Esse é um dos meus capítulos preferidos. Eu acho que ele é meio que um divisor de águas, porque é nele que a relação da Lily e do James começa a mudar. Tem uma cena mais hot nele. Nada muito explícito, mas as coisas esquentam pra valer ( já num era sem tempo né?)
CAPÍTULO 6
Sirius Black era um simpático e agradável cavalheiro, cuja filha, Sienna, tinha quase a mesma idade de sua segunda esposa. Aliás, ambas pareciam travar uma acirrada e silenciosa competição, cada uma tentando superar a outra na maneira sofisticada e luxuosa de se vestir. Era primo de Bellatrix, porém completamente diferente da prima desagradável e fútil.
Em comparação com os autênticos modelos Dior e Ungaro, usados por suas convidadas, o vestido de Lily parecia simples demais. Mas, pelo menos, o estilo clássico e despojado de sua roupa assegurava-lhe uma boa dose de elegância.
Logo que viu Lily, Sirius cumprimentou-a, beijando-lhe a mão, num gesto polido.
— Estou encantado por vê-los juntos novamente! — afirmou, com visível satisfação. — E, como era de se esperar, sua beleza continua inigualável, minha querida! Aliás, continuo achando que James foi um tolo por deixá-la escapar daquela vez.
Disfarçando o embaraço que aquele comentário lhe causara, ela retribuiu o cumprimento:
— Sirius! Você continua o mesmo galanteador de sempre!
Com um sorriso matreiro, ele fitou uma das moças, com o canto dos olhos, e retrucou:
— Minha esposa diz que estou ficando mais irascível a cada ano. E Sienna só discorda dessa crítica porque pago todas as suas contas.
— Ignore-o — Catherine sugeriu, estendendo-lhe a mão.
— James... — Sienna murmurou, após um antipático aceno para Lily. — É excitante encontrá-lo outra vez...
"Excitante!", Lily indagou-se, furiosa com o modo como a filha de Sirius se insinuava para James.
Catherine, embora superficial e afetada, portou-se com dignidade, optando por ignorar as perigosas maquinações da enteada, que se tornava mais inconveniente com o passar das horas.
Através de uma série de artifícios femininos, Sienna sutilmente impedia os demais de se aproximarem de James, fazendo de tudo para monopolizar sua atenção. Ria bastante, contando-lhe as últimas fofocas sobre a alta sociedade, ou então falando sobre algum evento cultural. Talvez aquilo tudo não passasse de mero capricho de uma garota mimada e fútil para ser o centro das atenções. Porém, qualquer que fosse o motivo, Lily recusava-se a participar daquele jogo, fingindo que não estava acontecendo nada de anormal.
Agindo como uma perfeita anfitriã, ela iniciou um diálogo interessante com Sirius e a esposa sobre informática, um dos assuntos preferidos dele, já que a fortuna de sua família residia em empresas desse ramo.
Na verdade, James não fazia nada para encorajar o comportamento de Sienna. Mas, em compensação, também não tomava nenhuma providência para afastá-la, aceitando aquele jogo com seu jeito cínico e zombeteiro de sempre.
Após o jantar foram para a sala de música saborear um delicioso café expresso. Então, quando o relógio já marcava meia noite, Sirius ergueu-se do sofá, indicando que iriam embora.
— Ainda é muito cedo! — Sienna protestou, desapontada. — A noite está tão agradável que poderíamos esticá-la numa dessas boates da moda.
— Querida — Sirius repreendeu-a, com discrição, dando um sorriso complacente para Lily. — Acho que nossos amáveis anfitriões têm outros planos para esse fim de noite.
A filha deu uma gargalhada maldosa, jogando a cabeça para trás com afetação. Depois, olhando James de alto a baixo, retrucou, maliciosa:
— Não seja cruel, papai. Estou certa de que nosso querido James tem fôlego para muito mais...
Sirius fitou a esposa, buscando a força necessária para não perder a calma com a filha.
— Não discuta querida — afirmou, em tom pausado, porém com um brilho inflexível no olhar.
Sienna fez questão de manifestar seu desagrado, tornando-se séria e sacudindo os ombros, com desdém.
— Se acha melhor irmos embora, papai... — assentiu, contrariada. Então aproximou-se de James, roçando o corpo no dele, enquanto passava as longas unhas vermelhas por seus ombros largos. — Até breve... — despediu-se, beijando seu rosto.
Antes de sair, entretanto, analisou Lily, comentando, com escárnio:
— Precisa mesmo descansar, meu bem... Está tão abatida.
Sem hesitar, Lily encarou a rival, respondendo, à altura:
— Sabe, querida... Com James não se sobra muito tempo para dormir...
Sirius sorriu, aprovando a resposta maliciosa, que desmontou o ar de superioridade da filha.
— Agora podemos ir, Sienna? — Depois, com suas maneiras cavalheirescas, beijou a mão de Lily, dizendo: — Faço questão de retribuir-lhes o jantar antes de retornarmos à América.
Lily sorriu, agradecida, colocando-se ao lado de James para acompanhá-los até o carro.
Minutos mais tarde, ela observou, mais do que aliviada, os Black desaparecerem atrás dos portões da propriedade. E, sem trocar uma palavra com o marido, subiu as escadas para ver como estavam Harry e Françoise.
Uma bolinha pulou do cesto para fazer-lhe festa, assim que Lily abriu a porta do quarto do filho. Quanto a Harry, dormia como um anjo.
— Vou levá-la para um rápido passeio, para não termos nenhuma surpresa desagradável e malcheirosa amanhã cedo — James comunicou, levando o filhote para fora.
Sozinha com o filho, cobriu-o com o lençol, sentindo as lágrimas rolarem por sua face. No dia seguinte, a essa hora, seu menino estaria num quarto de hospital, recuperando-se daquela terrível cirurgia.
Ao perceber que James retornava com Françoise, saiu, apressada, para que ele não a visse chorando.
Como ele ainda precisava acomodar a cachorra no cesto e dar um beijo de boa-noite em Harry, Lily teve tempo de trancar-se no banheiro, quase arrancando a maquiagem borrada, com chumaços de algodão. Seus nervos estavam em frangalhos, tornando seus gestos trêmulos e inseguros.
Quando finalmente voltou para o quarto, vestindo uma camisola longa, James já estava deitado, cobrindo sua nudez com o lençol. Parecia entretido, tomando notas numa agenda de couro.
— Com vergonha? — indagou, de súbito, tirando os olhos das anotações para encará-la.
Odiando-se pelo rubor que tingia sua face de vermelho, preferiu não responder, enfiando-se, depressa na sua cama.
Um sentimento de tristeza e amargura passou a afligi-la, ao pensar que, sete anos atrás, ele a estaria despindo e acariciando cada parte de seu corpo com igual atenção.
Agora, só lhe restava os lençóis e travesseiros, seus únicos companheiros de toda noite.
— Que fascinante, ruivinha... — James sussurrou, malicioso. — Continua a corar quando a vejo de camisola...
— Se procura alguém para divertir-se, deveria ter ido a alguma boate na companhia de Sienna!
— Por que faria isso? — perguntou, cínico. — Se tenho toda a diversão que desejo aqui em casa!
Lily ficou ainda mais irritada com aquela insinuação.
— Porque não estou disposta a diverti-lo!
— Sienna está...
— Vi perfeitamente bem o quanto ela está disposta a isso! -bradou, tomada pela raiva.
— Ela é a única filha de um grande amigo meu e adora exercitar seu poder de sedução — prosseguiu, como se Lily não tivesse dito nada. —Sirius deveria tê-la disciplinado quando ainda era uma adolescente.
— Ah! Pobrezinha! — ironizou. — Sienna não consegue ver um homem atraente que logo parte para o ataque! Se ele é casado ou está com outra mulher é um detalhe sem importância!
James exibiu um sorriso animado.
— Está com ciúme, ruivinha.
— Pare de me chamar assim!
— Você perde a calma por motivos tão bobos... — zombou, sem perturbar-se com aquele ataque de nervos. — Desse modo não vai conseguir relaxar o suficiente para dormir.
Ainda mais irritada, arremessou o travesseiro na cabeça do marido.
Num gesto rápido, James passou para a cama dela, segurando-a com braços potentes.
Sentindo aquele corpo desnudo em contato com o seu, Lily ficou toda arrepiada de excitação. Contudo, devido à sua teimosia, recusava-se a entregar os pontos assim, com tanta facilidade. Por isso, ainda tentou se soltar, mordendo o ombro dele com toda força de que dispunha.
Pego de surpresa, ele deixou-a livre por alguns segundos. Tempo muito bem empregado por Lily, que saltou da cama, numa tentativa desesperada de chegar ao banheiro.
Por uma artimanha do destino, foi alcançada antes de concluir seus objetivos, sendo derrubada no chão com uma certa violência.
Transtornado por uma mistura de ódio e desejo, James a encarou por longos instantes, imobilizando-a por completo. Então arrancou-lhe a camisola, deixando-a apenas de calcinha de renda preta.
Terrivelmente sedutor, ele deslizou os lábios pelo seu ventre macio, dando especial atenção aos seios e mamilos. Só depois de vencer todas as suas resistências, chegou à boca, sendo acolhido com um beijo sedento e voraz.
Ali mesmo, sobre um valioso tapete persa, entregaram-se ao fogo da paixão, que os estava consumindo até a alma.
Graças à magia do amor, os dois amantes foram envolvidos por uma névoa de alegria e felicidade, onde os tormentos do passado e as preocupações do futuro nem sequer existiam... Nada mais lhes importava, a não ser o bailado de seus corpos ardentes a procura do êxtase supremo...
Logo, a quietude tornou a reinar no quarto, interrompida apenas por profundos suspiros emocionados. Mas aquele não era o final e sim o começo de uma bela noite de amor, festejando o reencontro após sete longos anos de saudades...
Gemendo de prazer, Lily foi levada até a cama, pensando apenas em sentir aquele corpo másculo sobre o seu, enquanto seus lábios ocupavam-se em beijá-lo.
Outra vez, tornaram a amar-se, numa explosão de erotismo e luxúria, que parecia incapaz de saciá-los... Estavam em pleno delírio, dominados por instintos há muito adormecidos, por isso, ambos suplicavam por mais e mais...
Lily tentara apagar de sua memória os acontecimentos daquela noite de amor. Apesar de seus esforços, de vez em quando, vinham-lhe à mente alguns diálogos ou cenas mais picantes, como se fossem flashes de um filme, onde era a protagonista...
— Quero ficar com meu filho — disse à enfermeira-chefe, logo após a internação de Harry.
— Meu bem, entenda nossa posição... — a mulher tentou explicar-lhe. — Seu filho está sendo preparado para a cirurgia e sua presença, nesse momento, poderá atrapalhar o desempenho da equipe médica.
Com o coração apertado de dor e agonia, sentou-se na sala de espera, implorando a Deus para que nada de mal acontecesse a seu filho. E, mesmo após a cirurgia, fez questão de permanecer ali, recusando todos os conselhos para descansar ou comer algo.
Por fim, aflito com o estado em que Lily se encontrava, James decidiu tirá-la daquele hospital, sem dar ouvidos aos seus frágeis protestos.
Assim que chegaram em casa, ele a levou para o quarto e preparou-lhe um copo de leite com uma dose de tranqüilizante.
— Beba tudo — disse, com firmeza. — Vai ajudá-la a dormir. Sem forças para discutir, obedeceu, num gesto mecânico. E, logo depois, acabou adormecendo, sem ter sequer vestido um pijama.
Nos dias que se seguiram, repetiu-se a mesma situação: Lily parecia em transe e passava horas intermináveis no hospital, em silenciosa vigília. No fim, James a levava para casa, fazendo-a dormir, à custa de algum sedativo.
Após uma semana, Harry pôde ser transferido da UTI para uma confortável suíte no hospital, apresentando evidências de uma lenta recuperação. Mesmo assim, a presença dos pais estava limitada a rápidas visitas diárias.
No meio de uma noite, Lily despertou, num pranto convulso, rompendo as barreiras daquele estado catatônico em que se encontrava, desde a cirurgia. Então, depois de muito chorar, sentiu as forças retornarem, repelindo todos os pensamentos negativos que a estavam dominando. "Preciso ser forte e corajosa para ajudar meu filho a recuperar-se!", disse para si mesma, dando-lhe novo ânimo para prosseguir.
Incapaz de pegar no sono, levantou-se e foi até o quarto do filho, prendendo a respiração antes de abrir a porta.
Assim que acendeu a luz, a pequena Françoise ergueu-se do cesto para verificar quem era o intruso e, reconhecendo Lily, correu a fazer-lhe festa.
Com o cãozinho no colo, voltou a chorar, sabendo o quanto Harry adorava aquela mascote. Após algum tempo, enxugou as lágrimas e pôs Françoise de volta no cesto.
Sufocada pelas próprias emoções, foi até a janela, abrindo-a completamente para respirar um pouco de ar puro.
Lá fora, a lua cheia reinava absoluta, em meio várias estrelas das mais variadas magnitudes.
Absorta pela beleza daquele cenário, Lily perdeu a noção do tempo que permaneceu ali, relembrando passagens tristes e alegres da vida de Harry...
Recordou a alegria de seu nascimento, passando para a primeira dor de ouvido, o remorso por deixá-lo num berçário para ter que trabalhar, os passeios pelo zoológico, seu primeiro dia de aula... Era um menino maravilhoso! Terno e obediente, mas cheio de personalidade.
— Não consegue dormir?
Aquela pergunta a trouxe de volta à realidade, deixando para trás todas aquelas lembranças.
Ela virou-se, fitando-o por um período excessivamente longo, sem expressar nenhum sentimento. Seu rosto era de uma palidez assustadora, contrastando com profundas olheiras de cansaço.
— Gostaria que tudo isso chegasse ao fim e Harry estivesse aqui, conosco — sussurrou.
— Esse também é o meu sonho — James respondeu, abraçando-a.
No começo, resistiu àquele carinho, contraindo todos os músculos do corpo. Mesmo assim, ele não se afastou, continuando a envolvê-la de forma terna e carinhosa.
Carente e cansada de lutar contra os próprios sentimentos, Lily recostou a cabeça naquele ombro largo, permitindo-se desfrutar do amparo e proteção que ele lhe oferecia.
Ambos continuaram abraçados, por longos minutos, compartilhando as mesmas dores e aflições pelo futuro do filho, e, unidos daquela maneira, tinham a sensação de que seus problemas tornavam-se até menores.
Sem dizer uma palavra, James a pegou no colo, fitando-a com ternura. Então, dando-lhe um suave beijo nos lábios, carregou-a de volta para a suíte.
Lily pressentia o que estava para acontecer... Mas estava tão frágil e desamparada que não se importaria... Desejava apenas sentir-se protegida...
Lentamente ele a pousou sobre a cama, beijando-a com delicadeza. Seus olhos verdes ardiam de desejo e não seria difícil seduzi-la naquele momento. Entretanto, James ergueu-se, murmurando:
— Durma bem, ruivinha.
Lily ficou perplexa com aquela demonstração de sensibilidade. Afinal o julgava capaz dos atos mais sórdidos para conseguir o que desejava... Por fim, satisfeita com o procedimento de James, acabou adormecendo, embalada por românticos sonhos de amor...
Muito fofa essa última cena de Lily e James, é uma das minhas cenas favoritas deles, finalmente os dois mais vulneráveis, sem toda aquela implicância. *-* e a ceninha mais hot, gostaram? Claaaaro que tinha que ser no meio de uma briga, óbvio. Não é uma fic tradicional, mas ainda é James e Lily, né?
Até o próximo capitulo!
