Mais uma vez aqui para outro capítulo. E nesse vamos vê o encontro do Harry com o James *-*
Thaty: Bem vinda ;)
Sassah Potter: Que bom que gostou. Mais um capítulo quentinho, saindo do forno.
CAPÍTULO 3
O tráfego estava muito lento e Lily demorou uma hora para chegar ao afastado subúrbio onde morava. Em silêncio, agradeceu a Deus por ter conseguido atravessar a cidade sem sofrer nenhum acidente, pois, do jeito que estava preocupada e aflita, mal havia prestado atenção aos sinais de trânsito.
Sarah abriu-lhe a porta, recebendo de Lily um olhar agradecido.
— Obrigada por pegar Harry no colégio — disse, ao entrar no apartamento da amiga. — Tive alguns problemas e acabei me atrasando... — completou, evasiva.
— Sarah contou-me uma história e, depois, as sistimos a alguns desenhos na televisão. E também já tomei banho! — Harry informou, jogando-se nos braços da mãe.
Lily apertou aquele corpo delicado de encontro ao seu, sentindo uma angústia profunda, dilacerando seu coração. Mas não derramou uma única lágrima, embora o que mais tivesse vontade de fazer fosse chorar.
Durante sete anos, tivera uma vida calma e pacata ao lado do filho, criando uma espécie de mundo particular para ambos, onde a crueldade das pessoas não conseguia afetá-los. Fora um período de muita luta e trabalho, mas, apesar do orçamento reduzido, nunca lhes faltara o necessário para o sustento. Agora, de uma hora para outra, tudo virará de pernas para o ar...
Como se não bastassem os problemas de saúde de Harry, ainda havia o prepotente James Potter para complicar ainda mais a situação. E, por mais que tentasse ser otimista, sabia que a entrada dele em suas vidas causaria danos irreparáveis.
— Aceita um café? — Sarah ofereceu, tirando-a daquele transe momentâneo. — Acabei de por água para ferver.
— Por que não vai até o meu apartamento e janta conosco? — propôs, comovida com a generosidade da amiga. Afinal, aquilo era o mínimo que podia fazer para agradecê-la. Além do mais, seria ótimo ter companhia, pois, dessa forma, teria menos tempo para pensar em seus problemas.
— Eu adoraria... — respondeu, com pesar. — Mas tenho um compromisso essa noite.
Ela percebeu um quê de hesitação na voz de Sarah, sempre tão segura e decidida.
— Pelo jeito, esse não será mais um daqueles jantares animados com as amigas do hospital, não é? — indagou, piscando o olho com malícia. — Quem é esse homem de sorte?
Sarah sorriu, confirmando as suspeitas de Lily. Porém não disse nada até que tivessem ajeitado Harry na sala, com alguns brinquedos de montar, e ido para a cozinha.
— É um médico que conheci há alguns meses, durante uma cirurgia de emergência em um dos meus plantões noturnos — revelou, com os olhos brilhando de alegria. — Ele mudou-se para Londres há pouco tempo. O conheci no hospital, conversamos e ele me convidou para jantar. Naquele momento, não consegui recusar, mas agora, não sei se fiz a coisa certa...
Conhecendo as dificuldades que Sarah havia enfrentado no primeiro casamento, além do divórcio traumático que a deixara profundamente desiludida com os homens, Lily podia entender a hesitação da amiga diante daquela nova oportunidade amorosa.
— E claro que agiu certo! E fico muito feliz por você! — declarou, sincera, tentando transmitir-lhe confiança.
— Estou morrendo de medo! — confessou, arregalando os olhos azuis. Em seguida, coou o café, enchendo duas xícaras com o líquido fumegante.
— A que horas ele vem buscá-la? — perguntou, notando que Sarah ainda vestia um roupão de banho.
— Às sete. — Respirou fundo, aflita. — Mas acho que vou telefonar-lhe cancelando nosso encontro.
"Se ele tiver um pouco de intuição, deve ter tirado o fone do gancho, prevendo que Sarah pudesse tomar essa atitude ", pensou, observando a amiga discar alguns números no telefone.
— Droga! — esbravejou, após várias tentativas. — Só dá sinal de ocupado! O que vou fazer agora?
— Saia com ele.
— Não posso! — Sarah confessou, desorientada. — Se fosse com você, sairia com outro homem?
Aquela pergunta atingiu a alma de Lily como uma flecha, dilacerando tudo que encontrava pelo caminho. Como podia incentivar a amiga, se ela mesma nunca tivera coragem de fazer isso? Após seu divórcio, fechara-se para o amor, excluindo qualquer homem das esferas mais íntimas de sua vida.
"Ah! James!", pensou, num suspiro, relembrando o modo maravilhoso como se entendiam nos momento de intimidade. Nunca poderia substituí-lo por outro, nem mesmo após todas as traições a que ele a submetera. E, depois de tanto tempo separados, suas vidas tornavam a cruzar-se...
Não iria suportar o desgaste emocional de um processo pela guarda de Harry. Afinal, embora soubesse que tinha todos o direito de continuar com o menino, não poderia desprezar o poderio econômico de James Potter, muito menos os traumas que uma situação delicada como essa poderia causar em seu filho.
— Lily? — Sarah chamou, preocupada com aquele silêncio prolongado.
Ela sorriu, procurando concentrar-se no dilema da amiga.
— Nem todos os homens são insensíveis como nossos primeiros maridos — sentenciou, numa tentativa de convencê-la a sair.
Sarah meneou a cabeça, incrédula.
— Só me resta uma alternativa: quando ele chegar, direi que mudei de idéia — prometeu, sorvendo o resto do café da xícara. Em seguida, olhando dentro dos olhos de Lily, indagou: — Está tudo bem com você? Parece aflita...
Aquele não era o momento para desabafos, pois logo o amigo de Sarah chegaria e ela ainda precisava vestir-se. Além disso, não sabia se era capaz de revelar a alguém, mesmo que fosse a sua melhor amiga, a proposta que James lhe fizera. Por isso, forçou um sorriso, preferindo mentir.
— Estou bem, é só cansaço. — Então, mudando de assunto, le vantou-se da cadeira e disse: — Preciso servir o jantar para Harry, mas voltarei para ajudá-la com o cabelo.
De volta para o outro apartamento, Harry transformou-se num divertido espectador dos esforços da mãe para deixar os cabelos lisos e finos de Sarah com uma aparência mais exuberante.
— Por que estou tão nervosa como uma adolescente em seu primeiro encontro? — indagou, irritada.
Lily sorriu-lhe, maliciosa.
— Não, é melhor nem responder! — a amiga exclamou, decidida a não aceitar o óbvio.
— Está pronto! — afirmou, afastando-se um pouco para examinar o resultado dos seus esforços.
Após alguns instantes de contemplação, Sarah abriu um largo e sincero sorriso.
— Obrigada, nunca conseguiria pentear-me assim, nervosa como estou.
— Está linda! — Harry exclamou, com entusiasmo. Diante daquele elogio tão espontâneo, Sarah relaxou, adquirindo mais confiança.
— Não vai me dizer o nome dele? — Lily perguntou, morta de curiosidade.
— Brad Hensey — revelou, dando os últimos retoques no batom. — Está perto dos quarenta anos, é cirurgião, viúvo e tem um filho. Ah! E também é muito charmoso e atraente!
Nesse momento, o som estridente do interfone cortou o ar, anunciando a chegada do médico.
Num gesto rápido, Lily pegou Harry no colo e foi para a porta dos fundos.
— Boa sorte e divirta-se bastante! — desejou, antes de sair.
Já em seu apartamento, fez alguns desenhos e também brincou com o filho antes que ele finalmente adormecesse, por volta das nove da noite. Então, sem fazer ruídos, debruçou-se sobre a cama do menino
Harry era tão pequeno e frágil para passar por uma cirurgia daquele tipo!..
Com um nó na garganta e coração apertado, acariciou os cabelos do filho, reprimindo as lágrimas. Precisava ser forte por ambos.
"Pelo menos, ela terá o melhor tratamento que o dinheiro puder pagar", consolou-se, lembrando de sua conversa com James.
Lily permaneceu ao lado de Harry por um longo tempo, até que, exausta, ergueu-se e foi para seu quarto. Então, disposta a reagir, discou um número no telefone.
Quinze minutos mais tarde, colocou o fone no gancho, estarrecida com a conversa que tivera com seu advogado.
Segundo o parecer técnico, num caso normal de disputa pela guarda dos filhos, a mulher só perde se for constatado que é relapsa com as crianças ou sem condições morais para educá-las. Portanto, como Lily era uma excelente mãe, o máximo que poderia acontecer a Harry seria visitar o pai nos finais de semana e passar algumas férias com ele.
O grande problema era ter omitido de James o fato de estar grávida. Isso tornava tudo mais difícil. Não tinha dúvida, de que os advogados do ex-marido utilizariam esse argumento à exaustão para convencer o juiz de que era imatura e despreparada para cuidar do menino.
Os ventos estavam a seu favor, é verdade, mas essa pequena chance de perder a guarda de Harry a deixava aterrorizada.
Fechou os olhos por um minuto, relembrando a proposta de James. Aquelas palavras cínicas e ameaçadoras ainda ecoavam por sua cabeça, com a intensidade de um trovão.
— Jamais voltarei a viver com ele! — bradou, com firmeza. Porém, logo em seguida, pensou nos traumas que uma batalha judicial poderia causar em Harry e toda sua segurança desmoronou como um castelo de areia. Sentia-se num beco sem saída, confusa e amedrontada com o que estava lhe acontecendo.
Incapaz de adormecer, preferiu fazer a limpeza do pequeno apartamento, arrematando a noite com uma enorme cesta de roupas para passar. Pelo menos, ocupando-se com as tarefas domésticas, desviaria a atenção dos outros problemas de sua vida.
O dia já estava amanhecendo, quando finalmente foi para a cama, dormir umas poucas horas.
— Você está péssima! — Sarah declarou, consternada, assim que Lily abriu-lhe a porta, na manhã seguinte. — Algum problema com Harry?
— Ele está ótimo — respondeu, segurando a cabeça com as mãos, de tanta dor. — Está brincando com alguns jogos em seu quarto e esperando ansiosamente pela festa de Rony hoje a tarde. Mas, entre, vou fazer um pouco de café.
— Pode deixar que eu faço. Enquanto isso, tome algum analgésico para essa enxaqueca — respondeu, com a segurança de quem trabalha há anos em hospitais.
Lily obedeceu e, quando deu por si, já estava sentada em sua própria cozinha, saboreando uma xícara de café e torradas com mel que Sarah fizera.
— Agora que está melhor, pode me contar o que aconteceu? Lily sacudiu os ombros com displicência, ignorando a pergunta.
— Vamos lá, pode se abrir comigo — Sarah insistiu.
— É apenas cansaço acumulado... — desconversou. — Não tenho dormido muito bem nos últimos dias.
— Está bem, já entendi que não quer falar sobre isso. Então tome essas vitaminas, vai sentir-se mais animada — recomendou, tirando um frasco de comprimidos da bolsa.
— Sim, enfermeira — brincou, procurando deixar o ambiente mais leve e agradável.
— Não zombe de mim, garota. Sou uma excelente profissional
— Sarah repreendeu, fingindo estar ofendida. As duas riram, abraçando-se como irmãs.
— Como foi seu encontro com Brad? — Lily quis saber, tentando afastar a conversa de seus assuntos pessoais.
— Jantamos num ótimo restaurante, conversamos bastante e, depois, ele me trouxe para casa. E nem sequer insistiu para subir comigo!
— Isso foi tudo o que aconteceu? — indagou, incrédula.
— Por incrível que pareça, sim. Brad é um perfeito cavalheiro.
— Sarah ficou pensativa por alguns instantes, depois confidenciou, com certa satisfação: — Na verdade, também fiquei surpresa com seu comportamento.
Aos olhos de Lily, Brad estava se tornando cada vez mais esperto, tentando conquistar Sarah devagar, sem pressões que pu dessem assustá-la.
— Ele convidou-me para jantar no próximo sábado — informou, confirmando a hipótese de Lily.
— Isso é ótimo!
— Sabe, às vezes, tenho a impressão de que ele adivinha meus pensamentos e desejos — disse séria. — Não gosto de homens muito apressados.
Lily sorriu, tomando mais um gole de café. Sua cabeça estalava de dor, contudo passaram-se mais uns dez minutos até que o analgésico finalmente fizesse algum efeito. Mesmo assim, sabia que só ficaria boa se dormisse um pouco. Por isso, pretendia descansar por uma hora ou mais, enquanto Harry estivesse na festa de Rony.
Logo que Sarah foi embora, Lily tomou um demorado banho frio, para reanimar-se. Em seguida, vestiu uma ampla calça de microfibra rosa-bebê com uma regata de seda amassada no mesmo tom, sentindo que aquela cor pastel aliviava o cansaço, realçando o brilho dos seus cabelos e o viço de sua pele clara.
O almoço estava delicioso, à base de legumes e peixe, porém Harry comeu muito pouco, ansioso com a perspectiva da festa de aniversário de Rony.
— Já está na hora, mamãe? — indagou pela oitava vez, enquanto Lily tentava ajeitar os cabelos naturalmente bagunçados do filho.
— Faltam alguns minutos — respondeu, achando graça na ansiedade da criança.
— Não podemos ir agora? — tornou a insistir, contorcendo as mãos delicadas.
— Está bem, você venceu! Vou levá-lo para a festa.
— Oba! — gritou, num acesso de alegria.
O percurso foi curto e tranqüilo, pois Rony morava num subúrbio vizinho. O difícil foi estacionar, já que havia uma multidão de carros, parados na frente da casa.
— Vamos cortar o bolo às três — a mãe do aniversariante informou. — E estou planejando reunir as mães para um chá de confraternização às três e meia, enquanto Rony abre os presentes. Gostaria muito que viesse.
Lily aceitou o convite e, após cumprimentar Rony e despedir-se de Harry, retornou para casa.
Seu apartamento ficava incrivelmente vazio sem a presença do filho e a atmosfera parecia mais densa e sufocante. Então, antes de deitar-se, para aquele merecido repouso, foi em busca de algo gelado que pudesse diminuir o calor que sentia.
Nem bem havia aberto a geladeira quando a campainha tocou, surpreendendo-a. A única pessoa que a visitava era Sarah e, a essa hora, ela devia estar no hospital.
"Será que aconteceu algo errado com ela?", indagou-se, aflita.
Sem pensar duas vezes, correu para abrir a porta, esquecendo-se de verificar, pelo olho mágico, quem era.
— Sarah? — foi logo chamando, ansiosa.
No lugar da amiga, uma perturbadora e familiar figura masculina postou-se na soleira da porta.
Os segundos que se passaram entre o reconhecimento e a compreensão do que estava acontecendo tiveram a intensidade de horas.
— O que está fazendo aqui? — bradou, exasperada.
— O que aconteceu com o "olá" ou "como vai"? — James retrucou, em tom indiferente e irônico.
Seus olhos verdes ficaram injetados de raiva, tornando-se escuros. Não queria permitir que ele entrasse em seu apartamento, maculando sua aura de paz e harmonia.
Ao contrário dela, James parecia uma muralha de segurança e placidez, dentro de um terno creme de talhe perfeito, mais apropriado para um dia de trabalho do que para uma preguiçosa tarde de sábado.
Três dias atrás, aquele encontro inesperado tivera o efeito de uma bomba atômica, deixando seus nervos em frangalhos. No dia anterior, apesar do conteúdo dramático da conversa, estava agradecida por terem se encontrado num lugar tão frio e imparcial quanto um escritório. Mas como iria reagir na intimidade de seu lar? Conseguiria conter o desejo crescente de jogar-se nos braços dele, esquecendo tudo de mal que ele lhe fizera?
— Não vai me convidar para entrar?
James possuía um extraordinário poder de sedução, uma espécie de magnetismo natural, que mexia com os instintos mais primitivos e ocultos das mulheres, fazendo aflorar todos os seus desejos...
Lily não era exceção. Por isso, sentia-se frágil e desprotegida ao lado dele. Só Deus podia avaliar o quanto lhe custara abandoná-lo, no passado, pois se a consciência a impelira a partir, seu corpo lhe implorara para ficar.
Incapaz de mover-se, continuou a obstruir a entrada, tentando pensar numa solução rápida e eficaz para aquele dilema.
— E se eu me recusar a convidá-lo? — Palavras cheias de valentia, embora apenas superficiais.
— Você é quem sabe — argumentou, com indiferença. — Pode escolher entre uma discussão amigável ou deixar que nossos advogados resolvam tudo num processo judicial.
— Esse não é o momento adequado para um diálogo — desconversou, tentando ganhar mais tempo.
Aqueles olhos castanhos esverdeados faiscaram de raiva, num sinal evidente de que também não estava tão seguro e controlado como queria de monstrar.
— Não me venha com desculpas esfarrapadas, Lily. Acabou de deixar nosso filho numa festa de aniversário. Portanto temos uma hora ou duas para nos entendermos.
O rubor tingiu sua face de vermelho, liberando uma pequena porção da fúria que estava sentindo por ele.
— Você esteve me seguindo? Como pôde fazer isso? Seu... Seu... — As palavras morreram em sua boca, sufocadas pela raiva. Tinha vontade de bater-lhe a porta na cara, porém, seu lado racional atentava para o perigo e a imprudência de tal gesto. James sempre revidava à altura todas as ofensas que recebia.
Durante alguns minutos, continuaram parados na soleira da porta, trocando acusações silenciosas e olhares de mágoa e ódio, mesclados a desejo e saudade. Pareciam reviver, cada qual a seu modo, os tormentos de sete anos atrás, quando um romance de conto de fadas transformara-se num pesadelo de traição e brigas.
Por fim, compreendendo que não ganharia nada, além de mais problemas, impedindo-o de entrar, Lily preferiu ceder.
— Por favor, entre — disse, polida, apontando para os dois sofás da pequena sala de estar.
James preferiu ignorar aquela indicação, dirigindo-se para um console, no outro extremo do cômodo, repleto de porta-retratos com fotografias de Harry.
Um silêncio sepulcral abateu-se sobre a sala, enquanto ele continuava a examinar aqueles pequenos fragmentos da vida de seu filho.
Ao mesmo tempo furiosa e emocionada com aquela cena, Lily não ousava interrompê-lo, esperando que o próprio James retomasse o diálogo.
De repente, ele virou-se, com uma expressão difícil de ser definida com palavras, pois mesclava uma série de sentimentos antagônicos, tais como: amargura e felicidade, ódio e contentamento.
— Por que não me contou que estava grávida? — perguntou, com voz solene.
Ao ouvir aquela pergunta fatídica, ela sentiu uma espécie de nó na garganta, que a impedia de emitir qualquer palavra. Talvez, no íntimo, tivesse algum remorso por ter-lhe ocultado essa informação tão preciosa...
— Se tivesse lhe dito... — começou, hesitante. — Nunca teria deixado que eu saísse de Birmingham.
— Correto — concordou. — Mas o que faço agora, ao descobrir que roubou-me os seis primeiros anos da vida de meu filho?
— Não teria partido se tivesse respeitado nosso casamento. Além disso, lamentar o que ficou no passado não irá mudar o futuro de Harry.
Lily estremeceu ao sentir a raiva exalando através de cada poro dele, como se fossem gotículas de suor. Não duvidava que ele iria puni-la da maneira mais cruel e inesperada. O que a aterrorizava era aguardar esse momento, que podia estar escondido atrás de uma palavra gentil ou até mesmo de um beijo mais sedutor... Afinal, como exímio jogador de xadrez, James sabia arquitetar armadilhas inexpugnáveis para derrotar seus inimigos.
— Já se decidiu? Por um segundo, seu coração parou de bater, para logo em seguida retomar sua atividade em ritmo acelerado.
— Sim.
— Será que terei que arrancar palavra por palavra de você? — repreendeu-a, irritado com aquela resposta lacônica.
— Não vou permitir que Harry seja disputado, como uma peça de mobília ou coisa do gênero, num tribunal. Nem quero que se transforme em uma espécie de ioiô entre a minha casa e a sua.
— Ergueu as sobrancelhas, com firmeza, antes de concluir: — Entretanto tenho uma condição... James sorriu, cínico.
— E qual é?
— Deve afastar-se de todas as suas "amigas".
Ele a examinou de alto a baixo, ainda mais irônico do que antes. No entanto preferiu fazer-se de desentendido...
— Pode ser mais específica.
— Claro — respondeu, odiando-o cada vez mais. — Estou me referindo às suas amantes.
— Oh! — exclamou, arregalando os olhos. — Então quer dizer que pretende dividir a cama comigo?
Um frio intenso percorreu-lhe o corpo, deixando-a arrepiada.
— Não! Isso nunca!
James permaneceu em silêncio, estudando cada movimento de Lily. Dava a impressão de que tentava ler os pensamentos dela, ou adivinhar suas próximas atitudes. Enfim, cansado de tanta análise, tornou a falar:
— Espera que eu me torne um celibatário, excluindo totalmente o sexo da minha vida?
O modo simples como ele expunha as situações mais complicadas a irritava mais do que tudo. Pois ele sempre conseguia inverter os papéis, passando de algoz para vítima.
— Viverei na mesma casa que você e cumprirei todas as minhas obrigações sociais como sua esposa. Afinal, pelo bem de Harry, fingirei que nosso relacionamento é agradável — declarou, procu rando manter a calma. — Mas me recuso a partilhar sua cama!
James arqueou as sobrancelhas, como se duvidasse das palavras dela.
— Insisto que ocupemos o mesmo quarto.
— Por quê?
— Ora, porque nunca perco uma batalha!
— Nunca me perdoou por ter tomado a iniciativa do divórcio, não é? Foi um golpe duro demais no seu orgulho super desenvolvido. Esse deve ser o único motivo plausível para levá-lo a exigir isso de mim, afinal nosso casamento não significou nada para você!
— Tem certeza disso? — argumentou sarcástico. — Lembro perfeitamente de como nos dávamos bem na cama...
— Tivemos bons momentos juntos... Encheu-me de jóias e roupas caras, tínhamos uma bela casa e íamos a festas cinematográficas, salpicadas de pessoas ricas e famosas como você, que fingiam gostar de mim. Porém eu não passava de um brinquedo nas suas mãos, alguém que gostava de exibir para os seus amigos como um troféu. Era muito jovem e ingênua e não sabia as regras do jogo...
— Sinto que pense assim sobre aquela época... — confessou, num rompante de emotividade. Contudo logo conseguiu controlar-se, tornando a exibir o mesmo ar cínico e indiferente de costume. — Só me resta perguntar se aprendeu as regras agora?
Lily encheu-se de dignidade, endireitando os ombros e erguendo a cabeça.
— Harry é o que há de mais importante na minha vida! Sua saúde e bem-estar estão acima de qualquer vingança que deseje fazer contra mim.
Um brilho maligno surgiu nos olhos de James, alertado-a para ser mais cuidadosa com as palavras. Porém, apesar de sentir-se fraca e vulnerável ao lado dele, ainda havia pontos que precisava escla recer.
— Quero dar prosseguimento à minha carreira — salientou, timidamente, sem imprimir a firmeza necessária que a frase exigia.
Aquela exigência pareceu desagradá-lo, demonstrando que seria uma batalha árdua convencê-lo da importância de sua realização profissional. Mas uma inesperada onda de coragem brotou do fundo de sua alma, dando-lhe novo ânimo para lutar por seus ideais.
— Harry vai precisar muito de sua presença para restabelecer-se da cirurgia e, se continuar com o trabalho, terá de ausentar-se por muitas horas todos os dias — disse, recorrendo ao ponto fraco de Lily.
Em vez de fazê-la retroceder, aquele argumento teve o efeito contrário, acirrando seu desejo de luta. Pois, nem nos tempos mais difíceis de sua carreira, negligenciara a educação da filha em prol dos deveres profissionais.
— Nunca passou pela minha cabeça "abandonar" Harry num momento tão crucial como esse! Pretendo tirar uma licença nesse período — explicou. — Mas quero que saiba que batalhei demais para chegar aonde estou e não vou abrir mão de tudo assim, de uma hora para outra.
Percebendo que Lily não iria ceder naquele ponto, James preferiu uma retirada estratégica.
— Nesse caso, tenho certeza de que Albus Dumbledore poderá reduzir seu expediente às horas em que Harry estiver na escola.
Lily respirou aliviada, diante de sua primeira vitória. Porém es tava esgotada física e emocionalmente.
— Agora que já acertamos alguns pontos, poderia deixar-me sozinha?
— A que horas irá buscar Harry na festa?
Lily passou os olhos pelo relógio de pulso, vendo que faltavam apenas cinco minutos para às três.
— Daqui a pouco. Aliás, aceitei o convite da mãe de Rony para um chá de confraternização com as outras mães — respondeu, descobrindo um excelente pretexto para dispensá-lo.
— Ótimo! — exclamou, sem dar-se por vencido. — Faço questão de levá-la até lá.
Lily ficou vermelha de raiva por enfrentar tanta teimosia e persistência.
— Droga! Você nunca desiste? — desabafou, irritada. — Não percebe que não posso simplesmente chegar e apresentá-lo a Harry como seu pai? Preciso prepará-lo para esse encontro!
— Tentar adiar o inevitável não ira resolver o problema, Lily — argumentou, disposto a conseguir o que desejava. — Convide-me para jantar com vocês esta noite.
Ela cerrou os olhos, cansada de tanta discussão.
— Não pode esperar mais alguns dias?
— Consultei vários médicos e já marquei uma consulta para Harry com o melhor neurocirurgião do país. E é bem possível que ele o opere dentro de uma semana — revelou, sem rodeios. — Por tanto é necessário que vocês dois estejam instalados em minha casa o quanto antes. Estabilidade emocional será de extrema importância para a recuperação dele.
— Haverá tempo suficiente para apresentá-lo, quando ele já estiver recuperado — retrucou, odiando o modo como ele estava tomando as rédeas da situação. Contudo, no íntimo, não podia negar que sentia uma certa alegria por ele demonstrar tanto interesse pelo bem-estar do filho.
— Amanhã então — insistiu, sem aceitar recusas.
— Não — ainda procurou resistir. — Esse contato inesperado próximo à cirurgia poderá fazer-lhe mal.
— Use os argumentos que desejar para explicar-lhe, mas faça logo! Harry precisa saber que tem um pai que o ama e se preocupa com ele.
Diante daquela frase, não havia o que retrucar e Lily assentiu com um gesto de cabeça.
— Voltarei às cinco — declarou, satisfeito. — E não se preocupe com nada, trarei o jantar.
Em seguida, ele caminhou até a porta, mas, antes de sair, virou-se, fitando-a com olhos penetrantes, que pareciam alcançar sua alma.
— Nem pense em fugir, Lily — ameaçou, adivinhando os pensamentos dela. — Se fizer isso, não terei descanso enquanto não a encontrar e, quando puser as mãos em você, irá se arrepender de ter me desafiado. — Sem mais demora, saiu do apartamento.
Lily continuou sentada no sofá, sem mover um músculo. Estava em choque, completamente aturdida com o rumo que sua vida havia tomado nas últimas horas.
Lentamente, seu raciocínio foi retornando e compreendeu que o melhor a fazer seria contar toda a verdade a Harry. Então es covou os cabelos e disfarçou a palidez do rosto com um blush rosado, indo para o encontro, na casa de Rony.
Sentar-se com outras jovens mãe para tomar chá e conversar sobre as crianças ajudou Lily a relaxar um pouco. Sorriu bastante, chegando até mesmo a rir de uma anedota contada por uma das mulheres. Contudo, volta e meia, surpreendia-se preocupada com o encontro daquela noite ou pensando no impacto que a presença de James causaria em suas vidas.
Seu maior problema, no momento, era encontrar uma maneira adequada de contar a Harry sobre a visita do pai, sem passar-lhe nenhum sentimento negativo a respeito de James. Essa tarefa exigiria muito tato, pois as crianças são muito mais espertas do que os adultos imaginam e seu filho não era nenhuma exceção nesse aspecto.
Bem antes do que queria, chegou a hora de ir embora e, sentindo a angústia crescer à medida que se aproximava de casa, Lily mal conseguia prestar atenção ao que Harry lhe contava sobre a festa.
Assim que chegaram, preparou uma xícara de chá de erva-doce, para ver se conseguia acalmar-se, enquanto o menino se divertia, brincando com alguns bonecos, no sofá da sala.
— Alguém muito especial virá jantar conosco esta noite — começou, sentando-se ao lado do filho.
Harry ergueu os olhos verdes, idênticos aos de Lily, demonstrando uma certa curiosidade infantil.
— É Sarah?
— Não, querido. — Fez uma pausa para ganhar coragem e acrescentou, de uma só vez: — É seu pai.
O menino deixou os brinquedos de lado, assumindo um ar sério e compenetrado.
— Você me disse que meu pai morava muito, muito longe daqui e que ele nem sabia que eu havia nascido. — Pôs as mãos na cintura, como se exigisse uma explicação: — Por que não lhe contou a verdade antes?
Lily ficou boquiaberta diante da reação lógica e racional de seu filho de apenas seis anos.
— Bem, naquela época acabamos nos desentendendo — respondeu, com franqueza. — E dizemos coisas desagradáveis um para o outro... — Aqui já estava fazendo uma pequena distorção da verdade, pois somente ela havia dito o que pensava, James nem sequer abrira a boca para defender-se.
— Então como ele soube sobre mim?
— Seu pai mudou-se para Londres há alguns meses — revelou, atenta a cada alteração na fisionomia de Harry. — E decidi procurá-lo.
— Por quê?
"Meu Deus! O que vou responder agora?", pensou, aflita. Afinal não podia simplesmente dizer-lhe que precisava de dinheiro para submetê-lo a uma séria operação na cabeça.
— Achei que ele devia saber sobre sua existência — mentiu, em parte.
Sem hesitar, Harry fez mais uma pergunta desconcertante:
— Quer dizer que não está mais triste com ele?
Lily sorriu, espantada com a rapidez de raciocínio do filho, e, pedindo perdão a Deus, disse mais uma mentira:
— Já o desculpei.
— E agora ele quer me conhecer, não é mesmo? — tornou a perguntar, arqueando as sobrancelhas do mesmo modo que James.
— Sim, seu pai deseja muito conhecê-lo! — respondeu, tentando parecer alegre.
Harry deu um sorriso de satisfação sobre aquela novidade, mas logo tornou a ficar sério outra vez.
— Ele ficou bravo com você por não ter-lhe contado sobre mim?
— Um pouco — admitiu.
O menino empertigou-se todo e disse, muito sério:
— Se o papai magoar você eu darei um tapa nele! Lily abraçou o filho cheia de carinho.
— Ora, querido, isso não seria nada educado, não acha? Além do mais, seu pai é um homem maravilhoso! — Não para ela, é claro. Mas tinha certeza de que James seria fantástico com o filho.
— Será que ele quer morar com a gente para sermos uma família de verdade?
Lily preferiu contar tudo logo para o menino. E assentiu.
— E você vai aceitar? — tornou a insistir, misturando a curiosidade infantil com uma boa dose da personalidade persistente de James.
— Sim — declarou, sentindo-se encurralada diante de tantas per guntas. — O que acha de tomarmos um banho e mudarmos de roupa para recebê-lo? Ele deverá chegar daqui a pouco.
Harry, porém ainda tinha outra dúvida:
— Como devo chamá-lo, mamãe? — quis saber, enquanto Lily penteava seus cabelos.
— Como gostaria de chamá-lo, querido? — indagou, sem conseguir achar algo melhor para responder.
Ele meditou por alguns segundo, maculando seu semblante alegre e pueril com uma ruga de preocupação na testa.
— Papai, eu acho... Será que eu vou gostar dele?
Lily deu-lhe um beijo na face, cheia de remorsos por causar-lhe tantas dúvidas.
— Tenho certeza de que, após conhecê-lo, irá gostar muito dele.
Satisfeito com a resposta, Harry abriu um largo sorriso, dissipando por completo, do seu rosto, aquela inadequada nuvem de preocupação.
— Mamãe — chamou, olhando atentamente para Lily. — Não vai passar batom?
Ela não estava com nenhuma vontade de melhorar seu visual, entretanto, para não desapontar o filho, pegou o primeiro batom que viu e aplicou-o sobre os lábios.
De repente, o som da campainha ecoou pelo apartamento, anunciando a chegada de James.
Esforçando-se para aparentar calma e alegria, Lily segurou a mão de Harry e levou-o até a sala.
— Posso abrir a porta, mamãe? — pediu-lhe, morrendo de curiosidade para conhecer o pai, o que era muito natural.
"Não posso permitir isso!", uma voz interior lhe implorava, sabendo que depois que aquela porta fosse aberta sua vida mudaria inteiramente. Mas não tinha outra escolha...
Sorrindo, fez um aceno afirmativo para o filho.
Em segundos, James Potter estava diante deles, com uma expressão afetuosa no rosto. Dessa vez, usava uma calça esportiva preta com uma camiseta pólo salmão e trazia duas enormes sacolas.
Lily quase desmaiou de surpresa quando ele deu-lhe um beijo no rosto, segurando sua mão entre as dele. Em sinal de protesto, cravou-lhe as unhas no braço, sem piedade. Mas essa manobra agressiva não surtiu efeito, pois James só conseguia ver a criança à sua frente.
Após alguns instantes de mútua contemplação, ele abaixou-se e cumprimentou, carinhoso:
— Olá, Harry. — Não tomou nenhuma iniciativa de tocá-lo, esperando para ver a reação da criança.
— Olá — respondeu, educado, olhando alternadamente para o pai e para a mãe.
Lily sentiu o coração apertado diante de pai e filho, completos estranhos, que mal sabiam como agir.
Se havia algo de bom naquilo tudo era a possibilidade de observar uma faceta do caráter de James que jamais acreditara existir. Era uma lado mais sensível e inseguro, o oposto de seu jeito sempre arrogante e cheio de prepotência. Essa descoberta a surpreendeu muito, levando-a a imaginar como suas vidas poderiam ter sido boas se Bellatrix Black não tivesse se colocado entre eles.
Sentiu uma dor lancinante no peito, mescla de tristeza e remorso, ao pensar que poderia ter dividido com ele todas as emoções de sua gravidez e parto. Isso sem mencionar os primeiros anos de vida de Harry...
Sim, por mais que odiasse admitir isso, diante de sua própria consciência julgava-se culpada por ter escondido de James a existência do filho. Mas quem pode condenar os erros feitos por um coração magoado?
Enquanto pensava em tudo isso, pai e filho continuavam na soleira da porta, como que magnetizados um pelo outro.
Ainda segurando sua mão, ele parecia pedir algum tipo de ajuda, que Lily não poderia recusa-se a prestar.
— Por favor, sente-se — sugeriu, percebendo que devia dizer algo para quebrar aquele silêncio angustiante.
Só então James soltou-a, entregando-lhe as sacolas decoradas com o logotipo de um dos mais famosos restaurantes da cidade.
— Espero que gostem de frango — disse, recuperando sua autoconfiança. — Trouxe também dois tipos de pães, algumas saladas, queijos, um pote de sorvete e uma garrafa de vinho branco.
— Obrigada — agradeceu, levando o pacote para a cozinha. Em pouco tempo, já estavam sentados à mesa saboreando aqueles pratos caros e refinados. Porém Lily estava tão nervosa e tensa com o encontro que acabou perdendo todo o apetite.
Harry, por sua vez, adorou a comida e, apesar de sua timidez inicial, aos poucos foi se descontraindo, passando a contar-lhe sobre a escola, seus amigos, Sarah e do quanto adoraria ter um cachorro.
— Eu tenho um cachorro — James declarou, com vivacidade, ganhando atenção total do menino.
Lily suspirou, pesarosa, lembrando que os proprietários do prédio proibiam terminantemente qualquer inquilino de possuir animais de estimação.
— Que tipo de cachorro? — Harry indagou, maravilhado com a novidade.
— Um dobermann — respondeu, sorrindo, vitorioso, para a ex-esposa.
— Mamãe disse que, se um dia mudarmos para uma casa, poderemos ter um labrador.
— Nesse caso, precisamos providenciar um para você imediatamente!
Mais uma vez, ele deu uma amostra de sua grande habilidade em simplificar as coisas, deixando Lily furiosa.
Horas mais tarde, quando Harry foi para a cama, exausto com tantos acontecimentos num único dia, era evidente que James já havia conquistado um lugar de honra em seu coração.
— Tenho de cumprimentá-lo — Lily admitiu, servindo-lhe uma xícara de café. Depois, sentou-se o mais longe possível dele.
— Por ter ganho a simpatia de meu filho? — retrucou, cínico. Ela enfrentou aquele olhar irônico, munida com toda a força de seu amor maternal.
— Não se atreva a magoá-lo!
— Jamais faria algo que pudesse prejudicar meu próprio filho! — defendeu-se, ofendido. E, sem perder tempo, partiu para o contra-ataque: — Aliás, tenho a impressão de que está com ciúme por eu ganhar a simpatia de Harry.
— Ciúme! — repetiu, levando um choque com aquela acusação.
Isso nunca havia lhe passado pela cabeça.
— Sim. Esperava que ele me odiasse, não é mesmo?
— Claro que não! — negou, com veemência.
— Não quer dividir o amor de nosso filho comigo!
— Isso é mentira! — esbravejou, levantando-se.
— Não pode acusar-me de algo tão baixo e mesquinho!
— Então por que está tão contrariada?
Lily respirou fundo, consciente do quanto James ainda a perturbava com sua presença sedutora. Mas não poderia deixar que ele percebesse isso...
— Só não quero que o decepcione como fez comigo... — revelou, franca, tornando a sentar-se. — Além disso, usou como armas um grande sonho dele: ter um cachorro.
— E daí? Pretendo realmente satisfazer-lhe esse desejo. Por acaso, isso é um crime?
— Ora, seja sensato! Como espera ter um labrador e um dobermann na mesma casa?
— Príncipe é um cão de guarda muito bem treinado e obediente. Duvido que haja qualquer problema — afirmou, convicto.
— Deve achar que eu não terei nenhum problema em mudar-me para sua casa, não é?
Seu olhar tornou-se duro, sem qualquer sombra de ternura, ou mesmo simpatia.
— Tenho certeza de que irá superar quaisquer dificuldades que apareçam.
Aquilo foi a gota final de um dia longo e massacrante. Precisava descansar ou acabaria tendo um esgotamento nervoso.
— Estou muito cansada e gostaria que fosse embora — pediu, erguendo-se da cadeira mais uma vez.
Ele caminhou até a porta, com uma leve indolência.
— Virei buscá-las ao meio-dia — anunciou. — Ah! E deixe as malas prontas.
Irritada, Lily ergueu o braço com o desejo de dar-lhe um tapa. Porém foi detida a tempo por James, que segurou sua mão.
— Nem pense nisso — ameaçou, com os olhos faiscando de raiva.
Temendo uma discussão mais acalorada que pudesse despertar Harry, Lily retrocedeu, baixando o braço.
Antes que ela pudesse protestar, James deu-lhe um beijo no rosto, como prêmio pelo bom comportamento, e foi embora, sem dizer uma palavra.
Reviews? Pode ser?
