesse lhe preparando alguma armadilha diabólica. Afinal, após aquela traição com Bellatrix, o considerava capaz dos mais sórdidos procedimentos.

Ninguém podia avaliar o quanto lhe custava estar ali, passando por cima do próprio orgulho, para pedir, ou se fosse o caso, implorar, a ajuda daquele homem inescrupuloso, que havia massacrado seu coração sete anos atrás.

Só de imaginar que, em poucos minutos, estaria sozinha com ele naquela sala, sentia calafrios pelo corpo, além de fortes pontadas no estômago.

Nesse exato momento, a porta abriu-se e James Potter entrou, majestoso, com uma fisionomia de poucos amigos. Trajava um terno verde-escuro, camisa cor de areia e gravata de seda italiana, esban jando charme e sofisticação.

Ela levantou-se de imediato, sentindo um calor intenso dominá-la, como se o sangue estivesse fervendo nas veias. E, por mais que tivesse se preparado para aquele momento, havia menosprezado o poder de sedução de James.

Assim que ele fechou a porta, Lily sentiu-se presa, enroscada na própria teia, e teve um forte impulso de fugir, deixando tudo para trás. Porém o pânico a impedia de mover-se.

Ciente da reação devastadora que causara, James analisou a ex-esposa de alto a baixo, sorrindo, vitorioso. Depois, cruzou a sala, sentando-se a uma boa distância de Lily.

Ambos fitaram-se por algum tempo, no mais absoluto silêncio.

James aparentava força e elegância, lembrando um felino pronto para atacar sua vítima. Contudo, nunca precisava recorrer a atitudes mais brutas para aniquilar os inimigos, pois seu maior trunfo era a grande habilidade com as palavras.

Por sua vez, Lily fazia o papel de vítima em potencial, aguar dando pacientemente pelo ataque para ver como poderia defender-se.

— Podemos pular as formalidades e ir direto aos motivos que a trouxeram aqui? — ele sugeriu, com aquele seu tom autoritário.

— Não tinha certeza de que iria me receber... — ela murmurou, tentando ganhar algum tempo para acalmar-se.

James a olhava com a mais absoluta indiferença e desprezo, deixando bem claro a aversão que sentia por ela.

— Talvez fosse curiosidade... — deixou escapar, em meio a um sorriso maquiavélico.

Uma onda de raiva tomou conta de Lily, despertando-lhe o in sólito desejo de esbofeteá-lo. Por sorte, conseguiu conter aqueles ímpetos agressivos, devolvendo-lhe o mesmo tipo de sorriso. Afinal de contas havia se esforçado muito para chegar até ali e não iria desistir daquela luta no primeiro round. Precisava dele, ou melhor, Harry dependia da ajuda que só o dinheiro dele poderia con seguir.

— Café?

Ela estava prestes a recusar, porém, achando que aquela bebida quente talvez revigorasse suas forças, mudou de idéia.

— Sim, obrigada.

Com um certo ar de preocupação, James analisou as formas longilíneas de Lily, atentando para a palidez excessiva daquele rosto delicado. Foi até a escrivaninha, pedindo café e sanduíches pelo interfone. Ao retornar para o sofá, entretanto, estava mais sar cástico e irônico do que nunca.

— De quanto dinheiro precisa, Lily? — indagou, sem rodeios. Assustada com aquela pergunta tão direta, balançou a cabeça em gestos negativos, incapaz de pronunciar uma palavra.

— Ora, não seja cínica — tornou a atacar. — Tenho certeza de que foi esse motivo que a trouxe aqui!

Lily já havia calculado as despesas da operação, acrescentando um pouco a mais para qualquer emergência. Por isso, respondeu, com sinceridade:

— Preciso de vinte mil dólares.

James caiu na gargalhada diante daquela quantia alta.

— Por acaso, vai usar esse dinheiro para uma cirurgia ou coisa do gênero? — ironizou, desconhecendo que chegara à verdade.

A princípio, Lily fitou-o, incrédula diante de tamanha adivinha ção. Porém, ao perceber que tudo não passava de uma brincadeira maldosa, seu rosto contraiu-se de raiva e dor. Afinal como ele se atrevia a brincar com algo tão sério assim?

Tomada pelo ódio, pegou o objeto mais próximo e, sem pensar nas conseqüências, arremessou-o na direção de James.

Por sorte, ele ainda teve tempo de desviar-se, antes que a estatueta de cristal se espatifasse na parede, a poucos centímetros de seu ombro direito.

O estrondo foi enorme e, numa fração de segundos, a peça trans formou-se num amontoado de cacos, que se espalhou por todo o carpete. Depois, sobreveio o silêncio, aterrador à sua própria maneira, e repleto de significados ocultos que as pessoas adorariam ignorar.

Lily não conseguia mover-se, chocada com aquela atitude des cabida. Parecia em transe, sem acreditar no que acabara de fazer.

Era impossível avaliar o que se passava pela cabeça de James naquele momento, pois seu rosto parecia coberto por uma máscara de mármore, que o impedia de expressar qualquer sentimento, mesmo que fosse de raiva ou ódio.

De repente, o telefone tocou, fazendo-a pular, assustada, como se tivesse levado um choque elétrico.

Senhor de suas emoções, ele atendeu a chamada, sem deixar trans parecer na voz o menor sinal de irritação ou descontrole.

Mais do que nunca, Lily queria sair daquela sala, daquele prédio, enfim da vida dele de uma vez por todas. No entanto, ainda não podia.

James colocou o fone no gancho e, lentamente, virou-se para ela, exibindo um sorriso cínico.

— Bem, por acaso precisa do dinheiro para fazer um aborto? — perguntou, tentando agredi-la com as palavras.

Controlando os nervos, ela defendeu-se:

— Não me julgue pelo tipo de mulheres que está acostumado a levar para a cama!

— Não possui argumentos para fazer-me esse tipo de acusação — retrucou, arregalando os olhos castanhos esverdeados, como se desejasse fuzilá-la. Lily respirou fundo para manter a calma. Então tornou a atacar:

— Está além da minha imaginação acreditar que manteve celibato por sete anos! — "Como eu fiz", acrescentou, em pensamento.

— Será que veio até aqui para julgar minha vida sexual durante os anos em que estivemos separados? — Sua voz mesclava agres sividade com desdém, chegando a atingir Lily como se fosse um punhal.

— Se pôde dormir com Bellatrix, enquanto éramos casados, não ouso nem imaginar o que fez depois que parti! — disse, deixando vir à tona anos de ressentimento.

Durante alguns segundos, uma expressão enigmática surgiu no rosto de James, como se quisesse dizer algo. Porém, antes que pudesse manifestar-se, voltou a exibir o descaso habitual.

— Diga logo o que quer Lily — pediu, ríspido. Em seguida, consultando o relógio, informou: — Daqui a nove minutos tenho uma reunião com um amigo muito especial.

Percebendo que não chegaria a lugar algum com aquelas acusações do passado, Lily reprimiu a raiva, tentando parecer calma e indi ferente como ele.

— Já lhe disse o que quero.

— Ora, sabendo o quanto me detesta, estou intrigado com os motivos que a levaram a me procurar para pedir dinheiro.

— Alguém muito querido tem que fazer uma cirurgia delicada — explicou, com a voz cheia de emoção. — Por isso, vai precisar de bons especialistas e um hospital particular.

Ele ergueu uma das sobrancelhas, irônico.

— É um homem?

— Não.

— Nesse, caso, quem é Lily? — inquiriu, disposto a descobrir toda a verdade.

— Uma criança — respondeu, sem coragem de dizer o resto.

— E posso saber que criança é essa?

Lily conhecia James o suficiente para saber que ele não lhe daria um centavo se não lhe contasse toda a história. Já havia até se preparado para isso. Porém, agora que chegara o momento, sen tia-se fraca e indefesa diante daquele homem, que mais parecia uma fortaleza.

— É meu filho — revelou, lentamente, como se as palavras relutassem em sair de sua boca.

James pareceu perplexo com aquela revelação. Contudo, logo se refez do susto, tornando a fitá-la com desprezo.

— Então, Lily, sugiro que peça ajuda ao pai da criança — disse, levantando-se, numa clara demonstração de que a conversa havia terminado.

Tremendo dos pés a cabeça, ela continuou sentada, ignorando a atitude dele. Sabia que não podia mais manter aquela farsa, a menos que desistisse de tudo e voltasse para casa sem o dinheiro.

"Isso nunca!", pensou, reunindo o resto de suas forças.

— Harry nasceu exatamente sete meses e três semanas depois que deixei Birmingham — comunicou, retirando da bolsa um monte de papéis.

Tivera o cuidado de trazer a certidão de nascimento do filho e outros documentos que podiam comprovar a veracidade de sua his tória, bem como várias fotos de Harry. Aliás, trouxera muitas fotografias, desde o nascimento até a idade atual, mostrando um menino com os mesmos traços, tom de pele e cabelo do pai. Na verdade, Harry era uma cópia do pai, e de Lily o menino só havia herdado os inconfundíveis olhos verdes.

Aos poucos, foi passando aquelas provas irrefutáveis para as mãos de James, que examinava tudo, boquiaberto.

— Harry é seu filho, James. Seu filho! — repetiu, como se tivesse tirado um peso da consciência.

O clima ficou tenso na sala, dando a impressão de que todo o oxigênio havia sido substituído por um gás inflamável, em vias de incendiar-se.

Ela permaneceu sentada, esperando que James tomasse alguma atitude.

— Diga-me, Lily — ele pediu, tentando colocar os pensamentos em ordem. — Pretendia ocultar a minha paternidade para sempre?

Essa era uma pergunta difícil de responder, pois todos os dias, indagava-se o mesmo, sem conseguir chegar a uma conclusão sa tisfatória.

— Talvez, quando ele estivesse mais velho, eu viesse a colocá-lo em contato com você... — admitiu, sincera.

Obrigada por tanta consideração! — Sua voz estava fria como gelo. — E, para ser mais preciso, como pretendia apresentá-lo? Co locando-o na porta da minha casa, daqui uns dez ou quinze anos, com um bilhete resumindo toda a história?

Ele estava furioso e descontrolado, como Lily jamais vira antes. Parecia uma fera ferida e acuada, cuja única opção é contra-atacar.

— Droga! Não tinha o direito de fazer isso! — praguejou, andando em círculos pela sala. Depois, deu vários murros na escrivaninha, descarregando toda sua raiva naquela peça da mobília.

Finalmente, mais calmo, James aproximou-se da ex-esposa, in dagando:

— O que há de errado com a criança? E que tipo de cirurgia precisa?

Com a voz saída das profundezas de sua alma, Lily descreveu-lhe, em detalhes, tudo o que os médicos haviam dito sobre a saúde de Harry, enquanto ele rabiscava algumas palavras num pedaço de papel.

— Dê-me seu endereço e telefone — ordenou, sem aceitar recusas.

— Tudo o que precisa fazer é dar-me o dinheiro para a cirurgia — respondeu, desviando o olhar.

O rosto dele ficou transfigurado pela cólera e, num gesto impul sivo, segurou Lily pelos ombros, forçando-a a fitá-lo.

— Não pode ter acreditado que eu lhe daria um cheque e a deixaria sair daqui como se nada tivesse acontecido, não é? — Soltou-a, esperando por alguma resposta.

Trêmula, devido àqueles toques vigorosos, e confusa com toda aquela situação, ela não conseguia pensar em nada para dizer.

— Farei o possível para devolver-lhe o dinheiro... — murmurou, hesitante, após uma grande pausa.

— Oh! Não duvido disso! — exclamou, com voz rouca e suave, chegando a deixá-la arrepiada como nos velhos tempo...

James estava mudando de tática. Como vira que o jeito autori tário não dera resultados, passara a usar seu charme para conseguir o que desejava. A pergunta era: aonde pretendia chegar?

Uma leve e providencial batida na porta interrompeu-os, quando Lily já enfrentava dificuldades para conter os ímpetos de jogar-se nos braços dele.

Logo, a secretária entrou, colocando uma bandeja enorme sobre uma das mesas de canto. Então serviu o café e destampou uma travessa de prata com delicados sanduíches de patê. Enquanto ocu pava-se com isso, não deixou transparecer nenhum sinal de indis crição diante da peça estilhaçada no carpete.

— Ligue para Remus Lupin, Renate — James pediu, polido. — Transmita-lhe minhas desculpas e agende nossa reunião para se gunda-feira.

— Claro — respondeu, sem pestanejar, deixando a sala em se guida.

Lily olhou para os sanduíches, sentindo o estômago contrair-se de fome, pois não comia nada desde o café da manhã. Entretanto, como estava decidida a acabar logo com aquela entrevista, serviu-se apenas de uma xícara de café.

Ao primeiro gole, sentiu os efeitos benéficos daquele líquido re-vigorante, que parecia restituir-lhe as forças e o desejo de continuar lutando pelo bem de Harry. Mais animada, rendeu-se àquelas iguarias, experimentando um dos sanduíches. Mas essa explosão de autoconfiança durou pouco, pois logo percebeu que James acom panhava todos os seus movimentos...

Aqueles olhos, colados em seu corpo, mexiam com seus nervos, dando-lhe uma sensação de insegurança e medo. Sim, tinha medo do que James poderia fazer agora que sabia de toda a ver dade...

— Não precisa desmarcar sua reunião — sussurrou, aparentando mais coragem do que realmente sentia. Então, indicando seu desejo de sair da sala, deixou o sanduíche de lado e ajeitou a bolsa sobre o ombro.

— Aonde pensa que vai? — inquiriu, calmo. Porém, devido à enorme aura de poder e autoridade que havia em torno dele, podia dar-se ao luxo de intimidá-la com voz suave.

— Vou para casa — respondeu, pondo-se de pé.

— Ótimo! Pois pretendo conhecer meu filho o quanto antes. Aquelas palavras a traspassaram como flechas, deixando um rastro de dor e sofrimento intenso.

— Não! — retrucou, impulsiva, quase num desabafo. Afinal, temia os efeitos desagradáveis que um encontro entre pai e filho pudessem causar na criança. Logo, porém, conseguiu controlar a torrente de emoções desenfreadas que jorrava de sua alma e tentou explicar-se: — Não quero que sua presença cause qualquer tipo de problema para Harry.

— Para nosso filho ou para você? — indagou, impiedoso. — Afinal deve ter calculado que, uma vez conhecendo a verdade, eu jamais permitiria que as coisas continuassem como estão, não é?

Lily sentiu o pânico dominá-la. Sentia-se à beira de um abismo, acuada por um leão feroz. Não podia recuar, nem tampouco ir adian te... Só conseguia aguardar pelo desfecho, implorando misericórdia.

— Não pode impedir-me de sair daqui! — disse, descontrolada.

— Quero meu filho, Lily — James declarou, implacável. — Podemos tentar uma reconciliação ou, se preferir, pedirei a custódia dele na justiça. Você é quem decide...

Ela baixou a cabeça e soltou os braços em torno do corpo, vencida pelo desânimo. Nada havia saído como planejara... Mas logo sentiu a raiva e a indignação brotarem das profundezas de seu ser, dando-lhe novo alento.

— Não tem o direito de tirá-lo de mim! — exclamou, com o rosto desfigurado pelo ódio.

— Tem até amanhã para resolver — respondeu, rabiscando algo num pedaço de papel, que entregou-lhe. — Poderá encontrar-me nesse número.

— Chantagem é crime, sabia?

— Apenas dei-lhe uma chance de escolher... — retrucou, cínico.

— Recuso-me a considerar a hipótese da reconciliação com um homem que irá dividir sua cama com outras mulheres, além da es posa!

Ambos se encararam, trocando farpas pelo olhar.

— Não tente negar isso! — Lily prosseguiu, corajosa. — Enquanto éramos casados, algumas pessoas tinham um prazer sórdido em contar-me suas aventuras extraconjugais, apresentando, inclusi ve, provas de sua infidelidade.

— Sua obsessão por esse fato nunca irá diminuir?

— Nem tampouco meu ódio por você!

James sorriu, sarcástico, tirando o máximo proveito de sua si tuação vantajosa.

— Portanto, devo concluir que seu amor maternal é imenso para levá-la a confrontar-me...

As lágrimas embaçaram sua visão, deixando-a ainda mais furiosa e humilhada.

— Só vim procurá-lo porque não tinha outra alternativa! — ex clamou, tentando salvar um pouco do seu orgulho.

Sem dizer mais nada, ela foi até a porta e girou a maçaneta. Nessa altura, já não se importava se ele iria detê-la ou não.

Como James permanecesse imóvel, Lily atravessou a sala con tígua, com passos firmes, tentando até mesmo sorrir para a secretária. No entanto seu coração sangrava, devido a feridas antigas que jamais haviam cicatrizado...

Reviews?

Até o próximo capítulo! Que não vai demorar ;)