Gente, eu adoro o James nesse capítulo, aliás, na fic todaa ;D Apesar dele ser completamente prepotente e arrogante (ele meio que tem um motivo pra isso, que vai ser entendido depois), eu não consigo resistir... Ele é demais e enlouquece a Lily (hahahaha) e eu adoro as discussões deles (sem falar na tensão sexual que rola nessas brigas hahaha). As coisas vão começar a esquentar (uhu!)
Lily e Harry na mansão Potter. Família feliz? Huuumm...um pouquinho complicado...
CAPÍTULO 4
Lily teve um sobressalto, sentindo uma dor aguda no estômago, ao avistar a magnífica residência de James, no exclusivo bairro de Kensington Palace Gardens. Em estilo francês, a casa reinava soberana no alto de uma colina, permitindo a todos que passavam pelas avenidas adjacentes terem uma visão completa de suas paredes de mármore verde e largas janelas do mais límpido cristal.
Atravessando o portal de ferro batido com o brasão da família Potter, encontrava-se uma estrada de paralelepípedos brancos que cortava toda a propriedade até desembocar na casa principal.
Os jardins eram dignos dos maiores elogios, combinando, com extremo bom gosto, flores exóticas, de cores vibrantes, com espécies mais clássicas e delicadas, como as rosas, camélias e lírios. Inter calando os inúmeros canteiros, havia um macio e verdejante tapete de relva e musgo, como jamais se vira em outro local. Tudo era milimetricamente cuidado, dando até a impressão de não haver uma folha fora do lugar.
Na frente da casa, destacava-se a presença majestosa de uma árvore centenária, coberta de flores lilases, cujos galhos se estendiam a grande distância.
"Minha nossa! O que foi que fiz?", indagou-se, sentindo, pela primeira vez, o peso daquela decisão sobre seus ombros.
Num espaço de quinze horas, havia embalado roupas e objetos de uso pessoal, limpado o apartamento e notificado o corretor de imóveis sobre sua mudança. Também avisara Sarah, sem tempo para dar-lhe maiores explicações. Ocupada com todas essas tarefas, mal conseguira descansar, quanto mais pensar nas implicações práticas de sua atitude. Porém, agora que o carro avançava pela propriedade Potter, sentia-se despertar de um sonho para encarar a dura realidade da vida.
Finalmente o Mercedes estacionou diante da porta principal e James saiu do automóvel, com a aparência alegre e jovial de quem acabara de ganhar uma batalha.
Logo, apareceu um homem de meia-idade, num impecável uni forme cinza, que, após um cumprimento respeitoso para o patrão, ocupou-se em retirar a bagagem do porta-malas.
— Esse é Filius Flitwick— James comunicou, ajudando Harry a sair do carro. — Ele e sua esposa, Minerva (esse é uma casamento estranho, sorry), cuidam da casa e dos jardins.
O homem sorriu afetuosamente para ambos, demonstrando grande satisfação com a chegada deles.
— Minerva está na cozinha, preparando o almoço. Vou avisá-la que já chegaram — disse.
Um pouco do nervosismo de Lily passou para Harry, que apertava suas mãos, apreensivo, enquanto James os conduzia para dentro da casa.
O hall de entrada era enorme e magnífico, como era de imagi nar-se, com piso de mármore branco e paredes em tons de creme, com várias obras de arte dependuradas. A direita, havia um enorme aparador marfim, com aca bamento em ouro, sobre o qual encontravam-se delicadas estatuetas francesas e um relógio de bronze.
No lado oposto à porta, ficava a escadaria, que excitou imedia tamente a imaginação fértil de Harry. Entretanto, o que mais chamou a atenção de Lily foi o reluzente lustre de cristal, que pendia do alto do teto.
— Prefere explorar a casa antes ou depois do almoço? — James indagou ao filho, notando sua excitação.
— Podemos ver agora? — perguntou, com os olhos brilhando de felicidade. Jamais havia visto um lugar tão bonito e sofisticado como aquele.
— Claro! Quer começar lá em cima? — sugeriu, adivinhando seus sonhos.
— Sim!
Sem mais demora, subiram as escadas, chegando a um amplo corredor, com peças de arte nos mesmo estilo das colocadas no hall. Então visitaram dois quartos, muito bem decorados, cada qual em uma cor diferente. Ao entrarem no terceiro aposento, em tons de azul, Harry soltou um grito de felicidade.
— É aqui que eu vou dormir? — quis saber, experimentando a cama enorme.
— Gostou desse quarto? — indagou, recebendo um gesto afir mativo como resposta. — Então é seu!
— Oba! — exclamou, batendo palmas de alegria. Em seguida, ficou pensativo, tornando a questionar: — Será que a Sarah poderá nos visitar de vez em quando?
— Claro que sim.
— Sabe, Sarah era nossa vizinha — Harry explicou, muito sério. — É nossa melhor amiga.
Lily observava tudo, em silêncio, apreensiva com a rapidez com que James estava ganhando a confiança da filho.
Em seguida, ele os levou para a gigantesca suíte principal, dividida em sala de leitura, sala de televisão, além do aposento propriamente dito.
Em seu nervosismo, Lily só foi capaz de atentar para as duas camas, no centro do cômodo, separadas apenas por um suporte de mármore com tampo de vidro.
— Esse é o nosso quarto — comunicou, piscando, malicioso, para a esposa.
Ela não fez comentários, restringindo-se a enviar-lhe um olhar desafiador. Afinal se James imaginava que iriam dividir o mesmo quarto, estava redondamente enganado!
No pavimento térreo, havia uma infinidade de salas para as mais variadas funções, decoradas com o mesmo esmero e sofisticação do andar superior. Quase todas elas comunicavam-se com um terraço que circundava a casa.
Contrastando com todos aqueles móveis de estilo e obras de arte, o escritório de James era um exemplo de modernidade, equipado com computador, fax e demais aparatos eletrônicos.
Na parte sul, ficava a ala mais simples e informal da casa, composta por uma sala para refeições, outra para televisão e uma enorme e bem equipada cozinha.
Uma mulher, de cabelos grisalhos e rosto severo, deixou o fogão de lado, por um instante, e sorriu-lhes com simpatia, depois que James fez as apresentações.
— O almoço estará pronto daqui a dez minutos — Minerva in formou, voltando a ocupar-se com a comida.
— Príncipe está lá fora? Posso vê-lo? — o menino perguntou, curioso, sem oferecer nenhuma resistência, quando o pai segurou sua mão, para conduzi-lo até o canil.
— Venha, vou apresentá-lo de uma vez ao guardião da casa!
O cachorro era enorme e parecia extremamente feroz. Entretanto, na presença de James, tornou-se dócil e brincalhão como um filhote, lambendo o rosto e os braços de Harry.
— Depois do almoço, vamos levá-lo para um passeio pelos jardins e poderá ver então todos os truques que ele sabe fazer, está bem? — prometeu, deliciando-se com a alegria da criança.
O leve e adocicado vinho branco que Lily tomara, na hora do almoço, ajudou-a a manter os nervos sob controle, enquanto acom panhava o filho e o marido no passeio com o dobermann.
Lá fora estava muito quente e abafado e, após quinze minutos de caminhada, Lily começou a perceber os característicos sinais de cansaço em seu filho. E, diante de seu frágil estado de saúde, não poderia permitir que ele fizesse qualquer excesso que pudesse agravar seu quadro clínico.
— Não acha melhor voltarmos para casa e terminarmos esse pas seio outro dia? — sugeriu, pegando o menino no colo. — Poderá dormir um pouco, enquanto eu guardo nossas roupas nos armários.
James buscou os olhos de Lily, com um ar preocupado. Porém teve de esconder sua apreensão, pois Harry indagou-lhe:
— Posso ver Príncipe de novo, depois do jantar?
— Claro! E verá também Filius dando comida para ele.
Aliviado com aquela informação, o menino aninhou-se no peito da mãe, passando-lhe os braços em torno do pescoço.
— Deixe-me levá-lo — ele pediu, estendendo os braços para o filho.
Para surpresa de Lily, ele aceitou o colo do pai, sem nenhum protesto ou constrangimento, sorrindo para James.
Quando James o colocou gentilmente sobre a cama, Harry já havia adormecido. Em seguida, ele beijou sua face rosada, com tanta ternura e amor que Lily sentiu os olhos umedeceram de emo ção.
Mais uma vez, seu senso crítico a repreendeu por tê-lo afastado da convivência com o filho. Afinal, apesar de ter agido mal com ele, não podia negar que era um pai preocupado e amoroso.
Tentando afastar aqueles pensamentos, fechou as cortinas do quar to e retirou-lhe os sapatos para que tivesse um sono mais tranqüilo e confortável.
— Ele só precisa descansar um pouco — murmurou, notando o ar apreensivo no rosto dele. — Estará perfeitamente recuperado daqui a uma ou duas horas. — Depois, saiu do quarto, em direção à suíte principal, seguida de perto por James.
Aquela proximidade mexia com seus nervos, provocando-lhe ca lafrios pela espinha. Por mais que tentasse ser fria e racional, estava consciente do forte poder de sedução que ele ainda exercia sobre seu corpo, levando-a às raivas da loucura. Como iria resistir àqueles impulsos, dividindo o mesmo quarto com- aquele homem maleficamente sedutor?
— Vou começar a guardar minhas roupas. — Sua voz soou firme e decidida, disfarçando o turbilhão de emoções em que se encontrava.
Sem querer pedir-lhe ajuda, preferiu abrir as malas no chão mes mo, logo percebendo a besteira que havia feito. Pois era obrigada a abaixar-se para pegar as roupas, ficando numa posição desvantajosa.
— Está com medo, Lily? — insinuou, malicioso, olhando para as pernas bem torneadas da esposa.
— Deveria estar? — retrucou, fingindo uma indiferença que estava longe de sentir. Mas logo perdeu a calma, expondo seu ressentimento: — Você arquitetou tudo com perfeição, não foi? Camas separadas, mas um único quarto... Obrigando-me a compartilhar toda minha intimidade com um homem que traiu minha confiança!
Seu olhar tornou-se duro e indecifrável.
— O que pretende com esse jogo diabólico? — continuou, amarga.
— Não se atreva a passar para a minha cama, entendeu? James franziu as sobrancelhas, desdenhando daquela ameaça.
— Seja grata por eu ter colocado camas separadas... Minha idéia original era bem diferente...
A pulsação de Lily elevou-se às alturas, imaginando-se na mesma cama que ele, fazendo amor em suaves movimentos ondulantes, en quanto era beijada por lábios ávidos de prazer...
"Seu único intuito só pode ser vingança!", pensou, sentindo raiva e decepção ao mesmo tempo. Jamais poderia permitir que ele a subjugasse daquela maneira.
— Não pode obrigar-me a manter relações sexuais com você! — bradou, desafiadora.
Ele sorriu, exalando cinismo por todos os poros.
— Minha querida, sabe tão bem quanto eu que não será preciso obrigá-la a nada... Acabará acontecendo por livre e espontânea von tade.
— Nunca! — negou, com eloqüência. Contudo, tinha medo que seus próprios impulsos a traíssem outra vez...
Sete anos atrás, quando tivera aquela derradeira discussão com James, a única atitude dele fora carregá-la até a cama, iniciando um ritual de luxúria e erotismo que a levara ao delírio. Completa mente dominada pelo desejo, passara a noite fazendo amor, trocando todas as suas dúvidas e cobranças pela única preocupação de saciá-lo.
Na manhã seguinte, ao despertar, sentira-se tão humilhada e ferida como jamais imaginara que poderia ficar. Não agüentaria encarar James novamente, por isso decidira partir, sem deixar-lhe sequer um bilhete.
Lily estremeceu com o peso daquelas lembranças. Ninguém po deria calcular o quanto odiava aquele homem... Ou pelo menos, pensava odiar...
Alheio àqueles pensamentos, James cruzou o aposento, pegando um delicado porta-jóias de prata, que estava sobre a penteadeira.
— Seus anéis — declarou, entregando-lhe uma reluzente aliança de esmeraldas, ladeada por dois grossos aparadores de ouro.
Momentaneamente surpresa com aquele gesto, Lily ficou sem fala, com os olhos fixos nas jóias.
— Você as guardou? — fez a pergunta, como se não acreditasse no que estava vendo.
— O que esperava que fizesse com elas?
Cansada demais para iniciar uma discussão, Lily preferiu calar-se, colocando as jóias no dedo anular da mão esquerda, exatamente como fizera no dia de seu casamento.
Ele aproximou-se, segurando sua mão para examinar a aliança.
Aquele toque despretensioso a fez vibrar de prazer, inflamando cada célula de seu corpo, como se tivesse sido atingida por uma faísca elétrica.
"Isso tudo é loucura! Preciso ir embora daqui o quanto antes!", pensou, com medo de não resistir a todo aquele charme. Contudo a saúde do filho era mais importante e, em nome de seu amor maternal, recompôs-se e voltou a pendurar as roupas no armário, agindo como se estivesse sozinha no quarto.
Minutos depois, percebeu, com o canto dos olhos, que James havia deixado o aposento.
O jantar foi simples e agradável, incluindo no cardápio salada, sopa de legumes e espaguete, o prato preferido de Harry.
Depois de dar mais uma olhada no cachorro, o menino não fez objeções para ir para a cama, pedindo apenas que lhe contassem uma história. No fundo, estava adorando o convívio com o pai e a mãe, juntos pela primeira vez, após seu nascimento.
Ciente de que era observada por dois pares de olhos atentos, Harry e James, Lily iniciou a narração de uma história de super heróis.
Aos poucos, esqueceu-se da presença do marido, entusiasmando-se tanto com a história a ponto de criar vozes diferentes para cada personagem. Ao terminar, o filho estava quase adormecendo, com as pálpebras pesadas de sono.
Sem fazer barulho, James saiu do quarto, esperando alguns mi nutos na porta, até que Lily o acompanhasse.
— Ele costuma acordar durante a noite? — indagou, enquanto desciam as escadas.
— Muito raramente — respondeu, fazendo um aceno negativo de cabeça. Estava exausta e tudo o que desejava, naquele momento, era um banho demorado e uma cama macia. Contudo, tinha medo de ir para o quarto...
— Levarei Harry para a escola amanhã cedo e, depois, irei para o escritório — ela tornou a dizer, já que James continuasse quieto.
— Albus Dumbledore não estará a sua espera. Já o informei que sua funcionária Lily Evans é, na verdade, a sra. Potter.
Ela ficou rubra de raiva.
— Como se atreveu a fazer isso? — explodiu, com os olhos injetados. — Eu mesma queria ter-lhe contado!
— Como minha esposa, não precisa trabalhar. Sua prioridade é a educação de Harry — retrucou, autoritário.
— Eu sei disso — concordou, disposta a não ceder. — Mas, enquanto ele estiver na escola, não vejo problemas em dedicar-me à minha carreira.
— Volte ao escritório amanhã, se quiser — afirmou, impassível. — Mas isso é tudo!
— Não comece a dizer o que posso ou não fazer! E nem pense em insinuar que sou uma mãe relapsa! Afinal, já pensou que tipo de pai você será? — atacou, sem pensar nas retaliações de que poderia ser vítima.
James ficou petrificado, sem esboçar nenhuma emoção.
— Não basta dar uma casa confortável, montes de brinquedos e roupas caras para conquistar o amor de uma criança. O importante é participar do dia-a-dia, procurando orientá-la nos pequenos pro blemas do cotidiano ou comemorar os momentos felizes! — conti nuou, disposta a feri-lo. — O que vai acontecer daqui a algumas semanas, quando estiver, Deus sabe onde, preocupado em ganhar mais um milhão? Ou, se ficar em casa, provavelmente irá sair antes que Harry acorde e voltar depois que ele tenha adormecido.
Lily fez uma pausa para recuperar o fôlego, sem dar atenção à fisionomia raivosa do marido. Pelo contrário, decidiu dar-lhe mais uma alfinetada.
— Como irei explicar para nosso filho que seu relacionamento com o pai está em segundo plano, atrás dos negócios e demais as pectos financeiros?
— O que a leva a crer que serei esse tipo de pai?
— Porque só se preocupa com os lucros e nada mais!
Ele a encarou profundamente, tentando alcançar os recantos mais escondidos de sua alma. Por fim, com surpreendente calma, ques tionou:
— Diga-me, está querendo provocar-me por uma questão de tei mosia ou apenas para extravasar sua raiva?
— Ambos!
— Faz isso sem pensar nas conseqüências? — perguntou, sem deixar de fitá-la por um segundo.
— Não se atreva a me ameaçar!
James ergueu um das sobrancelhas, desafiador.
— Se pensa que vou aceitar suas provocações sem reagir, está completamente enganada.
Lily sabia que só teria a perder provocando-o, afinal, além de uma língua ferina, James poderia recorrer ao seu charme e sen sualidade para dominá-la. Mesmo assim, uma força meio irracional, talvez derivada de seu orgulho ferido, a impulsionava a continuar discutindo.
— Não vou brincar de família feliz sob as ordens de um ditador como você!
— Pois duvido que faça ou diga algo que acabe magoando Harry!
Ele estava coberto de razão. Embora sentisse uma necessidade imperiosa de agredi-lo, Lily não faria nada que pudesse decepcionar o menino.
— Não tem escrúpulos em utilizar nosso próprio filho como des culpa para me chantagear, não é?
— Está perguntando ou afirmando? — retrucou, decidido a levar aquela discussão às últimas conseqüências.
Durante alguns intermináveis segundos, pareceram travar uma ba talha silenciosa, apenas trocando olhares de ódio e acusação mútua. Por fim, recorrendo a suas últimas energias, Lily empinou o nariz, declarando:
— Não retiro uma palavra do que acabei de dizer, pois é a pura verdade!
James permaneceu calado, com uma expressão calma e insondável. Mas, apesar de todo seu autocontrole, percebia-se em seu olhar um brilho de raiva que chegava a ser aterrorizante. Afinal, as piores vinganças são arquitetadas com frieza e tranqüilidade, e não no calor de um impulso, sem um planejamento mais profundo.
— Pare enquanto ainda está levando vantagem, Lily.
De repente, ela sentiu-se vazia e sem forças, como se tivesse esgotado todas as suas reservas de energia. Precisava ficar sozinha por algumas horas para recuperar-se daquele embate.
— Vou tomar um banho e assistir um pouco de televisão — declarou, subindo alguns degraus da escadaria.
— Está pedindo uma trégua? — brincou, com ar vitorioso.
— Entenda como quiser...
— Cuidado com suas garras, minha gatinha arisca — advertiu, com cinismo. — Ou acabará enfrentando um tigre.
Não havia nada que pudesse acrescentar, portanto virou as costas e foi para a suíte, tendo o cuidado de fechar a porta, embora lhe faltasse coragem para trancá-la.
Ao certificar-se de que ele não a seguira, despiu-se e tomou um demorado e relaxante banho de banheira. Quando terminou, vestiu um confortável pijama de algodão, capaz de disfarçar até mesmo suas formas esculturais, e meteu-se na cama.
Nem bem havia se acomodado nos lençóis de cambraia, um pen samento terrível passou a perturbá-la:
"E se a cama onde estou for a de James? Com a minha sorte, não é de espantar que tenha escolhido a errada... Nesse caso, ele terá enorme prazer em aproveitar-se do meu engano..."
Para aquele problema só havia uma solução e, sem demora, vestiu um robe e acomodou-se na aconchegante saleta do quarto para assistir um pouco de televisão.
Se necessário, estava determinada a dormir ali mesmo, no sofá, apesar das prováveis dores nas costas que iria sentir no dia seguinte. Pelo menos, pouparia os problemas de escolher a cama errada...
A programação de domingo a noite não poderia estar pior. Havia uma reportagem sobre a vida dos esquimós, uma peça totalmente falada em russo e três filmes de gosto duvidoso: um de terror, outro de lutas marciais e o terceiro sobre os últimos dias de um doente com câncer.
Após mudar de canal inúmeras vezes, acabou escolhendo um dos programas, sem prestar a menor atenção ao seu conteúdo. Por fim, exausta, acabou adormecendo.
De súbito, sentiu-se suspensa no ar, envolvida por braços fortes e protetores, além de incrivelmente familiares. Muito sonolenta, recostou a cabeça naquele ombro viril, aninhando-se como uma criança indefesa.
Que sensação maravilhosa! Significava muito mais do que mero envolvimento sexual; envolvia também carinho e afeto entre homem e mulher, algo excluído por completo de sua vida há sete anos.
Envolta pelas névoas do inconsciente, beijou aquele pescoço com ternura, saboreando a maciez daquela pele morena e sensual. Em seguida, seus lábios buscaram os dele, numa tímida iniciativa. Con tudo, aos poucos, o beijo foi tornando-se mais e mais voluptuoso, arrancando-lhe gemidos de prazer.
Em conseqüência, sentiu o corpo arrepiado e o peito arfando; sensações físicas que destruíram a tênue barreira entre o sonho e a realidade.
Completamente desperta, descobriu-se nos braços do marido, to mando a iniciativa de acariciá-lo, sem nenhum constrangimento.
Revoltada consigo mesma, só queria ver-se livre daquele corpo colado ao seu.
— Solte-me! — ordenou, recuperando a fala.
— Estou prestes a fazê-lo — respondeu, com suavidade, colo cando-a entre os lençóis perfumados. Porém, sentou-se na beirada da mesma cama.
Com o corpo em brasas, implorando por mais carícias, e a perigosa proximidade de James, Lily não sabia o que fazer.
Queria beijá-lo outra vez, pedindo-lhe que a possuísse como nos velhos tempos. Porém, se cedesse, teria que enfrentar o rigor de sua própria consciência na manhã seguinte...
— Deixe-me em paz! — bradou, puxando o lençol até o pescoço.
— Está assustada como uma gata... — murmurou, com voz rouca, utilizando todas as suas armas de sedução. — Por que essa resistência contra algo que deseja tanto quanto eu?
Para comprovar o que estava dizendo, passou os dedos pelos seios de Lily, deixando-os intumescidos de prazer.
— Do que tem medo, ruivinha?
— De nada! Absolutamente nada!
"Mentirosa", acusou-se, sem piedade. Temia o modo como ele despertava seus desejos e necessidades de mulher com um simples toque ou gesto, fazendo-a sentir-se viva! Mas não queria ficar à mercê daquele amor para ser novamente traída...
Ele sorriu, sarcástico, como se tivesse lido os pensamentos de Lily. Então puxou os lençóis para baixo, beijando, sem nenhum pudor, os seios firmes e deliciosos da esposa.
— Boa noite, Lily — sussurrou, erguendo-se devagar. — E durma bem.
Ela ficou calada, incapaz de dormir, tentando entender o que acontecera. Afinal, embora lutasse com sua consciência, não teria resistido às investidas de James, se ele quisesse realmente possuí-la.
Logo a perplexidade deu lugar à raiva e, num gesto impulsivo, pulou da cama, disposta a acomodar-se em qualquer outro quarto vazio.
Sem pensar nas prováveis retaliações do marido, foi para a suíte verde, jogando-se sobre a enorme cama, com a única preocupação de dormir e esquecer os acontecimentos dos últimos dias.
Não demorou muito até que caísse no sono, desfrutando de um pouco de paz e tranqüilidade.
A certa altura, Lily piscou os olhos, incomodada com uma luz forte e inoportuna no quarto. Morta de sono, cobriu a cabeça com o travesseiro e voltou a dormir. Porém, antes que pudesse compreen der o que se passava, foi sacudida e colocada de pé por mãos vi gorosas.
— Pode caminhar ou, se preferir, eu mesmo a carrego — James declarou, inflexível. — A escolha é sua!
— Não quero dividir o quarto com você — explicou, amedrontada. Contudo estava acordada o bastante para perceber os olhares gulosos com que ele admirava seu corpo. E, mesmo sob a proteção daquele pijama largo, sentiu-se nua.
Naquele momento, não estava em condições de desafiá-lo e, essa leve desvantagem a fez calar-se. Porém, para descarregar a raiva que a invadia, mordeu o lábio até sangrar.
— Concordamos com essa reconciliação pelo bem de Harry — James relembrou-a, com frieza. — Sabemos que nosso filho é suficientemente esperto para saber que um casal feliz deve dormir no mesmo quarto, não é? — Ficou em silêncio, sabendo que utilizara o argumento certo para convenceria.
— Mas... — tentou protestar, sem saber como.
— Está preparada para responder às inúmeras perguntas que ele fará a esse respeito? — tornou a atacar, calando-a de uma vez por todas.
Primeiro, Lily enrubesceu de raiva, depois, admitindo a derrota, achou melhor desistir de dar murro em ponta de faca.
— Se ousar pôr as mãos em mim, nosso trato está desfeito! — prometeu, convicta.
Em segundos, retornou para a suíte principal e deitou-se na sua cama, sem se preocupar se ele a seguira ou não.
Mesmo com a cabeça coberta com o travesseiro, percebeu quando James voltou para o quarto, fechando a porta atrás de si. Então as luzes apagaram-se, permitindo-lhe, finalmente, desfrutar de uma tran qüila noite de sono.
A segunda-feira rapidamente transformou-se num daqueles dias onde tudo parece dar errado.
Depois de deixar Harry na escola, Lily dirigiu-se para o escritório, enfrentando um inexplicável congestionamento naquela parte da cidade. Ao chegar, encontrou sua mesa abarrotada de serviço, que tomou-lhe a manhã inteira, incluindo o horário de almoço.
Por sorte, já estava acostumada a trabalhar sobre pressão, por isso logo conseguiu controlar todas aquelas adversidades, que pare ciam desabar sobre sua cabeça. Quando o expediente encerrou-se, entretanto, deu um profundo suspiro, sabendo que seus problemas estavam apenas iniciando-se...
Sem alternativa, buscou o filho na escola e foi para a casa de James, que ainda recusava-se a chamar de lar. Porém, ao estacionar seu velho carro compacto na porta da mansão, viu um luxuoso BMW prateado com um imenso laço vermelho na capota.
— É da senhora — Fillius informou-a, sorridente. — O sr. Potter mandou entregar essa manhã.
— É um carro lindo! — exclamou, com sinceridade, embora não pretendesse aceitar aquele presente.
— O sr. Potter gostaria que a senhora desse uma volta para ver se aprova.
Lily sorriu-lhe, pois não queria magoá-lo. Afinal Fillius não tinha culpa de seus problemas com James.
— Acho que vou mudar de roupa antes — respondeu, achando uma saída honrosa para aquela situação.
— Está muito quente, mamãe — Harry queixou-se. — Vamos nadar um pouco?
Dez minutos mais tarde, ambos já estavam na piscina, rindo e brincando com total desenvoltura. E, somente depois de uma hora na água, Lily conseguiu convencer o filho a sair um pouco, para saborear um lanche que Minerva lhe trouxera.
— Olhe! — Harry alertou-a, enquanto tomava um suco de laranja. — Papai chegou. — Falou "papai" de forma tão natural e espontânea que ninguém teria suspeitado que aquela palavra só estava em seu vocabulário há menos de uma semana.
Lily sentiu um frio no estômago, consciente da sensualidade de seu maio vermelho, que salientava suas curvas e seios generosos.
Lentamente, virou-se para encará-lo, esboçando um falso sorriso no rosto. Em seguida, envolveu o corpo molhado da criança com uma toalha, repetindo a operação consigo mesma. Pelo menos, dessa maneira estaria protegida daqueles olhares maliciosos por algum tem po... Entretanto, contrariando suas expectativas, aquela atitude pa receu diverti-lo, incentivando-o a encará-la ainda mais.
Era difícil manter o sorriso, quando tinha vontade de dar-lhe um bom tapa. Mas percebendo que Harry estava atento ao com portamento de ambos, conseguiu controlar seus impulsos.
— Que tal darmos uma volta e escolhermos um parque para um piquenique? — sugeriu, despertando o interesse do menino.
— Podemos ir no carro novo? — quis saber, com os olhos bri lhando de entusiasmo.
— Não vejo por que não — respondeu, fitando Lily.
O que mais poderia fazer numa situação daquelas a não ser con cordar? Portanto, mantendo o sorriso nos lábios, foi para o quarto com o filho, a fim de se arrumarem para o passeio.
Já eram mais de cinco horas, quando atravessaram os portões da propriedade rumo ao litoral norte, devidamente acomodados no BMW novo.
O carro em si já representava uma magnífica novidade para Harry, quanto mais um piquenique com o pai e a mãe juntos. Por isso, monopolizou toda a conversa, rindo e falando sem parar.
Após passarem por diversos lugares, James selecionou o lugar ideal: um aconchegante parque, onde poderiam desfrutar da tranqüilidade da natureza, sem serem incomodados por estranhos.
Logo colocaram a tradicional toalha xadrez em cima da grama verde, distribuindo sobre ela uma série de sanduíches e outras de lícias que Minerva tivera a gentileza de fazer.
Uma brisa suave soprava e ao mesmo tempo, no horizonte, mais um pôr-do-sol acontecia, acompanhado por uma re voada de gaivotas.
Lily olhou ao redor, percebendo que vivia um momento de pura felicidade: os três ali, juntos, divertindo-se como uma família, sobre a proteção auspiciosa da natureza.
De repente, seus olhos encheram-se de lágrimas, ao lembrar do que ainda teriam que enfrentar juntos... O que seria de sua vida se acontecesse algo errado com a operação de Harry?
Perto daquele problema, seus desencontros amorosos com James perderam a importância e chegou a agradecer a Deus por tê-los reaproximado nesse momento tão difícil.
— Mamãe, o que foi que aconteceu?
Lily engoliu as lágrimas, recorrendo a toda sua força de vontade para sorrir.
— Estava vendo o colorido céu e acabei me emocionando... Sabe como gosto do pôr-do-sol, não sabe? — explicou, pegando o filho no colo. Então, numa tentativa para distraí-lo, apontou para uma árvore e disse: — Olhe, aquilo não é um passarinho?
James observou aquela cena, enternecido.
Depois disso, o clima de alegria voltou a reinar no piquenique e todos ocuparam-se em saborear as guloseimas, regadas a vinho bran co e suco de fruta, para James.
Quando a refeição terminou, arrumaram tudo dentro da enorme cesta de vime e puseram-na de volta no porta-malas do carro. Porém, como aquele entardecer estava belo demais para ser desperdiçado, resolveram caminhar um pouco pelo parque, aproveitando os últimos raios de sol.
Harry corria feliz, como um pássaro recém-libertado. Logo atrás, vinham Lily e James, no mais absoluto silêncio.
Por fim, quando o cansaço abateu-se sobre o menino, ele o pegou no colo, carregando-o até o carro.
Havia uma aura de paz e tranqüilidade a envolvê-los, levando Lily a desejar, mais uma vez, que seu casamento tivesse dado certo... Então, como num passe de mágica, compreendeu que devia parar de pensar no passado para preocupar-se mais com presente. Se ainda amava aquele homem devia reconquistá-lo!
— Você vai dirigir — James informou-a, após acomodar Harry no banco de trás.
— Não, prefiro que você dirija. Não estou familiarizada com o veículo...
Ignorando aquela desculpa, ele sentou-se no banco do passageiro, deixando-lhe a direção.
— Mais um motivo para experimentar o carro agora, que estou ao seu lado — retrucou, intransigente.
Poderia até ter resistido, porém, movida pela curiosidade, resolveu aceitar aquele desafio.
Passavam das nove quando voltaram para casa, e Harry es tava tão exausto que, mal tocou a cabeça no travesseiro, caiu num sono profundo.
Já tenho até o capítulo 7 pronto, por isso estou postando rápido ;D e tb penso que se fosse eu estaria louca pra saber o que irá acontecer (hahaha). Ainda não decidi quantos capítulos serão, mas acho que não passará de 10 ou 11. Estou reescrevendo algumas partes.
Beijos pra quem estiver por ai ;**
